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30 de setembro de 2009

Cinema para padres de Braga ainda não tem lista definida


Enzo Bianchi e Rui Alberto foram os oradores convidados para a primeira sessão


O ciclo de cinema sobre a figura do presbítero, que a Arquidiocese de Braga promove durante este Ano Sacerdotal no âmbito da formação permanente do Clero, ainda não tem uma lista de filmes definida e encerrada. A informação foi avançada ao Diário do Minho pelo padre Arlindo Cunha, sacerdote da Diocese do Porto e que coordena este projecto, a pedido da Equipa de Formação Permanente do Clero.
O responsável pela iniciativa garantiu ontem, desmentindo alguma informação veiculada na comunicação social, que a listagem de filmes «ainda não está definida». Confirmando que fez à Equipa de Formação Permanente do Clero uma sugestão de «alguns filmes», disse, contudo, que estão confirmados apenas dois, o que passou ontem e o próximo filme a projectar brevemente. «Nem sequer o terceiro filme está escolhido», atirou, desmentido que estejam escolhidos os filmes a projectar.
Arlindo Cunha explicou, antes da projecção do primeiro filme, que o objectivo passa por analisar diferentes tipos de padres que foram sendo retratados no cinema. O sacerdote que é também professor no Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo começou por elucidar os sacerdotes e seminaristas presentes em relação à evolução de pensamento da Igreja sobre a sétima arte. «Condenado inicialmente até por meio de uma encíclica, hoje o cinema é uma das maravilhas queridas de Deus», sustentou.
Por seu lado, o cónego Vítor Novais, Reitor do Seminário Conciliar de Braga e membro da Equipa responsável pela Formação Permanente do Clero, garantiu que a iniciativa terá a exibição de nove filmes, divididos em três séries. Mas, «a listagem não está definida, apenas sugerida» garantiu o capitular, destacando que se trata de uma «iniciativa de carácter formativo apenas aberta ao Clero da Arquidiocese».

Enzo Bianchi
apresentou livro
A recolecção do Clero da Arquidiocese de Braga que decorreu ontem no Auditório Vita teve direito à presença de Enzo Bianchi, ao final da manhã, para apresentar o seu mais recente livro, intitulado “Para uma ética partilhada”.
A obra do Prior da Comunidade Monástica de Bose (Itália), que está dividida em quatro capítulos mais introdução e conclusão, foi apresentada ontem em Braga, pelo próprio autor, ouvido e aplaudido por cerca de duas centenas de pessoas.
Numa comunicação em italiano, com tradução simultânea, Enzo Bianchi apresentou os principais temas que desenvolve no seu mais recente livro, onde se destacam reflexões sobre a relação entre religião e política.
Para o Prior de Bose, autor de vários livros, alguns dos quais best-sellers em Itália, «os cristãos têm um papel fundamental na política» e «na vida social» que não podem nunca descurar.
Em relação à «guerra de civilizações» e aos «choques culturais», o leigo italiano, de 66 anos, defendeu que é fundamental «a Igreja colocar-se em atitude de abertura» e de «caminho conjunto».
No livro traduzido para português e publicado pela Editora Pedra Angular, Bianchi fala de temas como a laicidade, a presença da Igreja no espaço público e globalização, entre outros, para além do tema que dá título ao livro: a ética.


Padre Rui Alberto falou sobre desafios do presbítero
«Cristo é a fisionomia do padre»


O padre Rui Alberto foi convidado para orientar a primeira intervenção da recolecção do Clero da Arquidiocese de Braga que contou com a presença de várias dezenas de sacerdotes e ainda do novo Bispo Auxiliar de Braga, D. Manuel Linda, que presidiu à oração de Laudes com a qual arrancou a jornada formativa.
O orador convidado falou sobre “Desafios e discernimento. Ser padre”, à luz da “Pastores dabo vobis”, documento de João Paulo II sobre o ministério sacerdotal.
O salesiano começou por destacar a actualidade do texto, sem deixar de apontar «algumas questões que o tempo se encarregou de tornar obsoletas».
O objectivo da recolecção, assim como o do documento de João Paulo II, é, para o padre Rui Alberto, «repensar, ler desafios e discernir o ministério sacerdotal», ainda que, esse caminho deva ser feito «sem triunfalismos de vanglória» e «sem lamúrias».
O sacerdote, ordenado há 11 anos, defendeu que «ser padre hoje é igual a sê-lo como em todos os tempos», porque o «padre deve-o ser como Jesus», sempre «respondendo aos desafios concretos de cada tempo». «Cristo é a fisionomia do padre», sublinhou, destacando que «o presbítero está em relação com Cristo, mas com os pés assentes na terra».
Depois de traçar os desafios que o tempo actual, entre a modernidade e a pós-modernidade, trazem à vivência do ministério sacerdotal, Rui Alberto frisou que o discernimento deve ser acompanhado de um «conhecimento profundo» que seja «interpretado à luz da fé», tendo em conta as «complexidades», mas também a «criatividade do Espírito que faz novas todas as coisas».
Antes de terminar e depois de realizar com os presentes um pequeno exercício, o salesiano deixou o desafio de os sacerdotes saberem dialogar com a realidade social actual, aproveitando as oportunidades e transformando o negativo em positivo.
E esquematicamente deixou a seguinte mensagem: é preciso incrementar as forças, superar as fraquezas, aproveitar as oportunidades e transformar as ameaças em oportunidades. «O Santo Cura d’Ars fez isto como ninguém. Neste Ano Sacerdotal podemos aprender isso com ele», concluiu.

29 de setembro de 2009

Novo Bispo Auxiliar tomou posse em Braga





O novo Bispo Auxiliar de Braga, D. Manuel Linda, tomou ontem posse nos Serviços Centrais da Arquidiocese. Este prelado junta-se agora ao também Bispo Auxiliar D. António Couto e ao Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga. Na cerimónia de tomada de posse, o responsável pela Arquidiocese salientou que a Igreja de Braga está apostada em «gerar esperança» num contexto não apenas religioso como social, cultural e economicamente adverso. Curioso é olhar para os lemas dos dois bispos auxiliares e observar que têm a “esperança” como ponto comum.
Numa cerimónia «familiar», como a caracterizou D. Jorge Ortiga, foi dada posse a D. Manuel Linda como vigário-geral da Arquidiocese e como presidente da Comissão Arquidiocesana para as Vocações, Ministérios e Missões. Presentes, para além do Arcebispo Primaz e do Chanceler da Cúria, estiveram os dois vigários-gerais, cónego José Paulo Abreu e cónego Valdemar Gonçalves, o padre José Carlos Vilas Boas e Sá e diversos funcionários.
O Arcebispo de Braga disse gostar da «solenidade das coisas pequenas» e indicou aquela como um cerimonial que obedece a regras canónicas que «poderia decorrer com uma maior dimensão exterior» e com maior mediatismo. «Quisemos que isto decorresse num ambiente mais familiar», referiu D. Jorge Ortiga, acrescentando que a apresentação pública de D. Manuel Linda, ainda que sem nenhum momento em particular, decorrerá domingo, na Sé Catedral, na cerimónia que marcará a abertura do ano pastoral de 2009-2010.
D. Jorge Ortiga indicou que, tal como os seus auxiliares, não exercem o episcopado para fazer obra própria mas, acrescentou, «para que a Arquidiocese de Braga seja uma Igreja particular ao serviço do Evangelho e dos mais pobres».
Aliás, o prelado recordou os números estatais que dão conta que o distrito de Braga perde 951 empregos por mês e que, em um ano, a pobreza subiu 12 por cento, no mesmo território.
É neste contexto social adverso que o Arcebispo de Braga pediu ao seu novo bispo auxiliar que integre uma equipa episcopal e clerical arquidiocesana que pretende ser «instrumento de esperança». «A vinda de D. Manuel Linda é para nós, essencialmente, motivo de alegria e esperança», disse D. Jorge Ortiga, referindo que aquele novo bispo, pela experiência que tem - foi reitor do Seminário de Vila Real, Vigário Episcopal para a Cultura e Coordenador da Pastoral da Diocese de Vila Real –, vai dar «um novo alento ao trabalho vocacional».

Adeus emocionado
ao clero de Vila Real
O novo Bispo Auxiliar de Braga revelou que ainda na manhã de ontem, antes de viajar para Braga, se deslocou a um encontro de formação do clero de Vila Real onde aproveitou para se despedir. D. Manuel Linda não escondeu que se tratou de uma despedida emocionada mas frisou que, agora, «Braga é a minha casa e a minha “pátria”».
Depois de fazer a profissão de fé e do juramento previstos pela legislação canónica, o novo prelado bracarense disse que irá guardar «com carinho» o papel da sua provisão já que este é o primeiro serviço das novas funções como bispo.
Prometeu amizade aos sacerdotes e colaboradores da Cúria presentes, sendo que já é amigo de longa data do Arcebispo Primaz e do seu colega auxiliar D. António Couto.
Ao Diário do Minho, D. Manuel Linda disse que vai agora procurar conhecer melhor a realidade da Arquidiocese de Braga e não lamenta que as visitas pastorais – que estão suspensas durante este Ano Sacerdotal – não se realizem.
Tal como já tinha avançado D. Jorge Ortiga durante o próximo ano pastoral, que se inicia domingo, os bispos da diocese vão privilegiar o contacto «com todos os sacerdotes» da arquidiocese para, no Ano Sacerdotal, conseguirem estabelecer «comunhão com todos». É, precisamente, deste contacto pessoal que D. Manuel Linda diz esperar ficar a conhcer a realidade da Arquidiocese de Braga, os seus valores e debilidades.
Quanto à sua nomeação para liderar a Comissão Arquidiocesana para as Vocações, Ministérios e Missões, o bispo refere que esta corresponde a uma orientação de distribuição das diversas funções da arquidiocese.
Sobre D. Jorge Ortiga, o novo bispo auxiliar não escondeu que nutre «profunda e longa amizade» com o Arcebispo Primaz. Sobre D. António Couto, seu colega auxiliar e pouco mais velho, D. Manuel Linda refere que já são amigos há muitos anos, desde que se conheceram no tempo em que ambos estudavam.
Curioso é olhar para os lemas episcopais dos dois Bispos Auxiliares de Braga. O lema adoptado por D. António Couto é “Vejo um ramo de amendoeira”, que tal como o profeta Jeremias constitui um grito de esperança no “Inverno” que parece se ter abatido sobre o homem contemporâneo. Por seu turno, D. Manuel Linda escolheu como lema “Sede alegres na esperança”, o que vai de encontro à mensagem que o próprio Arcebispo Primaz tem procurado transmitir face ao clima de desalento social e espiritual instalado.

Diário do Minho

4 de julho de 2009

Novo Bispo Auxiliar visitou Arquidiocese de Braga


D. Manuel Linda será ordenado a 20 de Setembro


O novo Bispo Auxiliar de Braga visitou ontem a Arquidiocese, contactando com D. Jorge Ortiga e com D. António Couto, e ficando a conhecer a “nova casa”, o Paço Arquiepiscopal, onde ficará instalado a partir de 20 de Setembro, ao que tudo indica dia da Ordenação episcopal, na Sé de Vila Real.
Na primeira visita à Arquidiocese, depois da nomeação do Papa Bento XVI, D. Manuel Linda esteve reunido com o Arcebispo Primaz e com D. António Couto para ouvir as primeiras indicações dos prelados da Arquidiocese bracarense.
No final da conversa, D. Jorge Ortiga, acompanhado por D. António Couto, mostrou a D. Manuel Linda o Paço Arquiepiscopal e os espaços anexos, particularmente a Galeria dos Arcebispos.
D. Manuel Linda confessou que sente alguma «preocupação» face à nomeação, por se tratar do início de um novo ministério. «Não sei o que é ser bispo», afirmou, mas «sei que venho para uma diocese com uma longa história, que tem sido dirigida por tantos santos Arcebispos, que tem sacerdotes extraordinários e bem formados e ainda um povo de Deus que forma um santo Povo de Deus».
O novo bispo entende a nova missão como colaboração efectiva com o Arcebispo de Braga e com o outro Bispo Auxiliar. «Não venho para fazer coisas, senão aquilo que me pedir o Arcebispo», frisou, prometendo para o seu novo ministério «proximidade afectiva e efectiva» e «simpatia», além de desejar «acalentar a esperança» e «pregar Jesus Cristo crucificado».
D. Manuel Linda deu a conhecer que tem também algumas preocupações pastorais, mas mais ao nível da Igreja universal. Em concreto, apontou a crise vocacional. Embora se manifestem «alguns sinais de superação», o número de padres ordenados não supera o número dos que morrem.
A par da crise vocacional, o novo bispo destacou igualmente a crise familiar. «As famílias estão em crise», afirmou, e isso deve ser motivo de preocupação para todos.
D. Jorge Ortiga, por seu turno, vê a nomeação de D. Manuel Linda como uma graça para a Arquidiocese particularmente por coincidir com o início do Ano Sacerdotal. Segundo o Arcebispo Primaz, tal como estabeleceu o Conselho Presbiteral, a aposta deste ano, do ponto de vista pastoral, passa por os bispos contactarem de uma forma mais próxima e especial com todos os sacerdotes de Braga.
Para o responsável máximo da Arquidiocese, a nomeação do reitor do Seminário de Vila Real, que estudou Humanidades na Faculdade de Filosofia de Braga, não se liga apenas à questão do trabalho pastoral. «O fundamental é o espírito de comunhão que podemos criar entre nós, bispos, e nossa com os sacerdotes», finalizou.

29 de abril de 2009

«Homossexualidade revela imaturidade afectiva»


Padre Vasco Pinto de Magalhães falou ao Clero de Braga

O padre Vasco Pinto de Magalhães defendeu ontem, em Braga, que a «homossexualidade revela imaturidade afectiva» e não é mais que «uma dificuldade de identificação com a complementaridade». O jesuíta falava ao presbitério bracarense, em mais uma Jornada de Formação do Clero, que teve uma particular incidência na celebração do Ano Paulino, com a visita à exposição de Ilda David’ e com a leitura da Carta de S. Paulo aos Gálatas.
A partir do tema “Relação interpessoal. Da liberdade à libertação”, o padre Vasco Pinto de Magalhães dividiu a sua apresentação em três pontos, desenvolvidos em três tempos de intervenção, entre a manhã e a tarde. Foi a terminar o segundo momento que o sacerdote, ao falar das patologias das relações interpessoais, aflorou a questão da homossexualidade, referindo que, antes de mais, esta se liga à questão da educação e que é um «problema de imaturidade e de não desenvolvimento saudável da afectividade».
Para o jesuíta, a homossexualidade tem a ver com a «dificuldade de superação da síndrome de Narciso», ligada à fase dos sete anos de vida da criança. «A síndrome de Narciso é uma excessiva fixação na fase pré-adolescente, em que a criança se procura a si mesma, e, se mais tarde, não supera isso, com a descoberta da complementaridade, está lançada a base para a homossexualidade», afirmou.
Todavia, antes ainda de se referir às patologias das relações interpessoais, o sacerdote que trabalha com jovens universitários, em alguns centros da Companhia de Jesus, começou por destacar a dinâmica privilegiada dessas relações, concretamente o «investimento arriscado» e o «mecanismo de feedback».
Desenvolvendo o segundo, explicou que “feedback” é «fazer eco de uma informação», é uma «restituição de informação». Ao nível das relações interpessoais, é «acolher o outro nas palavras, lê-lo no seu contexto e restituir a informação sem fazer qualquer juízo valorativo».
Sobre este mecanismo e sobre o seu uso em ambiente pastoral, o padre Vasco Pinto de Magalhães frisou que o “feedback” deve ser «mais descritivo que valorativo», «concreto», «deve olhar mais a necessidade do outro que recebe do que o alívio de quem diz», «deve buscar a utilidade», sempre com «sentido de oportunidade».
O encontro, que juntou cerca de uma centena de sacerdotes, serviu ainda para o orador apresentar a correlação entre felicidade e amor.
Para o jesuíta, acompanhado na mesa pelo padre Luís Marinho, «a felicidade é, antes de mais, um dever que um direito», e é também «o modo de a pessoa ser fecunda (felix)», porque «a felicidade é aquilo que cada um pode dar de si aos outros».
Apoiado no pensamento de Teilhard de Chardin, destacou que «a felicidade depende do exercício gradual da pessoa aprender a centrar-se, a descentrar-se e a sobrecentrar-se».
O «centrar-se» liga-se ao «recto amor e apreço de si próprio», que inclui «capacidade de auto-crítica e auto-avaliação». O «descentrar-se», que é simultâneo ao anterior, tem a ver com o «perceber o valor do outro», colocando-o como «centro de gravidade». Estes dois exigem um outro, que esteja para além dos dois, e que é transcendente. «O sobrecentrar-se é encontrar alguém que alarga os horizontes e que oferece ideais», afirmou.
Vasco Pinto de Magalhães apontou, depois disso, «os graus do amor», começando por colocar no primeiro «a aceitação do outro», que implica «comportar-se de tal modo que o outro possa ser outro diante de mim, sem necessidade de se defender».
Num segundo grau, o sacerdote colocou «a amizade» que «só é possível entre poucos» e que «supõe simpatia mútua e mútua liberdade». No terceiro grau, colocou «a conjugalidade» como «descoberta da complementaridade» e, por fim, colocou «a adoração», que se reserva ao Absoluto.

Jornada de formação teve forte componente paulina
A jornada de formação do Clero da Arquidiocese de Braga decorreu ontem, no Auditório S. Frutuoso, no Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, e teve uma forte componente direccionada para a celebração do Ano Paulino, particularmente, com a visita à exposição de Ilda David’, que está patente no Seminário, e com a leitura da Carta aos Gálatas, na igreja dedicada ao Apóstolo dos Gentios.
A respeito da exposição, o padre Joaquim Félix disse que esta já foi visitada por mais de 2.300 pessoas, e, apesar de ser um «investimento arriscado da Arquidiocese e do Seminário Conciliar», os ecos «têm sido muito positivos».
O almoço decorreu no Seminário, juntamente com os seminaristas.

26 de dezembro de 2008

Frei Luís de Oliveira no encontro de Natal do Clero





Natal é tempo para ver Deus
presente no homem e no irmão

Texto: José António Carneiro
Foto: António Silva

O Natal é o tempo para ver Deus presente no homem e no irmão, valorizando as atitudes de acolhimento e proximidade que Jesus viveu em toda a sua vida e que os cristãos em geral são convidados a seguir e a imitar. Foi a partir desta premissa que Frei Luís de Oliveira se dirigiu ao Clero da Arquidiocese de Braga, ontem reunido no já tradicional encontro de Natal, que este ano contou com um pequeno concerto musical e com uma representação teatral.
O franciscano, que é secretário provincial e reside em Lisboa, orientou a sua reflexão a partir da bem aventurança da pureza de coração, não cingindo o seu significado à questão da moral sexual mas alargando-a à purificação e à conversão permanente a que são chamados todos os crentes. Esta purificação, disse, é a «atitude interior de limpar tudo aquilo que impede de ver com profundidade».
A partir da ideia bíblica de «coração puro» desafiou mais de uma centena de pessoas presentes a viver a coerência, a unidade, o equilíbrio, a autenticidade, a rectidão, a simplicidade, a honestidade e a integridade, sem esquecer o esforço sempre premente de reconhecer e aceitar os limites humanos.
Numa linguagem familiar e simples, o orador conseguiu prendeu a plateia com algumas afirmações e desafios práticos para uma melhor vivência do tempo de Natal que afirmou ser «a celebração do renascimento do humano com Jesus». Para este franciscano, mais que celebrar o nascimento do Deus Menino, o Natal deve ajudar cada um a perceber como todos os anos se pode renascer com Jesus.
Olhar o Natal a partir da vida e do ministério sacerdotal foi o objectivo perseguido por Frei Luís de Oliveira que reforçou a ideia segundo a qual «a presença de Deus santifica todos os lugares», mas o mais urgente de santificação é sempre o coração humano.

Padres devem
trabalhar auto-estima
Em diversos momentos da sua intervenção, este sacerdote que já trabalhou no Convento de Montariol, referiu-se à dimensão humana do padre desafiando os presentes a valorizarem a auto-estima e a auto-imagem de modo a enfrentar as dificuldades e as incompreensões que tantas vezes abalam os sacerdotes.
«A valorização da imagem própria ajudará ao desempenho da nossa missão e contribuirá para um melhor acolhimento dos outros», frisou
Em relação à humanidade do sacerdote afirmou: «Todos nos queremos apaixonar, ter uma paixão no sentido de ver reconhecida a nossa dignidade e o nosso real valor, sem vanglórias». E continuou: «Somos homens solteiros, mas não solteiros; somos celibatários não para viver em solidão, mas em comunhão».
Destacando este lado humano do sacerdote salientou que «o padre não é um funcionário de Deus nem de uma multinacional chamada Igreja Católica Apostólica Romana». Além do mais, é imperioso que os sacerdotes mantenham a sua auto-estima equilibrada, assim como garantam o equilíbrio entre o intelecto e o afecto.
A este respeito, mostrou a alegria em relação à maior atenção prestada ao nível da formação dos seminaristas, no que concerne à dimensão da afectividade. «Enfrentar as dificuldades em relação à sexualidade, sem moralismos nem pudor» foi, por isso, outro desafio deixado pelo franciscano.



Mais de uma centena reunida no Auditório Vita
Música e teatro animaram
encontro do Clero

O encontro de Natal do Clero decorreu ontem, no Auditório Vita, e reuniu mais de uma centena de elementos do presbitério de Braga. Música, teatro e um almoço natalício compuseram o programa estabelecido pelos organizadores, além da já referida intervenção de Frei Luís de Oliveira.
A partir das 9h30 começou a oração de Laudes, que teve a particularidade, desta vez, de ser acompanhada com violino e harpa.
Depois, os instrumentistas Flávio e Eleonor, respectivamente, brindaram os presentes com um pequeno concerto que terminou com a execução da tradicional canção “Adeste fideles” cantada por bispos, sacerdotes e diáconos presentes.
A começar a segunda parte do encontro, um grupo de alunos do Externato Paulo VI, de Braga, mostrou um Auto de Natal, da autoria da professora Flora Macedo e da irmã Laurinda Martins, que se apresentou como uma excelente actualização da mensagem bíblica sobre o Natal e que mereceu da plateia uma demorada salva de palmas.
Entretanto, o padre Luís Marinho, já a terminar, manifestou em nome de todo o presbitério os votos de boas festas ao Arcebispo Primaz e também a D. Eurico Dias Nogueira e D. António Couto que também marcaram presença.
«A melhor prenda que podemos dar aos nossos bispos é um clero reunido a caminho da união, crescendo a trabalhar junto», afirmou o pároco de São Martinho de Tibães.
Por sua vez, D. Jorge Ortiga encerrou o encontro manifestando satisfação pelo encontro dos sacerdotes da Arquidiocese.
Na linha da celebração do Ano Paulino e a partir de uma leitura que está a fazer, pediu aos presentes que apostem na inovação ao nível da vida espiritual, da vida de presbitério e da vida pastoral. Além disso, olhando o futuro com optimismo, exortou a que ninguém se feche em tradições e que «a celebração de Natal traga a força para caminhar em direcção a uma maior abertura ao tempo que Deus nos dá a viver», concluiu.
A terceira parte do encontro foi preenchida com um almoço natalício que decorreu nas instalações do Seminário Menor.

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...