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17 de junho de 2018

[Somos apenas agricultores]

Somos apenas agricultores
Lavramos os campos
Espalhamos a semente
Mondamos e regamos
Mas a semente nasce e cresce por si
E no fim é sempre um milagre
A espiga de pão que nos é oferecida
Assim é o Reino de Deus
Semente à terra lançada
Que em nós vai crescendo
No silêncio dos dias
E no fim será sempre trigo com fruto
Ceifado
Colhido
Triturado
Farinha de pão
Assim é o Reino de Deus

D. Manuel António Santos 

3 de junho de 2018

O espírito da lei



No centro do anúncio da Igreja está o exemplo do Filho de Deus, que «sendo de condição divina se tornou semelhante a nós». Este movimento de descida da divindade é expressão do amor infinito de Deus que, sem deixar de ser Deus, tornou-se homem para que o homem «recuperasse a semelhança perdida pelo pecado».
A estratégia divina parece ser claramente da diluição da barreira entre o sagrado e o profano, entre o mundo e o reino de Deus (pelo menos é-nos difícil estabelecer essa fronteira), uma estratégia válida, já que o mundo, o barro de que nos fala S. Paulo, é de um valor incomparavelmente inferior ao tesouro que ele transporta, mas ainda assim indispensável para que o precioso conteúdo seja transportado.
O tesouro de Deus é, portanto, formatado por esta matéria caduca, variável consoante a circunstância histórica, mas não se torna refém dela. Dito de outro modo, no mistério da encarnação a Palavra incriada tornou-se também uma forma, uma figura, um rosto, uma expressão humana limitada no tempo - o tempo está em si mesmo em inexorável decomposição, é necessário como o ritmo na música, como estrutura organizadora de uma melodia -, mas não se tornou escravo dessa figura nem desse rosto.
É corajosa a releitura que Jesus faz da lei que obrigava a respeitar escrupulosamente o descanso sabático (cf. Marcos 2, 23 - 3, 6). Lei, variação da matéria animada por um espírito, datada de um tempo e um lugar que, fora de contexto, uma vez absolutizada, torna-se arma de arremesso, e não estrutura potenciadora do crescimento de um sujeito, individual ou coletivo.
É comum a tendência para divinizar a lei ou a linguagem própria de um tempo. Como todos os grupos, também na comunidade crente, por vezes, por detrás de um sorriso sereno, mantém-se o debate aceso sobre certos temas, persiste a discussão sobre questões morais, expressões litúrgicas, orientações disciplinares, entre outras, que, convenhamos, foram desenhadas num contexto e continuam a condicionar as novas formas de dizer a Boa Nova. A verdade é que esta linguagem tornou-se um enigma para os homens de hoje. «Não se entende», dizem. «Estes princípios não fazem sentido», confidenciam-me. «É impraticável esta disciplina», repetem. Não, não podemos dizer que é a lei de Deus que está em causa, mas uma expressão do espírito da lei que persiste muito para além do seu prazo de validade. «A lei de Deus é a mesma», protestava zangada uma boa senhora, só porque a missa tinha deixado de ser em latim. A lei de Deus?
O risco da absolutização da lei é evidente: a catalogação entre os bons cristãos, os aparentemente cumpridores, e os fracos, os de segunda categoria, os que deslizam naturalmente para o patamar de «não praticantes», os que vivem na periferia.
O Senhor chamou-nos amigos e não servos, isto é, escravos da lei. Procuremos ser fiéis aos seus ensinamentos. Amigo significa ter a coragem e a liberdade para repensar e repor novas formas reconfiguração do espírito da lei, obedecendo à pedagogia divina, que continuamente nos inspira a propor a mensagem do Mestre. Afastarmo-nos dos ensinamentos é um passo para o confronto com a dramática bifurcação entre o legalismo frio e estéril e o agnosticismo prático. Não, não nos afastemos do espírito dos ensinamentos de Jesus.


Nélio Pita, CM visto aqui

9 de março de 2018

A LUZ (4º domingo da Quaresma)


No caminho, que vou fazendo,
A luz, às vezes falta,
Deixando-me perdido!
A angústia, então, assalta
O meu coração aflito,
O meu ser sedento
De metas de infinito!

“Senhor, onde estás?”
Clamo, numa oração confiada!
Mas não é fácil escutar,
Na noite mal iluminada,
A tua presença de paz!

Eu sei, no entanto,
Que Tu, Senhor, caminhas ao meu lado,
A tua mão enxuga o meu pranto,
Ampara o meu ser de pobre cansado,
Perdido no silêncio dos dias,
Na angústia de uma solidão
Feita companhia!

É verdade que tudo pode terminar
Num qualquer Calvário, numa cruz,
Mas há a certeza de me acompanhar,
Nos caminhos da dor, a Luz
Que vem meus medos iluminar:
Jesus!

Pode ser luz pequena, escondida,
Feita mais silêncio que palavra,
Estrela breve, na noite sumida,
Mas é luz que me escuta e afaga
Nas estradas da dor sofrida,
E num silêncio que esmaga!

D. Manuel dos Santos


O TEMPLO CONTINUA DE PÉ (3º domingo domingo da quaresma)

O Templo continua de pé
com as suas escadas e torres
os seus sinos de bronze e arcadas góticas
e não falta um velho adornando a fachada
e viúvas acendendo candeias e limpando o pó.

O Templo continua de pé
mas já não se vêem crianças a ser oferecidas
pais a agradecer a vida ao Deus da Vida!

O Templo continua de pé
com os seus bancos vazios
o incenso apagado
e umas poucas de orações clandestinas
e até os santos foram arrumados
na sacristia!

O Templo continua de pé
à espera...
Deus continua de pé
à espera

D. Manuel dos Santos

23 de janeiro de 2018

Jesus é Deus que passa, ama e chama. (3º domingo comum)


Jesus é Deus que desce ao nosso mundo,
Caminha pelas nossas estradas,
Percorre as nossas praias,
Visita as nossas casas,
Vem ter connosco aos nossos lugares de trabalho.

Jesus é Deus que passa, ama e chama.
Mas não nos chama a responder a um inquérito,
A preencher uma ficha,
Responder a uma entrevista,
Fazer uma inscrição,
Pagar a matrícula,
Aprender uma doutrina.

Não é como os escribas que Jesus ensina ou examina.
Nem sequer nos entrega um projeto de vida,
Uns apontamentos, um guião, caneta, tinta, mata-borrão.
Chama-nos apenas a segui-lo no caminho:
«Vinde atrás de Mim!»,
E partilha logo connosco a sua vida toda,
Como uma boda.

Não nos põe primeiro a fazer um teste,
Não nos ama nem chama à condição,
Não tem lista de espera,
Não nos põe num estágio,
Num estado,
Num estrado,
Numa estante,
Mas num caminho!

E um dia mais tarde,
Ouvi-lo-emos dizer ainda: «Ide!».
É sempre no caminho que nos deixa.
Nunca se desleixa,
Não apresenta queixa,
Não paga ao fim do mês,
Pede e dá tudo de uma vez.

Vem, Senhor Jesus!
Vem e ama!
Vem e chama por mim outra vez!

António Couto, in Mesa de Palavras

12 de janeiro de 2018

Procurar: a condição crente!



A procura da vontade de Deus necessita de mediações humanas e, sobretudo, de mediadores humanos: de mestres, isto é, pessoas capazes de fazer e ser sinal, capazes de orientar o caminho de uma pessoa; e de pais, isto é, pessoas capazes de gerar para a vida segundo o Espírito. (…)
O pai espiritual é pessoa humilde que não seduz, não atrai para si, não tem os discípulos apegados a si, mas educa-os, condu-los à adesão teologal, faz-se mestre de liberdade guiando-os para a relação pessoal e inefável com o Senhor. É o homem ciente da importância dos limites e sabe pô-los àquele que guia e respeitá-los ele próprio. Só quem vive, não para si mesmo, mas para o Senhor, poderá ajudar outros a viver para o Senhor e a libertar-se da sua própria vontade.
«O que procurais?» São estas as palavras que Jesus dirige aos dois discípulos que começaram a segui-lo. É uma pergunta importante para nós hoje. Qualidade essencial do cristão é, de facto, o buscar a Deus. O cristão não é chamado a ser um militante hiperativo, mas o que procura Deus.


Luciano Manicardi, Comentário à Liturgia Dominical e Festiva

21 de dezembro de 2017

Maria, ímpar missão!



Não expliquemos. Contemplemos. “Revelação de 
um mistério envolvido em silêncio 
desde os séculos eternos”… (Rm 1,25). Não peçamos a 
Deus que ele justifique seu 
modo de agir para os nossos critérios “científicos”. 
Quanto sabemos das coisas da criação… 
e das do Criador? Admiremos o modo de Deus 
se tornar presente. E, sobretudo, 
não queiramos fazer da mãe de Jesus uma Maria 
qualquer. Será que temos medo de reconhecer 
que, em algumas pessoas, Deus faz coisas especiais? 
Estamos com ciúmes? 
Ora, não acha cada qual a sua namorada excepcional 
em comparação com as outras moças? 
Não neguemos a Deus esse prazer…
Essa admiração, porém, não é alienação. Só por ser 
verdadeiramente humano é que 
Jesus realiza entre nós uma missão verdadeiramente divina.
 Pois se fosse um anjo, nada teria 
a ver conosco. Jesus é tão humano como só Deus pode ser. 
Que ele é descendente de Davi 
significa que ele resume em si toda a história humana. 
Resume, recapitula, reescreve 
essa história. A história de Adão, a história de Davi, 
o “reinado”, da comunidade humana
 política e socialmente organizada. Será que desta vez 
vai dar certo – menos guerra, 
adultérios, idolatrias…? Da sua parte, a 
“qualidade divina” da obra está garantida. 
Deus está com ele, “Emanuel”. Mas, e da nossa parte?
Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

18 de dezembro de 2017

Refulgir a Luz. [João Baptista]


João Batista é “a voz que clama no deserto, que “aplaina o caminho do Senhor”. Ele foi enviado por Deus como precursor e como “testemunha da luz”, para despertar a fé. 
Ser testemunha da luz como João Batista é não ser auto-referencial, não centrar-se em si mesmo nem dar importância a si mesmo, nem centrar "holofotes" em si mesmo. É não ter luz própria mas refulgir uma outra luz. É viver de maneira convicta que Deus é a Luz verdadeira.
A testemunha da luz não fala muito, vive com Deus, comunica o que faz viver, transmite a Boa Nova, convida a crer, a esperar e a amar. Com a sua própria vida de testemunho atrai, desperta e contagia, pois transmite a confiança em Deus. 
Assim, a vida está cheia de pequenos testemunhos no nosso dia a dia. São pessoas cheia de de fé, humildes, pessoas boas que vivem segundo a verdade e o amor. Elas são testemunhas da luz que aplainam o caminho para Deus e são exemplos da Boa Nova para nós.

2 de dezembro de 2017

Atenção e vigilância são os nomes do Advento



A primeira atitude importante para viver bem é: acautelar-se ou prestar atenção. Atenção quer dizer tensão para, tender para, porque o segredo da nossa vida está para além de nós.
Todos sabemos o que significa uma vida distraída, fazer uma coisa pensando noutra, encontrarmo-nos com as pessoas de modo superficial, e nem sequer recordar a cor dos olhos de quem acabamos de ver ou de fixar. Por isso: prestai atenção!
A segunda atitude é: vigiai. Vigiai porque há um futuro, porque não está tudo aqui, porque tendes uma perspectiva. 
É a vigilância de quem perscruta, na noite, as primeiras luzes da aurora, a vigilância de quem presta muita atenção às pessoas. Atenção e vigilância são os nomes do Advento, e passar pelo mundo como dentro de um imenso santuário, vigiando com veneração diante de cada pessoa, diante de cada traço de Deus.

Ermes Rochi e Marina Marcolini, in A esperança que nasce da Palavra

23 de novembro de 2017

Cristo Rei do Amor!



Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes

a um dos meus irmãos mais pequeninos,
a Mim o fizestes.
Mt 25, 31-46




Há três coisas que me encantam neste evangelho. A primeira é que nos é apresentada aqui uma ideia verdadeiramente impressionante de Deus: Deus é Aquele que estende a mão porque tem necessidadeDevemos enamorar-nos deste Deus enamorado e necessitado como todos os enamorados (...).
A segunda coisa maravilhosa é que os arquivos de Deus não estão cheios dos nossos pecados, como se Ele os tivesse recolhido e posto de parte para os lançar contra nós no último dia. Depois de perdoados, os pecados deixam de existir, são anulados, cancelados, desaparecem. Os arquivos de Deus não estão cheios de pecados mas dos nossos gestos de bondade.
E a terceira coisa é a seguinte: o juízo de Deus está divinamente truncado, porque Ele não olhará para toda a nossa vida, mas apenas para as coisas boas da nossa vidaO tema do juízo não é o pecado, é o bem: esta é a grandeza da nossa fé, a grandeza do coração de Deus.

Ermes Ronchi e Marina Marcolini 

17 de novembro de 2017

Valoriza os teus talentos! Não os enterres, nem congeles, não guardes só para ti!



O Evangelho está cheio de uma teologia simples, a teologia da semente, do fermento, de inícios que devem florescer. Cabe-nos a nós o trabalho paciente e inteligente de quem cuida dos rebentos. (…)
A parábola dos talentos é o poema da criatividade, mas sem voos retóricos. (…) Aquilo que tu podes fazer é apenas uma gota no oceano, mas é essa gota que pode dar sentido a toda a tua vida.
A parábola dos talentos é um convite a não ter medo, porque o medo paralisa, torna-nos vencidos e estéreis. Quantas vezes temos renunciado a vencer apenas pelo medo de ficar derrotados. O Evangelho ajuda-nos de três formas: a não ter medo, a não meter medo e a libertar do medo. (…)
Não há nenhuma tirania, nenhum capitalismo da quantidade no Evangelho. Com efeito quem devolve dez talentos não é melhor do que quem entrega quatro. (…) Qualquer que seja o dom que recebeste, pequeno ou grande, o essencial é que tu o valorizes. As contas de Deus não são quantitativas, mas qualitativas.



Ermes Ronchi e Marina Marcolini, in A esperança que nasce da Palavra

10 de novembro de 2017

Vidas acesas...



O Evangelho não condena o esquecimento de uma noite, mas uma vida inteira vazia, que não se acendeu (...). Ou damos luz e iluminamos alguém, ou não existimos. Parábola exigente e ao mesmo tempo consoladora. Mesmo que seja noite, mesmo que o azeite seja pouco, o Senhor vem. O seu atraso consome e cansa: com efeito, todas as raparigas adormecem, tanto as prudentes como as insensatas. É uma experiência que todos temos feito: temo-nos cansado, talvez algum dia tenhamos parado, e isso sucedeu até aos melhores dentre nós. 
Mas eis que, na escuridão, a meio da noite, uma voz nos despertou. Deus não é aquele que te apanha em flagrante, mas uma voz que te desperta. A minha verdadeira força não está na minha resistência ao cansaço, mas na voz de Deus, que mesmo que tarde virá, que desperta a vida do meio de todos os desconfortos, que me consola dizendo que não está cansado de mim, que desenha um mundo cheio de luzes e de encontros. 
Basta-me ter um coração que escuta, reavivá-lo como se fosse uma lâmpada e sair ao encontro de um abraço. 

Ermes Ronchi e Marina Marcolini, A esperança que nasce da Palavra

13 de outubro de 2017

Um Deus que serve!


EVANGELHO – Mt 22,1-14. XXVIII Domingo do Tempo Comum

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial. E disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’. Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».



Esta parábola ajuda-nos a não nos enganarmos sobe Deus. Muitas vezes, pensamos Nele como um Deus que chama a servi-lo e, pelo contrário, é Ele que nos serve. Muitas vezes tememo-lo como o Deus dos sacrifícios e, no entanto, Ele é o Deus que toma a peito a nossa alegria. 
Pensamos Nele distante, marginalizado, contudo Ele está no coração da vida, dentro desta sala do mundo, como uma promessa de felicidade. E prefere a felicidade dos seus filhos à sua fidelidade. Porque a alegria é como uma escada de luz que pousa no coração e se eleva até Deus.

Ermes Ronchi e Marina Marcolini, in “A Esperança que nasce da Palavra”  

24 de novembro de 2016

Misericordia et misera: muito foi feito... Mas ainda não basta!


do Santo Padre Francisco  na conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia 
Francisco 
a quantos lerem está carta apostólica,
misericórdia e paz.

Misericórdia e mísera (Misericordia et misera) são as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a adúltera (cf. Jo 8, 1-11). Não podia encontrar expressão mais bela e coerente do que esta, para fazer compreender o mistério do amor de Deus quando vem ao encontro do pecador: «Ficaram apenas eles dois: a mísera e a misericórdia».1 Quanta piedade e justiça divina nesta narração! O seu ensinamento, ao mesmo tempo que ilumina a conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, indica o caminho que somos chamados a percorrer no futuro.


19. Muitos sinais concretos de misericórdia foram realizados durante este Ano Santo. Comunidades, famílias e indivíduos crentes redescobriram a alegria da partilha e a beleza da solidariedade. Mas não basta. O mundo continua a gerar novas formas de pobreza espiritual e material, que comprometem a dignidade das pessoas. É por isso que a Igreja deve permanecer vigilante e pronta para individuar novas obras de misericórdia e implementá-las com generosidade e entusiasmo.

Este é o tempo da misericórdia. Cada dia da nossa caminhada é marcado pela presença de Deus, que guia os nossos passos com a força da graça que o Espírito infunde no coração para o plasmar e torná-lo capaz de amar. É o tempo da misericórdia para todos e cada um, para que ninguém possa pensar que é alheio à proximidade de Deus e à força da sua ternura. É o tempo da misericórdia para que quantos se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos possam individuar a presença de irmãos e irmãs que os sustentam nas suas necessidades. É o tempo da misericórdia para que os pobres sintam pousado sobre si o olhar respeitoso mas atento daqueles que, vencida a indiferença, descobrem o essencial da vida. É o tempo da misericórdia para que cada pecador não se canse de pedir perdão e sentir a mão do Pai, que sempre acolhe e abraça. (21)


16 de dezembro de 2012

Dar lugar à alegria! Poema no III domingo do advento. (Laetare)




O que devemos fazer?
Rejubile de alegria vosso coração
Porque de Deus sempre vem o perdão
Que liberta do pecado e da dor
Renovando com graça e amor.

O que devemos fazer?
Exulta e canta de alegria
Pela presença certa dia-a-dia
Do Senhor que faz maravilhas
Em todos os caídos deste mundo.

O que devemos fazer?
Seja feliz o nosso caminhar
Até no meio da lama que é preciso limpar...
E saibamos repartir e partilhar,
e a cada pessoa sempre e em tudo amar.

O que devemos fazer?
Que as dificuldades de cada dia,
Não nos tirem a alegria;
pois sabemos em quem esperamos
E confiamos que está bem perto.

O que devemos fazer?
Não nos cansemos de amar,
De dar e de anunciar
A alegria Daquele que vem!



Pe. JAC

9 de dezembro de 2012

Mudar o velho em novo! Poema no segundo domingo do advento.




João Batista tem a missão
de transformar cada coração,
torná-lo limpo e sem pecado,
belo, puro e renovado...

Como Jesus, também João
nos convida à conversão
porque é preciso ter consciência
do caminho da penitência...
Estrada de libertação,
rumo à feliz salvação.

Viver cada dia como oportunidade
de renascer para a santidade...
Viver com o coração pleno de Amor
e preparar em nós o caminho do Senhor.

João Baptista deixa claro ensino:
É preciso mudar o velho em novo,
voltar o coração para o Céu
que nos vem por um Menino,
não como os grandes que governam
mas um menino pequenino.


Pe. JAC

1 de dezembro de 2012

Neste advento, tu podes renascer! Um poema para o primeiro domingo do Advento.




Anestesiados vamos passando
Como se tudo se resumisse a passar
E não nos colocamos, inquietos, a vigiar...
Atordoados pelo barulho voraz
E às escuras no meio de tanta luz
Não ouvimos a voz suave de Cristo Jesus.

Eis que chega, sempre novo, o advento
Como página em branco de outro tempo
Para elevar a Deus a nossa alma e oração.
Pode o mar agitar-se e a terra estremecer
Que aquilo que está para acontecer
Será a grandiosa e inaudita novidade...

Porque o que há de mais divino
No nosso tempo e no nosso mundo
"É viver cada segundo, como nunca mais!"
De rosto erguido e mãos levantadas
Elevemos a nossa voz para dizer:
Neste advento, tu também podes renascer!



Pe. JAC

26 de novembro de 2012

Um reino de amor! Um poema a Cristo Rei




O mundo não tem tamanho maior
do que quando visto com amor
daquele centro alto da Cruz
onde continua, vivo, Cristo Jesus.

É do alto desse trono da Cruz
que surge forte e brilhante a luz
que não ofusca e que só guia
que põe fora toda a quinquilharia
de um qualquer império militar,
e o muda, por dentro, sem combater,
em nova ordem onde reina o verbo amar.

Nesse reino de Cristo Jesus,
a única "arma" é o amor,
porque Deus reina sem poder
ou com o poder das mãos vazias,
estendidas e abertas,
como flechas que ferem, sem magoar,
e que fazem converter e mudar
o nosso coração cheio de clamor
não em casa de poder, mas só de amor!


Pe. JAC

22 de novembro de 2012

Deixar Deus brilhar em cada coração. Poema no XXXIII domingo comum







Pode o sol desaparecer
e o céu escurecer...
Podem as estrelas cair,
e a lua não surgir...
Não há-de vencer a escuridão
em qualquer esperançado coração.

Da debilidade cresce a força,
do desânimo renasce esperança...
Do aparente nada a totalidade
da Fé toda a tranquilidade...
É na escuridão que brilha a Luz
trazida pelo Filho do Homem, Jesus!

É o fim do meu mundo egoísta que acontece
é o começo dos novos céus e nova terra...
É de amor e de esperança a mensagem
que nos faz entrar em devir e em viagem
para pôr fim ao negrume da escuridão
e deixar que Deus brilhe em cada coração.


Pe. JAC

11 de novembro de 2012

Gestos de amor não têm preço! Poema no XXXII domingo comum




De que interessa o que temos
quando não damos o que somos?
A Jesus não importa o dinheiro,
apenas que se seja verdadeiro e inteiro!

Quando a riqueza da aparência
não coincide com a essência,
a riqueza material
é vazio anódino e banal...
Passa o tempo a contar
o menos que pode dar...
E só dá para se ver
quão grande é seu "poder".

Ricos para Deus são os sábios,
que não são escravos do que têm...
São os que sabem
que o caminho de santidade
se faz com a verdade
de ser o que se é
e viver alicerçado na fé.

Para Deus importante é ser,
agir de coração e crer...
que um gesto de amor
não tem preço, só tem valor.


Pe. JAC





Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...