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4 de novembro de 2012

Uma história de amor entrelaçado! Poema no XXXI domingo comum




De que vale aos homens
Passar os dias a cumprir ordens,
Se não souberem que o Amor
É o caminho proposto pelo Senhor?

De que vale uma fé
Carregada de obrigações,
Se não escutar a voz de Deus
E deixar que Ele molde os corações?

O que diz o mandamento
É convite para escutar
Porque Deus tem sempre algo novo para falar.

Todo e qualquer mandamento
Que oprime e não liberta
Não é mandado por Jesus.

O mandamento maior
É o do Amor entrelaçado
A Deus e aos irmãos.

Quando amar com o amor de Cristo
Não terei histórias de amor para contar.
Serei eu mesmo uma história de amor.


Pe. JAC

31 de outubro de 2012

Todos os Santos. A santidade é a normalidade do bem!





"A flor do mundo é a santidade. Essa forma de Deus presente em todos os tempos, em todas as latitudes, em todas as culturas. O que salva o mundo é a santidade: ela dá flexibilidade à dureza, torna uno o dividido, dá liberdade ao aprisionado, põe esperança nos corações abatidos, esconde o pão no regaço dos famintos, abraça-se à dor dos que choram e dança com outros a sua alegria. A santidade é um sulco invisível, mas torna tudo nítido em seu redor. A santidade é anónima e sem alarde. A santidade não é heróica: expressa-se no pequeno, no quotidiano, no usual. O pecado é a banalidade do mal. A santidade é a normalidade do bem. Como fica demonstrado neste poema de Maria de Lourdes Belchior:

«Hoje é dia de todos os santos: dos que têm auréola
e dos que não foram canonizados.
Dia de todos os santos: daqueles que viveram, serenos
e brandos, sem darem nas vistas e que no fim
dos tempos hão de seguir o Cordeiro.
Hoje é dia de todos os Santos: santos barbeiros e
santos cozinheiros, jogadores de football e porque
não? comerciantes, mercadores, caldeireiros e arrumadores
(porque não arrumadoras? se até
é mais frequente que sejam elas a encaminhar o espectador?)
Ao longo dos séculos, no silêncio da noite e à
claridade do dia foram tuas testemunhas; disseram sim/sim e não/não; gastaram palavras,
poucas, em rodeios, divagações. Foram teus
imitadores e na transparência dos seus gestos a
Tua imagem se divisava. Empreendedores e bravos
ou tímidos e mansos, traziam-te no coração,
Olharam o mundo com amor e os
homens como irmãos.
Do chão que pisavam
rebentava a esperança de um futuro de justiça e de salvação
e o seu presente era já quase só amor.
Cortejo inumerável de homens e mulheres que Te
seguiram e contigo conviveram, de modo admirável:
com os que tinham fome partilharam o seu pão
olharam compadecidos as dores do
mundo e sofreram perseguição por causa da Justiça
Foram limpos de coração e por isso
dos seus olhos jorrou pureza e dos seus lábios
brotaram palavras de consolação.
Amaram-Te e amaram o mundo.
Cantaram os teus louvores e a beleza da Criação.
E choraram as dores dos que desesperam.
Tiveram gestos de indignação e palavras proféticas
que rasgavam horizontes límpidos.
Estes são os que seguem o Cordeiro
porque te conheceram e reconheceram e de ti receberam
o dom de anunciar ao mundo a justiça e a salvação»."

(José Tolentino Mendonça, In Pai-nosso que estais na terra)




Pe. JAC

27 de outubro de 2012

Crer mais que querer. Poema no XXX domingo do tempo comum





Na subida para Jerusalém,
Jesus continua a caminhar...
e, no caminho, há sempre mais alguém
para curar, libertar e salvar.

Estava um cego sentado
esquecido e rejeitado,
e na passagem de Jesus
pressentiu salvação e luz.

Com clamor, pediu piedade
queria descobrir a visão...,
Não só dos olhos como do coração
pois queria (vi)ver a eternidade.

Ele cria tanto mais que querer
que a sua fé o salvou...
e com amor, Jesus o curou!

Com o coração pronto a acolher
ele partiu e seguiu Jesus,
guiado pela nova luz!


Pe. JAC

13 de outubro de 2012

Diário da Missão Jubilar. Sursum corda!


Diário da Missão Jubilar 20

Que nesta Missão Jubilar sejamos pessoas ricas dos dons de Deus... Pessoas livres, corações abertos e ao alto, capazes de caminhar sem receio, com a certeza que assim somos dignos deste sonho maior...

Vive esta hora!

Pe. JAC

A Vida é tão mais do que paisagem. Poema acerca do evangelho do XXVIII domingo comum





A Vida é tão mais do que paisagem...
é a totalidade duma viagem:
Não é só preciso partir e chegar,
é bom, no caminho, saber recomeçar.

O caminho que fazemos
não é tão grande quanto o que temos...
É aquilo que somos
que nos leva ao que alcançamos.

Nenhuma riqueza humana
conquista qualquer tesouro no céu...
Para chegar ao coração de Deus
só se requer a riqueza do Amor.

Sejamos livres para amar
sem medo de crescer,
sem medo de correr e de nos perder
para que em Deus nos possamos encontrar.


Pe. JAC

10 de outubro de 2012

Diário da Missão Jubilar. Escolher o essencial!




Diário da Missão Jubilar 16

Marta, Marta que andas atarefada... 
Maria escolheu a melhor parte, escolheu o essencial!



Essencial não é negar as dúvidas e os receios... É Acreditar mais além.
Essencial não é recusar a parar... É ser capaz de recomeçar sempre.
Essencial não é passar os dias... É crescer com cada dia.
Essencial não é sentir o coração cheio... É ter o coração aberto a acolher...
Essencial não é saber o objetivo da missão... É viver a missão como objetivo.
Essencial não é ser mais um... É todos sermos um.
Tu és essencial.



Pe. JAC

6 de outubro de 2012

Liberdade infinita do Amor. Poema para o XXVII domingo comum




Não há outro nome para o Amor.
Toda a definição é (im)perfeita,
qualquer aproximação incompleta...

Amor é tão grande como o tempo,
mas não acaba com os dias nem as horas...
Não é um contrato, muito menos contratempo
como o são as leis ocas e vazias.

Jesus Cristo, Senhor,
ensina-nos o Amor...
verdadeiro e indestrutível,
eterno e indivisível...
sentimento uno,
partilhado (en)canto em uníssono...

Amor é a expressão maior da esperança,
como faz cada criança,
mesmo (des)protegida de plena razão
entrega todo o seu coração,
à liberdade infinita do Amor.


Pe. JAC

2 de outubro de 2012

Diário da Missão Jubilar. Abrir-se ao mundo com ânimo evangelizador






Diário da Missão Jubilar 12

O mundo que Deus ama é o mundo em que vivemos e que somos chamados a evangelizar. O desafio da evangelização é o horizonte sempre presente na missão da Igreja.
A experiência sinodal feita ao longo deste quinquénio pela ampla participação e diálogo aberto de pessoas, serviços e instituições, pela proposta e resposta e pela comunhão sentida na missão, indica-nos a pedagogia mais adequada para o nosso agir pastoral. Os métodos dão-lhe consistência e viabilidade. As iniciativas proporcionam a oportunidade para implementar esta prática pastoral que garante o envolvimento de todos, porque todos somos convocados e necessários para a missão.
As iniciativas da Missão Jubilar estão marcadas por um singular dinamismo e visam envolver plenamente a realidade de que fazemos parte: a pessoa, a família, a paróquia, a instituição diocesana; situam-se em casa, na rua, nos templos, nos espaços públicos; revestem um apreciável estilo de comunicação; transmitem uma confiança alegre, uma certeza sólida, própria de quem sabe firmar os seus passos e quer afirmar e testemunhar a fé.
Inspiram-nos neste caminho jubilar o gesto profético e a consciência evangelizadora do Arcebispo João Batista Montini, futuro Papa Paulo VI, ao propor a Missão para a sua Diocese de Milão, e o desassombro de João Paulo II ao querer transpor o limiar do novo milénio com um Jubileu que significasse para a Igreja uma abençoada oportunidade de renovação e um novo impulso dado à evangelização e ao diálogo com a cultura contemporânea.
A mensagem jubilar pretende impregnar de alegria e de fé tudo quanto se faça e envolver todos os cristãos fazendo-a ecoar na opinião pública, dando ao mundo uma imagem bela e atraente da Igreja. Estas dimensões da nossa ação constituem o horizonte em que nos movemos e dão realismo à missão em que estamos empenhados.
Uma atenção especial é devida aos «mensageiros» pelo trabalho que lhes é pedido. São de algum modo a missão em movimento, o rosto da esperança que nos anima, a proximidade familiar que nos irmana.
Todavia, numa Igreja em estado de missão, não há propriamente agentes e destinatários simetricamente definidos. Todos somos destinatários, protagonistas e agentes da missão.

Da mensagem de D. António Francisco
Pe. JAC

22 de setembro de 2012

...Como crianças e sorrir. Poema acerca do evangelho do XXV domingo comum




Fazer caminho é mais que caminhar...
é tempo e espaço para ensinar,
é em cada passo reconhecer
uma oportunidade para crescer.

O sentido do caminho
não é a meta, nem o destino...
É aprender que a Vida
Passa pela Cruz... pegada e sentida!

Há muito tempo que andam com Jesus
e os discípulos ainda não aprenderam a lição da Cruz.

A lição do Messias Senhor
não é outra coisa que Amor:
Ensina que viver é servir,
como crianças e a sorrir.

Pe. JAC

15 de setembro de 2012

A fé que leva ao amor

 
 
Jesus pergunta quem é
desafiando, nas respostas, a fé...
para uns é o profeta Elias
para os discípulos, Ele é o Messias.
 
Ele é o Cristo libertador
que veio ao mundo vencer a morte e a dor...
é o Cristo Salvador
que nos pede uma fé que leve ao amor.
 
É preciso saber e perceber
qual o caminho a percorrer:
Caminho cuja meta é a Cruz,
sinal de vida, plena de Luz...,
opção radical pelo amor,
certeza de uma Vida maior.
 
Seguir o Messias, o Senhor
implica renunciar ao conforto da razão...
fazendo com que o bem saído das nossas mãos
não esconda as mãos que fazem todo o bem.
 
Pe. JAC

1 de setembro de 2012

Pureza de coração. (dois poemas para o 22.º domingo do tempo comum)

 
Que pureza?
 
Que pureza é essa
Que faz lavar o exterior
E se esquece do interior?
 
Que pureza é essa
Que se ocupa da aparência
E se esquece da essência?
 
Que pureza pode vir da lei?
Se não vem do coração
Mais não é que tradição
Mais não é que legalismo.
 
Nada pode haver de fora
Que entrando, deite fora
A virtude da pureza…
 
Dá-nos, Senhor, olhos para ver
E para julgar com a razão:
O que é recto e justo fazer
Nasce sempre no coração.
 
 
 
Perfeito… de amor
 
As leis dos homens são vazias
Se não assentarem no amor...
São regras que limitam os dias
Cheios de tanto, vazios de amor.
 
O que torna um gesto perfeito
Não é a aparente limpeza,
É o sentir com que é feito,
É a verdadeira pureza.
 
É preciso agir com verdade,
Sinceridade e honestidade...
Ser rosto do nosso interior,
Um coração cheio de Amor.
 
Somos o nosso coração...
Perfeito se for de Deus.
 
 
Pe. JAC

3 de dezembro de 2011

Advento 2011. Voz de Portugal!? João Baptista é a Voz que clama no deserto!





No deserto,
João Baptista pregava
o arrependimento
e a conversão




Andamos, em Portugal, à procura da "Voz". Não sei a que encontraremos. Mas, o Evangelho do 2.º domingo do advento leva-nos a encontrar uma Voz diferente, uma voz que clama e grita no deserto! O texto introduz este fundamental personagem deste tempo litúrgico: João Baptista. Ele é o “Precursor”, ou seja, é aquele que prepara a vinda do Messias. A sua missão é aplanar e preparar o caminho do Senhor.
Podemos olhá-lo e vê-lo como o humilde “apresentador” do Messias. Ensina-nos, por meio do baptismo de penitência, que nos devemos purificar, a fim de nos convertermos, ou seja, de voltarmos, de novo, o nosso coração para Deus.
Preparar o caminho do Senhor exige de nós uma mudança interior, que nos leve a aceitar Deus como nosso Mestre, Pastor e Guia. É bem verdade que vertigem e a corrida da nossa vida diária podem afastar-nos deste desejo de mudança e de conversão.
Nesta Caminhada de Advento-Natal e neste 2.º domingo, olhamos a nossa família como suporte, apoio, porto seguro e abrigo. Também como família que somos, precisamos de fazer um esforço de purificação e de conversão, abrindo todas as portas e janelas do nosso coração ao Senhor que vem ao nosso encontro, trazendo vida, felicidade e sentido.

Senhor, exiges de nós um esforço de purificação,
de memória e de coração.
Queres que mergulhemos no íntimo do nosso “eu”,
para que nos encontremos e Te encontremos a Ti.
Estamos prontos para fazer essa viagem ao interior do nosso coração.
Prontos a abrir portas e janelas, a deixar entrar a Tua voz desafiante.
Queremos preparar a vinda do Messias, do Teu Filho Único.
Queremos que Ele venha a nós
para que nós possamos ir a Ele!
Queremos mergulhar na fonte do nosso Baptismo
e reactualizarmos, a cada dia, a nossa conversão.

3 de outubro de 2011

Bom samaritano: quem é o meu próximo?

Evangelho segundo S. Lucas 10,25-37.

Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?»
Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?»
O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.»
Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.»
Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?»
Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando o meio morto.
Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo.
Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo:'Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.'
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»


A parábola do bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37) leva a dois esclarecimentos importantes. Enquanto o conceito de « próximo », até então, se referia essencialmente aos concidadãos e aos estrangeiros que se tinham estabelecido na terra de Israel, ou seja, à comunidade solidária de um país e de um povo, agora este limite é abolido. Qualquer um que necessite de mim e eu possa ajudá-lo, é o meu próximo. O conceito de próximo fica universalizado, sem deixar todavia de ser concreto. Apesar da sua extensão a todos os homens, não se reduz à expressão de um amor genérico e abstracto, em si mesmo pouco comprometedor, mas requer o meu empenho prático aqui e agora. Continua a ser tarefa da Igreja interpretar sempre de novo esta ligação entre distante e próximo na vida prática dos seus membros. É preciso, enfim, recordar de modo particular a grande parábola do Juízo final (cf. Mt 25, 31-46), onde o amor se torna o critério para a decisão definitiva sobre o valor ou a inutilidade duma vida humana. Jesus identifica-Se com os necessitados: famintos, sedentos, forasteiros, nus, enfermos, encarcerados. « Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes » (Mt 25, 40). Amor a Deus e amor ao próximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o próprio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus.

Bento XVI, Deus caritas est, 

1 de outubro de 2011

Onde estão os nossos frutos?

A liturgia do XXVII domingo do tempo comum põe-nos a pensar na nossa vida, com rectidão e seriedade. Trata-se de um esforço por percebermos como é que estamos a viver...
Tratados com mil cuidados por Deus, tal com escutamos na descrição feita pelo poeta-profeta, que frutos produzimos na nossa vida? Deus não nos condena, em circunstância nenhuma, mas deseja e espera de todos frutos de paz, justiça, bondade, fidelidade, mansidão e compreensão. Que cada um meta a mão à consciencia... Há caminho à nossa frente para arrepiarmos, corajosos!

26 de setembro de 2011

É preciso mais do que palavras! (última homilia na Igreja de Águeda-UPA)



1. Irmãos e irmãs: palavra recta e directa de Jesus: “Os publicanos e as mulheres de má vida irão adiante de vós para o Reino de Deus”! Desafio para nós ouvi-la hoje. Em Jerusalém, o Mestre enfrenta a resistência organizada da classe religiosa do velho Israel. É uma espécie de raça eleita, gente fina e segura, acomodada e envelhecida nas cadeiras do poder. São os príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo, perfeitos profissionais da religião. São os que dizem e rezam «àmens», cheios de devoção. São estes que agora recusam acolher Jesus. Perseguem-nO, com medo da sua Palavra, espada afiada que os fere de morte. Seguros do seu passado, não querem mudar as regras de jogo. Tornam-se insensíveis a qualquer apelo de mudança, fechados à novidade, indispostos à conversão... O seu passado de glória vê-se agora transformado em risco de perdição.
2. Na parábola, Jesus adverte para o risco de passarmos a vida a dizer «sim, senhor», mas quando chega a hora de dar a cara e «arregaçar» as mangas, encontrarmos sempre razões para dizer «não». Os líderes religiosos do Povo de Israel, representados no segundo filho, sempre disseram «àmen» a tudo e a todos, mas recusam dar o «sim» àquele que o Pai enviou. Para estes, a palavra dada reduz-se a um discurso de circunstância, a invocar, três vezes ao dia, o santo nome de Deus em vão! Estes ficam para trás... no caminho do Reino.
3. Adiante destes, do outro lado da margem, estão os pecadores. Os desgraçados, os filhos perdidos, as vítimas do poder e do pecado de todos: entre eles, os publicanos e as mulheres de má vida. Esses tais que nem rezavam «àmens» e carregavam o peso de um passado ferido de miséria. Esses não tinham nada a perder. Acolheram o grito de mudança, proclamado por João Baptista, e entregaram-se à causa de Jesus. Arrependidos, encontram a força da sua liberdade e vão à frente… no caminho do Reino.
4. Vão adiante porque a sua miséria não é sinónimo de podridão e a sua rebeldia não se confunde com a desobediência. Vão adiante porque a sua fidelidade não se cumpre por desafecto e porque deixam para trás um passado que se abate... e não presumem garantido o seu futuro. Vão adiante porque há neles uma dignidade que se esconde por trás do pecado... enquanto noutros há o pecado que se esconde sob a capa de uma dignidade (eclesiástica, política, social...). Sim, meus amigos, “os publicanos e as mulheres de má vida irão adiante de [NÓS] para o Reino de Deus”! Jesus sabe e conhece a amargura das suas vidas, a concentração do vício alheio a minar-lhes o coração. Ele não teme nem as palavras nem os gestos de acolhimento... Vão adiante porque a sua grandeza de alma, dorida e limpa, é maior do que a pacatez de espírito daqueles praticantes profissionais da religião tradicional. Vão adiante, as mulheres de má vida, não pelo pecado cometido, mas pelo desejo de mudança. Vão adiante porque, ao apelo de conversão, acreditaram e mudaram de vida e porque arrepiaram caminho ao escutar a parábola, revendo-se no primeiro filho, acabando por assentir não à palavra dada, mas à Palavra, que é o Verbo, Jesus Cristo, recebida com alegria.
5. No fundo, esta parábola e o pensamento expresso pelo profeta da esperança, na primeira leitura, conduzem-nos à certeza de que, para Deus, não há o fatalismo do passado nem para ninguém a garantia do futuro. Para Deus, nenhum de nós é um caso perdido... há sempre uma oportunidade de salvação... E resta sempre o aviso sério de que ninguém se julgue grande e seguro... porque estamos sempre sob o risco da perdição...
6. Meus caríssimos irmãos. Depois das mãos e dos braços, para o trabalho da vinha, o Senhor pede-nos agora o abraço do coração. Pede-nos um «sim» de corpo e alma, um «sim» de alma e coração. É preciso dizer e fazer. Ou melhor ainda, fazer, sem dizer. Mais: é preciso sentir o que se diz, sentir ainda mais o que se faz. Trabalhar com a força dos braços, mas ao ritmo certo do coração manso e humilde de Cristo.
7. É urgente, veemente e permanente o apelo à conversão. É preciso vencer rivalidades, com um elevado espírito de serviço. O próprio Cristo que era de condição divina fez-se servo! É preciso sobrepor a humildade à vanglória. O próprio Cristo que era de condição divina não se valeu da sua igualdade com Deus! É preciso submeter o interesse próprio a uma fiel obediência ao bem de todos. O próprio Cristo humilhou-se ainda mais, até à morte e morte de Cruz!
8. Neste jogo arriscado da nossa vida resta-nos andar de “bola baixa”, “rasteiros”. Sem este «abaixamento», onde cada um depõe as armas do orgulho e do interesse próprio, não há condições de unidade e de paz... no seio da Igreja, na vida das nossas comunidades e no nosso mundo. Humildes no pecado, para acolher a misericórdia e encontrar a vida e humildes na virtude, para não presumir de nada e vir a sucumbir na morte... «É sempre tempo para mudar» e tudo será mais fácil se tivermos entre nós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus! Ousemos aceitar a proposta!
 Pe. JAC

8 de outubro de 2010

Muitos curados, poucos gratos e salvos


Está aí o 28º domingo do tempo comum.
Mais um passo de Jesus a caminho de Jerusalém.
Mais um passo nosso a caminho do fim do ano litúrgico
e mais um passo da nossa peregrinação
O Ev. é inquietador: dez curados apenas um agradecido.
Quase que podia dizer: Muitos são os curados mas poucos os agradecidos;
ou então muitos "ficam limpos"
mas poucos aceitam e acolhem a salvação,
que é sempre DOM Daquele que nos ama e quer bem.

28 de setembro de 2010

Ideial de Deus: que não haja ricos e pobres!


 
Naquele tempo,
disse Jesus aos fariseus:
«Havia um homem rico,
que se vestia de púrpura e linho fino
e se banqueteava esplendidamente todos os dias.
Um pobre, chamado Lázaro,
jazia junto do seu portão, coberto de chagas.
Bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico,
mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas...
(Lc 16,19-31)


Para Deus não pode haver um rico se ao seu lado houver um pobre. É inconcebível. Para Ele somos todos iguais. E para nós?



Deixemos que a Palavra (=Moisés e os Profetas) nos converta e nos faça olhar com compaixão e amor o pobre que jaz caído no portão da nossa casa, a fim de o tratarmos como ser igual a nós.

11 de dezembro de 2009

Advento: 13.º dia – paciência no tempo da pressa



A nossa caminhada terrena e adventícia continua não como marcha militar, mas como singelo e lento peregrinar. Peregrinamos como quem dança. Este é o ritmo do caminho daqueles que vivem e vão rumo a Deus.

Quem quer ir ao encontro de Deus não o pode fazer depressa e a correr, mas lentamente, saboreando e sentindo cada passo, cada recta, cada curva, cada subida, cada descida, cada monte e cada vale…

Ir para Deus, ir ao encontro de Deus, é ir com paciência ou seja, ir “sofrendo” e sentindo o peregrinar, a dor dos passos – ora bem, ora mal dados – uma vezes com “via-verde”, outras por atalhos…

Ora é de paciência que falo hoje. Porque se trata de uma virtude/atitude fundamentalíssima deste tempo, desta propedêutica para o Natal.

É Tiago que nos pede: «Esperai com paciência a vinda do Senhor: vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva têmpora e a tardia. Sede pacientes e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima» (Tg 5, 7-8).

Cristo fala-nos variadíssimas vezes da paciência no seu percurso terreno. Recordemos as muitas parábolas sobre o Reino: semeador (Mt 13, 1-8), a do trigo e da cizânia (Mt 13, 24-39), semente (Mc 4, 26-29), entre outras.

Não se trata de um paciência amorfa e ineficaz. Trata-se de uma paciência, alegre e expectante, eficiente e produtiva, comprometida, corresponsável e séria, porque há algo novo – imensamente melhor – que vem já.

Claro que vivemos num tempo impaciente. Todos experimentamos isso mesmo. Nada queremos aguardar e esperar. Vivemos num tempo desesperante que pode levar ao desespero...
O nosso tempo está cinzento e é precisamente nestas horas que assume primordial importância esta virtude da paciência. Esta está agarrada, por um lado, à confiança e à esperança e, por outro, à tranquilidade, à serenidade e à paz. E Cristo é a nossa esperança, a nossa fé, a nossa paz.

Quero que este advento seja “dia dos modestos princípios” (Zc 4, 10) que é como quem diz, dia das coisas pequenas. Comprometo-me a fomentar, a potenciar, a fazer crescer, a cultivar a paciência na minha vida, nos gestos e atitudes, no contacto com as pessoas, no ministério e na acção pastoral.

Confio e espero pacientemente este Deus Menino – que quer reinar num mundo cheio de esquemas e de pressa – sem qualquer tipo de esquemas e planos.



Vinde, Senhor: a Igreja Vos espera,
Sol de justiça, eterna primavera.
Vinde, Senhor: a Terra Vos procura,
Vós sois a Luz de toda a criatura.


(Do Hino de Ofício de Leitura, II)

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Termino comprometido e mais paciente na Oração. Isto dará fruto com certeza!
Guia-me, Luz amável,
Na escuridão que me acolhe,
Guia-me Tu!
A noite está escura,
E a casa distante:
Guia-me Tu!
Guarda os meus passos!
Não te peço para ver
O horizonte longínquo:
Basta-me
Um passo de dada vez!


John Henry Newman
In As quatro noites da salvação, Bruno Forte
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amanhã reflectimos na capela

26 de novembro de 2009

Vigilantes à Luz do Dia



A noite vai adiantada e o dia vem chegando.
Somos filhos do Dia, filhos da Luz.
Por isso, é preciso combater as trevas,
honrar o dia, já que não somos da noite.
É urgente deixar de mergulhar nos lodaçais da noite
para viver na transparência e claridade do dia.


É preciso estar atento, vigilante e desperto,
longe do sono que arrasta
da pasmaceira que acomoda.


É preciso ter o coração acordado
como lâmpada a velar,
a olhar as necessidades do mundo:
o pobre caído nu,
o faminto solitário sem pão,
o excluído perdido e sem sentido,
tantos sofredores a precisarem de ternura.


É hora! Acorda e vigia.
O dia está a chegar.
Deus não tem pressa nem tempo
mas tem a sua Hora.


JAC

21 de novembro de 2009

Diz-me, Senhor




Sim, Jesus, és o meu Senhor e meu Rei!
Quero amar-Te servindo
E servir-Te sorrindo…


Diz-me, Senhor, o que queres que eu faça?
Olha as mãos que me deste
Estendidas, abertas e vazias…
Deixa que Te as empreste
Hoje, amanhã… todos os dias!


Diz-me, Senhor, onde queres que eu vá?
Olha os meus passos decididos!
Guia-os pelos teus caminhos
E faz com que não sejam perdidos…
Mesmo que andem sozinhos!


Diz-me, Senhor, o que queres que eu diga?
Queria ter as palavras certas,
Nem demais, nem de menos…
Faz com que haja portas abertas
E sejam os meus modos serenos!


Diz-me, Senhor, o que queres que eu faça?
Onde queres que eu vá?
O que queres que eu diga?
Deixa que Te sirva…
Que só para isso quero a minha vida!
Ámen!

Carminda Marques
Fome de Infinito

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...