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4 de março de 2009

Quinta-feira da primeira semana




Escuta-me, Senhor,
Ouve as minhas queixas
Não as referentes a mim
Mas as dos que sofrem de verdade:
Os desempregados desesperados,
Os que sofrem de doenças incuráveis,
Os usados como instrumento,
Os explorados e não pagos
Os que passam fome,
Os injustiçados,
Os tristes e os desencantados.

E se faço parte destes todos
Ouve-me, Senhor,
E atende-me.

Se não estou incluído
Estende as tuas mãos de Pai
Abre o teu coração de amor
E inunda-os com a tua bênção.

No bem dos outros me realizo
E sou feliz.

foto aqui

Quarta-feira da primeira semana




Para viver à Tua maneira
Preciso que me leves pela mão
E me amparas com ternura.

Para viver à Tua maneira
Preciso de saber acolher
O peso dos corações atribulados.

Para viver à Tua maneira
Preciso de ser luz que irradia
No meio das trevas do mundo.

Para viver à Tua maneira
Preciso de tantas mudanças!

Acima de tudo, preciso, Senhor,
De me deixar tocar por Ti.

O teu toque que é humano
Manifesta a força divina que Te habita.

Tocado por Ti, aprendo sem mais a ser como Tu.

Que belos são os toques de Deus


foto daqui

3 de março de 2009

Terça-feira da primeira semana da Quaresma




És o mestre da oração
Na intimidade da noite
E ao correr do dia.

És perito do silêncio
Não como ausência de palavras
Mas como presença na Presença do Pai.

És um despojado:
Até o Pai que é o mais Teu
Me dás de mãos abertas
Para que o chame de “paizinho”.

Nele posso confiar como Filho
Nele recebo a herança de primogénito e de herdeiro.

Limpa, Jesus, do meu coração
Qualquer ressentimento ou ódio.

Dá-me amnésia, não para que me esqueça de Ti,
Mas recordando-Te
Saiba esquecer as ofensas
E perdoar como Tu.

1 de março de 2009

Segunda-feira da primeira semana da Quaresma

Ó Deus e meu Pai
Que acompanhas o meu caminho
E a minha história
E vens a mim no meu encontro como os outros.

Desse outro que se me apresenta
E que de certo modo Te revela a mim
Me pedirás conta:

Porque não me preocupei nem consolei
Não saudei nem acolhi;

Porque não ouvi nem acariciei
Não amei nem defendi;

Porque não fui rosto aberto do Teu olhar
Clemente e compassivo.

Porque me recusei dar-me
Todo inteiro e sem reservas
Como Tu.

Por tudo, Senhor
Peço já e sem demora
Perdão e misericórdia.

Consola-me a certeza
Do Teu amor e compreensão.

Tentado no deserto

Ó Jesus tentado no deserto
onde experimentaste excepcionalmente a tua humanidade
pela provação, solidão, e privação
olha-me com olhar amigo e confidente.

Quantas vezes sou tentado e não resisto
porque a tentação é forte e contínua.

Quantas vezes prefiro a glória, o louvor, o reconhecimento público, a fama.

Quando assim o faço não venço, como tu venceste.
Tu mantiveste a posição, opuseste as tua divindade.

Foste humano porque tentado mas imensamente divino porque superaste.

Foste mais forte e venceste o combate.
Foste, mais uma vez, Deus feito homem verdadeiramente Deus.

Ensina-me Senhor a ultrapassar as minhas tentações.

Primeiro domingo da Quaresma


Vivo num mundo caótico
Que me puxa e arrasta

Para onde não quero.
Velocidade, confusão e dispersão:

Eis o modus vivendi moderno.

Peço-Te, Senhor,

A força para resistir

A coragem para permanecer fiel

Como Tu permaneces-Te

Ante o demónio.


Diante do mal

Que se aparenta mais fácil,

Mais promissor e mais proveitoso

Faz-me caminhar contigo

Sem desvios de rota

Mesmo que o caminho leve a Jerusalém

E de lá seja levado ao Monte do Calvário

E morra conTigo.


Só assim ressuscitarei no domingo de Páscoa.

Sábado depois das Cinzas



Mais um apelo, Senhor!
“Segue-me”.
Chamas-me pessoalmente
Pelo meu nome, como amigo
Entre tantos que formam o teu Povo.

Levanto-me, sonolento,
Mas quero tudo deixar
E seguir-Te sem demora.

Limpa as minhas dúvidas e medos
Porque sou frágil e inconstante.
Faz-me ultrapassar os enredos
Eu te rogo, meu Deus, suplicante.

Sozinho nada posso.
Preciso de outros aonde ir
E juntos fazermos a festa da vida.

Como Tu viestes para curar e para sarar
Ajuda-me a ser remédio e curativo
Para os que sofrem.

Quero amar o máximo, até ao extremo.
Para isso, me tens aqui, Senhor,
Prostrado por terra
Em adoração.

27 de fevereiro de 2009

Sexta-feira depois das Cinzas


Uma proposta de vida
Um caminho novo a percorrer
Uma aventura interior para trilhar.

Queres que sinta a Tua presença
E Teu amor e Tua justiça.

Não queres tristeza nem opressão
Senão a liberdade de Te seguir.
Não és opositor das minhas escolhas
Mas com suavidade e ternura
Me educas pedagogicamente.

Dizes que a vida é como um banquete
Uma festa eterna e contínua
Com princípio mas sem fim.

Ajuda-me a fazer da minha vida
E da vida dos outros
Uma festa para Ti.

Quinta-feira depois das Cinzas



Quero seguir-Te e ser dos Teus
Para viver à Tua maneira
Em todos os momentos da vida.

Posso queixar-me e ceder
Ao peso das dificuldades
Ou então, vivê-las e partilhá-las conTigo
Com o recurso e apoio dos outros.

Ensinas-me a viver a vida
A enfrentá-la com força e coragem.

Quero dar a minha vida
À Tua gente, Jesus:
aos pequenos e humildes
aos que sofrem e passam fome,
aos perseguidos e doentes.

Esses precisam de médico
Esses precisam de apoio
De alguém que se faça Cireneu
E os ajude a levar a cruz.

25 de fevereiro de 2009

Quarta-feira de Cinzas



















Sabes, Senhor,
que em diversos momentos

Não sou totalmente puro:

Porque ajo para ser visto e admirado Porque procuro poder, prestígio, boa imagem...
Chamas-me a atenção

Para o perigo da falsidade e da mentira

Das artimanhas e dos esquemas

Para agradar apenas a outros.


Sabes os meus erros e as minhas falhas

E vês os escuros e as sombras do meu coração.

Por isso, peço com humildade,

Coberto de saco e de cinza:

Limpa-me da vaidade e da hipocrisia

E faz-me coerente e verdadeiro.


A isso me proponho também

Neste tempo quaresmal,

Esta nova oportunidade que me dás

Fruto do Teu amor por mim.


Peço-te também, Senhor,

No segredo do meu coração.

Durante esta Quaresma

Desejaria dar-te alegria

Oferecendo-Te tudo o que irei fazer em segredo.


Desejaria amar-Te mais

Porque me amas como ninguém.

Tu podes ajudar-me a amar os outros

Ensinando-me a servi-los,

A vê-los, a escutá-los

A confiar neles.

24 de fevereiro de 2009

Oração no início da Quaresma


Começa amanhã o Tempo da Quaresma. É o "tempo favorável" que o Senhor dá para a conversão, o arrependimento, a ascese, a penitência, para recentrarmos a nossa vida em Deus.

Mas não é tempo de tristeza, senão de alegria, para os que encontram o Senhor.

Faço desde já o propósito de, na medida do possível, colocar aqui algum texto, poema, pensamento ou comentário sobre a Quaresma e a Palavra de Deus.

Se alguém se quiser associar a mim, estou aberto...

Assim, cá fica o primeiro, para um bom começo....

Ó Deus Pai
Damos-Te graças
Porque nestes dias da Quaresma [como sempre]
És grande e amoroso connosco.

Chamas-nos para reconhecermos a nossa realidade
E voltarmos o nosso coração para Ti.

Confessamos que, como crianças simples,
Queremos viver de desejos à nossa medida.

Tu, ó Deus de bondade e compaixão,
Gritas e vens ao nosso encontro
Para mudarmos o rumo.

Damos-Te graças
Porque caminhas connosco
Neste tempo de Quaresma
Rumo à Páscoa do Teu Filho.

Santa Quaresma - que é como quem diz, Santa Páscoa - para todos...

3 de fevereiro de 2009

Bispo levou Bíblia à prisão

Estabelecimento Prisional de Braga
D. Jorge Ortiga entregou
Novo Testamento aos reclusos

O Arcebispo Primaz deslocou-se ao Estabelecimento Prisional de Braga para presidir a uma Eucaristia e cumprir uma promessa que havia feito na altura da visita pastoral à comunidade paroquial de São Vicente: ir à cadeia para entregar aos reclusos a Bíblia. Ontem ao final da tarde, D. Jorge Ortiga cumpriu a promessa e deixou o Novo Testamento para todos os reclusos e para as suas famílias.
O Arcebispo de Braga disse a uma plateia composta por cerca de três dezenas de reclusos, alguns guardas prisionais e onde estava também o director, José Alves de Sousa, que a visita ao Estabelecimento Prisional é já uma iniciativa habitual e para continuar.
Sobre a Liturgia da Palavra, D. Jorge Ortiga salientou que Jesus trouxe, com autoridade, uma «doutrina nova» e que os católicos devem acreditar nessa doutrina e não noutras.
Uma vez mais, o prelado aproveitou a ocasião para relevar a Palavra de Deus – o lugar onde está contida a doutrina de Jesus – e desafiou os reclusos a pegar no Novo Testamento e a lê-lo. «Particularmente nos momentos mais difíceis e de solidão, tende coragem para pegar neste livro», afirmou.
Considerando que a leitura da Bíblia ajuda a combater a ignorância religiosa generalizada nos dias de hoje, D. Jorge Ortiga salientou, contudo, que a Palavra de Deus é mais para viver e pôr em prática do que para saber.
O Arcebispo disse aos reclusos que a «Bíblia é luz para os caminhos dos homens» e, por isso, pode e deve ser uma excelente leitura. «A Sagrada Escritura pode ser uma boa companhia nos momentos de solidão» afirmou, e «se lhe deres espaço poderá transformar a vossa vida».
No início da celebração eucarística, em nome de todos, um recluso deu as boas vindas a D. Jorge Ortiga. Depois da comunhão, um outro leu um poema onde se pedia «fome e sede da Palavra de Deus».
Na sequência desta leitura, o Arcebispo Primaz entregou em mão, a cada um dos reclusos presentes, uma tradução do Novo Testamento.
Interessante foi ver a pressa e a curiosidade dos reclusos em manusear o “presente” recebido. Ainda o presidente da celebração, concedia a bênção de Deus e já alguns estavam “de olhos espetados” no Novo Testamento.
D. Jorge Ortiga não se despediu sem dizer que está na disposição de ir ao Estabelecimento Prisional para participar num debate/conversa sobre a leitura do Novo Testamento, para a qual desafiou cada um dos presentes.

29 de janeiro de 2009

“Uma Palavra é melhor do que um Presente”

D. António Couto lançou livro
escrito com carinho e poesia


“Uma Palavra é melhor do que um Presente” é o título do mais recente livro do Bispo Auxiliar de Braga. D. António Couto salientou que esta obra é mais um contributo para a exegese bíblica moderna e para o enriquecimento dos cristãos. Trata-se de um conjunto de nove capítulos ou ensaios que, apesar de terem autonomia própria, foram trabalhados para formarem um conjunto harmónico.
Aos participantes da Semana de Estudos Teológicos, o prelado revelou que «o livro foi escrito com carinho» e, como tal, também o entregou ao público com carinho. «Esta pequena colectânea pode vir a resultar, no futuro, em mais publicações», uma vez que vai «continuar a tecer fios» que brotam do estudo aturado da Escritura.
Na sessão de apresentação do livro, o director-adjunto da Faculdade de Teologia começou por destacar o «peso da autoridade» que D. António Couto já conquistou «com trabalho e provas dadas».
Antes de estabelecer um sintético percurso para abrir o apetite do público presente no Auditório Vita, João Duque afirmou que os capítulos do livro «não são um amontoado de considerações mais ou menos piedosas e superficiais, sobre os textos da Escritura, como acontece em tantas publicações contemporâneas».
Para o teólogo, a obra do Bispo Auxiliar de Braga expressa um «trabalho cuidadoso sobre o texto original e com originalidade de abordagem».
Dos nove capítulos, o director-adjunto da Faculdade de Teologia destacou três: um sobre a Graça, um sobre a luta contra a idolatria e um sobre a cura.
O livro de D. António Couto, além destes já apontados, contém uma abordagem aos Salmos e um aprofundamento da noção de Lectio Divina. A Sabedoria é o tema do quarto capítulo. A apresentação de Cenários Bíblicos e o estudo do Anúncio Pascal ocupam os quintos e sextos capítulos, respectivamente.
A obra encerra com um grande capítulo sobre São Paulo, «em perfeita consonância com o contexto celebrativo do ano em que é editado».
João Duque concluiu a apresentação da obra, afirmando que «o caminho de graça e da Graça é o foco de toda a Escritura e é o tema central das abordagens de D. António Couto». E finalizou: «Este livro é um belo e mesmo poético contributo para a compreensão do caminho da salvação».

26 de dezembro de 2008

Visita pastoral a Nogueiró

Cristãos devem ser
templos da Palavra

Foto e Texto: José António Carneiro

O Arcebispo de Braga pediu que os cristãos sejam templos espirituais que acolhem Jesus e a sua palavra. Durante a Eucaristia de encerramento, na visita pastoral a Nogueiró, em Braga, D. Jorge Ortiga, crismou mais de duas dezenas de pessoas às quais deixou o desafio de, na festa de Natal que se aproxima, acolherem Jesus como o Verbo, a Palavra enviada por Deus.
Na homilia da celebração, a partir da primeira leitura da liturgia da Palavra do quarto domingo do Advento, D. Jorge Ortiga, disse que, felizmente, «há já muitos templos físicos e casas de Deus». No entanto, o que pode faltar – e falta mesmo – são templos espirituais ou seja, pessoas que sabem acolher e dar lugar a Deus na sua vida, defendeu.
Também a partir do exemplo de acolhimento que é Nossa Senhora – a figura central do Evangelho de ontem – o prelado desafiou os cristãos a uma atitude de serviço e de confiança em Deus.
Aos paroquianos presentes, D. Jorge Ortiga relembrou a necessidade da formação cristã permanente e da responsabilidade que têm na construção da Igreja.
Terminada a homilia, o Arcebispo de Braga ministrou o sacramento do Crisma a nove indivíduos do sexo masculino e 14 do sexo feminino. Estes que receberam o terceiro sacramento da iniciação cristã prepararam um ofertório solene e uma encenação de acção de graças onde destacaram a ideia de que o Natal é a festa do nascimento de Jesus que é a Palavra enviada por Deus Pai ao mundo.
Antes de terminar a celebração, D. Jorge Ortiga, tal como em outras comunidades do arciprestado, entregou uma Bíblia a uma família da paróquia para que possa correr e passar pela casa de muitos paroquianos e «suscite mais amor nas famílias».
Já no adro da igreja, onde se realizou um pequeno convivo, o prelado soltou uma pomba que tinha sido levada ao altar, simbolizando o Espírito Santo, que desceu sobre os que receberam o sacramento do Crisma.
O padre Miguel Ângelo Costa, pároco de Nogueiró e Tenões, confirmou ao Diário do Minho que a visita pastoral do prelado contribuiu para unir e reunir a comunidade à volta da Palavra de Deus.
Sobre a comunidade paroquial disse que, felizmente, as pessoas aderem aos desafios lançados, mas em relação ao número de agentes de pastoral confessou que «mais pessoas fazem falta e são bem vindas».
Em relação a projectos e a infra-estruturas, o pároco disse que está a ser estudada a possibilidade de se construir uma capela mortuária junto à igreja paroquial.
Também junto da capela de Nossa Senhora da Consolação vão decorrer obras ao nível da recuperação e melhoramentos do adro e zona envolvente. Além disso, segundo o sacerdote, a Junta de Freguesia local tem um projecto para a construção de habitações sociais junto àquele espaço de culto.
O padre Miguel Ângelo Costa, que é também capelão do Hospital de São Marcos, falou ainda da dificuldade ao nível da zona pastoral que se prende com o facto de em muitos colégios haver catequese impedindo, de certa forma, uma identificação das crianças e das famílias com a respectiva comunidade. «Temos sentido essa dificuldade nas reuniões de zona», disse, ressalvando que também a proximidade com Braga leva a uma certa diluição da missão da zona pastoral e do próprio arciprestado.

28 de outubro de 2008

Mensagem final do Sínodo dos Bispos

Bíblia entra na cultura
pelas novas tecnologias

Os delegados dos episcopados católicos de todo o mundo defendem a presença da Bíblia no mundo da cultura, por meio das novas tecnologias. «A Palavra de Deus deve percorrer as estadas do mundo», incluindo «a comunicação informática, televisiva e virtual», escreveram os Bispos na Mensagem final da XII assembleia-geral ordinária, tornada pública ontem, do Sínodo que termina amanhã.
Os Bispos de todo o mundo, reunidos no Vaticano, consideram que «esta nova comunicação adoptou, em relação à tradicional, uma gramática expressiva específica, pelo que é necessário estar bem munidos, não só tecnicamente, mas também culturalmente para esta tarefa», referem no texto que foi divulgado pela página oficial do Sínodo, e que se divide em quatro capítulos (A voz da Palavra: a Revelação; o rosto da Palavra: Jesus Cristo; a casa da Palavra: a Igreja; as estradas da Palavra: a missão) e 15 pontos.
Os Bispos asseguram que «a Bíblia deve entrar nas famílias, para que os pais e os filhos a leiam, rezem com ela e esta seja para elas uma luz para os passos no caminho da existência». Além disso, destacam que «as Sagradas Escrituras devem entrar também nas escolas e nos âmbitos culturais, porque foram durante séculos a referência capital da arte, da literatura, da música, do pensamento e da própria ética comum».
«A sua riqueza simbólica, poética e narrativa torna-a uma bandeira da beleza, seja para a fé seja para a própria cultura», aponta.
Esta mensagem é dirigida a todos os católicos, em particular aos «pastores», aos «muitos e generosos catequistas» e a quantos orientam a Igreja «na escuta e na leitura amorosa da Bíblia».
Os padres sinodais consideram que o texto bíblico «apresenta também o sopro de dor que sai da terra, vai ao encontro dos oprimidos e do lamento dos infelizes», por ter no seu cume «a cruz onde Cristo, só e abandonado, vive a tragédia do sofrimento mais atroz e da morte».
Os fiéis são convidados a «guardar a Bíblia» nas suas casas, para que «leiam, aprofundem e compreendam plenamente as suas páginas», transformando-as em «oração e testemunho de vida» e deixando espaços de «silêncio» neste processo.
Para evitar o «fundamentalismo», refere o texto, «cada leitor das Sagradas Escrituras, mesmo o mais simples, deve ter um conhecimento proporcional do texto sagrado, recordando que a Palavra de Deus revestiu-se de palavras concretas», para «ser audível e compreensível para a humanidade».

Olhar ecuménico
A mensagem recorda os «irmãos e irmãs das outras Igrejas e comunidades cristãs» que caminham nas mesmas «estradas do mundo» e que apesar das separações visíveis «vivem uma unidade real, ainda que não plena, através da veneração e do amor pela Palavra de Deus».
Neste contexto, os «homens e mulheres de outras religiões que escutam e praticam fielmente os ditames dos seus livros sagrados e que, connosco, podem edificar um mundo de paz e de luz, porque Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade», lembra o documento.
O presidente da Comissão para a Mensagem, D. Gianfranco Ravasi, considera que o texto é de «largo fôlego, com um certo “pathos”, para fazer com que não seja só um documento teológico».

Estrutura
A mensagem recorre a quatro «pontos cardeais», que correspondem aos seus capítulos. Em primeiro lugar, «a voz divina» que «ressoa desde as origens da criação», e entra depois «na história ferida pelo pecado e sacudida pela dor da morte».
Em segundo lugar surge «o rosto», ou seja, Jesus Cristo, que «torna perfeito o nosso encontro com a Palavra de Deus» e revela o «sentido pleno e unitário das Sagradas Escrituras». Seguidamente, «a casa da Palavra Divina», a Igreja, que se ergue sobre quatro colunas: o ensino, a fracção do pão, a oração e a comunhão fraterna.
O último ponto refere-se à «estrada pela qual caminha a Palavra de Deus», em especial o campo das novas tecnologias.
A celebração conclusiva da XII assembleia-geral ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada ao tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” é presidida por Bento XVI, amanhã, na Basílica de São Pedro, pelas 09h30 (hora local, menos uma em Lisboa).
Redacção/Ecclesia

in Diário do Minho

21 de outubro de 2008

Encontros com S. Paulo na Diocese de Braga

Iniciativa arrancou em Braga com 700 pessoas


(texto)José António Carneiro

Os “Encontros” com São Paulo arrancaram em Braga, na passada quinta-feira à noite, com a presença de perto de 700 pessoas. No arranque desta iniciativa, que decorreu no Auditório Vita do Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese e que se realizará também em Balasar (Póvoa de Varzim) e em Guimarães, a adesão das pessoas foi positiva.
Segundo o pároco de Nossa Senhora da Conceição, o número de participantes nos encontros em Guimarães poderá aproximar-se do registado em Braga. A menos de quinze dias do arranque da iniciativa na cidade vimaranense (o primeiro encontro é no dia 30 de Outubro), já estão inscritas mais de 120 pessoas. No entanto, a maior parte dos párocos vai aproveitar este fim-de-semana para motivar e desafiar os paroquianos a participarem nos encontros orientados, sempre, pelo Bispo Auxiliar de Braga, D. António Couto.
Tomando como paradigma um curso bíblico orientado pelo ainda padre António Couto – antes da nomeação episcopal –, no qual participaram mais de 600 pessoas, o padre João Germano Queirós espera que também aqui a adesão dos cristãos seja em grande número.
Em Balasar, onde decorrerá o encontro inaugural na próxima quinta-feira, dia 23, o padre José Barbosa Granja espera receber mais de 500 pessoas. «Até ao momento estão inscritas 460 pessoas, mas penso que o número vai subir», disse o sacerdote ao Diário do Minho.
Recorde-se que os “Encontros” com São Paulo destinam-se aos catequistas, membros dos Conselhos Económicos, animadores de grupos, membros das Confrarias e Irmandades, Ministros Extraordinários da Comunhão, membros das Equipas de Liturgia, orientadores de Grupos Corais, membros das Comissões de Festas, membros das Direcções dos Centros Sociais e Paroquiais, membros dos vários Movimentos de Apostolado, Associações e Obras, e a todos quantos desejem e procuram aprofundar a sua fé.
Em Junho passado, a Vigararia Geral da Arquidiocese havia dito que «participando [nestes encontros], cresceremos no conhecimento de São Paulo e da Palavra de Deus; entraremos na imprescindível dinâmica da formação contínua; sentiremos o coração a pulsar ao ritmo da Igreja arquidiocesana e universal; e colheremos do Apóstolo entusiasmo para a missão que hoje nos desafia».
Os encontros são mensais e decorrem até ao próximo mês de Junho, data em que termina o Ano Paulino proclamado por Bento XVI.

in DM 18/10/08

11 de outubro de 2008

Frei Luís Gonçalves, capuchinho de Barcelos














Dinamização bíblica deve combater
a ignorância religiosa e o paganismo

(texto e foto)José António Carneiro


Estando a realizar-se em Roma, no Vaticano, o Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, o Diário do Minho (DM) entrevistou Frei Luís Gonçalves (FLG), capuchinho da comunidade de Barcelos, que se dedica, de corpo e alma, à difusão da Sagrada Escritura um pouco por todo o País.
Este sacerdote, natural de Serafão, Fafe, ordenado em 1971, destaca a importância do Sínodo em si mesmo, mas considera que ele, assim como toda e qualquer dinamização bíblica, terão de ajudar a combater uma certa «ignorância religiosa do Povo de Deus» e também um certo «paganismo» que vai imperando na actualidade. Redescobrir e desenterrar as riquezas da Dei Verbum, apostar na dinamização bíblica da catequese e das paróquias são, para este capuchinho, formas de colocar de novo a Bíblia num lugar central da vida e da missão da Igreja.

DM – Que importância tem o Sínodo sobre a Palavra de Deus?
FLG – O Sínodo é uma instância importante da vida da Igreja. Este, sobre a Palavra de Deus, há muito que o Cardeal Martini – Arcebispo Emérito de Milão – se debate por ele.
Não há dúvida que isto é como um voltar às raízes, porque a Palavra de Deus é o alicerce da Igreja.
O Papa Bento XVI, na abertura dos trabalhos sinodais, começou por citar a famosa frase de São Jerónimo – “Desconhecer as Escrituras é desconhecer Jesus Cristo”. Efectivamente, ninguém ama aquilo que não conhece e se um cristão, ou qualquer outra pessoa, desconhece a Bíblia, então não conhece Cristo e igualmente ainda O não ama.
Daí a importância deste Sínodo sobre a Palavra de Deus, porque no meio do Povo de Deus há muita ignorância religiosa.
Para vencer esta ignorância religiosa é fundamental o estudo, a reflexão, a meditação e a oração da Palavra de Deus. Sem isto, nós não iremos longe.
Vou notando que anda por aí muito paganismo e muita ignorância entre os cristãos, e até entre alguns formados a um nível superior.
Ainda recentemente, estive com uma pessoa que pensava que São Paulo era um homem pagão. Quando lhe disse que era uma judeu fervoroso ficou boquiaberta. Pois, a este caso juntam-se tantos outros, formando uma lista interminável.

DM – Face à ignorância religiosa que pode ser feito?
FLG – Perante este cenário pouco animador em relação ao conhecimento da Bíblia parece-me que a tendência se pode inverter, se se apostar na dinamização bíblica trabalhando por levar a Escritura a toda a gente, na linha do que dizia o Papa Pio XII, há mais de 50 anos, colocando uma bíblia em cada casa.
Vão aparecendo, entretanto, alguns sinais animadores. Em várias comunidades tem-se criado o hábito de passar a Bíblia de casa em casa, em vez de, por exemplo, a imagem ou oratório da Sagrada Família. A ideia é pôr a pessoas a rezar diante da Bíblia, recorrendo ao texto bíblico.
De facto, a Bíblia devia ser o sacrário de cada casa, não para estar a ganhar pó na estante, mas para estar na mesa de cabeceira levando as pessoas a pegar nela, a abri-la, folheá-la e saboreá-la.
O lugar mais nobre de cada lar cristão deveria ser deixado para a Escritura. E se é importante a nossa devoção aos Santos, mesmo com oferta de velas e flores, com mais razão deveríamos saber venerar – como do próprio Cristo se tratasse – a Bíblia.
Este poderá, com certeza, ser um caminho para renovar as famílias e fazer frente a tantos problemas e dificuldades que elas sentem.

DM – Como se desenvolvem as actividades bíblicas dos Capuchinhos?
FLG – Nas nossas acções de dinamização bíblica, procuramos dizer às pessoas que é importante ler e estudar a Sagrada Escritura, como é igualmente necessário e importante rezar a Bíblia. É pela oração com a Bíblia que se cria familiaridade com Jesus Cristo.
Esta oração bíblica – para a qual procuramos educar aqueles que participam nas nossas iniciativas – deve ser ao jeito da Lectio Divina.
Nas actividades, os aspectos introdutórios são essenciais e, aliás, são um dos problema na Igreja ao nível da Bíblia. As pessoas são sabem pegar na Bíblia, não a sabem manejar, não sabem procurar os livros e, muito menos, os capítulos e versículos da divisão interna dos textos.
Às vezes, nas formações que oriento, preparo e levo ideias interessantes e muito bonitas para comunicar, mas quando chego ao local e me apercebo do auditório que tenho pela frente, tenho que alterar a minha comunicação para falar destas noções introdutórias que são muito rudimentares na generalidade dos cristãos.

DM – Na abertura do Sínodo falou-se de uma encíclica sobre a Bíblia. Considera que faltam instrumentos para a leitura e interpretação da Bíblia?
FLG – Não creio que faltem instrumentos, mas considero que falta quem se dedique inteiramente a este serviço da dinamização bíblica. Penso que faltam pessoas que se comprometam com o anúncio da Palavra de Deus.
Com certeza, uma encíclica sobre a Bíblia será bem aceite, mas parece-me que as riquezas contidas no Concílio Vaticano II, especialmente na Dei Verbum, ainda estão enterradas.
Penso que mais de 95 por cento dos cristãos não sabe sequer da existência da Dei Verbum, que contém material fantástico para a orientação da leitura e interpretação da Bíblia.
A Dei Verbum é uma luz que está colocada debaixo do alqueire e a precisar de ser colocada no candelabro.

DM – Catequese e paróquia têm um papel essencial na transmissão da Palavra de Deus?
FLG – Totalmente. A catequese é um veículo privilegiado para a transmissão da Palavra de Deus e os catequistas são agentes indispensáveis dessa transmissão.
Infelizmente, muitos nem sequer sabem pegar na Bíblia. Como podem desempenhar a sua missão? Dificilmente poderão ajudar as crianças e os adolescentes a estabelecer uma relação de confiança e de amor com Jesus Cristo.
Claro que essas falhas na missão catequética contribuem para um fenómeno a que assistimos todos os dias: muitos cristãos mudam de religião como quem muda de camisa, porque não sabem em quem acreditam.
Em relação às paróquias, considero que é importante que os párocos sejam os primeiros a apoiar e a trabalhar pela dinamização bíblica. É essencial que assim seja e falo por experiência: nas paróquias onde o pároco tem uma particular sensibilidade bíblica, nota-se que consegue “incendiar” as pessoas para o amor e para a familiaridade com a Bíblia.
E, aqui, não valem tanto os avisos do altar… Antes, é necessário uma pesca à linha, que vá directamente junto das pessoas concretas para as desafiar.

Iniciativas bíblicas em Braga e Viana do Castelo

Eis algumas das iniciativas agendadas pelos Padres Capuchinhos de Barcelos para os próximos meses, nas dioceses de Braga e Viana do Castelo:
– Outubro
14 a 18, em Serafão (Fafe)
22 a 26, em São Martinho de Vila Frescaínha (Barcelos)
27 a 31, em Junqueira (Vila do Conde)

– Novembro
4 a 8, no arciprestado de Monção
11 a 15, em Areias de Vilar (Barcelos)
18 a 22, no arciprestado de Terras de Bouro
25 a 29, na Zona Pastoral das Taipas, do arciprestado de Guimarães/Vizela

– Dezembro
2 a 6, em Cabanelas (Vila Verde)
9 a 13, em Vila Cova (Barcelos)
16 a 20, em Nine (Vila Nova de Famalicão)

– Janeiro
Última semana, em Arcozelo (Barcelos).

8 de outubro de 2008

Sínodo dos Bispos preocupado com difusão da Bíblia

O segundo dia de trabalhos no Sínodo dos Bispos trouxe várias intervenções centradas na necessidade de encontrar novos instrumentos para a difusão e valorização da Bíblia, a começar pelo clero.
O Arcebispo de Camberra, D. Mark Coleridge, propôs um “Directório Geral” para as homilias, que inspire as pregações na experiência universal da Igreja.
Já o Cardeal Peter Erdö, presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, chamou a atenção para os perigos criados pelas publicações mais sensacionalistas do que científicas, lembrando a este respeito o caso recente do “Evangelho de Judas”, que levam a confundir «fontes credíveis e não credíveis sobre a história de Jesus Cristo».
O secretário especial do Sínodo, D. Laurent Mosengwo Pasinya, falou dos riscos das seitas, que por norma apresentam doutrinas baseadas em «interpretações fundamentalistas da Bíblia».
O presidente da Conferência Episcopal do Congo alertou para a necessidade de evitar interpretações «fundamentalistas e subjectivas» da Escritura, procurando critérios «estáveis» de interpretação.
Na manhã de ontem decorreu, por outro lado, a primeira votação para eleger os oito membros da comissão para a mensagem final do Sínodo. Para guiar esta comissão, o Papa escolheu o Arcebispo Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, a quem se juntará ainda um vice-presidente.

Cardeal
propõe
encíclica
O relator geral do Sínodo dos Bispos, Cardeal Mark Ouellet, apresentou ao Papa um pedido logo no início dos trabalhos da assembleia, solicitando uma encíclica sobre a interpretação da Escritura, dado que em muitas ocasiões as faculdades teológicas e biblistas divergem da visão que o Magistério do Papa e dos bispos oferecem sobre a Bíblia.
«A relação interna da exegese com a fé já não é unânime e as tensões aumentam entre os exegetas, pastores e teólogos», alertou. Este responsável deixou mesmo uma pergunta: «Depois de muitas décadas de concentração nas mediações humanas da Escritura, não seria necessário reencontrar a profundidade divina do texto inspirado, sem perder as valiosas aquisições das novas metodologias?»
A proposta do Cardeal foi a de não ver a interpretação da Bíblia como algo meramente académico, pois a Palavra de Deus penetra em todas as dimensões da pessoa.
Ao mesmo tempo, segundo explicou aos jornalistas na sala de imprensa da Santa Sé, é necessário criar uma relação entre exegetas e teólogos com os bispos que supere as tensões, para chegar à comunhão, respeitando as atribuições de cada um.
«Seria oportuno que o Sínodo se interrogasse sobre a conveniência de uma eventual encíclica sobre a interpretação das Escrituras na Igreja», afirmou.

Rabino levanta
polémica no Sínodo
O momento histórico vivido no Sínodo dos Bispos, com a presença do rabino-chefe de Haifa, Shear-Yashuv Cohen, ficou ensombrado com as declarações deste responsável sobre o pontificado de Pio XII, falecido há 50 anos.
Depois de ter dito que a presença na assembleia sinodal era «uma mensagem de amor, de coexistência e de paz para as nossas gerações e para aquelas futuras», o primeiro não-cristão a falar numa reunião magna dos episcopados mundiais preferiu centrar as suas declarações na figura do Papa que guiou a Igreja Católica na II Guerra Mundial.
Recentemente, Bento XVI saiu em defesa de Pio XII, considerando que o mesmo «não poupou esforços» para ajudar «directamente» os judeus e pedindo que sejam superados os «preconceitos» em relação a esta figura.
O rabino disse que os judeus «não podem perdoar e esquecer» a omissão de alguns líderes religiosos a respeito do Holocausto. Shear-Yashuv Cohen reprovou a beatificação do Papa Pio XII, alegando que o antigo Papa não se insurgiu contra o regime Nazi.

in DM,08 Outubro 2008

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