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31 de março de 2010

Fim da Quaresma: um balanço positivo!

Olá a todos

Como sabem a Quaresma termina amanhã (Quinta-Feira) até à Missa Vespertina da Ceia do Senhor, que inicia o Tríduo Pascal.
Porque já estava assim escalonado, peço à Malu, de A Capea, que escreve, com semelhante propósito, para a Sexta-Feira Santa. Desta forma terminamos esta caminhada conjunta, que me pareceu enriquecedora para todos.

Aliás, alguém me disse a brincar (ou a sério!) que estes textos que escrevemos podiam e deviam ser compilados e publicados...

Da minha parte, por tudo o que recebi, quero agradecer. E o nosso caminho rumo à Páscoa, à vida nova, continua.

Um Santo Tríduo Pascal para todos!

25 de março de 2010

37.º dia da Quaresma: Anunciação do Senhor: Ajoelhados diante de tão grande mistério


«O Espírito Santo virá sobre ti
e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra.
Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus.
E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice
e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril;
porque a Deus nada é impossível».
Maria disse então:
«Eis a escrava do Senhor;
faça-se em mim segundo a tua palavra».
Lc 1
_____________

Estamos a nove meses do Natal. Hoje Jesus é concebido no seio de Maria, que aceita fazer-se serva do Senhor porque mais do Servo Sofredor. Ajoelhamos diante de tão grande mistério. Na missa de hoje, ao rezarmos, no Credo, “Incarnou pelo Espírito Santo, no seio de Maria”, somos convidados a ajoelhar. O Verbo de Deus desce à humanidade para elevar a humanidade à divindade. Admirável comércio que nos traz a salvação.
O Anjo expôs os desígnios de Deus a Maria e Ela aceitou a vontade do Pai. Deus vem à terra pelo Sim de Maria, que foi escolhida para ser o primeiro sacrário da terra a albergar a divindade.
A incarnação de Deus liga-se à compaixão: Deus vem porque tem uma paixão pelo humano, Deus está apaixonado pelo humano. Parte da sua iniciativa e destina-se à nossa redenção.
Porque este é um admirável mistério de compaixão, e porque o quero contemplar como mistério de salvação, deixo para contemplação as palavras seguintes:

Compaixão

“Compadecido dos errados caminhos dos homens”, humilhou-se a si próprio, tomando a condição de servo e morrendo na cruz, por amor. Em Cristo, Filho de Deus, feito Homem, realiza-se a compaixão na plenitude. O homem retoma a dignidade perdida e, porque infinitamente amado, recria-se o projecto original da relação consigo, com os outros e com Deus. Por um amor sem medida amado, o homem percebe-se coração de carne e, dignificando-se, arremessa para fora o coração de pedra. E dois corações de carne e milhares e milhões de outros, sempre a nascer, e sem conta, até ao fim dos tempos, fazem o mundo possível. Sem compaixão não seria possível vida. Porque não teria paixão nem coração.
Um beijo, um afago, um sorriso, um abraço, um colo, um despojar-se de si, um encontro de bocas e de lágrimas, um hino de ternura cantado nas longitudes da exclusão, uma vida dada para que o outro viva, um perdão sem mais passado, um retorno duma amizade perdida, um ir, sem volta, ao irmão de longe e encontrá-lo e dizer-lhe “aqui estou, por ti”, um morrer de pena e mágoa por não poder ir mais longe nem poder fazer mais, uma inquietante impotência frente à dor e ao sofrimento alheios, um não saber porquê mas saber crer e esperar, um dar tudo sem nada esperar, um da sem nada querer receber, um passar sem passar adiante e parar, reparar e ver, na frente, o irmão, embora rico ou pobre, mas na indisfarçável urgência de ser amado e acolhido e percebido, para além das aparências...ai, que seria o mundo sem compaixão?!
Artur de Matos, in Revista Boa Nova, Março de 2010.

__________________________
A Anunciação é uma festa mariana com acento cristológico. Por isso, neste dia, rezo a Maria:
À vossa protecção nos acolhemos
Santa Mãe de Deus
Não desprezeis as nossas súplicas
em nossas necessidades
Mas livrai-nos de todos os perigos
Ó Virgem Gloriosa e Bendita!

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O mistério da nossa reconciliação

A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza pela força, a mortalidade pela eternidade. Para saldar a dívida da nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à nossa natureza passível, a fim de que, como convinha para nosso remédio, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, pudesse ser submetido à morte como homem e dela estivesse imune como Deus.
Numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na sua humanidade. Por «nossa humanidade» queremos dizer a natureza que o Criador desde o início formou em nós e que Ele assumiu para a renovar.
Mas daquelas coisas que o Enganador trouxe e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo facto de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana Se tornou participante dos nossos delitos.
Assumiu a forma de servo sem mancha de pecado, elevando a humanidade, não diminuindo a divindade: porque aquele aniquilamento pelo qual o Invisível se fez visível, e o Criador e Senhor de todas as coisas quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da sua misericórdia, não foi uma quebra no seu poder. Por isso Aquele que, na sua condição divina, fez o homem, assumindo a condição de servo fez-Se homem.
Entra portanto o Filho de Deus na baixeza deste mundo, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce, de modo totalmente novo.
De modo novo, porque, sendo invisível em Si mesmo, torna-Se visível na nossa natureza; sendo incompreensível, quer ser compreendido; existindo antes do tempo, começa a viver no tempo; o Senhor do Universo toma a condição de servo, obscurecendo a imensidão da sua majestade; o Deus impassível não desdenha ser um homem passível, o imortal submete-Se às leis da morte.
Aquele que é Deus verdadeiro é também verdadeiro homem; e não há ficção alguma nesta unidade, porque n’Ele é perfeita respectivamente a humildade do homem e a grandeza de Deus.
Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia, nem o homem é destruído com a elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne.
A natureza divina resplandece nos milagres, a humana sucumbe nos sofrimentos. E assim como o Verbo não renuncia à igualdade da glória paterna, assim também a carne não perde a natureza do género humano.
É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repeti-lo – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem.
É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus; é homem, porque o Verbo Se fez carne e habitou entre nós.
Das Cartas de São Leão Magno, papa (Sec. V)

E continuamos, até ao fim, até ao extremo:
37º dia. Amor de Deus
38ºdia.De mãos dadas
39ºdia.Mar com sabor a canela
40º dia. O que é a verdade
41º dia. Nova Civilização
42ºdia.Partilhasemfamenor
43º dia. Degrau de silêncio
44º dia. Teresa desabafos
45º dia. A Capela

20 de março de 2010

V Domingo da Quaresma: É SEMPRE TÃO NOVO TUDO O QUE DEUS FAZ!










Quando Jesus irrompe na vida de alguém,
interrompe a normalidade de um percurso,
e rompe essa vida em duas partes desiguais:
uma que fica para trás,
outra que se abre agora à nossa frente,
recta como uma seta directa a uma meta,
a um alvo, um objectivo intenso e claro,
tão intenso e claro que na vida de cada um
só pode haver um!

D. António Couto

16 de março de 2010

28.º dia de Quaresma: Deus está por nós!


Naquele tempo, por ocasião de uma festa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém. Existe em Jerusalém, junto à porta das ovelhas, uma piscina, chamada, em hebraico, Betsatá, que tem cinco pórticos. Ali jazia um grande número de enfermos, cegos, coxos e paralíticos. Estava ali também um homem, enfermo havia trinta e oito anos. Ao vê-lo deitado e sabendo que estava assim há muito tempo, Jesus perguntou-lhe: «Queres ser curado?» O enfermo respondeu-Lhe: «Senhor, não tenho ninguém que me introduza na piscina, quando a água é agitada; enquanto eu vou, outro desce antes de mim». Disse-lhe Jesus: «Levanta-te, toma a tua enxerga e anda». No mesmo instante o homem ficou são, tomou a sua enxerga e começou a caminhar. Ora aquele dia era sábado. Diziam os judeus àquele que tinha sido curado: «Hoje é sábado: não podes levar a tua enxerga». Mas ele respondeu-lhes: «Aquele que me curou disse-me: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Perguntaram-lhe então: «Quem é que te disse: ‘Toma a tua enxerga e anda’». Mas o homem que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus tinha-Se afastado da multidão que estava naquele local. Mais tarde, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Agora estás são. Não voltes a pecar, para que não te suceda coisa pior». O homem foi então dizer aos judeus que era Jesus quem o tinha curado. Desde então os judeus começaram a perseguir Jesus, por fazer isto num dia de sábado (Jo 5, 1-3a.5-16).

No caminho para a Páscoa é progressiva a revelação do nosso Deus. Depois dos convites fortes, directos e incisivos à conversão e à penitência, a liturgia encarrega-se, com o correr dos dias, de nos apresentar um Deus que quer o humano. E quer de uma maneira inédita e inaudita. É Deus que sai de Si para vir ao encontro do homem pecador que se abre à misericórdia. O Evangelho chamado por uns do Filho Pródigo e por outros do Pai Rico em Misericórdia é um harpejo belíssimo nesse ponto.

A cura do enfermo de Betsatá, que representa todas as nossas doenças, males e pecados, por intermédio de Jesus vem ainda mais acentuar essa característica do nosso Deus: Ele não vem para os sãos, mas para os doentes, não vem para os puros e os santos, mas para os pecadores. Vem para mim e para ti!

Jesus insurge-se contra o legalismo e o farisaísmo em nome do bem maior da pessoa humana. E isso causar-lhe-á a morte que, como sabemos, é redentora e salvadora.

É fantástico que a meio deste caminho quaresmal, de deserto, de conversão, recebamos esta mensagem positiva e de esperança: Deus está por nós e só quer o nosso bem. Estamos nós dispostos a que Deus nos faça bem?

Rezo, por isso, com as palavras do salmo:

Deus é o nosso refúgio e a nossa força,
auxílio sempre pronto na adversidade.
Por isso nada receamos, ainda que a terra vacile
e os montes se precipitem no fundo do mar.



Os braços dum rio alegram a cidade de Deus,
a mais santa das moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela e a torna inabalável,
Deus a protege desde o romper da aurora.



O Senhor dos Exércitos está connosco,
o Deus de Jacob é a nossa fortaleza.
Vinde e contemplai as obras do Senhor,
as maravilhas que realizou na terra.


Com renovação do pedido de desculpa pelo meu atraso não esqueçamos que o nosso caminho continua. E não tem fim. Agradeço desde já o enlevo e a dedicação que cada um tem posto nesta iniciativa. É para o bem de todos. Obrigado!

28º dia. Amor de Deus
35º dia. Teresa desabafos
36º dia. A Capela

11 de março de 2010

Oração em Sexta-feira da Quaresma


Cumprir os Teus mandamentos
É para mim motivo de alegria
Porque me invade o entusiasmo
E vivo a plenitude interior
Amando como Tu.

És Senhor de amor e compaixão
E tocas meu coração para a ternura
Diante dos sofredores.

Amas até ao extremo, infinitamente.

Oxalá possa eu, na simplicidade quotidiana
Ter o Teu olhar profundo
Que vê o coração,
O Teu sentir compassivo
Que perdoa todo o mal,
O Teu amor ofertado:
Imolação no alto da cruz.

JAC
6.ª feira da III Semana. Ano C

7 de março de 2010

19.º Dia da Quaresma: Deus não se enche de nós!


Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus,
juntamente com o das vítimas que imolavam.
Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo,esses galileus eram mais pecadores
do que todos os outros galileus?
Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo.
E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou?
Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém?
Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante.
Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha.
Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou.
Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro.
Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’
Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».
(Lc 13,1-9)

1. O Evangelho deste III Domingo da Quaresma reforça e renova o apelo e o desafio à conversão. Trata-se de uma conversão que possibilite uma transformação radical da vida, que implique mudança de mentalidades e de actividades, fazendo de Deus o centro e dos seus valores a prioridade.

2. Aqui, Jesus atira tudo contra o nosso coração, empedernido e manchado pelo pecado. Jesus serve-se de factos - mais ou menos históricos - e serve-se da parábola da figueira para nos dizer que a nossa vida precisa de conversão. Ele grava com selo no nosso coração a necessidade da conversão.

3. Evocando factos e fazendo a crónica deles, Jesus tira lições. Ele não se insurge contra o poder nem invoca o fatalismo. Jesus mostra e faz ver que face à precariedade da vida só nos resta convertermo-nos.
Esta é a lição fundamental para nós. Porque Jesus convida a cortar definitivamente com a nossa mentalidade apertada que liga directamente o pecado ao castigo. Dizer que o bom é recompensa de Deus e que o mau é castigo equivale a acreditar num Deus mercantilista e chantagista que nos usa como marionetas ou fantoches. Ora, o nosso Deus é “Aquele que é”, não é nada disso, senão amor.
Num tempo que estamos todos com os olhos postos e presos no Haiti, na Madeira ou no Chile este relato evangélico vem fazer luz e dizer-nos que todos precisamos de conversão.

4. Na segunda parte do relato, surge a parábola da figueira que vem reforçar e realçar a ideia da misericórdia, da compaixão e da paciência de Deus para connosco.
Nós somos a figueira, Cristo o agricultor e o Pai o dono do pomar. Os três anos referidos no Evangelho – como tempo em que a figueira não deu fruto – parecem evocar os três anos do ministério público de Jesus, com todos os cuidados de preparação em relação à figueira. Mas, mesmo assim, não houve frutos.
É, deste modo, que é dado “ainda mais um ano” para que possamos frutificar. É mais uma oportunidade. É, de novo, um fortíssimo convite à conversão.

5. Não podemos adiar indefinidamente a nossa transformação, a nossa conversão (metanoia). Precisamos de aproveitar o tempo que nos é dado e nos resta. Precisamos de dar fruto, que é como quem diz, a nossa vida deve seguir à luz dos critérios e dos valores de Deus e do Evangelho. Mas, não esqueçamos: Deus não se esquece nem se “enche” nunca de nós!

Tu que foges de Deus, por mais que fujas,
hás-de encontrá-lo eternamente ao lado.
Ele é o eterno Amor-Perdão
de cujas mãos velantes cai sempre mel doirado!...
Não foge Deus de ti, por mais que fujas.
Pobre mendigo de bordão quebrado,
olha os seus olhos.
Para as almas sujas é que mais seu olhar está voltado.
Sobre os desertos cai a luz mais alta.
O vento passa e purifica os céus.
O mar tem portos místicos de abrigo.
Onde a dor é demais, Jesus não falta.
Podes pensar, talvez, viver sem Deus.
Deus nunca deixará de estar contigo.
(Moreira das Neves, “Mendigo de Deus”)


A nossa caminhada continua. A nossa saga não pára. O caminho não está concluído. Rumo à Ressurreição, ao Homem Novo, ainda faltam etapas. Vamos passar por aqui:

19º dia. Amor de Deus
26º dia. Teresa desabafos
27º dia. A Capela

JAC

3 de março de 2010

Servir: norma de vida


Pedes-me que sirva
não forçado ou oprimido
mas fazendo do serviço
a minha norma de vida.

Sabes com certeza
a minha avidez de poder
e por isso recomendas
que sirva os próximos e os distantes.

Peço-te que me faças simples,
tira de mim a arrogância e o orgulho,
ensina-me o amor.

Faz-me andar conTigo
e na Tua presença
poderei viver como Tu.

Quarta-feira da segunda semana
JAC

2 de março de 2010

Transforma-me Tu!

Deus Pai
conheces as minhas incoerências
porque faço o que não digo ou acho bem.

Sofres quando a minha vida
não é repleta de actos de amor,

Sofres quando Te celebro
e não vivo nem testemunho a celebração.


Sofres quando olho sem ver
o sofrimento do mundo.


Murmuras ao meu coração
que seja autêntico e verdadeiro
fiel e leal.


Eis-me, Senhor,
para me transformar pelo amor.
Transforma-me Tu!


Terça-feira da segunda semana
JAC

1 de março de 2010

Meus Deus, queria...


Meu Deus
queria um coração terno e delicado
desejoso de amar a todos
pressentindo as suas necessidades
mesmo antes dos seus pedidos.


Meu Deus
queria que fosses meu mestre do amor
que me livrasses do egoísmo
que dificulta escutar os irmãos.


Meu Deus
queria amar sem julgar
dar sem pedir
oferecer sem passar recibo
entregar-me incondicionalmente,
queria aprender de Ti
amando até ao fim.


Meu Deus
sozinho nada posso
conTigo conseguirei.


Segunda-feira da segunda semana
JAC

27 de fevereiro de 2010

Ideias Partilhadas na Homilia do II Domingo da Quaresma:


Evangelho: Transfiguração de Jesus
1. Texto não é uma crónica jornalística
2. É uma catequese sobre Jesus que revela e apresenta Este como o Filho amado de Deus que vai concretizar o plano salvador em favor dos homens através do dom da própria vida, da entrega total por amor.
3. Olhemos mais o texto: A transfiguração acontece antes da subida para Jerusalém, o lugar da entrega. Como que a dizer que a glória da transfiguração precisa de passar pelo sofrimento e pela Cruz para chegar à ressurreição.

4. Olhemos as muitas referências ao A.T.:
a. “Monte” – é o lugar da revelação de Deus. É o intermédio entre a terra e o céu. É o lugar do diálogo com Deus.

b. “Mudança de rosto e das vestes” – recordam e evocam o resplendor de Moisés ao descer do Sinai onde recebeu os Mandamentos da lei.

c. “Nuvem” – é sempre indicativa da presença de Deus, que caminha com o povo, pelo deserto, e o guia.

d. “Moisés e Elias” – representam a Lei e os Profetas. Segundo a teologia judaica, estes deveriam aparecer no “dia do Senhor”. Falam da morte de Jesus como “êxodo” (partida, passagem) que se concretiza em Jerusalém. A morte de Jesus é uma morte libertadora, redentora.

e. “Sono” – é simbólico. Pretende dizer que os discípulos – Pedro, Tiago e João representam os demais – não querem entender que a glória do Messias tenha de passar pelo sofrimento e pela cruz.

f. “Tendas” – é uma alusão à Festa das Tendas comemorativa do êxodo do Povo hebreu, que na caminhada do deserto habitava em tendas e onde havia a tenda de Deus, a tenda do encontro. Significa que os discípulos querem perpetuar este momento de glória sem que Cristo tenha de passar pela cruz.
5. Mensagem central: Jesus é o Filho amado do Pai que oferece gratuitamente a salvação a todos os homens por meio da sua entrega no alto da cruz, por amor e de uma vez para sempre.

6. A transfiguração é assim a prefiguração da ressurreição de Jesus, e também da nossa, como vitória sobre a morte.

Primeira leitura: Gn 15.

Abraão – modelo dos que acreditam. Pais dos crentes.
Confiou plenamente nas promessas de Deus.
Apesar de velho, sem filhos, sem terra… mesmo assim confia na promessa de Javé.

Até que ponto eu confio em Deus?
Mesmo no meio das tempestades, dos terramotos e dos sismos no Haiti ou no Chile, dos aluviões e das derrocadas na Ilha da Madeira, dos tornados e dos mini-tornados um pouco por todo o mundo ou até do vendaval que nos invade por estes dias… apesar de tudo consigo pôr a minha confiança e a minha esperança no Senhor?
Ele é mesmo a minha luz e a minha salvação?
Segunda leitura: Fil 3

Paulo quer dizer aos Filipenses e hoje a cada um de nós que a nossa caminhada rumo a Cristo não está terminada. É um processo construído dia a dia e é feito de intimidade, de oração e de uma maior conformação com Cristo.
Paulo acentua que para isso é necessário mudar, transformar, transfigurar e converter o coração. O exterior importa muito menos que o interior. Deus vê o interior, olha o coração.
Estou disposto a aceitar transformar o meu coração, rumo à vida nova de Deus, que Cristo nos alcança pela sua transfiguração plena que é a ressurreição?

Continuemos irmãos o nosso caminho nesta Quaresma que é a estrada de Luz e de Jesus, ao encontro do Pai, onde nos encontraremos todos transfigurados e ressuscitados.

Diác. José António
27.02.2010

26 de fevereiro de 2010

10. º dia da Quaresma: Faz-me viver perdoando


A caminhada continua, a saga de recentrarmos a nossa vida em Deus não pára. Nunca podemos parar. Parar é morrer.

 Bem, mas a Quaresma conduz-nos à morte. Explico: o tempo quaresmal deve ajudar a fazer morrer na nossa vida o pecado. O pecado deve sempre morrer para nós podermos viver.
"Se o pecador se arrepender de todas as faltas que cometeu, se observar todos os mandamentos e praticar o direito e a justiça, certamente viverá e não morrerá" (Ez 18).

É Ezequiel quem o diz porque Deus assim o quer.

Quaresma é oportunidade para aprofundarmos a nossa relação de intimidade com Cristo. É tempo de olharmos na vertical - para Deus - e na horizontal - para os irmãos. "Se fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e vem depois apresentar a tua oferta. Reconcilia-te com o teu adversário".

Não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar as oportunidades que Deus nos concede. Deus não quer a morte do pecador mas que ele se converta  viva. Sintamos a urgência da conversão da nossa vida e que esta se traduza em atitudes de perdão.




A minha vida, conTigo, enche-se de alegria
Pois arrancas a minha mesquinhez
Curas o meu pecado
E dás-me um coração novo
Humilhado e contrito.

Convidas-me a perdoar
E limpas o meu ódio e indiferença
Que me fazer quebrar as relações.

Faz-me viver perdoando
Na certeza de que o meu perdão aos outros
É sempre menor que o Teu perdão para mim.

Ajuda-me a ser tolerante
A não excluir ninguém
E a gerar um novo mundo
Pautado pela fraternidade.

Amanhã, 11.º dia, reflectimos com a Utilia 

E depois sucessivamente:

12ºdia. Mar com sabor a canela http://marcomcanela.blogspot.com/
13º dia. O que é a verdade http://queeaverdade.blogspot.com/
14º dia. Nova Civilização http://giselepontes.blogspot.com/
15ºdia.Partilhasemfamenor http://partilhas-em-fa-m.blogspot.com/
16º dia. Degrau de silêncio http://degraudesilencio.blogspot.com/
17º dia. Teresa desabafos http://teresa-desabafos.blogspot.com/
18º dia. A Capela http://a-capela.blogspot.com/

23 de fevereiro de 2010

Deserto


«Baptizado com o Espírito Santo, e declarado por Deus «o Filho meu», «o Amado» (Lc 3,21-22), Jesus é conduzido pelo Espírito Santo através do deserto (Lc 4,1), lugar teológico e não meramente geográfico – com muita água (Jo 3,23) cumprindo Is 35,6-7, 41,18 e 43,19-20, com árvores (canas) (Lc 7,24) e relva verde (Mc 6,39) cumprindo Is 35,1 e 7 e 41,19 –, lugar provisório e preliminar, preambular, longe do que é nosso, onde se está «a céu aberto» com Deus, onde troará a voz do seu mensageiro (Is 40,3), de João Baptista (Lc 3,2-6), do próprio Messias segundo uma tradição judaica recolhida em Mt 24,26.
O deserto é o lugar onde se pode começar a ver a «obra» nova de Deus (Is 43,19). Sendo um lugar provisório, aponta para a Terra Prometida e definitiva do repouso.
O deserto é lugar de passagem. Sem pontos de referência nem marcos de sinalização. Se o rumo não estiver bem definido, o viandante corre o risco de se perder no deserto da vida e de nunca chegar à Vida verdadeira.»

D. António Couto

18 de fevereiro de 2010

Homilia que partilhei na Quarta-feira de Cinzas

1. Começamos hoje o tempo litúrgico da Quaresma que coloca o acento e nos coloca a nós naquilo que é essencial: colocar o nosso coração em Deus.
A Quaresma surge como uma oportunidade dada por Deus, como graça, para fazermos caminho, a fim de não nos acomodarmos às nossas coisas, aos nossos umbigos, às nossas vidas.
É, por isso mesmo, tempo de deixar de lado o egoísmo e tempo para passarmos a ser mais teocêntricos e cristocêntricos.

2. Além disso, irmãos e irmãs, a Quaresma é possibilidade de nos recentrarmos. Pela voz do profeta Joel, na 1.ª leitura, com recurso a uma linguagem directa e incisiva – usando nada mais nade menos 12 verbos no imperativo – Deus diz agora – que é hoje – a todos nós: “Convertei-vos a Mim de todo o coração” e ainda “Rasgai os vossos corações”.
No mesmo sentido, Paulo, na 2.ª leitura, pede-nos em nome de Cristo: “Reconciliai-vos com Deus”.
Por seu turno, Jesus, no Evangelho, lança-nos e elenca-nos como que um programa para este caminho quaresmal: esmola, oração e jejum são exercícios ou três formas concretas de deixarmos que Deus seja o centro deste tempo e da nossa vida neste e em todos os tempos.

3. A Quaresma reveste-se, ainda, de um carácter profundamente simbólico, desde logo pela sua duração. Os 40 dias da Quaresma evocam essa grande travessia do povo hebreu até à terra prometida. A mesma experiência de libertação somos nós desafiados a fazer nestes 40 dias até à Páscoa.
Não é de menor importância começarmos a Quaresma com esta celebração das Cinzas. Elas devem levar-nos a reconhecer aquilo que verdadeiramente somos. Reconhecer que somos pó é, ao mesmo tempo, um convite a vivermos a humildade, com virtude forte deste tempo. Esta deve levar-nos a reconhecer que somos criados, criaturas. Não somos senhores nem criadores de nós próprios.

4. A imagem do deserto é igualmente uma imagem forte da Quaresma. O deserto, mais que um espaço físico, é um tempo psicológico. Colocarmo-nos em deserto significa colocarmo-nos à prova, reconhecendo a nossa não auto-suficiência e consequente dependência de Deus. Neste deserto quaresmal procuramos chegar a esse oásis querido e pretendido que é Deus.


5. Penitência e conversão são também palavras fortes deste tempo. Por elas, somos exortados a reconhecer a nossa fragilidade, a nossa finitude, que somos efémeros, não eternos. Aí chegados poderemos gritar como o salmista: “Pecámos, Senhor, tende compaixão de nós”. Neste mesmo âmbito, surge com especial relevo, o sacramento da Reconciliação, como possibilidade que a Igreja, por meio de Cristo, oferece ao homem pecador que quer fazer e celebrar a festa do encontro amoroso com Deus. Humanamente pode ser difícil entender, mas teologicamente, a Reconciliação – também chamada Penitência ou Confissão – é uma forma magnífica de mostrarmos que o caminho da vida tem pedras que nos fazem cair. Mas, caros irmãos, cair não e mau; mau é ficar no chão e não se levantar nem erguer a cabeça para ir ao encontro do Deus que é Amor.

6. Interioridade é também atitude a exercitar nestes 40 dias. É tempo para dar mais tempo à oração, assim como à escuta da Palavra de Deus, que nos sussurra ao coração e nos desafia à conversão. “Entra no teu quarto”; “Entra no segredo do teu coração”; “Diz não às aparências porque Deus está no secreto, no coração e vê no escondido”. Por isso, é tempo de interioridade.

7. Irmãos e irmãs: Rasguemos o nosso coração e não os nossos vestidos. Demos a Deus o lugar que, por direito, lhe convém, que é o primeiro lugar.
Tudo na Quaresma nos vai apontando o olhar e o coração para o essencial: Cristo, o enviado como Salvador e Redentor. Deixemos que Ele seja o essencial para que volvidos estes dias possamos chegar à sua que é também a nossa Páscoa, já que em Cristo fomos e somos salvos.


JAC

17 de fevereiro de 2010

Quaresma 1.º dia: Começar o caminho reconhecendo o que somos




Quarta-Feira de Cinzas. Início da Quaresma, tempo forte para os cristãos, que responsavelmente preparam a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, mistério central da nossa fé.
Começamos o caminho reconhecendo aquilo que somos. Somos pó, somos cinza, somos terra, somos criatura, não criadores, somos pequenos, frágeis e limitados.
O rito da imposição das cinzas vem recordar-nos que Deus deverá ser o centro da nossa vida. A Quaresma é, assim, a hora da humildade (do latim humus = terra), hora da deixar o egocentrismo e tornarmo-nos teocêntricos e cristocêntricos. Deus vê o escondido e vê o interior. Deus anda pelos segredos do nosso coração…
Isto é conversão, voltar o coração para Deus.
A Quaresma é o tempo em que Deus nos grita “Volta para Mim”, “Volta para Mim de todo o coração e com todo o coração”. “Rasga o teu coração e não os teus vestidos”. Rasga o que te impede de ver Deus, de te encontrares com Ele, de o experimentares…
Que grande oportunidade temos nestes 40 dias santos, de caminho, interior e exterior, de ascese, de arrependimento, de reconciliação, de confissão…

 

Quarta-feira de Cinzas



Sabes, Senhor, que em diversos momentos
Não sou totalmente puro
Porque ajo para ser visto e admirado
Porque procuro o poder, o prestígio, a boa imagem.

Chamas-me a atenção
Para o perigo da falsidade e da mentira
Das artimanhas e dos esquemas
Para agradar apenas os outros.

Sabes os meus erros e as minhas falhas
E vês os escuros do meu coração.

Por isso, peço com humildade,
Coberto de saco e de cinza:
Limpa-me da vaidade e da hipocrisia
E faz-me coerente e verdadeiro.

A isso me proponho também
Neste tempo quaresmal,
Esta nova oportunidade que me dás
Fruto do Teu amor por mim.



 Tanta coisa a mudar na minha vida. Um caminho que me é oferecido como graça, como tempo favorável. Que eu o aproveite, que Deus me dê a graça de o não desperdiçar.




Que a partir de hoje comece já a ser Páscoa, vida nova, na minha vida.


Amanhã reflectimos com a Utilia

16 de fevereiro de 2010

Caminhada da Quaresma

Antes de mais as minhas sinceras desculpas a todos por só agora apresentar a "equipa".

Pelas respostas, a nossa equipa para esta caminhada conjunta fica assim constrituída:
1. José António (não por querer ser o primeiro mas porque me sinto na obrigação de "penar" este atraso e não pedir a ninguém na terça feira às 22h15 (hora actual que estou a escrever) que coloque um texto sobre a quaresma no seu blogue...)
2. Utília
3. Canela
4. Joaquim
5. Gisele
6. Fá menor
7. Dulce
8. Teresa
9. Malu

Então, as "regras" são simples: uma reflexão que nos ajude a um compromisso mais consciente deste tempo forte e favorável. Permitam-me sugerir que a nossa base seja sempre a Bíblia. Como oração, como reflexão, como prece, como pedido, o que quer que seja. Cada um encontrará a melhor maneira de se expressar.

Na medida do possível, gostaria de desafiar a termos em atenção a Mensagem para a Quaresma de Bento XVI, com o tema "A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo (cfr Rom 3, 21–22)".

No final do post colocar o blogue em que aparecerá a reflexão no dia seguinte. E não me ocorre mais nada a não ser o desejo de que isto nos ajude e ajude muitos a ir ao encontro de Cristo.


E porque a Quaresma vai começar, rezo já:



Ó Deus Pai
Damos-Te graças
Porque nestes dias da Quaresma
És grande e amoroso connosco.
Chamas-nos para reconhecermos a nossa realidade
E voltarmos o nosso coração para Ti.
Confessamos que, como crianças,
Queremos viver de desejos à nossa medida.

Tu, ó Deus de bondade e compaixão,
Gritas e vens ao nosso encontro
Para mudarmos o rumo.

Damos-Te graças
Porque caminhas connosco
Neste tempo de Quaresma
Rumo à Páscoa do Teu Filho.

JAC

12 de fevereiro de 2010

Desafio para a Quaresma. Quem aceita?

Olá a todos os que cá costumam passar.
Tenho um desafio mas quero sondar.
À semelhança do que alguns fizemos no Advento, não poderíamos pensar algo do género para a Quaresma?

Uma reflexão, um post, um compromisso, uma citação bíblica, enfim, uma ajuda para todos os que vamos usando estes espaços para que possamos de uma maneira mais empenhada e sempre nova preparar melhor aquele que é o Mistério Central da nossa fé: a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Fico a aguardar contando que, desde já, sozinho ou acompanhado, em empenharei nisso.

até breve

9 de abril de 2009

Procissão da Burrinha vista por milhares em Braga



Bíblia aberta no coração da cidade


A passagem da Procissão da Burrinha fez congregar, ontem à noite, nas principais artérias da cidade de Braga, milhares de pessoas que assistiram ao cortejo bíblico “Vós sereis o meu Povo”, uma verdadeira catequese bíblica aberta no coração da cidade. A atenção dos presentes centrou-se ainda no quadro onde a burrinha “Letícia”, visivelmente incomodada pela presença de tantas pessoas e tantos flashes, foi “princesa” pela primeira vez.
O cortejo bíblico saiu às ruas de Braga como um dos momentos altos de todas as cerimónias da Quaresma e das Solenidades da Semana Santa, numa noite fresca, mas segundo Firmino Marques, «abençoada por São Pedro, São Paulo e também São Victor», uma vez que as previsões não eram nada promissoras.
Esta catequese bíblica, realizada desde 1998, voltou a retratar alguns acontecimentos da História da Salvação com particular enfoque nos que dizem respeito às sucessivas alianças que Deus estabeleceu com o Povo.
Aliás, – numa das inovações da edição deste ano – o quadro bíblico relativo a Noé chamou a atenção de muitas pessoas que aproveitavam para recordar aos mais jovens, a história bíblica da Arca de Noé, apoiadas em pequenos guiões distribuídos no percurso do cortejo.
Com pontualidade britânica, as centenas de figurantes envolvidos nos 22 quadros da Procissão de Nossa Senhora da Burrinha foram calcorreando o caminho que começou na igreja de São Victor e passou pelo Largo da Senhora-a-Branca, Avenida Central (lado norte), Largo São Francisco, Rua dos Capelistas, Jardim de Santa Bárbara, Rua do Souto, Largo do Barão de São Martinho, Avenida Central (lado sul), Largo da Senhora-a-Branca e chegou, de novo, igreja de São Victor.
Depois do quadro de Noé seguiram os quadros relativos a Abraão, a Jacob, à escravidão perpetrada pelo Faraó, no Egipto, a Moisés e à libertação do povo, à serpente de bronze, à Arca da Aliança, ao Rei David, ao profeta Isaías, a Judite e a Ester.
No quadro principal e que dá o nome popular ao desfile, a burrinha “Letícia” ia acusando algum nervosismo, sendo mesmo preciso que o dono estivesse por perto de São José para ajudar a guiar a “princesa”. Aliás, segundo o padre José Carlos Azevedo, houve o risco de a procissão ser feita sem burrinha, já que foi muito difícil colocá-la a andar.
Depois da fuga, apresentaram-se dois quadros a cargo da catequese paroquial. No primeiro, mais de 200 crianças e jovens da catequese fizeram a síntese do tema do ano pastoral a nível arquidiocesano – “Encontrados pela Palavra” – com a interpretação de uma música inspirada na mensagem final do Sínodo sobre a Palavra de Deus.
O último quadro relativo às solenidades do tríduo pascal predispunha as pessoas para a celebração dos mistérios centrais da fé cristã, ou seja, para a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, que se celebram nestes dias.

fotos Avelino Lima/DM

30 de março de 2009

Procissão Penitencial com gente de todas as idades




Centenas de cristãos de Braga
subiram à montanha do Bom Jesus


Centenas de cristãos de Braga subiram ontem de tarde à montanha, até ao santuário do Bom Jesus, para participar na Procissão Penitencial. Este «piedoso exercício», como lhe chamou o cónego Manuel Tinoco, teve gente de todas as idades e pretendeu «recordar as dores que Jesus sofreu no caminho do Calvário».
A procissão saiu da igreja de Santa Cruz, no centro da cidade, e seguiu pela Rua de S. Marcos, Avenida Central, Largo Senhora-a-Branca, Rua da Restauração, Avenida João XXI, Avenida João Paulo II, iniciando depois a subida da escadaria que conduziu os participantes até ao santuário do Bom Jesus, onde se celebrou missa, pelas 17h00.
Ainda na igreja de Santa Cruz, o capitular bracarense que é capelão do Bom Jesus, desafiou os presentes a fazerem a procissão como recordação das dores de Cristo a caminho do Calvário, mas também como manifestação da própria condição humana.
«Recordemos que, ao caminharmos em procissão, estamos a expressar a nossa condição de peregrinos para a pátria celeste», afirmou, destacando também a «união com Maria, a Senhora das Dores», que acompanhou sempre o caminho de Cristo.
Às centenas de cristãos de todas as idades que fizeram o percurso com cadência bem ritmada, o cónego Manuel Tinoco ainda exortou – com as palavras inspiradas da Escritura – que «aqueles que ouvirem a voz do Senhor, não fechem o coração» e respondam ao chamamento com coragem e confiança.
No caminho, o exercício penitencial ia alternando entre cânticos, reflexões, silêncios e, também, com o canto do terço. Os fiéis associaram-se aos diversos momentos e participaram apoiados com um pequeno guião que foi distribuído à saída de Santa Cruz.

Tradição para todas as idades
Entre os participantes havia gente de todas as idades e de diversos pontos da cidade de Braga e alguns até de fora. Também as motivações, ainda que assentes todas na base da fé cristã, variavam entre si.
Rosalina Oliveira, de S. Vicente, disse ao Diário do Minho que gosta de participar nas cerimónias, nesta altura do ano litúrgico. Além disso, «já é uma tradição».
Oriunda de S. Paio de Arcos, Maria Sousa destaca que «é importante realizarem-se procissões deste género para melhor se viver e celebrar a Semana Santa e a Páscoa».
Conceição Rodrigues confessa que já foi mais participativa nestas celebrações. «Estou a regressar de novo, depois de uma época em que estive mais afastada», afirma.
Com 47 anos, natural de Espinho, José Silva trabalha habitualmente fora de Braga e isso impossibilita-o de participar nas cerimónias da Quaresma e Semana Santa. «Sempre que posso, gosto de participar porque sou católico».
Desengane-se, todavia, aqueles que pensam que, dada a distância a percorrer (à volta de cinco quilómetros), apenas pessoas com facilidade de mobilidade participaram na Procissão Penitencial. Maria da Conceição Rodrigues, de 68 anos de idade, é um bom exemplo que mostra como a fé pode transpor montanhas. Apoiada em canadianas, não hesita em responder à pergunta se vai conseguir terminar a caminhada: «Sim, vou até ao fim, porque o Bom Jesus vai ajudar-me».
Entre os caminhantes, maioritariamente adultos, também se encontravam crianças, acompanhadas dos pais, e alguns jovens. João Silva, 9 anos, escuteiro em Dume, fez o percurso acompanhado com a mãe. «Gosto da procissão e gosto de vir com a minha mãe», confessou.
De Mire de Tibães estava uma delegação jovem. Joana Fernandes, 25 anos, Susana Pessoa, 20 anos, e Ana Rodrigues, 14 anos, marcaram presença na celebração com a tia. «Viemos porque somos católicas, mas também porque é um exercício físico que só faz bem».
A irmã Maria Cândida, da Santa Cruz, quis participar na celebração para se inserir e conhecer melhor as tradições da Quaresma e Semana Santa da cidade de Braga. Esta religiosa natural de Fátima afirma: «todos precisamos de penitência e de rezar mais».
Durante o percurso da procissão, a PSP colocou nove agentes com a finalidade de orientarem a circulação viária para que tudo corresse sem problemas. Na rotunda dos Peões, uma vez que terminava a área de intervenção da PSP, foi a vez de a GNR do Sameiro colocar cinco cabos que fizeram o restante percurso até ao Bom Jesus. Registe-se que a procissão decorreu sem qualquer incidente, mesmo tendo passado ao lado de um choque entre três viaturas.

25 de março de 2009

Celeirós espera multidão para reviver Passos de Cristo

A comunidade paroquial de Celeirós, em Braga, celebra este domingo, a partir das 15h00, a já habitual Procissão dos Passos e espera receber milhares de pessoas para reviverem os últimos momentos da vida de Jesus Cristo. Segundo o pároco, padre Fernando Apolinário Marques, a paróquia está empenhada em mais uma edição da procissão que acontece, ininterruptamente, há 68 anos.
Para que esta manifestação de fé possa sair à rua, mais de 400 pessoas envolvem-se na dinamização. Para os quadros bíblicos relativos à Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo são precisas mais de 80 pessoas, os figurados são mais de 150 e, a juntar a todos estes, há ainda os escuteiros e as guias – quase uma centena – que se envolvem na organização. Finalmente há outras pessoas voluntárias para pegar nos andores, bandeiras, estandartes, lanternas e cruzes.
Segundo o sacerdote esta procissão, em Celeirós, tem vindo a crescer nos últimos anos, quer em relação às pessoas que envolve e mobiliza, quer em relação ao número de pessoas que nesse dia visitam Celeirós, quer ainda em relação ao tempo de duração – actualmente cerca de três horas.
Com o objectivo de reviver e recriar o mistério central da fé cristã – Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo –, esta celebração tem um cunho espiritual e litúrgico dentro da caminhada para a Páscoa. Assim, de modo a que a comunidade viva esse momento da melhor forma possível, realiza-se um tríduo preparatório que começa hoje e termina sábado.
Contactado pelo Diário do Minho, o padre Fernando Apolinário Marques disse que a procissão deste domingo tem nos três sermões os momentos mais significativos. O pregador volta a ser o padre João Alberto Correia, pároco de Frossos e professor de Bíblia na Faculdade de Teologia.
A par dos sermões, o sacerdote coloca a representação de alguns quadros bíblicos mais relevantes, como é o caso da entrada solene em Jerusalém, da Última Ceia, da traição no Horto das Oliveiras e da prisão, assim como o já tradicional encontro de Nossa Senhora das Dores com o Senhor dos Passos e, por fim, a crucifixão e a ressurreição de Jesus.
A procissão sai da igreja paroquial às 15h00 e termina no mesmo local pelas 18h00. Como intróito, no sábado à noite, às 21h00, realiza-se uma procissão de velas com o andor de Nossa Senhora das Dores desde a igreja paroquial até à capela do Senhor da Paciência. Durante esta semana há tempo para confissões e ainda Eucaristia às 20h00.

20 de março de 2009

Procissão dos Lírios na rua pela primeira vez em Braga

A Procissão dos Lírios sai à rua amanhã à noite, a partir das 21h30, com a finalidade de recriar o momento em que Jesus cruzou o olhar com a sua Mãe quando carregava a cruz para o Calvário. Com este espectáculo de rua, inédito em Braga, a comissão da Quaresma e Solenidades da Semana Santa pretende envolver os bracarenses e turistas que visitam a cidade, com um acontecimento de teor religioso, teatralizado, e que será para voltar a organizar nos anos seguintes.

Percorrendo algumas ruas do centro histórico de Braga, a Procissão dos Lírios, também chamada Procissão do Encontro, é um espectáculo teatral de rua que conta com a participação de 85 actores e figurantes e incorpora o andor de Nossa Senhora, ornado com lírios brancos, e o do Senhor dos Passos, ornado com lírios roxos.

Com estrutura, textos e organização original – uma criação do missionário passionista padre João Bezerra – a Procissão dos Lírios vai ser apresentada e interpretada pelo grupo “Gólgota”, de Santa Maria da Feira, e vai percorrer a Praça do Município, Rua Eça de Queirós, Praça Dr. José Salgado, Rua Dr. Justino Cruz, Rua do Souto, terminando no largo do Paço, com o aparecimento de uma figura que simboliza um anjo. 

Numa conferência de imprensa realizada ontem, o cónego Jorge Coutinho, acompanhado da vereadora Ana Paula Morais, do cónego José Paulo Abreu e de Gastão Sequeira, relevou o esforço que a comissão organizadora realiza para que a Semana Santa de Braga seja diferente e englobe quer os bracarenses, quer os turistas que visitam a cidade.

Também a vereadora responsável pelo Pelouro do Turismo sustentou que todo o programa celebrativo da Quaresma e Solenidades da Semana Santa é traçado com o objectivo de marcar a diferença bracarense. Daí que se faça uma aposta do ponto de vista cultural, concretamente com este espectáculo de rua e com variadas exposições.

Ana Paula Morais referiu particularmente a exposição itinerante “Semana Santa em Braga” que está patente no Centro Comercial Dolce Vita, em Coimbra, e no Amoreiras Shopping Center, em Lisboa.

Além disso, o Posto de Turismo de Braga, recebe uma exposição de pintura de Luís de Matos, intitulada “Eu Kristus”, patente entre os dias 23 de Março e 11 de Abril.

 

«Cruzes são monumentos

à glória de Deus»

Na mesma conferência, o vigário-geral da Arquidiocese de Braga deu conta de duas exposições, a realizar uma na Casa dos Crivos e outra na “Oficina da Sé” (Paularte), na Rua D. Frei Caetano Brandão. O cónego José Paulo Abreu afirmou que ambas «tocam o essencial da fé cristã: o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo», além de considerar que «as cruzes são monumentos à glória de Deus».

Na Casa dos Crivos abre ao público, no dia 27 de Março, uma mostra de crucifixos intitulada “Por nós crucificado”, que estará patente até ao dia 19 de Abril. Nesta exposição, composta por 25 peças, os interessados poderão encontrar «algumas relíquias», a maior parte em marfim, ligadas ao mistério pascal de Cristo que provêm de alguns museus da cidade e também de espólios particulares.

“Por nós crucificado” pode ser visitada de segunda-feira a sexta-feira, das 10h00 às 12h00 e das 15h00 às 19h00 e, ainda, aos sábados entre as 15h00 e as 19h00.

Além desta, em colaboração com a Paularte, a comissão da Quaresma e Solenidades da Semana Santa promove, entre os dias 3 e 11 de Abril, uma exposição de cruzes paroquiais processionais denominada “A cruz que nos conduz”. Segundo o também director do Museu Pio XII esta mostra que estará patente na “Oficina da Sé”, vai recolher cruzes de diversas paróquias do arciprestado de Braga.

Os interessados podem ver algum do espólio de cruzes processionais que existe no arciprestado bracarense, entre as 9h30 e as 12h30 e entre as 14h30 e as 18h00, todos os dias, excepto o domingo, dia 5.

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...