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24 de setembro de 2009

Salmo de Confiança





O Senhor é a luz que me guia 
e a fonte de minha salvação; 
a quem, então, temerei? 
Ele assegura minha existência; 
o que eu haveria de recear? 


Se malévolos me atacam e me pretendem destruir; 
tropeçam e caem.
Ainda que me cerque um exército, 
não se deixará abalar meu coração 
e mesmo que desfechem guerra contra mim, 
minha fé permanecerá inabalável. 


Um anseio manifestei ao Senhor e sua realização buscarei 
– que eu habite em Sua morada por todos os dias de minha vida, 
a fim de poder contemplar Sua Glória 
e buscar a compreensão de Seus Mandamentos. 


Se uma calamidade ocorrer, Ele me abrigará em Seu tabernáculo; 
guardar-me-á no recôndito de Sua Tenda, 
erguer-me-á acima do cume das montanhas. 


Protegido contra os inimigos que me quiseram destruir, 
trarei então oferendas de gratidão à Sua tenda 
e entoar-Lhe-ei canções de louvor. 


Escuta, ó Senhor, minha voz, 
aproxima-Te de mim 
e concede-me Tua resposta quando a Ti eu clamar. 


Meu coração compreendeu Teu Mandamento 
– “Buscai Minha Presença” – e Tua Presença ele busca. 


Não ocultes de mim Tua face e não me afastes de Ti em ira. 


Tu tens sido meu socorro, portanto não me abandones e não me olvides, 
ó Deus de minha salvação! 


Me abandonaram meu pai e minha mãe, 
mas o Senhor me acolheu. 


Ensina-me Teus caminhos, guia-me pela vereda dos justos 
e protege-me dos que me odeiam. 


Não permita que prevaleça contra mim o furor dos inimigos 
que caluniam e trilham as sendas da violência. 


Eles me fariam desesperar, não fora minha fé perseverante 
de que alcançaria neste mundo a bondade do Senhor. 


Confia pois Nele! 
Assim, fortalecer-se-á teu coração 
por depositares no Senhor toda a tua esperança.

tirado daqui

23 de setembro de 2009

Opção fundamental

Jesus é opção
Porque escolha de um valor
De um fim, de um humanismo.
É opção fundamental
Capaz de abranger a totalidade da pessoa
E de se transformar
num projecto apaixonante
Que fundamenta a personalidade
E facilita a entrega,
Capacita a potencialidade
E estrutura a conduta;
Evita a dispersão
E define a pessoa
Perante si e os outros.

É a opção religiosa
Do crente que tem Deus
Nas suas decisões, atitudes e projectos.
É a opção cristã
Que considera Deus seu Pai
Jesus Cristo, irmão
E o Espírito dador de vida.
Jesus é opção…
É opção fundamental.

inédito JAC
2004

Escrevi isto há cinco anos e continuo a crê-lo, a a reafirmá-lo!.

Lição para a vida







Segue, vivendo,
alegre cada dia
porque é uma maravilha
mais um dia para viver.

Vive, sentindo,
amando sem medida,
porque é uma graça sentir
que amas e és amado.

Ama sem mais
e sem olhar a quem
porque essa é a medida
de ter tornares alguém.

Torna-te aquilo que és
humano e filho de Deus
e assim serás feliz
e com toda a certeza
alcançarás os céus.

22.9.09

Até quando


Até quando Senhor?
Até quando... Meu Deus!!

É a vida! (lamento!)

Há coisas que não percebo.

Continuo o caminho com a força que vem do Alto, mas...


Deus está por mim. Deus está por nós!
Às vezes, sinto-me Job, ou Abraão com Isac antes do sacrifício.


Continuo a rezar: Vela por mim, Senhor, Amén!

3 de agosto de 2009

Cristãos queimados vivos no Paquistão

Horror no Paquistão: sete cristãos, entre os quais uma criança e quatro mulheres, foram queimados vivos por um grupo de fundamentalistas islâmicos nas proximidades de Gojra, província de Punjab. Outras 18 pessoas ficaram feridas durante o incêndio de mais de 50 casas causado por uma multidão de muçulmanos que protestavam pela suposta profanação de um exemplar do Alcorão.
O facto ocorreu anteontem na cidade de Gojra, que sofre com a violência religiosa desde quinta-feira, dia em que, segundo os muçulmanos, vários cristãos profanaram uma cópia do Alcorão. «Alguns muçulmanos locais acusaram Talib Masih, Mukhtar Masih e Imran Masih de queimar o Alcorão. Os acusados negaram veementemente o facto, mas uma multidão de muçulmanos irados queimou várias casas de cristãos», denunciou em comunicado a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão.
Segundo fontes citadas pela imprensa local, a maior parte dos actos violentos foi cometida por jovens que tinham os rostos cobertos com lenços e começaram a lançar gasolina contra as casas. A maioria dos moradores da colónia conseguiu escapar e colocar-se a salvo, mas pelo menos sete pessoas ficaram presas devido às chamas e morreram queimadas.
A Polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, e vários funcionários acudiram pouco depois ao local para convencer os líderes religiosos que pusessem fim aos protestos.
Segundo a Comissão Nacional de Justiça e Paz, organismo da Igreja Católica paquistanesa, estes ataques são frequentes em Punjab e são quase sempre ligados a falsas acusações de blasfémia.


Rádio Vaticano

25 de junho de 2009

A vida e a morte de mãos dadas

A vida não é só morrer mas também o é. Este é o começo de uma poesia que escrevi há algum tempo. Efectivamente é verdade. A vida e a morte são tão... próximas... parece que andam de mão dada.

Partilho convosco a minha experiência destes últimos dias: no domingo morreu um amigo meu, vítima de uma doença prolongada, mas morreu sem ninguém estar preparado. Nunca estamos preparados para "ver" morrer. Para a nossa morte devemos, na medida do possível estar... "Vigiai porque não sabeis o dia nem a hora".

Mas... o funeral foi terça-feira. Porque era meu amigo, porque sou amigo da família, presidi ao funeral, ainda que não à Eucaristia de corpo presente... Foi difícil, mas a fé, efectivamente, traz-nos aquela força, aquela paz, aquela confiança, aquela serenidade que não pensamos nunca alcançar num momento daqueles. Disse na homilia do funeral :"até para os que crêem a morte de um ente querido é uma experiência dolorosa e difícil de suportar". Para mim também foi.

Ontem, presidi ao baptismo do filho de uma colega minha de escola. Ao baptizar o Martim, no dia a seguir ao funeral do Monteiro, senti como a vida é algo de tão belo, cheio de alegria e com uma neblina de tristeza e insegurança a envolver.

Sinto que de alguma forma a morte foi o baptismo último do Monteiro em que ele renasceu para a vida eterna e definitiva com Cristo. Ele está agora nas núpcias do Cordeiro. O Martim renasce para a vida de filho amado de Deus.

Estas duas experiências, simultaneamente humanas e divinas, fizeram-me contactar com a realidade da vida a nascer e a morrer. Mas nas duas senti o selo da presença amorosa de Deus.

A nossa fé vai-se alimentando do corpo e do sangue de Cristo, da Palavra e dos sacramentos mas também destas experiências que vão trespassando a nossa vida.


Este era o poema que iria ler na missa do funeral. Acabei por não o fazer...

Ó Jesus, depõe este corpo
nas mãos do Teu e nosso Pai.
Coloca todo o peso da sua vida
não na balança
mas entre os braços do Pai.
Para onde poderemos fugir?
Onde nos poderemos enconder
senão junto de Ti,
que és irmão e companheiro nas amarguras
e que sofreste e amaste cada homem como irmão?
Senhor do eterno amor,
Coração de todos os corações
- ó coração trespassado, paciente,
indizivelmente bom; -
Vida de todas as vidas
Ressurreição de todos os homens:
acolhe com piedade e amor
o nosso amigo.
E quando a nossa peregrinação cessar
quando se aproximar o fim
o declinar do dia
e o envolvimento das sombras
envia-nos, com bondade, a tua Palavra de vida:
«Pai nas tuas mãos, entrego o meu espírito».
Ó meu bom Jesus. Amém.

12 de outubro de 2008

Espiritualidade do século XXI

José Manuel Pureza e Teresa Martinho Toldy em Braga
Espiritualidade do século XXI
é a mesma de sempre

Texto e foto: José António Carneiro

A espiritualidade para o século XXI é a mesma de sempre. Foi desta forma que José Manuel Pureza iniciou a sua intervenção no âmbito do VIII Ciclo de Conferências promovido pela Fundação Bracara Augusta, com o tema “Globalização: desafios para o século XXI”. Anteontem à noite, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, aquele docente da Faculdade de Economia de Coimbra, juntamente com Teresa Martinho Toldy, apresentaram ideias para “Uma espiritualidade para o século XXI”. Alfredo Dinis, director da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (UCP), moderou o debate, que contou ainda com a presença de Rui Madeira, administrador delegado do Theatro Circo, para o momento de abertura que constou da leitura de um excerto do “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa.
José Manuel Pureza, que é investigador na área dos Estudos Sociais, deixou aos presentes no auditório alguns tópicos daquilo que considera ser uma «espiritualidade fecunda». Para o docente, «esta espiritualidade é a mesma de sempre» e «não convida à alienação, mas desafia à desinstalação e ao compromisso». Apoiado na ideia de que a espiritualidade tem a ver com a vida real e concreta das pessoas, defendeu que «uma espiritualidade que não ajude a transcender as pessoas do lodo e do lamaçal em que andam tantas vidas humanas não será uma espiritualidade fecunda».
O orador denunciou uma «espiritualidade anti-stress» e uma «espiritualidade de fuga», especialmente prolixa em publicações e propostas comerciais que visam buscar «a paz interior e as boas sensações», e «até nas estações de serviço se encontram».
Antes, porém, a doutorada em Teologia, na Alemanha, já havia denunciado um «abuso contemporâneo do termo espiritualidade que aparece muito ligado ao esoterismo».
Concentrando a sua intervenção no âmbito da tradicional teodiceia, Teresa Martinho Toldy afirmou que a questão da espiritualidade se tem de ligar à questão do mal, do sofrimento e do sentido. Fundada no pensamento de teólogos como Metz e Eli Wiesel (este segundo foi Nobel da Paz), disse que o humano tem como que uma «necessidade de ver o invisível».
Citando o exemplo bíblico de Job, a professora de Ética, na Universidade Fernando Pessoa, considerou que Deus pode ajudar a suportar o sofrimento àqueles que acreditam, mas rejeitou a ideia de um Deus que põe à prova por meio da dor e do sofrimento. Nesse sentido, Teresa Martinho Toldy afirmou que «um Deus que se identificasse com o Holocausto não seria Deus, mas um demónio».
Em tempo de debate, José Manuel Pureza recusou ver a «fé como um analgésico». Respondendo a uma inquietação vinda da plateia sobre uma experiência científica que mostrou que os crentes suportam mais a dor do que os não crentes, este investigador opôs-se à ideia da fé como «analgésico», que é o mesmo que dizer «ópio». E concluiu: «a fé pertence a outro domínio».
Na próxima sexta-feira, dia 17, será a vez de Alexandre Quintanilha, Maria Eduarda Barros Gonçalves e Eduardo Jorge Madureira participarem neste ciclo de conferências.

in DM, 12/10/08

25 de setembro de 2008

Que cristianismo no mundo pos-moderno?

"Recordo um jovem que, recentemente, me dizia: "Não me diga que o cristianismo é verdade. Isso me provoca um mal-estar. É diferente do que dizer que o cristianismo é belo...". A beleza é preferível à verdade", escreve Carlo Maria Martini, jesuíta, cardeal, arcebispo emérito de Milão, em artigo publicado no jornal italiano Avvenire, 27-07-2008.

Eis o artigo

O que posso dizer sobre a realidade da Igreja católica, hoje? Deixo-me inspirar pelas palavras de um grande pensador e homem de ciência russo, Pavel Florenskij, que morreu em 1937, mártir da sua fé cristã: "Somente com a experiência imediata é possível perceber e valorizar a riqueza da Igreja". Para perceber e avaliar as riquezas da Igreja, é necessário passar pela experiência da fé.

Seria fácil redigir uma colectânea de lamentações de coisas que não vão bem na nossa Igreja, mas isso significaria adoptar uma visão artificial e deprimente, e não olhar com os olhos da fé, que são os olhos do amor. Naturalmente não devemos fechar os olhos aos problemas. Devemos, contudo, buscar antes de tudo, compreender o quadro geral no qual esses se situam.

Um período extraordinário na história da Igreja

Se, portanto, considero a situação presente da Igreja com os olhos da fé, vejo, sobretudo, duas coisas.

Primeiro, nunca houve, na história da Igreja, um período tão feliz como o nosso. A nossa Igreja conhece a sua maior difusão geográfica e cultural e se encontra substancialmente unida na fé, com excepção dos tradicionalistas de Lefebvre.

Segundo, na história da teologia nunca houve um período tão rico como o actual. Nem no século IV, período dos grandes Padres da Capadócia da Igreja Oriental e dos grandes Padres da Igreja ocidental, como São Jerónimo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho, não havia uma tão grande floração teológica.
Basta recordar os nomes de Henri de Lubac e Jean Daniélou, de Yves Congar, Hugo e Karl Rahner, de Hans Urs von Balthasar e do seu mestre Erich Przywara, de Oscar Cullmann, Martin Dibelius, Rudolf Bultmann, Karl Barth e dos grandes teólogos americanos com Reinhold Niebuhr - sem esquecer os teólogos da libertação (seja qual for o juízo que façamos deles, agora que lhes vêm prestada uma nova atenção pela Congregação da Doutrina da Fé) e muitos outros que ainda vivem. Recordemos também os grandes teólogos da Igreja oriental que conhecemos pouco, como Pavel Florenskij e Sergei Bulgakov.

As opiniões sobre estes teólogos podem ser muito diferentes e variadas, mas eles certamente representam um grupo incrível, como nunca existiu na Igreja dos tempos passados. Tudo isso se dá num mundo cheio de problemas e de desafios, como a injusta distribuição das riquezas e dos recursos, a pobreza e a fome, os problemas da violência difusa e da manutenção da paz. Particularmente vivo é o problema da dificuldade de compreender com clareza os limites da lei civil em relação à lei moral. Estes são problemas muito reais, sobretudo em alguns países, e são, muitas vezes, objecto de leituras diferentes que geram uma discussão também muito acesa.

Às vezes parece possível imaginar que não todos estamos vivendo no mesmo período histórico. Parece que alguns vivem ainda no tempo do Concílio de Trento, outros no tempo do Concílio Vaticano I. Alguns assimilaram bem o Concílio Vaticano II, outros menos; ainda outros já se projectaram decididamente no terceiro milénio. Não somos verdadeiros contemporâneos, e isso sempre representou um grande fardo para a Igreja e requer muita paciência e discernimento. Mas, no momento, prefiro isolar este tipo de problemas e considerar a nossa situação pedagógica e cultural com as consequentes questões relacionadas com a educação e o ensino.

Uma mentalidade pos-moderna

Para buscar um diálogo profícuo entre as pessoas deste mundo e o Evangelho e para renovar a nossa pedagogia à luz do exemplo de Jesus, é importante observar atentamente o assim chamado mundo pos-moderno, que constitui o contexto de fundo de muitos destes problemas e que condiciona as soluções.
Uma mentalidade pos-moderna pode ser definida em temos de oposições: uma atmosfera e um movimento de pensamento que se opõe ao mundo assim como o conhecemos até agora. É uma mentalidade que se separa espontaneamente da metafísica, do aristotelismo, da tradição agostiniana e de Roma, considerada como sede da Igreja, e de muitas outras coisas. O pensar pos-moderno está longe do precedente mundo cristão platónico onde se dava como certa a supremacia da verdade e dos valores sobre os sentimentos, da inteligência sobre a vontade, do espírito sobre a carne, da unidade sobre o pluralismo, do ascetismo sobre a vitalidade, da eternidade sobre a temporalidade. No nosso mundo de hoje há uma instintiva preferência pelos sentimentos sobre a vontade, pelas impressões sobre a inteligência, por uma lógica arbitrária e a busca do prazer sobre uma moralidade ascética e coercitiva. Este é um mundo no qual são prioritários a sensibilidade, a emoção e o átimo presente.

A existência humana se torna, desta maneira, um lugar onde há a liberdade sem freios, onde a pessoa exercita, ou acredita pode exercer, o seu arbítrio pessoal e a própria criatividade.

Este tempo é também de reacção contra uma mentalidade excessivamente racional. A literatura, a arte, a música e as novas ciências humanas (particularmente, a psicanálise), revelam como muitas pessoas não crêem mais que vivem num mundo guiado por leis racionais, onde a civilização ocidental é um modelo a ser imitado no mundo. Ao contrário, aceita-se que todas as civilizações são iguais, enquanto que antes se insistia na assim chamada tradição clássica. Este tempo também é uma reacção contra uma mentalidade excessivamente clássica. Hoje tudo é colocado no mesmo plano porque não existem mais critérios para verificar que coisa é uma civilização verdadeira e autêntica.

Há uma oposição à racionalidade que é vista como fonte de violência porque as pessoas acham que a racionalidade pode ser imposta enquanto verdadeira. Prefere-se a forma de diálogo e de troca com o desejo de sempre ser aberto aos outros e ao que é diferente, se duvida inclusive de si mesmo e não se confia em quem quer afirmar a própria identidade com a força.

Este é o motivo pelo qual o cristianismo não é acolhido facilmente quando ele se apresenta como a "verdadeira" religião.
Recordo um jovem que, recentemente, me dizia: "Não me diga que o cristianismo é verdade. Isso me provoca um mal-estar. É diferente do que dizer que o cristianismo é belo..." A beleza é preferível à verdade. Neste clima, a tecnologia não é mais considerada como um instrumento ao serviço da humanidade, mas um ambiente no qual se dão as novas regras para interpretar o mundo: não existe mais a essência das coisas, mas somente o uso dessas para um certo fim determinado pela vontade e pelo desejo de cada um. Neste clima, é consequente a rejeição do pecado e da redenção. Diz-se: "Todos são iguais, mas cada pessoa é única". Existe o direito absoluto de ser único e de afirmar a si mesmo. Toda e qualquer regra moral é obsoleta. Não existe mais o pecado, nem o perdão, nem a redenção e, muito menos, o "renunciar a si mesmo". A vida não pode ser vivida como um sacrifício ou um sofrimento.

Uma última característica da pos-modernidade é a rejeição da aceitação de qualquer coisa diz respeito ao centralismo ou à vontade de dirigir as coisas de cima. Neste modo de pensar há um "complexo anti-romano". Estamos agora além do contexto onde o universal, o que era escrito, geral e sem tempo, contava mais; onde o que era durável e imutável era preferido ao que era particular, local e datado.

Hoje a preferência é, pelo contrário, por um conhecimento mais local, pluralista, adaptável às circunstâncias e a tempos diferentes.

Não quero expressar juízos. Seria necessário muito discernimento para distinguir o verdadeiro do falso, do que é dito como aproximação do que é dito com precisão, que coisa é simplesmente uma tendência ou uma moda daquilo que é uma declaração importante e significativa.

O que quero acentuar é que esta mentalidade está, hoje, por tudo, sobretudo nos jovens, e é necessário ter isso em conta.

Mas quero acrescentar uma coisa. Talvez esta situação é melhor da que existia antes. Porque o cristianismo tem a possibilidade de mostrar melhor o seu carácter de desafio, de objectividade, de realismo, de exercício da verdadeira liberdade, da religião ligada com a vida do corpo e não somente da mente.
Num mundo como o que vivemos hoje, o mistério de um Deus não disponível e sempre surpreendente adquire maior beleza; a fé compreendida como um risco torna-se mais atraente. O cristianismo aparece mais belo, mais próximo das pessoas, mais verdadeiro. O mistério da Trindade aparece como fonte de significado para a vida e uma ajuda para compreender o mistério da existência humana.

"Examina tudo com discernimento"

Ensinar a fé neste mundo representa nada mais, nada menos que um desafio. Para sermos capazes disso é preciso ter estas atitudes:

Não sermos surpreendidos pela diversidade.

Não ter medo do que é diferente ou novo, mas considerá-lo como um dom de Deus. Provar que somos capazes de ouvir coisas muito diferentes daquelas que normalmente pensamos, mas sem julgar imediatamente quem fala. Buscar compreender que coisa nos é dito e os argumentos fundamentais apresentados. Os jovens são muito sensíveis para uma atitude de escuta sem julgamentos. Esta atitude dá-lhes coragem de falar que realmente sentem e de começar a distinguir o que realmente é verdadeiro do que o é somente nas aparências. Como diz São Paulo: "Examina tudo com discernimento; conserva o que é verdadeiro; evita toda espécie de mal" (1Ts 5, 21-22).

Sermos capazes de correr riscos. A fé é o grande risco da vida. "Quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perde a sua vida por minha causa, a encontrará" (Mateus 16, 25).

Sermos amigo dos pobres. Coloca os pobres no centro da tua vida porque esses são os amigos de Jesus que se fez um deles.

Alimentar-nos com o Evangelho. Como Jesus nos diz no seu discurso sobre o pão da vida: "Porque o pão de Deus é o que desce do céu é dá vida ao mundo" (João 6, 33).

Oração, humildade e silêncio

Para ajudar a desenvolver estas atitudes, proponho quatro exercícios:

1.- Lectio Divina. É uma recomendação de João Paulo II. "Particularmente é necessário que a escuta da Palavra se torne um encontro vital, na antiga e sempre válida tradição da lectio divina que propicia que se acolha a palavra viva que interpela, orienta e plasma a existência" (Novo Millennio Ineunte, N. 39). A Palavra de Deus nutre a vida, a oração e a viagem quotidiana, é o princípio da unidade da comunidade numa unidade de pensamento, a inspiração para a contínua renovação e para a criatividade apostólica" (Ripartendo da Cristo, N. 24).

2.- Autocontrole. Devemos aprender, novamente, que saber se opor à vontade própria é algo mais gozoso que as concessões continuas que parecem desejáveis mas que acabam por gerar mal-estar e saciedade.

3.- Silêncio. Devemos nos afastar da insana escravidão do barulho e das conversas sem fim e encontrar cada dia, pelo menos meia hora de silêncio e meio dia cada semana para pensar em nós mesmos, para reflectir e rezar. Isto pode parecer difícil, mas quando se consegue dar um exemplo de paz interior e tranquilidade que nasce de tal exercício, também os jovens tomam coragem e encontram aí uma fonte de vida e de alegria que não experimentaram antes.

4.- Humildade. Não acreditemos que cabe a nós resolver os grandes problemas dos nossos tempos. Deixemos espaço ao Espírito Santo que trabalha melhor do que nós e mais profundamente. Não sufoquemos o Espírito nos outros. É o Espírito que sopra. Portanto, estejamos prontos para acolher as suas manifestações mais subtis. Para isso é necessário o silêncio.

Carlo Maria Martini

O fundamento da fé: Deus é amor!



Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.Vocês podem reconhecer o Espírito* de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Este é o espírito do anticristo,* acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo. Eles vêm do mundo. Por isso o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve. Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Desta forma reconhecemos o Espírito* da verdade e o espírito do erro. Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação por nossos pecados.* Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós. Sabemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu do seu Espírito. E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo. Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. Desta forma, o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar a seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.* Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também a seu irmão.

Eis o fundamento da nossa fé, eis a certeza que nos dá esperança: Deus é Amor!

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...