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26 de fevereiro de 2018

A revelação da Transfiguração



Qual é o Filho que o texto nos revela? Revela-nos este Filho, como acentua a voz: “Este é o Filho”, o Jesus que se encontra entre vós, que vós, que vós conheceis, tão delicado, acessível, atraente e simultaneamente tão frágil, vulnerável, humilhado. O Filho é Jesus, que falou do sofrimento e da morte, cujo rosto apavorado contemplareis em Getsémani, empalidecido pela morte sobre a cruz. Este é o meu Filho; este é o ressuscitado, o luminoso, o glorioso. É difícil unir estes dois rostos, e, todavia, este único rosto é o Filho predilecto do Pai, que se aventura até á morte e que reflecte glória até ofuscar os próprios inimigos. É um mistério que nunca conseguiremos compreender completamente, a não ser no céu, e oscilaremos sempre entre os dois conhecimentos.
O Pai é-nos revelado como Aquele que diz “Escutai-O!” e que tem a coragem de revelar-Se neste Filho aparentemente contraditório para nós, porque débil e forte, frágil e poderoso, humilhado e glorioso. “Escutai-O”, isto é, suportai o duplo rosto do Filho, não vos deixeis desviar do seu rosto triste nem iludir pelo seu rosto glorioso. Somente na contemplação dos dois rostos, que na realidade é um, vereis o mistério do Pai que se revela na justiça e na misericórdia, no poder e na condescendência. Somos assim introduzidos naquele conhecimento sublime no qual a Igreja é chamada a progredir ao longo dos milénios mas que ainda não atingiu passados os dois mil anos. Espantamo-nos ao pensar como é possível que só nos últimos decénios a Teologia esteja a aprofundar o dogma da Trindade; é conhecido na sua história descritiva, mas continua escondido este rosto misterioso do Pai, do Filho e do Espírito.
Aprofundando o entusiasmo de Pedro, sentimo-nos solicitados a estender esta expressão a toda a vida cristã: “É belo estar aqui”, é belo pertencer a Cristo. (...) Descubro aqui o vosso carisma para o terceiro milénio: proceder de modo a que os outros achem bela a vossa vida e sejam levados a desejar participar da vida das vossas comunidades.
A outra reacção, que temos, de reverência pelo divino, impele-nos a manter o olhar fixo sobre Jesus ainda quando o seu rosto se esconde, como na noite da fé, noite que, provavelmente, estamos a viver na sociedade ocidental europeia. Manter o olhar fixo sobre Jesus com reverência, ainda que a nuvem se torne obscura. Por isso, devemos aceitar o entusiasmo e o temor, o alvoroço e a reverência, (...) sabendo que continuamos a contemplar o rosto de Cristo, presente mesmo na noite e na obscuridade.

Carlo Maria Martini

27 de fevereiro de 2010

Ideias Partilhadas na Homilia do II Domingo da Quaresma:


Evangelho: Transfiguração de Jesus
1. Texto não é uma crónica jornalística
2. É uma catequese sobre Jesus que revela e apresenta Este como o Filho amado de Deus que vai concretizar o plano salvador em favor dos homens através do dom da própria vida, da entrega total por amor.
3. Olhemos mais o texto: A transfiguração acontece antes da subida para Jerusalém, o lugar da entrega. Como que a dizer que a glória da transfiguração precisa de passar pelo sofrimento e pela Cruz para chegar à ressurreição.

4. Olhemos as muitas referências ao A.T.:
a. “Monte” – é o lugar da revelação de Deus. É o intermédio entre a terra e o céu. É o lugar do diálogo com Deus.

b. “Mudança de rosto e das vestes” – recordam e evocam o resplendor de Moisés ao descer do Sinai onde recebeu os Mandamentos da lei.

c. “Nuvem” – é sempre indicativa da presença de Deus, que caminha com o povo, pelo deserto, e o guia.

d. “Moisés e Elias” – representam a Lei e os Profetas. Segundo a teologia judaica, estes deveriam aparecer no “dia do Senhor”. Falam da morte de Jesus como “êxodo” (partida, passagem) que se concretiza em Jerusalém. A morte de Jesus é uma morte libertadora, redentora.

e. “Sono” – é simbólico. Pretende dizer que os discípulos – Pedro, Tiago e João representam os demais – não querem entender que a glória do Messias tenha de passar pelo sofrimento e pela cruz.

f. “Tendas” – é uma alusão à Festa das Tendas comemorativa do êxodo do Povo hebreu, que na caminhada do deserto habitava em tendas e onde havia a tenda de Deus, a tenda do encontro. Significa que os discípulos querem perpetuar este momento de glória sem que Cristo tenha de passar pela cruz.
5. Mensagem central: Jesus é o Filho amado do Pai que oferece gratuitamente a salvação a todos os homens por meio da sua entrega no alto da cruz, por amor e de uma vez para sempre.

6. A transfiguração é assim a prefiguração da ressurreição de Jesus, e também da nossa, como vitória sobre a morte.

Primeira leitura: Gn 15.

Abraão – modelo dos que acreditam. Pais dos crentes.
Confiou plenamente nas promessas de Deus.
Apesar de velho, sem filhos, sem terra… mesmo assim confia na promessa de Javé.

Até que ponto eu confio em Deus?
Mesmo no meio das tempestades, dos terramotos e dos sismos no Haiti ou no Chile, dos aluviões e das derrocadas na Ilha da Madeira, dos tornados e dos mini-tornados um pouco por todo o mundo ou até do vendaval que nos invade por estes dias… apesar de tudo consigo pôr a minha confiança e a minha esperança no Senhor?
Ele é mesmo a minha luz e a minha salvação?
Segunda leitura: Fil 3

Paulo quer dizer aos Filipenses e hoje a cada um de nós que a nossa caminhada rumo a Cristo não está terminada. É um processo construído dia a dia e é feito de intimidade, de oração e de uma maior conformação com Cristo.
Paulo acentua que para isso é necessário mudar, transformar, transfigurar e converter o coração. O exterior importa muito menos que o interior. Deus vê o interior, olha o coração.
Estou disposto a aceitar transformar o meu coração, rumo à vida nova de Deus, que Cristo nos alcança pela sua transfiguração plena que é a ressurreição?

Continuemos irmãos o nosso caminho nesta Quaresma que é a estrada de Luz e de Jesus, ao encontro do Pai, onde nos encontraremos todos transfigurados e ressuscitados.

Diác. José António
27.02.2010

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...