26 de dezembro de 2008
Visita pastoral a Nogueiró
templos da Palavra
Foto e Texto: José António Carneiro
O Arcebispo de Braga pediu que os cristãos sejam templos espirituais que acolhem Jesus e a sua palavra. Durante a Eucaristia de encerramento, na visita pastoral a Nogueiró, em Braga, D. Jorge Ortiga, crismou mais de duas dezenas de pessoas às quais deixou o desafio de, na festa de Natal que se aproxima, acolherem Jesus como o Verbo, a Palavra enviada por Deus.
Na homilia da celebração, a partir da primeira leitura da liturgia da Palavra do quarto domingo do Advento, D. Jorge Ortiga, disse que, felizmente, «há já muitos templos físicos e casas de Deus». No entanto, o que pode faltar – e falta mesmo – são templos espirituais ou seja, pessoas que sabem acolher e dar lugar a Deus na sua vida, defendeu.
Também a partir do exemplo de acolhimento que é Nossa Senhora – a figura central do Evangelho de ontem – o prelado desafiou os cristãos a uma atitude de serviço e de confiança em Deus.
Aos paroquianos presentes, D. Jorge Ortiga relembrou a necessidade da formação cristã permanente e da responsabilidade que têm na construção da Igreja.
Terminada a homilia, o Arcebispo de Braga ministrou o sacramento do Crisma a nove indivíduos do sexo masculino e 14 do sexo feminino. Estes que receberam o terceiro sacramento da iniciação cristã prepararam um ofertório solene e uma encenação de acção de graças onde destacaram a ideia de que o Natal é a festa do nascimento de Jesus que é a Palavra enviada por Deus Pai ao mundo.
Antes de terminar a celebração, D. Jorge Ortiga, tal como em outras comunidades do arciprestado, entregou uma Bíblia a uma família da paróquia para que possa correr e passar pela casa de muitos paroquianos e «suscite mais amor nas famílias».
Já no adro da igreja, onde se realizou um pequeno convivo, o prelado soltou uma pomba que tinha sido levada ao altar, simbolizando o Espírito Santo, que desceu sobre os que receberam o sacramento do Crisma.
O padre Miguel Ângelo Costa, pároco de Nogueiró e Tenões, confirmou ao Diário do Minho que a visita pastoral do prelado contribuiu para unir e reunir a comunidade à volta da Palavra de Deus.
Sobre a comunidade paroquial disse que, felizmente, as pessoas aderem aos desafios lançados, mas em relação ao número de agentes de pastoral confessou que «mais pessoas fazem falta e são bem vindas».
Em relação a projectos e a infra-estruturas, o pároco disse que está a ser estudada a possibilidade de se construir uma capela mortuária junto à igreja paroquial.
Também junto da capela de Nossa Senhora da Consolação vão decorrer obras ao nível da recuperação e melhoramentos do adro e zona envolvente. Além disso, segundo o sacerdote, a Junta de Freguesia local tem um projecto para a construção de habitações sociais junto àquele espaço de culto.
O padre Miguel Ângelo Costa, que é também capelão do Hospital de São Marcos, falou ainda da dificuldade ao nível da zona pastoral que se prende com o facto de em muitos colégios haver catequese impedindo, de certa forma, uma identificação das crianças e das famílias com a respectiva comunidade. «Temos sentido essa dificuldade nas reuniões de zona», disse, ressalvando que também a proximidade com Braga leva a uma certa diluição da missão da zona pastoral e do próprio arciprestado.
Câmara de Braga "fez campanha" em Padim da Graça
Padim da Graça inaugurou
restauro do adro da igreja
Foto e Texto: José António Carneiro
A freguesia de Padim da Graça assistiu ontem, finalmente, à bênção e inauguração das obras de beneficiação e melhoramento do espaço envolvente à igreja paroquial. O projecto demorou cerca de 11 anos a concluir por falta de verbas e só agora, numa conjugação de esforços entre paróquia, junta de freguesia e Câmara de Braga, foi possível finalizar uma obra que beneficia a população em geral.
O acto de bênção e inauguração contou com a presença de Mesquita Machado e do Vigário Geral da Arquidiocese, cónego Valdemar Gonçalves. Além destes, também as vereadoras Palmira Maciel e Ana Paula Morais, o chefe de gabinete do presidente da Câmara, Alfredo Cardoso, o actual pároco de Padim da Graça, padre José Figueiredo de Sousa, e o executivo local marcaram presença neste acontecimento.
Na cerimónia da bênção, o cónego Valdemar Gonçalves – em representação do Arcebispo de Braga que à mesma hora realizava uma visita à paróquia de São Pedro d’Este – salientou a união de esforço para a conclusão do projecto que beneficia a população em geral.
Depois, no fundo da avenida de acesso à igreja paroquial, foi descerrada uma lápide evocativa da inauguração das obras.
Aqui, o presidente da Junta de Freguesia, Francisco Semelhe, afirmou a conclusão desta obra vem confirmar a famosa frase de Fernando Pessoa (“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”) uma vez que apesar das dificuldades económicas foi possível concluir o projecto.
O responsável da autarquia local disse também que a qualidade da obra realizada pode assemelhar-se a muitas obras realizadas na cidade de Braga, facto com o qual Mesquita Machado, na sua intervenção sequente, discordou.
O edil, por seu lado, salientou que as obras em localidades rurais – como as que foram ontem inauguradas – devem conseguir manter a traça da ruralidade. Destacando o investimento realizado – cerca de 500 mil euros – Mesquita Machado congratulou-se com o facto de a obra ser inteiramente da freguesia. Como referiu, a Junta foi a responsável da obra e a execução pertenceu também a uma empresa de Padim da Graça.
A obra constou de arranjos ao nível da zona envolvente da igreja, acesso ao cemitério e avenida de acesso à igreja paroquial. O cruzeiro foi também colocado no início da rua que conduz ao templo, local onde já esteve no passado.
Ao que o Diário do Minho apurou junto de populares, do conjunto de obras ontem inaugurado, apenas o acesso que vai do adro para o cemitério e a colocação de bancos de jardim e iluminação exterior no mesmo espaço foram realizadas recentemente. O parque de estacionamento que é da paróquia nem sequer foi visitado pelos políticos (porque será?).
A avenida que dá acesso para a igreja foi alargada há cerca de três anos, tal como a colocação do cruzeiro no novo lugar embora tenham sido integradas nesta empreitada e inauguradas agora.
Antes da cerimónia da bênção e inauguração do novo espaço, o cónego Valdemar Gonçalves presidiu a uma celebração eucarística inserida na festa de Natal dos idosos da freguesia.
D. Jorge Ortiga presidiu missa de Natal da UCP
na actual missão evangelizadora
A Universidade Católica Portuguesa (UCP) tem um papel fundamental e uma responsabilidade acrescida na actual missão da evangelização. O Arcebispo de Braga falava assim na missa de Natal daquela instituição de ensino superior, que decorreu ontem, pelo meio-dia, na capela da Faculdade de Teologia, em Braga.
Destacando que a celebração natalícia que se aproxima a passos largos merece da parte de todos os cristãos um empenhamento, D. Jorge Ortiga salientou que a “Católica” – concretamente as pessoas que a constituem – se deve comprometer em anunciar à sociedade e ao mundo que «Cristo continua a ser o único salvador do homem». A cerca de uma centena de alunos, professores e funcionários presentes – as faltas estavam justificadas para quem participasse na celebração – o prelado disse que quer que a UCP seja cada vez mais agente de evangelização, nos mais variados âmbitos da vida social.
Para esse comprometimento, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) entende ser necessário que o programa formativo da universidade proporcione um «verdadeiro encontro com Cristo». Só dessa forma, segundo o prelado, é possível promover e formar mais anunciadores e colaboradores para a missão de evangelização da Igreja.
Daí que, a UCP, enquanto instituição ligada à Igreja, deva mostrar «Cristo ao mundo como salvador e como razão de vida».
Na homilia da celebração, o Arcebispo de Braga exortou a que seja feito um sério exame de consciência sobre o modo como a “Católica” vai desempenhando dia-a-dia a sua missão. É imperioso que «cada um se interrogue sobre o contributo que poderá dar à Igreja para que ela não se anuncie a si mesma, mas a Cristo», disse D. Jorge Ortiga.
Sobre o mundo moderno, o prelado disse que é urgente «olhar os seus problemas» e ir servindo a humanidade que é dada a viver a cada pessoa.
A partir da celebração do ano paulino, D. Jorge Ortiga pediu aos presentes que este Natal de 2008 seja vivido no signo de São Paulo. «O Natal pode, por um lado, ser apenas uma repetição anual, mas pode, por outro, ter uma particularidade e, este ano, essa poderia passar por dar um rosto paulino ao Natal», afirmou.
Nesta linha, e salientando a acção evangelizadora de Paulo, o Arcebispo Primaz destacou a permanente atenção do Apóstolo em preparar cooperadores e auxiliadores para o desempenho da missão. Também a Arquidiocese está apostada na preparação e na formação de agentes de pastoral e, nesse sentido, os Encontros com São Paulo – a decorrer em quatro centros distintos – são para o prelado boas oportunidades que não podem ser desperdiçadas.
A Arquidiocese de Braga, segundo o seu responsável máximo, tem inclusivamente vindo a pensar na criação de uma rede de cooperadores pastorais e evangelizadores.
A festa de Natal da UCP de Braga contou também com uma ceia de Natal que decorreu pelas 20h00 nas instalações do Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Seminário Menor). Durante o jantar que reuniu mais de uma centena de presentes, houve variada animação recreativa.
“10 milhões de estrelas” bate rocorde
pela Cáritas Arquidiocesana
Texto: José António Carneiro
A Cáritas Arquidiocesana vendeu, até ao momento, mais de 23 mil velas, no âmbito da campanha “10 milhões de estrelas”, um número que satisfaz os organizadores já que é indicativo da solidariedade dos bracarenses, apesar da crise que vai dificultando as finanças das famílias portuguesas, em geral, e do Norte, em particular.
Segundo Eva Ferreira, da Cáritas de Braga, o aumento das vendas é significativo já que no ano passado a fasquia ficou pelas 18 mil vendas. A juntar às 23 mil velas deste ano já vendidas colocam-se mais três mil, entretanto pedidas à Cáritas de Lisboa.
Uma das inovações desta campanha de solidariedade, tem a ver com o facto de, em Braga, se ter alargado os locais de venda ao público. Este ano, os organizadores conseguiram a colaboração de escolas, colégios e outras instituições de ensino, assim como de movimentos juvenis, como os escuteiros e, também, de empresas da região (Aki e Continente).
Na Avenida Central, em Braga, está localizada a habitual “Tenda da Paz” onde as pessoas podem comprar as velas para acender na noite de consoada e, também, para receber mais informações sobre a campanha “10 milhões de estrelas”, que começou em todo o país no passado sábado.
Sobre a noite de 24 de Dezembro, Eva Ferreira diz que é importante as pessoas que aderiram à campanha e compraram velas as acendam e coloquem nas janelas das suas casas, para se cumprirem os objectivos da campanha.
Apoiar Refeitório Social
e pigmeus de Mongoumba
Eva Ferreira disse ao Diário do Minho que, como habitual, a campanha tem duas finalidades. Por um lado, apoiar projectos da própria Cáritas Arquidiocesana e, por outro, contribuir para um projecto sinalizado a nível nacional ou internacional.
Para este segundo, a Cáritas dispensa 30 por cento das receitas da campanha. Este ano, para assinalar a celebração do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, este apoio vai promover a integração de pigmeus de Mongoumba, uma população minoritária da República Centro Africana. Concretamente, destina-se a projectos sociais nos âmbitos da educação e da saúde.
A restante percentagem, 70 por cento, vai sem empregue no Refeitório Social da Cáritas de Braga. Este serviço apoia cerca de 35 pessoas da cidade, com refeições de segunda a sexta-feira. Estes beneficiados são pessoas sinalizadas pela Cáritas que têm problemas de exclusão, baixo rendimento, doença, entre outros.
Colégio João Paulo II entregou prendas
A celebração serviu para assinalar, por um lado, o encerramento do primeiro trimestre das aulas e, também, da catequese e, por outro, para apresentar este material recolhido junto da comunidade educativa, numa iniciativa intitulada “Vamos aquecer o Menino”.
Maria Helena Gonçalves, directora do colégio, disse ao Diário do Minho que a resposta à campanha de solidariedade social foi «muito generosa», quer pelos alunos quer pelos pais.
Num texto lido durante o ofertório, a responsável salientou que a iniciativa quis possibilitar «que seja Natal e não Dezembro», «que se acenda um presépio no mundo» e «que se acenda um presépio nos olhos de todas as crianças».
Da parte do colégio, ficou ressalvado o compromisso de contribuir para que «o Natal e a consoada sejam uma festa universal» .
Já Marta Figueiredo, em representação da APCB, agradeceu a iniciativa e manifestou que a instituição se sente «honrada» pelo afecto e pelo gesto solidário do Colégio João Paulo II.
Presidida pelo pároco de Dume, a Eucaristia serviu para celebrar, antecipadamente, o Natal. «Queremos agradecer ao Menino Jesus tudo aquilo de bom que recebemos ao longos deste primeiro período escolar», afirmou o padre Armindo Ribeiro Alves.
D. Jorge Ortiga em Nogueiró
onde se ama e serve os irmãos
Texto e foto: José António Carneiro
«A Igreja está presente em todos os lugares onde se ama e serve os irmãos», disse D. Jorge Ortiga durante a visita à Casa de Saúde do Bom Jesus. O Arcebispo de Braga começou ontem a visita pastoral à paróquia de Nogueiró, precisamente, com uma Eucaristia naquela instituição, que assinalou também a celebração natalícia dos colaboradores da casa de saúde que celebrou, recentemente, 75 anos de existência.
Na homilia, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) começou por agradecer às Irmãs Hospitaleiras que «vivem plenamente a lei soberana da hospitalidade, do acolhimento e do serviço». No agradecimento àquela comunidade religiosa, D. Jorge Ortiga englobou todo o pessoal que trabalha na instituição, desde os médicos, enfermeiros, auxiliares, voluntários e funcionários em geral.
Por se tratar de um trabalho, muitas vezes, «escondido» e «desconhecido da sociedade», o Arcebispo de Braga destacou, ainda mais, o seu valor. Todavia, realçou que «a Igreja reconhece esse trabalho», que tem a marca do amor de Deus por todos os humanos.
Neste sentido, e a partir da primeira leitura da missa, pediu aos presentes que vejam em Jesus Cristo a melhor recompensa e o melhor prémio. «Jesus é esse menino pobre e simples mas que grita a todos a felicidade de viver», frisou.
Depois de enaltecer o trabalho realizado em prol dos utentes da casa, denunciou um tipo de sociedade «rotulada pela depressão». E, a par disso, desafiou a que a Casa de Saúde do Bom Jesus continue a realizar e a prestar um bom serviço à sociedade em geral.
A certo momento o prelado afirmou que «se os cristãos fossem capazes de ver em todos os homens a presença viva de Cristo e não fizessem qualquer acepção de pessoas na realização do bem, com certeza, o mundo seria diferente para melhor daquilo que é hoje em dia».
Na projecto de construção de um mundo melhor, é fundamental, no entender de D. Jorge Ortiga, que se usem os mesmos sentimentos que Cristo usava, especialmente o amor e a dedicação sem limites.
O Arcebispo de Braga, acompanhado pelo pároco de Nogueiró, padre Miguel Ângelo Costa, e pelo capelão da instituição, padre Luís Miguel Rodrigues, defendeu ainda que todas as áreas do trabalho humano precisam de uma «dose certa de amor» que, como o sal que se não vê na confecção alimentar, cumpre a sua missão. No cumprimento do dever diário, o prelado pediu que os colaboradores e funcionários da casa usem o profissionalismo aliado ao amor.
Esta visita de D. Jorge Ortiga está inserida no programa mais alargado da visita pastoral à paróquia de Nogueiró. Ontem, o prelado realizou uma série de visitas naquela comunidade.
No sábado, é a vez da catequese paroquial receber o responsável da Arquidiocese e, no domingo, na missa de encerramento, D. Jorge Ortiga ministra o Sacramento da confirmação a mais de duas dezenas de jovens.
Em declarações ao Diário do Minho, a superiora da comunidade religiosa das Irmãs Hospitaleiras disse que esta visita do Arcebispo é importante porque manifesta a ligação à igreja local. Além disso, fez com que a Casa de Saúde de Nogueiró aderisse a várias dinâmicas relacionadas com a Palavra de Deus, num triénio pastoral dedicado à Bíblia.
A celebração do Natal dos colaboradores da instituição começou com a leitura da mensagem enviada pela Superiora Geral, a todos os colaboradores da Província portuguesa.
Colóquio na FacFil a 16 e 17 de Outubro de 2009
antigos mestres da Escola de Braga
Texto: José António Carneiro
Foto: Avelino Lima
A Faculdade de Filosofia (FacFil) vai homenagear os antigos mestres ligados à escola de pensamento de Braga com a realização do colóquio “A Escola de Braga e a Formação Humanística – Tradição e Inovação”. A iniciativa agendada para os dias 16 e 17 de Outubro de 2009 é organizada pelo Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da FacFil e pela Associação dos Antigos Alunos Faculdade de Filosofia de Braga (AAAFFB) da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Na conferência de imprensa realizada ontem, o coordenador da comissão organizadora, José Gama, afirmou que o objectivo central do colóquio passa por «responder à necessidade urgente de repensar e aprofundar o sentido do humanismo» presente na formação transmitida pela FacFil desde a sua fundação em 1947.
Este objectivo desdobra-se em mais dois: por um lado, contribuir para a reflexão e discussão pública sobre a «actual situação que se vive em Portugal» ao nível da «desvalorização da formação humanística e filosófica nas escolas» e, por outro, prestar «uma merecida homenagem a todos os mestres das Escola de Braga».
Em relação à «progressiva desvalorização das humanidades no quadro da formação em geral» os organizadores destacam que a filosofia constitui «uma parte decisiva na formação da personalidade das pessoas e dos cidadãos».
No texto de apresentação do colóquio refere-se que «a Escola de Braga tem um significado muito preciso, dentro do panorama do pensamento português desde meados do século XX» e está «identificada com a Faculdade de Filosofia».
Para a iniciativa, a organização conta, para já, com dez conferencistas para outras tantas conferências. Assim, estão já previstas intervenções de Roque Cabral, Amadeu Torres, Margarida Miranda, Pedro Calafate, Ricardo Vélez Rodríguez, Manuel Ferreira Patrício, António Braz Teixeira, Acílio Rocha, Mário Garcia e Augusto Hortal.
Os temas a apresentar são, respectivamente, “A matriz inspiradora da Escola de Braga”, “A Escola de Braga e os estudos literários”, “A Escola de Braga na tradição humanística”, “A Escola de Braga na tradição humanística portuguesa”, “A Escola de Braga no contexto do pensamento filosófico português contemporâneo”, “A Escola de Braga no contexto do pensamento filosófico luso-brasileiro”, “A Escola de Braga no contexto do pensamento pedagógico português contemporâneo”, “A Escola de Braga e a renovação filosófica contemporânea em Portugal”, “A Escola de Braga e os seus mestres em Filosofia”, “A Escola de Braga e os seus mestres em Humanidades” e “A Escola de Braga e a importância da formação humanística na Europa do futuro”.
A comissão científica é composta por docentes da UCP, da Universidade do Minho (UM), da Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Universidade de Évora, Universidade de Aveiro, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Lusíada, Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Brasil).
Da comissão de honra fazem parte o Arcebispo Primaz, o Reitor da UCP, o Reitor da UM, o Provincial da Companhia de Jesus, o Director da FacFil, o presidente da Câmara Municipal e o governador civil de Braga, a Associação Industrial do Minho, a Associação Comercial de Braga, o presidente da AAAFFB e ainda os docentes Roque Cabral e Manuel Moraes.
Recepção de comunicações
Para já, até ao dia 10 de Março, a comissão organizadora tem abertas as inscrições para a apresentação de comunicações sobre os tópicos relacionados com a Escola de Braga nas áreas de: Filosofia: metafísica/teodiceia, ética, psicologia e ciências; Humanidades: literatura e cultura clássicas, literatura e cultura portuguesas; Pedagogia e intervenção profissional; Memória dos Mestres – estudos e testemunhos: António Durão, Paulo Durão, Cassiano Abranches, Diamantino Martins, Júlio Fragata, J. Bacelar e Oliveira, João Mendes, António Freire, Vitorino de Sousa Alves, A. Soares Pinheiro, Manuel Simões e Lúcio Craveiro da Silva.
Os resumos destas comunicações deverão ser enviados para escoladebraga@braga.ucp.pt.
Matriz para outras associações
O presidente AAAFFB aproveitou a conferência para apontar algumas iniciativas e anseios da associação. Antes de mais, José Guedes deseja que todos os antigos alunos que passaram pela FacFil sejam amigos da instituição. Além disso, apontou os esforços que estão a fazer com a reitoria da “Católica” para a constituição de uma Associação de Antigos Alunos da universidade.
«Queremos ser a matriz de outras associações de antigos alunos», frisou José Guedes destacando algumas iniciativas para este ano lectivo, concretamente, a actualização da página da associação na internet e a angariação de novos sócios.
Multiplicar esforços conjuntos
É, por isso, imperativo, nos tempos que correm, Igreja e Estado encontrarem sempre formas novas de buscar uma resposta social mais pertinente e mais pró-activa. Considero indiscutível que não basta matar a fome por um dia a um pobre ou necessitado, mas é preciso atacar a situação.
Sei que é fundamental o trabalho primário que se faz ao nível do “dar de comer a quem tem fome”, mas acho que não chega. É preciso ir mais longe, mais fundo, às causas, às raízes. E, é por isso que considero prioritário um esforço de sintonia, de sinergia, de dar as mãos para atacar os verdadeiros problemas que vão “matando” aos poucos tantos portugueses.
Foi notícia há poucos dias o encontro do Arcebispo de Braga e do governador civil onde se manifestou sintonia de ambas as partes na resolução de problemas sociais na Região, que apesar do quadro negro, ainda se descortinam luzes de esperança ao fundo do túnel.
Mas, não consigo perceber o porquê de uma multiplicação de estruturas e plataformas que, bem vistas as coisas, andam em prossecução dos mesmos objectivos.
Falo do facto de, recentemente, ter surgido em Braga uma plataforma composta por instituições para a qual a Igreja não foi convidada, mas falo também do facto de a Igreja ter anunciado a criação de uma plataforma social para 2009.
Falo do facto de ser cada vez mais urgente um trabalho em rede, em colaboração e parceria, com cruzamentos de informações. E parece-me que isso não acontece como deveria.
Claro que muitos pobres e sem-abrigo agradecem o facto de poderem comer várias refeições durante o mesmo dia, mas tenho a certeza que desta forma estaremos a perpetuar um problema que precisa de ser atacado na raiz.
A minha modesta sugestão: em vez de se multiplicar esforços individuais, multipliquemos esforços conjuntos, de comunhão, na tentativa de buscar sempre um mundo melhor e mais justo.
Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida
respeito pela vida humana
Texto e foto: José António Carneiro
A Associação Famílias apresentou ontem de manhã, em Braga, uma Proposta de Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida por meio da qual exige mais respeito pela dignidade da pessoa humana.
O novo documento que é da responsabilidade do Instituto Internacional “Familiaris Consortio” (IIFC) pretende, também, contribuir para um maior conhecimento da Declaração Universal dos Direitos do Homem, produzida na sequência da II Guerra Mundial e que assinalou ontem 60 anos de existência.
Na conferência de imprensa, na sede na Associação Famílias, Carlos Aguiar Gomes fez uma apresentação global da carta alertando para diversas situações nas quais, actualmente, os direitos humanos continuam a ser ignorados e desrespeitados. O presidente da associação destacou alguns dos 10 números que compõem a carta editada em quatro línguas – alemão, francês, inglês e português – e apresentada em diversos países por meio do IIFC.
Em concreto, o documento, dirigido a toda a comunidade humana, condena todas as tentativas de selecção eugenista, experiências sobre e com embriões humanos, clonagem e hibridação de gâmetas humanos com gâmetas de outras espécies. Também a eutanásia, o suicídio assistido e a pena de morte não escapam à critica do documento apresentado ontem.
Num momento histórico, marcado por uma crise económica mundial, os autores da Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida não deixam de lado o problema da fome e todas as formas de pobreza considerando-as «intoleráveis». A este respeito, Carlos Aguiar Gomes lamentou que em Portugal existam, nos dias de hoje, cerca de dois milhões de pobres, com tendência para o número aumentar.
A ecologia e os problemas ligados ao equilíbrio da natureza estão igualmente referidos nos pontos que compõem o documento, assim como a necessidade urgente de o Estado criar as condições desejáveis e necessárias para que os cidadãos possam ter direito a cuidados paliativos e a apoios domiciliários na fase final da vida humana.
O presidente da Associação Famílias disse, na palavra introdutória, que «infelizmente as agressões aos direitos humanos continuam» e denunciou algumas dessas formas de ataque: umas são «destacadas, descaradas e publicamente assumidas», ao passo que outras são «veladas e apresentadas como consequência e sinal do progresso de um mundo pós moderno».
E acrescentou: «tome-se como exemplo a “limpeza” eugénica que está a ser feita diariamente com o apoio e concordância dos diferentes poderes políticos, se não mesmo com a imposição deste».
Como resposta a esta situação, a Associação Famílias não se calará nem deixará de exercer o seu direito de denúncia. «Condenamos a eugenia nazi com a mesma veemência face à que hoje se pratica com meios muito mais sofisticados de muitos centros hospitalares». E prosseguiu: «todo o atentado à dignidade de toda e qualquer pessoa, a começar pelo seu direito natural e profundo a viver, merece a nossa mais viva repulsa».
Entretanto, Carlos Aguiar Gomes salientou alguns sinais positivos na defesa dos direitos humanos dados, por exemplo, pelo presidente do Paraguai – o antigo bispo católico Fernando Lugo – que vetou a lei do aborto e, também, a recusa do grão-duque do Luxemburgo em avalizar uma lei que legaliza a eutanásia, ainda correndo o risco de ver reduzidas as prerrogativas de soberano.
Segundo Carlos Aguiar Gomes a Proposta mereceu a análise e comentários de diversas personalidades de reconhecido mérito e competências na matéria e já foi enviada às diversas autoridades políticas e religiosas entre os quais, todos os líderes parlamentares e os Bispos de Portugal.
O documento estará disponível na internet, na página da Associação Famílias (www.a-familias.org), ou na sede da organização (Rua de Guadalupe, n.º 73, 4710-298 Braga). Diga-se, por fim, que a capa da edição portuguesa consta de uma ilustração da autoria de uma menina de sete anos.
4 de dezembro de 2008
27 de novembro de 2008
Auditório Vita com proposta cultural de qualidade
Texto: José António Carneiro
O Auditório Vita está apostado em oferecer ao público em geral uma proposta cultural diversificada e de qualidade. É com este objectivo que se acaba de criar a Comissão Cultural Auditório Vita, dependente a Arquidiocese de Braga, que «não pretende fazer concorrência a ninguém nem a nada», mas quer possibilitar que possa assistir, em «excelentes condições», a bons programas culturais.
O padre Paulo Terroso é o director da recentemente criada Comissão Cultural Auditório Vita, que conta ainda com Eduardo Jorge Madureira, como director de conteúdos, de Maria Helena Vieira, João Duque, Mário Paulo Perreira e José Filgueiras.
Para assinalar o início de actividade da nova Comissão Cultural é lançada amanhã à tarde o site do Auditório Vita (www.autitoriovita.com) onde consta, entre outras informações, a programação e notícias diversas.
Paulo Terroso disse ao Diário do Minho que o Auditório Vita continua a servir normalmente a vida e a actividade da Arquidiocese de Braga. Mas, agora, alarga-se a programação no sentido de rentabilizar o espaço que tem diversas potencialidades, mas, também, com o intuito de dar aos interessados uma programação cultural alternativa e de qualidade.
Dentro destas iniciativas que apostam na qualidade, o Auditório Vita vai assinalar, em Dezembro, o centenário do nascimento de Olivier Messiaen com quatro noites dedicadas a este compositor do século XX, que realizou em Portugal a estreia mundial de uma das suas obras, “A Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Compositor português
de renome mundial
no Auditório Vita
Esta iniciativa vai decorrer de 10 a 13 de Dezembro, sempre às 21h30, e consta de dois concertos, um colóquio e um filme. Além dissso, vai trazer a Braga nomes sonantes da música como João Pedro Oliveira que é, na actualidade, um dos melhores compositores de todo o mundo, como noticiou o Jornal Público na sua edição de 17 de Novembro passado.
A respeito das obras do compositor homenageado, este catedrático de Composição e Música Electrónica na Universidade de Aveiro diz que ouvir música de Messiaen «é ouvir música sobre os anjos, o Paraíso, Deus, a Ressurreição dos mortos, a Transfiguração, o Apocalipse, e muitos outros dogmas e mistérios da fé cristã». E continua: «Talvez em toda a História da Música não tenha havido outro compositor que tenha comunicado de forma tão enfática as suas convicções espirituais».
Para homenagear Olivier Messiaen, o Auditório Vita promove em duas noites um concerto integral das obras para música de câmara para instrumentos acústicos.
Na primeira noite, dia 10, os interessados podem apreciar “Merle noir”, para flauta e piano, “Fantasie”, para violino e piano , “Visions de l’Amen”, para dois pianos, entre outras composições. Nuno Inácio (flauta), Gerardo Ribeiro (violino), Marta Zabaleta e Miguel Borges Coelho (piano) constituem o elenco musical deste primeiro concerto.
Na segunda noite, de 13 de Dezembro, vai ser apresentado “Thème et variations”, para violino e piano, “Pièce pour piano et quatuor à cordes” e “Quatuor pour la fin du temps”, para violino, clarinete em si bemol, violoncelo e piano. Nesta noite, actuam os músicos Gerardo Ribeiro, Miguel Borges Coelho, António Saiote (clarinete), Paulo Gaio Lima (violoncelo) e, ainda, o Quarteto de Cordas de Matosinhos composto por Vítor Vieira e Juan Maggiorani (violino), Jorge Alves (viola) e Marco Pereira (violoncelo).
A homenagem continua no dia 11 com a realização de um colóquio intitulado “Vivemos tempos sombrios”. Segundo a organização, «foi em tempos sombrios que Olivier Messiaen viveu uma parte da sua vida, nos anos em que, prisioneiro num campo de concentração nazi ».
Este colóquio sobre esses «tempos sombrios» e sobre as «mulheres e homens que os testemunharam» conta com a presença do já referido João Pedro Oliveira, de Teresa Martinho Toldy, professora de Ética na Universidade Fernando Pessoa, de José Tolentino de Mendonça, director da colecção Teofanias, no âmbito da qual se publicaram obras de Simone Weil, Dietrich Bonhoeffer e Etty Hillesum, que testemunharam esses «tempos sombrios». A moderação está a cargo de João Duque que é também, teólogo e director adjunto da Faculdade de Teologia de Braga.
Na noite do dia 12, a organização vai projectar, pela primeira vez em Portugal, o filme “Le Charme des impossibilités”. Este conta a história da génese de uma obra musical, o “Quarteto para o Fim dos Tempos”, composta e interpretada pela primeira vez, durante a segunda guerra mundial, num campo de prisioneiros de guerra. Um compositor, três intérpretes com instrumentos em muito mau estado desafiam a detenção, a guerra, o frio, a fome, o tempo e tentar o impossível.
O filme realizado por Nicolás Buenaventura Vidal tem 80 minutos e é exibido na versão original, com legendas em inglês.
Para assistir aos concertos, os interessados devem desembolsar cinco euros e as outras duas noites têm entrada livre.
in Diário do Minho, 27 Novembro
Amália, o Filme
Antestreia de “Amália, o Filme”
segunda-feira no Bragashopping
Texto: José António Carneiro
“Amália, o filme”, a primeira biografia ficcionada da diva do fado, tem antestreia marcada para o Bragashopping, esta segunda-feira, a partir das 21h30. A sessão contará com a presença do realizador Carlos Coelho da Silva, do produtor Manuel da Fonseca e da actriz principal Sandra Barata Belo, daquele que é o filme português mais caro de sempre, orçado em três milhões de euros, que chega às salas de cinema portuguesas, na sexta-feira, dia 4 de Dezembro.
Produzido pela Valentim de Carvalho Filmes, o filme conta com a participação financeira da RTP, que vai exibir posteriormente a longa-metragem em versão mini-série.
Entre os locais de filmagens contam-se Aveiro, Régua e Espinho. Além disso, foram feitas imagens em Nova Iorque, ainda que todos os cenários tenham sido recriados em Portugal.
Sandra Barata Belo, de 29 anos, é a protagonista do filme e lidera um elenco de 45 actores. De Amália, a jovem actriz estudou os gestos, o comportamento, a cadência do canto e da fala, descobriu-lhe a timidez e a insegurança e as variações entre a alegria e a tristeza nos anos que o filme abrange, entre 1950 e 1980.
A actriz leu ainda biografias, recortes de imprensa e testemunhos escritos, viu filmes e documentários e falou com Estrela Carvas, que foi secretária e confidente de Amália Rodrigues.
De salientar que neste filme, nos momentos de interpretação de fados, a voz de Sandra Barata Belo será dobrada pelas gravações de Amália Rodrigues.
«Este é um filme comercial, mas acho que tem coisas interessantes, acho que serve a um público alargado, acho que serve aos eruditos e serve ao senhor da mercearia que sempre gostou da Amália. É um filme sobre a fadista, portanto é um filme para as pessoas irem ver», disse recentemente a actriz.
Além de Sandra Barata Belo, o filme conta com as participações de Carla Chambel, Leonor Seixas, António Pedro Cerdeira, Ana Padrão, Ricardo Carriço, João Didelet, Ricardo Pereira e Susana Mendes.
Distribuição internacional
garantida
«Amália é uma figura universal e tem um estatuto que ultrapassa as fronteiras portuguesas, está editada em todo o mundo e o fado é hoje um género de valor muito importante, que se encaixa na world music», disse o produtor, em declarações à Lusa.
Por isso, a internacionalização do filme é um dos principais objectivos definidos e até ao momento conseguidos. «As nossas perspectivas de internacionalização, neste momento, não podiam ser mais optimistas», acrescentou.
O produtor realçou o facto de se tratar «da pré-compra de um filme português, com base num trailer de dois minutos, num mercado ameaçado pela crise mundial».
China, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Argélia, Marrocos, Tunísia e 15 países do Médio Oriente, entre os quais o Egipto, Emirados Árabes Unidos, Líbano e a Arábia Saudita, garantiram já a distribuição do filme, que se baseia na vida da mais internacional voz portuguesa.
As vendas internacionais realizaram-se no American Film Market (AFM 2008) que decorreu em Los Angeles, e onde a Valentim de Carvalho Multimédia, distribuidora do filme, esteve representada.
«Além dos contratos já garantidos, “Amália, o Filme” despertou um elevado interesse por parte de distribuidores presentes no AFM 2008, estando em curso negociações com o Brasil, França, Itália, Estados Unidos, Espanha, Israel e Japão», refere o produtor.
in Diário do Minho
26 de novembro de 2008
22 de novembro de 2008
Nossa Senhora
No dia da padroeira da música, Santa Cecília, e depois da festa da Apresentação de Nossa Senhora.
Para rezar
21 de novembro de 2008
Estrelas lusas a ver “sambar”
Depois de ler diversas análises, comentários e notícias sobre a «vergonha» e o «escândalo» que se passou em Gama, no jogo que opôs Brasil a Portugal e que resultou na maior goleada sofrida pela equipa lusa nos últimos 50 anos, continuo sem perceber o que se passa com esta selecção, que é como quem diz, a equipa que reúne (ou devia reunir!) os melhores jogadores portugueses – bem, alguns são brasileiros, mas também não são dos melhores!
«Portugal a ver estrelas», «Portugal humilhado» «Descalabro», «Brasil cilindra Portugal», “Pôxa irmão» foram algumas das palavras de ordem (manchetes) da imprensa, na ressaca de um jogo que foi visto, em Portugal, pela noite dentro.
Claro que a exibição portuguesa, segundo o comentador Joaquim Rita, foi «pouco racional, sem estratégia sem arrumação técnica, sem atitude mental» e que se entende os apupos atirados à comitiva na chegada a Lisboa.
Claro que Carlos Queirós (alguém sabe que salário aufere?) é o alvo em foco e lhe fica bem fazer um “mea culpa” dizendo que os adeptos têm razão e é necessário que os jogadores que vestem a camisola da selecção estejam a «mil por cento».
Não concordo – e li também esta opinião – que a selecção joga mal porque os jogadores não entendem a linguagem de Carlos Queirós. Se o problema é esse, então, pague-se a um tradutor. Ou então chamemos um seleccionador brasileiro (bons tempos!).
Concordo que da parte de Gilberto Madail houve inconsciência ao assinar um contrato válido por quatro anos.
Mas, o que é certo é que o Dunga, mesmo no meio da «paulada» e da «polémica» passou no teste. E o Queirós?
Sabemos todos que «esta derrota é uma mensagem muito forte para os jogadores. Não se pode começar um jogo bem e depois deslumbrar-se e desagregar» disse o técnico luso. Sabemos, ainda, que o «resultado tem de servir de lição».
Esperemos que esta lição – estrelas lusas a ver “sambar” – seja bem aprendida, que é como quem diz que a selecção consiga marcar presença no Mundial de 2010, mesmo que tenha de ser com aflições e calculadora na mão.
in Diário do Minho, 21 de Novembro
19 de novembro de 2008
O Berço do Salvador
12 de novembro de 2008
11 de novembro de 2008
Praxe: humilhação ou integração?

Na passada terça-feira, dia 4, pelas 21h30, o CAB (Centro Académico de Braga) deu início a uma actividade intitulada “Bate Papo Universitário”. O objectivo desta iniciativa é uma aproximação efectiva à academia minhota, situada a distantes léguas do espaço sede deste Centro Universitário. Decorreu este evento no Puzzle Bar na rua Nova de Santa Cruz, bem próximo do contexto universitário bracarense, e teve uma adesão bastante animadora: cerca de 70 estudantes.
O mote para o primeiro Bate-Papo foi a praxe. E não podia tocar num assunto mais sensível aos estudantes da Universidade do Minho nos últimos tempos. O verniz estalou com uma polémica reportagem que uma estação de televisão fez emitir e na qual apareciam imagens das praxes em Braga. A imagem negativa constantemente veiculada pela imprensa deu origem a um “blackout” da parte da academia minhota, quebrado especialmente nesta iniciativa. O “Papa” Rui Jorge, responsável máximo da praxe na Universidade do Minho, fez questão de estar presente, juntamente com o seu antecessor, António Carneiro, que foi um dos convidados destacados para o evento. Do outro lado da discussão encontrava-se Vítor Andrade Cunha, licenciado em Sociologia pela UM, e destacado membro de uma associação intitulada AGIR, que assumiu uma posição bastante crítica face à praxe.
Estavam lançados os dados para um debate, acicatado por um pequeno inquérito, efectuado uns dias antes na Universidade, que lançava as bases do diálogo. A maioria dos alunos referia-se à praxe como «integração», salvaguardando todavia o cuidado pelos “exageros”. Foi precisamente neste ponto que tocou Vítor Cunha numa das suas intervenções, aventando que as praxes podem ser por vezes demasiado «vexatórias», quase como «cópias das praxes que aplicavam aos recrutas no serviço militar». Num texto da sua autoria relatou muitas praxes exageradas, que envolviam cânticos sexualmente insinuatórios, e referindo que «não se pode falar em transmissão de valores» desta forma. Todavia, salvaguardou que acredita que um certo tipo de praxes, em que de facto se pratique a integração, onde não seja exercida coacção para que os alunos adiram, seria uma praxe a que ele mesmo assentiria.
Do outro lado da contenda reagiu António Carneiro, ressalvando que «só pode falar de praxe aquele que passou por ela», revelando que a preocupação daqueles que praxam é integrar os alunos e «isso é visível». Igualmente referiu que o cabido de cardeais existe para controlar as praxes violentas e exercer uma função de vigilância para que não aconteçam exageros que «acontecem sempre». Na questão dos palavrões insultuosos, António Carneiro fez questão de lembrar que o ministro actual elaborou uma directiva, para o presente ano lectivo, que pretendia alertar para o cuidado de um maior brio nas palavras usadas nas praxes, algo que «está a ser seguido pela nossa academia».
Esta posição foi fortalecida por Magda Pinheiro, membro do conselho de anciãos, que salvaguardou que muitos alunos se declaram anti-praxe por «motivos ideológicos» e não devido à violência das praxes, referindo também que «escutou muitos alunos» ao longo de seis anos, tentando prestar-lhes apoio quando se propõem a declarar-se anti-praxe.
O espírito académico foi igualmente referido como uma das virtudes da praxe, isto depois de se ter falado da academia coimbrã como um exemplo de tradição académica.
A última questão do debate, bastante participado pela plateia, cingiu-se sobre a recente polémica que se abateu sobre a academia minhota. A imprensa esteve em discussão. Frases como «não se pode tomar a árvore pela floresta» foram citadas para fortalecer a necessidade de uma imprensa coerente e independente. Este ponto foi fortalecido pelos dois convidados, apesar de antagónicos nas posições.
O diálogo terminou com um nítido convergir de posições, a favor de uma praxe que se quer integradora e ciente dos seus pergaminhos. Vítor Andrade Cunha, convidado que aceitou assumir uma posição incómoda, mas louvável, no debate, terminou referindo que são «mais os pontos que nos unem do que aqueles que nos separam», dando relevo ao espírito de escuta e reflexão a que se assistiu neste debate.
Duas horas depois o debate terminava com a sensação de que muito ficou por dizer, mas fortalecendo a importância que o diálogo e confronto de ideias tem para um efectivo progresso.
Texto de Rui Ferreira, SJ, publicado no Diário do Minho
7 de novembro de 2008
4 de novembro de 2008
Entrevista na Catequese da Sé
Cónego Manuel Joaquim Costa em entrevista, no Patronato da Sé
«Os Jovens não podem cegar nem ensurdecer»
O grupo de catequese (GC) do 7.º ano do Patronato da Sé, catequizandos e catequistas, entrevistou o cónego Manuel Joaquim (CMJ), pároco da Sé e S. João do Souto juntamente com o padre Domingos Paulo Oliveira, no âmbito de uma actividade entre catequeses. Depois de dois encontros a reflectir sobre o “Ser grupo com Jesus” nada melhor do que falar sobre a vida da paróquia com o responsável da comunidade que recebe por estes dias (de 6 a 9 de Novembro de 2008) a visita do Arcebispo de Braga. Desafios lançados aos jovens para uma vida positiva e manifestação da esperança na juventude foram pontos essenciais da conversa que ainda serviu para se aclararem aspectos relacionados com a vida sacerdotal.
GC – Tem o sonho de ser padre desde pequeno?
CMJ – Desde muito pequeno. Ainda não andava na escola e ia à catequese com os meus irmãos aos padres de Montariol, em Braga. Olhando para aqueles frades eu sentia dentro de mim uma grande vontade de ser padre. Embora não quisesse aquela coisa castanha que eles vestiam. Por isso, desde pequenino eu ia dizendo lá em minha casa que queria ser padre. E todos me gozavam e brincavam com isso. Envergonhei-me um bocado e deixei de falar no assunto. Só mais tarde, quando me preparava para a profissão de fé, é que ganhei coragem para falar com a minha mãe e dizer-lhe que queria ir para o Seminário.
GC – Arrepende-se de ter seguido esta vocação?
CMJ – Não, de maneira nenhuma. Nunca me arrependi embora não é fácil seguir este caminho. Se olharem a vida dos vossos pais também vêm que não é fácil ser-se casado porque surgem sempre problemas e complicações. A mim como padre é a mesma coisa. Há dificuldades mas nunca me arrependo e gosto de fazer o que faço.
GC – O que é que pensa dos jovens concretamente de nós?
CMJ – Penso que sois um luxo e tenho muita esperança em vós. Foi belo ter celebrado convosco a festa da fé, no ano passado, e é belo ver-vos agora aqui com vontade continuar a crescer de mãos dadas.
GC – Que actividades sugere aos jovens?
CMJ – Em primeiro lugar, peço que nunca se deixem cegar nem ensurdecer. Hoje há o risco, e particularmente na vossa idade, de cegar perante o ecrã da televisão ou da PSP ou do computador. Outro perigo é o de ensurdecer com o fones postos nos ouvidos. Nem se ouve o silêncio nem o barulho. Quando passo por gente da nossa catequese na rua, muito nem nos vê nem nos ouvem, porque cegaram e ensurdeceram. Isso é pena porque nós devemos falar uns com os outros, sorrir, cumprimentar, ser espontâneos. Os jovens devem valorizar o bom cinema, a boa leitura o bom desporto e também a participação muito alegre e muito simples na vida da paróquia, especialmente na Eucaristia.
GC – Gosta da sua vocação?
CMJ – Gosto muito. Foi muito bom eu ter feito a minha descoberta da vocação no Seminário junto com outros companheiros que hoje em dia estão espalhados por toda a arquidiocese. Continuamos ligados e amigos uns dos outros.
GC – O que é que entende por comunidade paroquial?
CMJ – É o conjunto dos baptizados que frequentam determinada paróquia ou se sentem ligados a ela. É a comum unidade no mesmo baptismo e na mesma vida em Deus que a todos nos assiste. A comunidade vive seguindo os conteúdos da Palavra de Deus e alimentando-se do amor fraterno.
GC – Na paróquia quem deve construir a comunhão?
CMJ – Todos temos uma responsabilidade essencial. Como num corpo quando algum membro ou órgão falha, todo o corpo falha. Assim é na Igreja. Todos nós somos membros vivos do corpo misterioso de Jesus. Todos os membros, mesmo que pareçam insignificantes, são essenciais na harmonia de todo o corpo. Se um membro sofre todo o corpo sofre. A Igreja, como corpo de Cristo, precisa de todos os seus membros para construir a comunhão. Claro que eu como padre estou ao serviço da união e da unidade de todos. Mas eu sozinho não faço comunidade nem comunhão. O padre precisa de muitos colaboradores.
GC – A união na Igreja é importante?
CMJ – É importantíssima. Nos tempos actuais, as pessoas devem olhar os cristãos sentirem-se interpeladas pelo seu modo de estar e de viver. Se os cristãos vivem desunidos é um sinal negativo e um mau testemunho.
GC – Como é que procura ser discípulo de Jesus?
CMJ – Em primeiro, de manhã, o meu primeiro pensamento é para Jesus agradecendo mais um dia que me dá. Assim, sintonizo o meu dia em Jesus. Unido a Jesus, procuro estar vigilante amando todas as pessoas que vêm ter comigo.
GC – Porque não escolheu ser frade?
CMJ – Olha, não sei muito bem. Alguma coisa me chamava para ser padre secular ou diocesano. Não senti que a minha vocação fosse para viver numa comunidade seguindo uma regra, como fazem os frades.
GC – O que significa Igreja?
CMJ – Significa uma assembleia convocada, um povo convocado e reunido por Deus para construir a fraternidade, a união, o bem e viver o amor. Ser igreja é o motivo que nos reúne aqui neste momento.
GC – A visita do Senhor Bispo à paróquia pode ajudar na construção da comunidade?
CMJ – Muito, porque o Bispo é o principal responsável pelas comunidades da arquidiocese, contando, é claro, com a ajuda dos párocos. Por isso, sentimo-nos felizes por o Bispo nos visitar como representante de Jesus. O Bispo vem confirmar o esforço que fazemos para crescermos todos como Povo de Deus.
Terminada a entrevista, houve um outro tempo em que os catequizandos fizeram outras perguntas ao cónego Manuel Joaquim Costa. Fazemos um apanhado das ideias que daí resultaram.
O dia do cónego Manuel Joaquim Costa é normal. «Como, bebo, durmo, trabalho». «Gosto de ouvir música mas não tenho muito tempo. Gosto de ver as notícias e bons filmes».
Vive no Patronato da Sé, onde tem um escritório e um quarto para dormir.
No percurso para ser padre teve «muito apoio e estímulo», nas, «no início, nem tanto».
O padre recebe um salário normal. «Depende das comunidades e do que elas possam pagar».
A vida sacerdotal é «bastante atarefada». «Há sempre muitas coisas para fazer».
Como é presidente da direcção do Patronato da Sé, às vezes tem que ir a tribunal resolver «alguns assuntos importantes da instituição».
«Não me chocava que um dia a Igreja viesse a dizer que não é essencial os padres serem celibatários». Mas «eu sinto-me bem como estou e como sou». «O celibato é o pedido que a Igreja nos faz para estarmos mais disponíveis para os outros e para Deus».
Na Igreja é importantíssimo o mostrarmos ao mundo Jesus, pelo testemunho de vida.
30 de outubro de 2008
28 de outubro de 2008
Mensagem final do Sínodo dos Bispos
pelas novas tecnologias
Os delegados dos episcopados católicos de todo o mundo defendem a presença da Bíblia no mundo da cultura, por meio das novas tecnologias. «A Palavra de Deus deve percorrer as estadas do mundo», incluindo «a comunicação informática, televisiva e virtual», escreveram os Bispos na Mensagem final da XII assembleia-geral ordinária, tornada pública ontem, do Sínodo que termina amanhã.
Os Bispos de todo o mundo, reunidos no Vaticano, consideram que «esta nova comunicação adoptou, em relação à tradicional, uma gramática expressiva específica, pelo que é necessário estar bem munidos, não só tecnicamente, mas também culturalmente para esta tarefa», referem no texto que foi divulgado pela página oficial do Sínodo, e que se divide em quatro capítulos (A voz da Palavra: a Revelação; o rosto da Palavra: Jesus Cristo; a casa da Palavra: a Igreja; as estradas da Palavra: a missão) e 15 pontos.
Os Bispos asseguram que «a Bíblia deve entrar nas famílias, para que os pais e os filhos a leiam, rezem com ela e esta seja para elas uma luz para os passos no caminho da existência». Além disso, destacam que «as Sagradas Escrituras devem entrar também nas escolas e nos âmbitos culturais, porque foram durante séculos a referência capital da arte, da literatura, da música, do pensamento e da própria ética comum».
«A sua riqueza simbólica, poética e narrativa torna-a uma bandeira da beleza, seja para a fé seja para a própria cultura», aponta.
Esta mensagem é dirigida a todos os católicos, em particular aos «pastores», aos «muitos e generosos catequistas» e a quantos orientam a Igreja «na escuta e na leitura amorosa da Bíblia».
Os padres sinodais consideram que o texto bíblico «apresenta também o sopro de dor que sai da terra, vai ao encontro dos oprimidos e do lamento dos infelizes», por ter no seu cume «a cruz onde Cristo, só e abandonado, vive a tragédia do sofrimento mais atroz e da morte».
Os fiéis são convidados a «guardar a Bíblia» nas suas casas, para que «leiam, aprofundem e compreendam plenamente as suas páginas», transformando-as em «oração e testemunho de vida» e deixando espaços de «silêncio» neste processo.
Para evitar o «fundamentalismo», refere o texto, «cada leitor das Sagradas Escrituras, mesmo o mais simples, deve ter um conhecimento proporcional do texto sagrado, recordando que a Palavra de Deus revestiu-se de palavras concretas», para «ser audível e compreensível para a humanidade».
Olhar ecuménico
A mensagem recorda os «irmãos e irmãs das outras Igrejas e comunidades cristãs» que caminham nas mesmas «estradas do mundo» e que apesar das separações visíveis «vivem uma unidade real, ainda que não plena, através da veneração e do amor pela Palavra de Deus».
Neste contexto, os «homens e mulheres de outras religiões que escutam e praticam fielmente os ditames dos seus livros sagrados e que, connosco, podem edificar um mundo de paz e de luz, porque Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade», lembra o documento.
O presidente da Comissão para a Mensagem, D. Gianfranco Ravasi, considera que o texto é de «largo fôlego, com um certo “pathos”, para fazer com que não seja só um documento teológico».
Estrutura
A mensagem recorre a quatro «pontos cardeais», que correspondem aos seus capítulos. Em primeiro lugar, «a voz divina» que «ressoa desde as origens da criação», e entra depois «na história ferida pelo pecado e sacudida pela dor da morte».
Em segundo lugar surge «o rosto», ou seja, Jesus Cristo, que «torna perfeito o nosso encontro com a Palavra de Deus» e revela o «sentido pleno e unitário das Sagradas Escrituras». Seguidamente, «a casa da Palavra Divina», a Igreja, que se ergue sobre quatro colunas: o ensino, a fracção do pão, a oração e a comunhão fraterna.
O último ponto refere-se à «estrada pela qual caminha a Palavra de Deus», em especial o campo das novas tecnologias.
A celebração conclusiva da XII assembleia-geral ordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada ao tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” é presidida por Bento XVI, amanhã, na Basílica de São Pedro, pelas 09h30 (hora local, menos uma em Lisboa).
Redacção/Ecclesia
in Diário do Minho
21 de outubro de 2008
Encontros com S. Paulo na Diocese de Braga
(texto)José António Carneiro
Os “Encontros” com São Paulo arrancaram em Braga, na passada quinta-feira à noite, com a presença de perto de 700 pessoas. No arranque desta iniciativa, que decorreu no Auditório Vita do Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese e que se realizará também em Balasar (Póvoa de Varzim) e em Guimarães, a adesão das pessoas foi positiva.
Segundo o pároco de Nossa Senhora da Conceição, o número de participantes nos encontros em Guimarães poderá aproximar-se do registado em Braga. A menos de quinze dias do arranque da iniciativa na cidade vimaranense (o primeiro encontro é no dia 30 de Outubro), já estão inscritas mais de 120 pessoas. No entanto, a maior parte dos párocos vai aproveitar este fim-de-semana para motivar e desafiar os paroquianos a participarem nos encontros orientados, sempre, pelo Bispo Auxiliar de Braga, D. António Couto.
Tomando como paradigma um curso bíblico orientado pelo ainda padre António Couto – antes da nomeação episcopal –, no qual participaram mais de 600 pessoas, o padre João Germano Queirós espera que também aqui a adesão dos cristãos seja em grande número.
Em Balasar, onde decorrerá o encontro inaugural na próxima quinta-feira, dia 23, o padre José Barbosa Granja espera receber mais de 500 pessoas. «Até ao momento estão inscritas 460 pessoas, mas penso que o número vai subir», disse o sacerdote ao Diário do Minho.
Recorde-se que os “Encontros” com São Paulo destinam-se aos catequistas, membros dos Conselhos Económicos, animadores de grupos, membros das Confrarias e Irmandades, Ministros Extraordinários da Comunhão, membros das Equipas de Liturgia, orientadores de Grupos Corais, membros das Comissões de Festas, membros das Direcções dos Centros Sociais e Paroquiais, membros dos vários Movimentos de Apostolado, Associações e Obras, e a todos quantos desejem e procuram aprofundar a sua fé.
Em Junho passado, a Vigararia Geral da Arquidiocese havia dito que «participando [nestes encontros], cresceremos no conhecimento de São Paulo e da Palavra de Deus; entraremos na imprescindível dinâmica da formação contínua; sentiremos o coração a pulsar ao ritmo da Igreja arquidiocesana e universal; e colheremos do Apóstolo entusiasmo para a missão que hoje nos desafia».
Os encontros são mensais e decorrem até ao próximo mês de Junho, data em que termina o Ano Paulino proclamado por Bento XVI.
in DM 18/10/08
16 de outubro de 2008
Somos pontes...
14 de outubro de 2008
12 de outubro de 2008
Priscos quer pôr presépio no Guiness Book
Texto e Foto: José António Carneiro
A comissão responsável pela organização do presépio de Priscos quer inscrever esta iniciativa no Guiness Book. A informação foi dada, ontem de tarde, pelo padre João Miguel Torres, numa conferência de imprensa que decorreu no lugar onde, entre 21 de Dezembro de 2008 e 11 de Janeiro de 2009, vai estar localizado «o maior presépio do mundo com entrada gratuita». A criação de parcerias com várias entidades religiosas e civis da região para conseguir o título de maior presépio vivo do mundo está também equacionada pelos organizadores.
Depois do sucesso da iniciativa, vista no ano passado por mais de 10 mil pessoas, a organização espera este ano receber cerca de 30 a 40 mil pessoas. Este ano, «não vão haver filas de espera porque estamos a tomar todas as diligências e a fazer todos os preparativos para que a entrada no recinto decorra sem demoras», disse o padre João Torres».
Desde Agosto passado que se está a preparar o presépio deste ano que conta com algumas inovações: desde logo, o espaço físico que passa de 400 metros quadrados para 20 mil metros quadrados. Para este facto, contribuiu o empréstimo que um particular fez, cedendo o espaço da sua quinta.
Em relação ao figurados, também o número sobe: este ano estão previstos participar nos quadros alusivos à vida de Jesus Cristo mais de 400 pessoas, divididas por cerca de 50 cenários.
Com o aumento do espaço físico, a organização está a preparar a construção de uma aldeia romana e uma outra judaica. A meio das duas, está a ser construída, de raiz em pedra, uma gruta por onde as pessoas farão a passagem de um para o outro lado.
Na encenação do nascimento de Cristo, levada a cabo pela comunidade de Priscos, vai existir hospedaria, taberna, escola, sinagoga, acampamento militar, oficinas de trabalho, mercado, serviço de correios, fontanários, posto de recenseamento e, ainda, a encenação de uma casamento romano e um judeu. O senado romano, a prisão e cozinha romana estarão, também, à disposição da vista dos visitantes.
Presépio com lugar para todos
Um projecto destinado a todos e aberto a todos, crentes e não crentes, com a possibilidade de todos os visitantes participarem como figurantes. É assim que o padre João Torres vê esta manifestação que vem sendo preparada, de há três anos para cá, por meio de levantamentos e estudos sobre vestuário, cultura e alimentação da época de Jesus.
Ver o Natal mais por dentro que por fora, actualizar conhecimentos bíblicos, reforçar o espírito da comunidade e dar a conhecer a região são objectivos e motivações que levam a organização a apostar forte nesta iniciativa, que custará, aos cofres da paróquia, cerca de 60 mil euros, cobertos quase na totalidade por patrocínios.
Segundo o padre João Torres, a iniciativa pretende ser uma catequese bíblica sobre o nascimento de Jesus além de que quer «ajudar o povo de Priscos a ser mais santo». A construção de um presépio vivo é, para este sacerdote, mas que uma manifestação cultural e artística, uma manifestação de fé, «são pedaços da vida para sentir a Vida deixada por Cristo».
Além disso, a iniciativa é um grito ao voluntariado, dada a adesão livre das pessoas da paróquia e de outras vizinhas que arduamente trabalham para que tudo esteja pronto atempadamente.
«Queremos que Braga seja a capital do presépio vivo, em Portugal», afirmou o padre João Torres, que considerou existir muita comercialização sobre os presépios vivos, em Portugal.
in DM, 12/10/08
Espiritualidade do século XXI
Espiritualidade do século XXI
é a mesma de sempre
Texto e foto: José António Carneiro
A espiritualidade para o século XXI é a mesma de sempre. Foi desta forma que José Manuel Pureza iniciou a sua intervenção no âmbito do VIII Ciclo de Conferências promovido pela Fundação Bracara Augusta, com o tema “Globalização: desafios para o século XXI”. Anteontem à noite, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, aquele docente da Faculdade de Economia de Coimbra, juntamente com Teresa Martinho Toldy, apresentaram ideias para “Uma espiritualidade para o século XXI”. Alfredo Dinis, director da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (UCP), moderou o debate, que contou ainda com a presença de Rui Madeira, administrador delegado do Theatro Circo, para o momento de abertura que constou da leitura de um excerto do “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa.
José Manuel Pureza, que é investigador na área dos Estudos Sociais, deixou aos presentes no auditório alguns tópicos daquilo que considera ser uma «espiritualidade fecunda». Para o docente, «esta espiritualidade é a mesma de sempre» e «não convida à alienação, mas desafia à desinstalação e ao compromisso». Apoiado na ideia de que a espiritualidade tem a ver com a vida real e concreta das pessoas, defendeu que «uma espiritualidade que não ajude a transcender as pessoas do lodo e do lamaçal em que andam tantas vidas humanas não será uma espiritualidade fecunda».
O orador denunciou uma «espiritualidade anti-stress» e uma «espiritualidade de fuga», especialmente prolixa em publicações e propostas comerciais que visam buscar «a paz interior e as boas sensações», e «até nas estações de serviço se encontram».
Antes, porém, a doutorada em Teologia, na Alemanha, já havia denunciado um «abuso contemporâneo do termo espiritualidade que aparece muito ligado ao esoterismo».
Concentrando a sua intervenção no âmbito da tradicional teodiceia, Teresa Martinho Toldy afirmou que a questão da espiritualidade se tem de ligar à questão do mal, do sofrimento e do sentido. Fundada no pensamento de teólogos como Metz e Eli Wiesel (este segundo foi Nobel da Paz), disse que o humano tem como que uma «necessidade de ver o invisível».
Citando o exemplo bíblico de Job, a professora de Ética, na Universidade Fernando Pessoa, considerou que Deus pode ajudar a suportar o sofrimento àqueles que acreditam, mas rejeitou a ideia de um Deus que põe à prova por meio da dor e do sofrimento. Nesse sentido, Teresa Martinho Toldy afirmou que «um Deus que se identificasse com o Holocausto não seria Deus, mas um demónio».
Em tempo de debate, José Manuel Pureza recusou ver a «fé como um analgésico». Respondendo a uma inquietação vinda da plateia sobre uma experiência científica que mostrou que os crentes suportam mais a dor do que os não crentes, este investigador opôs-se à ideia da fé como «analgésico», que é o mesmo que dizer «ópio». E concluiu: «a fé pertence a outro domínio».
Na próxima sexta-feira, dia 17, será a vez de Alexandre Quintanilha, Maria Eduarda Barros Gonçalves e Eduardo Jorge Madureira participarem neste ciclo de conferências.
in DM, 12/10/08
11 de outubro de 2008
Frei Luís Gonçalves, capuchinho de Barcelos

Dinamização bíblica deve combater
a ignorância religiosa e o paganismo
(texto e foto)José António Carneiro
Estando a realizar-se em Roma, no Vaticano, o Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, o Diário do Minho (DM) entrevistou Frei Luís Gonçalves (FLG), capuchinho da comunidade de Barcelos, que se dedica, de corpo e alma, à difusão da Sagrada Escritura um pouco por todo o País.
Este sacerdote, natural de Serafão, Fafe, ordenado em 1971, destaca a importância do Sínodo em si mesmo, mas considera que ele, assim como toda e qualquer dinamização bíblica, terão de ajudar a combater uma certa «ignorância religiosa do Povo de Deus» e também um certo «paganismo» que vai imperando na actualidade. Redescobrir e desenterrar as riquezas da Dei Verbum, apostar na dinamização bíblica da catequese e das paróquias são, para este capuchinho, formas de colocar de novo a Bíblia num lugar central da vida e da missão da Igreja.
DM – Que importância tem o Sínodo sobre a Palavra de Deus?
FLG – O Sínodo é uma instância importante da vida da Igreja. Este, sobre a Palavra de Deus, há muito que o Cardeal Martini – Arcebispo Emérito de Milão – se debate por ele.
Não há dúvida que isto é como um voltar às raízes, porque a Palavra de Deus é o alicerce da Igreja.
O Papa Bento XVI, na abertura dos trabalhos sinodais, começou por citar a famosa frase de São Jerónimo – “Desconhecer as Escrituras é desconhecer Jesus Cristo”. Efectivamente, ninguém ama aquilo que não conhece e se um cristão, ou qualquer outra pessoa, desconhece a Bíblia, então não conhece Cristo e igualmente ainda O não ama.
Daí a importância deste Sínodo sobre a Palavra de Deus, porque no meio do Povo de Deus há muita ignorância religiosa.
Para vencer esta ignorância religiosa é fundamental o estudo, a reflexão, a meditação e a oração da Palavra de Deus. Sem isto, nós não iremos longe.
Vou notando que anda por aí muito paganismo e muita ignorância entre os cristãos, e até entre alguns formados a um nível superior.
Ainda recentemente, estive com uma pessoa que pensava que São Paulo era um homem pagão. Quando lhe disse que era uma judeu fervoroso ficou boquiaberta. Pois, a este caso juntam-se tantos outros, formando uma lista interminável.
DM – Face à ignorância religiosa que pode ser feito?
FLG – Perante este cenário pouco animador em relação ao conhecimento da Bíblia parece-me que a tendência se pode inverter, se se apostar na dinamização bíblica trabalhando por levar a Escritura a toda a gente, na linha do que dizia o Papa Pio XII, há mais de 50 anos, colocando uma bíblia em cada casa.
Vão aparecendo, entretanto, alguns sinais animadores. Em várias comunidades tem-se criado o hábito de passar a Bíblia de casa em casa, em vez de, por exemplo, a imagem ou oratório da Sagrada Família. A ideia é pôr a pessoas a rezar diante da Bíblia, recorrendo ao texto bíblico.
De facto, a Bíblia devia ser o sacrário de cada casa, não para estar a ganhar pó na estante, mas para estar na mesa de cabeceira levando as pessoas a pegar nela, a abri-la, folheá-la e saboreá-la.
O lugar mais nobre de cada lar cristão deveria ser deixado para a Escritura. E se é importante a nossa devoção aos Santos, mesmo com oferta de velas e flores, com mais razão deveríamos saber venerar – como do próprio Cristo se tratasse – a Bíblia.
Este poderá, com certeza, ser um caminho para renovar as famílias e fazer frente a tantos problemas e dificuldades que elas sentem.
DM – Como se desenvolvem as actividades bíblicas dos Capuchinhos?
FLG – Nas nossas acções de dinamização bíblica, procuramos dizer às pessoas que é importante ler e estudar a Sagrada Escritura, como é igualmente necessário e importante rezar a Bíblia. É pela oração com a Bíblia que se cria familiaridade com Jesus Cristo.
Esta oração bíblica – para a qual procuramos educar aqueles que participam nas nossas iniciativas – deve ser ao jeito da Lectio Divina.
Nas actividades, os aspectos introdutórios são essenciais e, aliás, são um dos problema na Igreja ao nível da Bíblia. As pessoas são sabem pegar na Bíblia, não a sabem manejar, não sabem procurar os livros e, muito menos, os capítulos e versículos da divisão interna dos textos.
Às vezes, nas formações que oriento, preparo e levo ideias interessantes e muito bonitas para comunicar, mas quando chego ao local e me apercebo do auditório que tenho pela frente, tenho que alterar a minha comunicação para falar destas noções introdutórias que são muito rudimentares na generalidade dos cristãos.
DM – Na abertura do Sínodo falou-se de uma encíclica sobre a Bíblia. Considera que faltam instrumentos para a leitura e interpretação da Bíblia?
FLG – Não creio que faltem instrumentos, mas considero que falta quem se dedique inteiramente a este serviço da dinamização bíblica. Penso que faltam pessoas que se comprometam com o anúncio da Palavra de Deus.
Com certeza, uma encíclica sobre a Bíblia será bem aceite, mas parece-me que as riquezas contidas no Concílio Vaticano II, especialmente na Dei Verbum, ainda estão enterradas.
Penso que mais de 95 por cento dos cristãos não sabe sequer da existência da Dei Verbum, que contém material fantástico para a orientação da leitura e interpretação da Bíblia.
A Dei Verbum é uma luz que está colocada debaixo do alqueire e a precisar de ser colocada no candelabro.
DM – Catequese e paróquia têm um papel essencial na transmissão da Palavra de Deus?
FLG – Totalmente. A catequese é um veículo privilegiado para a transmissão da Palavra de Deus e os catequistas são agentes indispensáveis dessa transmissão.
Infelizmente, muitos nem sequer sabem pegar na Bíblia. Como podem desempenhar a sua missão? Dificilmente poderão ajudar as crianças e os adolescentes a estabelecer uma relação de confiança e de amor com Jesus Cristo.
Claro que essas falhas na missão catequética contribuem para um fenómeno a que assistimos todos os dias: muitos cristãos mudam de religião como quem muda de camisa, porque não sabem em quem acreditam.
Em relação às paróquias, considero que é importante que os párocos sejam os primeiros a apoiar e a trabalhar pela dinamização bíblica. É essencial que assim seja e falo por experiência: nas paróquias onde o pároco tem uma particular sensibilidade bíblica, nota-se que consegue “incendiar” as pessoas para o amor e para a familiaridade com a Bíblia.
E, aqui, não valem tanto os avisos do altar… Antes, é necessário uma pesca à linha, que vá directamente junto das pessoas concretas para as desafiar.
Iniciativas bíblicas em Braga e Viana do Castelo
Eis algumas das iniciativas agendadas pelos Padres Capuchinhos de Barcelos para os próximos meses, nas dioceses de Braga e Viana do Castelo:
– Outubro
14 a 18, em Serafão (Fafe)
22 a 26, em São Martinho de Vila Frescaínha (Barcelos)
27 a 31, em Junqueira (Vila do Conde)
– Novembro
4 a 8, no arciprestado de Monção
11 a 15, em Areias de Vilar (Barcelos)
18 a 22, no arciprestado de Terras de Bouro
25 a 29, na Zona Pastoral das Taipas, do arciprestado de Guimarães/Vizela
– Dezembro
2 a 6, em Cabanelas (Vila Verde)
9 a 13, em Vila Cova (Barcelos)
16 a 20, em Nine (Vila Nova de Famalicão)
– Janeiro
Última semana, em Arcozelo (Barcelos).
9 de outubro de 2008
Mosteiro de Rendufe, em Amares
O caçador que se tornou presa
Depressa se tornou bem conhecido, esse Saulo, empreendedor, de formação esmerada, zeloso.
Assistiu à delapidação do diácono Estêvão. E queria mais. Afinal, essa nova seita que ia proliferando, estava a desestabilizar, a provocar o judaísmo, a gerar rupturas no tecido social e religioso do povo da ancestral aliança. Imagine-se que até já existiam cristãos na cidade de Damasco, na Síria, a 200 km de distância da Palestina.
E Saulo põe-se a caminho, para obviar a tremenda calamidade.
É então que Deus o intercepta. E lhe pede que não mais O persiga.
Saulo torna-se Paulo. O atacante torna-se presa. O caçador torna-se caça (como bem sublinha Carlos Mesters, na sua obra Paulo Apóstolo). O perseguidor atravessa três dias de cegueira, para ressuscitar homem novo.
Considera então como “lixo” as honras do passado. Mais do que confiar no que faz por Deus, confia agora no que Deus faz para ele. Mais do que “justificar-se” pelas obras, mergulha agora na gratuidade do amor de Deus.
Conduzido, não pela tradição ou pela lei, mas pelo Espírito («Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»), torna-se missionário itinerante, o Evangelho a rasgar sulcos e a frutificar na Ásia Menor e na Europa, a Igreja a crescer, o coração da Igreja a dilatar-se numa universalidade que derruba barreiras entre judeus e gregos, homens e mulheres, escravos e homens livres…
E o Espírito de Deus acompanha-o nas perseguições, nas torturas, nas ameaças de morte, nas acusações, nos tribunais, nas prisões.
Para a posteridade ficaram 14 cartas, espólio precioso que o Novo Testamento conserva, tantas vezes presentes nas nossas celebrações.
Paulo foi um verdadeiro apóstolo, uma testemunha eloquente, um herói. E um mártir. Aos 62 anos de idade, abriram-se para ele as portas do céu. A espada que o dizimou eclipsou-se. Só se vê agora a coroa da glória que Deus lhe ofereceu, juntamente com a felicidade eterna.
Estando nós a viver o Ano Paulino, proclamado recentemente pelo Papa Bento XVI; sendo o lema pastoral da nossa Arquidiocese, para o presente ano, “Encontrados pela Palavra”, não será de reflectirmos sobre a vida e escritos de São Paulo?!
Votos de um bom ano pastoral para todos, sob a protecção de Maria, a Mãe de Deus e nossa Mãe, também ela encontrada pela Palavra.
(texto)Cónego José Paulo Abreu
Vigário-Geral da Arquidiocese de Braga
in DM, 09/10/08
Papa quer Igreja ao lado dos imigrantes
O Vaticano publicou esta Quarta-feira a mensagem de Bento XVI para o 95.° Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que será celebrado a 18 de Janeiro de 2009, em volta da figura do Apóstolo Paulo.
No texto, o Papa desafia as comunidades católicas a “viver em plenitude o amor fraterno sem quaisquer distinções e sem discriminações, na convicção de que o nosso próximo é quem quer que tenha necessidade de nós e quem nós possamos ajudar”.
“Como podemos deixar de ser responsáveis por quantos, em particular entre refugiados e deslocados, se encontram em condições difíceis e incómodas? Como deixar de ir ao encontro das necessidades de quem é de facto mais fraco e indefeso, marcado pela precariedade e a insegurança, marginalizado, muitas vezes excluído da sociedade?”, questiona.
Para Bento XVI, estas populações merecem “atenção prioritária”.
A mensagem tem como tema «São Paulo migrante, ‘Apóstolo dos gentios’» e inspira-se na celebração do Ano Paulino. A pregação e a obra de mediação entre as diversas culturas e o Evangelho, realizadas por Paulo, “migrante por vocação”, constituem para o Papa um ponto de referência significativo também para todos os que se encontram empenhados no movimento migratório contemporâneo.
“De perseguidor dos cristãos, - destaca o Papa – (Paulo) transformou-se em apóstolo de Cristo. A sua vida e a sua pregação foram inteiramente orientadas para fazer com que todos conhecessem e amassem Jesus, porque nele todos os povos são chamados a tornar-se um só povo”.
Na era da globalização, esta é “a missão da Igreja e de todos os baptizados”, particularmente no “diversificado universo dos migrantes – estudantes fora da própria sede, imigrados, refugiados, prófugos e deslocados – incluindo aqueles que são vítimas das escravidões modernas, como por exemplo o tráfico dos seres humanos”.
Bento XVI faz votos de que cada comunidade cristã possa nutrir o mesmo “fervor apostólico” de São Paulo: “O seu exemplo seja também para nós estímulo, para nos fazermos solidários com estes nossos irmãos e irmãs, e para promovermos, em todas as partes do mundo e com todos os meios, a convivência pacífica entre diferentes etnias, culturas e religiões”.
“Deve propor-se a mensagem da salvação com a mesma atitude do Apóstolo das nações, tendo em consideração as diversas situações sociais e culturais, e das particulares dificuldades de cada um em consequência da condição de migrante e de itinerante”, afirma.
Para o Papa, “quanto mais unida a comunidade estiver a Cristo, tanto mais se tornará solícita em relação ao próximo, evitando o prejuízo, o desprezo e o escândalo, e abrindo-se ao acolhimento recíproco”.
“O ensinamento e o exemplo de São Paulo, humilde, grande Apóstolo e migrante, evangelizador de povos e culturas, nos leve a compreender que o exercício da caridade constitui o cume e a síntese de toda a vida cristã”, escreve.
Bento XVI conclui pedindo a protecção divina sobre quantos estão comprometidos em ajudar os migrantes.
ver www.agencia.ecclesia.pt
8 de outubro de 2008
Sínodo dos Bispos preocupado com difusão da Bíblia
O Arcebispo de Camberra, D. Mark Coleridge, propôs um “Directório Geral” para as homilias, que inspire as pregações na experiência universal da Igreja.
Já o Cardeal Peter Erdö, presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, chamou a atenção para os perigos criados pelas publicações mais sensacionalistas do que científicas, lembrando a este respeito o caso recente do “Evangelho de Judas”, que levam a confundir «fontes credíveis e não credíveis sobre a história de Jesus Cristo».
O secretário especial do Sínodo, D. Laurent Mosengwo Pasinya, falou dos riscos das seitas, que por norma apresentam doutrinas baseadas em «interpretações fundamentalistas da Bíblia».
O presidente da Conferência Episcopal do Congo alertou para a necessidade de evitar interpretações «fundamentalistas e subjectivas» da Escritura, procurando critérios «estáveis» de interpretação.
Na manhã de ontem decorreu, por outro lado, a primeira votação para eleger os oito membros da comissão para a mensagem final do Sínodo. Para guiar esta comissão, o Papa escolheu o Arcebispo Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, a quem se juntará ainda um vice-presidente.
Cardeal
propõe
encíclica
O relator geral do Sínodo dos Bispos, Cardeal Mark Ouellet, apresentou ao Papa um pedido logo no início dos trabalhos da assembleia, solicitando uma encíclica sobre a interpretação da Escritura, dado que em muitas ocasiões as faculdades teológicas e biblistas divergem da visão que o Magistério do Papa e dos bispos oferecem sobre a Bíblia.
«A relação interna da exegese com a fé já não é unânime e as tensões aumentam entre os exegetas, pastores e teólogos», alertou. Este responsável deixou mesmo uma pergunta: «Depois de muitas décadas de concentração nas mediações humanas da Escritura, não seria necessário reencontrar a profundidade divina do texto inspirado, sem perder as valiosas aquisições das novas metodologias?»
A proposta do Cardeal foi a de não ver a interpretação da Bíblia como algo meramente académico, pois a Palavra de Deus penetra em todas as dimensões da pessoa.
Ao mesmo tempo, segundo explicou aos jornalistas na sala de imprensa da Santa Sé, é necessário criar uma relação entre exegetas e teólogos com os bispos que supere as tensões, para chegar à comunhão, respeitando as atribuições de cada um.
«Seria oportuno que o Sínodo se interrogasse sobre a conveniência de uma eventual encíclica sobre a interpretação das Escrituras na Igreja», afirmou.
Rabino levanta
polémica no Sínodo
O momento histórico vivido no Sínodo dos Bispos, com a presença do rabino-chefe de Haifa, Shear-Yashuv Cohen, ficou ensombrado com as declarações deste responsável sobre o pontificado de Pio XII, falecido há 50 anos.
Depois de ter dito que a presença na assembleia sinodal era «uma mensagem de amor, de coexistência e de paz para as nossas gerações e para aquelas futuras», o primeiro não-cristão a falar numa reunião magna dos episcopados mundiais preferiu centrar as suas declarações na figura do Papa que guiou a Igreja Católica na II Guerra Mundial.
Recentemente, Bento XVI saiu em defesa de Pio XII, considerando que o mesmo «não poupou esforços» para ajudar «directamente» os judeus e pedindo que sejam superados os «preconceitos» em relação a esta figura.
O rabino disse que os judeus «não podem perdoar e esquecer» a omissão de alguns líderes religiosos a respeito do Holocausto. Shear-Yashuv Cohen reprovou a beatificação do Papa Pio XII, alegando que o antigo Papa não se insurgiu contra o regime Nazi.
in DM,08 Outubro 2008
O lugar da Bíblia na vida da Igreja
A mais de 40 anos de distância do Concílio Vaticano II (1962-1965), em que a Palavra de Deus passou a ter um incremento relevante, e a mesma passou a estar no centro da vida da Igreja, nomeadamente na Liturgia, muitas acções de formação (cursos bíblicos de curta e longa duração) foram desenvolvidas por muitos órgãos e movimentos eclesiais, com vista a ter uma Igreja não mais virada para si mesma, mas procurando dar força à Palavra de Deus, e envidando esforços por renovar a fé numa época em que a relação humana com Deus dá sinais de enfraquecimento.
Após tanto caminho percorrido, a Igreja constata que este tem sido muito lento, e ela mesma torna hoje presente o projecto do Concílio, considerando-o um projecto inacabado. E eis que vem momentaneamente à memória uma consideração básica proferida pelo então Pontífice João XXIII : « O que mais importa ao Concílio é que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz ».
Estas palavras continuam a ser nos nossos dias tão relevantes como então, ao ponto de o nosso Pontífice Bento XVI ter escolhido para o próximo Sínodo dos Bispos a realizar em Outubro de 2008 o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”.
Para este Sínodo encontra-se já em apreciação um documento de trabalho introdutório designado “Lineamenta”, que tem por finalidade apresentar o estado da questão sobre o importante tema da Palavra de Deus.
No nº 4 da Introdução deste pode-se ler: « São graves os fenómenos de ignorância e incerteza acerca da própria doutrina da Revelação e da Palavra de Deus; ainda é grande a distância que muitos cristãos têm em relação à Bíblia, e é constante o risco de um uso
não correcto da mesma; sem a verdade da Palavra torna-se insidioso o relativismo do pensamento e da vida. Tornou-se urgente a necessidade de conhecer integralmente a fé da Igreja sobre a Palavra de Deus, de alargar com métodos adequados o encontro com a Sagrada Escritura por parte de todos os cristãos e, ao mesmo tempo, acolher os novos caminhos que o Espírito hoje sugere, para que a Palavra de Deus, nas suas várias manifestações, seja conhecida, ouvida, amada, aprofundada e vivida na Igreja, e assim se torne Palavra de verdade e de amor para todos os homens». Mais adiante estabelece-se como objectivos do Sínodo: «renovar a escuta de Deus na Liturgia e na catequese, bem como acender a estima e o amor pela Sagrada Escritura, fazendo com que os fiéis tenham amplo acesso a ela» .
Nesta passagem encontram-se realçados dados muito importantes, a saber: ignorância, conhecimento, acolhimento.
É-nos mostrado um grande afastamento em relação à Bíblia, esse depósito sagrado da doutrina cristã, do qual resulta a ignorância.
Sabemos que toda a liturgia da Palavra, da qual constam a proclamação/escuta de várias passagens bíblicas do Antigo e do Novo Testamento, o salmo responsorial e o Evangelho de Jesus Cristo, se encontra estruturada naquele conjunto de livros. O elenco das leituras é organizado de tal forma que, passando pelos textos do Antigo Testamento, a assembleia possa ouvir as páginas mais importantes das Sagradas Escrituras num determinado espaço de tempo, possa pela escuta conhecer mais profundamente a fé que professa e a história da salvação, e venha a aderir a Cristo. Esta adesão a Cristo é feita por nós, fiéis, na veneração e contemplação de Cristo pelo Seu mistério e sacrifício eucarístico, que culmina na Sagrada Comunhão.
Cabe agora fazer este juízo: quando aderimos a algo, temos de conhecer o objecto de adesão. Então, se aderimos a Jesus, recebendo-O Sacramentado, temos de O conhecer em toda a Sua História, em todo o reinado de Deus. A Bíblia é por excelência o instrumento contemplativo de todo esse reinado. Ela é o maior tesouro que o cristão tem. Jesus mesmo nos ensina a compreender as características da Palavra ao dizer que ela é espírito e vida. É espírito, porque foi inspirada pelo Espírito de Deus. É vida, porque há caminho de vidas percorrido e novidade de vida sempre possível. Muitas vidas, muitas épocas, muita Vida. Nelas encontra-se o que encontramos nas nossas vidas - choro, sorriso, alegria, festa, dança, oração, luta, dor, derrota, vitória, recomeço. Muitas histórias, preces, cânticos, mitos, narrativas de libertação, profecias e experiências de vida diferentes. E o que se tornou intrínseco a todos esses tempos? Foi o mesmo Deus a indicar o caminho, a caminhar com o Povo, e a fazer-Se presente na história com Jesus. Foi Ele o alicerce da fé que os antepassados professavam, e quando na última Ceia Jesus diz: «Estarei convosco todos os dias até ao fim dos tempos», é o mesmo Jesus o Deus que caminha hoje connosco e nos sussurra: chega-te a mim, que eu me chegarei a ti.
Se o povo bíblico do Antigo Testamento se alimentou da fé, seguindo um Deus “abstracto”, nós, hoje, com a leitura e aprofundamento dos vários livros bíblicos, podemos não só buscar lenitivo para os nossos problemas, obtendo a força de que necessitamos através da leitura das experiências de fé narradas nas vidas de tantos homens e mulheres, como as regras de vida pelas quais nos devemos pautar. Por conseguinte a Bíblia é vida para todos nós. Não está congelada no passado. Logo, devemos acolhê-la.
Não podemos esquecer a interpretação da Palavra de Deus que está presente na mesa da Palavra todas as vezes que a Igreja se reúne em assembleia para celebrar os divinos mistérios. A este respeito sabemos que aos fiéis cabe ouvir a Palavra e meditá-la. Sabemos também que cabe ao leitor, no seu nobre ministério, dar-lhe vida. Em outras palavras, a Palavra proclamada, pelo que acima ficou escrito, não veicula apenas uma informação passada, mas deve fazer acontecer algo novo na nossa vida no momento em que é ouvida, impondo a necessidade de transformação.
E emerge a pergunta: Que deve o leitor fazer? E com que se deve preocupar?
Seria bom que antes de se fazer ouvir, se preocupasse primeiro consigo próprio, tornando-se ele o primeiro estudioso dos livros bíblicos para que da proclamação da palavra transborde força libertadora. Seria bom que participasse em cursos bíblicos para aprofundar o seu conhecimento, se deixar iluminar pela força do Espírito e se fortalecer na fé.
A meditação das Escrituras ensina o leitor a manter-se em comunhão com Cristo. Caso não o faça, ele não irá além de um biblô que escuta a sua própria voz, e cujo espírito emudeceu; e em vez de ser uma brasa ardente pelo contacto com a fogueira da Palavra, passa a substância residual que se lança fora, tornando-se a sua voz inaudível aos sentidos de quem o escuta.
M. Estela Rodrigues, membro da Comissão Arquidiocesana de Pastoral Litúrgica
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