8 de janeiro de 2009

Natal Ortodoxo

Distância da terra natal não impediu festa
Cristãos ortodoxos de Braga
celebraram Natal com fé e alegria

Texto: José António Carneiro

A Igreja Ortodoxa celebrou ontem a festa de Natal de Jesus e a comunidade religiosa que se reúne na igreja da Lapa, em Braga, não ficou alheia a esta celebração que, apesar da distância da terra natal e da saudade da família, foi vivida com fé e alegria. Várias cerimónias religiosas repletas de cânticos tradicionais, encontros e convívios familiares recheados de iguarias como trigo cozido e mel são alguns dos rituais obrigatórios para os ortodoxos nestes dias festivos.
A Natividade foi celebrada ontem pelos ortodoxos, 13 dias depois do dia 25 de Dezembro porque estes cristãos seguem o Calendário Juliano. Este calendário solar criado pelo imperador romano Júlio César tem um desfasamento de 13 dias em relação ao nosso Calendário Gregoriano.
Pelo facto de não ser feriado em Portugal e porque muitos patrões não dispensaram as pessoas dos seus trabalhos, a festa ortodoxa do Natal que se estende por três dias, em Braga, ficou reduzida a dois.
No dia de Natal propriamente dito [ontem] algumas dezenas cristãos ortodoxos participaram, na Lapa, numa Eucaristia festiva e solene, cheia de simbologia e repleta de cânticos. Os padres Dmytro Tkachuk e Vasyl Bundzyak, da Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Kiev (Ucrânia) presidiram à celebração. Já ao final da tarde, realizou-se uma outra celebração sustentada principalmente em cânticos sobre o nascimento de Jesus Cristo. Não mais que uma dúzia de pessoas marcaram presença mas a celebração decorreu com uma seriedade e solenidade irrepreensíveis.


Informações precisas e completas aqui



© direitos Diário do Minho

Jornada da Família em Famalicão

Novo formato coloca evento ao sábado de tarde
Jornada da Família quer ser
provocação e agitação de mentes

Texto e foto: José António Carneiro

Cansados de ouvir falar mal da família e das relações familiares, as equipas de Pastoral Familiar de Santo Adrião e Brufe, Vila Nova de Famalicão, juntamente com os párocos, padre Paulino Carvalho e Francisco Carreira, organizam a IV Jornada da Família, intitulada “A Família seduz-me”, com a finalidade de ser provocação e agitação das mentes.
Com um cartaz promocional que tem representado quatro frutos, os organizadores pretendem sublinhar a multiplicidade e o pluralismo da família. Os frutos são cada um dos membros da família «com uma cor, tonalidade e brilho múltiplos, com um sabor e um gosto distinto», afirmaram numa conferência de imprensa realizada ontem em Famalicão.
Para o padre Francisco Carreira «a família é o lugar da sedução do homem» e essa sedução é feita pela família para os outros e na família para si mesma, defendeu.
«Enquanto a família for lugar de sedução ela será sempre uma esperança para o mundo. A família cristã seduz porque Deus depositou nela as sementes da esperança. A família seduz porque é ela a portadora desse património de confiança e de alma que acalenta a vida», afirmou o pároco frisando que o sinal de esperança no futuro reside na família que é o pilar de toda a história da humanidade.

Neste sentido, o sacerdote desafiou todas as famílias do arciprestado e além deste a participarem no evento porque essa participação irá confirmar que «se tudo começa em casa» e que «se a igreja é a casa dos filhos de Deus, então é lugar para a família marcar presença». «Se tudo começa em casa, participemos na jornada da família», concluiu o padre Francisco Carreira.

Novo formato coloca
jornada ao sábado
A IV edição desta jornada tem, este ano, um novo formato, depois de um trabalho de avaliação e auscultação junto de participantes de encontros anteriores. Em vez de se realizar ao domingo, como as primeiras três sessões, vai decorrer no sábado, dia 31 de Janeiro, da parte da tarde. O programa arranca às 14h30 com o acolhimento, no Centro Cívico e Pastoral, seguindo-se uma conferência pelo casal José Souto Moura e esposa. Pelas 17h00, começa um debate e a iniciativa terminará com uma Eucaristia, pelas 19h15, na Igreja Matriz (Nova) de Famalicão.
Os organizadores informam ainda que os participantes terão nas instalações da Creche-Mãe a possibilidade de deixarem os seus filhos ao cuidado de técnicos e funcionários da instituição.
Em nome dos oito casais que compõem as equipas de Pastoral Familiar das duas comunidades famalicenses, Manuel e Idília Leite falaram das motivações destas jornadas. Terminado um ciclo de três anos pastorais dedicados à família, também esta comissão organizadora terminou uma fase ao nível destas jornadas. Este ano abre-se, por isso, um novo ciclo que aponta para a valorização da família como esperança de futuro através da valorização permanente da dignidade da pessoa humana.
Redescobrir na família as sementes de esperança; potenciar a família para lá das desilusões e seduções mundanas sem as negar ou negligenciar; estimular e seduzir a família cristã para a esperança do Evangelho; dinamizar a fé, como fundamento da esperança, na qual radica o projecto integral de desenvolvimento da família que a Igreja apresenta; reconhecer que a família não vive de conceitos abstractos mas é real, concreta, visível e constituída por pessoas; fazer o discernimento sociológico da família hoje e, finalmente, perceber por que é que nunca, ao longo da história, os casamentos se fizeram tão livremente, com base no amor, e a paternidade nunca foi tão assumida e planeada, são os objectivos delineados para esta IV Jornada da Família.
As inscrições abrem este fim-de-semana e terminam no dia 25 e podem ser feitas no final das Eucaristias e ainda no Cartório ou junto dos elementos organizadores. Como é habitual, todas as paróquias do arciprestado podem associar-se à iniciativa.

6 de janeiro de 2009

Entrevista ao chefe nacional do CNE

Chefe Nacional tomou posse há um ano
Escutismo está empenhado
na educação pelo testemunho

Texto: José António Carneiro

Apesar de estar numa fase de renovação de metodologias e instrumentos, o Corpo Nacional de Escutas (CNE) está empenhado em manter a sua missão educativa por meio do exemplo e do testemunho, ressalvando os valores e a mística do movimento fundado há 100 anos por Baden Powell. Esta é a convicção do chefe nacional do movimento que completa hoje o primeiro aniversário da tomada de posse como dirigente máximo do CNE.
Em declarações ao Diário do Minho, Carlos Alberto Pereira fez um balanço do primeiro ano que esteve à frente do movimento e aproveitou para traçar e revelar desafios e projectos para 2009 e, ainda, para dar conta do «sonho» de ver todos os escuteiros portugueses a crescerem e a seguirem os bons exemplos, concretamente o de São Paulo, um dos grandes patronos do movimento, e do qual se está a celebrar 2000 anos do seu nascimento.
Mas a par deste, o escutismo não pode deixar na margem pessoas como Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II e os Pastorinhos de Fátima que, nessa linha, estão a ser introduzidos na nova pedagogia, enriquecendo a mística do escutismo católico.
Fazendo um balanço positivo do primeiro ano como chefe nacional do CNE, Carlos Alberto Pereira falou, com pormenor, da Renovação da Acção Pedagógica (RAP) que está a ser experimentada em 120 agrupamentos a nível nacional e a correr dentro do previsto. «Esta é a mudança que pretendemos», disse, perseguindo-se um empenho e compromisso de actualização e renovação das metodologias e das propostas educativas do movimento escutista.
Todavia, o chefe nacional, que é natural de Braga, afirmou que esta mudança não vai alterar os valores e a mística do CNE, mas pretende actualizar e renovar as metodologias, as linguagens e as ofertas do movimento.
Este novo projecto de acção pedagógica reviu a mística e a simbologia definindo objectivos educativos para cada uma das secções e redesenhando o sistema de progressão dentro do movimento.
O RAP recentra a atenção no próprio jovem/adulto escuteiro. Em concreto, o sistema de progresso deixa de estar centrado em provas para se centrar em objectivos específicos que são, na prática, oportunidades educativas propostas pelos próprios escuteiros.
Este novo projecto, liderado pelo eleito chefe regional de Braga, Ivo Faria, dá a possibilidade de o jovem traçar os seus próprios objectivos com a finalidade de progredir. Além do mais, no antigo sistema o caminho já estava traçado e agora o escuteiro pode fazer o seu próprio caminho.
O grande objectivo do RAP é, acima de tudo, responsabilizar o jovem na sua própria educação.
Ainda em relação a esta fase de renovação dentro do CNE, Carlos Alberto Pereira salientou que para este ano o grande desafio é estender a todos os agrupamentos a nova acção pedagógica. De momento, está também a ser reescrita toda a literatura escutista.

Fátima vai ter centro escutista

Ainda para este ano, o dirigente disse que é necessário começar a preparar o próximo acampamento nacional que, apesar de ser realizar apenas daqui a três anos, requer desde já que se comece a perspectivá-lo uma vez que, para a sua realização «é necessário construir uma cidade para 10 mil jovens».
Falando ainda de desafios, o chefe nacional do CNE revelou que em Junho ou Julho próximo estará terminada a recuperação das instalações da antiga sede nacional. Além disso, em Fátima, os órgãos centrais do movimento vão lançar um centro escutista, que concentrará espaços de formação e reflexão.
Para Carlos Alberto Pereira o grande trabalho a continuar a perseguir é a criação de condições e instrumentos de educação destinados aos jovens, a fim de que no futuro possam sentir-se reconhecidos ao CNE pelo contributo salutar que este movimento deu para a sua formação humana e cristã.
Não se vangloriando do facto de liderar a considerada maior associação juvenil portuguesa, Carlos Alberto Pereira prefere destacar que o CNE é a «maior associação que se dedica à educação não formal dos jovens portugueses».
Atento aos tempos que correm e a alguns números actuais salientou um ligeiro crescimento do movimento em Portugal em oposição a uma tendência decrescente que se assiste na Europa em geral.
«Baden Powell teve a lucidez de criar uma associação simples, sem burocracias e na qual não se é preciso ser doutor para se ter um cargo directivo», afirmou o chefe nacional. Ao invés disso, é necessário ter «boa vontade» e atitude de serviço para se fazer parte do Escutismo, defendeu Carlos Alberto Pereira.


Braga é região mais pujante

A Região Escutista de Braga é a maior do país, tendo cerca de 17 mil escuteiros. Segundo o chefe nacional, ligado à sua terra natal que é Ferreiros (Braga), o escutismo na região está «pujante» e como sinal evidente disso mesmo regista o facto de ser a região que, para as estatísticas do CNE, mais contribui com caminheiros, ou seja, com escuteiros com idades compreendidas entre os 18 e os 22 anos.
Para este dirigente, o segredo do sucesso do movimento na cidade onde nasceu o Escutismo português assenta na «rotatividade dos corpos dirigentes» num sentido de renovação permanente permitindo «complementaridade» e «não confronto».

Festival Monsenhor Américo

Casa das Artes em Famalicão
Festival Monsenhor Américo
canta valores do escutismo

Texto: José António Carneiro

Com a finalidade de incentivar a criação poética e musical a partir dos valores escutistas e promover a canção como meio de expressão e comunicação nas actividades do movimento e possibilitar o convívio entre os escuteiros da região de Braga realiza-se no próximo dia 21 de Fevereiro, na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, a décima edição do Festival Monsenhor Américo Ferreira Alves.
“Escuteiros com valores” é o tema escolhido pelos organizadores deste festival regional da canção escutista que tem as inscrições abertas a todos os compositores e autores não profissionais que sejam associados do CNE.
No regulamento desta iniciativa diz-se que cada Junta de Núcleo da região indicará dois grupos participantes e que estes devem respeitar os objectivos delineados para o festival.
Além disso, Junta Regional de Braga estabelece que as músicas e as letras devem ser originais e inéditas. A duração da execução não pode ultrapassar cinco minutos e ficar abaixo de três. Não é permitido “playback” e “background”.
Segundo o regulamento, o júri será composto por um professor de música e outro de português e ainda por um representante do CNE.
Todos os participantes receberão certificados de participação. Ao primeiro, segundo e terceiros classificados serão entregues cheques no valor de 300, 150 e 100 euros, respectivamente. Os vencedores dos prémios de melhor letra e melhor interpretação receberão cheques de 100 euros cada um.

Festival “EScurtas” a 21 de Março

Inscrições abertas até ao fim deste mês
Texto: José António Carneiro

O II Festival Escutista de Curtas-Metragens (EScurtas) da Região de Braga, realiza-se no dia 21 de Março, Dia Mundial da Árvore e da Floresta e começo da Primavera, e é aberto a todos os interessados, escuteiros, individualmente ou em bando, patrulha, equipa ou grupo.
Segundo a comissão organizadora, o presente festival tem como principal objectivo a promoção dos valores culturais e artísticos, nomeadamente cinematográficos, num contexto escutista, promovendo a Geração 2C – Segundo Centenário.
Podem inscrever-se todas as curtas-metragens que tenham sido realizadas no ano transacto, com duração mínima de cinco minutos e duração máxima de 20 minutos. Devem estar subordinadas ao tema “Geração 2C – A poção mágica para a Terra”, através de imaginários originais criados para este fim ou de imaginários escutistas adaptados e ainda de documentários acerca de actividades escutistas.
As inscrições estão abertas até ao dia 31 deste mês e podem ser feitas em www.escurtas.blogspot.com. Os trabalhos devem ser enviados em suporte DVD até ao dia 28 de Fevereiro para a sede da Junta Regional de Braga, sita na Rua da Boavista, 51, Sé.
Os prémios para os vencedores são uma câmara de filmar digital, um leitor de DVD portátil e uma máquina fotográfica digital.

“Christifideles Laici” publicada há 20 anos

Texto de João Paulo II mantém actualidade

A exortação apostólica “Christifideles Laici” de João II comemorou 20 anos de publicação no passado dia 31 de Dezembro. Seguindo as pegadas do Concílio Vaticano II e na sequência do Sínodo dos Bispos, em 1987, o falecido Papa escreveu um documento sobre a vocação e a missão dos leigos que ainda hoje mantém actualidade.
Este 20.º aniversário do documento permite revisitar e recordar ensinamentos actuais, já que o mundo e a Igreja necessitam, hoje mais do que nunca, da acção de homens e mulheres comprometidos na sua fé católica.
A exortação “Christifideles laici” está dividida em introdução e cinco capítulos que giram em torno das imagens bíblicas da vinha que é propriedade de Deus na qual os homens são convidados a trabalhar e na qual dá fruto apenas o ramo enxertado ao tronco.
Ao longo do documento aparecem bem trabalhados os ensinamentos conciliares, as proposições aprovadas pelo Sínodo de 1987 e ainda outras reflexões e documentos, especialmente de Paulo VI e do próprio Papa João Paulo II.
A introdução evidencia a continuidade em relação ao Vaticano II, e as novidades históricas que se produziram nos últimos 20 anos. Uma atenção especial recebe o problema do secularismo, como tendência de arrancar do coração dos homens a recordação de Deus e do religioso. Sublinha-se a importância da dignidade da pessoa, que por um lado é amplamente reconhecida em muitos sectores do mundo moderno, e por outro, é ferida através de injustiças como o aborto, o abandono de crianças e a pobreza em muitos lugares do planeta.
O primeiro capítulo explica o que é o leigo e que a sua dignidade consiste em receber de Deus a graça do baptismo. A partir da acção sacramental, converte-se em filho no Filho, membro da Igreja, templo do Espírito Santo. Neste capítulo evidencia-se também uma das funções chaves do leigo: a santificação do mundo.
O segundo capítulo aprofunda a inserção do leigo na Igreja, e oferece uma série de chaves para compreender as diversas associações a partir das quais os baptizados participam na vida eclesial. Recebe uma menção especial a Acção Católica, chamada a ajudar os fiéis na sua condição laical, sob a orientação dos bispos.
O capítulo terceiro aborda o tema do papel dos leigos dentro da Igreja missionária. João Paulo II indicava com clareza a urgência de empreender uma «nova evangelização». Ao mesmo tempo, assinalava os diversos âmbitos de acção dos leigos: a defesa da dignidade da pessoa, da vida, da família, a caridade como esforço por viver de modo solidário, o compromisso político, superando medos que impedem muitos de participar activamente na vida pública, o mundo do trabalho e a economia, o vasto campo da cultura, levando à superação do divórcio desta com o Evangelho, problema que tinha sido já denunciado por Paulo VI na “Evangelii Nuntiandi”.
O capítulo quarto apresenta as distintas vocações ou situações nas quais se desenvolve a vida do leigo, desde a infância até a velhice, na saúde e na doença, e na rica e complementar distinção entre homens e mulheres. Os parágrafos dedicados aos jovens sublinham como eles não podem ser simples destinatários da evangelização, mas sim protagonistas, chamados a renovar as sociedades às quais pertencem.
O último capítulo exorta a cultivar a relação entre cada baptizado e Cristo, como o ramo que está unido à videira. Isso implica promover uma «formação integral e permanente dos fiéis leigos» (n.º 57) que permita conhecer e viver a própria vocação e missão, e que seja não somente algo passivo, mas sim activo: o leigo bem formado pode ajudar de modo eficaz à formação de outros leigos.

3 de janeiro de 2009

Obrigado pelas 500 visitas.

O meu novo blog atingiu as 500 visitas.
Não é nada de mais mas é uma pequena meta e as grandes vitórias conseguem-se cortando metas.
Obridado aos que "abrem" as minhas reflexões e notícias.

Espero que ajude, que informe...

Continuarei a fazer o que puder e melhor souber.

2 de janeiro de 2009

2009 – trazer para a vida O que acredito!


Arrancou com um renovar de votos, esperanças e crenças no progresso e na evolução da Humanidade e acaba com a evidência de que não vivemos no mundo ideal. O ano de 2008 terminou como cenário de um palco internacional cada vez mais incerto, marcado pelos efeitos devastadores da crise.
No entanto, esta actual crise não radica apenas na alteração do quadro de referência das relações internacionais pós muro de Berlim e 11 de Setembro, nem só na falta de liquidez dos mercados.
O sistema capitalista, como estrutura económico-financeira base de uma sociedade organizada por indivíduos autónomos, requer que cada qual possa ser diferente mas tratado como igual. Para tal, a defesa destes valores (da diferença e da igualdade) cultiva-se à medida que os mesmos reclamam protagonismo no espaço público. Contudo, a dificuldade que o indivíduo tem em aplicar os seus valores na praça pública afigura-se como causa para o mesmo se sentir desajustado da sociedade e alienado da cidadania.
É sabido que, uma vez perdidas as convicções e crenças mais profundas de uma cultura, torna-se difícil enfrentar os desafios temporais sem se deslocar para tradicionais “ismos”, enquanto sintomas de uma sociedade intelectualmente confusa e frágil.
Por isso, um dos desafios para este 2009, passa por recolocar os valores e as convicções de cada indivíduo no devido lugar, não reclamando primazias nem favorecimentos públicos, mas expressando aquilo que constitui a sua génese: um conjunto de princípios que salientam a dignidade do Humano, enquanto sujeito passível de direitos e deveres.
Quanto a nós, cristãos católicos, afigura-se imprescindível que saibamos aplicar os valores do Cristianismo no quotidiano, trazendo para a vida O que acreditamos.
Se o conseguirmos, este ano não trará a solução de todos os problemas, mas visitará a nossa fé para percebermos o protagonismo que queremos conferir aos valores em que cremos.
Isto é que é tornar a Revelação actual para cada geração – como diz o teólogo Hans Urs von Balthasar – na certeza de, em tempos de crise, sabermos “dar a César o que é de César e a Deus o que é Deus”.
Assim será possível desejar desde já um bom 2010, pois sobreviremos a este 2009.

Encontro pela Paz na Póvoa de Varzim

Flores brancas lançadas ao mar
Intempérie não afasta
defensores da paz







Pelo exemplo a que se assistiu ontem pode-se dizer que, “faça sol ou faça chuva”, as gentes poveiras abraçaram com força o ideal do encontro pela paz, que celebra este ano a décima edição. Ontem, debaixo de uma bátega de água, na Póvoa de Varzim, mais de uma centena de pessoas participou no já tradicional lançamento de flores brancas ao mar, como gesto que, segundo os organizadores, simboliza o desejo de ver a paz chegar, via Atlântico, a todos os continentes e regiões do mundo.
Com o objectivo de semear valores que defendem e promovem a paz, a organização cumpriu o habitual programa, primeiro, com uma largada de pombas e, depois, com o lançamento das flores da Taça da Paz ao mar. Nem a música faltou pois dois elementos do Grupo de Sopros de Amorim executaram um pequeno trecho musical.
No já apelidado Cais da Paz, começaram a concentrar-se, cerca das 16h00, as pessoas tentando encontrar a melhor protecção possível para a chuvada. A respeito desta, com algum sentido de humor, dizia um popular que «São Pedro quis associar-se a este encontro com a bênção da chuva».
Também os dois “padrinhos” da iniciativa – Mário Ferraz e o vereador Luís Diamantino – salientaram ao Diário do Minho que a intempérie que se abateu ontem veio provar o quanto as pessoas acreditam nesta luta silenciosa pela paz. Provou também que o encontro não se fica apenas por gestos simbólicos, mas envereda já em acções concretas. «As pessoas deixaram o conforto e o calor das suas casas porque acreditam na paz e na construção de um mundo melhor», disse o vereador municipal.
A presença de mais de uma centena de pessoas, nesta edição de 2009, valerá mais, como sinal profundo, do que uma multidão que estivesse presente num dia solarengo, destacou Luís Diamantino.

Semear a paz
ao nível da educação
O vereador da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, afirmou que o Encontro pela Paz – este ano com o título “10 anos unidos pelas paz” – tem como finalidade semear e educar.
Ao DM salientou que «mantém a esperança que com estes gestos, palavras e atitudes de não violência se possa contribuir para mudar o mundo». Junto ao Oceano Atlântico afirmou ainda: «somos apenas uma gosta», mas «acreditamos que se formos muitas gotas nos transformaremos num oceano imenso».
O vereador referiu aos presentes que é preciso gente que acredite nesta causa. «Se acreditarmos havemos de mudar o mundo e se passarmos a palavra a uma só pessoa que seja isso será já princípio de mudança», desafiou.
«Todos os dias são dias importantes para fazermos a paz e ajudarmos à sua construção» defendeu, mas o Dia Mundial da Paz celebrado ontem, tem um relevo e significado especiais.
Por seu turno, Mário Ferraz, que é o principal mentor da iniciativa, salientou a finalidade destes encontros como contributo para uma educação de futuro e para o futuro.
As crianças são o símbolo da esperança e do futuro e, por isso, a iniciativa está voltada para elas, apostando na educação das gerações mais jovens ao nível dos valores da paz.
Os frutos destes encontros não serão, por isso, tanto para se ver a curto prazo, mas pretende-se que os homens e mulheres do futuro – as crianças de hoje – estejam despertas e bem formadas em relação ao valor da paz e de uma cultura de não violência.

(fotos Avelino Lima/texto José António Carneiro)

26 de dezembro de 2008

Petição Obras do Túnel

Adaptação da obra: "A rapariga do poço da morte" de A. Fagundes







Subscrever a petição !
http://www.ipetitions.com/petition/SaveTheTemple/



post copiado de

http://bracarangustia.blogspot.com/2008/12/os-rapazes-do-presidente.html


Um Santo Natal


Acolher o Verbo, a Palavra de Deus que nasce

Um Santo Natal para todos

Campanha solidária encerra a 3 de Janeiro

Jovens cristãos de Esposende
levam “sorriso” a Cabo Verde

Texto: José António Carneiro

O grupo de jovens da paróquia de Vila Chã (Esposende) está a dinamizar, desde o princípio do mês de Dezembro, uma campanha que tem como intuito levar um sorriso a uma localidade de Cabo Verde. Com a designação “Um sorriso para São Domingos”, a campanha pretende prestar auxílio às povoações mais fragilizadas deste município cabo verdiano.
Esta campanha consiste, fundamentalmente, na angariação de fundos monetários, através da venda de rifas no valor de um euro, com a finalidade de sortear um cabaz.
A sinalização de São Domingos como localidade a apoiar foi feita pelo pároco e pelo seminarista de Vila Chã, respectivamente, Delfim Fernandes e o Paulo Sá, que no Verão passado realizaram lá uma missão solidária.
Entretanto, «na semana das missões foi projectado, antes da celebração eucarística, um filme demonstrativo das necessidades daquele povo. Foi assim que, tendo conhecimento deste projecto, o grupo de Jovens de Vila Chã decidiu unir-se para ajudar a que, algures no mundo, a muitos quilómetros de distância, alguém pudesse, neste Natal, ter um pouco mais daquilo que tanto nos sobra», lê-se num prospecto informativo da campanha.
Diga-se também que, em 2007, o mesmo grupo realizou a sua primeira campanha de Natal, essa destinada a uma aldeia de Timor-Leste.
Além disso, aqueles que quiserem podem fazer um donativo, através de transferência bancária para o NIB 0033.0000.4523.3538.5810.5, do banco Millennium BCP.
Para concluir esta acção de solidariedade social, vai decorrer no dia 3 de Janeiro próximo, a festa de encerramento desta campanha, no salão paroquial de Vila Chã, pelas 21h30. Este evento será animado com a ajuda de outros grupos de jovens do concelho que queiram responder positivamente ao convite dos organizadores. Mais uma vez, todas as receitas reverterão para a causa de São Domingos, em Cabo Verde.
O encerramento da campanha, segundo os organizadores, pretende reunir os vários grupos do concelho e provar que, «em tempos de crise, não há falência de esperança nem de boa vontade», referem os jovens de Vila Chã.

Semana de Estudos Teológicos incide em Paulo de Tarso

Auditório Vita, entre 28 e 30 de Janeiro
Texto: José António Carneiro

“Paulo de Tarso, quem és tu? O passado e o presente do Apóstolo das Nações” é o tema escolhido para a XVII Semana de Estudos Teológicos, organizada pela Faculdade de Teologia de Braga, da Universidade Católica Portuguesa. A iniciativa que decorre pela primeira vez fora das instalações da faculdade, tem lugar entre os dias 28 e 30 de Janeiro, no Auditório Vita, do Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese de Braga.
As inscrições para esta iniciativa estão abertas até 18 de Janeiro. Além da Faculdade de Teologia colaboram nesta organização o Departamento Arquidiocesano para a Formação Permanente de Presbíteros, a Associação de Estudantes da Faculdade de Teologia e a Revista Cenáculo.
Do programa estabelecido registe-se que, tal como estava anunciado, algumas das conferências e respectivos conferencistas repetem-se nas sessões de formação sobre São Paulo que acontecem em Lisboa, no dia 27 de Janeiro, e, no Porto, nos mesmo dias que em Braga.
Na “cidade dos Arcebispos”, o primeiro dia dos trabalhos é dedicado a “Paulo de Tarso e o seu tempo”. João Duque, director-adjunto da Faculdade de Teologia, profere a palavra de abertura, seguindo-se uma intervenção sobre “Paulo, antes e depois, Panorâmica dos contextos paulinos” por Carlos Arbiol, da Faculdade de Teologia da Universidade de Deusto (Bilbao)
José Tolentino de Mendonça, padre e professor em Lisboa, finaliza o primeiro dia com uma conferência intitulada “A palavra como auto-retrato”.
“Olhares contemporâneos sobre São Paulo” é o tema do segundo dia. Isabel Varanda, intervém neste dia 29, sobre “Como falar hoje da Morte e do Além? Ressonâncias paulinas”. Depois do intervalo, o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, aponta “Tópicos actuais de uma pastoral paulina”.
No último dia, 30 de Janeiro, Johan Konings, da Faculdade de Teologia de Belo Horizonte (Brasil), profere uma conferência sobre “Paulo e Jesus. Luz sobre uma questão fundamental” e a apresentação dos “Eixos maiores da teologia paulina”, por José Carlos Carvalho, da Faculdade de Teologia do Porto, encerra esta edição da Semana de Estudos Teológicos.
Na Faculdade de Teologia do Porto, as diferenças ao nível do programa são poucas. Destaque para o último dia que tem como tema “Saulo e Paulo: ruptura ou continuidade?” que conta com a presença do Bispo Auxiliar de Braga D. António Couto.

Frei Luís de Oliveira no encontro de Natal do Clero





Natal é tempo para ver Deus
presente no homem e no irmão

Texto: José António Carneiro
Foto: António Silva

O Natal é o tempo para ver Deus presente no homem e no irmão, valorizando as atitudes de acolhimento e proximidade que Jesus viveu em toda a sua vida e que os cristãos em geral são convidados a seguir e a imitar. Foi a partir desta premissa que Frei Luís de Oliveira se dirigiu ao Clero da Arquidiocese de Braga, ontem reunido no já tradicional encontro de Natal, que este ano contou com um pequeno concerto musical e com uma representação teatral.
O franciscano, que é secretário provincial e reside em Lisboa, orientou a sua reflexão a partir da bem aventurança da pureza de coração, não cingindo o seu significado à questão da moral sexual mas alargando-a à purificação e à conversão permanente a que são chamados todos os crentes. Esta purificação, disse, é a «atitude interior de limpar tudo aquilo que impede de ver com profundidade».
A partir da ideia bíblica de «coração puro» desafiou mais de uma centena de pessoas presentes a viver a coerência, a unidade, o equilíbrio, a autenticidade, a rectidão, a simplicidade, a honestidade e a integridade, sem esquecer o esforço sempre premente de reconhecer e aceitar os limites humanos.
Numa linguagem familiar e simples, o orador conseguiu prendeu a plateia com algumas afirmações e desafios práticos para uma melhor vivência do tempo de Natal que afirmou ser «a celebração do renascimento do humano com Jesus». Para este franciscano, mais que celebrar o nascimento do Deus Menino, o Natal deve ajudar cada um a perceber como todos os anos se pode renascer com Jesus.
Olhar o Natal a partir da vida e do ministério sacerdotal foi o objectivo perseguido por Frei Luís de Oliveira que reforçou a ideia segundo a qual «a presença de Deus santifica todos os lugares», mas o mais urgente de santificação é sempre o coração humano.

Padres devem
trabalhar auto-estima
Em diversos momentos da sua intervenção, este sacerdote que já trabalhou no Convento de Montariol, referiu-se à dimensão humana do padre desafiando os presentes a valorizarem a auto-estima e a auto-imagem de modo a enfrentar as dificuldades e as incompreensões que tantas vezes abalam os sacerdotes.
«A valorização da imagem própria ajudará ao desempenho da nossa missão e contribuirá para um melhor acolhimento dos outros», frisou
Em relação à humanidade do sacerdote afirmou: «Todos nos queremos apaixonar, ter uma paixão no sentido de ver reconhecida a nossa dignidade e o nosso real valor, sem vanglórias». E continuou: «Somos homens solteiros, mas não solteiros; somos celibatários não para viver em solidão, mas em comunhão».
Destacando este lado humano do sacerdote salientou que «o padre não é um funcionário de Deus nem de uma multinacional chamada Igreja Católica Apostólica Romana». Além do mais, é imperioso que os sacerdotes mantenham a sua auto-estima equilibrada, assim como garantam o equilíbrio entre o intelecto e o afecto.
A este respeito, mostrou a alegria em relação à maior atenção prestada ao nível da formação dos seminaristas, no que concerne à dimensão da afectividade. «Enfrentar as dificuldades em relação à sexualidade, sem moralismos nem pudor» foi, por isso, outro desafio deixado pelo franciscano.



Mais de uma centena reunida no Auditório Vita
Música e teatro animaram
encontro do Clero

O encontro de Natal do Clero decorreu ontem, no Auditório Vita, e reuniu mais de uma centena de elementos do presbitério de Braga. Música, teatro e um almoço natalício compuseram o programa estabelecido pelos organizadores, além da já referida intervenção de Frei Luís de Oliveira.
A partir das 9h30 começou a oração de Laudes, que teve a particularidade, desta vez, de ser acompanhada com violino e harpa.
Depois, os instrumentistas Flávio e Eleonor, respectivamente, brindaram os presentes com um pequeno concerto que terminou com a execução da tradicional canção “Adeste fideles” cantada por bispos, sacerdotes e diáconos presentes.
A começar a segunda parte do encontro, um grupo de alunos do Externato Paulo VI, de Braga, mostrou um Auto de Natal, da autoria da professora Flora Macedo e da irmã Laurinda Martins, que se apresentou como uma excelente actualização da mensagem bíblica sobre o Natal e que mereceu da plateia uma demorada salva de palmas.
Entretanto, o padre Luís Marinho, já a terminar, manifestou em nome de todo o presbitério os votos de boas festas ao Arcebispo Primaz e também a D. Eurico Dias Nogueira e D. António Couto que também marcaram presença.
«A melhor prenda que podemos dar aos nossos bispos é um clero reunido a caminho da união, crescendo a trabalhar junto», afirmou o pároco de São Martinho de Tibães.
Por sua vez, D. Jorge Ortiga encerrou o encontro manifestando satisfação pelo encontro dos sacerdotes da Arquidiocese.
Na linha da celebração do Ano Paulino e a partir de uma leitura que está a fazer, pediu aos presentes que apostem na inovação ao nível da vida espiritual, da vida de presbitério e da vida pastoral. Além disso, olhando o futuro com optimismo, exortou a que ninguém se feche em tradições e que «a celebração de Natal traga a força para caminhar em direcção a uma maior abertura ao tempo que Deus nos dá a viver», concluiu.
A terceira parte do encontro foi preenchida com um almoço natalício que decorreu nas instalações do Seminário Menor.

Arcebispo envia mensagem a doentes e idosos da diocese


Serviço de saúde mais humanizado
Texto e foto: José António Carneiro

Nas 551 paróquias de Braga, os doentes, os idosos e as pessoas que estão sozinhas podem contar com a proximidade e com a presença do Arcebispo Primaz, que reserva lugar no coração para estas pessoas.
Na visita pastoral a Nogueiró, D. Jorge Ortiga aproveitou a oportunidade para enviar a todas as pessoas que nestes dias estão mais fragilizadas e mais excluídas pela sociedade uma palavra de consolação e esperança, fundada na certeza de uma presença efectiva da Igreja nesses ambientes.
Tratando-se de uma visita pastoral, a uma paróquia onde existe uma casa de saúde mental e na qual o pároco é capelão do Hospital de São Marcos, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa falou da pastoral da saúde e da atenção que se deve ter para uma maior humanização dos serviços de saúde, quer público que privado.
Para a pobreza material a sociedade até vai olhando, principalmente nesta época natalícia com a realização de diversas campanhas de solidariedade, mas corre-se o risco de aqueles que estão doentes e sozinhos não serem tão bafejados por essa mesmas campanhas, denunciou.
Em relação a estes mais fragilizados e abandonados, D. Jorge Ortiga mostrou-se próximo e solícito e pediu que todos os agentes ligados à área da saúde mostrem essa mesma solicitude e atenção para com os doentes.
Na prática, o Arcebispo de Braga apelou a uma maior humanização do serviço de saúde e também a uma reestruturação da pastoral da saúde, de modo a que tudo seja feito para que nada falte, no momento oportuno, a estas pessoas.
O prelado afirmou, ainda, que gostaria de poder visitar todos os hospitais e estabelecimentos de saúde situados no território da Arquidiocese. Na impossibilidade de o fazer, enviou a todos os que lhes estão ligados, quer pessoal médico e auxiliar quer os próprios utentes e doentes, uma mensagem natalícia pautada pela proximidade e pela solicitude.
Para o Arcebispo, a época de Natal pode e deve ficar marcada por um reforço de campanhas que possibilitem uma maior atenção ao humano, na sua dimensão integral. «Há situações de debilidade, de solidão e de doença que não podem passar alheias quer à sociedade quer à Igreja», afirmou.
Sobre o trabalho da Igreja ao nível da assistência manifestou o desejo de ver cada dia concretizadas as obras de misericórdia. Os párocos deverão ser os primeiros nessa solicitude que pode, com certeza, ser cumprida por outros agentes de pastoral, concretamente pelos Ministros Extraordinários da Comunhão.

Visita pastoral a Nogueiró

Cristãos devem ser
templos da Palavra

Foto e Texto: José António Carneiro

O Arcebispo de Braga pediu que os cristãos sejam templos espirituais que acolhem Jesus e a sua palavra. Durante a Eucaristia de encerramento, na visita pastoral a Nogueiró, em Braga, D. Jorge Ortiga, crismou mais de duas dezenas de pessoas às quais deixou o desafio de, na festa de Natal que se aproxima, acolherem Jesus como o Verbo, a Palavra enviada por Deus.
Na homilia da celebração, a partir da primeira leitura da liturgia da Palavra do quarto domingo do Advento, D. Jorge Ortiga, disse que, felizmente, «há já muitos templos físicos e casas de Deus». No entanto, o que pode faltar – e falta mesmo – são templos espirituais ou seja, pessoas que sabem acolher e dar lugar a Deus na sua vida, defendeu.
Também a partir do exemplo de acolhimento que é Nossa Senhora – a figura central do Evangelho de ontem – o prelado desafiou os cristãos a uma atitude de serviço e de confiança em Deus.
Aos paroquianos presentes, D. Jorge Ortiga relembrou a necessidade da formação cristã permanente e da responsabilidade que têm na construção da Igreja.
Terminada a homilia, o Arcebispo de Braga ministrou o sacramento do Crisma a nove indivíduos do sexo masculino e 14 do sexo feminino. Estes que receberam o terceiro sacramento da iniciação cristã prepararam um ofertório solene e uma encenação de acção de graças onde destacaram a ideia de que o Natal é a festa do nascimento de Jesus que é a Palavra enviada por Deus Pai ao mundo.
Antes de terminar a celebração, D. Jorge Ortiga, tal como em outras comunidades do arciprestado, entregou uma Bíblia a uma família da paróquia para que possa correr e passar pela casa de muitos paroquianos e «suscite mais amor nas famílias».
Já no adro da igreja, onde se realizou um pequeno convivo, o prelado soltou uma pomba que tinha sido levada ao altar, simbolizando o Espírito Santo, que desceu sobre os que receberam o sacramento do Crisma.
O padre Miguel Ângelo Costa, pároco de Nogueiró e Tenões, confirmou ao Diário do Minho que a visita pastoral do prelado contribuiu para unir e reunir a comunidade à volta da Palavra de Deus.
Sobre a comunidade paroquial disse que, felizmente, as pessoas aderem aos desafios lançados, mas em relação ao número de agentes de pastoral confessou que «mais pessoas fazem falta e são bem vindas».
Em relação a projectos e a infra-estruturas, o pároco disse que está a ser estudada a possibilidade de se construir uma capela mortuária junto à igreja paroquial.
Também junto da capela de Nossa Senhora da Consolação vão decorrer obras ao nível da recuperação e melhoramentos do adro e zona envolvente. Além disso, segundo o sacerdote, a Junta de Freguesia local tem um projecto para a construção de habitações sociais junto àquele espaço de culto.
O padre Miguel Ângelo Costa, que é também capelão do Hospital de São Marcos, falou ainda da dificuldade ao nível da zona pastoral que se prende com o facto de em muitos colégios haver catequese impedindo, de certa forma, uma identificação das crianças e das famílias com a respectiva comunidade. «Temos sentido essa dificuldade nas reuniões de zona», disse, ressalvando que também a proximidade com Braga leva a uma certa diluição da missão da zona pastoral e do próprio arciprestado.

Câmara de Braga "fez campanha" em Padim da Graça

Inauguração incluiu obras finalizadas há alguns anos
Padim da Graça inaugurou
restauro do adro da igreja

Foto e Texto: José António Carneiro

A freguesia de Padim da Graça assistiu ontem, finalmente, à bênção e inauguração das obras de beneficiação e melhoramento do espaço envolvente à igreja paroquial. O projecto demorou cerca de 11 anos a concluir por falta de verbas e só agora, numa conjugação de esforços entre paróquia, junta de freguesia e Câmara de Braga, foi possível finalizar uma obra que beneficia a população em geral.
O acto de bênção e inauguração contou com a presença de Mesquita Machado e do Vigário Geral da Arquidiocese, cónego Valdemar Gonçalves. Além destes, também as vereadoras Palmira Maciel e Ana Paula Morais, o chefe de gabinete do presidente da Câmara, Alfredo Cardoso, o actual pároco de Padim da Graça, padre José Figueiredo de Sousa, e o executivo local marcaram presença neste acontecimento.
Na cerimónia da bênção, o cónego Valdemar Gonçalves – em representação do Arcebispo de Braga que à mesma hora realizava uma visita à paróquia de São Pedro d’Este – salientou a união de esforço para a conclusão do projecto que beneficia a população em geral.
Depois, no fundo da avenida de acesso à igreja paroquial, foi descerrada uma lápide evocativa da inauguração das obras.
Aqui, o presidente da Junta de Freguesia, Francisco Semelhe, afirmou a conclusão desta obra vem confirmar a famosa frase de Fernando Pessoa (“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”) uma vez que apesar das dificuldades económicas foi possível concluir o projecto.
O responsável da autarquia local disse também que a qualidade da obra realizada pode assemelhar-se a muitas obras realizadas na cidade de Braga, facto com o qual Mesquita Machado, na sua intervenção sequente, discordou.
O edil, por seu lado, salientou que as obras em localidades rurais – como as que foram ontem inauguradas – devem conseguir manter a traça da ruralidade. Destacando o investimento realizado – cerca de 500 mil euros – Mesquita Machado congratulou-se com o facto de a obra ser inteiramente da freguesia. Como referiu, a Junta foi a responsável da obra e a execução pertenceu também a uma empresa de Padim da Graça.
A obra constou de arranjos ao nível da zona envolvente da igreja, acesso ao cemitério e avenida de acesso à igreja paroquial. O cruzeiro foi também colocado no início da rua que conduz ao templo, local onde já esteve no passado.
Ao que o Diário do Minho apurou junto de populares, do conjunto de obras ontem inaugurado, apenas o acesso que vai do adro para o cemitério e a colocação de bancos de jardim e iluminação exterior no mesmo espaço foram realizadas recentemente. O parque de estacionamento que é da paróquia nem sequer foi visitado pelos políticos (porque será?).
A avenida que dá acesso para a igreja foi alargada há cerca de três anos, tal como a colocação do cruzeiro no novo lugar embora tenham sido integradas nesta empreitada e inauguradas agora.
Antes da cerimónia da bênção e inauguração do novo espaço, o cónego Valdemar Gonçalves presidiu a uma celebração eucarística inserida na festa de Natal dos idosos da freguesia.

D. Jorge Ortiga presidiu missa de Natal da UCP

“Católica” tem papel fundamental
na actual missão evangelizadora

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) tem um papel fundamental e uma responsabilidade acrescida na actual missão da evangelização. O Arcebispo de Braga falava assim na missa de Natal daquela instituição de ensino superior, que decorreu ontem, pelo meio-dia, na capela da Faculdade de Teologia, em Braga.
Destacando que a celebração natalícia que se aproxima a passos largos merece da parte de todos os cristãos um empenhamento, D. Jorge Ortiga salientou que a “Católica” – concretamente as pessoas que a constituem – se deve comprometer em anunciar à sociedade e ao mundo que «Cristo continua a ser o único salvador do homem». A cerca de uma centena de alunos, professores e funcionários presentes – as faltas estavam justificadas para quem participasse na celebração – o prelado disse que quer que a UCP seja cada vez mais agente de evangelização, nos mais variados âmbitos da vida social.
Para esse comprometimento, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) entende ser necessário que o programa formativo da universidade proporcione um «verdadeiro encontro com Cristo». Só dessa forma, segundo o prelado, é possível promover e formar mais anunciadores e colaboradores para a missão de evangelização da Igreja.
Daí que, a UCP, enquanto instituição ligada à Igreja, deva mostrar «Cristo ao mundo como salvador e como razão de vida».
Na homilia da celebração, o Arcebispo de Braga exortou a que seja feito um sério exame de consciência sobre o modo como a “Católica” vai desempenhando dia-a-dia a sua missão. É imperioso que «cada um se interrogue sobre o contributo que poderá dar à Igreja para que ela não se anuncie a si mesma, mas a Cristo», disse D. Jorge Ortiga.
Sobre o mundo moderno, o prelado disse que é urgente «olhar os seus problemas» e ir servindo a humanidade que é dada a viver a cada pessoa.
A partir da celebração do ano paulino, D. Jorge Ortiga pediu aos presentes que este Natal de 2008 seja vivido no signo de São Paulo. «O Natal pode, por um lado, ser apenas uma repetição anual, mas pode, por outro, ter uma particularidade e, este ano, essa poderia passar por dar um rosto paulino ao Natal», afirmou.
Nesta linha, e salientando a acção evangelizadora de Paulo, o Arcebispo Primaz destacou a permanente atenção do Apóstolo em preparar cooperadores e auxiliadores para o desempenho da missão. Também a Arquidiocese está apostada na preparação e na formação de agentes de pastoral e, nesse sentido, os Encontros com São Paulo – a decorrer em quatro centros distintos – são para o prelado boas oportunidades que não podem ser desperdiçadas.
A Arquidiocese de Braga, segundo o seu responsável máximo, tem inclusivamente vindo a pensar na criação de uma rede de cooperadores pastorais e evangelizadores.
A festa de Natal da UCP de Braga contou também com uma ceia de Natal que decorreu pelas 20h00 nas instalações do Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Seminário Menor). Durante o jantar que reuniu mais de uma centena de presentes, houve variada animação recreativa.

“10 milhões de estrelas” bate rocorde

Mais de 23 mil velas vendidas
pela Cáritas Arquidiocesana

Texto: José António Carneiro

A Cáritas Arquidiocesana vendeu, até ao momento, mais de 23 mil velas, no âmbito da campanha “10 milhões de estrelas”, um número que satisfaz os organizadores já que é indicativo da solidariedade dos bracarenses, apesar da crise que vai dificultando as finanças das famílias portuguesas, em geral, e do Norte, em particular.
Segundo Eva Ferreira, da Cáritas de Braga, o aumento das vendas é significativo já que no ano passado a fasquia ficou pelas 18 mil vendas. A juntar às 23 mil velas deste ano já vendidas colocam-se mais três mil, entretanto pedidas à Cáritas de Lisboa.
Uma das inovações desta campanha de solidariedade, tem a ver com o facto de, em Braga, se ter alargado os locais de venda ao público. Este ano, os organizadores conseguiram a colaboração de escolas, colégios e outras instituições de ensino, assim como de movimentos juvenis, como os escuteiros e, também, de empresas da região (Aki e Continente).
Na Avenida Central, em Braga, está localizada a habitual “Tenda da Paz” onde as pessoas podem comprar as velas para acender na noite de consoada e, também, para receber mais informações sobre a campanha “10 milhões de estrelas”, que começou em todo o país no passado sábado.
Sobre a noite de 24 de Dezembro, Eva Ferreira diz que é importante as pessoas que aderiram à campanha e compraram velas as acendam e coloquem nas janelas das suas casas, para se cumprirem os objectivos da campanha.

Apoiar Refeitório Social
e pigmeus de Mongoumba
Eva Ferreira disse ao Diário do Minho que, como habitual, a campanha tem duas finalidades. Por um lado, apoiar projectos da própria Cáritas Arquidiocesana e, por outro, contribuir para um projecto sinalizado a nível nacional ou internacional.
Para este segundo, a Cáritas dispensa 30 por cento das receitas da campanha. Este ano, para assinalar a celebração do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, este apoio vai promover a integração de pigmeus de Mongoumba, uma população minoritária da República Centro Africana. Concretamente, destina-se a projectos sociais nos âmbitos da educação e da saúde.
A restante percentagem, 70 por cento, vai sem empregue no Refeitório Social da Cáritas de Braga. Este serviço apoia cerca de 35 pessoas da cidade, com refeições de segunda a sexta-feira. Estes beneficiados são pessoas sinalizadas pela Cáritas que têm problemas de exclusão, baixo rendimento, doença, entre outros.

Colégio João Paulo II entregou prendas

O Colégio João Paulo II fez ontem a entrega simbólica de material de puericultura a duas instituições de solidariedade da cidade de Braga. Numa Eucaristia, na igreja paroquial de Dume, os alunos deste estabelecimento levaram ao altar, no momento da apresentação dos dons, uma representação do material que será oferecido à Associação de Paralisia Cerebral de Braga (APCB) e à Cáritas Arquidiocesana.
A celebração serviu para assinalar, por um lado, o encerramento do primeiro trimestre das aulas e, também, da catequese e, por outro, para apresentar este material recolhido junto da comunidade educativa, numa iniciativa intitulada “Vamos aquecer o Menino”.
Maria Helena Gonçalves, directora do colégio, disse ao Diário do Minho que a resposta à campanha de solidariedade social foi «muito generosa», quer pelos alunos quer pelos pais.
Num texto lido durante o ofertório, a responsável salientou que a iniciativa quis possibilitar «que seja Natal e não Dezembro», «que se acenda um presépio no mundo» e «que se acenda um presépio nos olhos de todas as crianças».
Da parte do colégio, ficou ressalvado o compromisso de contribuir para que «o Natal e a consoada sejam uma festa universal» .
Já Marta Figueiredo, em representação da APCB, agradeceu a iniciativa e manifestou que a instituição se sente «honrada» pelo afecto e pelo gesto solidário do Colégio João Paulo II.
Presidida pelo pároco de Dume, a Eucaristia serviu para celebrar, antecipadamente, o Natal. «Queremos agradecer ao Menino Jesus tudo aquilo de bom que recebemos ao longos deste primeiro período escolar», afirmou o padre Armindo Ribeiro Alves.

D. Jorge Ortiga em Nogueiró

Igreja está presente nos lugares
onde se ama e serve os irmãos

Texto e foto: José António Carneiro

«A Igreja está presente em todos os lugares onde se ama e serve os irmãos», disse D. Jorge Ortiga durante a visita à Casa de Saúde do Bom Jesus. O Arcebispo de Braga começou ontem a visita pastoral à paróquia de Nogueiró, precisamente, com uma Eucaristia naquela instituição, que assinalou também a celebração natalícia dos colaboradores da casa de saúde que celebrou, recentemente, 75 anos de existência.
Na homilia, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) começou por agradecer às Irmãs Hospitaleiras que «vivem plenamente a lei soberana da hospitalidade, do acolhimento e do serviço». No agradecimento àquela comunidade religiosa, D. Jorge Ortiga englobou todo o pessoal que trabalha na instituição, desde os médicos, enfermeiros, auxiliares, voluntários e funcionários em geral.
Por se tratar de um trabalho, muitas vezes, «escondido» e «desconhecido da sociedade», o Arcebispo de Braga destacou, ainda mais, o seu valor. Todavia, realçou que «a Igreja reconhece esse trabalho», que tem a marca do amor de Deus por todos os humanos.
Neste sentido, e a partir da primeira leitura da missa, pediu aos presentes que vejam em Jesus Cristo a melhor recompensa e o melhor prémio. «Jesus é esse menino pobre e simples mas que grita a todos a felicidade de viver», frisou.
Depois de enaltecer o trabalho realizado em prol dos utentes da casa, denunciou um tipo de sociedade «rotulada pela depressão». E, a par disso, desafiou a que a Casa de Saúde do Bom Jesus continue a realizar e a prestar um bom serviço à sociedade em geral.
A certo momento o prelado afirmou que «se os cristãos fossem capazes de ver em todos os homens a presença viva de Cristo e não fizessem qualquer acepção de pessoas na realização do bem, com certeza, o mundo seria diferente para melhor daquilo que é hoje em dia».
Na projecto de construção de um mundo melhor, é fundamental, no entender de D. Jorge Ortiga, que se usem os mesmos sentimentos que Cristo usava, especialmente o amor e a dedicação sem limites.
O Arcebispo de Braga, acompanhado pelo pároco de Nogueiró, padre Miguel Ângelo Costa, e pelo capelão da instituição, padre Luís Miguel Rodrigues, defendeu ainda que todas as áreas do trabalho humano precisam de uma «dose certa de amor» que, como o sal que se não vê na confecção alimentar, cumpre a sua missão. No cumprimento do dever diário, o prelado pediu que os colaboradores e funcionários da casa usem o profissionalismo aliado ao amor.
Esta visita de D. Jorge Ortiga está inserida no programa mais alargado da visita pastoral à paróquia de Nogueiró. Ontem, o prelado realizou uma série de visitas naquela comunidade.
No sábado, é a vez da catequese paroquial receber o responsável da Arquidiocese e, no domingo, na missa de encerramento, D. Jorge Ortiga ministra o Sacramento da confirmação a mais de duas dezenas de jovens.
Em declarações ao Diário do Minho, a superiora da comunidade religiosa das Irmãs Hospitaleiras disse que esta visita do Arcebispo é importante porque manifesta a ligação à igreja local. Além disso, fez com que a Casa de Saúde de Nogueiró aderisse a várias dinâmicas relacionadas com a Palavra de Deus, num triénio pastoral dedicado à Bíblia.
A celebração do Natal dos colaboradores da instituição começou com a leitura da mensagem enviada pela Superiora Geral, a todos os colaboradores da Província portuguesa.

Colóquio na FacFil a 16 e 17 de Outubro de 2009

Faculdade de Filosofia vai homenagear
antigos mestres da Escola de Braga

Texto: José António Carneiro
Foto: Avelino Lima

A Faculdade de Filosofia (FacFil) vai homenagear os antigos mestres ligados à escola de pensamento de Braga com a realização do colóquio “A Escola de Braga e a Formação Humanística – Tradição e Inovação”. A iniciativa agendada para os dias 16 e 17 de Outubro de 2009 é organizada pelo Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da FacFil e pela Associação dos Antigos Alunos Faculdade de Filosofia de Braga (AAAFFB) da Universidade Católica Portuguesa (UCP).
Na conferência de imprensa realizada ontem, o coordenador da comissão organizadora, José Gama, afirmou que o objectivo central do colóquio passa por «responder à necessidade urgente de repensar e aprofundar o sentido do humanismo» presente na formação transmitida pela FacFil desde a sua fundação em 1947.
Este objectivo desdobra-se em mais dois: por um lado, contribuir para a reflexão e discussão pública sobre a «actual situação que se vive em Portugal» ao nível da «desvalorização da formação humanística e filosófica nas escolas» e, por outro, prestar «uma merecida homenagem a todos os mestres das Escola de Braga».
Em relação à «progressiva desvalorização das humanidades no quadro da formação em geral» os organizadores destacam que a filosofia constitui «uma parte decisiva na formação da personalidade das pessoas e dos cidadãos».
No texto de apresentação do colóquio refere-se que «a Escola de Braga tem um significado muito preciso, dentro do panorama do pensamento português desde meados do século XX» e está «identificada com a Faculdade de Filosofia».
Para a iniciativa, a organização conta, para já, com dez conferencistas para outras tantas conferências. Assim, estão já previstas intervenções de Roque Cabral, Amadeu Torres, Margarida Miranda, Pedro Calafate, Ricardo Vélez Rodríguez, Manuel Ferreira Patrício, António Braz Teixeira, Acílio Rocha, Mário Garcia e Augusto Hortal.
Os temas a apresentar são, respectivamente, “A matriz inspiradora da Escola de Braga”, “A Escola de Braga e os estudos literários”, “A Escola de Braga na tradição humanística”, “A Escola de Braga na tradição humanística portuguesa”, “A Escola de Braga no contexto do pensamento filosófico português contemporâneo”, “A Escola de Braga no contexto do pensamento filosófico luso-brasileiro”, “A Escola de Braga no contexto do pensamento pedagógico português contemporâneo”, “A Escola de Braga e a renovação filosófica contemporânea em Portugal”, “A Escola de Braga e os seus mestres em Filosofia”, “A Escola de Braga e os seus mestres em Humanidades” e “A Escola de Braga e a importância da formação humanística na Europa do futuro”.
A comissão científica é composta por docentes da UCP, da Universidade do Minho (UM), da Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Universidade de Évora, Universidade de Aveiro, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Lusíada, Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Brasil).
Da comissão de honra fazem parte o Arcebispo Primaz, o Reitor da UCP, o Reitor da UM, o Provincial da Companhia de Jesus, o Director da FacFil, o presidente da Câmara Municipal e o governador civil de Braga, a Associação Industrial do Minho, a Associação Comercial de Braga, o presidente da AAAFFB e ainda os docentes Roque Cabral e Manuel Moraes.

Recepção de comunicações
Para já, até ao dia 10 de Março, a comissão organizadora tem abertas as inscrições para a apresentação de comunicações sobre os tópicos relacionados com a Escola de Braga nas áreas de: Filosofia: metafísica/teodiceia, ética, psicologia e ciências; Humanidades: literatura e cultura clássicas, literatura e cultura portuguesas; Pedagogia e intervenção profissional; Memória dos Mestres – estudos e testemunhos: António Durão, Paulo Durão, Cassiano Abranches, Diamantino Martins, Júlio Fragata, J. Bacelar e Oliveira, João Mendes, António Freire, Vitorino de Sousa Alves, A. Soares Pinheiro, Manuel Simões e Lúcio Craveiro da Silva.
Os resumos destas comunicações deverão ser enviados para escoladebraga@braga.ucp.pt.

Matriz para outras associações
O presidente AAAFFB aproveitou a conferência para apontar algumas iniciativas e anseios da associação. Antes de mais, José Guedes deseja que todos os antigos alunos que passaram pela FacFil sejam amigos da instituição. Além disso, apontou os esforços que estão a fazer com a reitoria da “Católica” para a constituição de uma Associação de Antigos Alunos da universidade.
«Queremos ser a matriz de outras associações de antigos alunos», frisou José Guedes destacando algumas iniciativas para este ano lectivo, concretamente, a actualização da página da associação na internet e a angariação de novos sócios.

Multiplicar esforços conjuntos

Não chocarei ninguém se disser que o trabalho ao nível da assistência social esteve, está e continua a estar maioritariamente concentrado nas mãos da Igreja. Por si mesmo, isto não pode comportar da parte do Estado – como garante do bem comum – um alheamento dos problemas sociais que afligem as pessoas.
É, por isso, imperativo, nos tempos que correm, Igreja e Estado encontrarem sempre formas novas de buscar uma resposta social mais pertinente e mais pró-activa. Considero indiscutível que não basta matar a fome por um dia a um pobre ou necessitado, mas é preciso atacar a situação.
Sei que é fundamental o trabalho primário que se faz ao nível do “dar de comer a quem tem fome”, mas acho que não chega. É preciso ir mais longe, mais fundo, às causas, às raízes. E, é por isso que considero prioritário um esforço de sintonia, de sinergia, de dar as mãos para atacar os verdadeiros problemas que vão “matando” aos poucos tantos portugueses.
Foi notícia há poucos dias o encontro do Arcebispo de Braga e do governador civil onde se manifestou sintonia de ambas as partes na resolução de problemas sociais na Região, que apesar do quadro negro, ainda se descortinam luzes de esperança ao fundo do túnel.
Mas, não consigo perceber o porquê de uma multiplicação de estruturas e plataformas que, bem vistas as coisas, andam em prossecução dos mesmos objectivos.
Falo do facto de, recentemente, ter surgido em Braga uma plataforma composta por instituições para a qual a Igreja não foi convidada, mas falo também do facto de a Igreja ter anunciado a criação de uma plataforma social para 2009.
Falo do facto de ser cada vez mais urgente um trabalho em rede, em colaboração e parceria, com cruzamentos de informações. E parece-me que isso não acontece como deveria.
Claro que muitos pobres e sem-abrigo agradecem o facto de poderem comer várias refeições durante o mesmo dia, mas tenho a certeza que desta forma estaremos a perpetuar um problema que precisa de ser atacado na raiz.
A minha modesta sugestão: em vez de se multiplicar esforços individuais, multipliquemos esforços conjuntos, de comunhão, na tentativa de buscar sempre um mundo melhor e mais justo.

Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida

Associação Famílias exige
respeito pela vida humana

Texto e foto: José António Carneiro

A Associação Famílias apresentou ontem de manhã, em Braga, uma Proposta de Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida por meio da qual exige mais respeito pela dignidade da pessoa humana.
O novo documento que é da responsabilidade do Instituto Internacional “Familiaris Consortio” (IIFC) pretende, também, contribuir para um maior conhecimento da Declaração Universal dos Direitos do Homem, produzida na sequência da II Guerra Mundial e que assinalou ontem 60 anos de existência.
Na conferência de imprensa, na sede na Associação Famílias, Carlos Aguiar Gomes fez uma apresentação global da carta alertando para diversas situações nas quais, actualmente, os direitos humanos continuam a ser ignorados e desrespeitados. O presidente da associação destacou alguns dos 10 números que compõem a carta editada em quatro línguas – alemão, francês, inglês e português – e apresentada em diversos países por meio do IIFC.
Em concreto, o documento, dirigido a toda a comunidade humana, condena todas as tentativas de selecção eugenista, experiências sobre e com embriões humanos, clonagem e hibridação de gâmetas humanos com gâmetas de outras espécies. Também a eutanásia, o suicídio assistido e a pena de morte não escapam à critica do documento apresentado ontem.
Num momento histórico, marcado por uma crise económica mundial, os autores da Carta para uma Cultura de Respeito pela Vida não deixam de lado o problema da fome e todas as formas de pobreza considerando-as «intoleráveis». A este respeito, Carlos Aguiar Gomes lamentou que em Portugal existam, nos dias de hoje, cerca de dois milhões de pobres, com tendência para o número aumentar.
A ecologia e os problemas ligados ao equilíbrio da natureza estão igualmente referidos nos pontos que compõem o documento, assim como a necessidade urgente de o Estado criar as condições desejáveis e necessárias para que os cidadãos possam ter direito a cuidados paliativos e a apoios domiciliários na fase final da vida humana.
O presidente da Associação Famílias disse, na palavra introdutória, que «infelizmente as agressões aos direitos humanos continuam» e denunciou algumas dessas formas de ataque: umas são «destacadas, descaradas e publicamente assumidas», ao passo que outras são «veladas e apresentadas como consequência e sinal do progresso de um mundo pós moderno».
E acrescentou: «tome-se como exemplo a “limpeza” eugénica que está a ser feita diariamente com o apoio e concordância dos diferentes poderes políticos, se não mesmo com a imposição deste».
Como resposta a esta situação, a Associação Famílias não se calará nem deixará de exercer o seu direito de denúncia. «Condenamos a eugenia nazi com a mesma veemência face à que hoje se pratica com meios muito mais sofisticados de muitos centros hospitalares». E prosseguiu: «todo o atentado à dignidade de toda e qualquer pessoa, a começar pelo seu direito natural e profundo a viver, merece a nossa mais viva repulsa».
Entretanto, Carlos Aguiar Gomes salientou alguns sinais positivos na defesa dos direitos humanos dados, por exemplo, pelo presidente do Paraguai – o antigo bispo católico Fernando Lugo – que vetou a lei do aborto e, também, a recusa do grão-duque do Luxemburgo em avalizar uma lei que legaliza a eutanásia, ainda correndo o risco de ver reduzidas as prerrogativas de soberano.
Segundo Carlos Aguiar Gomes a Proposta mereceu a análise e comentários de diversas personalidades de reconhecido mérito e competências na matéria e já foi enviada às diversas autoridades políticas e religiosas entre os quais, todos os líderes parlamentares e os Bispos de Portugal.
O documento estará disponível na internet, na página da Associação Famílias (www.a-familias.org), ou na sede da organização (Rua de Guadalupe, n.º 73, 4710-298 Braga). Diga-se, por fim, que a capa da edição portuguesa consta de uma ilustração da autoria de uma menina de sete anos.

27 de novembro de 2008

Auditório Vita com proposta cultural de qualidade

Homenagem a Olivier Messiaen é a primeira iniciativa


Texto: José António Carneiro

O Auditório Vita está apostado em oferecer ao público em geral uma proposta cultural diversificada e de qualidade. É com este objectivo que se acaba de criar a Comissão Cultural Auditório Vita, dependente a Arquidiocese de Braga, que «não pretende fazer concorrência a ninguém nem a nada», mas quer possibilitar que possa assistir, em «excelentes condições», a bons programas culturais.
O padre Paulo Terroso é o director da recentemente criada Comissão Cultural Auditório Vita, que conta ainda com Eduardo Jorge Madureira, como director de conteúdos, de Maria Helena Vieira, João Duque, Mário Paulo Perreira e José Filgueiras.
Para assinalar o início de actividade da nova Comissão Cultural é lançada amanhã à tarde o site do Auditório Vita (www.autitoriovita.com) onde consta, entre outras informações, a programação e notícias diversas.
Paulo Terroso disse ao Diário do Minho que o Auditório Vita continua a servir normalmente a vida e a actividade da Arquidiocese de Braga. Mas, agora, alarga-se a programação no sentido de rentabilizar o espaço que tem diversas potencialidades, mas, também, com o intuito de dar aos interessados uma programação cultural alternativa e de qualidade.
Dentro destas iniciativas que apostam na qualidade, o Auditório Vita vai assinalar, em Dezembro, o centenário do nascimento de Olivier Messiaen com quatro noites dedicadas a este compositor do século XX, que realizou em Portugal a estreia mundial de uma das suas obras, “A Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Compositor português
de renome mundial
no Auditório Vita
Esta iniciativa vai decorrer de 10 a 13 de Dezembro, sempre às 21h30, e consta de dois concertos, um colóquio e um filme. Além dissso, vai trazer a Braga nomes sonantes da música como João Pedro Oliveira que é, na actualidade, um dos melhores compositores de todo o mundo, como noticiou o Jornal Público na sua edição de 17 de Novembro passado.
A respeito das obras do compositor homenageado, este catedrático de Composição e Música Electrónica na Universidade de Aveiro diz que ouvir música de Messiaen «é ouvir música sobre os anjos, o Paraíso, Deus, a Ressurreição dos mortos, a Transfiguração, o Apocalipse, e muitos outros dogmas e mistérios da fé cristã». E continua: «Talvez em toda a História da Música não tenha havido outro compositor que tenha comunicado de forma tão enfática as suas convicções espirituais».
Para homenagear Olivier Messiaen, o Auditório Vita promove em duas noites um concerto integral das obras para música de câmara para instrumentos acústicos.
Na primeira noite, dia 10, os interessados podem apreciar “Merle noir”, para flauta e piano, “Fantasie”, para violino e piano , “Visions de l’Amen”, para dois pianos, entre outras composições. Nuno Inácio (flauta), Gerardo Ribeiro (violino), Marta Zabaleta e Miguel Borges Coelho (piano) constituem o elenco musical deste primeiro concerto.
Na segunda noite, de 13 de Dezembro, vai ser apresentado “Thème et variations”, para violino e piano, “Pièce pour piano et quatuor à cordes” e “Quatuor pour la fin du temps”, para violino, clarinete em si bemol, violoncelo e piano. Nesta noite, actuam os músicos Gerardo Ribeiro, Miguel Borges Coelho, António Saiote (clarinete), Paulo Gaio Lima (violoncelo) e, ainda, o Quarteto de Cordas de Matosinhos composto por Vítor Vieira e Juan Maggiorani (violino), Jorge Alves (viola) e Marco Pereira (violoncelo).
A homenagem continua no dia 11 com a realização de um colóquio intitulado “Vivemos tempos sombrios”. Segundo a organização, «foi em tempos sombrios que Olivier Messiaen viveu uma parte da sua vida, nos anos em que, prisioneiro num campo de concentração nazi ».
Este colóquio sobre esses «tempos sombrios» e sobre as «mulheres e homens que os testemunharam» conta com a presença do já referido João Pedro Oliveira, de Teresa Martinho Toldy, professora de Ética na Universidade Fernando Pessoa, de José Tolentino de Mendonça, director da colecção Teofanias, no âmbito da qual se publicaram obras de Simone Weil, Dietrich Bonhoeffer e Etty Hillesum, que testemunharam esses «tempos sombrios». A moderação está a cargo de João Duque que é também, teólogo e director adjunto da Faculdade de Teologia de Braga.
Na noite do dia 12, a organização vai projectar, pela primeira vez em Portugal, o filme “Le Charme des impossibilités”. Este conta a história da génese de uma obra musical, o “Quarteto para o Fim dos Tempos”, composta e interpretada pela primeira vez, durante a segunda guerra mundial, num campo de prisioneiros de guerra. Um compositor, três intérpretes com instrumentos em muito mau estado desafiam a detenção, a guerra, o frio, a fome, o tempo e tentar o impossível.
O filme realizado por Nicolás Buenaventura Vidal tem 80 minutos e é exibido na versão original, com legendas em inglês.
Para assistir aos concertos, os interessados devem desembolsar cinco euros e as outras duas noites têm entrada livre.

in Diário do Minho, 27 Novembro

Amália, o Filme

Realizador, produtor e actriz principal presentes
Antestreia de “Amália, o Filme”
segunda-feira no Bragashopping

Texto: José António Carneiro

“Amália, o filme”, a primeira biografia ficcionada da diva do fado, tem antestreia marcada para o Bragashopping, esta segunda-feira, a partir das 21h30. A sessão contará com a presença do realizador Carlos Coelho da Silva, do produtor Manuel da Fonseca e da actriz principal Sandra Barata Belo, daquele que é o filme português mais caro de sempre, orçado em três milhões de euros, que chega às salas de cinema portuguesas, na sexta-feira, dia 4 de Dezembro.
Produzido pela Valentim de Carvalho Filmes, o filme conta com a participação financeira da RTP, que vai exibir posteriormente a longa-metragem em versão mini-série.
Entre os locais de filmagens contam-se Aveiro, Régua e Espinho. Além disso, foram feitas imagens em Nova Iorque, ainda que todos os cenários tenham sido recriados em Portugal.
Sandra Barata Belo, de 29 anos, é a protagonista do filme e lidera um elenco de 45 actores. De Amália, a jovem actriz estudou os gestos, o comportamento, a cadência do canto e da fala, descobriu-lhe a timidez e a insegurança e as variações entre a alegria e a tristeza nos anos que o filme abrange, entre 1950 e 1980.
A actriz leu ainda biografias, recortes de imprensa e testemunhos escritos, viu filmes e documentários e falou com Estrela Carvas, que foi secretária e confidente de Amália Rodrigues.
De salientar que neste filme, nos momentos de interpretação de fados, a voz de Sandra Barata Belo será dobrada pelas gravações de Amália Rodrigues.
«Este é um filme comercial, mas acho que tem coisas interessantes, acho que serve a um público alargado, acho que serve aos eruditos e serve ao senhor da mercearia que sempre gostou da Amália. É um filme sobre a fadista, portanto é um filme para as pessoas irem ver», disse recentemente a actriz.
Além de Sandra Barata Belo, o filme conta com as participações de Carla Chambel, Leonor Seixas, António Pedro Cerdeira, Ana Padrão, Ricardo Carriço, João Didelet, Ricardo Pereira e Susana Mendes.

Distribuição internacional
garantida
«Amália é uma figura universal e tem um estatuto que ultrapassa as fronteiras portuguesas, está editada em todo o mundo e o fado é hoje um género de valor muito importante, que se encaixa na world music», disse o produtor, em declarações à Lusa.
Por isso, a internacionalização do filme é um dos principais objectivos definidos e até ao momento conseguidos. «As nossas perspectivas de internacionalização, neste momento, não podiam ser mais optimistas», acrescentou.
O produtor realçou o facto de se tratar «da pré-compra de um filme português, com base num trailer de dois minutos, num mercado ameaçado pela crise mundial».
China, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Argélia, Marrocos, Tunísia e 15 países do Médio Oriente, entre os quais o Egipto, Emirados Árabes Unidos, Líbano e a Arábia Saudita, garantiram já a distribuição do filme, que se baseia na vida da mais internacional voz portuguesa.
As vendas internacionais realizaram-se no American Film Market (AFM 2008) que decorreu em Los Angeles, e onde a Valentim de Carvalho Multimédia, distribuidora do filme, esteve representada.
«Além dos contratos já garantidos, “Amália, o Filme” despertou um elevado interesse por parte de distribuidores presentes no AFM 2008, estando em curso negociações com o Brasil, França, Itália, Estados Unidos, Espanha, Israel e Japão», refere o produtor.

in Diário do Minho

22 de novembro de 2008

21 de novembro de 2008

Estrelas lusas a ver “sambar”



Depois de ler diversas análises, comentários e notícias sobre a «vergonha» e o «escândalo» que se passou em Gama, no jogo que opôs Brasil a Portugal e que resultou na maior goleada sofrida pela equipa lusa nos últimos 50 anos, continuo sem perceber o que se passa com esta selecção, que é como quem diz, a equipa que reúne (ou devia reunir!) os melhores jogadores portugueses – bem, alguns são brasileiros, mas também não são dos melhores!
«Portugal a ver estrelas», «Portugal humilhado» «Descalabro», «Brasil cilindra Portugal», “Pôxa irmão» foram algumas das palavras de ordem (manchetes) da imprensa, na ressaca de um jogo que foi visto, em Portugal, pela noite dentro.
Claro que a exibição portuguesa, segundo o comentador Joaquim Rita, foi «pouco racional, sem estratégia sem arrumação técnica, sem atitude mental» e que se entende os apupos atirados à comitiva na chegada a Lisboa.
Claro que Carlos Queirós (alguém sabe que salário aufere?) é o alvo em foco e lhe fica bem fazer um “mea culpa” dizendo que os adeptos têm razão e é necessário que os jogadores que vestem a camisola da selecção estejam a «mil por cento».
Não concordo – e li também esta opinião – que a selecção joga mal porque os jogadores não entendem a linguagem de Carlos Queirós. Se o problema é esse, então, pague-se a um tradutor. Ou então chamemos um seleccionador brasileiro (bons tempos!).
Concordo que da parte de Gilberto Madail houve inconsciência ao assinar um contrato válido por quatro anos.
Mas, o que é certo é que o Dunga, mesmo no meio da «paulada» e da «polémica» passou no teste. E o Queirós?
Sabemos todos que «esta derrota é uma mensagem muito forte para os jogadores. Não se pode começar um jogo bem e depois deslumbrar-se e desagregar» disse o técnico luso. Sabemos, ainda, que o «resultado tem de servir de lição».
Esperemos que esta lição – estrelas lusas a ver “sambar” – seja bem aprendida, que é como quem diz que a selecção consiga marcar presença no Mundial de 2010, mesmo que tenha de ser com aflições e calculadora na mão.


in Diário do Minho, 21 de Novembro

11 de novembro de 2008

Praxe: humilhação ou integração?




Na passada terça-feira, dia 4, pelas 21h30, o CAB (Centro Académico de Braga) deu início a uma actividade intitulada “Bate Papo Universitário”. O objectivo desta iniciativa é uma aproximação efectiva à academia minhota, situada a distantes léguas do espaço sede deste Centro Universitário. Decorreu este evento no Puzzle Bar na rua Nova de Santa Cruz, bem próximo do contexto universitário bracarense, e teve uma adesão bastante animadora: cerca de 70 estudantes.
O mote para o primeiro Bate-Papo foi a praxe. E não podia tocar num assunto mais sensível aos estudantes da Universidade do Minho nos últimos tempos. O verniz estalou com uma polémica reportagem que uma estação de televisão fez emitir e na qual apareciam imagens das praxes em Braga. A imagem negativa constantemente veiculada pela imprensa deu origem a um “blackout” da parte da academia minhota, quebrado especialmente nesta iniciativa. O “Papa” Rui Jorge, responsável máximo da praxe na Universidade do Minho, fez questão de estar presente, juntamente com o seu antecessor, António Carneiro, que foi um dos convidados destacados para o evento. Do outro lado da discussão encontrava-se Vítor Andrade Cunha, licenciado em Sociologia pela UM, e destacado membro de uma associação intitulada AGIR, que assumiu uma posição bastante crítica face à praxe.
Estavam lançados os dados para um debate, acicatado por um pequeno inquérito, efectuado uns dias antes na Universidade, que lançava as bases do diálogo. A maioria dos alunos referia-se à praxe como «integração», salvaguardando todavia o cuidado pelos “exageros”. Foi precisamente neste ponto que tocou Vítor Cunha numa das suas intervenções, aventando que as praxes podem ser por vezes demasiado «vexatórias», quase como «cópias das praxes que aplicavam aos recrutas no serviço militar». Num texto da sua autoria relatou muitas praxes exageradas, que envolviam cânticos sexualmente insinuatórios, e referindo que «não se pode falar em transmissão de valores» desta forma. Todavia, salvaguardou que acredita que um certo tipo de praxes, em que de facto se pratique a integração, onde não seja exercida coacção para que os alunos adiram, seria uma praxe a que ele mesmo assentiria.
Do outro lado da contenda reagiu António Carneiro, ressalvando que «só pode falar de praxe aquele que passou por ela», revelando que a preocupação daqueles que praxam é integrar os alunos e «isso é visível». Igualmente referiu que o cabido de cardeais existe para controlar as praxes violentas e exercer uma função de vigilância para que não aconteçam exageros que «acontecem sempre». Na questão dos palavrões insultuosos, António Carneiro fez questão de lembrar que o ministro actual elaborou uma directiva, para o presente ano lectivo, que pretendia alertar para o cuidado de um maior brio nas palavras usadas nas praxes, algo que «está a ser seguido pela nossa academia».
Esta posição foi fortalecida por Magda Pinheiro, membro do conselho de anciãos, que salvaguardou que muitos alunos se declaram anti-praxe por «motivos ideológicos» e não devido à violência das praxes, referindo também que «escutou muitos alunos» ao longo de seis anos, tentando prestar-lhes apoio quando se propõem a declarar-se anti-praxe.
O espírito académico foi igualmente referido como uma das virtudes da praxe, isto depois de se ter falado da academia coimbrã como um exemplo de tradição académica.
A última questão do debate, bastante participado pela plateia, cingiu-se sobre a recente polémica que se abateu sobre a academia minhota. A imprensa esteve em discussão. Frases como «não se pode tomar a árvore pela floresta» foram citadas para fortalecer a necessidade de uma imprensa coerente e independente. Este ponto foi fortalecido pelos dois convidados, apesar de antagónicos nas posições.
O diálogo terminou com um nítido convergir de posições, a favor de uma praxe que se quer integradora e ciente dos seus pergaminhos. Vítor Andrade Cunha, convidado que aceitou assumir uma posição incómoda, mas louvável, no debate, terminou referindo que são «mais os pontos que nos unem do que aqueles que nos separam», dando relevo ao espírito de escuta e reflexão a que se assistiu neste debate.
Duas horas depois o debate terminava com a sensação de que muito ficou por dizer, mas fortalecendo a importância que o diálogo e confronto de ideias tem para um efectivo progresso.

Texto de Rui Ferreira, SJ, publicado no Diário do Minho

4 de novembro de 2008

Entrevista na Catequese da Sé



Cónego Manuel Joaquim Costa em entrevista, no Patronato da Sé
«Os Jovens não podem cegar nem ensurdecer»


O grupo de catequese (GC) do 7.º ano do Patronato da Sé, catequizandos e catequistas, entrevistou o cónego Manuel Joaquim (CMJ), pároco da Sé e S. João do Souto juntamente com o padre Domingos Paulo Oliveira, no âmbito de uma actividade entre catequeses. Depois de dois encontros a reflectir sobre o “Ser grupo com Jesus” nada melhor do que falar sobre a vida da paróquia com o responsável da comunidade que recebe por estes dias (de 6 a 9 de Novembro de 2008) a visita do Arcebispo de Braga. Desafios lançados aos jovens para uma vida positiva e manifestação da esperança na juventude foram pontos essenciais da conversa que ainda serviu para se aclararem aspectos relacionados com a vida sacerdotal.

GC – Tem o sonho de ser padre desde pequeno?
CMJ – Desde muito pequeno. Ainda não andava na escola e ia à catequese com os meus irmãos aos padres de Montariol, em Braga. Olhando para aqueles frades eu sentia dentro de mim uma grande vontade de ser padre. Embora não quisesse aquela coisa castanha que eles vestiam. Por isso, desde pequenino eu ia dizendo lá em minha casa que queria ser padre. E todos me gozavam e brincavam com isso. Envergonhei-me um bocado e deixei de falar no assunto. Só mais tarde, quando me preparava para a profissão de fé, é que ganhei coragem para falar com a minha mãe e dizer-lhe que queria ir para o Seminário.


GC – Arrepende-se de ter seguido esta vocação?
CMJ – Não, de maneira nenhuma. Nunca me arrependi embora não é fácil seguir este caminho. Se olharem a vida dos vossos pais também vêm que não é fácil ser-se casado porque surgem sempre problemas e complicações. A mim como padre é a mesma coisa. Há dificuldades mas nunca me arrependo e gosto de fazer o que faço.

GC – O que é que pensa dos jovens concretamente de nós?
CMJ – Penso que sois um luxo e tenho muita esperança em vós. Foi belo ter celebrado convosco a festa da fé, no ano passado, e é belo ver-vos agora aqui com vontade continuar a crescer de mãos dadas.


GC – Que actividades sugere aos jovens?
CMJ – Em primeiro lugar, peço que nunca se deixem cegar nem ensurdecer. Hoje há o risco, e particularmente na vossa idade, de cegar perante o ecrã da televisão ou da PSP ou do computador. Outro perigo é o de ensurdecer com o fones postos nos ouvidos. Nem se ouve o silêncio nem o barulho. Quando passo por gente da nossa catequese na rua, muito nem nos vê nem nos ouvem, porque cegaram e ensurdeceram. Isso é pena porque nós devemos falar uns com os outros, sorrir, cumprimentar, ser espontâneos. Os jovens devem valorizar o bom cinema, a boa leitura o bom desporto e também a participação muito alegre e muito simples na vida da paróquia, especialmente na Eucaristia.

GC – Gosta da sua vocação?
CMJ – Gosto muito. Foi muito bom eu ter feito a minha descoberta da vocação no Seminário junto com outros companheiros que hoje em dia estão espalhados por toda a arquidiocese. Continuamos ligados e amigos uns dos outros.

GC – O que é que entende por comunidade paroquial?
CMJ – É o conjunto dos baptizados que frequentam determinada paróquia ou se sentem ligados a ela. É a comum unidade no mesmo baptismo e na mesma vida em Deus que a todos nos assiste. A comunidade vive seguindo os conteúdos da Palavra de Deus e alimentando-se do amor fraterno.

GC – Na paróquia quem deve construir a comunhão?
CMJ – Todos temos uma responsabilidade essencial. Como num corpo quando algum membro ou órgão falha, todo o corpo falha. Assim é na Igreja. Todos nós somos membros vivos do corpo misterioso de Jesus. Todos os membros, mesmo que pareçam insignificantes, são essenciais na harmonia de todo o corpo. Se um membro sofre todo o corpo sofre. A Igreja, como corpo de Cristo, precisa de todos os seus membros para construir a comunhão. Claro que eu como padre estou ao serviço da união e da unidade de todos. Mas eu sozinho não faço comunidade nem comunhão. O padre precisa de muitos colaboradores.

GC – A união na Igreja é importante?
CMJ – É importantíssima. Nos tempos actuais, as pessoas devem olhar os cristãos sentirem-se interpeladas pelo seu modo de estar e de viver. Se os cristãos vivem desunidos é um sinal negativo e um mau testemunho.

GC – Como é que procura ser discípulo de Jesus?
CMJ – Em primeiro, de manhã, o meu primeiro pensamento é para Jesus agradecendo mais um dia que me dá. Assim, sintonizo o meu dia em Jesus. Unido a Jesus, procuro estar vigilante amando todas as pessoas que vêm ter comigo.

GC – Porque não escolheu ser frade?
CMJ – Olha, não sei muito bem. Alguma coisa me chamava para ser padre secular ou diocesano. Não senti que a minha vocação fosse para viver numa comunidade seguindo uma regra, como fazem os frades.

GC – O que significa Igreja?
CMJ – Significa uma assembleia convocada, um povo convocado e reunido por Deus para construir a fraternidade, a união, o bem e viver o amor. Ser igreja é o motivo que nos reúne aqui neste momento.

GC – A visita do Senhor Bispo à paróquia pode ajudar na construção da comunidade?
CMJ – Muito, porque o Bispo é o principal responsável pelas comunidades da arquidiocese, contando, é claro, com a ajuda dos párocos. Por isso, sentimo-nos felizes por o Bispo nos visitar como representante de Jesus. O Bispo vem confirmar o esforço que fazemos para crescermos todos como Povo de Deus.

Terminada a entrevista, houve um outro tempo em que os catequizandos fizeram outras perguntas ao cónego Manuel Joaquim Costa. Fazemos um apanhado das ideias que daí resultaram.

O dia do cónego Manuel Joaquim Costa é normal. «Como, bebo, durmo, trabalho». «Gosto de ouvir música mas não tenho muito tempo. Gosto de ver as notícias e bons filmes».
Vive no Patronato da Sé, onde tem um escritório e um quarto para dormir.
No percurso para ser padre teve «muito apoio e estímulo», nas, «no início, nem tanto».
O padre recebe um salário normal. «Depende das comunidades e do que elas possam pagar».
A vida sacerdotal é «bastante atarefada». «Há sempre muitas coisas para fazer».
Como é presidente da direcção do Patronato da Sé, às vezes tem que ir a tribunal resolver «alguns assuntos importantes da instituição».
«Não me chocava que um dia a Igreja viesse a dizer que não é essencial os padres serem celibatários». Mas «eu sinto-me bem como estou e como sou». «O celibato é o pedido que a Igreja nos faz para estarmos mais disponíveis para os outros e para Deus».
Na Igreja é importantíssimo o mostrarmos ao mundo Jesus, pelo testemunho de vida.

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...