24 de julho de 2009

Perdido em Jesus



Sigo trilhos escarpados
Ando rotas desalinhadas
Todo um mundo que se fecha
Tantas portas truncadas.

Caminho, vagueante,
Meio perdido, encontrando,
O amor mais jubilante
Que me faz um ser amado.

Só um apoio consigo
Que é estável e forte
E que todo me seduz…

E encontro-me comigo
E vivo a vida, já sem morte,
Obrigado, meu Jesus.

inédito José António Carneiro
2007

foto

21 de julho de 2009

Persistência infinda




Ondas vão, ondas vêem:
Não se cansarão?

Numa infinidade eterna
Percorrem seu destino
Sua vida.

A sua persistência é hoje
Exemplo para nós
Que tão pouco persistentes!


inédito José António Carneiro
2003

Consolo solidário




Colocaste-me no mundo
Para suavizar a dor de tantas vidas
Para acompanhar nos momentos maus,
Ajudar a carregar pesos lancinantes de tantas cruzes
Em especial, dos excluídos e marginalizados.

Envias-me a repartir ternura
A comunicar afecto
A dar força ao que ruiu
A consolar quem sofre
A sarar feridas
A amar todos como Tu.

Envias-me pelo mundo
A dar a boa notícia do Teu amor
Que é compassivo e clemente,
A recordar que é possível a fraternidade
E a igualdade é meta a atingir.

Envias-me a despertar consciências adormecidas
A tranquilizar os consumidos
A sossegar intranquilos e irritados
A criar clima de harmonia e acolhimento.

Envias-me todos os dias, todos os momentos
Aos Teus filhos todos
A todos os recantos escondidos;
A levar a Tua mensagem de vida, paz e perdão.

Envias-me para que consiga para todos
A vida em abundância que brota de Ti,
A dignidade completa
O amor e o pão partido e repartido
Em fraterna solidariedade.

inédito José António Carneiro
2007

Guimarães 2012

Parabéns Guimarães!

12 de julho de 2009

Coração elevado





Cansado arrasto-me pelo caminho
Meio morto vagueio sem rumo
E não vejo a maneira de alcançar o destino
Sem luz e sem força eu não me aprumo.

A história é feita de passos mal dados
E às vezes vou indo, pensando ir bem
E sinto a tristeza de actos não pensados
E rezo: “Vela por mim, Senhor. Ámen”.

A razão retrai-se, eleva-se o coração
Nos momentos gratuitos à luz do luar
Abraço a ternura e deixo-me envolver.

E sinto o amor na palma da mão
E vejo a fraqueza sempre a triunfar
Mesmo que seja na hora de morrer.



Esta foto foi tirada pelo José Carlos Ferreira. Deixou-me usá-la.
Gosto dos contrastes: a cruz - sinal do amor e da dor - entre a pedra=terra e o céu, entre a rocha e o azul.

Peço desculpa por não ter andado por cá nestes últimos dias. O trabalho tem apertado.

11 de julho de 2009

D. Jorge Ortiga quer padres fiéis e alegres


Convento de Montariol acolheu Retiro do Clero



Durante cinco dias desta semana, 22 padres da Arquidiocese de Braga estiveram em retiro no Convento Franciscano de Montariol, em Braga, sob orientação do Abade do Mosteiro de Singeverga, D. Luís Aranha. O retiro terminou com a presença do Arcebispo de Braga que deixou uma mensagem de optimismo aos sacerdotes para viverem o ministério com fidelidade e alegria.
O último dia do retiro ficou marcado pela Eucaristia de encerramento, presidida por D. Jorge Ortiga e concelebrada pelos sacerdotes presentes, às 11h30, em Montariol.
Na homilia da celebração, o prelado deixou uma mensagem de optimismo e de esperança. Em pleno Ano Sacerdotal, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa desafiou os padres a um exame de consciência sobre a identidade do sacerdote e pediu que cada um saiba viver o ministério com fidelidade e alegria. «A Igreja quer padres fiéis e alegres», disse.
Depois da missa, o Arcebispo participou marcou presença no almoço conclusivo.
O Retiro do Clero contou com a presença de alguns dos padres que durante este ano celebram as Bodas de Prata e de Ouro sacerdotais.
Recorde-se que os sacerdotes que celebram as Bodas de Prata são seis e Bodas de Ouro são 17.
Plano de informação
e ação face à Gripe A
Noutro âmbito, em declarações à Rádio Renascença, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, admitiu que a Igreja poderá avançar com um plano de informação e acção face à gripe A, dependendo da evolução da doença em Portugal.
D. Jorge Ortiga recorda que a Igreja desempenha um papel social relevante, dado o grande número de pessoas a que chega, e afirma que o mais importante é passar a informação e evitar o alarmismo desnecessário.
«Se a Igreja for solicitada ou se nós próprios reconhecermos que é necessária uma campanha de sensibilização, estou convencido de que cada Bispo, na sua diocese, dará orientações para que os sacerdotes, nas Eucaristias, avisem, criando, por um lado, condições de tranquilidade e, por outro, informando para os cuidados a ter», afirmou.
«É necessário não alarmar, mas ter uma acção activa para evitar o que é possível e a Igreja não deixará de o fazer”, defendeu o Arcebispo Primaz.

8 de julho de 2009

Papa apresentou Caritas in Veritate



O Papa Bento XVI defende na sua terceira encíclica, “Caritas in Veritate” (A caridade na verdade), uma nova ordem política e financeira internacional, para superar a crise em que o mundo se encontra mergulhado. No documento tornado público ontem, o Papa apresenta como prioridade a «reforma da Organização das Nações Unidas e da arquitectura económica e financeira internacional», sentida em especial «perante o crescimento incessante da interdependência mundial», mesmo no meio de uma «recessão igualmente mundial».

Em vésperas de mais uma reunião do G8, que decorrerá em Áquila, a nova encíclica – endereçada aos Bispos, presbíteros e diáconos, às pessoas consagradas, aos leigos e a todos os homens de boa vontade – diz que a «verdadeira autoridade política mundial» teria como objectivos prioritários «o governo da economia mundial», o desarmamento, «a segurança alimentar e a paz», a defesa do ambiente e as regulações dos fluxos migratórios. Outra necessidade apontada é a de ajudar «as economias atingidas pela crise de modo a prevenir o agravamento da mesma e, em consequência, maiores desequilíbrios».

Denunciando o lucro a todo o custo, Bento XVI sublinhou que «não é suficiente progredir do ponto de vista económico e tecnológico», pois é necessário que o desenvolvimento seja «verdadeiro e integral», assinalando que, em termos absolutos, a riqueza mundial cresceu, «mas aumentam as desigualdades».

Por isso, defende para a economia uma ética «amiga da pessoa», que não esqueça a «dignidade inviolável da pessoa humana e também o valor transcendente das normas morais naturais». «Uma ética económica que prescinda destes dois pilares arrisca-se inevitavelmente a perder o seu cunho específico e a prestar-se a instrumentalizações; mais concretamente, arrisca-se a aparecer em função dos sistemas económico-financeiros existentes, em vez de servir de correcção às disfunções dos mesmos», alerta.

O Pontífice esclarece que é de evitar que a redistribuição da riqueza se faça «à custa de uma redistribuição da pobreza ou até com o seu agravamento, como uma má gestão da situação actual» poderia fazer temer.

Num verdadeiro balanço da actividade económica e social global, o Santo Padre defende que a ajuda mundial seja canalizada para auxiliar os países pobres a eliminar a fome, e também advoga a redução do consumo de energia nos países mais industrializados e uma utilização mais racional e eficaz dos recursos naturais.

Nesta sua primeira encíclica social, o Papa retoma a Doutrina Social da Igreja, que tem na “Populorum Progressio”, de Paulo VI (1967) um documento fundamental, sublinhando que a caridade na verdade é o seu eixo essencial, orientado pelos critérios da justiça e do bem comum.

«A doutrina social nunca deixou de pôr em evidência a importância que tem a justiça distributiva e a justiça social para a própria economia de mercado», acrescentou. «Querer o bem comum e trabalhar por ele é exigência de justiça e de caridade», sublinhou.

Modelos para a globalização

A «sociedade em vias de globalização» é o alvo preferencial de várias considerações de Bento XVI na “Caritas in veritate”. Olhado para as várias intervenções dos seus predecessores em matéria social, o actual Papa considera que a principal novidade da actualidade «foi a explosão da interdependência mundial, já conhecida comummente por globalização».

«A globalização – escreve – é um fenómeno pluridimensional e polivalente, que exige ser compreendido na diversidade e unidade de todas as suas dimensões, incluindo a teológica».

Bento XVI avisa que «o processo de globalização poderia substituir as ideologias com a técnica, passando esta a ser um poder ideológico», pedindo, por isso, uma «formação para a responsabilidade ética no uso da técnica».

O Papa não alinha com as «atitudes fatalistas» a respeito deste fenómeno, que mostra a realidade de «uma humanidade cada vez mais interligada».

«Na época da globalização, a actividade económica não pode prescindir da gratuidade, que difunde e alimenta a solidariedade e a responsabilidade pela justiça e o bem comum em seus diversos sujeitos e actores. Trata-se, em última análise, de uma forma concreta e profunda de democracia económica», observa Bento XVI.

Neste contexto, anota o Papa, «eliminar a fome no mundo tornou-se também um objectivo a alcançar para preservar a paz e a subsistência da terra». «Poderia revelar-se útil considerar as novas fronteiras abertas por um correcto emprego das técnicas de produção agrícola, tanto as tradicionais como as inovadoras, desde que as mesmas tenham sido, depois de adequada verificação, reconhecidas oportunas, respeitadoras do ambiente e tendo em conta as populações mais desfavorecidas», indica.


D. Jorge Ortiga considera texto importante para avaliação dos programas eleitorais

Encíclica chega «na hora exacta»

para a sociedade portuguesa

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, defendeu, em Fátima, que a encíclica “Caritas in veritate”, de Bento XVI, chega «na hora exacta», destacando a importância que o texto pode ter para a avaliação dos programas políticos nas próximas eleições, no nosso país.

Num encontro inédito, destinado a apresentar o novo documento do Papa, o Arcebispo de Braga disse ser necessário discutir o texto «com a sociedade portuguesa», em especial para ajudar a formar um voto mais «consciente», como a CEP já tinha pedido na sua última Assembleia Plenária.

«Esta carta encíclica, se fosse lida e meditada por todos os cristãos e particularmente também pelos políticos, num tempo de eleições que se aproxima estou convencido que seria muito útil», defendeu o prelado.

De acordo com D. Jorge Ortiga, «a Igreja não se quer intrometer em questões políticas, mas há uma doutrina que se repercute em vários sectores da vida».

Nesse sentido, defendeu que “Caritas in veritate” contém um «conjunto de orientações que poderão enriquecer muito a sociedade portuguesa».

«É necessário projectar de novo o nosso caminho», encontrando regras e formas novas de compromisso, acrescentou o presidente da CEP, para quem a crise exige «novos paradigmas de vida», em termos individuais e sociais.

Comentando o título dado pelo Papa à sua terceira encíclica, o Arcebispo de Braga sublinhou que o amor «impele as pessoas a comprometerem-se» e que «a Igreja tem de denunciar determinadas situações em nome da verdade».

Nesse sentido, disse esperar que a carta «chegue ao coração da sociedade portuguesa».

Esta iniciativa inédita visou colocar a Igreja em diálogo «com toda a sociedade».

Aos jornalistas, o presidente da CEP disse ainda que na reunião do Conselho Permanente deste organismo, que decorreu em Fátima, não se abordou em profundidade a nova encíclica porque em cima da mesa estavam questões pendentes para a regulamentação da Concordata.

«Esta regulamentação tem sido feita, particularmente nos últimos tempos, a partir de diálogo sobre os documentos, em várias instâncias. Temos estado neste quase jogo de pingue-pongue», indicou.

«Esperemos que já se esteja a chegar ao fim», acrescentou, admitindo que alguns aspectos ainda necessitarão de uma abordagem posterior.




Diário do Minho

4 de julho de 2009

Novo Bispo Auxiliar visitou Arquidiocese de Braga


D. Manuel Linda será ordenado a 20 de Setembro


O novo Bispo Auxiliar de Braga visitou ontem a Arquidiocese, contactando com D. Jorge Ortiga e com D. António Couto, e ficando a conhecer a “nova casa”, o Paço Arquiepiscopal, onde ficará instalado a partir de 20 de Setembro, ao que tudo indica dia da Ordenação episcopal, na Sé de Vila Real.
Na primeira visita à Arquidiocese, depois da nomeação do Papa Bento XVI, D. Manuel Linda esteve reunido com o Arcebispo Primaz e com D. António Couto para ouvir as primeiras indicações dos prelados da Arquidiocese bracarense.
No final da conversa, D. Jorge Ortiga, acompanhado por D. António Couto, mostrou a D. Manuel Linda o Paço Arquiepiscopal e os espaços anexos, particularmente a Galeria dos Arcebispos.
D. Manuel Linda confessou que sente alguma «preocupação» face à nomeação, por se tratar do início de um novo ministério. «Não sei o que é ser bispo», afirmou, mas «sei que venho para uma diocese com uma longa história, que tem sido dirigida por tantos santos Arcebispos, que tem sacerdotes extraordinários e bem formados e ainda um povo de Deus que forma um santo Povo de Deus».
O novo bispo entende a nova missão como colaboração efectiva com o Arcebispo de Braga e com o outro Bispo Auxiliar. «Não venho para fazer coisas, senão aquilo que me pedir o Arcebispo», frisou, prometendo para o seu novo ministério «proximidade afectiva e efectiva» e «simpatia», além de desejar «acalentar a esperança» e «pregar Jesus Cristo crucificado».
D. Manuel Linda deu a conhecer que tem também algumas preocupações pastorais, mas mais ao nível da Igreja universal. Em concreto, apontou a crise vocacional. Embora se manifestem «alguns sinais de superação», o número de padres ordenados não supera o número dos que morrem.
A par da crise vocacional, o novo bispo destacou igualmente a crise familiar. «As famílias estão em crise», afirmou, e isso deve ser motivo de preocupação para todos.
D. Jorge Ortiga, por seu turno, vê a nomeação de D. Manuel Linda como uma graça para a Arquidiocese particularmente por coincidir com o início do Ano Sacerdotal. Segundo o Arcebispo Primaz, tal como estabeleceu o Conselho Presbiteral, a aposta deste ano, do ponto de vista pastoral, passa por os bispos contactarem de uma forma mais próxima e especial com todos os sacerdotes de Braga.
Para o responsável máximo da Arquidiocese, a nomeação do reitor do Seminário de Vila Real, que estudou Humanidades na Faculdade de Filosofia de Braga, não se liga apenas à questão do trabalho pastoral. «O fundamental é o espírito de comunhão que podemos criar entre nós, bispos, e nossa com os sacerdotes», finalizou.

3 de julho de 2009

Festival de Gastronomia de Braga “dá” a provar sabores do Minho



Organização espera 30 a 40 mil visitantes durante os dez dias do certame


O 1.º Festival de Gastronomia de Braga “dá” a provar iguarias de todo o país, com especial destaque para os sabores típicos e tradicionais do Minho. O certame é inaugurado hoje, pelas 19h00, e prolonga-se até ao dia 12, com os organizadores a esperarem entre 30 a 40 mil visitantes, na Praça do Município.
Organizado pela Best Events, o festival gastronómico conta com o apoio da Câmara Municipal de Braga e não se resume às especialidades da cozinha minhota e portuguesa, incluindo a promoção e venda de produtos tradicionais, sem esquecer uma diversificada oferta de animação de rua.
Segundo Jorge Ferreira, da organização, o certame conta com a presença de cinco restaurantes da região de Braga. “Amigos da Canastra” (Póvoa de Varzim), “A Rival” (Amares), “Casa Gil” (Braga), “Adega Regional de Tenões” (Braga) e “Quinta do Esquilo” (Amares) são os cinco restaurantes que, na Praça do Município, vão apresentar 20 especialidades diferentes da gastronomia do Minho e Portugal.
Estes cinco estabelecimentos de restauração vão confeccionar, todos os dias, pratos económicos para o período de almoço, além de outras especialidades.
Não se focando apenas na gastronomia propriamente dita, o 1.º Festival de Braga dedica também uma zona para tasquinhas que farão a exposição, promoção e venda de variados produtos tradicionais de todo o país.
Do Minho ao Algarve, passando pelas Beiras e pelas Ilhas, o certame aposta em “Gijinha” (Óbidos), Pão-de-ló (Ovar), Doçaria Conventual e Amêndoa (Algarve), Fumeiro (Mirandela), Queijos e Enchidos (Serra da Estrela), Doces (Chaves), Pastéis (Tentúgal), Produtos Tradicionais (Madeira), Compotas Artesanais (Portalegre), Adega (Favaios e Guimarães), Vinhos e Queijos (Quinta da Aveleda), Doces Regionais (Santa Maria da Feira), Mel Gourmet, Caipirinha, Licores Regionais e Sangria.
Em paralelo com o festival gastronómico, os promotores prepararam um vasto programa de animação, com música, folclore, animação de rua, grupos de precursão, tunas académicas e dj’s.
Assim, hoje actuam “Sondart Grupo de Precursão”, Grupo Musical “Os Montes” e Estudantina de Braga. Amanhã, a animação fica a cargo de Ludgero Rosas, e no domingo, é a vez do Rancho Folclórico de S. Pedro de Lomar. De segunda, dia 6, a quinta-feira, dia 9, Sérgio Adrego assume a animação da praça, enquanto que, no dia 10, sobe a palco “The other side”. Para os dois últimos dias do certame, estão previstas actuações da Estudantina de Braga e de Tukanos – Música Tradicional, respectivamente.
O 1.º Festival de Gastronomia de Braga vai funcionar, na Praça do Município, durante dez dias, das 12h00 às 24h00, com entrada livre.
Diga-se, ainda, que a pensar nas famílias que têm crianças, a organização disponibiliza um espaço de diversão infantil – com insufláveis – direccionado para os mais novos.



Ana Paula Morais comentou apoio da Câmara
«Nem sempre o dinheiro é o mais importante»

Representando a autarquia bracarense na conferência de imprensa de apresentação do 1.º Festival de Gastronomia de Braga, que decorreu ontem, a vereadora dos pelouros das Actividades Económicas, Mercado Municipal, Cemitérios, Turismo, Recursos Humanos e Freguesias disse que o apoio da Câmara Municipal ao certame não passou pelo apoio económico, mas por uma colaboração ao nível da logística e infraestruturas. E atirou: «nestas coisas, nem sempre o dinheiro é o mais importante».
Para Ana Paula Morais o apoio dado pela autarquia está «dentro da normalidade» face à iniciativa privada. «O papel da autarquia é o de ser um elemento facilitador e dinamizador da iniciativa privada», sustentou a vereadora ao Diário do Minho. Além disso, do ponto de vista da política turística da cidade, «consideramos que esta é uma iniciativa importante para a dinamização turística e económica da cidade», afirmou a responsável pela área do turismo da Câmara Municipal de Braga.
Em concreto, a Câmara cedeu o espaço público localizado na Praça do Município, e criou as condições necessárias – ao nível da disponibilização e colocação de água, luz e som – para a realização do certame.

Sindicato acusa Actaris de violar lei do trabalho

Empresa diz que está dentro da legalidade

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte e Centro (STIENC) acusa a empresa Actaris (ex-Reguladora) de violar a lei do trabalho, ao nível da adaptabilidade do horário laboral. Por seu turno, Adélio Oliveira, da Actaris, garante que a multinacional do sector de material eléctrico e electrónico está dentro da legalidade, cumprindo os requisitos do novo contracto colectivo de trabalho.
Num comunicado enviado à imprensa, o STIENC dá conta que a empresa «afixou uma nota interna onde pretendia que os seus trabalhadores aderissem a um regime de laboração horária, que o Código do Trabalho apelida de “adaptabilidade”, e que considera possível, desde que a maioria dos seus trabalhadores, quando consultados, expressem essa aceitação».
Contudo, tal como «nos termos previstos no Código do Trabalho, os trabalhadores expressaram, por maioria esmagadora, a sua não aceitação à alteração horária que a empresa propunha, visto a mesma colidir, de forma irreconciliável, com os seus interesses particulares».
O organismo sindical aponta que a empresa, «que só tinha que acatar a decisão dos seus trabalhadores, não só o não fez como, de forma inqualificável, voltou à carga com a sua intenção inicial, voltando, passado uma semana, a colocar a mesma intenção aos seus trabalhadores, de recorrer à adaptabilidade horária». No mesmo registo, «os trabalhadores invalidaram as pretensões da empresa pela segunda vez».
O documento do STIENC refere que «para espanto de todos, a empresa, no pagamento do salário de Junho, descontou aos trabalhadores um valor correspondente a oito horas, com falta injustificada, considerando que, pela proposta que colocou à consideração dos trabalhadores e que estes rejeitaram, estes estariam obrigados ao cumprimento da alteração horária, mandando às malvas as considerações previstas no Código do Trabalho e a decisão dos trabalhadores».
Considerando a gravidade da situação, o sindicato enviou um ofício à Gerência da Actaris, «manifestando a sua estupefacção pelo sucedido», e «solicitou, com carácter urgente, a intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho, esperando que a legalidade seja reposta, imediatamente».

Empresa está dentro da lei
Do lado da empresa, Adélio Oliveira manifestou que a questão está em fase de negociação com os trabalhadores, ressalvando, no entanto, que «desde 2006, que a Actaris está a funcionar no regime de adaptabilidade de horário».
A pretensa “guerra” que agora surge, parece ser motivada por alguns trabalhadores, alimentados por alguns sindicalistas, como denuncia o responsável, apontando o registo imaculado da centenária empresa ao nível do cumprimento das suas obrigações para com os trabalhadores.
Adélio Oliveira sustentou que a política seguida pela empresa com a finalidade de acabar com os turnos de trabalho, além de estar prevista no novo Código do Trabalho, foi a forma encontrada de manter a estabilidade económico-financeira da Actaris, sem recorrer a despedimentos ou ao lay-ff.

2 de julho de 2009

Isabel Figueira surpreendente!

Isabel Figueira surpreendente!

http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=679#

Crónica de um mau atendimento!

No passado sábado estive na Eucaristia das 18h00, na igreja de S. Vicente, em Braga, por ser o sétimo dia de falecimento de um amigo. Apesar do calor, que levou algumas pessoas a abandonarem o espaço celebrativo (pense-se em alguma solução para isto!), a missa decorreu sem problemas.
O pior estava para vir. No momento em que venho a chegar ao adro, deparo-me com um senhor de meia idade que estava a ter – o que me pareceu ser – um acidente cardiovascular.
Bom, não consigo descrever aqui os minutos seguintes dada a intensidade, a emotividade e a agitação que tomou conta daquele lugar. É, de alguma forma, perceptível a atitude de preocupação dos familiares, mas nestas situações não ajuda em nada a pessoa que está a ser vítima do ataque.
É nesta altura que começa um “corridinho” de pessoas a ligar para as emergências. O ridículo é que do outro lado da linha estaria alguém, se calhar até muito simpático(a), a atender e a fazer um inquérito pormenorizado sobre a situação. Mais pergunta, mais resposta e já o senhor estava deitado no chão há mais de três ou quatro minutos.
Cerca de 15 minutos depois do incidente lá chegou uma ambulância com dois bombeiros. Mas, equipa médica do INEM nem vê-la.
Por acaso quando chegaram já o senhor estava mais ou menos estabilizado porque no local e, de alguma forma, superior aos gritos, ao rebuliço e à confusão estava uma estudante de enfermagem. A jovem bracarense – familiar do meu amigo falecido – tentou e lá conseguiu amainar a situação e estabilizar a vítima.
Mas, pergunto-me: E se não tivesse conseguido? E se o senhor não recuperasse? O que iriam fazer os dois bombeiros naquela situação? Onde andava o veículo de emergência médica e reabilitação?
Também não percebo como dos Bombeiros de Braga até à igreja de S. Vicente se demora tanto tempo. Das quatro uma: ou não havia ambulância disponível; ou havia ambulância e não havia pessoal para a guiar; ou as ruas de Braga são tão confusas e “entupidas” que as ambulâncias vêem-se “à nora” para passar; ou – infelizmente às vezes parece que é assim – andamos a brincar com coisas sérias.

1 de julho de 2009

Braga acolhe a mais abrangente associação de apoio a deficientes


“Nunca! Mas! Nunca Desistas” foi ontem oficializada


A cidade de Braga tem, desde ontem, a sede da mais abrangente associação destinada a apoiar pessoas com deficiência. A Associação “Nunca! Mas! Nunca Desistas” foi ontem constituída por escritura pública e resulta de um sonho de João Paulo Correia, um jovem portador de deficiência motora, o primeiro a conseguir uma medalha de ouro para Portugal, na categoria de Atletismo em cadeira de rodas, nos Jogos Paraolímpicos, em 2003.
João Correia assegurou, à margem da cerimónia da assinatura que permitiu a constituição da associação, que o princípio basilar é apoiar todas as pessoa com deficiência em todas as idades. É esta base e este princípio que leva o presidente a sustentar que a Associação “Nunca! Mas! Nunca Desistas” é a mais abrangente em território nacional, porque as respostas existentes ao nível da deficiência são muito direccionadas e sectoriais.
João Correia disse que a constituição da associação se trata de um primeiro passo, uma vez que, daqui a um ano, «esperamos constituir esta associação como fundação».
Por um lado, a associação pretende ajudar as pessoas deficientes com cuidados médicos, de saúde, particularmente ao nível da fisioterapia, mas a sua missão vai mais adiante ao pretender ser «uma palavra amiga e encorajadora» para as pessoas isoladas, em virtude de qualquer deficiência.
Outra vertente que a Associação “Nunca! Mas! Nunca Desistas” tem passa pelo apoio a atletas paraolímpicos. «Deparei-me com muitas dificuldades de ser atleta paraolímpico» disse João Correia, denunciando que «a legislação para proteger estas pessoas é quase inexistente».
Nesta linha, a associação nasceu das próprias dificuldades sentidas por João Correia e da constatação de que existem muitas pessoas portadoras de deficiência com as mesmas dificuldades e sem qualquer apoio.
Para já a associação conta com o apoio da Câmara Municipal de Braga, embora estejam já acordadas várias parcerias com Juntas de Freguesia do concelho.
A Associação “Nunca! Mas! Nunca Desistas” está sediada no Mercado do Carandá e pretende de momento atender as pessoas e proceder ao encaminhamento para as entidades capazes de responder às suas necessidades. Todavia, no futuro, «queremos ter uma equipa capaz de tratar e atender cada pessoa nos nossos espaços», e isso deverá ser conseguido com a constituição da fundação.
Finalmente, os responsáveis não fecham a porta à possibilidade de alargar a associação a um âmbito nacional.

29 de junho de 2009

Murmúrios de água



Murmúrios de água
Invadem a minha calma interior.
E deixo-me ir nessa música
Nesse som que me eleva
E me leva mais além.

Não sei para onde vou
Mas sei que me sinto bem
Deixando-me ir.

Talvez seja ela
Que quer que eu vá
E lá me possa pensar
Sempre mais fundo.

Por isso, eu me deixo embalar
Nesse suave burburinho
Que da água soa, baixinho,
E onde eu quero navegar.


JAC 2007

26 de junho de 2009

Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo



Confortas-me, Senhor, com a tua Palavra.
Reconfortas-me sempre que caio.
Estendes a mão e tiras-me do lamaçal
Dás-me alento e esperança.

Peço perdão por tantas quedas
Tantas desilusões que causo.
Reconheço-me fraco e limitado.

Diante desta minha condição,
Tu te manifestas ressuscitado.

Agradeço a tua compreensão, o teu amor,
A tua confiança e a tua pedagogia,
O teu modo de estar e o teu jeito de ser.

Quero corresponder ao chamamento de amor
E ao seguimento.

Quero seguir-Te amando-Te mais do que tudo,
Sem reservas, sem planos ,só confiando.

Que eu saiba só amar e dizer
“Tu sabes tudo, bem sabes que te amo”.

25 de junho de 2009

A vida e a morte de mãos dadas

A vida não é só morrer mas também o é. Este é o começo de uma poesia que escrevi há algum tempo. Efectivamente é verdade. A vida e a morte são tão... próximas... parece que andam de mão dada.

Partilho convosco a minha experiência destes últimos dias: no domingo morreu um amigo meu, vítima de uma doença prolongada, mas morreu sem ninguém estar preparado. Nunca estamos preparados para "ver" morrer. Para a nossa morte devemos, na medida do possível estar... "Vigiai porque não sabeis o dia nem a hora".

Mas... o funeral foi terça-feira. Porque era meu amigo, porque sou amigo da família, presidi ao funeral, ainda que não à Eucaristia de corpo presente... Foi difícil, mas a fé, efectivamente, traz-nos aquela força, aquela paz, aquela confiança, aquela serenidade que não pensamos nunca alcançar num momento daqueles. Disse na homilia do funeral :"até para os que crêem a morte de um ente querido é uma experiência dolorosa e difícil de suportar". Para mim também foi.

Ontem, presidi ao baptismo do filho de uma colega minha de escola. Ao baptizar o Martim, no dia a seguir ao funeral do Monteiro, senti como a vida é algo de tão belo, cheio de alegria e com uma neblina de tristeza e insegurança a envolver.

Sinto que de alguma forma a morte foi o baptismo último do Monteiro em que ele renasceu para a vida eterna e definitiva com Cristo. Ele está agora nas núpcias do Cordeiro. O Martim renasce para a vida de filho amado de Deus.

Estas duas experiências, simultaneamente humanas e divinas, fizeram-me contactar com a realidade da vida a nascer e a morrer. Mas nas duas senti o selo da presença amorosa de Deus.

A nossa fé vai-se alimentando do corpo e do sangue de Cristo, da Palavra e dos sacramentos mas também destas experiências que vão trespassando a nossa vida.


Este era o poema que iria ler na missa do funeral. Acabei por não o fazer...

Ó Jesus, depõe este corpo
nas mãos do Teu e nosso Pai.
Coloca todo o peso da sua vida
não na balança
mas entre os braços do Pai.
Para onde poderemos fugir?
Onde nos poderemos enconder
senão junto de Ti,
que és irmão e companheiro nas amarguras
e que sofreste e amaste cada homem como irmão?
Senhor do eterno amor,
Coração de todos os corações
- ó coração trespassado, paciente,
indizivelmente bom; -
Vida de todas as vidas
Ressurreição de todos os homens:
acolhe com piedade e amor
o nosso amigo.
E quando a nossa peregrinação cessar
quando se aproximar o fim
o declinar do dia
e o envolvimento das sombras
envia-nos, com bondade, a tua Palavra de vida:
«Pai nas tuas mãos, entrego o meu espírito».
Ó meu bom Jesus. Amém.

23 de junho de 2009

À falta de melhor, Paciência!

Este é o meu segundo “deste lado” que dedico ao tema sempre muito discutível do futebol. Não que tenha grandes revelações a fazer ou opiniões importantes a dar. Apenas quero traçar um breve comentário sobre a actual conjectura futebolística nacional.
Primeiro: Destaco a “guerra” no Vitória de Guimarães para relembrar que nenhum reino dividido contra si mesmo poderá subsistir. Não consigo perceber como no Vitória acontecem tantos episódios destes. É difícil um treinador sair a bem de Guimarães...
Segundo: Afinal Cissokho é bom para o Porto, mas não suficientemente bom para o Milan, ainda que o problema seja a dentição. Mas podia ser outro qualquer, até mesmo o não ter qualidade para jogar num “gigante europeu”.
Terceiro: Agrada-me a postura dos responsáveis do Sporting. Dos “três grandes”, aparenta ser o clube mais sereno, mesmo depois de um processo eleitoral que escolheu um novo presidente. Todavia, preocupa-me a contratação do “10”. Já tantos passaram ao lado no Sporting que nem sei que pensar... Espero para ver.
Quarto: Depois da “novela” Quique Flores/Jorge Jesus surge agora outra: as eleições para a presidência do SLB. Pergunto-me se não deveria ser o contrário: escolher o presidente e depois o escolhido pensar, com a restante direcção, no treinador. A não ser que antecipadamente Vieira seja já e de novo o presidente. No Benfica as coisas funcionam ao contrário...
Último – não por ser menos importante, mas por ser mais recente na ordem do dia – O Braga meteu-se (se calhar sem querer, não sei) na novela do Benfica. Agora, depois de Jesus – como tanto queria – ir “pregar” para a Luz, o Braga lá arranjou treinador. Fiquei animado quando ouvi falar de Nelo Vingada e também de Quique, mesmo sabendo que este seria muito difícil. Bom, assim sendo, é caso para dizer: À falta de melhor, Paciência!
Espero que Domingos consiga cumprir o contrato e os objectivos traçados – tarefa difícil porque António Salvador está a apertar os cordões à bolsa. No entanto, se não conseguir, paciência!



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Pena que o Guimarães tenha despedido o Cajuda. O Manuel voltou a morrer pela boca...

infelizmente

só felizmente se vier o Quique.

Mas pode vir a ser Nolo Vingada...


guerras entre os clubes do Minho!...

19 de junho de 2009

Sou feliz quando…


Amanhã o meu grupo da catequese celebra a Festa das Bem-aventuranças. Partilho o que lhes vamos oferecer, junto ao diploma...


Sou feliz quando sou pobre,

Quando não me apego ao material;

Assim sou livre e estou disponível

E comprometo-me na felicidade dos outros.

 

Sou feliz quando no coração tenho pureza,

Quando os meus critérios

São orientados pela ternura e amizade

Contribuindo para uma harmonia universal.

 

Sou feliz quando me comprometo com a justiça,

Se me torno defensor dos injustiçados,

Dos sofredores e excluídos

Que, felizmente, são os Teus preferidos.

 

Sou feliz quando sou manso,

Quando sou prudente nas relações,

Não reaccionário e primário

Quando pondero e uso de prudência.

 

Sou feliz quando sou misericordioso,

Quando perdoo o que me ofende,

Para ser perdoado quando ofendo

Quando do meu íntimo saem atitudes

De clemência, compaixão e amor

Por todos as criaturas de Deus.

 

Sou feliz quando promovo a paz,

Quando instauro para mim

A obrigação de lutar pela paz

E quando a procuro viver nas relações todas.

 

Sou feliz quando choro,

Quando sofro tantas feridas

Unidas ao sofrimento redentor de Cristo,

Quando sinto, vejo e aceito

O choro dos irmãos

E ajudo à sua consolação.

 

Sou feliz quando sou perseguido

Por causa de uma vida digna à imagem de Jesus,

Quando me olham de lado

Por viver iluminado pela luz de Deus.

 

Sou feliz sempre,

Seja qual for a minha situação,

A minha necessidade ou tribulação,

Logo que esteja com Jesus.

 

Sou feliz porque deixo que sejas Tu o meu refúgio,

O meu porto seguro,

O meu conforto, o meu abraço,

O meu sustento e a minha vida

O meu alimento e o meu guia.

 

Sou feliz quando és o meu centro

Que me deixo centrar em Ti;

 

Sou feliz até na morte

Se o meu sentido tem a tua orientação

Que leva à ressurreição e à vida.

 

Sou feliz, Jesus,

Porque aceito a Tua proposta de felicidade.

 

inédito

José António Carneiro

Arcebispo critica atrasos de comissão prevista na Concordata


No encerramento do Conselho Nacional dos Bens Culturais da Igreja

O Arcebispo de Braga criticou ontem os atrasos no trabalho incumbido a uma Comissão criada entre República Portuguesa e a Igreja Católica, para estudar o desenvolvimento da cooperação quanto a bens da Igreja que integrem o património cultural português, no âmbito da Concordata assinada em 2004.

Na conclusão do II Conselho Nacional dos Bens Culturais da Igreja, diante do director-geral da Direcção Geral dos Arquivos, Silvestre Lacerda, D. Jorge Ortiga defendeu a necessidade desta comissão começar a funcionar, volvidos que estão mais de cinco anos desde a entrada em funcionamento da Concordata entre a Santa Sé e Portugal.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa vincou a necessidade de «pôr a funcionar» o estipulado pela Concordata, concretamente ao nível da questão dos bens da Igreja. O documento assinado entre Portugal e a Santa Sé aponta, no número 3 do artigo 23, que «as autoridades competentes da República Portuguesa e as da Igreja Católica acordam em criar uma Comissão bilateral para o desenvolvimento da cooperação quanto a bens da Igreja que integram o património cultural português». Foi precisamente sobre a ausência de trabalho desta comissão que o Arcebispo lançou críticas, apontando que apenas realizou «uma ou duas» reuniões. 

«Estamos todos a trabalhar para a mesma sociedade», disse o prelado, anotando e valorizando, por outro lado, os projectos de colaboração que já vão sendo feitos entre Estado e Igreja, particularmente a disponibilização na web dos registos de baptismo, casamento e óbito desde o século XVI até aos dias de hoje, como apontou, ontem, Silvestre Lacerda.

Criticando a «falta de cultura da memória», D. Jorge Ortiga formulou votos para que as comunidades, a Igreja e as instituições exercitem o «fazer e o produzir documentação». Exaltando a qualidade técnica exigida no trabalho de preservação dos Arquivos Eclesiásticos, o prelado exortou à «articulação de sinergias entre instituições», dando nota do desejo que a Arquidiocese de Braga tem de centralizar e de criar condições para que paróquias, movimentos, associações de fiéis, confrarias e irmandades estimem e preservem o seu património documental.

Antes da intervenção de D. Jorge Ortiga, D. João Lavrador apontou os arquivos como «manancial de vida» e como «valor e tesouro» que é memória do passado. O Bispo Auxiliar do Porto e vogal da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais citou João Paulo II para destacar a «finalidade evangelizadora» dos bens culturais da Igreja, bem como a sua dimensão «cultural e humanística». E pediu que a Igreja se englobe neste trabalho, concretamente através do apoio e ajuda que as dioceses maiores podem dar às mais pequenas, sendo sinal visível da comunhão eclesial.

Disponibilizados na web

registos deste o século XVI

 Na sua intervenção, o director-geral da Direcção Geral dos Arquivos começou por destacar a preocupação manifestada pela Igreja no que respeita aos arquivos, saudando a realização do evento que ontem terminou no Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese de Braga. Silvestre Lacerda defendeu que é importante apostar na perspectiva integrada da gestão dos mesmos, assim como na qualificação dos técnicos arquivistas.

O também responsável pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo indicou que aquele organismo colocou na internet mais de 100 mil imagens relativas a registos de baptismo, casamentos e óbitos desde o século XVI. Para já estão colocados registos relativos às dioceses do Porto, Vila Real e Lisboa, estando já digitalizados os de Portalegre e Faro. O projecto arrancou em 2008 e está a caminhar em «bom ritmo» para que «brevemente» estejam disponíveis todos os registos, que são até uma mais-valia no processo de obtenção da dupla nacionalidade.    


Prioridade é sensibilizar a hierarquia da Igreja

 O II Conselho Nacional dos Bens Culturais da Igreja estabeleceu ontem como prioridade deste organismo a sensibilização da hierarquia da Igreja e também das comunidades cristãs no que concerne à questão dos arquivos eclesiásticos, bem como a criação de um grupo técnico de trabalho a nível nacional. João Soalheiro estipulou ainda o desejo de levar a Bilbau uma equipa de bispos portugueses e técnicos arquivistas das dioceses portuguesas para conhecer o trabalho desenvolvido naquela diocese de Espanha, ao nível do arquivo histórico e eclesiástico.

No último dia dos trabalhos do Conselho Nacional dos Bens Culturais da Igreja, que decorreu em Braga, os participantes debateram os pontos fortes e fracos da política arquivista da Igreja e estabeleceram, em nove pontos, as prioridades para os próximos anos, num âmbito – os arquivos eclesiásticos – que foram e são, em alguns casos, o “parente pobre” do vasto património da Igreja.

Concretamente foi apresentada e defendida a necessidade da constituição de uma equipa ou grupo técnico, quer a nível nacional quer a nível das dioceses portuguesas. Este grupo deverá trabalhar junto do secretariado nacional, com a presença de um bispo, e deverá possuir capacidade de criar e estabelecer orientações normativas para a Igreja Católica portuguesa.

Outro elemento apontado como urgência tem a ver com a sensibilização para a preservação do património documental da Igreja e para a formação dos técnicos. A sensibilização deve ser alargada, incluindo a hierarquia da Igreja, concretamente bispos e sacerdotes, mas deve também ser tida em conta na própria formação dos seminaristas. Além do mais, porque a questão da arquivística da Igreja será cada vez mais base de diálogo com a sociedade civil, convirá, segundo os conselheiros, incluir e abranger a própria sociedade civil e as suas estruturas.

A organização de um encontro nacional de arquivistas eclesiásticos, «não na sacristia, mas em locais onde possa haver diálogo com a sociedade», é, para João Soalheiro, uma das formas encontradas para responder à necessidade de sensibilização e formação na área do património documental e arquivos da Igreja.

Neste âmbito, o Conselho Nacional dos Bens Culturais da Igreja decidiu, dentro das suas competências, desafiar o presidente de Conferência Episcopal Portuguesa e mais alguns bispos, que, acompanhados por uma comitiva de técnicos arquivistas das dioceses, possam visitar e conhecer o trabalho desenvolvido pela e na diocese de Bilbau, por ser um dos mais conceituados em Espanha.

No Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese, representantes das 21 dioceses portuguesas e de várias instituições eclesiais da área dos bens culturais e patrimoniais apontaram algumas lacunas ao nível da política arquivista da Igreja. Escassez de recursos económicos e financiamentos, inexistência de um diagnóstico nacional e diocesano ao nível da situação dos arquivos das Igrejas particulares, falta de consciência para a importância da preservação do património documental e inadequação e inexistência de infra-estruturas capazes de acolher o vasto património documental foram alguns dos pontos fracos elencados. 

João Soalheiro alertou também para a necessidade de se estabelecer contactos e articulações com as Cúrias diocesanas que são motores de produção documental. «Os Arquivos Eclesiásticos devem trabalhar em simbiose com as Cúrias», sustentou.

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...