30 de dezembro de 2009
Congresso Sacerdotal em Braga
Em pleno Ano Sacerdotal, em ano de celebração, o Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo de Braga promove de 12 a 15 de Janeiro um Congresso Internacional sobre o Presbítero. É aberto a toda as pessoas, não só clérigos.
O programa é apetecível...
Os conferencistas de peso e renome...
com alguns momentos culturais...
Podem dar uma vista de olhos no site e quem sabe inscreverem-se.... Eu vou!!!
http://www.congressosacerdotal.com/
28 de dezembro de 2009
Blogue do Arciprestado de Águeda
O Arciprestado de Águeda tem já em experimentação um blogue (arciprestadoagueda.blogspot.com). A ideia surgiu na última reunião do Clero deste arciprestado e incumbiram-me da missão. Aceitei e está em fase incipiente, à espera do contrinuto de todos os que se incluem neste espaço geográfico ou de todas as pessoas que queiram partilhar conhecimentos, propostas e sugestões... Está também criado o email do arciprestado (arciprestadoagueda@hotmail.com)
Como se pode ler no texto de lançamento: "Este é o início de um espaço que pretende ser formativo e informativo, lugar de encontro, de comunhão e de partilha. Um espaço ecclesial".
O futuro trará novas oportunidades. Peço que adicionem este espaço que também trabalharei nele.
Obrigado a todos. Vmos construir Igreja melhor.
Ah, aproveito para dizer que também o Serviço Diocesano de Acólitos de Aveiro está numa rede social (http://sdacolitosaveiro.ning.com/?xg_source=badge)
cumprimentos a todos
Um feliz 2010 para todos
Como se pode ler no texto de lançamento: "Este é o início de um espaço que pretende ser formativo e informativo, lugar de encontro, de comunhão e de partilha. Um espaço ecclesial".
O futuro trará novas oportunidades. Peço que adicionem este espaço que também trabalharei nele.
Obrigado a todos. Vmos construir Igreja melhor.
Ah, aproveito para dizer que também o Serviço Diocesano de Acólitos de Aveiro está numa rede social (http://sdacolitosaveiro.ning.com/?xg_source=badge)
cumprimentos a todos
Um feliz 2010 para todos
23 de dezembro de 2009
Litania de Natal
A noite fora longa, escura, fria.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.
José Régio
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.
José Régio
Ainda não é Natal
É Natal,
Ou talvez não,
Pois afinal,
O povo que viu a luz,
Ainda está na escuridão.
É Natal,
Mas não em lar muito farto
Dos que matam a esperança
Ou adiam o seu parto.
É Natal,
Mas não de Jesus,
Enquanto o egoísmo impedir
O amor de dar à luz
É Natal,
Mas não no hipermercado
Onde as compras e anúncios
Dispensam o Anunciado.
É Natal,
Mas não nas lojas e nas montras
Que adoram o Pai Natal
Como ídolo das compras.
É Natal,
Mas não nos bairros degradados
Em que nascem novos Cristos
Para serem crucificados.
Não é ainda Natal…
Mas basta um Francisco de Assis
Mostrar-nos Belém tal e qual
Para ser Noite Feliz.
Adaptado Isidro Lamelas
19 de dezembro de 2009
IV Domingo do Advento: Ele está à porta...
Acolhei
Um nome, mais que designativo, é uma missão!
“Deus salva” porque Jesus nasce.
É essa a sua missão: fazer que Deus salve.
Mas, para cumprir a missão
Jesus precisa de nós.
E o que pede?
Abertura de coração,
acolhimento de pessoas.
Quer que abramos as portas e janelas da nossa casa interior.
Não basta, contudo, abrir para acolher.
É necessário preparar, fazer limpezas,
colocar flores, preparar o banquete,
arranjar um presente...
(Maria acolheu Jesus no seio...
José acolheu Maria (com Jesus) em casa...
Nós acolhemos Jesus, com Maria e José, na nossa casa, no nosso coração).
É assim que quero preparar o meu coração
para que no silêncio e na simplicidade do presépio familiar
eu possa acolher e celebrar
um nascimento amoroso:
o de Deus feito Menino, Salvador.
JAC 2007
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Como Maria
Senhor precisas de mim
como precisaste de Maria
e queres contar comigo nos teus projectos.
Sabes os meus dons, as minhas forças e fraquezas.
Também sabias as de Maria,
e mesmo assim olhaste-a como cheia de graça
Porque cheia de Ti.
Mas, ao contrário da Senhora, eu hesito,
Distraio-me, ando atarefado,
apressado e atolado em mil e uma coisas.
Maria é serena, acolhe-Te sem reservas.
Toda inteira se entrega a Ti:
Um Sim generoso e fiel.
Preciso da coragem de Maria
Pronta a entregar-se, a doar-se por amor
E não por vanglória.
Vem nascer em meu coração.
Mesmo que não seja como o de Maria
Transforma-o à Tua e à sua imagem.
JAC 2008
18 de dezembro de 2009
20.º dia de Advento. Ó Menino Deus, vem resgatar-nos com o poder do teu braço!
Chegamos à segunda dezena de dias de preparação para o Natal. E já está a acabar. É tão curto, mas tão cheio e tão profundo… que deixa pena. E esta iniciativa – apesar de dar trabalho (quanto me custou hoje escrever este texto!!! O tempo não dá para tudo!) – tem-se revelado fantástica e enriquecedora. Todos temos aproveitado, com certeza…
Mas como tempo de preparação que é, é bom e salutar que o Advento passe para que, mais depressa, chegue o motivo da nossa preparação: Jesus Cristo, o Emanuel, Deus-connosco, o Menino Deus.
Estamos no que podemos chamar “Semana Santa do Advento” que iniciamos ontem, a Novena do Menino, que em tantas terras se celebra.
E a própria liturgia muda de tom. Tudo se orienta para o Natal. Todos os olhos se concentram em Jesus, o Prometido, a Promessa. Somos convidados a viver com mais alegria, pondo-nos também na pele daqueles que viveram in loco o nascimento de Jesus – Maria, José, Zacarias, Isabel…
Os Evangelhos apontam já para o nascimento de Jesus, e as leituras elencam relatos e anúncios das promessas de Deus no AT, que também se direccionam para Jesus, o Messias da descendência de David. A própria liturgia das Horas, em jeito lírico, abre portas ao Natal, concretamente com as conhecidas “Antífonas do Ó” (Hora de Vésperas).
Ora, todas estas alterações devem também fazer mudar o nosso coração. É grande o mistério do Natal. Aquilo que peço hoje, para mim e para quem quiser abraçar o desafio, é que deixemos espaço para que ele aconteça na nossa vida: o Natal é o mistério do Deus rebaixado e do homem elevado!...
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Comprometo-me a abrir as portas do meu coração a Cristo. Grito como João Paulo II: “Aperite portas Redemptori” (Abri as portas ao Redentor). Vivamos o Natal. Não o deixemos passar ao lado.
Com as palavras do padre Tolentino de Mendonça rezo para que seja Natal em mim e em Ti! E com estas palavras e porque de hoje a oito dias é Natal desejo já para todos um Santíssimo Natal com a bênção da presença do Menino no teu coração!
Natal: Deus rebaixado, homem elevado
O Natal é muitas coisas. Nas suas origens está a festa romana do solstício de Inverno, como um convite a celebrar a vida que cresce, a natureza que vence a obscuridade, a noite e a morte, o sol que volta a ser potente e pujante. É festa de reencontro e de calor, festa de exuberância, de potência e de um certo excesso.
Não está radicalmente mal, que estes dias sejam para todos, cristãos incluídos, dias de excesso. Não se pode é deixar permitir que o excesso se reflicta apenas na comida e na bebida, nos presentes e no consumismo, não se repercutindo, mais que tudo, nos bons desejos e nas boas vontades.
Para os cristãos, o fulcro é a celebração da festa da presença intensíssima do Filho de Deus e esses bons desejos devem encher-se e incluir a fraternidade.
Deixar que o Menino nasça verdadeiramente no coração de cada um, deixar que Ele inunde a nossa vida de bênçãos e de graças – Ele que é a Bênção e a Graça – é o mais importante nesta quadra.
Que se aproveite este tempo para uma sentida e vivida reunião familiar. Que o Natal seja também e fundamentalmente festa da família, de encontro e de partilha à volta da mesa da refeição.
O tempo litúrgico do Natal é curto, cinge-se a alguns dias. Mas é grande o mistério que nele e por ele se celebra: o mistério da Encarnação do Verbo – mistério grande de Deus que se rebaixa para elevar o homem. Tudo concentrado no simples e singelo quadro do Presépio que podemos e devemos adorar.
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Comprometo-me a abrir as portas do meu coração a Cristo. Grito como João Paulo II: “Aperite portas Redemptori” (Abri as portas ao Redentor). Vivamos o Natal. Não o deixemos passar ao lado.
Com as palavras do padre Tolentino de Mendonça rezo para que seja Natal em mim e em Ti! E com estas palavras e porque de hoje a oito dias é Natal desejo já para todos um Santíssimo Natal com a bênção da presença do Menino no teu coração!
O Natal não é ornamento: é fermento
É um impulso divino que irrompe pelo interior da história
Uma expectativa de semente lançada
Um alvoroço que nos acorda
para a dicção surpreendente que Deus faz
da nossa humanidade
O Natal não é ornamento: é fermento
Dentro de nós recria, amplia, expande
O Natal não se confunde com o tráfico sonolento dos símbolos
nem se deixa aprisionar ao consumismo sonoro de ocasião
A simplicidade que nos propõe
não é o simplismo ágil das frases-feitas
Os gestos que melhor o desenham
não são os da coreografia previsível das convenções
O Natal não é ornamento: é movimento
Teremos sempre de caminhar para o encontrar!
Entre a noite e o dia
Entre a tarefa e o dom
Entre o nosso conhecimento e o nosso desejo
Entre a palavra e o silêncio que buscamos
Uma estrela nos guiará.
Tolentino de Mendonça
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16 de dezembro de 2009
III Domingo do Advento - a passos largos para o Natal
O Inverno vai adiantado
Mas é necessário esperar a primavera.
As flores e os frutos voltarão
Do deserto e da aridez há-de jorrar água viva.
A solidão há-de florir
E cobrir-se de alegria.
É urgente dar oportunidade à esperança:
Esperar com paciência
Aquele que já está no nosso meio.
Ele anda por aí e não o vemos.
Mas esperemo-Lo
E alcançaremos o dom maravilhoso da sua presença.
Vivamos unidos a Ele
Na certeza de que um dia sem Ele
É deixar-nos morrer.
Alegremo-nos, Ele está connosco.
É Emanuel e virá de novo para não mais nos deixar
Porque nunca desiste de nós
E procura-nos em todos os lugares.
JAC 2008
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Ide
Uma ordem, um pedido, uma missão!
Contar o que vemos, o que ouvimos
é a proposta que fazes, Senhor!
Como a Jeremias o Senhor pergunta: “Que vês tu?”
E eu respondo: vejo lama, lodo, lamaçal
destruição e guerra, miséria e fome.
Vejo caos.
Sim Senhor, vejo isso tudo!
Mas vejo a esperança que vem,
“vejo um ramo de amendoeira”
Vejo algo a germinar,
vejo cegos que vêem, vejo coxos a andar,
surdos que ouvem e mudos que bradam em alta voz.
Vejo um mundo novo a nascer, a partir de Ti.
Vejo a esperança,
a possibilidade de um futuro novo, uma nova ordem.
Vejo um reino que nasce e renasce
onde os pequenos são grandes e os débeis e frágeis são poderosos.
É o teu reino, Senhor,
é esse que queremos anunciar ao mundo
essa boa notícia a despontar e a florir na nossa vida.
JAC 2007
15 de dezembro de 2009
Luz da Páscoa é acesa no Natal
O frio de Dezembro propicia a reunião da família, apontando para o dia 25. Mês de fundamental importância porque celebramos o Nascimento do Menino Deus, que vindo ao mundo na fragilidade da natureza humana se aproxima de nós para nos elevar até à sua altura e estatura. Admirável “comércio” este de um Deus que se rebaixa para elevar a humanidade.
Mês do cumprimento dos sonhos: Em primeiro, do sonho de Deus, que se quer aproximar, rebaixar, quer montar a sua tenda no meio de nós, para habitar connosco. Sonho divino de um mundo novo, de paz e de prosperidade. Sonho de uma fraternidade estendida a todas as franjas da sociedade. Depois, mês do cumprimento dos nossos sonhos humanos que precisam que os recentremos em Deus. Fazer que os nossos sonhos estejam em sintonia com os sonhos de Deus. Como escreveu o padre Tolentino Mendonça: “Queres saber de que cor são os sonhos de Deus? / Volta a olhar o mundo pela primeira vez”.
O Advento é tempo de espera. As mulheres são mais conhecedoras – até fisicamente – do verbo esperar. Advento é hora de preparar a Páscoa. A marcha do tempo da liturgia orienta os nossos passos para Jerusalém, para o Gólgota da nossa salvação, para a gruta da ressurreição.
Preparando e celebrando o Natal de Jesus, é imperioso olhar já a noite da nossa salvação. Noite de Páscoa, de luz, de entrega, de abandono, de doação, de serviço. Claro que esta é precedida pela noite do nascimento, humilde e silencioso, alegre e feliz, tal como são as coisas de Deus.
A luz do presépio de Belém aponta a luz e o brilho do sepulcro vazio, da vitória da vida sobre a morte, pelo Vivente. A luz da Páscoa é, assim, acesa na noite de Natal!
texto publicado no Jornal Paroquial "Caminhando" (Dezembro) da Unidade Pastoral de Águeda
11 de dezembro de 2009
Advento: 13.º dia – paciência no tempo da pressa
A nossa caminhada terrena e adventícia continua não como marcha militar, mas como singelo e lento peregrinar. Peregrinamos como quem dança. Este é o ritmo do caminho daqueles que vivem e vão rumo a Deus.
Quem quer ir ao encontro de Deus não o pode fazer depressa e a correr, mas lentamente, saboreando e sentindo cada passo, cada recta, cada curva, cada subida, cada descida, cada monte e cada vale…
Ir para Deus, ir ao encontro de Deus, é ir com paciência ou seja, ir “sofrendo” e sentindo o peregrinar, a dor dos passos – ora bem, ora mal dados – uma vezes com “via-verde”, outras por atalhos…
Ora é de paciência que falo hoje. Porque se trata de uma virtude/atitude fundamentalíssima deste tempo, desta propedêutica para o Natal.
É Tiago que nos pede: «Esperai com paciência a vinda do Senhor: vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva têmpora e a tardia. Sede pacientes e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima» (Tg 5, 7-8).
Cristo fala-nos variadíssimas vezes da paciência no seu percurso terreno. Recordemos as muitas parábolas sobre o Reino: semeador (Mt 13, 1-8), a do trigo e da cizânia (Mt 13, 24-39), semente (Mc 4, 26-29), entre outras.
Não se trata de um paciência amorfa e ineficaz. Trata-se de uma paciência, alegre e expectante, eficiente e produtiva, comprometida, corresponsável e séria, porque há algo novo – imensamente melhor – que vem já.
Claro que vivemos num tempo impaciente. Todos experimentamos isso mesmo. Nada queremos aguardar e esperar. Vivemos num tempo desesperante que pode levar ao desespero...
O nosso tempo está cinzento e é precisamente nestas horas que assume primordial importância esta virtude da paciência. Esta está agarrada, por um lado, à confiança e à esperança e, por outro, à tranquilidade, à serenidade e à paz. E Cristo é a nossa esperança, a nossa fé, a nossa paz.
Quero que este advento seja “dia dos modestos princípios” (Zc 4, 10) que é como quem diz, dia das coisas pequenas. Comprometo-me a fomentar, a potenciar, a fazer crescer, a cultivar a paciência na minha vida, nos gestos e atitudes, no contacto com as pessoas, no ministério e na acção pastoral.
Confio e espero pacientemente este Deus Menino – que quer reinar num mundo cheio de esquemas e de pressa – sem qualquer tipo de esquemas e planos.
Vinde, Senhor: a Igreja Vos espera,
Sol de justiça, eterna primavera.
Vinde, Senhor: a Terra Vos procura,
Vós sois a Luz de toda a criatura.
(Do Hino de Ofício de Leitura, II)
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Termino comprometido e mais paciente na Oração. Isto dará fruto com certeza!
Guia-me, Luz amável,
Na escuridão que me acolhe,
Guia-me Tu!
A noite está escura,
E a casa distante:
Guia-me Tu!
Guarda os meus passos!
Não te peço para ver
O horizonte longínquo:
Basta-me
Um passo de dada vez!
John Henry Newman
In As quatro noites da salvação, Bruno Forte
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10 de dezembro de 2009
Início no apenas oração
O amigo Joaquim lançou-me o desafio de escrever no apenas oração que é um blogue com mais de 100 mil visitas. Aceitei, dentro das minha disponibilidade, o repto e hoje coloquei a minha primeira oração.
Peço que passem por lá. Encontrarão oração apenas e só.
Obrigado
Peço que passem por lá. Encontrarão oração apenas e só.
Obrigado
5 de dezembro de 2009
Preparai: 2.º domingo do Advento
Um conselho mais, Senhor, nos diriges.
Um convite concreto nos fazes.
Pela boca do Baptista exortas-nos
a preparar os caminhos
as veredas escarpadas
os trilhos da existência.
O que pedes afinal?
Que havemos de fazer?
Preparai um lugar no coração
limpo, joeirado, podado, cortado…
A erva daninha vai crescendo.
O joio impede a semente boa de frutificar.
Tu, a tua Palavra, sois a semente boa
necessitada da terra fértil do nosso coração.
Tantas vezes vais caindo no solo ingrato do nosso interior.
Dá-nos força para preparar a nossa casa interior,
o nosso coração,
para te acolher, bem preparados.
JAC
2007
Que havemos de fazer?
Diante da voz que brada no deserto
a interrogação é inevitável
e a resposta surge de rompante:
Preparai o caminho do Senhor
Aplanai um caminho para o nosso Deus.
A preparação exige, de si mesma, conversão.
Tanto mal se aloja no nosso coração
e é preciso limpá-lo.
É preciso pô-lo diante da Luz
trazê-lo da noite para o dia.
A pregação do profeta é também para nós, hoje:
não nos coloquemos à margem, mas centremo-nos
e re-centremos a vida no essencial.
Só com um coração puro e liberto
podemos acolher aquele que vem em nome do Senhor.
Só assim será Natal de verdade.
Que havemos de fazer?
Aos que se colocam diante da questão
certamente o Espírito do Senhor
dará a luz da resposta, a seu tempo.
JAC
2008
4 de dezembro de 2009
6.º dia do Advento: Preparando a Páscoa!!!
Parece que me enganei, mas penso que não…
Advento é hora e tempo de preparar a Páscoa.
Sim, começou o advento.
E a marcha, a caminhada dos tempos de Deus orienta-se já para aquele monte sobranceiro de Jerusalém. Para o Gólgota da nossa salvação. Para a gruta da ressurreição.
A luz do presépio de Belém aponta para a luz do sepulcro vazio, da vitória da vida sobre a morte, pelo Vivente.
Assim, mais que preparar Natal – o Natal de Jesus – é imperioso olhar já a noite da nossa salvação. Noite de Páscoa, de Luz, de entrega do Cordeiro inocente (ver abaixo S. João Damasceno sobre a fé), de abandono, de doação, de serviço. Claro que esta está precedida pela noite do nascimento, humilde e silencioso, como são as coisas de Deus.
Advento é tempo de espera. As mulheres são mais conhecedoras – até fisicamente – do verbo esperar. Mas, neste tempo de frente à eternidade do Deus que se faz tempo, história e pessoa… irrompe o Filho “no mundo em meses estabelecidos com nascimento, morte e ressurreição” (Erri de Luca).
Na linha deste propósito que assumimos neste tempo de Advento faço, para mim em primeiro lugar, e para quem quiser experimentar, uma simples sugestão de caminho.
Considero estes tempos litúrgicos tempos de graça, tempos favoráveis. São também tempos de conversão, de arrependimento, de recentrar a vida em Deus.
Advento deve ser tempo dos “3 P’s”. Explico: tempo de fazer coisas possíveis, coisas pequenas e fazendo-as aos poucos. É uma sugestão em aberto que pode ser aproveitada para pequenos gestos quotidianos. Para Deus, cada gesto conta, cada passo conta, cada palavra conta, cada sorriso conta, cada copo de água conta…
É triste a mercantilização do Natal. O espírito consumista da sociedade reduz e cinge o tempo do Advento à aquisição das prendas, das compras, do consumo… E nós cristãos corremos do risco de cair na armadilha, de não estarmos vigilantes, de passar ao lado da mensagem de Cristo.
Da minha parte comprometo-me a lutar contra este espírito consumista, desenfreado e veloz… Na simplicidade e no silêncio, proponho-me remar contra a corrente, forte e arrasadora, deste tempo…
Deste logo, na linha da mensagem da liturgia da Palavra de hoje, procurarei ser visão dos cegos, voz dos mudos, ouvido dos surdos… Na prática, procurarei que estas pessoas diferentes – indevidamente chamadas deficientes – tenham lugar de predilecção na minha vida. Sei que para Deus são predilectos, mas para mim, tantas vezes, não o são.
Fica este como meu compromisso de todo este tempo de Advento aliado à minha oração mais persistente e perseverante:
O Senhor é a minha luz e a minha salvação.
O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei-de temer?
O Senhor é protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo?
Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.
Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.
_______________
Jesus, vinde ao nosso encontro.
Nós queremos preparar a vossa vinda.
Nós queremos receber-Vos.
Nós esperamos que nos deis
A vossa luz, a vossa paz, o vosso amor. Amén.
____________________________
Em dia litúrgico de S. João Damasceno, deixo mais um anexo
Sobre a fé
(Cap. I: PG 95, 417-419) (Sec. VIII)
Vós me formastes, Senhor, do corpo de meu pai; Vós me formastes no ventre de minha mãe; Vós me fizestes sair à luz, menino e nu, porque as leis da natureza seguem sempre os vossos preceitos.
Com a bênção do Espírito Santo preparastes a minha criação e a minha existência, não por vontade do homem, nem por desejo da carne, mas pela vossa graça inefável. Preparastes o meu nascimento com um cuidado superior ao das leis naturais, fizestes-me sair à luz do dia adoptando-me como vosso filho e me contastes entre os filhos da vossa Igreja santa e imaculada.
Vós me alimentastes com o leite espiritual dos vossos divinos ensinamentos. Vós me sustentastes com o vigoroso alimento do Corpo de Cristo, nosso Deus, vosso Filho Unigénito, e me inebriastes com o cálice divino do seu Sangue vivificante, que Ele derramou pela salvação de todo o mundo.
Porque Vós, Senhor, nos amastes e nos destes o vosso único e amado Filho para nossa redenção, que Ele aceitou voluntariamente e livremente; mais ainda, Ele mesmo Se ofereceu em sacrifício como cordeiro inocente, porque sendo Deus Se fez homem e por sua vontade humana Se submeteu, tornando-Se obediente a Vós seu Pai, até à morte e morte de cruz.
E assim, Senhor Jesus Cristo, meu Deus, Vos humilhastes para me levardes aos ombros como ovelha perdida e me apascentastes em verdes pastagens; Vós me alimentastes com as águas da verdadeira doutrina por meio dos vossos pastores, aos quais Vós mesmo alimentais, para que, por sua vez, alimentem a vossa grei, escolhida e nobre.
Agora, Senhor, pela imposição das mãos do vosso sacerdote, Vós me chamastes para servir os vossos discípulos. Não sei por que razão me escolhestes; só Vós o sabeis.
Senhor, tornai mais leve o peso dos meus pecados, com que Vos ofendi tão gravemente; purificai o meu coração e a minha inteligência. Sede para mim como uma lâmpada luminosa que me conduz pelo recto caminho.
Ponde as vossas palavras nos meus lábios; dai-me uma linguagem clara e fácil, mediante a língua de fogo do vosso Espírito, para que a vossa presença sempre me assista.
Apascentai-me, Senhor, e apascentai Vós comigo, para que o meu coração não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; que o vosso Espírito me conduza pelo recto caminho e as minhas obras se realizem segundo a vossa vontade até ao último momento.
E Vós, nobre vértice da mais íntegra pureza, ilustre assembleia da Igreja, que esperais a ajuda de Deus, Vós, em quem Deus habita, recebei das nossas mãos a doutrina da fé, que fortifica a Igreja, tal como no-la transmitiram os nossos pais.
2 de dezembro de 2009
VIDAS FELIZES
“Quando nasceste, todos estavam contentes e tu choravas.
Vive de modo que, quando morreres, todos chorem e tu sejas feliz”.
Provérbio
Provérbio
O mês de Novembro começa com duas destas litúrgicas – Todos os Santos e Fiéis Defuntos – que nos mergulham no sentido da vida. As perguntas são muitas e vamos procurando responder-lhes na esperança de não perdermos nem a vida, nem o sentido.
Claro que a vida é demasiado bela para a deixarmos fugir como areia entre os dedos ou para a deixarmos esfumar-se como neblina matinal que se perde com o andar das horas.
É vão acreditar no conhecido dito popular que estabelece a felicidade do homem quando se tem um filho, se planta um árvore ou se escreve um livro. Há pessoas que nada disto fizeram e foram felizes e há também os que fizeram isto e não alcançaram a felicidade. Pois, e compreende-se: há livros que têm mais palavras que ideias, há filhos que dos pais só receberam o corpo e árvores que nem sombras nos conseguem dar.
A vida não depende de número de anos que se vive. Há pessoas que viveram poucos anos e deixaram marcas indeléveis. O importante não é o quanto vivemos mas o como vivemos.
Luís Espinal, um jesuíta assassinado na Bolívia em 1980,escreveu: «Passam os anos e, ao olhar para trás, reparamos que a nossa vida foi estéril. Não a passamos fazendo o bem. Não melhoramos o mundo que nos deixaram, não vamos deixar rasto. Fomos prudentes e corajosos. Para quê, porém? O nosso único ideal não pode ser o de chagar a velhos. Estamos a poupar a vida, por egoísmo, por cobardia. Seria terrível malbaratar esse tesouro de amor que Deus nos deu».
Há quem tenha as mãos limpas mas vazias, porque nunca as usou. Morrer de mãos vazias! Não pode haver inferno pior que a esterilidade. Seja o que for a minha vida, eu terei de deixar alguma coisa ao desaparecer, ainda que seja uma simples gota de esperança ou de alegria no coração de um desconhecido.
Inspirado na Revista “além-mar”
publicado no Jornal Paroquial Mais Luz-Águeda
Da mãos dadas... rumo ao Natal!
Peço imensa desculpa. Só falto eu. Perdoem-me!
Numa iniciativa da amiga Utília demos as mãos para caminhar neste Advento de maneira muito intensa, para tal, em cada dia da semana haverá uma reflexão individual que nos fará reflectir em conjunto com os olhos postos em nosso Senhor Jesus Cristo. Advento, tempo de espera que culmina com a vinda do Nosso Salvador.
Que o Espírito Santo nos ilumine!
Eis os blogues que comigo participam:
Segunda: http://teresa-desabafos.blogspot.com/
Terça: http://giselepontes.blogspot.com/
Quarta: http://demaosdadasnacaminhada.blogspot.com/
Quinta: http://degraudesilencio.blogspot.com/
Sexta: http://caritasdei.blogspot.com/
Sábado: http://a-capela.blogspot.com/
Domingo: http://rotasdiferentes.blogspot.com/
Vamos todos seguir de mão dada... rumo ao Natal!
26 de novembro de 2009
Caroço de azeitona: sugestão de leitura
No blogue do meu companheiro de ministério JPCosta encontrei esta sugestão e gostei. Valeu a pena ter espicaçado... Com a devida licensa coloco aqui. É grande mas vale a pena
Proposta de leitura do livro Caroço de Azeitona de Erri de Luca... É um livro pequeno mas de grande densidade e profundidade... Partilho uma possível abordagem e a entrevista do autor...
Caroço de azeitona
Entre nós, chama-se Antigo Testamento a uma recolha de escrituras sagradas do povo hebreu. Na sua língua de origem aparece sob o título de Mikrà / leitura. Porque é esse o seu valor de uso, o de ser lida em alta voz na assembleia dos ritos, nos sábados, nas festas. E mesmo quando alguém a lê por conta própria, nos tempos livres, separado dos outros, a regra impõe que mova os lábios, que não leia só com os olhos. O corpo deve participar, respiração e lábios pelo menos, acompanham a viagem das palavras antigas, fazendo-se portadores destas.
O acontecer destas escrituras é a revelação: um Deus, único e solitário, fez o mundo por meio da sua voz primeiro, da luz em seguida. Extraiu-o do nada, cuidando, com a mesma atenção, do imenso infinito e da partícula.
Uma boa parte da humanidade não tem consciência de ter saído de Deus. Muito aflige o acto de confiança, antes do acto de fé. Permaneço, como não crente, alguém que passa pelas escrituras sagradas e não um residente. Desloco-me ao longo das linhas paralelas de um outro alfabeto, fechado entre vinte e duas letras dispostas entre o alef e o tau, que se lêem em direcção contrária à nossa, em páginas que se desfolham ao contrário. Passo sobre esta língua com o dedo e com as pestanas e dou-me conta do choque, do impacto que sofreu. Uma vontade de se revelar e agir dentro do mundo precipitou-se sobre uma língua de palavras descarnadas, hostil a todo o conceito abstracto. Precipita sobre vocábulos de três sílabas com o acento colocado sobre a última, e transmite-lhes a tarantela febril da sua incandescência. Os verbos, pela urgência, comandam a frase, abrindo-a antes do sujeito, antecipando-o, mesmo quando se trata de Deus. Todas as vezes que se lê na tradução: «E Deus disse», esteja-se certo que em hebraico é: «E disse Deus». Porque nesta vontade de revelação o dizer é mais importante e urgente do que o próprio facto de ser Deus a falar.
Toda a criação, e o fazer seguinte, e todo o fazer segundo, que é o dos homens, escrevem-se dando precedência à obra do verbo. «Escuta Israel», recita, lendo o livro entre nós chamado de Deuteronómio e pelos hebreus Devarìm / palavras, a principal oração hebraica. Escutar é a primeira urgência, o primeiro pedido.
Ler as escrituras sagradas é obedecer a uma precedência do escutar. Começo as minhas manhãs com um punhado de versículos, para que o meu dia tenha um fio condutor. Posso depois dispersar-me durante o resto das horas correndo atrás do que tenho para fazer. No entanto mantive para mim um penhor de palavras duras, um caroço de azeitona para andar a girar na boca.
Errio de Luca
De uma entrevista ao Público (Ípsilon) por António Morujo:
É verdade que começa o dia lendo versículos da Bíblia “para que o dia tenha um fio condutor”?
Acordo todos os dias estudando o hebraico antigo. Não sou crente. Tenho necessidade disso para despertar, como algo que acompanha o café, para forçar a caixa fechada do meu crânio.
Porquê esse fascínio pelo texto bíblico?
Porque aquele é o formato original do qual descende toda a nossa civilização religiosa. Para mim aquele é um texto obrigatório. E aproveito de maneira escandalosa do facto de só eu o conhecer. E de poder desmascarar todas as traduções péssimas, ruins e mal intencionadas. Aproveito o talento que tenho, mas o texto deveria ser conhecido por todos.
É nesse sentido que fala da Bíblia como um caroço de azeitona?
Sim. As palavras que lia de manhã, quando trabalhava como operário, tinha-as como companhia para todo o resto do dia. Remastigava-as no trabalho das obras e fazia como se fosse um caroço de azeitona que me ficava na boca.
Já traduziu vários livros da Bíblia, escreveu “Em Nome da Mãe”, uma das mais belas narrativas ficcionadas do nascimento de Jesus. Há um livro ou uma personagem da Bíblia de que goste mais?
José. Nenhum dos evangelhos diz que era velho, podemos imaginá-lo jovem, belo e enamorado.
O seu nome vem do verbo hebraico yasaf, que quer dizer acrescentar. Yosef, à letra, é aquele que acrescenta. E o que acrescenta ele? Para já, a sua fé. Ele acredita na versão da sua noiva, grávida mas não dele. Acrescenta a sua fé à fé da rapariga que tinha acolhido aquela notícia.
Acrescenta-se ainda como esposo daquela rapariga, impedindo assim a condenação à morte, porque ela, perante a lei, era adúltera. E acrescenta-se enquanto segundo pai daquela estranha criatura aparecida no meio deles, Jesus, Yeshu em hebraico. Ele contribui e muito para esta história. No evangelho não é tido em conta mas nesses nove meses deu um contributo enorme.
Dê um exemplo das más traduções da Bíblia de que falou.
No original hebraico, não está a condenação de Eva de parir com dor. A palavra hebraica é esforço, fadiga. Não é dor, porque ali não há intenção punitiva da divindade. Há apenas uma verificação.
Àqueles dois, que comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal e que se encontraram nus, diz: “Vocês tornaram-se outra coisa, não pertencem já a nenhuma espécie animal; nenhuma espécie animal sabe que está nua; aconteceu uma mudança total”.
Está dizendo que a facilidade, a agilidade de parto ou a naturalidade com que os animais têm os filhos não acontecerá mais. E Adão diz logo: “Maldita a terra.” Porquê, se a terra não lhe fez nada? Porque há outra verificação: Adão não se contentará com o fruto espontâneo, mas esforçará a terra, irá afadigá-la também com o seu suor, irá desfrutá-la para tirar o maior lucro. A terra será maldita por causa do esgotamento dos recursos.
Não há, então, um castigo?
Vê-se que não há intenção punitiva, porque logo a seguir a divindade faz vestes de peles para cobrir aqueles dois nus. Este é o gesto mais afectuoso.
A palavra hebraica que aqui é traduzida como dor, aparece outras cinco vezes: quatro nos Provérbios e uma nos Salmos. Cinco vezes em seis é traduzida como esforço e fadiga. Ali, metem na boca da divindade uma condenação. E sobre isto baseou-se toda a subordinação feminina, a culpa de Eva.
Publicou há pouco em Itália um livro com o título “Penúltimas Notícias sobre Jesus”. Que notícias são essas?
São todas tomadas das histórias do Novo Testamento, do evangelho. São penúltimas porque as últimas, as respeitantes ao seu regresso, ao cumprimento da promessa, essas estão em suspenso. O cristianismo vive num intervalo entre o anúncio do fim, feito por Jesus, e o cumprimento deste anúncio. São dois mil anos de intervalo, de tempo suplementar.
E quem é esse Jesus?
É um Jesus em carne e osso, um Jesus ainda vivo, que está um tempo na oficina de carpinteiro do seu pai, até começar a sua missão. Vive num território ocupado militarmente por uma nação hostil, a maior potência militar. E pode dizer “dai a César o que é de César”, porque nada naquela moeda tem poder sobre o mundo. Por isso, é uma figura em carne e osso. Um hebreu daquele tempo.
Proposta de leitura do livro Caroço de Azeitona de Erri de Luca... É um livro pequeno mas de grande densidade e profundidade... Partilho uma possível abordagem e a entrevista do autor...
Caroço de azeitona
Entre nós, chama-se Antigo Testamento a uma recolha de escrituras sagradas do povo hebreu. Na sua língua de origem aparece sob o título de Mikrà / leitura. Porque é esse o seu valor de uso, o de ser lida em alta voz na assembleia dos ritos, nos sábados, nas festas. E mesmo quando alguém a lê por conta própria, nos tempos livres, separado dos outros, a regra impõe que mova os lábios, que não leia só com os olhos. O corpo deve participar, respiração e lábios pelo menos, acompanham a viagem das palavras antigas, fazendo-se portadores destas.
O acontecer destas escrituras é a revelação: um Deus, único e solitário, fez o mundo por meio da sua voz primeiro, da luz em seguida. Extraiu-o do nada, cuidando, com a mesma atenção, do imenso infinito e da partícula.
Uma boa parte da humanidade não tem consciência de ter saído de Deus. Muito aflige o acto de confiança, antes do acto de fé. Permaneço, como não crente, alguém que passa pelas escrituras sagradas e não um residente. Desloco-me ao longo das linhas paralelas de um outro alfabeto, fechado entre vinte e duas letras dispostas entre o alef e o tau, que se lêem em direcção contrária à nossa, em páginas que se desfolham ao contrário. Passo sobre esta língua com o dedo e com as pestanas e dou-me conta do choque, do impacto que sofreu. Uma vontade de se revelar e agir dentro do mundo precipitou-se sobre uma língua de palavras descarnadas, hostil a todo o conceito abstracto. Precipita sobre vocábulos de três sílabas com o acento colocado sobre a última, e transmite-lhes a tarantela febril da sua incandescência. Os verbos, pela urgência, comandam a frase, abrindo-a antes do sujeito, antecipando-o, mesmo quando se trata de Deus. Todas as vezes que se lê na tradução: «E Deus disse», esteja-se certo que em hebraico é: «E disse Deus». Porque nesta vontade de revelação o dizer é mais importante e urgente do que o próprio facto de ser Deus a falar.
Toda a criação, e o fazer seguinte, e todo o fazer segundo, que é o dos homens, escrevem-se dando precedência à obra do verbo. «Escuta Israel», recita, lendo o livro entre nós chamado de Deuteronómio e pelos hebreus Devarìm / palavras, a principal oração hebraica. Escutar é a primeira urgência, o primeiro pedido.
Ler as escrituras sagradas é obedecer a uma precedência do escutar. Começo as minhas manhãs com um punhado de versículos, para que o meu dia tenha um fio condutor. Posso depois dispersar-me durante o resto das horas correndo atrás do que tenho para fazer. No entanto mantive para mim um penhor de palavras duras, um caroço de azeitona para andar a girar na boca.
Errio de Luca
De uma entrevista ao Público (Ípsilon) por António Morujo:
É verdade que começa o dia lendo versículos da Bíblia “para que o dia tenha um fio condutor”?
Acordo todos os dias estudando o hebraico antigo. Não sou crente. Tenho necessidade disso para despertar, como algo que acompanha o café, para forçar a caixa fechada do meu crânio.
Porquê esse fascínio pelo texto bíblico?
Porque aquele é o formato original do qual descende toda a nossa civilização religiosa. Para mim aquele é um texto obrigatório. E aproveito de maneira escandalosa do facto de só eu o conhecer. E de poder desmascarar todas as traduções péssimas, ruins e mal intencionadas. Aproveito o talento que tenho, mas o texto deveria ser conhecido por todos.
É nesse sentido que fala da Bíblia como um caroço de azeitona?
Sim. As palavras que lia de manhã, quando trabalhava como operário, tinha-as como companhia para todo o resto do dia. Remastigava-as no trabalho das obras e fazia como se fosse um caroço de azeitona que me ficava na boca.
Já traduziu vários livros da Bíblia, escreveu “Em Nome da Mãe”, uma das mais belas narrativas ficcionadas do nascimento de Jesus. Há um livro ou uma personagem da Bíblia de que goste mais?
José. Nenhum dos evangelhos diz que era velho, podemos imaginá-lo jovem, belo e enamorado.
O seu nome vem do verbo hebraico yasaf, que quer dizer acrescentar. Yosef, à letra, é aquele que acrescenta. E o que acrescenta ele? Para já, a sua fé. Ele acredita na versão da sua noiva, grávida mas não dele. Acrescenta a sua fé à fé da rapariga que tinha acolhido aquela notícia.
Acrescenta-se ainda como esposo daquela rapariga, impedindo assim a condenação à morte, porque ela, perante a lei, era adúltera. E acrescenta-se enquanto segundo pai daquela estranha criatura aparecida no meio deles, Jesus, Yeshu em hebraico. Ele contribui e muito para esta história. No evangelho não é tido em conta mas nesses nove meses deu um contributo enorme.
Dê um exemplo das más traduções da Bíblia de que falou.
No original hebraico, não está a condenação de Eva de parir com dor. A palavra hebraica é esforço, fadiga. Não é dor, porque ali não há intenção punitiva da divindade. Há apenas uma verificação.
Àqueles dois, que comeram da árvore do conhecimento do bem e do mal e que se encontraram nus, diz: “Vocês tornaram-se outra coisa, não pertencem já a nenhuma espécie animal; nenhuma espécie animal sabe que está nua; aconteceu uma mudança total”.
Está dizendo que a facilidade, a agilidade de parto ou a naturalidade com que os animais têm os filhos não acontecerá mais. E Adão diz logo: “Maldita a terra.” Porquê, se a terra não lhe fez nada? Porque há outra verificação: Adão não se contentará com o fruto espontâneo, mas esforçará a terra, irá afadigá-la também com o seu suor, irá desfrutá-la para tirar o maior lucro. A terra será maldita por causa do esgotamento dos recursos.
Não há, então, um castigo?
Vê-se que não há intenção punitiva, porque logo a seguir a divindade faz vestes de peles para cobrir aqueles dois nus. Este é o gesto mais afectuoso.
A palavra hebraica que aqui é traduzida como dor, aparece outras cinco vezes: quatro nos Provérbios e uma nos Salmos. Cinco vezes em seis é traduzida como esforço e fadiga. Ali, metem na boca da divindade uma condenação. E sobre isto baseou-se toda a subordinação feminina, a culpa de Eva.
Publicou há pouco em Itália um livro com o título “Penúltimas Notícias sobre Jesus”. Que notícias são essas?
São todas tomadas das histórias do Novo Testamento, do evangelho. São penúltimas porque as últimas, as respeitantes ao seu regresso, ao cumprimento da promessa, essas estão em suspenso. O cristianismo vive num intervalo entre o anúncio do fim, feito por Jesus, e o cumprimento deste anúncio. São dois mil anos de intervalo, de tempo suplementar.
E quem é esse Jesus?
É um Jesus em carne e osso, um Jesus ainda vivo, que está um tempo na oficina de carpinteiro do seu pai, até começar a sua missão. Vive num território ocupado militarmente por uma nação hostil, a maior potência militar. E pode dizer “dai a César o que é de César”, porque nada naquela moeda tem poder sobre o mundo. Por isso, é uma figura em carne e osso. Um hebreu daquele tempo.
Vigilantes à Luz do Dia
A noite vai adiantada e o dia vem chegando.
Somos filhos do Dia, filhos da Luz.
Por isso, é preciso combater as trevas,
honrar o dia, já que não somos da noite.
É urgente deixar de mergulhar nos lodaçais da noite
para viver na transparência e claridade do dia.
É preciso estar atento, vigilante e desperto,
longe do sono que arrasta
da pasmaceira que acomoda.
É preciso ter o coração acordado
como lâmpada a velar,
a olhar as necessidades do mundo:
o pobre caído nu,
o faminto solitário sem pão,
o excluído perdido e sem sentido,
tantos sofredores a precisarem de ternura.
É hora! Acorda e vigia.
O dia está a chegar.
Deus não tem pressa nem tempo
mas tem a sua Hora.
JAC
25 de novembro de 2009
Vigiai
É um grande conselho, um grande apelo!
Vigilância exige, constância, atenção, perseverança.
É uma virtude que deve ser, na nossa vida, uma atitude.
Vigiar, sempre, sem desanimar
porque somos fracos
e não vigiamos nem uma hora.
Vigiar é ler à luz da Palavra,
os sinais reveladores de Deus.
Sabemo-nos peregrinos, estrangeiros, efémeros e passageiros
sem morada permanente nesta terra.
Como tal, não somos absolutos, dominadores e senhores
somos errantes, que esperam, o Senhor
porque Ele vem realizar a justiça
Estar atento e vigiar é a nossa melhor atitude
não apenas pelo saudável temor de Deus
mas para fazer e ver em Deus o verdadeiro Senhor,
Aquele que vem na pessoa do Filho, na hora em que não pensamos,
realizar a consumação.
Vigiar é preciso!
Estar alerta é salvação!
JAC
21 de novembro de 2009
Diz-me, Senhor
Sim, Jesus, és o meu Senhor e meu Rei!
Quero amar-Te servindo
E servir-Te sorrindo…
Diz-me, Senhor, o que queres que eu faça?
Olha as mãos que me deste
Estendidas, abertas e vazias…
Deixa que Te as empreste
Hoje, amanhã… todos os dias!
Diz-me, Senhor, onde queres que eu vá?
Olha os meus passos decididos!
Guia-os pelos teus caminhos
E faz com que não sejam perdidos…
Mesmo que andem sozinhos!
Diz-me, Senhor, o que queres que eu diga?
Queria ter as palavras certas,
Nem demais, nem de menos…
Faz com que haja portas abertas
E sejam os meus modos serenos!
Diz-me, Senhor, o que queres que eu faça?
Onde queres que eu vá?
O que queres que eu diga?
Deixa que Te sirva…
Que só para isso quero a minha vida!
Ámen!
Carminda Marques
Fome de Infinito
É Ele, o Reino
O Reino de Deus, o Reino que vem…;
É muito simples, é muito pouco:
Uma pequena semente,
Um nada de fermento…
É muito grande: mistério da vida, nesta pequena casca enegrecida,
Neste fragmento de massa lívida.
É Deus que nos ama; É Deus que vem caminhar
Para sempre ao nosso lado,
para dirigir os nossos passos incertos;
é o Filho que vem servir-se do som das nossas vozes,
para as harmonizar com a glória do Pai.
Ele dissera ao beduíno Abraão: faço aliança contigo,
E repete-nos: vou estar convosco para sempre (Mt 28, 20)
O filho veio para o meio de nós, passível e mortal.
Ei-lo, para sempre, constituído como Poder de Deus,
Aquele que nós ouvimos e vimos com os nossos olhos…,
Apalpámos com as nossas mãos… (1Jo 1, 1)
Companhia de Jesus que entre nós se apresenta
Aberta aos mais fracos, acolhedora para todos,
Que se instala sem ruído, sem congressos barulhentos,
Cuja carta é um pequeno livrinho de linguagem muito simples.
É demasiado discreto, demasiado apagado,
Para que alguns o vejam.
É tão simples como um serviço;
Apagado como uma serva delicada.
É silencioso, como uma semente na terra… que, noite e dia,
Germina e cresce (Mc 4, 26)
Os fariseus e os doutores de todos os tempos
Mantêm-se à distância.
Os filhos deste Reino são os pobres
Que nada têm neste mundo,
Que não têm bens que rebaixem os desejos:
Bem-aventurados os pobres,
Que não se revestem de uma força orgulhosa:
Bem-aventurados os mansos;
Que não se atordoam nas alegrias animais:
Bem-aventurados os aflitos;
Que não estão satisfeitos com as coisas tal como elas existem:
Bem-aventurados os que têm fome de justiça;
Que se não prevalecem dos seus direitos:
Bem-aventurados os misericordiosos.
Esses estão inteiramente dispostos a acolher Jesus-Rei. No seu coração
Como aquele pobre paralítico que jazia perto da piscina dos cinco pórticos
Como Zaqueu empoleirado na sua árvore…
Ambos renunciam ao pecado, ao que tinham,
Quando Jesus encontrou a sua miséria.
Jesus já o tinha dito ao doutor Nicodemos:
Para ver o Reino de Deus
É preciso nascer do Alto (Jo 3, 3).
M. Denis
Par Ti, Senhor
17 de novembro de 2009
Cristo Rei
Cristo Jesus
rei poderoso
és bom pastor
misericordioso.
Todo o universo
quer aclamar
o pastor e rei
que só sabe amar.
Jesus coroado rei
és do mundo Salvador
só em Ti eu tenho vida
só em Ti encontro amor.
Pela tua doação
tornas-me filho de Deus
e no fim da caminhada
faz-se conhecer os Céus.
O último juízo
é por amor
de toda a criação
és Tu o redentor.
JAC 2005
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