29 de outubro de 2009

Águeda 1.º dia

Começou a minha nova missão pastoral. Cheguei a Águeda na companhia do Sr. Bispo de Aveiro, D. António Santos, e de três padres de Braga, da Equipa Formadora do Seminário Conciliar. Cheguei com estas pessoas à companhia de outras: Três padres acolhedores, José Camões, Jorge e José Carlos - formamos o "clube dos jotas" - que depressa revelaram ter coração de Bom Pastor. Com eles a D. Anunciação que trata das lides domésticas na simplicidade e delicadeza maternal. Ao fim de semana junta-se ainda o padre Francisco. Também o Diácono Semedo trabalha nesta unidade pastoral de Águeda - a UPA.

Agradeceram a minha vinda. Eu agradeci o acolhimento.

Fui logo à missa na Igreja de Águeda. Apresentei-me sucintamente aos presentes e no final algumas pessoas vieram cumprimentar-me.

Ontem, dei um passeio com o padre Camões pelo centro da cidade. E já me apaixonei. Espero continuar a apaixonar-me mais cada dia que o Senhor quiser que eu esteja em Águeda.

Estou com força. Sinto a Graça a puxar-me. É o anúncio de Cristo que importa.

Quero ser feliz nestas terras enquanto o Senhor Jesus assim o quiser também.

28 de outubro de 2009

Diante da luz me arrependo



Diante de Ti, Senhor,
Que és a luz
Coloco as minhas trevas
Para que possa iluminá-las.

Só diante de Ti que és a luz
Vejo a minha fraqueza e pequenez.

Só diante de Ti
Reconheço as minhas divisões
E as desuniões que produzo.

Mas, Tu não estás dividido!

Por isso, me arrependo
Escutando o Teu desafio.
Por isso, me abro à novidade
Do Reino que inauguras
E que és Tu mesmo,
Como Palavra doada pelo Pai.

JAC 2007

26 de outubro de 2009

SARAMAGO E A BÍBLIA



Afirmou José Saramago que a Bíblia é «um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana» e reflecte uma imagem de «um deus cruel, invejoso e insuportável». Disse também que, como os católicos não lêem a Bíblia, não se sentirão muito incomodados com este tipo de afirmações.

Não sou especialista em exegese da Bíblia e certamente deveria conhecê-la melhor. Mas o que dela conheço é suficiente para concluir que é Saramago quem não a conhece, ou não a interpretou correctamente, porventura por ter desligado algumas das suas passagens da sua mensagem global.

Não compreendo como é que Saramago não viu na Bíblia a imagem de um Deus que é Amor. Em continuidade com o Antigo Testamento, que constantemente nos revela um Deus «clemente e compassivo», «lento para a ira e rico em misericórdia», o Novo Testamento revela em toda a sua plenitude o amor de Deus. Um Deus que, por amor, se incarna, partilha a condição humana e se identifica com o sofrimento humano até ao extremo do abandono e da morte na cruz, para que fosse restabelecida a Sua comunhão com a humanidade. Um Deus à imagem do bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas, ou que deixa todas as outras para salvar aquela que se perdeu. Um Deus à imagem do pai do filho pródigo, que perdoa e acolhe.

Na Bíblia encontramos, como em nenhum outro livro, a exaltação da dignidade da pessoa humana, criada «à imagem e semelhança de Deus». «Quando contemplo o céu, obra dos teus dedos, a Lua e as estrelas que fixastes…O que é o homem, para dele te lembrares…Tu o fizeste pouco menos do que um deus, e o coroaste de glória e esplendor» (Sl. 6).

Quem seja sensível à justiça para com os pobres e oprimidos, em quantas passagens do Antigo e do Novo Testamento não encontrará inspiração e alento?

Onde encontrar mais sólido fundamento de harmonia social do que no amor evangélico, que perdoa «setenta vezes sete vezes» e se estende até aos inimigos, a quem se retribui o «mal com o bem»?

Por tudo isto, também é fácil concluir que não foi a fidelidade à mensagem bíblica que conduziu às guerras e conflitos com pretextos religiosos. A razão dessas guerras e conflitos está antes no orgulho e paixões humanas (também retratadas na figura de Caim), que tendem a instrumentalizar a religião, assim a pervertendo. Na pureza dos seus princípios, livres de instrumentalizações políticas ou ideológicas, as religiões são factor de concórdia e da paz, como o testemunham os encontros de Assis.

E não são só os crentes que reconhecem o tesouro da Bíblia e que ele representa também para o nosso património cultural, fonte de inspiração para filósofos e artistas ao longo de séculos. Por exemplo, o filósofo italiano Massimo Cacciari, não crente, tem defendido um mais aprofundado estudo da Bíblia em todos os graus de ensino laico, incluindo o universitário.

Oxalá desta tão triste e anacrónica polémica se possa colher, ao menos, algo de positivo: um pouco mais de interesse pela Bíblia.

Pedro Vaz Patto

22 de outubro de 2009

Nova missão: Águeda - Aveiro

Esté definido: quarta-feira começa uma nova etapa na minha vida.

Vou trabalhar na Diocese de Aveiro, mais precisamente no arcipretado de Águeda, numa unidade pastoral.

Estou feliz e peço a Deus força, coragem e determiação para a nova missão eclesial.

Depois de dois anos de crescimento, a trabalhar no jornal Diário do Minho, na Oficina de S. José e nas paróquias da Sé e de S. João de Souto, em Braga, parto para nova missão revitalizado pelas palavras ternas e serenas: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

Agradeço a Deus todos aqueles que passaram na minha vida durante estes dois últimos anos. E estou sempre aberto a conhecer e a trabalhar com outras pessoas.

Aquilo que importa é que a Palavra seja lançada aos corações famintos de tantas pessoas. É assim que me situo perante nova missão: que Cristo continue a ser tudo em todos.

Do que sei até ao momento vou trabalhar numa unidade pastoral formada por vários sacerdotes e diáconos e ainda uma comunidade religiosa.

Prometo rezar por todos, como sempre, e espero de todos orações por mim, para que seja fiel ao mandato e à vocação à qual Cristo me chamou.

Obrigado a todos por tudo e a todos continuo a esperar-vos aqui.

21 de outubro de 2009

Coitado de ti, ó saramago, a falar para os peixes!



Como partilha que tirei daqui

Um pouco de Bíblia, retalhada, cosida e interpretada ao gosto popular, uma pitada de teoria da conspiração, mais a Inquisição, inveja a Roma, anti-papismo primário, insinuações pornográficas, umas manchas de incesto e parricídio, mais histórias de seminário e crimes do Padre Amaro e eis que temos sucesso editorial garantido, de Dan Brown a Saramago. A receita vence desde o século XVIII. As pessoas gostam do sórdido, escaldam de entusiasmo com grandes mentiras, inebriam-se com o apedrejamento de tudo quanto inspire ordem, hierarquia e autoridade.


Espanta-me que muitos ainda se alvorocem com um sub-género que nunca reuniu predicados elementares de integridade, que se repete e daí não sai. Espanta-me também que Saramago, em vez de Caim, não escolhesse a figura de Onan, mais conforme a expectativa de quem o lê.


Tanta indignação contra Saramago e tanta invectiva e desabafo acabam, como pedem as regras do mercado, por atrair clientes. Ora, tenho a certeza absoluta que nove em dez daqueles que compraram o Evangelho segundo Jesus Cristo o não leram e aqueles restantes que o fizeram não compreenderam coisa alguma. A obra é ilegível e deixa de ter piada a partir da segunda página, pois da abolição das regras de pontuação nascem o caos intelectivo, enunciativo e dialógico, que juntos, permitem a fruição de um texto, literário ou não. Mutatis mutandis, escrevam uma receita culinária sem virgulas, pontos finais e parágrafos e provocarão grandes indisposições que terminarão numa consulta de gastroenterologia. Assim é a obra de Saramago, sem tirar.


Depois, Saramago sofre de monomania religiosa, de doença da santidade invertida. Se literariamente é hoje um zero, também não possuiu qualquer autoridade em "Ciências da Bíblia". É um amador e como todos os amadores possui atevimento proporcional à ignorância. Tenho a absoluta certeza que o homem não sabe uma palavra em latim, nunca leu um tratado de apologética e desconhece coisa tão elementar como a Enciclopédia Católica. Depois, por tudo o que vai dizendo - deixai falar um ignorante, pois nunca devemos impedir um tolo de se enredar nas suas próprias palavras - parece confundir Teologia, Bíblia e História Eclesiástica. Se, em vez de o atacarem, o confrontassem com o seu [des]conhecimento, melhor serviço fariam. Infelizmente, parece haver uma lei de ouro nestas lutas sem interesse e sem consequência.


Saramago vai voltar a escrever sobre o tema. Está a queimar inutilmente os últimos dias da sua passagem por esta vida escrevendo coisas votadas ao esquecimento. É uma pena, pois se o Memorial tinha o seu quê de curioso e o Levantados do Chão ecoava o que de humano havia no Neorealejo, estas coisas são, como o foram os panfletos de Oitocentos, mero lixo doméstico.

Miguel Castelo Branco

Outros textos para ler

Mau costume, Joaquim Franco

20 de outubro de 2009

Estrelas




Para o mundo ser mais belo
quero fazer brilhar estrelas na noite,
acender faróis no negrume,
levar luz onde há trevas.


Acender a estrela do olhar
e mais um pouco de luz dar
ao pequeno coração
que ninguém dá atenção.


Acender a estrela de escutar
e a todos poder levar
um pouco mais de calor,
de ânimo, ternura e amor.


Acender a estrela do falar
palavras para inebriar
que espalhem alegria
aos que vivem na agonia.


Acender a estrela de servir
para todos fazer sorrir
com mãos que trabalhem
e vontades que auxiliem.


Acender a estrela de viver
que nos leve percorrer
nos impele a anunciar
e nos empurre a proclamar.


Quero estrelas acender
que ajudem a guiar
a humanidade toda junta
ao Deus que só sabe amar.


inédito JAC
2007

Eucaristia Bendita Seja!

Com os cristãos da paróquia de Geraz do Minho, na Póvoa de Lanhoso, reflecti este domingo sobre o Santíssimo Sacramento. Deixo aqui a minha partilha. É longa e por isso peço desculpa.

1. FORÇA DOS FRACOS E ALEGRIA DOS TRISTES

A festa que celebramos em honra do Santíssimo Sacramento é oportunidade para, por um lado, reflectirmos sobre a importância da Eucaristia na vida dos cristãos e, por outro, para nos comprometermos mais na sua vivência em todas as suas dimensões.
Desde logo, convém recordarmos que a Eucaristia é o centro da vida da Igreja e como tal centro da vida dos cristãos.
Permitam-me reflectir convosco a Eucaristia a partir da sua relação com as virtudes teologais que, como bem sabem, são três: fé, esperança e caridade.
É imprescindível afirmar que sem as três não há verdadeira Eucaristia: não há missa sem fé, como não há missa sem esperança e sem caridade.
A Eucaristia, caríssimos cristãos, é a mais surpreendente das invenções divinas que estão no seu conjunto destinadas a penetrar de forma mais profunda a existência humana.
Sabemos que a Eucaristia constitui o cume da obra da salvação. Por isso, dentro da economia sacramental possui uma excelência e uma grandeza únicas porque confere não somente a graça mas também o próprio autor da graça que é Cristo.
Na Eucaristia tudo deriva de um amor até ao extremo de uma doação ilimitada de Cristo. A Eucaristia desempenha também um papel fundamental no crescimento da comunidade cristã porque continua a nutrir, na e pela sagrada comunhão, aqueles que são chamados a levar o testemunho de Cristo e a sua Boa Nova ao mundo. Ela concede força aos fracos, alegria aos tristes e alento espiritual aos tentados, aos desnorteados e aos desiludidos.
Depois destas poucas considerações passemos a analisar a relação da Eucaristia com as virtudes teologais, a começar pela fé.

2. MISTERIUM FIDEI

A exclamação “Mistério da Fé” que fazemos em cada missa é um apelo à fé. Só a fé e por meio dela se pode acolher a oferta sacrificial que se realiza pelas palavras “Isto é o meu corpo” “Isto é o meu sangue” e a presença que delas deriva.
A fé na Eucaristia não é de ordem secundária nem é um anexo. Jesus que montou a sua tenda no meio dos homens é o “pão vivo descido do céu” (Jo 6, 53) e quer dar-se como alimento, mas primeiro exige uma adesão de fé.
O Mestre pretende afirmar que não é possível seguir os seus passos sem acreditar na Eucaristia. Precisamos, por isso, de ter uma fé eucarística.
Acreditar que o pão e o vinho que vemos se tornam Corpo e Sangue de Cristo requer um impulso de fé, um salto invisível sempre renovado.
Passar dos sentidos, do que é sensível, ao mistério é aquilo que nos é pedido em cada celebração.
Então, aquela expressão do cânone da missa – “Mistério da Fé” – irrompe como grito de alegria. É a alegria do mistério de Cristo presente no meio do mundo por meio do Santíssimo Sacramento da sua presença.

3. SACRAMENTUM CARITATIS

A Eucaristia está também em profunda relação com a caridade. Não foi por acaso, estimados cristãos, que o Papa Bento XVI escreveu a exortação apostólica pós-sinodal “O Sacramento da Caridade”.
Além de “mistério da fé” (misterium fidei), a Eucaristia é também “sacramento da caridade” (sacramentum caritatis).
A fé, como sabemos, é animada pela caridade. Ora, caros cristãos, sempre que Jesus pedia uma adesão de fé, pedia também um movimento de amor pelo qual as pessoas se unissem a Ele e ao Pai.
Jesus recordou várias vezes o preceito “amarás o Senhor com todo o teu coração, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças” (Dt 6, 5; Mt 12, 30).
Este mandamento exige a pessoa toda inteira e encontra aplicação na Eucaristia: Cristo eucarístico dado a todos quer ser acolhido por todos na comunhão por meio desse mesmo amor.
Os que recebem e se alimentam da mesa eucarística são exortados a adorá-lo e a amá-lo nas mesmas circunstâncias que exige o preceito.
Mas, Jesus não se fica pelo amor ao Senhor e depressa junta o amor ao próximo. “Amarás o próximo como a ti mesmo” (Lc 19, 18; Mc 12, 13) é o segundo inciso do mesmo mandamento.
Na última Ceia, Jesus revela todo o alcance da caridade que pretende instaurar. Logo depois de instituir a Eucaristia enuncia um novo mandamento: “Assim como eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34; 15, 12).
Jesus ordena que o imitemos no amor de quem se faz último, pequeno e oferecido. Amar como Jesus amou é um objectivo elevadíssimo mas alcançável àquele que recebe a forço do alto superando tendências egoístas e chegando à generosidade e à gratuidade do amor.
O alimento eucarístico – pão e vinho consagrados – deixa em nós uma potência de amor capaz de enfrentar dificuldades e superar obstáculos.
Santa Teresinha do Menino Jesus escreveu a respeito da força da caridade que brota da Eucaristia, uma belíssima poesia:

“Jesus minha sacra e santa vida
Tu sabes bem, meu Rei divino
Que sou um cacho dourado
Que deve desaparecer por ti.
Na prensa do sofrimento
Te provarei o meu amor eterno
Nada mais quero aqui na terra
Do que imolar-me em cada dia”.
[Poesia, 25]

A Eucaristia permite desenvolver múltiplas virtualidades do amor. Isto porque é o coração de Cristo que possui a plenitude do amor, essencialmente aquele que se doa até ao fim, sem limites nem reservas.
O inciso “como eu vos amei” desafia a seguir o amor de Cristo estabelecido no alto da cruz. Uma vertente desse amor tem a ver com a atitude do serviço expressa altamente no gesto desconcertante do “lava-pés”. Neste momento, Jesus faz-se servo de todos, dando um testemunho de impressionante humildade que brota da obediência e do amor.
Consciente da sua soberania, não recorre ao seu poder para esmagar ou dominar, mas para servir. Por isso, ninguém é tão humilde quanto Jesus.
Cada Eucaristia que celebramos reproduz esse gesto de humildade, porque Ele continua a fazer-se alimento e bebida daqueles que O amam. Põe-se ao serviço da humanidade, alimentando-a.
A Eucaristia é, assim, manifestação discreta de um amor humilde e gratuito. Cristo insiste em que o sigamos com humildade e a Eucaristia responde a esse temor de fugir da via dolorosa – da via crucis – fazendo brotar a caridade através do sacrifício e da entrega generosa e sem limites.

4. ESPERANÇA QUE NÃO ENGANA

A última das virtudes teologais – que na enunciação tradicional é a segunda – é a esperança. A Eucaristia revela-se rica de esperança, aquela que aponta o destino individual e o da humanidade.
Aquele que come a Eucaristia tem a vida eterna, pois os dons eucarísticos garantem, no fim dos tempos, a recompensa prometida por Cristo: “quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna”.
Do ponto de vista do destino da humanidade as palavras de S. Paulo são bem elucidativas: “todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste sangue anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.
A Eucaristia contribui assim para a vinda última e definitiva que aguardamos em “jubilosa esperança”, quando Cristo for tudo em todos.
Santo Inácio de Antioquia dizia que “a Eucaristia é fármaco de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver para sempre em Jesus Cristo”.
A Eucaristia, portanto, conduz à esperança e dá-lhe a força para esta se concretizar. Introduzindo Cristo na comunidade cristã, contribui para a sua vinda última.
O Santíssimo Sacramento da Eucaristia confere aos seguidores de Cristo e aos seus evangelizadores a força que necessitam. Esse augusto sacramento orienta para o futuro, para o ponto culminante, para o destino final, o banquete das núpcias do Cordeiro.
Por isso, a Eucaristia é fonte inesgotável de esperança, uma esperança que não engana nem se engana, como diz S. Paulo, porque é esperança em Cristo que nunca desilude.

5. EUCARISTIA, BENDITA SEJA!

Irmãos caríssimos, o Santíssimo Sacramento da Eucaristia e para nós penhor de salvação e garantia de que Cristo nos continua a amar e a querer permanecer connosco no meio das alegrias e das esperanças, mas também no meio do sofrimento e das tribulações.

Em gratidão, por mim e por vós rezo:

Eucaristia, fonte de vida, imortalidade,
Imensidão de graça e verdade.
Eucaristia, Corpo e Sangue do Senhor,
Sacramento e milagre de amor.

Eucaristia, primavera constante de inovação,
Corpo e Sangue de Cristo, sob a aparência de Pão.
Eucaristia, banquete pascal,
Refeição que nos dá o essencial.

Eucaristia, dom gratuito de Deus Amor!
Doação infinita de Cristo Senhor.
Eucaristia, sol radioso que alumia e fortalece,
Conforto e remédio de quem padece.

Eucaristia, mistério pascal e dimensão de eternidade,
Fogo de amor, grandeza e fecundidade.
Eucaristia, pão dos famintos que se querem renovar,
Sacramento de vida que se consagra, no altar.

Eucaristia, sorriso de Deus, partilha com o irmão,
Loucura de um Deus que quer habitar nosso coração.
Eucaristia, alimento reconfortante que nos conduz a Deus,
Fonte fecunda que revigora os filhos Seus.

Eucaristia, força criadora da Humanidade,
Amor profundo do Deus Trindade.
Eucaristia, gerada na Cruz do Senhor,
a maior invenção de Deus Amor!

Eucaristia, Sacramento de esperança e comunhão,
Presença de Cristo, nosso irmão.
Eucaristia, o grande suporte da vida da Igreja,
Pão dos fracos e dos fortes, Bendita seja.
[Irmã Maria Aurora, FMNS, adaptado]

16 de outubro de 2009

Adoro te devote




Este domingo vou pregar ao Santíssimo Sacramento. Isso faz-me reler e partilhar São Tomás de Aquino. Aliás, a partilha é um elemento da Eucaristia.

Adoro te devote

Ó Jesus, eu te adoro, hóstia cândida
Sob aparência de pão nutres a alma.
Só em ti meu coração se abandonará
Pois tudo é vão quando te contemplo.

Olhar, gosto e tacto não te alcançam
Mas a tua palavra permanece firme em mim:
És Filho de Deus, nossa verdade;
Nada mais há de autêntico, quando tu nos falas.

Na cruz escondeste a divindade,
Embora sobre o altar velas pela humanidade;
Homem-Deus, a fé a mim te revela,
Como ao bom ladrão, dá-me o céu, um dia.

Mesmo que tuas chagas não me mandes tocar
Grito com Tomé: “Tu és o meu Senhor”;
Cresça em mim a fé, quero em ti esperar,
Só em teu amor encontra paz o meu coração.

És memória eterna da morte do Senhor,
Pão vivo, vida, em mim tu te transformas
Faz com que a minha mente de ti a luz extraia,
E do teu maná em si conserve sabor.

Qual pelicano, nutre-nos de ti;
Do pecado, grito: “Lava-me, Senhor”.
Teu sangue é fogo, que queima o nosso erro,
Uma só centelha a todos pode salvar.

Agora fito a Hóstia que te esconde de mim.
Ardo com a sede com que anseio ver-te:
Quando esta carne se dissolver,
O teu rosto, luz, se revelará.

Ámen.

15 de outubro de 2009

Gostar e amar




Irei ao teu encontro,
Na manhã de um dia sonolento…
Por entre ervas e arbustos,
Por entre pedras e árvores.

Naquele bosque encantado,
Onde tudo começou,
Onde o amor brotou,
E se abriu como uma flor.

Nasceu entre nós essa bonita flor,
Que a gente chama amor,
Sem saber o que isso é…

Amor é sentimento de luta
- Palavra rota e banal -
De pessoas que acreditam,
Que fazem e espalham
Esse acto triunfal.

Amor é luta
É vida, é conduta.
É como desfiladeiro,
Com as pessoas a um passo
De lhe dar um só abraço
Apertado e por inteiro.

Ama e faz o que quiseres.
Ama e vive
Porque viver é amar.

inédito JAC
2002

13 de outubro de 2009

Sem medo




Caí!
Envergonhei-me primeiro
E não tenho coragem de olhar-te!

Lutei!
Pensando que estava sozinho.
Mas não!
Tu lá estavas
Sempre próximo e disponível
Amoroso como Pai e Mãe.


Venci!
Tu estavas – e estás – por mim.
Que mais posso desejar?
Agora não me envergonho de cair
Sei que me ajudarás a levantar-me!

Obrigado pela providência!

JAC
10.10.09

12 de outubro de 2009

Uma certeza!

O Silêncio tem sempre as palavras certas!

Não ter medo de parar



Busca sempre mais fundo
O modo de encontrares alguém
Capaz de te dar algo profundo
E não se dê a mais ninguém.

Busca sem qualquer tipo de pressa
O equilíbrio que se pretende
Mas nunca faças as coisas depressa
A espera é algo que não se entende.

Dá espaço, tempo e lugar
Para que possas aprender devagar
E não hesites perante a pressão

Não tenhas medo de parar
Só assim podes transformar
E fazer crescer o teu coração.

JAC
10.10.09

8 de outubro de 2009

Até Jesus!



Quando vens ao meu encontro
Sempre estou atarefado
Quando me pedes um bocado
Nunca te sei dar um pouco.

Mas, tu não desistes logo
Estás disposto a continuar
Tu comigo queres contar
Por isso, hoje, eu te rogo.

Homens para anunciar
Pelos vales, pelos montes
Quero que estejas comigo…

Dá-me forças para proclamar
Pelos mares, construir pontes
Para Ti, Jesus, irmão e amigo!

inédito JAC
2007

Vita brevis



A vida é como o rio que passa
Corre tão velozmente
Às vezes nem sei se passa
Corre depressa, infelizmente.

Sou um homem, mais um homem
Que percorre o seu caminho
Vivo a vida como dom
Que me foi atribuído.

Há quem não quer viver a vida
E só quer espalhar horror;
A vida é como o ressoar dum hino
Na tonalidade da dor.

Corre, corre, vida corre
Corre muito depressa
A vida é apenas dor
E dor que nunca cessa.

Coitada de ti, ó vida,
Que vives impaciente
À espera que teus filhos
Voltem de novo a ser gente! …

inédito JAC
2004

Vida das palavras



Em cada letra que escrevo
Deixo outra por escrever
Em cada momento que vivo
Muitos ficam por viver.

Em tudo aquilo que digo
Muito fica por dizer
Assim, eu continuaria
Se mais quisesse escrever…

inédito JAC
2002

Porra lá para a presunção!!!

Todos os dias aprendemos coisas novas. Umas são boas outras nem por isso. Apesar de tudo é bom estar sempre a aprender.

Custa-me, no entanto, ver que o trabalho dos outros não é reconhecido. É um facto que nem todos somos nem temos de ser peritos em tudo. Mas há que reconhecer quando os outros dão o melhor de si.

Bom alegra-me é que Cristo via e vê bem o BEM das pessoas. Apesar de fracas, pecadoras, ele conseguia descortinar sempre uma luz de bem. Era essa - e é ainda - que leva à conversão.

Perdoem-me o desabafo. Mas às vezes não somos nada cristãos - como Cristo.

até breve

6 de outubro de 2009

Linguagem universal




A linguagem do amor é universal
Compreensível em toda a parte
Irrompe como hino triunfal
Na expressão “Para sempre amar-te”.

Ainda que a língua não ajude
Qualquer gesto de amor se entende
Ainda que a atitude não mude
Criar fraternidade é o que se pretende.

A vida vale por gestos que significam
Que tragam à terra a bondade dos céus
Que a todos englobem no mesmo fulgor

Assim mesmo os laços se intensificam
E salta, irrompendo, a ternura de Deus
Que grita bem alto "Eu sou o Amor".

8.9.09

5 de outubro de 2009

A grandeza da pequenez!

A grandeza está em tornar-se pequeno.

Dá-me, Senhor, a grandeza de apontar para Ti e a pequenez necessária para não ofuscar a Tua luz!!!

continuo sereno e a aguardar boas novas...

Até breve.

2 de outubro de 2009

Ao meu jeito!





até breve

A Igreja que amo

A Igreja é uma casa universal, por isso, é católica. Quando  nos colocamos ao serviço dela, por Cristo, não temos fronteiras.

Amo uma Igreja aberta ao mundo, como Cristo, Senhor e Salvador de todos!

A missão não me assusta. Vou com Cristo. Ele é meu guia, minha luz, meu porto seguro, meu sustento e meu descanso... meu tudo!!!

mais novidades brevemente...

beijos e abraços a todos.

30 de setembro de 2009

O fim de um ciclo

Hoje fecha-se um ciclo na minha vida.
Durante dois anos, estive a trabalhar, como jornalista, no Diário do Minho. Concomitantemente assumi colaborações na Oficina de S. José, em Braga, e nas paróquias da Sé Primaz e de S. João de Souto.


Termina hoje esta fase, aguardando, serenamente, nova missão, que passará pelo trabalho numa paróquia da Aquidiocese.


Aqui, quero deixar o meu sentido agradecimento a quantos, ao longo destes dois anos, privaram comigo.


Foi um tempo de crescimento, de enriquecimento pessoal, que não seria possível sem a ajuda de tanta gente amiga.


Fica a certeza da presença neste espaço, o espaço onde, de alguma forma abro o coração e a alma.


A missão obriga a estarmos sempre disponíveis. Servir Cristo e a Igreja é o que me move.


Obrigado a todos.
Até breve

Cinema para padres de Braga ainda não tem lista definida


Enzo Bianchi e Rui Alberto foram os oradores convidados para a primeira sessão


O ciclo de cinema sobre a figura do presbítero, que a Arquidiocese de Braga promove durante este Ano Sacerdotal no âmbito da formação permanente do Clero, ainda não tem uma lista de filmes definida e encerrada. A informação foi avançada ao Diário do Minho pelo padre Arlindo Cunha, sacerdote da Diocese do Porto e que coordena este projecto, a pedido da Equipa de Formação Permanente do Clero.
O responsável pela iniciativa garantiu ontem, desmentindo alguma informação veiculada na comunicação social, que a listagem de filmes «ainda não está definida». Confirmando que fez à Equipa de Formação Permanente do Clero uma sugestão de «alguns filmes», disse, contudo, que estão confirmados apenas dois, o que passou ontem e o próximo filme a projectar brevemente. «Nem sequer o terceiro filme está escolhido», atirou, desmentido que estejam escolhidos os filmes a projectar.
Arlindo Cunha explicou, antes da projecção do primeiro filme, que o objectivo passa por analisar diferentes tipos de padres que foram sendo retratados no cinema. O sacerdote que é também professor no Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo começou por elucidar os sacerdotes e seminaristas presentes em relação à evolução de pensamento da Igreja sobre a sétima arte. «Condenado inicialmente até por meio de uma encíclica, hoje o cinema é uma das maravilhas queridas de Deus», sustentou.
Por seu lado, o cónego Vítor Novais, Reitor do Seminário Conciliar de Braga e membro da Equipa responsável pela Formação Permanente do Clero, garantiu que a iniciativa terá a exibição de nove filmes, divididos em três séries. Mas, «a listagem não está definida, apenas sugerida» garantiu o capitular, destacando que se trata de uma «iniciativa de carácter formativo apenas aberta ao Clero da Arquidiocese».

Enzo Bianchi
apresentou livro
A recolecção do Clero da Arquidiocese de Braga que decorreu ontem no Auditório Vita teve direito à presença de Enzo Bianchi, ao final da manhã, para apresentar o seu mais recente livro, intitulado “Para uma ética partilhada”.
A obra do Prior da Comunidade Monástica de Bose (Itália), que está dividida em quatro capítulos mais introdução e conclusão, foi apresentada ontem em Braga, pelo próprio autor, ouvido e aplaudido por cerca de duas centenas de pessoas.
Numa comunicação em italiano, com tradução simultânea, Enzo Bianchi apresentou os principais temas que desenvolve no seu mais recente livro, onde se destacam reflexões sobre a relação entre religião e política.
Para o Prior de Bose, autor de vários livros, alguns dos quais best-sellers em Itália, «os cristãos têm um papel fundamental na política» e «na vida social» que não podem nunca descurar.
Em relação à «guerra de civilizações» e aos «choques culturais», o leigo italiano, de 66 anos, defendeu que é fundamental «a Igreja colocar-se em atitude de abertura» e de «caminho conjunto».
No livro traduzido para português e publicado pela Editora Pedra Angular, Bianchi fala de temas como a laicidade, a presença da Igreja no espaço público e globalização, entre outros, para além do tema que dá título ao livro: a ética.


Padre Rui Alberto falou sobre desafios do presbítero
«Cristo é a fisionomia do padre»


O padre Rui Alberto foi convidado para orientar a primeira intervenção da recolecção do Clero da Arquidiocese de Braga que contou com a presença de várias dezenas de sacerdotes e ainda do novo Bispo Auxiliar de Braga, D. Manuel Linda, que presidiu à oração de Laudes com a qual arrancou a jornada formativa.
O orador convidado falou sobre “Desafios e discernimento. Ser padre”, à luz da “Pastores dabo vobis”, documento de João Paulo II sobre o ministério sacerdotal.
O salesiano começou por destacar a actualidade do texto, sem deixar de apontar «algumas questões que o tempo se encarregou de tornar obsoletas».
O objectivo da recolecção, assim como o do documento de João Paulo II, é, para o padre Rui Alberto, «repensar, ler desafios e discernir o ministério sacerdotal», ainda que, esse caminho deva ser feito «sem triunfalismos de vanglória» e «sem lamúrias».
O sacerdote, ordenado há 11 anos, defendeu que «ser padre hoje é igual a sê-lo como em todos os tempos», porque o «padre deve-o ser como Jesus», sempre «respondendo aos desafios concretos de cada tempo». «Cristo é a fisionomia do padre», sublinhou, destacando que «o presbítero está em relação com Cristo, mas com os pés assentes na terra».
Depois de traçar os desafios que o tempo actual, entre a modernidade e a pós-modernidade, trazem à vivência do ministério sacerdotal, Rui Alberto frisou que o discernimento deve ser acompanhado de um «conhecimento profundo» que seja «interpretado à luz da fé», tendo em conta as «complexidades», mas também a «criatividade do Espírito que faz novas todas as coisas».
Antes de terminar e depois de realizar com os presentes um pequeno exercício, o salesiano deixou o desafio de os sacerdotes saberem dialogar com a realidade social actual, aproveitando as oportunidades e transformando o negativo em positivo.
E esquematicamente deixou a seguinte mensagem: é preciso incrementar as forças, superar as fraquezas, aproveitar as oportunidades e transformar as ameaças em oportunidades. «O Santo Cura d’Ars fez isto como ninguém. Neste Ano Sacerdotal podemos aprender isso com ele», concluiu.

29 de setembro de 2009

Novo Bispo Auxiliar tomou posse em Braga





O novo Bispo Auxiliar de Braga, D. Manuel Linda, tomou ontem posse nos Serviços Centrais da Arquidiocese. Este prelado junta-se agora ao também Bispo Auxiliar D. António Couto e ao Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga. Na cerimónia de tomada de posse, o responsável pela Arquidiocese salientou que a Igreja de Braga está apostada em «gerar esperança» num contexto não apenas religioso como social, cultural e economicamente adverso. Curioso é olhar para os lemas dos dois bispos auxiliares e observar que têm a “esperança” como ponto comum.
Numa cerimónia «familiar», como a caracterizou D. Jorge Ortiga, foi dada posse a D. Manuel Linda como vigário-geral da Arquidiocese e como presidente da Comissão Arquidiocesana para as Vocações, Ministérios e Missões. Presentes, para além do Arcebispo Primaz e do Chanceler da Cúria, estiveram os dois vigários-gerais, cónego José Paulo Abreu e cónego Valdemar Gonçalves, o padre José Carlos Vilas Boas e Sá e diversos funcionários.
O Arcebispo de Braga disse gostar da «solenidade das coisas pequenas» e indicou aquela como um cerimonial que obedece a regras canónicas que «poderia decorrer com uma maior dimensão exterior» e com maior mediatismo. «Quisemos que isto decorresse num ambiente mais familiar», referiu D. Jorge Ortiga, acrescentando que a apresentação pública de D. Manuel Linda, ainda que sem nenhum momento em particular, decorrerá domingo, na Sé Catedral, na cerimónia que marcará a abertura do ano pastoral de 2009-2010.
D. Jorge Ortiga indicou que, tal como os seus auxiliares, não exercem o episcopado para fazer obra própria mas, acrescentou, «para que a Arquidiocese de Braga seja uma Igreja particular ao serviço do Evangelho e dos mais pobres».
Aliás, o prelado recordou os números estatais que dão conta que o distrito de Braga perde 951 empregos por mês e que, em um ano, a pobreza subiu 12 por cento, no mesmo território.
É neste contexto social adverso que o Arcebispo de Braga pediu ao seu novo bispo auxiliar que integre uma equipa episcopal e clerical arquidiocesana que pretende ser «instrumento de esperança». «A vinda de D. Manuel Linda é para nós, essencialmente, motivo de alegria e esperança», disse D. Jorge Ortiga, referindo que aquele novo bispo, pela experiência que tem - foi reitor do Seminário de Vila Real, Vigário Episcopal para a Cultura e Coordenador da Pastoral da Diocese de Vila Real –, vai dar «um novo alento ao trabalho vocacional».

Adeus emocionado
ao clero de Vila Real
O novo Bispo Auxiliar de Braga revelou que ainda na manhã de ontem, antes de viajar para Braga, se deslocou a um encontro de formação do clero de Vila Real onde aproveitou para se despedir. D. Manuel Linda não escondeu que se tratou de uma despedida emocionada mas frisou que, agora, «Braga é a minha casa e a minha “pátria”».
Depois de fazer a profissão de fé e do juramento previstos pela legislação canónica, o novo prelado bracarense disse que irá guardar «com carinho» o papel da sua provisão já que este é o primeiro serviço das novas funções como bispo.
Prometeu amizade aos sacerdotes e colaboradores da Cúria presentes, sendo que já é amigo de longa data do Arcebispo Primaz e do seu colega auxiliar D. António Couto.
Ao Diário do Minho, D. Manuel Linda disse que vai agora procurar conhecer melhor a realidade da Arquidiocese de Braga e não lamenta que as visitas pastorais – que estão suspensas durante este Ano Sacerdotal – não se realizem.
Tal como já tinha avançado D. Jorge Ortiga durante o próximo ano pastoral, que se inicia domingo, os bispos da diocese vão privilegiar o contacto «com todos os sacerdotes» da arquidiocese para, no Ano Sacerdotal, conseguirem estabelecer «comunhão com todos». É, precisamente, deste contacto pessoal que D. Manuel Linda diz esperar ficar a conhcer a realidade da Arquidiocese de Braga, os seus valores e debilidades.
Quanto à sua nomeação para liderar a Comissão Arquidiocesana para as Vocações, Ministérios e Missões, o bispo refere que esta corresponde a uma orientação de distribuição das diversas funções da arquidiocese.
Sobre D. Jorge Ortiga, o novo bispo auxiliar não escondeu que nutre «profunda e longa amizade» com o Arcebispo Primaz. Sobre D. António Couto, seu colega auxiliar e pouco mais velho, D. Manuel Linda refere que já são amigos há muitos anos, desde que se conheceram no tempo em que ambos estudavam.
Curioso é olhar para os lemas episcopais dos dois Bispos Auxiliares de Braga. O lema adoptado por D. António Couto é “Vejo um ramo de amendoeira”, que tal como o profeta Jeremias constitui um grito de esperança no “Inverno” que parece se ter abatido sobre o homem contemporâneo. Por seu turno, D. Manuel Linda escolheu como lema “Sede alegres na esperança”, o que vai de encontro à mensagem que o próprio Arcebispo Primaz tem procurado transmitir face ao clima de desalento social e espiritual instalado.

Diário do Minho

26 de setembro de 2009

Habemus Papam!



A alegria resultante do anúncio oficial da visita de Bento XVI a Portugal foi “ensombrada” por um lapso aparente e por falta de comunicação institucional. Bento XVI visita Portugal em Maio de 2010 e, ao contrário do que é habitual, o anúncio foi feito primeiro pela Presidência da República e só depois “confirmado” pela Conferência Episcopal.
Claro que este pequeno imbróglio, sem causar uma qualquer revolução ou guerra civil interna, não caiu bem, particularmente ao Episcopado português. Bom, e a Presidência da República logo se mexeu e “limpou o capote”, dizendo que tinha acertado com a Santa Sé o conteúdo e o momento para o anúncio da visita papal, que os Bispos preferiam apenas depois das eleições de amanhã.
A juntar a isto há ainda o facto de, aparentemente, passar a ideia de que o convite foi feito pelo Chefe de Estado português, relegando para segundo plano o convite repetido que os Bispos fizeram a Bento XVI.
Todavia para o Papa aceitar visitar um qualquer país precisa de dois convites oficiais: um do Estado (Presidente da República) e outro da Igreja (Episcopado). Claro que quer os Bispos quer Cavaco Silva convidaram Bento XVI.
Mas a “deselegância” como lhe chamou Aura Miguel, de Cavaco chega ao ponto de dizer Bento XVI vem a Portugal “em resposta ao convite que lhe foi endereçado pelo Presidente da República”. Não diz verdade toda, revelando falta de elegância com a Igreja de Portugal.
A moral da história é que uma notícia jubilosa e feliz para um país marcadamente católico, que manifesta uma fervorosa admiração pelo Santo Padre, esquece-se por “ninharias” de anúncios e de gabinetes de comunicação ou falta dele.
Claro que eu, como cristão, ficaria mais feliz se o anúncio fosse conjunto ou então até, em primeiro, pela Igreja. Mas não foi. Agora há que “acertar agulhas”. Começará a fase da preparação da visita que se espera refrescante e revitalizante para a Igreja Portuguesa e para uma sociedade cada vez mais secularizada.
Fico extremamente feliz com a vinda de Bento XVI que, com a excelência do seu pensamento, a eficácia das suas palavras, o afecto dos gestos e a ternura do olhar – não duvido – cativará ainda mais Portugal e os portugueses.

Papa na República Checa




Na igreja de Nossa Senhora das Vitórias, em Praga, na República Checa, o Papa Bento XVI coroou a famosa estátua do Menino Jesus. Nesta ocasião, o Papa Bento XVI rezou a seguinte oração:

Ó meu Senhor Jesus,
contemplamos-te menino
e cremos que és o Filho de Deus,
que se fez homem
no seio da Virgem Maria,
por obra do Espírito Santo.

Tal como em Belém,
também nós, com Maria, José,
os anjos e os pastores,
te adoramos e te reconhecemos
como nosso único Salvador.

Fizeste-te pobre
para nos enriqueceres com a tua pobreza.
Concede-nos que nunca esqueçamos os pobres
nem todos quantos sofrem.

Protege as nossas famílias,
abençoa todas as crianças do mundo,
e faz com que o amor que nos trouxeste
possa sempre reinar entre nós
e conduzir-nos a uma vida mais feliz.

Faz, ó Menino Jesus, com que todos
possam reconhecer a verdade do teu nascimento,
para que possam saber
que vieste para trazer
a toda a família humana
luz, alegria e paz.

Tu és Deus e vives e reinas
com o Deus Pai
na unidade do Espírito Santo,
um só Deus, por todos os séculos dos séculos.

Ámen.

25 de setembro de 2009

O choro pode durar uma noite; mas a alegria vem pela manhã






Exaltar-te-ei, ó Senhor, porque tu me levantaste, e não permitiste que meus inimigos se alegrassem sobre mim.
Ó Senhor, Deus meu, a ti clamei, e tu me curaste.
Senhor, fizeste subir a minha alma, conservaste-me a vida, dentre os que descem à cova.
Cantai louvores ao Senhor, vós que sois seus santos, e louvai o seu santo nome.
Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de júbilo.
Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: Jamais serei abalado.
Tu, Senhor, pelo teu favor fizeste que a minha montanha permanecesse forte; ocultaste o teu rosto, e fiquei conturbado.
Ouve, Senhor, e tem compaixão de mim!
Ó Senhor, sê o meu suporte!
Tornaste o meu pranto em regozijo, tiraste o meu cilício, e me cingiste de alegria;
para que a minha alma te cante louvores, e não se cale. 
Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre.



cf. Salmo 30

Habemus Papam!


Apesar da questiúncula dos anúncios em tempos diferentes, alegro-me com a visita de Bento XVI a Portugal. É mais um momento de graça!

24 de setembro de 2009

Salmo de Confiança





O Senhor é a luz que me guia 
e a fonte de minha salvação; 
a quem, então, temerei? 
Ele assegura minha existência; 
o que eu haveria de recear? 


Se malévolos me atacam e me pretendem destruir; 
tropeçam e caem.
Ainda que me cerque um exército, 
não se deixará abalar meu coração 
e mesmo que desfechem guerra contra mim, 
minha fé permanecerá inabalável. 


Um anseio manifestei ao Senhor e sua realização buscarei 
– que eu habite em Sua morada por todos os dias de minha vida, 
a fim de poder contemplar Sua Glória 
e buscar a compreensão de Seus Mandamentos. 


Se uma calamidade ocorrer, Ele me abrigará em Seu tabernáculo; 
guardar-me-á no recôndito de Sua Tenda, 
erguer-me-á acima do cume das montanhas. 


Protegido contra os inimigos que me quiseram destruir, 
trarei então oferendas de gratidão à Sua tenda 
e entoar-Lhe-ei canções de louvor. 


Escuta, ó Senhor, minha voz, 
aproxima-Te de mim 
e concede-me Tua resposta quando a Ti eu clamar. 


Meu coração compreendeu Teu Mandamento 
– “Buscai Minha Presença” – e Tua Presença ele busca. 


Não ocultes de mim Tua face e não me afastes de Ti em ira. 


Tu tens sido meu socorro, portanto não me abandones e não me olvides, 
ó Deus de minha salvação! 


Me abandonaram meu pai e minha mãe, 
mas o Senhor me acolheu. 


Ensina-me Teus caminhos, guia-me pela vereda dos justos 
e protege-me dos que me odeiam. 


Não permita que prevaleça contra mim o furor dos inimigos 
que caluniam e trilham as sendas da violência. 


Eles me fariam desesperar, não fora minha fé perseverante 
de que alcançaria neste mundo a bondade do Senhor. 


Confia pois Nele! 
Assim, fortalecer-se-á teu coração 
por depositares no Senhor toda a tua esperança.

tirado daqui

23 de setembro de 2009

Opção fundamental

Jesus é opção
Porque escolha de um valor
De um fim, de um humanismo.
É opção fundamental
Capaz de abranger a totalidade da pessoa
E de se transformar
num projecto apaixonante
Que fundamenta a personalidade
E facilita a entrega,
Capacita a potencialidade
E estrutura a conduta;
Evita a dispersão
E define a pessoa
Perante si e os outros.

É a opção religiosa
Do crente que tem Deus
Nas suas decisões, atitudes e projectos.
É a opção cristã
Que considera Deus seu Pai
Jesus Cristo, irmão
E o Espírito dador de vida.
Jesus é opção…
É opção fundamental.

inédito JAC
2004

Escrevi isto há cinco anos e continuo a crê-lo, a a reafirmá-lo!.

Lição para a vida







Segue, vivendo,
alegre cada dia
porque é uma maravilha
mais um dia para viver.

Vive, sentindo,
amando sem medida,
porque é uma graça sentir
que amas e és amado.

Ama sem mais
e sem olhar a quem
porque essa é a medida
de ter tornares alguém.

Torna-te aquilo que és
humano e filho de Deus
e assim serás feliz
e com toda a certeza
alcançarás os céus.

22.9.09

Até quando


Até quando Senhor?
Até quando... Meu Deus!!

É a vida! (lamento!)

Há coisas que não percebo.

Continuo o caminho com a força que vem do Alto, mas...


Deus está por mim. Deus está por nós!
Às vezes, sinto-me Job, ou Abraão com Isac antes do sacrifício.


Continuo a rezar: Vela por mim, Senhor, Amén!

22 de setembro de 2009

Admirável mistério




Admirável mistério do sacerdócio
Que toca em mãos humanas Deus
E traz aos homens de todos os tempos
Um pouco da ternura existente nos céus.

Admirável mistério de alegria
É o que se recebe na Ordenação
Para anunciar e celebrar Eucaristia
E levar a paz ao humano coração.

Servir todo inteiro a Jesus
Amando sem reservas nem fronteiras
Sempre pronto para abraçar.

É este o luminoso mistério da cruz
Que não conhece amarras nem barreiras
No sacerdote chamado a abençoar.


2.9.09

Escrito em Fátima, durante o VI Simpósio do Clero de Portugal.
A foto - foi tirada em Vila Verde pelo colega José Carlos Ferreira (um abraço!) e oferecida - assenta que nem uma luva. A cruz tem sempre algo de luminoso. Por muito escuro que possa ser o ambiente, a envolvência brilha e cintila porque da cruz brota e irradia a luz, melhor a LUZ que é Jesus! Aliás, isto lembra-me um refrão de uam música que escrevi há uns anos para um festival da Canção Religiosa:

Jesus és minha luz
só a ti eu quero ver
na tua morte de Cruz
és dom a bendizer
hoje e sempre, ó meu Jesus,
és a razão do meu viver!

21 de setembro de 2009

Fado de Deus


Triste fado é este que cantamos
de mãos atadas e presas à dor.
Fado triste é este que elevamos
sem o transformarmos em amor.

Muda sina várias vezes carregamos
sem espreitar o claro alvor
mas juntos, na certeza, entoamos
o mais belo hino ao amor.

Vem e acolhe-nos com ternura
Senhor Nosso Deus, a Vós confiados
na força e segurança do teu braço.

E segura-nos sempre com brandura
já que em Cristo fomos resgatados
na Cruz, o oblativo gesto do abraço.

4. 08. 2009

18 de setembro de 2009

Hoje falei de ti

Desculpa,
sei que tu és uma pessoa muito especial mas,
hoje falei de ti...
É... até foi de propósito!!!
Eu estava a falar com DEUS quando resolvi falar de ti.

Eu pedi que ELE te cobrisse de protecção
e te fizesse muito FELIZ.
ELE disse para eu não me preocupar.

E ainda me pediu que eu te dissesse que ELE te ama muito
e vai fazer o possível,
e principalmente o impossível,
para nunca te ver triste.
Pediu-me ainda para te dizer que ELE sabe que ás vezes
vais pensar que ELE
não está do teu lado,
ou que irás questionar
o porquê de muitas coisas terem acontecido, ou
não terem acontecido na tua vida.
Mas um dia irás olhar para trás e dizer:
Como DEUS faz as coisas certas,
hoje eu vejo que tudo está na hora certa e que ELE não falha..

Olha só quem veio comigo!!!
Ele quer-te abençoar.




obrigado mistério (Beta) pela partilha

16 de setembro de 2009

“Chama da Solidariedade” quer chamar mais pessoas para a causa



Périplo iniciado em Braga termina sábado em Viseu


A “Chama da Solidariedade” iniciou ontem em Braga o seu périplo por algumas cidades portuguesas com a intenção de «chamar mais pessoas» para a causa da solidariedade. Numa singela cerimónia na Avenida Central que contou com a presença de vários digirentes distritais e nacionais ligados à solidariedade social foi exaltado o trabalho feito até ao momento neste nível e lançado o alerta para um envolvimento colectivo em torno das dificuldades das franjas mais desfavorecidas da população portuguesa.
Nesta cerimónia de partida, a tocha foi transportada de mão em mão por utentes e educadores de instituições sociais de Braga, desde a Avenida Central até à Avenida da Liberdade. O grupo “Zés Pereiras do Novais” deu animação e colorido à festa tal como as dezenas de crianças presentes.
O percurso da “Chama da Solidariedade” que saiu ontem de Braga termina no sábado em Viseu onde decorre a Festa da Solidariedade 2009. Até lá, a tocha passa por algumas cidades portuguesas.
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, marcou presença neste «gesto simbólico», referindo que a inciativa pretende «exaltar o muito que se faz neste país em favor dos mais necessitados e carenciados» e «alertar para a necessidade deste envolvimento colectivo».
«Nós somos todos responsáveis por todos», disse, justificando a iniciativa que está empenhada em «chamar mais gente a causa».
Destacando o papel insubstituível das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), Lino Maia revelou que «o que se faz no país em favor das populações mais carenciadas é feito por estas instituições». E deixou o pedido: «Quantos mais formos melhor se fará, melhor qualidade de vida se terá e mais esperança conseguiremos para o país».
O dirigente nacional apontou ainda que a crise económica que o país atravessa acentua o trabalho das IPSS que registaram este ano mais solicitações. «Os problemas decorrentes da crise, particularmente a fome e o desemprego» fizeram disparar o número de solicitações a instituições de solidariedade social. Além do mais, para o padre Lino Maia nem os «menores contributos recebidos pelas instituições» impediram de continuar a prestar os seus serviços nem justificaram o encerramento de qualquer uma.
«As IPSS continuam a fazer o seu trabalho e não se mandam utentes embora por contribuírem menos para a instituição», frisou.

Distrito de Braga
precisa mais que nunca
das IPSS
A cerimónia de acendimento da “Chama da Solidariedade” e da sua partida foi presenciada pelo governador civil de Braga. José Lopes felicitou a organização do evento destacando que «actos de solidariedade são indispensáveis e devem ser apoiados».
O governador civil reconheceu que a solidariedade é uma «necessidade permanente» mais ainda no distrito de Braga onde muitas pessoas continuam a precisar de apoios sociais.
«A solidariedade é um sentimento que deve unir todas as pessoas», afirmou, sustentando que a solidariedade «humaniza a vida».
No distrito de Braga há muitas pessoas a precisar de apoio social. «Sempre houve e hoje há mais», revelou José Lopes, declarando que o apoio dado à população mais necessitada serve também para «lhes dizer que não estão isoladas e sozinhas».
«Este gesto iniciado hoje é um sinal que pretende mostrar que nas dificuldade há sempre alguém pronto a ajudar», defendeu o representante do Governo em Braga.
Alargando as declarações à comunicação social presente, o governador civil referiu-se aos incêndios no distrito de Braga, particularmente no ultimo fim-de-semana que foi «muito difícil» e «negro». Aliás, «ainda estão a deflagrar incêndios no distrito» e que estão a merecer um «grande empenho e esforço» das diversas corporações de bombeiros distritais.
«Estamos todos preocupados com essa situação» disse, anotando que as indicações de baixas de temperatura nos próximos dias são um bom sinal para quantos se empenham nas lutas contra os incêndios.

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...