17 de novembro de 2009

Cristo Rei



Cristo Jesus
rei poderoso
és bom pastor
misericordioso.


Todo o universo
quer aclamar
o pastor e rei
que só sabe amar.


Jesus coroado rei
és do mundo Salvador
só em Ti eu tenho vida
só em Ti encontro amor.


Pela tua doação
tornas-me filho de Deus
e no fim da caminhada
faz-se conhecer os Céus.


O último juízo
é por amor
de toda a criação
és Tu o redentor.

JAC 2005

14 de novembro de 2009

Luz diante de nós…

O dia do Senhor virá como um ladrão,
Durante a noite (1Tes, 5, 4)
É preciso estar sempre pronto para acolher o Senhor.
É preciso estar sempre pronto, como as virgens prudentes,
Que se tinham abastecido de azeite para as suas lâmpadas.
Como os servos que esperam pelo amo,
Prolongando a sua vigília.
É preciso estar preparado para prestar contas, como aqueles que receberam de seu amo, antes da partida deste, talentos para fazer render.
Porque não somos da noite, nem das trevas,
Devemos viver na luz (1Tes 5,5).
Não durmamos, pois, como os outros, mas vigiemos
E sejamos sóbrios (1Tes5,6).
O nosso destino não é a cólera, mas o acolhimento do Pai,
Acolhimento caloroso para o pobre filho pródigo que regressa a casa.
É preciso saber que Cristo inscreveu os nossos nomes no Livro da Vida.
Cristo ressuscitou, está à direita do Pai,
E intercede por nós.
Se o renegar-mos, renegar-nos-á,
Mas podemos ter a certeza que nenhuma criatura poderá separar-nos do amor de Deus,
Manifestado em nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 8, 39).
Enquanto esperamos o Dia, devemos glorificar o Pai, dando muito fruto (Jo 15, 8).
Aguardamos novos céus, uma nova terra,
Nos quais habitará a justiça (2Pd 3, 13),
E só o vencedor será revestido de túnicas brancas.
Paulo compara a vida a uma corrida no estádio,
Onde qualquer concorrente se abstém de tudo (1Cor 9, 25).
Diz aos seus cristãos que não passem os dias
A olhar para as nuvens, para não perderem a chegada de Jesus:
Nós vos ordenamos e recomendamos,
No Senhor Jesus Cristo, que trabalhásseis tranquilamente,
Para comerdes um pão que vos pertença (2Tes 3, 12).
Deve-se fazer mais ainda:
É preciso trabalhar para ter que repartir
Com o necessitado (Ef 4, 28).
Pensai no Senhor, confrontado com o balanço dos nossos dias com a sua regra de vida.
Bastar-nos-á dizer: «Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome?» (Mt 7, 22).
«Quando te vimos com fome, com sede ou sem abrigo?» (Mt 25, 44).
Ao vencedor fá-lo-ei sentar comigo
No meu trono, tal como eu, que também fui vencedor
E me sentei com meu Pai no trono dele (Ap 3, 21).
Eis que vem um Dia
Ardente como uma fornalha,
E todos os soberbos, todos os que cometem o mal,
Serão como a palha (Mal 4, 1).

Marcel Denis
Para Ti, Senhor…

Estamos aqui

Como é bom, Senhor, saber que o teu amor é infinito
E que a tua palavra é semente de esperança
A germinar no nosso coração!
Ainda que o pecado afaste de nós a graça,
O Deus da graça jamais nos abandonará!
Assim como «o pássaro canta,
Mesmo que se parta o ramos,
Porque sabe que tem asas»,
Também aqueles que crêem na tua palavra, Senhor,
Encontram razões para uma alegria sempre nova!
Tu vieste, Senhor, para que todos tenham vida
E a tenhamos em abundância de amor…
Queremos ser fiéis testemunhas da alegria dessa certeza:
Trazer na alma o cântico novo da gratidão,
No olhar, a semente de uma esperança sem fim
E nos gestos, amor à medida da tua vontade:
«Que vos ameis uns aos outros como eu vos amei!»
Estamos aqui, Senhor, seres limitados…
Com projectos de infinito!
Porque cremos em Ti, Ressuscitado e Glorioso,
Fonte da Água viva que alimenta a nossa fé e o nosso amor…
Estamos aqui!

Carminda de Sousa Marques
Fome de Infinito. Rezar com o Evangelho

Faz-me esperar, Senhor





Faz-me, Senhor, esperar
O teu sonho para este mundo.
Faz-me confiar nos teus projectos e planos
E não andar encantado e encandeado
Com as luzes que o mundo quer fazer brilhar
Mais que a Tua própria luz.


Tu queres uma humanidade feliz.


Por vezes a humanidade
Parece não querer ser feliz.


Mas, no meio dos dramas que vemos
No meio de tantas dores lancinantes
Que cortam a alma
Dá-nos a coragem e a esperança
Que nos faz entender (ou pelo menos tentar)
A transformação que operas no mundo.


Do mundo velho que habitamos
Queres construir um mundo novo.


Esse é o teu sonho.
E queres-nos comprometidos nessa construção.


Queres-nos envolvidos nesses projectos
Por meio de uma vida sensata, humilde,
Entregue e dada,
Capaz de olhar aqueles que mais sofrem
Que são vítimas de calamidades
Maiores ou menores que sejam.


Queres-nos atentos e vigilantes
Aos sinais que o mundo vai dando
Para que vejamos neles
O renascer e o ressurgir
De algo novo, maravilhoso.


A tua chegada.

JAC
14.11.09

Esperar o sonho de Deus


Estas são as ideias que partilharei com os cristãos da Unidade Pastoral de Águeda (UPA), neste fim de semana em que celebramos o 33.º domingo do tempo comum.

1. Proximidade do fim do ano litúrgico: “Fim do mundo”

Dia e noite, sol e lua, salvação e angústia, vida e morte, anjos e demónios, felicidade e condenação, inferno e paraíso: são os contrastes que a liturgia apresenta entre o mundo passageiro e terreno e o mundo novo que há-de vir.

A linguagem é apocalíptica – aponta para a realidade do final dos tempos usando imagens simbólicas.

Não devemos, por isso, entender literalmente a mensagem apocalíptica; nada de fazer cálculos e previsões para saber o quando; devemos confiar no cumprimento do anúncio de Jesus em relação à sua última vinda. A nossa atitude é de espera. Assim, desta Palavra que parece desajustada aos nossos dias, devemos retirar um convite forte e premente à esperança.

2. “Esperai sempre”
Daniel fala-nos intervenção libertadora de Deus a favor do povo que sofria a perseguição de um poder estrangeiro
É um convite à esperança: viver esperando a vinda do Filho do Homem através da fidelidade e constância aos planos de Deus
Os que permanecem fiéis recebem por recompensa a vida eterna

Evangelho: Marcos

• Deste evangelho recebemos a garantia da chegada de um mundo novo, de vida e felicidade
• Vigilância perante os sinais que anunciam a aparição da nova realidade

3. Esperar o sonho de Deus
Esta Palavra é para nós que vivemos num tempo que deixou de esperar o que quer que seja.

É-nos pedida fidelidade aos valores e aos desígnios de Deus mesmo diante de perseguição que sofremos do mundo em geral. É-nos pedida a perseverança e confiança num Deus que não abandona o povo que lhe é fiel.

Perante tantos dramas que todos os dias nos entram pela porta dentro, graças à comunicação social, somos, a partir desta Palavra, convidados a abrimos a nossa porta à esperança.

Deus não abandona a humanidade. Mais ainda: Deus quer transformar o mundo velho (do egoísmo e do pecado) em mundo novo (de vida e felicidade). Não caminhamos para o abismo, nem para o precipício, caminhamos, como peregrinos, para a vida plena, onde se encontram aqueles que sempre se buscaram e amaram um ao outro: Deus e Humano.

O cristão é o profeta que testemunha os valores de Deus que são eternos e não efémeros como os do mundo.
Somos, portanto, testemunhas e profetas da esperança. Os dramas do nosso mundo são sinais eloquentes da transformação do mundo velho que se renova, pela força de Deus, até surgir um mundo novo e melhor.

O cristão não se fundamenta no pessimismo e na angústia. Devemos, ser cristãos com “rosto de gente salva”, rosto onde transborda a fé num Deus que caminha connosco até à felicidade eterna.

Devemos olhar a história com confiança e esperança: o cristão é uma pessoa alegre e confiante que olha o futuro com serenidade sabendo de antemão que é Deus Amor quem lhe preside.

Vida eterna é a recompensa para os que vivem na fidelidade aos valores de Deus. Acreditamos, a partir da Ressurreição de Jesus Cristo, que a vida não acaba na morte e, por isso, não nos sentimos derrotados mas optimistas porque Deus reserva a vida eterna e verdadeira para os que estão “inscritos no livro da vida”.

Deus é Senhor da história e fará surgir um mundo novo. Para tal, nós, somos chamados a anunciar com a vida, com palavras e gestos, esse mundo que Deus sonha e projecta. A religião ou a fé não são ópio (Marx) mas, trampolim para nos comprometermos com a história. Que cada um se comprometa neste sonho de Deus e que um dia seja realidade para nós. Aí estará a nossa felicidade, a nossa vida, a nossa eternidade.

13 de novembro de 2009

Os tempos da vida



A vida, queiramos ou não,
É um decurso de dias e horas
Etapas, anos, tempo…


Na vida há diversos tempos
E variadas fases
Tendo em conta a circunstância
E o trajecto de cada um.


Há o tempo da utopia
Onde abunda uma certa inconsciência.
É o tempo dos sonhos, dos projectos,
Das ilusões e do “tudo posso”.


Claro que o conhecimento
E a experiência da realidade
Levam à não concretização de muitos sonhos…


Chega então outra fase.


Vem o tempo do desencanto
Marcado particularmente
Pela experiência do fracasso.


É a experiência de passagem
Da ilusão à desilusão
Que traz consigo a dor da derrota.


A desilusão vem logo a seguir
Abarcando em si
A incapacidade de mais sonhar
E a aparente morte da alma
Que carrega, ainda assim, um corpo vivo.


Entra-se deste modo em exílio interior
Por meio da rendição à realidade.


Mas, o silêncio
É também tempo de amadurecimento.
É como que um deserto de solidão,
Um lugar de encontro com Deus.


Assim mesmo renasce a esperança
Que continua bem viva
Debaixo das cinzas dos sonhos primeiros


Vem o tempo da esperança da fé
Carregada, agora, de maturidade
Obtida por uma viragem radical.


É a erupção de Deus na vida,
Sempre por sua iniciativa,
E pedindo uma constante prova de fé.


JAC
10.11.2009

10 de novembro de 2009

Que Deus II!



A diferença que existe entre utopia e a esperança da fé é a mesma que existe entre homem sozinho diante do seu amanhã e o homem que creu no advento de Deus e espera o seu retorno.

Bruno Forte, As quatro noites da salvação.

Que Deus I!





Deus encontra-te onde estás e muda-te o coração e a vida, mudando o mundo à tua volta para que vejas com olhos completamente novos, liberto da tua cegueira.



Bruno Forte, As quatro noites da salvação.

Que Deus!



Ninguém é anónimo diante de Deus:



cada um de nós é um “tu” absolutamente único, singular, objecto de um amor infinito.


Bruno Forte, As quatro noites da salvação.

Semana de Oração pelos Seminários

Palavra incriada e criadora,
Palavra incarnada e reveladora,
Palavra do Pai, salvadora,
Palavra no Espírito Presente,
Palavra que convoca e provoca,
Palavra que chama e envia.



És Tu, Senhor Jesus, a Palavra
definitiva da História;
És Tu, Senhor Jesus, a Palavra
do Pai que se faz ouvir pela força
do Espírito Santo;



És Tu, Senhor Jesus, a Palavra
que toda a humanidade espera.
Faz de nós instrumentos
audazes e fortes
Para que a tua Palavra
se faça ouvir
Na autenticidade do
nosso testemunho,
Na coerência da nossa vida.



Faz de nós mensageiros
fiéis e credíveis
Para que a tua Palavra
seja recebida
Nos corações de tantos jovens
Que querem construir um
mundo melhor,
Que querem colaborar na
edificação do Reino,
Que querem encontrar o seu
lugar na Igreja.



Faz, Senhor, que estejamos
atentos à tua voz
Para que à primeira Palavra
nos levantemos sem demora
E avancemos de imediato
para a missão.



Faz, Senhor, que o nosso
testemunho seja a
nossa oração
Pelos Seminários e
pelos seminaristas
E por todos os jovens a quem
a tua Palavra chama
e envia.



Ámen.

7 de novembro de 2009

Não basta que Te demos muito…




Não basta, Senhor, que Te demos muito.
Não Te basta receberes muito
Porque tu queres tudo!
Tu deste tudo o que tinhas!
E o que eras.


Quem dá o que tem – seja muito ou pouco –
Cai em graça,
Fica agraciado
Porque só Te podemos servir a Ti.


Não podemos servir a dois senhores.
Tu queres que Te sirvamos
Unicamente a Ti.


Nada devemos antepor a Cristo.


Tu queres tudo
– Ainda que seja pouco.
Queres-nos todos inteiros
– Ainda que sejamos frágeis
Não nos queres fragmentados, nem às partes
Mas totalmente dados.


Também Tu te deste todo.


Queres todo o nosso coração,
O nosso entendimento,
A nossa vida,
A nossa pessoa.


A viúva “valia” pouco aos olhos do seu mundo
Mas deu mais que todos os ricos
Porque se deu toda inteira.


Totus tuus.
É o grito que ressalta e ressoa hoje no meu coração.
Porque se quero ser teu
Tenho que me dar sem reservas e por inteiro.
Não posso ser discípulo
Sem seguir e aprender
A atitude da rica pobre viúva:
Renunciar a tudo
Para me entregar e dar só a Ti.


JAC
03.11.09
XXXII Domingo Tempo Comum. Ano B

Este fim-de-semana vou celebrar na Borralha e em Barrô (sábado) e no Préstimo, Macieira e Castanheira (domingo)

6 de novembro de 2009

Maravilhamento

Onde houver maravilhamento haverá abertura à novidade de Deus, à impossível possibilidade seu amor, à esperança.

Bruno Forte, As quatro noites da salvação.

5 de novembro de 2009

Desejo de ver a Deus



Em virtude da tua graça,

O meu único desejo,

O meu desejo ardente, é ver-te.
Que toda a imensidão da terra

Veja a tua salvação, Senhor;

Vendo-a, amo-a: a verdadeira vida é o teu amor!
Neste imenso desejo que me faz vibrar tanto,

Digo a mim mesmo:

Quem pode amar o que não se faz?

Eis porque, Senhor, a Quem desejo ver,

Minh’alma te procura.

Procuro contemplar a tua face.

Suplico-te: não a escondas de mim!
Para merecer ver a tua face claramente,

Caminhar sob a sua luz

E apreciar as suas delícias,
Eu entrego-me, Senhor, sem vacilar,
À vida, à morte.


4 de novembro de 2009

Apresentação às comunidades da UPA: Uma Igreja sem Fronteiras!

É regra comummente aceite do viver em sociedade que quando alguém chega a um determinado local para aí viver – como é o meu caso – se apresente aos que já ali estão.
Ora é alicerçado nesse princípio cívico que me apresento a cada um de vós, agora que chego para trabalhar na Unidade Pastoral de Águeda, ou na feliz abreviatura na UPA.
Faço esta minha simples apresentação com amizade e estima por cada um de vós que aqui se encontra e por todos aqueles que não estando aqui são nossos irmãos, porque filhos de Deus.
Chamo-me José António Carneiro, tenho 28 anos, e sou natural de uma vila da cidade de Guimarães que se chama S. Torcato. Sou diácono e pertenço à Arquidiocese de Braga e ao seu presbitério. Provenho de uma família católica, tenho quatro irmãos e depois de concluir os estudos nos Seminários de Braga e de ser ordenado diácono trabalhei em três paróquias do arciprestado de Vila Nova de Famalicão. Depois disso, estive como jornalista no Jornal Diário do Minho, da Arquidiocese de Braga, ao mesmo tempo que colaborava numa instituição social da Igreja que acolhe rapazes oriundos de famílias disfuncionais e ainda em duas paróquias do arciprestado de Braga.
Venho trabalhar convosco, reacendendo uma antiga colaboração entre as dioceses de Braga e Aveiro, e depois de um feliz entendimento entre os seus bispos, respectivamente D. Jorge Ortiga e D. António Francisco.
Venho porque a Igreja não deve ter fronteiras. Quando me ordenei sabia que o estava a fazer para me entregar de corpo e alma a Cristo e à sua Igreja.
Estou cá para anunciar o Evangelho. Sou cristão como vós, baptizado. Sou diácono da Igreja, ordenado para ser ministro de Cristo a quem quero servir futuramente como presbítero. Sou acima de tudo homem, companheiro de viagem, peregrino, como vós, a caminho do Senhor.
Não está definida a periodicidade desta minha estadia ente vós. Fico enquanto os meus superiores e a Igreja mo pedir, sem ir contra a minha pessoa e os meus princípios. Comprometo-me a dar o melhor de mim em favor de Cristo e da Igreja.
Da vossa parte espero amizade, compreensão e também compromisso nesta mesma missão de anunciar o Evangelho.

Podeis contar comigo porque a partir de hoje conto também convosco. Agradecido a todos.

(texto para ler em todas as paróquias e locais de culto da UPA ao longo dos próximos fins-de-semana)

3 de novembro de 2009

Que eu viva por Ti


Senhor,

Levam-me a ti inteirinho,

Apropria-te de mim, passado a limpo.
Não permitas que nem mesmo

A mais insignificante fibra do meu ser
Seja por ti desconhecida.
Vive somente tu em mim

E faz

Com que eu viva somente para ti.



31 de outubro de 2009

Solenidade de Todos os Santos




Bem o sabemos, há um Livro da Vida.

E aquele que não foi encontrado inscrito no Livro da Vida

Foi lançado no lago de fogo.



Bem avisado o que vende tudo o que tem

Para adquirir o tesouro escondido no campo.

Vai e, cheio de alegria, vende tudo o que possui,

Para obter o tesouro.

Vai vender tudo, como aquele que encontrou uma pérola de grande valor…



É o que se faz quando se quer adquirir o Reino dos Céus.

Não devemos, efectivamente, adormecer

Sobre falsos bens, bens perecíveis

Que não têm pejo de nos trair no momento da morte:

Há os que se interessam pelo dinheiro, outros pela glória,

Outros pela ciência, a beleza, os prazeres…

Tudo isto é perecível e por vezes desonesto.



Um homem rico teve uma enorme colheita:

Pensa em deitar abaixo os seus celeiros para construir uns maiores,

A fim de aí guardar bens para muitos anos…

Insensato! Nesta mesma noite, virão exigir-te a tua alma!

E os teus bens para quem serão? (Lc 12, 20)



O conselho de Jesus é, antes, de fazer circular os bens,

De pensar nos pobres, de dar gratuitamente,

De fazermos para nós «um tesouro inesgotável».

Porque, «onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração».



O mau rico era um homem ocupado em comer bem.

Não tinha tempo para se distrair de tão séria ocupação.

Não tinha notado o pobre Lázaro,

Junto ao seu portão, a morrer de fome.

Aí está! Era dessas pessoas que estão sempre muito ocupadas,

Demasiado ocupadas para pensar nos outros,

E que, um dia, ficarão muito admiradas quando lhes disserem:

«Ide para longe de mim…

Eu estava nu, esfomeado, na prisão, doente…

E vós nada fizestes por mim…».



Estas pessoas têm boa consciência,

Fizeram-se uma boa consciência…

Tinham mais que fazer que pensar nos pobres, nos miseráveis…

Já pagavam bastantes impostos!



O Reino dos Céus não se adquire sem esforço.

Jesus diz-nos que só os violentos o arrebatam!

E no entanto os conselhos, os apelos, não faltaram:

«Vinde ao Banquete! A sala está preparada!».

Mas, lá está, é preciso fazer violência sobre si mesmo,

Quando se acaba de comprar um campo,

Se vai experimentar uma junta de bois, ou acaba de se casar…



Estamos muito ocupados, só pensamos nos nossos bens,

E, durante esse tempo, «a porta fechou-se»!



O «jovem rico» também ficou bloqueado

No caminho da perfeição: tinha muitos bens!



«A leve tribulação de um momento, diz S. Paulo,

Prepara-nos para uma eternidade de glória» (Ef 1, 18).


Marcel Denis

30 de outubro de 2009

Acertada contradição





Palavra contraditória!
Quem a pode escutar, ó Cristo?
Como podes querer que te sigamos
Se estamos tão longe da tua lógica.

Pois, é verdade, e quase me esquecia.
A tua lógica não tem lógica.

Então, são felizes os pobres em espírito
Quando meio mundo anda atrás do euromilhões
E outra metade atrás de riquezas e “jackpots”?

São felizes os mansos
Quando na sociedade os fortes é que vingam?

São felizes os que choram, ó Cristo?
Como é possível se todos buscam o bem-estar, o riso, a comédia, a ironia
E ninguém quer ouvir falar de dor, de sofrimento e de privação?

Dizes que são felizes os que anseiam cumprir a vontade de Deus
e o mundo toma como lei maior a não dependência de preconceitos ultrapassados
ou de qualquer autoridade?

Como podes apontar a felicidade dos misericordiosos
quando já ninguém se comove com a miséria e o sofrimento dos outros?

Ó Cristo, que palavra lancinante é esta que nos envias como espada!

Ainda dizes que são felizes os puros e os sinceros de coração
e a sociedade e os tribunais estão entupidos de casos de corrupção,
de mesquinhez, de mentira e de esquemas e favorecimentos.

Para ti, os que constroem a paz são felizes,
mas o mundo está cheio de guerra, de lutas, de oposições.
Parece que só pela força e pela violência se vence e se singra.

E como entender que quem é perseguido pode ser feliz
quando o mundo apregoa a liberdade total, a ausência de autoridade
e a entrada nos jogos poderosos
já que só com esses se pode subir na vida?

É mesmo uma palavra inaudível!
O nosso mundo parece provar que é utópica, sem lugar concretizável.

O que me pedes e a todos é um coração pobre.
Só um coração pobre está disponível para seguir o trilho das bem-aventuranças.

Quero encetá-lo também
Mesmo sabendo que vou contra-corrente.

Vou atrás daquele – Cristo – que ousou ir por outro lado, ousou ser diferente.

Vou com Ele e sou feliz
A caminho da santidade.

JAC
30.10.09
Solenidade Todos os Santos.

29 de outubro de 2009

Águeda 1.º dia

Começou a minha nova missão pastoral. Cheguei a Águeda na companhia do Sr. Bispo de Aveiro, D. António Santos, e de três padres de Braga, da Equipa Formadora do Seminário Conciliar. Cheguei com estas pessoas à companhia de outras: Três padres acolhedores, José Camões, Jorge e José Carlos - formamos o "clube dos jotas" - que depressa revelaram ter coração de Bom Pastor. Com eles a D. Anunciação que trata das lides domésticas na simplicidade e delicadeza maternal. Ao fim de semana junta-se ainda o padre Francisco. Também o Diácono Semedo trabalha nesta unidade pastoral de Águeda - a UPA.

Agradeceram a minha vinda. Eu agradeci o acolhimento.

Fui logo à missa na Igreja de Águeda. Apresentei-me sucintamente aos presentes e no final algumas pessoas vieram cumprimentar-me.

Ontem, dei um passeio com o padre Camões pelo centro da cidade. E já me apaixonei. Espero continuar a apaixonar-me mais cada dia que o Senhor quiser que eu esteja em Águeda.

Estou com força. Sinto a Graça a puxar-me. É o anúncio de Cristo que importa.

Quero ser feliz nestas terras enquanto o Senhor Jesus assim o quiser também.

28 de outubro de 2009

Diante da luz me arrependo



Diante de Ti, Senhor,
Que és a luz
Coloco as minhas trevas
Para que possa iluminá-las.

Só diante de Ti que és a luz
Vejo a minha fraqueza e pequenez.

Só diante de Ti
Reconheço as minhas divisões
E as desuniões que produzo.

Mas, Tu não estás dividido!

Por isso, me arrependo
Escutando o Teu desafio.
Por isso, me abro à novidade
Do Reino que inauguras
E que és Tu mesmo,
Como Palavra doada pelo Pai.

JAC 2007

26 de outubro de 2009

SARAMAGO E A BÍBLIA



Afirmou José Saramago que a Bíblia é «um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana» e reflecte uma imagem de «um deus cruel, invejoso e insuportável». Disse também que, como os católicos não lêem a Bíblia, não se sentirão muito incomodados com este tipo de afirmações.

Não sou especialista em exegese da Bíblia e certamente deveria conhecê-la melhor. Mas o que dela conheço é suficiente para concluir que é Saramago quem não a conhece, ou não a interpretou correctamente, porventura por ter desligado algumas das suas passagens da sua mensagem global.

Não compreendo como é que Saramago não viu na Bíblia a imagem de um Deus que é Amor. Em continuidade com o Antigo Testamento, que constantemente nos revela um Deus «clemente e compassivo», «lento para a ira e rico em misericórdia», o Novo Testamento revela em toda a sua plenitude o amor de Deus. Um Deus que, por amor, se incarna, partilha a condição humana e se identifica com o sofrimento humano até ao extremo do abandono e da morte na cruz, para que fosse restabelecida a Sua comunhão com a humanidade. Um Deus à imagem do bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas, ou que deixa todas as outras para salvar aquela que se perdeu. Um Deus à imagem do pai do filho pródigo, que perdoa e acolhe.

Na Bíblia encontramos, como em nenhum outro livro, a exaltação da dignidade da pessoa humana, criada «à imagem e semelhança de Deus». «Quando contemplo o céu, obra dos teus dedos, a Lua e as estrelas que fixastes…O que é o homem, para dele te lembrares…Tu o fizeste pouco menos do que um deus, e o coroaste de glória e esplendor» (Sl. 6).

Quem seja sensível à justiça para com os pobres e oprimidos, em quantas passagens do Antigo e do Novo Testamento não encontrará inspiração e alento?

Onde encontrar mais sólido fundamento de harmonia social do que no amor evangélico, que perdoa «setenta vezes sete vezes» e se estende até aos inimigos, a quem se retribui o «mal com o bem»?

Por tudo isto, também é fácil concluir que não foi a fidelidade à mensagem bíblica que conduziu às guerras e conflitos com pretextos religiosos. A razão dessas guerras e conflitos está antes no orgulho e paixões humanas (também retratadas na figura de Caim), que tendem a instrumentalizar a religião, assim a pervertendo. Na pureza dos seus princípios, livres de instrumentalizações políticas ou ideológicas, as religiões são factor de concórdia e da paz, como o testemunham os encontros de Assis.

E não são só os crentes que reconhecem o tesouro da Bíblia e que ele representa também para o nosso património cultural, fonte de inspiração para filósofos e artistas ao longo de séculos. Por exemplo, o filósofo italiano Massimo Cacciari, não crente, tem defendido um mais aprofundado estudo da Bíblia em todos os graus de ensino laico, incluindo o universitário.

Oxalá desta tão triste e anacrónica polémica se possa colher, ao menos, algo de positivo: um pouco mais de interesse pela Bíblia.

Pedro Vaz Patto

22 de outubro de 2009

Nova missão: Águeda - Aveiro

Esté definido: quarta-feira começa uma nova etapa na minha vida.

Vou trabalhar na Diocese de Aveiro, mais precisamente no arcipretado de Águeda, numa unidade pastoral.

Estou feliz e peço a Deus força, coragem e determiação para a nova missão eclesial.

Depois de dois anos de crescimento, a trabalhar no jornal Diário do Minho, na Oficina de S. José e nas paróquias da Sé e de S. João de Souto, em Braga, parto para nova missão revitalizado pelas palavras ternas e serenas: Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

Agradeço a Deus todos aqueles que passaram na minha vida durante estes dois últimos anos. E estou sempre aberto a conhecer e a trabalhar com outras pessoas.

Aquilo que importa é que a Palavra seja lançada aos corações famintos de tantas pessoas. É assim que me situo perante nova missão: que Cristo continue a ser tudo em todos.

Do que sei até ao momento vou trabalhar numa unidade pastoral formada por vários sacerdotes e diáconos e ainda uma comunidade religiosa.

Prometo rezar por todos, como sempre, e espero de todos orações por mim, para que seja fiel ao mandato e à vocação à qual Cristo me chamou.

Obrigado a todos por tudo e a todos continuo a esperar-vos aqui.

21 de outubro de 2009

Coitado de ti, ó saramago, a falar para os peixes!



Como partilha que tirei daqui

Um pouco de Bíblia, retalhada, cosida e interpretada ao gosto popular, uma pitada de teoria da conspiração, mais a Inquisição, inveja a Roma, anti-papismo primário, insinuações pornográficas, umas manchas de incesto e parricídio, mais histórias de seminário e crimes do Padre Amaro e eis que temos sucesso editorial garantido, de Dan Brown a Saramago. A receita vence desde o século XVIII. As pessoas gostam do sórdido, escaldam de entusiasmo com grandes mentiras, inebriam-se com o apedrejamento de tudo quanto inspire ordem, hierarquia e autoridade.


Espanta-me que muitos ainda se alvorocem com um sub-género que nunca reuniu predicados elementares de integridade, que se repete e daí não sai. Espanta-me também que Saramago, em vez de Caim, não escolhesse a figura de Onan, mais conforme a expectativa de quem o lê.


Tanta indignação contra Saramago e tanta invectiva e desabafo acabam, como pedem as regras do mercado, por atrair clientes. Ora, tenho a certeza absoluta que nove em dez daqueles que compraram o Evangelho segundo Jesus Cristo o não leram e aqueles restantes que o fizeram não compreenderam coisa alguma. A obra é ilegível e deixa de ter piada a partir da segunda página, pois da abolição das regras de pontuação nascem o caos intelectivo, enunciativo e dialógico, que juntos, permitem a fruição de um texto, literário ou não. Mutatis mutandis, escrevam uma receita culinária sem virgulas, pontos finais e parágrafos e provocarão grandes indisposições que terminarão numa consulta de gastroenterologia. Assim é a obra de Saramago, sem tirar.


Depois, Saramago sofre de monomania religiosa, de doença da santidade invertida. Se literariamente é hoje um zero, também não possuiu qualquer autoridade em "Ciências da Bíblia". É um amador e como todos os amadores possui atevimento proporcional à ignorância. Tenho a absoluta certeza que o homem não sabe uma palavra em latim, nunca leu um tratado de apologética e desconhece coisa tão elementar como a Enciclopédia Católica. Depois, por tudo o que vai dizendo - deixai falar um ignorante, pois nunca devemos impedir um tolo de se enredar nas suas próprias palavras - parece confundir Teologia, Bíblia e História Eclesiástica. Se, em vez de o atacarem, o confrontassem com o seu [des]conhecimento, melhor serviço fariam. Infelizmente, parece haver uma lei de ouro nestas lutas sem interesse e sem consequência.


Saramago vai voltar a escrever sobre o tema. Está a queimar inutilmente os últimos dias da sua passagem por esta vida escrevendo coisas votadas ao esquecimento. É uma pena, pois se o Memorial tinha o seu quê de curioso e o Levantados do Chão ecoava o que de humano havia no Neorealejo, estas coisas são, como o foram os panfletos de Oitocentos, mero lixo doméstico.

Miguel Castelo Branco

Outros textos para ler

Mau costume, Joaquim Franco

20 de outubro de 2009

Estrelas




Para o mundo ser mais belo
quero fazer brilhar estrelas na noite,
acender faróis no negrume,
levar luz onde há trevas.


Acender a estrela do olhar
e mais um pouco de luz dar
ao pequeno coração
que ninguém dá atenção.


Acender a estrela de escutar
e a todos poder levar
um pouco mais de calor,
de ânimo, ternura e amor.


Acender a estrela do falar
palavras para inebriar
que espalhem alegria
aos que vivem na agonia.


Acender a estrela de servir
para todos fazer sorrir
com mãos que trabalhem
e vontades que auxiliem.


Acender a estrela de viver
que nos leve percorrer
nos impele a anunciar
e nos empurre a proclamar.


Quero estrelas acender
que ajudem a guiar
a humanidade toda junta
ao Deus que só sabe amar.


inédito JAC
2007

Eucaristia Bendita Seja!

Com os cristãos da paróquia de Geraz do Minho, na Póvoa de Lanhoso, reflecti este domingo sobre o Santíssimo Sacramento. Deixo aqui a minha partilha. É longa e por isso peço desculpa.

1. FORÇA DOS FRACOS E ALEGRIA DOS TRISTES

A festa que celebramos em honra do Santíssimo Sacramento é oportunidade para, por um lado, reflectirmos sobre a importância da Eucaristia na vida dos cristãos e, por outro, para nos comprometermos mais na sua vivência em todas as suas dimensões.
Desde logo, convém recordarmos que a Eucaristia é o centro da vida da Igreja e como tal centro da vida dos cristãos.
Permitam-me reflectir convosco a Eucaristia a partir da sua relação com as virtudes teologais que, como bem sabem, são três: fé, esperança e caridade.
É imprescindível afirmar que sem as três não há verdadeira Eucaristia: não há missa sem fé, como não há missa sem esperança e sem caridade.
A Eucaristia, caríssimos cristãos, é a mais surpreendente das invenções divinas que estão no seu conjunto destinadas a penetrar de forma mais profunda a existência humana.
Sabemos que a Eucaristia constitui o cume da obra da salvação. Por isso, dentro da economia sacramental possui uma excelência e uma grandeza únicas porque confere não somente a graça mas também o próprio autor da graça que é Cristo.
Na Eucaristia tudo deriva de um amor até ao extremo de uma doação ilimitada de Cristo. A Eucaristia desempenha também um papel fundamental no crescimento da comunidade cristã porque continua a nutrir, na e pela sagrada comunhão, aqueles que são chamados a levar o testemunho de Cristo e a sua Boa Nova ao mundo. Ela concede força aos fracos, alegria aos tristes e alento espiritual aos tentados, aos desnorteados e aos desiludidos.
Depois destas poucas considerações passemos a analisar a relação da Eucaristia com as virtudes teologais, a começar pela fé.

2. MISTERIUM FIDEI

A exclamação “Mistério da Fé” que fazemos em cada missa é um apelo à fé. Só a fé e por meio dela se pode acolher a oferta sacrificial que se realiza pelas palavras “Isto é o meu corpo” “Isto é o meu sangue” e a presença que delas deriva.
A fé na Eucaristia não é de ordem secundária nem é um anexo. Jesus que montou a sua tenda no meio dos homens é o “pão vivo descido do céu” (Jo 6, 53) e quer dar-se como alimento, mas primeiro exige uma adesão de fé.
O Mestre pretende afirmar que não é possível seguir os seus passos sem acreditar na Eucaristia. Precisamos, por isso, de ter uma fé eucarística.
Acreditar que o pão e o vinho que vemos se tornam Corpo e Sangue de Cristo requer um impulso de fé, um salto invisível sempre renovado.
Passar dos sentidos, do que é sensível, ao mistério é aquilo que nos é pedido em cada celebração.
Então, aquela expressão do cânone da missa – “Mistério da Fé” – irrompe como grito de alegria. É a alegria do mistério de Cristo presente no meio do mundo por meio do Santíssimo Sacramento da sua presença.

3. SACRAMENTUM CARITATIS

A Eucaristia está também em profunda relação com a caridade. Não foi por acaso, estimados cristãos, que o Papa Bento XVI escreveu a exortação apostólica pós-sinodal “O Sacramento da Caridade”.
Além de “mistério da fé” (misterium fidei), a Eucaristia é também “sacramento da caridade” (sacramentum caritatis).
A fé, como sabemos, é animada pela caridade. Ora, caros cristãos, sempre que Jesus pedia uma adesão de fé, pedia também um movimento de amor pelo qual as pessoas se unissem a Ele e ao Pai.
Jesus recordou várias vezes o preceito “amarás o Senhor com todo o teu coração, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças” (Dt 6, 5; Mt 12, 30).
Este mandamento exige a pessoa toda inteira e encontra aplicação na Eucaristia: Cristo eucarístico dado a todos quer ser acolhido por todos na comunhão por meio desse mesmo amor.
Os que recebem e se alimentam da mesa eucarística são exortados a adorá-lo e a amá-lo nas mesmas circunstâncias que exige o preceito.
Mas, Jesus não se fica pelo amor ao Senhor e depressa junta o amor ao próximo. “Amarás o próximo como a ti mesmo” (Lc 19, 18; Mc 12, 13) é o segundo inciso do mesmo mandamento.
Na última Ceia, Jesus revela todo o alcance da caridade que pretende instaurar. Logo depois de instituir a Eucaristia enuncia um novo mandamento: “Assim como eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34; 15, 12).
Jesus ordena que o imitemos no amor de quem se faz último, pequeno e oferecido. Amar como Jesus amou é um objectivo elevadíssimo mas alcançável àquele que recebe a forço do alto superando tendências egoístas e chegando à generosidade e à gratuidade do amor.
O alimento eucarístico – pão e vinho consagrados – deixa em nós uma potência de amor capaz de enfrentar dificuldades e superar obstáculos.
Santa Teresinha do Menino Jesus escreveu a respeito da força da caridade que brota da Eucaristia, uma belíssima poesia:

“Jesus minha sacra e santa vida
Tu sabes bem, meu Rei divino
Que sou um cacho dourado
Que deve desaparecer por ti.
Na prensa do sofrimento
Te provarei o meu amor eterno
Nada mais quero aqui na terra
Do que imolar-me em cada dia”.
[Poesia, 25]

A Eucaristia permite desenvolver múltiplas virtualidades do amor. Isto porque é o coração de Cristo que possui a plenitude do amor, essencialmente aquele que se doa até ao fim, sem limites nem reservas.
O inciso “como eu vos amei” desafia a seguir o amor de Cristo estabelecido no alto da cruz. Uma vertente desse amor tem a ver com a atitude do serviço expressa altamente no gesto desconcertante do “lava-pés”. Neste momento, Jesus faz-se servo de todos, dando um testemunho de impressionante humildade que brota da obediência e do amor.
Consciente da sua soberania, não recorre ao seu poder para esmagar ou dominar, mas para servir. Por isso, ninguém é tão humilde quanto Jesus.
Cada Eucaristia que celebramos reproduz esse gesto de humildade, porque Ele continua a fazer-se alimento e bebida daqueles que O amam. Põe-se ao serviço da humanidade, alimentando-a.
A Eucaristia é, assim, manifestação discreta de um amor humilde e gratuito. Cristo insiste em que o sigamos com humildade e a Eucaristia responde a esse temor de fugir da via dolorosa – da via crucis – fazendo brotar a caridade através do sacrifício e da entrega generosa e sem limites.

4. ESPERANÇA QUE NÃO ENGANA

A última das virtudes teologais – que na enunciação tradicional é a segunda – é a esperança. A Eucaristia revela-se rica de esperança, aquela que aponta o destino individual e o da humanidade.
Aquele que come a Eucaristia tem a vida eterna, pois os dons eucarísticos garantem, no fim dos tempos, a recompensa prometida por Cristo: “quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna”.
Do ponto de vista do destino da humanidade as palavras de S. Paulo são bem elucidativas: “todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste sangue anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.
A Eucaristia contribui assim para a vinda última e definitiva que aguardamos em “jubilosa esperança”, quando Cristo for tudo em todos.
Santo Inácio de Antioquia dizia que “a Eucaristia é fármaco de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver para sempre em Jesus Cristo”.
A Eucaristia, portanto, conduz à esperança e dá-lhe a força para esta se concretizar. Introduzindo Cristo na comunidade cristã, contribui para a sua vinda última.
O Santíssimo Sacramento da Eucaristia confere aos seguidores de Cristo e aos seus evangelizadores a força que necessitam. Esse augusto sacramento orienta para o futuro, para o ponto culminante, para o destino final, o banquete das núpcias do Cordeiro.
Por isso, a Eucaristia é fonte inesgotável de esperança, uma esperança que não engana nem se engana, como diz S. Paulo, porque é esperança em Cristo que nunca desilude.

5. EUCARISTIA, BENDITA SEJA!

Irmãos caríssimos, o Santíssimo Sacramento da Eucaristia e para nós penhor de salvação e garantia de que Cristo nos continua a amar e a querer permanecer connosco no meio das alegrias e das esperanças, mas também no meio do sofrimento e das tribulações.

Em gratidão, por mim e por vós rezo:

Eucaristia, fonte de vida, imortalidade,
Imensidão de graça e verdade.
Eucaristia, Corpo e Sangue do Senhor,
Sacramento e milagre de amor.

Eucaristia, primavera constante de inovação,
Corpo e Sangue de Cristo, sob a aparência de Pão.
Eucaristia, banquete pascal,
Refeição que nos dá o essencial.

Eucaristia, dom gratuito de Deus Amor!
Doação infinita de Cristo Senhor.
Eucaristia, sol radioso que alumia e fortalece,
Conforto e remédio de quem padece.

Eucaristia, mistério pascal e dimensão de eternidade,
Fogo de amor, grandeza e fecundidade.
Eucaristia, pão dos famintos que se querem renovar,
Sacramento de vida que se consagra, no altar.

Eucaristia, sorriso de Deus, partilha com o irmão,
Loucura de um Deus que quer habitar nosso coração.
Eucaristia, alimento reconfortante que nos conduz a Deus,
Fonte fecunda que revigora os filhos Seus.

Eucaristia, força criadora da Humanidade,
Amor profundo do Deus Trindade.
Eucaristia, gerada na Cruz do Senhor,
a maior invenção de Deus Amor!

Eucaristia, Sacramento de esperança e comunhão,
Presença de Cristo, nosso irmão.
Eucaristia, o grande suporte da vida da Igreja,
Pão dos fracos e dos fortes, Bendita seja.
[Irmã Maria Aurora, FMNS, adaptado]

16 de outubro de 2009

Adoro te devote




Este domingo vou pregar ao Santíssimo Sacramento. Isso faz-me reler e partilhar São Tomás de Aquino. Aliás, a partilha é um elemento da Eucaristia.

Adoro te devote

Ó Jesus, eu te adoro, hóstia cândida
Sob aparência de pão nutres a alma.
Só em ti meu coração se abandonará
Pois tudo é vão quando te contemplo.

Olhar, gosto e tacto não te alcançam
Mas a tua palavra permanece firme em mim:
És Filho de Deus, nossa verdade;
Nada mais há de autêntico, quando tu nos falas.

Na cruz escondeste a divindade,
Embora sobre o altar velas pela humanidade;
Homem-Deus, a fé a mim te revela,
Como ao bom ladrão, dá-me o céu, um dia.

Mesmo que tuas chagas não me mandes tocar
Grito com Tomé: “Tu és o meu Senhor”;
Cresça em mim a fé, quero em ti esperar,
Só em teu amor encontra paz o meu coração.

És memória eterna da morte do Senhor,
Pão vivo, vida, em mim tu te transformas
Faz com que a minha mente de ti a luz extraia,
E do teu maná em si conserve sabor.

Qual pelicano, nutre-nos de ti;
Do pecado, grito: “Lava-me, Senhor”.
Teu sangue é fogo, que queima o nosso erro,
Uma só centelha a todos pode salvar.

Agora fito a Hóstia que te esconde de mim.
Ardo com a sede com que anseio ver-te:
Quando esta carne se dissolver,
O teu rosto, luz, se revelará.

Ámen.

15 de outubro de 2009

Gostar e amar




Irei ao teu encontro,
Na manhã de um dia sonolento…
Por entre ervas e arbustos,
Por entre pedras e árvores.

Naquele bosque encantado,
Onde tudo começou,
Onde o amor brotou,
E se abriu como uma flor.

Nasceu entre nós essa bonita flor,
Que a gente chama amor,
Sem saber o que isso é…

Amor é sentimento de luta
- Palavra rota e banal -
De pessoas que acreditam,
Que fazem e espalham
Esse acto triunfal.

Amor é luta
É vida, é conduta.
É como desfiladeiro,
Com as pessoas a um passo
De lhe dar um só abraço
Apertado e por inteiro.

Ama e faz o que quiseres.
Ama e vive
Porque viver é amar.

inédito JAC
2002

13 de outubro de 2009

Sem medo




Caí!
Envergonhei-me primeiro
E não tenho coragem de olhar-te!

Lutei!
Pensando que estava sozinho.
Mas não!
Tu lá estavas
Sempre próximo e disponível
Amoroso como Pai e Mãe.


Venci!
Tu estavas – e estás – por mim.
Que mais posso desejar?
Agora não me envergonho de cair
Sei que me ajudarás a levantar-me!

Obrigado pela providência!

JAC
10.10.09

12 de outubro de 2009

Uma certeza!

O Silêncio tem sempre as palavras certas!

Não ter medo de parar



Busca sempre mais fundo
O modo de encontrares alguém
Capaz de te dar algo profundo
E não se dê a mais ninguém.

Busca sem qualquer tipo de pressa
O equilíbrio que se pretende
Mas nunca faças as coisas depressa
A espera é algo que não se entende.

Dá espaço, tempo e lugar
Para que possas aprender devagar
E não hesites perante a pressão

Não tenhas medo de parar
Só assim podes transformar
E fazer crescer o teu coração.

JAC
10.10.09

8 de outubro de 2009

Até Jesus!



Quando vens ao meu encontro
Sempre estou atarefado
Quando me pedes um bocado
Nunca te sei dar um pouco.

Mas, tu não desistes logo
Estás disposto a continuar
Tu comigo queres contar
Por isso, hoje, eu te rogo.

Homens para anunciar
Pelos vales, pelos montes
Quero que estejas comigo…

Dá-me forças para proclamar
Pelos mares, construir pontes
Para Ti, Jesus, irmão e amigo!

inédito JAC
2007

Vita brevis



A vida é como o rio que passa
Corre tão velozmente
Às vezes nem sei se passa
Corre depressa, infelizmente.

Sou um homem, mais um homem
Que percorre o seu caminho
Vivo a vida como dom
Que me foi atribuído.

Há quem não quer viver a vida
E só quer espalhar horror;
A vida é como o ressoar dum hino
Na tonalidade da dor.

Corre, corre, vida corre
Corre muito depressa
A vida é apenas dor
E dor que nunca cessa.

Coitada de ti, ó vida,
Que vives impaciente
À espera que teus filhos
Voltem de novo a ser gente! …

inédito JAC
2004

Vida das palavras



Em cada letra que escrevo
Deixo outra por escrever
Em cada momento que vivo
Muitos ficam por viver.

Em tudo aquilo que digo
Muito fica por dizer
Assim, eu continuaria
Se mais quisesse escrever…

inédito JAC
2002

Porra lá para a presunção!!!

Todos os dias aprendemos coisas novas. Umas são boas outras nem por isso. Apesar de tudo é bom estar sempre a aprender.

Custa-me, no entanto, ver que o trabalho dos outros não é reconhecido. É um facto que nem todos somos nem temos de ser peritos em tudo. Mas há que reconhecer quando os outros dão o melhor de si.

Bom alegra-me é que Cristo via e vê bem o BEM das pessoas. Apesar de fracas, pecadoras, ele conseguia descortinar sempre uma luz de bem. Era essa - e é ainda - que leva à conversão.

Perdoem-me o desabafo. Mas às vezes não somos nada cristãos - como Cristo.

até breve

6 de outubro de 2009

Linguagem universal




A linguagem do amor é universal
Compreensível em toda a parte
Irrompe como hino triunfal
Na expressão “Para sempre amar-te”.

Ainda que a língua não ajude
Qualquer gesto de amor se entende
Ainda que a atitude não mude
Criar fraternidade é o que se pretende.

A vida vale por gestos que significam
Que tragam à terra a bondade dos céus
Que a todos englobem no mesmo fulgor

Assim mesmo os laços se intensificam
E salta, irrompendo, a ternura de Deus
Que grita bem alto "Eu sou o Amor".

8.9.09

5 de outubro de 2009

A grandeza da pequenez!

A grandeza está em tornar-se pequeno.

Dá-me, Senhor, a grandeza de apontar para Ti e a pequenez necessária para não ofuscar a Tua luz!!!

continuo sereno e a aguardar boas novas...

Até breve.

2 de outubro de 2009

Ao meu jeito!





até breve

A Igreja que amo

A Igreja é uma casa universal, por isso, é católica. Quando  nos colocamos ao serviço dela, por Cristo, não temos fronteiras.

Amo uma Igreja aberta ao mundo, como Cristo, Senhor e Salvador de todos!

A missão não me assusta. Vou com Cristo. Ele é meu guia, minha luz, meu porto seguro, meu sustento e meu descanso... meu tudo!!!

mais novidades brevemente...

beijos e abraços a todos.

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...