13 de fevereiro de 2010

Perfeiro Vazio (Xutos e Pontapés)

Esta é a minha mensagem para este VI Domingo do Tempo Comum. Para além do meu gosto por "Xutos", este texto é magnífico e pertinente em relação à Liturgia deste domingo. Partilho:


Aqui estou eu, sou uma folha de papel vazia
Pequenas coisas, pequenos pontos
Vão-me mostrando o caminho
Às vezes aqui faz frio
Às vezes eu fico imóvel, pairando no Vazio
As vezes aqui faz frio
Sei que me esperas, não sei se vou lá chegar
Tenho coisas p’ra fazer, tenho vidas para acompanhar
Às vezes lá faz mais frio
Às vezes eu fico imóvel, pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
(lá fora faz tanto frio)
Bem-vindos a minha casa, ao meu lar mais profundo
De onde saio por vezes para conquistar o mundo
Às vezes tu tens mais frio
Às vezes eu fico imóvel, pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
No teu peito vazio.


Xutos e Pontapés, “Perfeito vazio”

12 de fevereiro de 2010

Desafio para a Quaresma. Quem aceita?

Olá a todos os que cá costumam passar.
Tenho um desafio mas quero sondar.
À semelhança do que alguns fizemos no Advento, não poderíamos pensar algo do género para a Quaresma?

Uma reflexão, um post, um compromisso, uma citação bíblica, enfim, uma ajuda para todos os que vamos usando estes espaços para que possamos de uma maneira mais empenhada e sempre nova preparar melhor aquele que é o Mistério Central da nossa fé: a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Fico a aguardar contando que, desde já, sozinho ou acompanhado, em empenharei nisso.

até breve

Credo da Família


Cremos em Deus pai,
Filho e Espírito Santo,
Comunidade e lar
de cálido amor,
Que imbuiu de ternura
o universo
E encheu de carinho tudo quanto existe.



Cremos no amor
que brota de Deus,
Cristalino e desinteressado.
Cremos no carinho
que une o homem e a mulher
Nos caminhos da vida.
Cremos no amor que se projecta em cada filho que nasce.

Cremos na Família,
lar de convivência,
Onde se partilha diariamente o pão da unidade,
O acolhimento e o perdão.
Damos graças pelo muito
que nos foi dado
E comprometemo-nos
a tratá-lo como uma semente do amor original de Deus.

Maria, Mãe de Deus


Virgem santa gloriosa
De todas a mais formosa
Entre as mulheres da terra.
Ó santa Mãe de ternura
Imaculada e pura
Nosso canto a Ti se eleva.

No teu ventre, Jesus recebeste
E ao mundo apareceste
Como excelsa Mãe de Deus
Nesta vida, caminhantes
Atentos e vigilantes
Conduz-nos até aos Céus.

Ó Maria Mãe de Deus
Abençoa os filhos teus
Te pedimos nesta hora
E no fim da nossa vida
Senhora amada e querida
Vamos para Ti sem demora.


JAC 2006

6 de fevereiro de 2010

Oração do Abandono

Oração que partilharei com os cristãos neste V Domingo do Tempo Comum, Ano C


Meu Pai,
eu me abandono a Ti, faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim, eu Te agradeço.
Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
e em tudo o que Tu criastes,
nada mais quero, meu Deus.
Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus, com todo o amor do meu coração,
porque Te amo,
e é para mim uma necessidade de amor dar-me,
entregar-me nas Tuas mãos sem medida
com uma confiança infinita,
porque Tu és…
meu Pai!


Charles de Foucauld

4 de fevereiro de 2010

Passos da vida


No silêncio de uma oração de joelhos
Peregrino pelos passos da minha vida
Contemplo belos passos já dados
E antevejo muitos outros para dar.

Mas, ressalta não poucas vezes
Passos inseguros e mal dados
Que não me levam para o caminho da luz
Senão para os atalhos das trevas e da escuridão.

Se pelos primeiros dou graças
E peço força para os continuar
Pelos outros peço perdão,
Arrependo-me e levanto a cabeça
E peço ainda mais força para os não tornar a dar.


1.02.2010

30 de janeiro de 2010

Ainda há muitos "Haitis"

Oração que vou partilhar com os cristãos com quem farei celebração da Palavra neste IV Domingo do Tempo Comum do Ano C

Ó Senhor Jesus
dá-nos a graça de te seguirmos
e de te não querermos reter para nós.
Tu és sem fronteiras,
queres chegar a todos
e em nada podes ficar aprisionado.
Faz que o amor seja a nossa lei,
a nossa maior lei, como foi tua.
Sem amor nada temos, nada somos, nada podemos…
Dá-nos a esperança, como Jeremias,
para ver o bom e o belo,
nascer entre as cinzas e as ruínas
que vão habitando o nosso mundo e não apenas no Haiti.
Há hoje muitos “Haitis” à face da terra que precisam do nosso amor.

29 de janeiro de 2010

Diferenças entre 1980 e 2010



Recebi este email e achei fantástico. Partilho com todos, após ligeira alteração nos anos em questão

Situação: O fim das férias.

Ano 1980:
Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar.

Ano 2010:
Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e ...

Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.

Ano 1980:
Não se passa nada.

Ano 2010:
As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.


Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga.

Ano 1980:
O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.

Ano 2010:
A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.

Ano 1980:
Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.

Ano 2010:
A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar. O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a "Moura Guedes" (outra qualquer!) à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.

Ano 1980:
Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.

Ano 2010:
Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalina. O Jaime parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

Situação: O Luis parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.

Ano 1980:
O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.

Ano 2010:
Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Goucha e da Cristina.

Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria abraça-o para o consolar.

Ano 1980:
Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.

Ano 2010:
A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego. Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.
Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado 'chocolate' ao outro.

Ano 1980:
Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa. Amanhã são colegas.

Ano 2010:
A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

Situação: Fazias uma asneira na sala de aula.

Ano 1980:
O professor espetava duas valentes lostras bem merecidas. Ao chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito'

Ano 2010:
Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.

Nota Bene: a foto foi tirada daqui e refere a evolução na liderança do PSD. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!!!

27 de janeiro de 2010

Fortificado na fragilidade




Para que me deixe guiar
Pela força que vem de Deus
Tenho que de lado deixar
Os interesses egoístas meus.


Guiado por Ele tudo supero
Confiando no Espírito de Santidade
E parto, buscando, o que espero
Nos caminhos da humanidade.


Por Deus caminho acompanhado
Com Ele vou sem dificuldade
Porque me sinto fortificado
Mesmo na fragilidade.


Porque me sei acompanhado
Não desespero na caminhada
Pelo Espírito Santo habitado
Alcanço a Nova Alvorada.


14.01.2010

22 de janeiro de 2010

Padre-Pastor



Disponibilidade para ouvir
Os corações que choram sós
Que buscam conforto e alento.


Acolhimento para receber
Qual pai pródigo o seu filho
Que vem depois do desespero.


Alegria para irradiar
A tantos tristes que vagueiam
Pelas ruas da humanidade.


Confiança para dar
Aos abatidos e desprezados
Feridos pelo inesperado.


Padre-Pastor sem excepção
Porto seguro, novo alento
Que entrega o alimento
E dá orientação.


Padre-Pastor sem excepção
Sinal de Deus na humanidade
Que abre para a eternidade
Caminhos certos ao humano coração.


13.01.2010

21 de janeiro de 2010

Vertigem

NOTA BENE:
Durante o Congresso Sacerdotal que participei em Braga escrevi quatro textos/poemas que partilho convosco. Estão dentro da temática partilhada em cada um dos dias dessa iniciativa. Vão por ordem.




Há palavras que falam caladas
E gestos que dizem sem falar.
Há olhos que vêm sem ver
E ouvidos que ouvem sem ouvir.


Há homens que são sem o ser
Há mundo que, tantas vezes, o não é.


Há um desalento desesperante
Capaz de levar à loucura
O mais confiante.


Porquê?
Estaremos voltados ao desespero?
Estaremos às portas do caos?


Estamos, isso sim, num tempo de vertigem,
De veloz transformação
De aparente superação do passado ido.


É o tempo da metamorfose.
Mudança.
De mudança em mudança
Parece o signo da humanidade.


Virá, com certeza, o tempo – ou sem-tempo –
Do cosmos reunido, harmónico e orientado,
mas nunca parado e estacionado.
Virá com poder da pequenez,
Da força da fragilidade,
De um Deus deixado morrer
Trucidado e moído
Na cruz dos nossos pecados
para nos pôr em movimento
rumo à libertação.


12.01.2010

19 de janeiro de 2010

As minhas manias


Estou com atraso de vários dias para responder ao desafio que a Teresa desabafos me deixou já na semana passada.Não tive oportunidade.

Ora cinco manias minhas. É pá tenho tantas... Não sei que dizer.

Bom:

1. Depois de escrever um poema sinto-me obrigado a lê-lo no dia seguinte. Claro que quase sempre altero alguma coisa

2. Não consigo dormir sem ler. Por norma mais que um livro. Simultaneamete leio perto de uma dezena de livros (difícil é concentrar-me na história de cada um)

3. Ouvir música enquanto conduzo. Obrigatório. Tanto como ter o vidro da janela aberto (muito ou pouco que seja, faça chuva ou faça sol).

4. Escrever as minhas intervenções (homilias ou não) na íntegra. Penso que é uma questão de decência mental, pelo menos enquanto tenho tempo e oportunidade para o fazer.

5. Começo todos os meus trabalhos no dia em que me são confiados. Penso na Faculdade: se um professor pedisse um trabalho sobre isto ou aquilo para entregar daí a 3 meses, eu começo-o logo nesse mesmo dia.

E pronto.Não me peçam justificações. Também não as tenho.

Bom e passo o desafio para:
Teologar (Sandra)
Crónicas de uma peregrinação
My contrastes (Joana)
O que é a verdade? (Joaquim)
Sou eu de mãos abertas (Erute)

Não esqueçam as regras:

1-º copiar o selo para o blog
2-º deixar um comentário no blog que te ofereceu ..
3-º mostrar o link do blog da amiga que to deu .
4-º indicar para 5 blogs que você acha que compartilha tudo com todos ..
5-º deixar uma mensagem sobre o que é compartilhar ...

Bom: para acabar.

Compartilhar é dar-se. Não tanto dar coisas, mas dar-se por inteiro, nas pequenas ou grandes coisas que fazemos. Mesmo aí, Jesus é um modelo fantástico. Se alguém compartilhou foi Ele. A ausência mais plena de egoísmo.

A Graça do Congresso Sacerdotal


Acabado de chegar, passo, em primeiro, para pedir desculpa pela ausência. De facto não tive oportunidade (leia-se problemas técnicos) para passar cá durante a última semana.

De 12 a 15 de Janeiro, estive em Braga no Congresso Internacional Sobre o Presbítero "À Escuta da Palavra" que foi uma graça do Espírito Santo que continuamente vivifica, anima e renova a Igreja.

Foram 4 dias plenos. Os assuntos tratados, a elevação dos conferencistas, os momentos culturais, as celebrações eucarísticas e as Laudes foram oportunidades magníficas de partilha, enriquecimento e maior compromisso pessoal.

Muito foi dito. Algo haverá a mudar em cada um, primeiro, e, depois, a nível hierárquico. Espero que não tarde.

Deixo ficar aqui as conclusões do Congresso.
Houve variados ecos na comunicação social. Também podem ser lidos, com a devida isenção, é claro.

No site do Auditório Vita e particularmente no Site do Congresso podem ser vistos vídeos com entrevistas aso oradores convidados. Vale a pena ver.

Só terá valido a pena se o que se falou for transposto para a vida quer dos bispos, presbíteros e diáconos quer dos próprios leigos. Todos juntos formamos a Igreja de Cristo.

9 de janeiro de 2010

Cristo na fila

Agrada-me ver Cristo na fila dos humanos a caminho do Baptismo.
Ele que é sem pecado, quis solidarizar-se connosco.

Belíssima forma de entrar no tempo do Advento. Com Cristo a dizer-nos que há sempre uma hipótese para quem não se fecha em si mesmo e permite Deus na sua vida.

No Baptismo de Jesus - revelação que o Pai faz do Filho muito amado - sintamo-nos filhos amados de Deus  a partir do nosso Baptismo.

(Na próxima semana estarei num Congresso Internacional sobre o Presbítero, em Braga. Não prometo vir cá todos os dias, mas passarei e não se verão assim livres de mim).

até breve
boa entrada no tempo comum.

uma sugestão de refexão sobre a liturgia deste domingo

8 de janeiro de 2010

Baptismo



Pela água renascido
pelo Espírito iluminado
é um novo ser nascido
e liberto do pecado


O baptismo faz-me herdeiro
do Senhor da terra e Céus:
um novo filho de Deus.


O baptismo é fundamento
de uma nova construção
pelo amor, pelo perdão.


O baptismo me congrega
a todo e qualquer humano
que vive à face da terra.


O baptismo me convida
a viver em doação
ao serviço do irmão.




JAC 2005

para nos "abrir o apetite" para a Festa do Baptismo do Senhor que celebramos este fim-de-semana, encerrando-se o Tempo do Natal e iniciando o Tempo Comum. 

6 de janeiro de 2010

Descida que é subida


Na totalidade do amor
Reside a doação
De um Deus que se revela
Pela Sua Encarnação.


No movimento da descida
Está a essência de Deus
E o humano adquire
A melhor via para os Céus!

JAC 2007

2 de janeiro de 2010

Epifania - brilhar com estrelas



Um desafio incessante
nos diriges neste dia
em que emerges sempre novo
nesta Tua epifania.


Uma estrela conduziu
os ”pobres” aos teu encontro
e chegando ao local
sentiram alegria e assombro.


Este mistério de nascer
tão simples tão pequenino
manifesta a glória do Senhor
de um Deus feito Menino.


Vens coberto de amor
não escolhes nenhum povo
porque a tua salvação
é para o humano todo.


A luz que Te indica
aponta algo maior:
a presença encarnada
do Messias Salvador.


Recebida a Tua luz
a todo o homem mandai:
Na noite deste mundo
como estrelas, brilhai!


JAC 2007

30 de dezembro de 2009

Congresso Sacerdotal em Braga







Em pleno Ano Sacerdotal, em ano de celebração, o Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo de Braga promove de 12 a 15 de Janeiro um Congresso Internacional sobre o Presbítero. É aberto a toda as pessoas, não só clérigos.
O programa é apetecível...
Os conferencistas de peso e renome...
com alguns momentos culturais...

Podem dar uma vista de olhos no site e quem sabe inscreverem-se.... Eu vou!!!
http://www.congressosacerdotal.com/

28 de dezembro de 2009

Blogue do Arciprestado de Águeda

O Arciprestado de Águeda tem já em experimentação um blogue (arciprestadoagueda.blogspot.com). A ideia surgiu na última reunião do Clero deste arciprestado e incumbiram-me da missão. Aceitei e está em fase incipiente, à espera do contrinuto de todos os que se incluem neste espaço geográfico ou de todas as pessoas que queiram partilhar conhecimentos, propostas e sugestões... Está também criado o email do arciprestado (arciprestadoagueda@hotmail.com)

Como se pode ler no texto de lançamento: "Este é o início de um espaço que pretende ser formativo e informativo, lugar de encontro, de comunhão e de partilha. Um espaço ecclesial".

O futuro trará novas oportunidades. Peço que adicionem este espaço que também trabalharei nele.

Obrigado a todos. Vmos construir Igreja melhor.


Ah, aproveito para dizer que também o Serviço Diocesano de Acólitos de Aveiro está numa rede social (http://sdacolitosaveiro.ning.com/?xg_source=badge)

cumprimentos a todos

Um feliz 2010 para todos

23 de dezembro de 2009

Litania de Natal


A noite fora longa, escura, fria.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.
E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»
De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.

José Régio

Ainda não é Natal



É Natal,
Ou talvez não,
Pois afinal,
O povo que viu a luz,
Ainda está na escuridão.


É Natal,
Mas não em lar muito farto
Dos que matam a esperança
Ou adiam o seu parto.


É Natal,
Mas não de Jesus,
Enquanto o egoísmo impedir
O amor de dar à luz


É Natal,
Mas não no hipermercado
Onde as compras e anúncios
Dispensam o Anunciado.


É Natal,
Mas não nas lojas e nas montras
Que adoram o Pai Natal
Como ídolo das compras.


É Natal,
Mas não nos bairros degradados
Em que nascem novos Cristos
Para serem crucificados.


Não é ainda Natal…
Mas basta um Francisco de Assis
Mostrar-nos Belém tal e qual
Para ser Noite Feliz.


Adaptado Isidro Lamelas

19 de dezembro de 2009

IV Domingo do Advento: Ele está à porta...




Acolhei


Um nome, mais que designativo, é uma missão!
“Deus salva” porque Jesus nasce.
É essa a sua missão: fazer que Deus salve.


Mas, para cumprir a missão
Jesus precisa de nós.


E o que pede?


Abertura de coração,
acolhimento de pessoas.
Quer que abramos as portas e janelas da nossa casa interior.


Não basta, contudo, abrir para acolher.
É necessário preparar, fazer limpezas,
colocar flores, preparar o banquete,
arranjar um presente...


(Maria acolheu Jesus no seio...
José acolheu Maria (com Jesus) em casa...
Nós acolhemos Jesus, com Maria e José, na nossa casa, no nosso coração).


É assim que quero preparar o meu coração
para que no silêncio e na simplicidade do presépio familiar
eu possa acolher e celebrar
um nascimento amoroso:
o de Deus feito Menino, Salvador.




JAC 2007
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Como Maria


Senhor precisas de mim
como precisaste de Maria
e queres contar comigo nos teus projectos.


Sabes os meus dons, as minhas forças e fraquezas.
Também sabias as de Maria,
e mesmo assim olhaste-a como cheia de graça
Porque cheia de Ti.


Mas, ao contrário da Senhora, eu hesito,
Distraio-me, ando atarefado,
apressado e atolado em mil e uma coisas.


Maria é serena, acolhe-Te sem reservas.
Toda inteira se entrega a Ti:
Um Sim generoso e fiel.


Preciso da coragem de Maria
Pronta a entregar-se, a doar-se por amor
E não por vanglória.


Vem nascer em meu coração.
Mesmo que não seja como o de Maria
Transforma-o à Tua e à sua imagem.


JAC 2008

18 de dezembro de 2009

20.º dia de Advento. Ó Menino Deus, vem resgatar-nos com o poder do teu braço!



Chegamos à segunda dezena de dias de preparação para o Natal. E já está a acabar. É tão curto, mas tão cheio e tão profundo… que deixa pena. E esta iniciativa – apesar de dar trabalho (quanto me custou hoje escrever este texto!!! O tempo não dá para tudo!) – tem-se revelado fantástica e enriquecedora. Todos temos aproveitado, com certeza…

Mas como tempo de preparação que é, é bom e salutar que o Advento passe para que, mais depressa, chegue o motivo da nossa preparação: Jesus Cristo, o Emanuel, Deus-connosco, o Menino Deus.

Estamos no que podemos chamar “Semana Santa do Advento” que iniciamos ontem, a Novena do Menino, que em tantas terras se celebra.

E a própria liturgia muda de tom. Tudo se orienta para o Natal. Todos os olhos se concentram em Jesus, o Prometido, a Promessa. Somos convidados a viver com mais alegria, pondo-nos também na pele daqueles que viveram in loco o nascimento de Jesus – Maria, José, Zacarias, Isabel…

Os Evangelhos apontam já para o nascimento de Jesus, e as leituras elencam relatos e anúncios das promessas de Deus no AT, que também se direccionam para Jesus, o Messias da descendência de David. A própria liturgia das Horas, em jeito lírico, abre portas ao Natal, concretamente com as conhecidas “Antífonas do Ó” (Hora de Vésperas).

Ora, todas estas alterações devem também fazer mudar o nosso coração. É grande o mistério do Natal. Aquilo que peço hoje, para mim e para quem quiser abraçar o desafio, é que deixemos espaço para que ele aconteça na nossa vida: o Natal é o mistério do Deus rebaixado e do homem elevado!...
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Natal: Deus rebaixado, homem elevado


O Natal é muitas coisas. Nas suas origens está a festa romana do solstício de Inverno, como um convite a celebrar a vida que cresce, a natureza que vence a obscuridade, a noite e a morte, o sol que volta a ser potente e pujante. É festa de reencontro e de calor, festa de exuberância, de potência e de um certo excesso.
Não está radicalmente mal, que estes dias sejam para todos, cristãos incluídos, dias de excesso. Não se pode é deixar permitir que o excesso se reflicta apenas na comida e na bebida, nos presentes e no consumismo, não se repercutindo, mais que tudo, nos bons desejos e nas boas vontades.
Para os cristãos, o fulcro é a celebração da festa da presença intensíssima do Filho de Deus e esses bons desejos devem encher-se e incluir a fraternidade.
Deixar que o Menino nasça verdadeiramente no coração de cada um, deixar que Ele inunde a nossa vida de bênçãos e de graças – Ele que é a Bênção e a Graça – é o mais importante nesta quadra.
Que se aproveite este tempo para uma sentida e vivida reunião familiar. Que o Natal seja também e fundamentalmente festa da família, de encontro e de partilha à volta da mesa da refeição.
O tempo litúrgico do Natal é curto, cinge-se a alguns dias. Mas é grande o mistério que nele e por ele se celebra: o mistério da Encarnação do Verbo – mistério grande de Deus que se rebaixa para elevar o homem. Tudo concentrado no simples e singelo quadro do Presépio que podemos e devemos adorar.
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Comprometo-me a abrir as portas do meu coração a Cristo. Grito como João Paulo II: “Aperite portas Redemptori” (Abri as portas ao Redentor). Vivamos o Natal. Não o deixemos passar ao lado.

Com as palavras do padre Tolentino de Mendonça rezo para que seja Natal em mim e em Ti! E com estas palavras e porque de hoje a oito dias é Natal desejo já para todos um Santíssimo Natal com a bênção da presença do Menino no teu coração!



O Natal não é ornamento: é fermento
É um impulso divino que irrompe pelo interior da história
Uma expectativa de semente lançada
Um alvoroço que nos acorda
para a dicção surpreendente que Deus faz
da nossa humanidade


O Natal não é ornamento: é fermento
Dentro de nós recria, amplia, expande


O Natal não se confunde com o tráfico sonolento dos símbolos
nem se deixa aprisionar ao consumismo sonoro de ocasião
A simplicidade que nos propõe
não é o simplismo ágil das frases-feitas
Os gestos que melhor o desenham
não são os da coreografia previsível das convenções


O Natal não é ornamento: é movimento
Teremos sempre de caminhar para o encontrar!
Entre a noite e o dia
Entre a tarefa e o dom
Entre o nosso conhecimento e o nosso desejo
Entre a palavra e o silêncio que buscamos
Uma estrela nos guiará.

Tolentino de Mendonça

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Amanhã reflectimos na capela

16 de dezembro de 2009

III Domingo do Advento - a passos largos para o Natal



O Inverno vai adiantado
Mas é necessário esperar a primavera.
As flores e os frutos voltarão
Do deserto e da aridez há-de jorrar água viva.
A solidão há-de florir
E cobrir-se de alegria.

É urgente dar oportunidade à esperança:
Esperar com paciência
Aquele que já está no nosso meio.

Ele anda por aí e não o vemos.
Mas esperemo-Lo
E alcançaremos o dom maravilhoso da sua presença.

Vivamos unidos a Ele
Na certeza de que um dia sem Ele
É deixar-nos morrer.

Alegremo-nos, Ele está connosco.
É Emanuel e virá de novo para não mais nos deixar
Porque nunca desiste de nós
E procura-nos em todos os lugares.

JAC 2008
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Ide


Uma ordem, um pedido, uma missão!
Contar o que vemos, o que ouvimos
é a proposta que fazes, Senhor!


Como a Jeremias o Senhor pergunta: “Que vês tu?”
E eu respondo: vejo lama, lodo, lamaçal
destruição e guerra, miséria e fome.
Vejo caos.


Sim Senhor, vejo isso tudo!


Mas vejo a esperança que vem,
“vejo um ramo de amendoeira”
Vejo algo a germinar,
vejo cegos que vêem, vejo coxos a andar,
surdos que ouvem e mudos que bradam em alta voz.


Vejo um mundo novo a nascer, a partir de Ti.
Vejo a esperança,
a possibilidade de um futuro novo, uma nova ordem.


Vejo um reino que nasce e renasce
onde os pequenos são grandes e os débeis e frágeis são poderosos.


É o teu reino, Senhor,
é esse que queremos anunciar ao mundo
essa boa notícia a despontar e a florir na nossa vida.


JAC 2007

15 de dezembro de 2009

Luz da Páscoa é acesa no Natal



O frio de Dezembro propicia a reunião da família, apontando para o dia 25. Mês de fundamental importância porque celebramos o Nascimento do Menino Deus, que vindo ao mundo na fragilidade da natureza humana se aproxima de nós para nos elevar até à sua altura e estatura. Admirável “comércio” este de um Deus que se rebaixa para elevar a humanidade.
Mês do cumprimento dos sonhos: Em primeiro, do sonho de Deus, que se quer aproximar, rebaixar, quer montar a sua tenda no meio de nós, para habitar connosco. Sonho divino de um mundo novo, de paz e de prosperidade. Sonho de uma fraternidade estendida a todas as franjas da sociedade. Depois, mês do cumprimento dos nossos sonhos humanos que precisam que os recentremos em Deus. Fazer que os nossos sonhos estejam em sintonia com os sonhos de Deus. Como escreveu o padre Tolentino Mendonça: “Queres saber de que cor são os sonhos de Deus? / Volta a olhar o mundo pela primeira vez”.
O Advento é tempo de espera. As mulheres são mais conhecedoras – até fisicamente – do verbo esperar. Advento é hora de preparar a Páscoa. A marcha do tempo da liturgia orienta os nossos passos para Jerusalém, para o Gólgota da nossa salvação, para a gruta da ressurreição.
Preparando e celebrando o Natal de Jesus, é imperioso olhar já a noite da nossa salvação. Noite de Páscoa, de luz, de entrega, de abandono, de doação, de serviço. Claro que esta é precedida pela noite do nascimento, humilde e silencioso, alegre e feliz, tal como são as coisas de Deus.
A luz do presépio de Belém aponta a luz e o brilho do sepulcro vazio, da vitória da vida sobre a morte, pelo Vivente. A luz da Páscoa é, assim, acesa na noite de Natal!

texto publicado no Jornal Paroquial "Caminhando" (Dezembro) da Unidade Pastoral de Águeda

11 de dezembro de 2009

Advento: 13.º dia – paciência no tempo da pressa



A nossa caminhada terrena e adventícia continua não como marcha militar, mas como singelo e lento peregrinar. Peregrinamos como quem dança. Este é o ritmo do caminho daqueles que vivem e vão rumo a Deus.

Quem quer ir ao encontro de Deus não o pode fazer depressa e a correr, mas lentamente, saboreando e sentindo cada passo, cada recta, cada curva, cada subida, cada descida, cada monte e cada vale…

Ir para Deus, ir ao encontro de Deus, é ir com paciência ou seja, ir “sofrendo” e sentindo o peregrinar, a dor dos passos – ora bem, ora mal dados – uma vezes com “via-verde”, outras por atalhos…

Ora é de paciência que falo hoje. Porque se trata de uma virtude/atitude fundamentalíssima deste tempo, desta propedêutica para o Natal.

É Tiago que nos pede: «Esperai com paciência a vinda do Senhor: vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva têmpora e a tardia. Sede pacientes e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima» (Tg 5, 7-8).

Cristo fala-nos variadíssimas vezes da paciência no seu percurso terreno. Recordemos as muitas parábolas sobre o Reino: semeador (Mt 13, 1-8), a do trigo e da cizânia (Mt 13, 24-39), semente (Mc 4, 26-29), entre outras.

Não se trata de um paciência amorfa e ineficaz. Trata-se de uma paciência, alegre e expectante, eficiente e produtiva, comprometida, corresponsável e séria, porque há algo novo – imensamente melhor – que vem já.

Claro que vivemos num tempo impaciente. Todos experimentamos isso mesmo. Nada queremos aguardar e esperar. Vivemos num tempo desesperante que pode levar ao desespero...
O nosso tempo está cinzento e é precisamente nestas horas que assume primordial importância esta virtude da paciência. Esta está agarrada, por um lado, à confiança e à esperança e, por outro, à tranquilidade, à serenidade e à paz. E Cristo é a nossa esperança, a nossa fé, a nossa paz.

Quero que este advento seja “dia dos modestos princípios” (Zc 4, 10) que é como quem diz, dia das coisas pequenas. Comprometo-me a fomentar, a potenciar, a fazer crescer, a cultivar a paciência na minha vida, nos gestos e atitudes, no contacto com as pessoas, no ministério e na acção pastoral.

Confio e espero pacientemente este Deus Menino – que quer reinar num mundo cheio de esquemas e de pressa – sem qualquer tipo de esquemas e planos.



Vinde, Senhor: a Igreja Vos espera,
Sol de justiça, eterna primavera.
Vinde, Senhor: a Terra Vos procura,
Vós sois a Luz de toda a criatura.


(Do Hino de Ofício de Leitura, II)

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Termino comprometido e mais paciente na Oração. Isto dará fruto com certeza!
Guia-me, Luz amável,
Na escuridão que me acolhe,
Guia-me Tu!
A noite está escura,
E a casa distante:
Guia-me Tu!
Guarda os meus passos!
Não te peço para ver
O horizonte longínquo:
Basta-me
Um passo de dada vez!


John Henry Newman
In As quatro noites da salvação, Bruno Forte
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amanhã reflectimos na capela

10 de dezembro de 2009

Início no apenas oração


O amigo Joaquim lançou-me o desafio de escrever no apenas oração que é um blogue com mais de 100 mil visitas. Aceitei, dentro das minha disponibilidade, o repto e hoje coloquei a minha primeira oração.

Peço que passem por lá. Encontrarão oração apenas e só.

Obrigado

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...