24 de outubro de 2011

Um coração que não cabe no peito!

Um coração que não cabe no peito!
30.º domingo comum. Ano A

1.Celebramos o 30.º domingo do Tempo Comum e, cumulativamente, o Dia Mundial das Missões. Na Mensagem escrita para este dia, Bento XVI diz que a missão e a evangelização são dimensões essenciais da Igreja e tarefas urgentes, num tempo e num mundo cada vez mais secularizado que faz com que muitas pessoas vivam como se Deus não existisse. «O Evangelho não é uma propriedade exclusiva de quem o recebeu, mas um dom a ser partilhado e comunicado", escreve o Papa, reiterando a ideia de que todo o baptizado é missionário no seu meio e ambiente.

2.Ao ritmo da nossa liturgia semanal, neste esforço semanal de irmos aprendendo com Jesus, a sermos missionários e os discípulos que Ele quer que sejamos, somos confrontados com uma das questões mais fundamentais e centrais para a vivência prática da nossa fé. Qual é, afinal de contas, o mandamento maior pelo qual devemos reger a nossa conduta e a nossa acção?

3. Mergulhemos neste Evangelho, onde se reflecte a continuada “perseguição” dos grupos religiosos do velho Israel a Jesus. Reparemos que, da política ao catecismo, os fariseus continuam a experimentar Jesus em todas as matérias. Eles querem mesmo “fazer-lhe a folha!”. Passamos da questão fiscal (do imposto e do tributo a César, que ouvimos na semana passada), ao problema moral (da lei que deve reger a vida do crente). Agora a dúvida é sobre os mandamentos da Lei de Deus! E é pressuposto que o “Mestre Jesus” tenha uma resposta clara.

4.«Qual é o maior mandamento da Lei de Deus»? - perguntou um doutor da lei a Jesus. Convenhamos, e até entendemos, que numa floresta quase impenetrável de obrigações e proibições da Torá (composta por 613 preceitos), a que o judeu piedoso se obrigava todos os dias, era difícil saber por que mandamento começar, qual deles tinha a primazia e precedência. A pergunta sobre o maior mandamento era no fundo a pergunta sobre «qual mandamento, que, uma vez cumprido, garantia prática de todos os outros»?!

5. Se repararmos com atenção, na resposta de Jesus, não há lá palavras novas. Jesus serve-se de dois textos já muito conhecidos dos velhos livros da Lei do Antigo Testamento. O primeiro, do livro de Deuteronómio, falava-nos do «amar a Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente» (Dt.6,4-5), pondo de parte um amor apenas sentimental ou religioso, para fazer deste amor a Deus uma entrega pessoal e total. O segundo texto, do livro do Levítico, referia-se a «amar o próximo como a si mesmo» (Lev.19,18), fazendo deste amor o critério de verdade do amor a Deus. Onde está então a novidade do ensinamento de Jesus? O que acrescentou Jesus, de novo, àquilo que já sabia o fariseus? A novidade da resposta, poderia resumir-se em dois sentidos:

6. Primeiro, Jesus tira-nos a ilusão religiosa ou sentimental de alguma vez podermos amar a Deus… não amando o próximo. «Os seus discípulos nunca poderão separar estes dois amores. Tal como, numa árvore, não se podem separar as raízes da sua copa: quanto mais amarem a Deus, mais intensificam o amor aos irmãos e às irmãs; quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, mais aprofundam o amor a Deus», nas palavras de Chiara Lubich.

7.Por vezes, enganamo-nos, imaginando que é tão grande o nosso sentimento de amor a Deus, ainda que, no fundo do coração, as nossas relações com determinada(s) pessoa(s), possam não ser tão boas e perfeitas como isso. Jesus não nos permite esta veleidade ou “esquizofrenia espiritual”: de pensarmos que podemos amar a Deus, não amando realmente o irmão. São João denunciou esta mentira «piedosa» anos mais tarde, dizendo: «como podes tu dizer que amas a Deus, que não vês, se não amas o teu irmão que vês» (I Jo.4,20)?

8.Em segundo lugar, a novidade da resposta de Jesus, faz-nos ver que, de facto, não temos, dois corações, nem dois tempos, nem dois amores, para amar, tal como pensavam os fariseus. O amor a Deus e o amor do próximo têm uma mesma e única fonte: o amor de Deus. Nós podemos amá-Lo, «porque foi Ele que nos amou primeiro» (I Jo.4,10): o amor que nos é pedido é uma resposta ao Amor, que nos é dado como prenda ou presente. É pela graça deste único amor de Deus, que amamos a Deus e ao próximo. E este amor é único e simultâneo: não há um tempo agora para amar a Deus (uma hora na missa, dez minutos de silêncio ou oração, uma leitura orante da Bíblia…) e outro para amar o próximo (visitar um doente, conversar com um amigo, dar um punhado de horas em voluntariado ou num serviço à comunidade). O amor de Deus é indiviso e simultaneamente nos coloca em relação com Ele e com os irmãos.

9. A pergunta decisiva e inultrapassável que temos a fazer é: se sinto o meu coração dividido, porque estou muito pronto e generoso para amar a Deus, e tão lento e reservado para amar determinada pessoa, o que devo fazer? Só há uma forma de curar esta doença de ilusão de óptica espiritual ou esquizofrenia: a conversão. É a conversão permanente que me leva a reconhecer nesta incapacidade de amar o outro o sintoma da minha resistência a ser amado por Deus. E chagado aí, resta-nos suplicar, de joelhos, diante de Deus: «Senhor, converte-me ao teu amor» e, depois, colocar-me de pé diante dos Homens, em posição de serviço e de atenção. É de Deus que recebemos este mandamento: «quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (I Jo.4,21).

10.Oxalá, caros irmãos, possamos ser missionários e testemunhas deste Único Amor de Deus que abraça a todos e nos impele, simplesmente, a amar.

Pe. JAC

19 de outubro de 2011

Caminho da Missão. Outubro Missionário

 

És Tu, Senhor, o clarão da tarde,
A notícia, a carícia, a Ressurreição.
Passa outra vez, Senhor, dá-nos a mão,
Levanta-nos,
Não nos deixes ociosos nas praças,
Sentados à beira dos caminhos,
Sonolentos, desavindos,
A remendar bolsas e redes.
Envia-nos, Senhor, e partiremos e pão
Juntos no caminho da missão.

D. António Couto

14 de outubro de 2011

“Caroço de Azeitona” de Erri de Luca

“Caroço de Azeitona” não parece muito o título de um livro donde brota a “fé” de um não crente, alguém que não tem a graça e o dom de acreditar. Mas é! Da autoria de Erri de Luca, escritor e poeta italiano, é um livro pequeno mas profundo, em muitas partes difícil de ler e de compreender. É composto por um certo percurso bíblico com passagens quer do Antigo quer do Novo Testamento, e donde brota, para mim, em especial, a frescura do fundo de um sepulcro, onde está Cristo vivo.
Leitor assíduo das Sagradas Escrituras, Erri de Luca procura a originalidade da Palavra na profundidade das palavras bíblicas donde, segundo ele, “descende toda a nossa civilização religiosa”. Tem contribuído para desmascarar o que considera ser, em muitos casos, “péssimas traduções da Escritura”. E este texto é bom exemplo disso mesmo.
Alguém que começa as suas manhãs a ler a Bíblia, no texto original, donde retira o que diz ser um punhado de versículos para que o seu dia tenha um fio condutor. É esse punhado, um “penhor de palavras duras, um caroço de azeitona para andar a girar na boca”. E este homem é não crente! Diz ele, pelo menos.

Pe. JAC
In Correio do Vouga

12 de outubro de 2011

Troquemos o instante pelo eterno!

Troquemos o instante pelo eterno
Sigamos o caminho de Jesus.
A primavera vem depois do inverno;
A alegria virá depois da Cruz!

Passa o tempo, e, com ele, as nossas vidas;
Tal como passa o bem, passa a desgraça.
Passam todas as coisas conhecidas...
Só o Nome de Deus é que não passa.

Farei da fé, vivida cada dia,
A luz interior que me conduz
À luz de Deus, da paz e da alegria,
À luz da glória, à Luz da Luz!

Hino de Hora Intermédia, da Liturgia das Horas

7 de outubro de 2011

Hoje é dia de Nossa Senhora do Rosário. Aprender na escola de Maria a ser discípulo de Jesus Cristo.
Partilho e rezo:

Sobre a morte de Maria

I

O mesmo grande Anjo que outrora
lhe trouxera a mensagem da conceção,
ali estava, aguardando a sua atenção,
e disse: o tempo do teu aparecimento é agora.
E ela perturbou-se como antes e mostrou
ser de novo a serva, assentindo profundamente.
Mas ele irradiava e, aproximando-se infinitamente,
desapareceu como que no rosto dela e mandou
aos Apóstolos que se tinham afastado
que se juntassem na casa da encosta,
a casa da Ceia derradeira. Eles vieram a passo pesado
e entraram cheios de temor: ali se encontrava posta
sobre estreito leito, aquela que tinha mergulhado
misteriosamente no declínio e na eleição,
imaculada, como criatura de indiviso coração,
escutando o coro angelical com ar maravilhado.
Então, quando os viu atrás das suas velas,
expectantes, arrancou-se ao excesso de harmonia
das vozes e ofereceu-lhes ainda as duas vestes belas,
de todo o coração, as únicas que possuía,
e ergueu a sua face para este aqui e aquele além...
(Ó fonte de inomináveis lágrimas em caudais!)

Mas ela reclinou-se nos seus requebros finais
e atraiu os céus para tão perto de Jerusalém
que a sua alma, ao escapar,
apenas teve de um pouco se elevar:
e já a levava Aquele que tudo dela sabia
para a Natureza divina a que ela pertencia.

II

Quem poderia pensar que até à sua chegada
o vasto Céu imperfeito era?
O Ressuscitado ocupara a sua morada,
porém a seu lado, havia vinte e quatro anos, estivera
um trono vazio. E todos já começavam
a habituar-se à pura ausência
que estava como que fechada, pois a ofuscavam
os raios de luz do Filho em permanência.

E assim ela também, ao entrar no Céu naquele dia,
não se dirigiu a Ele, por muito que o desejasse;
ali não havia ligar, só Ele lá se encontrava e resplandecia
numa claridade que a ela lhe doía.
Porém, como agora essa figura comovente
aos bem-aventurados se juntasse
e discretamente, luz na liz, um lugar viesse ocupar,
expandu-se então do seu ser um brilho incandescente
de tal intensidade que o Anjo que ela estava a iluminar
gritou, ofuscado: quem é esta?
Houve um silêncio de espanto. Depois todos viram em festa
Deus Pai nas alturas Nosso Senhor deter
de modo a, envolto na luz do amanhecer,
o lugar vazio, como um pouco de compunção,
se mostrar, uma réstia de solidão
como algo que ainda suportava, um nada
de tempo terreno, uma cicatriz sarada.
Olharam para ela: o seu olhar com receio aí pousou,
profundamente inclinado, como se sentisse: eu sou
a sua dor mais longa; e, de súbito, caiu para diante.
Mas os Anjos consigo a tomaram
e a apoiaram e cantaram de felicidade exultante
e a elevaram e no lugar cimeiro a colocaram.

III

Porém, diante do Apóstolo Tomé, chegado
já demasiado tarde, apareceu
o rápido Anjo, há muito para tal compenetrado,
e junto ao lugar da sepultura a ordem deu:

afasta a pedra para o lado. Queres saber
onde está aquela que comove o teu coração?
Vê: como almofada de alfazema, a jazer
se encontrou ali, em breve posição,
para que a Terra tivesse o seu odor
nas dobras, como um pano raro.
Tudo o que está morto (tu o sentes), toda a dor
Estão envoltos no seu aroma claro.

Olha para a mortalha: onde está a brancura
que a torne mais deslumbrante, sem a alterar?
A luz que emana desta morta pura
mais a iluminou do que a luz solar.

Não te admiras de quão suavemente lhe escapou?
Quase como se ela ainda aí estivesse, nada saiu do lugar.
Porém todo o Céu nas alturas se agitou:
Homem, ajoelha-te, segue-me com o olhar e começa a cantar.

Rainer Maria Rilke

3 de outubro de 2011

Bom samaritano: quem é o meu próximo?

Evangelho segundo S. Lucas 10,25-37.

Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?»
Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?»
O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.»
Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.»
Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?»
Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando o meio morto.
Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo.
Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo:'Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.'
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»


A parábola do bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37) leva a dois esclarecimentos importantes. Enquanto o conceito de « próximo », até então, se referia essencialmente aos concidadãos e aos estrangeiros que se tinham estabelecido na terra de Israel, ou seja, à comunidade solidária de um país e de um povo, agora este limite é abolido. Qualquer um que necessite de mim e eu possa ajudá-lo, é o meu próximo. O conceito de próximo fica universalizado, sem deixar todavia de ser concreto. Apesar da sua extensão a todos os homens, não se reduz à expressão de um amor genérico e abstracto, em si mesmo pouco comprometedor, mas requer o meu empenho prático aqui e agora. Continua a ser tarefa da Igreja interpretar sempre de novo esta ligação entre distante e próximo na vida prática dos seus membros. É preciso, enfim, recordar de modo particular a grande parábola do Juízo final (cf. Mt 25, 31-46), onde o amor se torna o critério para a decisão definitiva sobre o valor ou a inutilidade duma vida humana. Jesus identifica-Se com os necessitados: famintos, sedentos, forasteiros, nus, enfermos, encarcerados. « Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes » (Mt 25, 40). Amor a Deus e amor ao próximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o próprio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus.

Bento XVI, Deus caritas est, 

De joelhos

Relendo os textos de Rina Risitano, sobre a arte de Sieger Köder:

"De joelhos.
O choro e o pecado do mundo pesam sobre ti - sustentáculo do Universo.
A escuridão e o horror precipitam-se sobre a trave da tua Cruz - o implacável e cruel juiz, os corpos atormentados das vítimas da violência e dos vícios: o pecado do mundo.
De joelhos.
O teu corpo, ó Vivente, manchado de sangue...
O teu braço direito em tensão, firme, estendido, sólido - como baluarte.
A mão direita firmemente assente sobre a pedra dura - dando apoio, segurança...
A cabeça inclinada sobre o coração, fonte da tua força.
Determinado como estás a não perder nenhum dos teus pequeninos que te foram confiados.
Tu, a pedra angular.
Tu, o pilar do Universo.
Tu carregas-nos a todos!"

1 de outubro de 2011

Onde estão os nossos frutos?

A liturgia do XXVII domingo do tempo comum põe-nos a pensar na nossa vida, com rectidão e seriedade. Trata-se de um esforço por percebermos como é que estamos a viver...
Tratados com mil cuidados por Deus, tal com escutamos na descrição feita pelo poeta-profeta, que frutos produzimos na nossa vida? Deus não nos condena, em circunstância nenhuma, mas deseja e espera de todos frutos de paz, justiça, bondade, fidelidade, mansidão e compreensão. Que cada um meta a mão à consciencia... Há caminho à nossa frente para arrepiarmos, corajosos!

26 de setembro de 2011

É preciso mais do que palavras! (última homilia na Igreja de Águeda-UPA)



1. Irmãos e irmãs: palavra recta e directa de Jesus: “Os publicanos e as mulheres de má vida irão adiante de vós para o Reino de Deus”! Desafio para nós ouvi-la hoje. Em Jerusalém, o Mestre enfrenta a resistência organizada da classe religiosa do velho Israel. É uma espécie de raça eleita, gente fina e segura, acomodada e envelhecida nas cadeiras do poder. São os príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo, perfeitos profissionais da religião. São os que dizem e rezam «àmens», cheios de devoção. São estes que agora recusam acolher Jesus. Perseguem-nO, com medo da sua Palavra, espada afiada que os fere de morte. Seguros do seu passado, não querem mudar as regras de jogo. Tornam-se insensíveis a qualquer apelo de mudança, fechados à novidade, indispostos à conversão... O seu passado de glória vê-se agora transformado em risco de perdição.
2. Na parábola, Jesus adverte para o risco de passarmos a vida a dizer «sim, senhor», mas quando chega a hora de dar a cara e «arregaçar» as mangas, encontrarmos sempre razões para dizer «não». Os líderes religiosos do Povo de Israel, representados no segundo filho, sempre disseram «àmen» a tudo e a todos, mas recusam dar o «sim» àquele que o Pai enviou. Para estes, a palavra dada reduz-se a um discurso de circunstância, a invocar, três vezes ao dia, o santo nome de Deus em vão! Estes ficam para trás... no caminho do Reino.
3. Adiante destes, do outro lado da margem, estão os pecadores. Os desgraçados, os filhos perdidos, as vítimas do poder e do pecado de todos: entre eles, os publicanos e as mulheres de má vida. Esses tais que nem rezavam «àmens» e carregavam o peso de um passado ferido de miséria. Esses não tinham nada a perder. Acolheram o grito de mudança, proclamado por João Baptista, e entregaram-se à causa de Jesus. Arrependidos, encontram a força da sua liberdade e vão à frente… no caminho do Reino.
4. Vão adiante porque a sua miséria não é sinónimo de podridão e a sua rebeldia não se confunde com a desobediência. Vão adiante porque a sua fidelidade não se cumpre por desafecto e porque deixam para trás um passado que se abate... e não presumem garantido o seu futuro. Vão adiante porque há neles uma dignidade que se esconde por trás do pecado... enquanto noutros há o pecado que se esconde sob a capa de uma dignidade (eclesiástica, política, social...). Sim, meus amigos, “os publicanos e as mulheres de má vida irão adiante de [NÓS] para o Reino de Deus”! Jesus sabe e conhece a amargura das suas vidas, a concentração do vício alheio a minar-lhes o coração. Ele não teme nem as palavras nem os gestos de acolhimento... Vão adiante porque a sua grandeza de alma, dorida e limpa, é maior do que a pacatez de espírito daqueles praticantes profissionais da religião tradicional. Vão adiante, as mulheres de má vida, não pelo pecado cometido, mas pelo desejo de mudança. Vão adiante porque, ao apelo de conversão, acreditaram e mudaram de vida e porque arrepiaram caminho ao escutar a parábola, revendo-se no primeiro filho, acabando por assentir não à palavra dada, mas à Palavra, que é o Verbo, Jesus Cristo, recebida com alegria.
5. No fundo, esta parábola e o pensamento expresso pelo profeta da esperança, na primeira leitura, conduzem-nos à certeza de que, para Deus, não há o fatalismo do passado nem para ninguém a garantia do futuro. Para Deus, nenhum de nós é um caso perdido... há sempre uma oportunidade de salvação... E resta sempre o aviso sério de que ninguém se julgue grande e seguro... porque estamos sempre sob o risco da perdição...
6. Meus caríssimos irmãos. Depois das mãos e dos braços, para o trabalho da vinha, o Senhor pede-nos agora o abraço do coração. Pede-nos um «sim» de corpo e alma, um «sim» de alma e coração. É preciso dizer e fazer. Ou melhor ainda, fazer, sem dizer. Mais: é preciso sentir o que se diz, sentir ainda mais o que se faz. Trabalhar com a força dos braços, mas ao ritmo certo do coração manso e humilde de Cristo.
7. É urgente, veemente e permanente o apelo à conversão. É preciso vencer rivalidades, com um elevado espírito de serviço. O próprio Cristo que era de condição divina fez-se servo! É preciso sobrepor a humildade à vanglória. O próprio Cristo que era de condição divina não se valeu da sua igualdade com Deus! É preciso submeter o interesse próprio a uma fiel obediência ao bem de todos. O próprio Cristo humilhou-se ainda mais, até à morte e morte de Cruz!
8. Neste jogo arriscado da nossa vida resta-nos andar de “bola baixa”, “rasteiros”. Sem este «abaixamento», onde cada um depõe as armas do orgulho e do interesse próprio, não há condições de unidade e de paz... no seio da Igreja, na vida das nossas comunidades e no nosso mundo. Humildes no pecado, para acolher a misericórdia e encontrar a vida e humildes na virtude, para não presumir de nada e vir a sucumbir na morte... «É sempre tempo para mudar» e tudo será mais fácil se tivermos entre nós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus! Ousemos aceitar a proposta!
 Pe. JAC

17 de setembro de 2011

A mesma missão: ser transparência de Deus em terras aveirenses (Nota a respeito da nomeação para a Paróquia da Glória-Sé)













 
1.A qualidade das coisas boas da vida não pode ser medida por nenhuma quantidade. A qualidade das relações estabelecidas durante os quase dois anos passados em Águeda, mais concretamente nas nove paróquias que compõem a UPA, também não pode ser quantificada. Foram tempos – menos de dois anos é pouco, mas se somarmos os meses, os dias, as horas, os segundos já dá muito mais – ricos e belos, carregados de experiências, de partilha. Tempo de ser Igreja com os outros, nesta bela e exigente experiência de Unidade Pastoral.

2.Aqui cresci também como homem e como cristão. Aqui aprendi a ser padre ao jeito e ao modo do coração do Bom e do Belo Pastor. Aqui recebi muito mais do que o pouquinho que dei. E isto gera gratidão no meu coração. Gratidão, em primeiro, a Deus que permitiu esta passagem em terras aguedenses. Gratidão à Igreja, quer a de Braga, que possibilitou a minha vinda, quer a de Aveiro, que concretizou essa vinda. Gratidão aos padres que comigo fizeram Unidade Pastoral. O Pe. José Camões, o Pe. Jorge Fragoso, o Pe. José Carlos e o Pe. Francisco Rebelo. Com eles foi e é fácil fazer equipa. Foi belo crescer como irmãos no ministério. Gratidão ao diácono Semedo e ao diácono Afonso, eu diácono como eles quando cheguei a Águeda, porque com eles aprendi esta entrega generosa ao Evangelho e à Igreja de Cristo. Gratidão ao santo Povo de Deus que nas nove paróquias da UPA querem fazer a sua fé mais consciente e madura. De Macieira, Préstimo e Castanheira, de Barrô e Borralha, de Trofa, Lamas e Segadães e de Águeda recebi, em todos os lados, belos testemunhos e exemplos de fé e de caminhada cristã, e conscientes compromissos na vida e na missão da Igreja, que se pretende e precisa para os nossos tempos. A minha gratidão estende-se a todos os padres do Arciprestado de Águeda. Em primeiro o seu arcipreste, Pe. Júlio Grangeia e todos os outros: padres Costa Leite, Manuel Armando, Paulo Gandarinho, João Paulo, e também ao Pe. Tavares. Obrigado a todos pelo testemunho de vida sacerdotal. Nos párocos reconheço o carinho, amizade e estima recíproca de todos os cristãos que peregrinam neste Arciprestado de Águeda.

3.Vou para a cidade de Aveiro mas uma boa parte do coração já fica e já tem o selo de Águeda. Parafraseando Ana Moura num belo fado, também eu hoje digo: “até ao fim do fim, eu vou-te amar”. Porque o podeis contar da minha parte, espero de todos, daqui em diante, a mesma amizade e a mesma oração. Pede-me a Igreja de Aveiro, por intermédio do seu Pastor, D. António Francisco, que sirva na comunidade paroquial da Glória, em Aveiro. É a comunidade onde se situa a igreja-mãe da Diocese, a Sé Catedral, onde nos poderemos encontrar em variados momentos e celebrações diocesanas que lá decorrem. Como sempre, e porque foi para isso que a Igreja me ordenou, aceitei a proposta, na certeza de que levo o mesmo entusiasmo que trouxe para Águeda, a mesma alegria e a mesma energia. Como me disse, recentemente, alguém que estimo: “Somos padres ao serviço da Igreja, onde quer que seja. Sempre “nómadas”. Assim quero continuar!

4.Permiti que saúde o Nuno Queirós, um nortenho como eu, que fará o seu estágio para a ordenação diaconal e presbiteral, aqui na UPA, neste Arciprestado de Águeda. Desejo que seja feliz nestas terras e possa ajudar outros a serem felizes, falando-lhes da grande felicidade que é seguir a Cristo, Modelo e Mestre, Caminho, Verdade e Vida.
5.António Machado, o poeta sevilhano, escreveu: Caminhante, são teus rastos/ o caminho, e nada mais;/ caminhante, não há caminho,/ faz-se caminho ao andar(…). Meus amigos: o nosso andar cruzou-se. Mas os nossos trilhos não terminam. Continuamos a andar ainda que com coordenadas diferentes. Mas vamos em frente. Prosseguimos seguros na mão de Deus. Até sempre!

Pe. José António Carneiro

9 de setembro de 2011

Os padres ao serviço da Igreja e Homenagem...


Escreveu-se assim no boletim "Caminhando" da UPA, de Agosto-Setembro. Texto do Pe. José Camões
Porque somos inevitavelmente uns dos outros criamos ligação que se aprofunda na medida em que entrelaçamos as nossas vidas: os momento de alegria, convívio, diversão deixam uma marca cujo tempo facilmente apagará; outras situações em que vamos partilhando anseios, problemas, projectos… assinalam mais funda a nossa relação e interdependência; momentos como os que nos fazem mergulhar tantas vezes na dor, no sofrimento, na construção comum de algo melhor, na partilha da experiência pessoal que se traduz em busca de sentido para a vida são pedras de uma construção que se solidifica com mais facilidade…
A vida do padre enquadra-se nesta última categoria, dada a sua missão específica; logicamente que se sinta com mais profundidade a separação, a mudança.
Já é de todos conhecida a saída do Pe. Zé António da equipa da Unidade Pastoral (UPA) para outro serviço a que a Igreja o chama (ainda na nossa diocese) através da pessoa do Bisp diocesano.
Resta-nos dar graças a Deus pela sua presença entre nós ao longo destes quase
dois anos, pelos desafios que deixa na experiência da UPA e pelos dons que o
Senhor lhe concedeu para poderem render ao serviço desta Igreja que somos.
Por outro lado, dada a dimensão pastoral em que estamos envolvidos, vamos poder beneficiar e ser apoio para um jovem que se encaminha para o sacerdócio que virá integrar a nossa equipa. O Nuno Queirós terminou já o curso teológico enquanto colaborador na paróquia de Esgueira, e fará connosco uma experiência pastoral em contexto mais alargado e diversificado; um jovem, natural de Santo Tirso, que quer responder ao apelo que o Senhor da Messe lhe faz.
Vamos acolhê-lo e ajudá-lo na generosidade que o Evangelho propõe: esta será a medida para podermos ser ajudados…

(E na última página escreveu-se assim:)

HOMENAGEM AO PE. ZÉ ANTÓNIO – QUERES
PARTICIPAR?
Não deve ser apenas por “ser de bom tom”. Será muito melhor se for por atenção,
gratidão e amizade. Prestar uma homenagem, por mais simples que seja, dá ânimo
e liga-nos mais uns aos outros, prolonga o gosto de viver.
A proposta é que não deixemos que tudo se desvaneça com o tempo, que as boas
recordações não se reduzam a cinza espalhada pelo vento, que o esforço e
dedicação do tempo que o Pe. Zé António esteve connosco não desapareçam sem
deixar marca.
A melhor e maior gratidão que o Pe. Zé António agradece é ter consciência de que
o que ele ensinou e se esforçou por fazer compreender e viver seja prolongado
na vida de cada um. Essa a homenagem que ele merece.
Ele ensinou os jovens e adultos a conhecer o Evangelho e a vivê-lo; dedicou-se a
fazer compreender como se pratica a fé cristã; deu exemplo do que é ser cristão
no mundo de hoje; mostrou como a participação semanal na Eucaristia é alimento
indispensável para o testemunho da fé em Jesus Cristo; ajudou a compreender que
o perdão de Deus nos chega através do sinal da reconciliação; deixou sinal de
que a oração é apoio inseparável da vida.
Como o Pe. Zé António ficará feliz ao saber que os que ele acompanhou nestes quase
dois anos continuam a cumprir, a viver o que ele ensinou! A tristeza maior que
o irá acompanhar seria vir a saber que uns deixaram de estar na missa, outros
abandonaram a catequese, outros voltaram as costas à Igreja a que pertencemos…
Tu que conheceste e acompanhaste o Pe. Zé António ao longo destes quase dois anos,
queres associar-te a esta homenagem? Estás disposto/a a saber agradecer a Deus
o dom que nos foi dado na sua pessoa, vivendo com mais entusiasmo e empenho a
fé cristã como a Igreja nos ensina?
Não há melhor homenagem! O Pe. Zé António ficará com a alegria de não ter sido
inútil a sua dedicação e trabalho nestas terras de Águeda onde se sentiu bem
acolhido.

5 de setembro de 2011

Do inesperado das coisas!


A inquietante busca do sentido das coisas
Leva-me a sentir, tantas vezes,
Que flutuo e navego em turbilhão.

A alegria do sentir-se amado e querido
Nem sempre causa satisfação e felicidade!

E pergunto-me se falhei e onde falhei…

Mas também aprendo com outros mestres
Que me dizem
Que nas coisas das relações
Nem sempre tem que haver falha!

Acontece!
Imprevisível!
Inesperado!

Mas, não deixa de ser um alerta
A deixar-me mais desperto
E a precaver o futuro!

23 de agosto de 2011

Revendo a JMJ Madrid 2011!



Comecei a peregrinar no coração muito tempo antes de sair de Aveiro rumo a Córdoba e a Madrid com um belo grupo de 242 peregrinos.
Sei que todas as grandes viagens começam sempre por um pequeno passo.
Que grande pequeno passo dei quando aceitei aquele sussurro que chama, Daquele que ama e sempre me pede: “Segue-me”.
Fui a Córdoba e a Madrid de coração aberto. E saí muito mais cheio, mais pleno, mais Nele e mais com Ele!
Depois de Roma 2000, ainda seminarista, senti nesta experiência espiritual que é a JMJ a oportunidade de confirmar a certeza de um Deus que é Jovem, alegre e nos quer para sermos felizes e alegres, porque é Ele a nossa alegria e o nosso enlevo. Agora como jovem padre, sinto confirmada essa presença constante e discreta, silenciosa mas sempre reveladora de Deus que está comigo e connosco até ao fim dos tempos!
É tão bom ser peregrino! Caminhando, sulcando o terreno, poeirento ou lamacento. Suportando e superando quatro ventos ou mesmo quatro sóis ou quatro tempestades. Sentindo as fraquezas, as debilidades, os cansaços, as dores, o sofrimento, mas também a alegria, o entusiasmo, a esperança – aquela que não existe para que tudo corra bem no final, mas para que no final as coisas façam sentido. Isso é a esperança cristã!

Terminou, por assim dizer, a propedêutica da JMJ Madrid 2011. Agora a jornada da vida continua com a certeza de que estou mais enraizado em Cristo e mais firme na fé! E com uma outra grande certeza que completa e complementa o meu coração: nesta peregrinação da vida não estou sozinho, tenho tantos e tantos que peregrinam lado a lado comigo, com os seus ritmos e passos, com os seus tempos e os seus modos. Mas somos sempre um, Naquele que nos une.

Agora Ele conta mais connosco, para sermos mais e melhores, mais firmes e mais fortes. Podemos contagiar a tantos. Podemos ser semente lançada ao campo do mundo para fazer frutificar e florir tantos dons bons que temos no coração e pintar o mundo com as tonalidades de Deus!

 

Agora, amigos, os que estiveram comigo no autocarro Ovos Moles, todos os peregrinos de Aveiro inscritos pelo SDPJV e não só, e todos os milhares e milhares que se uniram para formar a JUVENTUDE DO PAPA, continuamos o trilho do peregrino… rumo ao Rio, que é como que diz rumo a Cristo, a fonte de água viva, Aquele caudal refrescante que dá sentido à nossa vida.

 

Obrigado a Deus e ao Seu Filho nosso Irmão, Jesus Cristo. Continua a ser a meta, o norte e o horizonte certo do meu/nosso caminho!

Pe. JAC


2 de agosto de 2011

Graças, Senhor. Primeiro aniversário da Missa Nova


Eu quero agradecer
O dom do Teu Amor
Ofertar o meu ser
Servindo o Evangelho
De Cristo meu Senhor.

Eu quero entregar
Meu sangue e meu suor
Para anunciar
O reinado de Deus
Que é o Salvador.

Quero ir pelo mundo fora
Sem nunca desistir
E quando for a hora
De regressar ao Pai
Estar pronto a partir.

Sei que me esperarás
Com amor paternal
E me libertarás
Desta vida mundana
Pra vida divinal.

Há um ano atrás cantava-se assim na minha Missa Nova. Música adaptada e letra orginal.

27 de julho de 2011

Nova Missão! A mesma alegria!


Hoje o Bispo da Diocese de Aveiro torna público o Movimento Eclesiástico ou seja, o conjunto das nomeações que realiza em cada ano para o trabalho pastoral da diocese. O Jornal Correio do Vouga apresenta essas nomeações. Entre elas, figura também o meu nome com a nova missão que me pede a Igreja que peregrina entre o mar, a ria e a serra, por terras de Aveiro.
Depois de ano e meio por terras de Águeda, onde cheguei em Outubro de 2009 ainda como diácono, pede-me a Igreja, por intermédio de D. António Francisco, que sirva na comunidade paroquial da Glória (Sé), em plena cidade de Aveiro, como Vigário Paroquial.
No dia da minha ordenação, no ano passado, prometi ao meu Arcebispo e aos meus superiores obediência e fidelidade, atitudes que assumo e quero continuar a assumir, com determinação e na prossecução dos objectivos delineados para a minha vida: ser feliz, seguindo Jesus Cristo! Foi com esse espírito que aceitei a nova missão que passa agora por terras aveirenses, sem alterar a alegria, o ânimo, o entusiasmo, a energia, mas mantendo também as minhas tantas limitações e falhas…
Ainda não é tempo para agradecimentos nem para despedidas (se é que tem que haver despedidas!!!). Para já, este fim-de-semana regresso a Águeda para continuar o caminho e o trabalho que tenho marcado com a ainda minha equipa sacerdotal da UPA. Seguem-se, depois, as Jornadas Mundiais da Juventude onde quero estar de corpo e alma, com tantos jovens da diocese. E depois logo se verá. Mas tudo será sempre para maior glória de Deus!
Nada mais que isto está acertado. Sei que estarei na Paróquia da Glória, no próximo ano pastoral, com o Pe. Fausto e com o Pe. Virgílio, para continuar a ser feliz e a ser transparência de Deus para todos.
Como me disse, recentemente, alguém que estimo: “Somos padres ao serviço da Igreja, onde quer que seja. Sempre “nómadas”.
Assim quero continuar!

Pe. JAC

18 de julho de 2011

Exultate! Um ano de Ordenação Sacerdotal


Hoje faço um ano de padre. No dia 18 de Julho de 2010, o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, presidiu à celebração da Ordenação Sacerdotal, na Cripta da Basílica do Sameiro, em Braga, na qual foram ordenados dois diáconos franciscanos e mais quatro padres da Arquidiocese de Braga.
Os aniversários da Ordenação Presbiteral são sempre oportunidades para fazermos exame de consciência a fim de discernirmos como está a ser a nossa resposta ao Deus que nos chama e que nos ama.
Neste primeiro aniversário, transborda o meu coração de alegria, como Maria no Magnificat, porque o Senhor Deus continua a operar maravilhas.
No que concerne à minha fidelidade ao chamamento e ao sacramento, Deus, que em conhece melhor que eu mesmo, sabe da minha entrega generosa e do meu empenho quotidiano em servir e em viver de acordo com as promessas assumidas no dia da Ordenação.
Mas se é tempo de balanço também é tempo de projecção. Para já, continuo, conforme vontade e entendimento do meu Arcebispo Primaz e do Sr.Bispo de Aveiro, D. António Francisco, a trabalhar «por mais um ano» na Diocese de Aveiro. É para mim sinal da bela e generosa partilha dos recursos humanos, sabendo que as vocações faltam em toda a parte, e que Braga não é excepção. (Ontem mesmo D. Jorge Ortiga alertava a Arquidiocese para essa questão). Mesmo assim e com esforço, é possível esta partilha entre as Igrejas Particulares (De Braga estão 35 padres a trabalhar fora da diocese, em Portugal e no estrangeiro).

Para o futuro, o mais fundamental passa por continuar a assumir aquilo que prometi no dia da Ordenação. Fidelidade, serviço, entrega são palavras que para mim continuam a nortear o meu ministério.
Fundamental no meio disto tudo é também a oração de todos. Assim como a colaboração estreita daquela bela porção do Povo de Deus que me está confiada no Arciprestado de Águeda, a quem saúdo e agradeço tantos sinais de amizade e estima.

Hoje, exulta também o meu coração pela ordenação do meu conterrâneo, padre José Miguel Fraga Cardoso, que ontem no Sameiro, foi Ordenado pelo Arcebispo Primaz juntamente com o Pedro Daniel.
Exulta o meu coração por D. Jorge ortiga, na passagem de 12 anos de serviço e de responsabilidade enquanto Arcebispo de Braga.
Exulta o meu coração na celebração das Bodas de Ouro Sacerdotais de D. Manuel Monteiro de Castro, ilustre conterrâneo vimaranense que é secretário da Congregação dos Bispos, no Vaticano.
Enfim, exulta o meu coração porque o Deus clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, continua a providenciar, com paternal bondade, o bem de todos os seus filhos, onde me incluo.

Com Karl Rahner continuo a crer e a exultar com isto: “Eles estudam e meditam sobre a ciência de Deus. Eles continuam ainda como aprendizes de Deus. E, contudo, Deus ordena-lhes que comecem a falar daquilo que eles próprios compreendem só a meias. Mas Deus está com eles. Com eles, apesar da sua pequenez e pecado. Eles não se anunciam a si mesmos, mas Jesus Cristo, anunciam o seu nome”.  

Exultate Deo! Te Deum laudamus!
Pe. JAC

12 de julho de 2011

Rainha Santa Isabel ensina a adorar a Deus


Hoje quero centrar a atenção na Rainha Santa Isabel, especialmente em alguns aspectos da sua vida e da sua acção, mas com um objectivo bem claro e bem definido: mostrar que quando veneramos um santo ou santa, um mártir ou alguém que para nós é modelo e referência ao nível da fé, fazemo-lo por neles é Deus que resplandece, porque neles é Cristo, dado e entregue, servo de todos, que resplandece.
Isto para dizer que veneramos os santos porque nos santos vemos Deus, porque em suas vidas eles buscaram essa identificação, essa conformação e configuração cada vez maior com Deus.
E só na relação deles com Cristo, na sequela Christi, eles são colocados diante de nós como exemplos, como modelos de seguimento, como faróis que nos iluminam, como âncoras que nos fazem acreditar e ter esperança.
São santos porque, como S. Paulo, também eles consideraram tudo lixo, por amor a Cristo. Tudo prejuízo, comparando-as com o bem maior que é Cristo. Tudo renunciar para ganhar a Cristo. Por isto é que Paulo, Isabel de Portugal, e tantos e tantos, ao longo de tantos séculos, estão colocados diante de nós como paradigmas para seguirmos a Cristo, com verdade e com radicalidade.
A devoção aos santos, na Igreja Católica, inscreve-se na grande adoração que devemos a Deus Pai e que já vem dos decálogos veterotestamentários. “Escuta Israel, o Senhor nosso Deus é o único. Amarás o Senhor Teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6, 4-5).
E o nosso primeiro mandamento estabelece: “Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas”!
A adoração, segundo o CIC (2096), é o primeiro acto da virtude da religião.
Mas, é a Deus que adoramos. Deus Pai, que nos envia o Seu Filho Jesus e nos dá o Espírito Santo, a força do amor que circula entre ambos”. É à Trindade Santa que adoramos. A Ela e mais ninguém. Porque adorar Deus é reconhecê-Lo Criador, Salvador, Senhor de tudo quanto existe.
Adorar a Deus é reconhecer o nada que somos enquanto criaturas diante da grandeza do Criador. Adorar a Deus é louvá-Lo, exaltá-Lo e humilhar-se, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que o seu Nome é santo. A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar sobre si próprio, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.
Não quero com isto dizer, meus estimados irmãos, que não podemos venerar os santos, chamados amigos de Deus. Nada disso. 
Quero dizer que é de uma total incongruência dizer e viver aquilo que tantas vezes vou ouvindo, no meu ainda curto ministério sacerdotal, e até já antes disso: “Ah senhor padre, eu sou muito cristão. Não passo um ano sem ir a Fátima”. “Ah, senhor padre, tenho uma fé muito grande por este ou por aquele santo”.
E depois, se pergunto se vai à missa, se celebra os restantes sacramentos, se reza a Deus, sem ser para “pedinchar coisas” a resposta é, tantas vezes, muito mais que as desejáveis, negativa.
Sinal eloquente de que isto também não vai bem. Sinal bem claro que precisamos de recentrar e reorientar a nossa devoção aos santos.
Eu sei que possivelmente isto não se passa convosco, caros amigos. Mas também sei que a todos cabe uma missão pedagógica, de ensino da fé, de purificação e de formação de mentes e de consciências.
Volto a reforçar o que já fui dizendo: a devoção aos santos não é adoração, é apenas uma admiração. Esta devoção que podemos ter por algum santo ou santa declarados pela Igreja tem o único objectivo de nos apontar, mostrar e levar ao essencial: Jesus Cristo.
Em muitos momentos as pessoas cometem exageros, dando mais atenção aos santos do que a Jesus. Os santos são apenas exemplos de pessoas que chegaram lá, se tornaram semelhantes ao seu mestre, Jesus.
Em abono da verdade diga-se que a Igreja não quer que sejamos iguais aos santos, mas sim que sejamos semelhantes a Jesus, como eles fizeram. Se o formos, com certeza, seremos santos.
Ao conhecer a vida de um santo, como por exemplo da Rainha Santa Isabel, isso pode e deve fazer brotar em nós o desejo de seguir o caminho que ela seguiu, da virtude, de caridade, de serviço, para chegar até Jesus. Isto é a verdadeira devoção.
Recorremos à intercessão dos santos pelo facto de já serem habitantes do Céu e de estarem unidos totalmente com Jesus Cristo. Temos a certeza da sua intercessão.
Aquilo que S. Domingos dizia já perto da sua morte, ajuda a iluminar a afirmação: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. No mesmo sentido Teresinha do Menino Jesus dizia: “Passarei o meu Céu a fazer o bem na Terra”.
Nós veneramos e amamos os santos, porque eles foram servos rigorosos e incansáveis imitadores do Senhor, viveram com “os pés na terra” e com o olhar totalmente voltado para o Céu.
 S. Policarpo de Esmirna, discípulo de S. João Evangelista, dizia assim: “Nós adoramos Cristo qual Filho de Deus. Quanto aos santos, amamo-los quais discípulos e imitadores do Senhor e, o que é justo, por causa da sua incomparável devoção pelo seu Rei e Mestre. Possamos também nós ser condiscípulos seus.”
É este amor e esta devoção pela Rainha Santa Isabel que nos congrega neste belo convento onde está sepultada.
Sabemos e acreditamos que, imitando-a na virtude, nos aproximamos de Deus e conformamos o nosso coração com o coração de Cristo.
Permiti, e termino assim, sublinhar dois belos exemplos das atitudes da Rainha Santa, que podem ser importantes, para nós que vivemos neste século XXI.
Por um lado a sua extrraordinária capacidade de diplomacia. A astúcia na resolução e na superação de conflitos, até dentro da sua própria família. Isabel de Portugal foi uma mulher de paz e isso ela nos ensina.
Num mundo, num tempo, marcador por tanto individualismo, que leva a extremismos, a violências, a contendas e a guerras de interesses, a Rainha Santa Isabel eleva-se diante de nós da grandeza daquele macarismo: “bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus”.
Por outro lado a sua extremosa caridade e a sua intenssíssima vida de oração. Não me sinto, sequer na necessidade de evocar, tantos exemplos de genorosidade, de partilha, de caridade, de amor exercidos pela Rainha Santa durante toda a sua vida. Também se releva a sua profunda vida de oração, donde extraía, com certeza, seiva e vigor, para agir com tanta ousadia e humildade, e para ser, na sua situação e no seu tempo, testemunha tão credível do amor de Deus por toda a humanidade.
A Rainha Santa Isabel é uma escola de virtude e atitudes marcadamente evangélias. Essa escola de vida continua a ser para nós frequentarmos. Nesta escola que é a de Cristo, nós nunca somos mestres; somos sempre aprendizes.
Continuemos a aprender com a Rainha Santa a ser, em cada dia da nossa vida, mais santos e mais humanos.
Seguros estamos que ela intercede por nós e ouve as nossas preces e oração. Com a certeza da fé e da devoção que nos habita: Santa Isabel de Portugal. Rogai por nós!
Pe. JAC.

Caridade cristã, virtude fulcral em tempos de crise


Debruço-me hoje sobre uma das virtudes teologais: a caridade!
Não é novidade para ninguém que vivemos tempos críticos. Tempo de profundas crises. Vemos e ouvimos falar com a frequência de todos os noticiários televisivos e radiofónicos, em todas as estações e canais, e de todas as edições de imprensa escrita de crise e, em especial de crise económica. Parece que já não é dia se não ouvimos algo sobre a crise!
Pois bem: é verdade que a economia é um âmbito da vida das pessoas. Mas não é o único âmbito e nenhuma vida se resume à economia!
O que também é verdade é que o tão badalado termo “crise”, etimologicamente, indica um estágio de alternância, o qual, uma vez percorrido, as coisas diferenciam-se daquilo que costumavam ser. Não existe uma possibilidade de retorno aos antigos padrões. Em si mesma, portanto, crise é uma oportunidade, uma graça, para pensarmos melhor e prepararmos melhor o futuro.
Face ao cenário escuro e tenebroso de crise económica que vamos vivendo, deixai que vos diga, meus amigos, que o Evangelho, o Cristianismo, a Igreja e os Cristãos poderão e deverão ter um papel preponderante de iluminação, de indicação de novos caminhos, de afirmação da esperança, e acima de tudo de manifestação de sinais visíveis e concretos de uma caridade criativa e reinventada.
A exemplo da Rainha Santa Isabel também podemos, nos nossos dias, com mais ou menos bens, com mais ou menos dinheiro, viver a caridade, com tudo o que isso significa.
Não se trata, meus amigos, de uma “caridadezinha”, não se trata de sentirmos “pena” dos pobres e dos excluídos, não se trata de os olharmos como “coitadinhos”. Nada disso. Trata-se de vivermos o Evangelho, na sua radicalidade de boa notícia para todos os homens e mulheres, em especial para aqueles para quem a Palavra, o Verbo de Deus se fez carne. Não foi para os sãos e para os bons que Jesus veio ao mundo, foi para os pequeninos, para os doentes e para os pecadores. É para esses, que também somos nós, que tem que de dirigir a mente e o coração, as palavras e as acções, todos os cristãos, de toda a Igreja, de toda a sociedade.
O Papa Bento XVI dizia recentemente que a acção cristã caritativa “não é apenas uma acção filantrópica, ainda que útil e com mérito”, mas é uma “forma privilegiada de evangelização, à luz do ensinamento de Jesus”.
De facto, é Cristo que nos ensina a ser caridosos e solidários, em tantos ensinamentos, por palavras e por gestos. Deixai que vos diga que também a Rainha Santa Isabel, que de uma forma singular viveu a caridade, aprendeu na escola de Cristo.
A caridade cristã vai além da ajuda material, porque “torna visível a misericórdia infinita de Deus para cada ser humano”.
Esta caridade, diz Bento XVI, consiste em “harmonizar o nosso olhar com o olhar de Cristo, o nosso coração com o coração de Cristo. Desta maneira, o apoio amoroso, oferecido aos demais, traduz-se em participação e em partilha consciente das suas esperanças e dos seus sofrimentos”.
Não estaremos a ser fiéis ao Evangelho se não vivermos a caridade, tal como a Rainha Santa Isabel a viveu e exerceu. “Nós sabemos que a autenticidade da nossa fidelidade ao Evangelho verifica-se também com base na atenção e solicitude concreta que manifestamos ao próximo, especialmente os mais frágeis e marginalizados”, diz Bento XVI.
Viver a virtude da caridade é uma urgência no mundo em que estamos. Além disso, não poderemos esquecer que até a nossa devoção à Rainha Santa Isabel exige de nós o esforço, o compromisso, o empenho, por vivermos a caridade e em caridade. Os cristãos têm que ser testemunhas da esperança neste tempo de crise difundida e generalizada.
Atravessamos uma grave crise de humanidade, de valores. Creio também que a resolução das crises – da económica e de todas as outras – passa por dar atenção aos cidadãos, às pessoas, à Pessoa, na sua unicidade e dignidade sagrada e inviolável.
Por isso, meus amigos, é necessário que saibamos todos “gerir” o melhor património do país que são as pessoas, tal como escrevia recentemente D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro. “O mais importante património a ser bem gerido, são as pessoas concretas: crianças, jovens, adultos e mais idosos; saudáveis, doentes e com deficiências; da cidade, do litoral ou das aldeias do interior; empregadores, trabalhadores e desempregados; residentes, emigrados e imigrados; gente letrada ou apenas de letras gordas”.
E especificava o Prelado: Pessoas para acolher com respeito, para reconhecer as suas capacidades, para propor medidas concretas de apoio e promoção, para proporcionar igual reconhecimento de direitos e deveres. Pessoas, valor incalculável que dá sentido a tudo o que é património histórico, cultural, religioso, artístico. Nada que tenha valor, o tem à margem das pessoas”.
É fundamental que cada pessoa tenha consciência de que somos sociedade e que o caminho da construção de um mundo melhor deve assentar na ideia da solidariedade e do bem comum. Por isso mesmo, a busca do bem-estar individual e pessoal não deve e não pode sobrepor-se à busca do bem comum.
Em tempos de crise, que atinge fortemente os mais pobres, afectando os poucos recursos da sua subsistência, são cada vez mais necessárias “pessoas plasmadas pela atitude da caridade”.
“Mesmo que não sejam ricas em bens materiais, a sua atitude aberta e solidária com os mais pobres, é criadora de confiança e de esperança naqueles que sofrem e provoca neles uma reacção positiva, necessária para vencer as crises que os afectam e não desanimar por isso”. 
Em 2009, o Papa Bento XVI lançou a terceira encíclica do seu pontificado e dedicou-a às questões sociais, dando-lhe o sugestivo título “Caridade na Verdade”.
Nela, o Papa diz que o amor – caritas – é uma força extraordinária que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz.
Para Bento XVI, Jesus Cristo testemunhou com a sua vida a caridade na verdade, tornando-a a principal força propulsora para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira.
Nós sabemos que a caridade é a via mestra, trave mestra, da doutrina social da Igreja. Esta doutrina social, iniciada pelo Papa Leão XIII, mas que brota já do Evangelho, proclama a verdade do amor de Cristo.
O Santo Padre afirma que é necessário conjugar a caridade com a verdade. Trata-se da verdade na caridade e da caridade na verdade. A verdade é luz que dá brilho e valor à caridade. Sem verdade a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, sem nada. A verdade liberta a caridade.
A caridade na verdade ganha forma e acção na justiça. E chega mesmo a superar a justiça, porque amar é dar, oferecer aquilo que é “meu”; mas nunca existe sem a justiça, que leva sempre a dar ao outro o que é “dele”, o que lhe pertence.
Não posso “dar” ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça. Quem ama os outros com caridade é justo para com ele. Por isso, a justiça é inseparável da caridade.
A caridade na verdade também ganha forma e acção na busca e defesa do bem-comum. Amar alguém é querer o seu bem e trabalhar pelo bem comum, ou seja o bem daquele “nós-todos”, onde nos inserimos. Querer o bem comum e trabalhar por ele é exigência da justiça e da caridade. Ama-se tanto mais eficazmente o próximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que dê resposta também às suas necessidades reais.
O amor na verdade é um grande desafio, caros amigos. A partilha dos bens e recursos não é assegurada pelo simples progresso técnico e por meras relações de conveniência, mas pelo potencial de amor que vence o mal com o bem (Rm 12,21) e abre à reciprocidade das consciências e das liberdades.
A Igreja não tem soluções técnicas e nem cabe a ela tê-las. A Igreja também não pretende imiscuir-se na política. Mas ela tem uma missão a cumprir a favor de uma sociedade à medida do ser humano, da sua dignidade e da sua vocação. Por isso ela indica o caminho da caridade na verdade.
Minhas irmãs meus irmãos: precisamos de redescobrir a caridade como a maior virtude, tal como nos diz S. João. Acima de tudo precisamos de a ter como virtude e atitude fulcral nestes tempos difíceis de crise que vamos vivendo.
Sabemos, até pelo Evangelho, que as necessidades e a pobreza de tantos homens e mulheres do nosso tempo nos interpelam: é o próprio Cristo que, nos pobres, nos indigentes, nos marginalizados, nos pede que saibamos aplacar a sua fome, a sua sede, os visitemos nas prisões, nos hospitais.
O conhecido discurso de Mateus sobre o juízo final é sinal alerta para todos os cristãos. Nós sabemos, que no fim de contas seremos medidos com a medida que medirmos, seremos julgados – como dizia S. João da Cruz – pelo amor.
Com Bento XVI, acredito que a caridade é capaz de provocar uma autêntica revolução e uma mudança permanente na sociedade. Como Cristo, vivendo para servir – quem não vive para servir, não serve para viver – podemos dar ao mundo subjugado pela desesperança e pela derrota razões para viver.
A Rainha Santa Isabel ensina-nos a moldar o nosso coração ao jeito e ao modo do de Cristo, para vivermos a caridade e em caridade.
Do Céu, ela também nos desafia e intercede por nós para sermos fortes e valentes na vivência da caridade, num mundo tão sedento de gestos e sinais concretos e visíveis de amor, de caridade. 
Sejamos testemunhas do amor de Deus, em particular por aqueles que são os seus predilectos: os pequeninos, os simples e os pobres.
Ser cristão, ser devoto da Rainha Santa também passa pela nossa vivência da caridade. Ousemos sê-lo neste tempo.
Pe. JAC

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...