7 de dezembro de 2011

Advento 2011. Imaculada Conceição


Ó Senhora imaculada, silenciosa,
De sorriso virginal,
Frescura envolvida na canção formosa
Do amanhecer inicial.
Senhora do vestido simples da graça
Que íntima aurora Te deu,
Florindo, sobre a luz da terra que passa,
À luz primeira do Céu.
Senhora, o teu celeste olhar de padroeira
Floresça em nosso interior,
Abrindo a senda da pureza verdadeira
Que nos conduza ao Senhor.
Da Liturgia das Horas

6 de dezembro de 2011

Advento 2011. Creio que vens para mim!



O Senhor virá com todos os seus santos.
Naquele dia brilhará uma grande luz.





Quão suave e consolador é, para mim, ouvir: “Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam.”
E logo depois sentir: “não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos”.
Ouço isto como palavra para mim, palavra dirigida a mim. E que bem me faz ouvir. Fortalece a minha confiança a certeza de que abandonado nas mãos de Deus, nada tenho a temer!
Este Advento continua a ser oportunidade gratuita para acreditar que Deus vem para me salvar!


Vem, Senhor Jesus,
Cumpre a tua palavra e a tua promessa.
Vem, Senhor Jesus,
Robustece a nossa fé, sara o nosso coração,
Elimina as nossas pretensões de poder viver sem ti.
Vem, Senhor Jesus,
Dá-nos consistência para levantar a cabeça
E descobrir-Te como nosso Salvador.
Amém.

Obrigado Senhor! Tu vens para me salvar!

5 de dezembro de 2011

Advento 2011. Reaprender a solicitude!


Ouvi, ó povos, a palavra do Senhor
e proclamai-a até aos confins da terra.
Não temais. Deus vem salvar-nos.

A passagem do tempo e da história traz consigo alterações significativas do modo de ser e de viver das pessoas.
Não vivemos alheios a essas mudanças que trazem coisas positivas e outras, tantas, negativas.
Uma das que se vai perdendo, acentuadamente, é a atenção e a solicitude pelos outros. Atenção simples, gratuita, desinteressada… por exemplo, a solicitude em ajudar a atravessar a rua ou ajudar a transportar um saco.
Gestos que o tempo vai gastando e que a novas gerações vão perdendo, infelizmente.
Aqueles que, no evangelho de hoje, transportam o paralítico até Jesus, dão-nos esse exemplo de solicitude, de solidariedade, de amor, de CARIDADE.
Esta pode ser uma excelente (re)aprendizagem neste Advento. Oxalá sejamos capazes, para podermos ver maravilhas!

E rezemos:
Escutemos o que diz o Senhor:
Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis.
A sua salvação está perto dos que O temem
e a sua glória habitará na nossa terra.

Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade,
abraçaram-se a paz e a justiça.
A fidelidade vai germinar da terra
e a justiça descerá do Céu.

O Senhor dará ainda o que é bom
e a nossa terra produzirá os seus frutos.
A justiça caminhará à sua frente
e a paz seguirá os seus passos.

4 de dezembro de 2011

Desafio de Natal. 2011. [a minha música para este Natal]



Eu queria ver o mundo
a viver a união.
Mas não vejo, mas não vejo
ainda não somos irmãos.

Por isso, neste Natal
vamos dar as nossas mãos
e ver que não há mal
que todos sejam irmãos!

Eu queria ver o mundo
sem guerras e sem dor.
Mas não vejo, mas não vejo
não vivemos o amor.

Por isso, neste Natal
vamos dar as nossas mãos
e ver que não há mal
que todos sejam irmãos!

3 de dezembro de 2011

Advento 2011. Voz de Portugal!? João Baptista é a Voz que clama no deserto!





No deserto,
João Baptista pregava
o arrependimento
e a conversão




Andamos, em Portugal, à procura da "Voz". Não sei a que encontraremos. Mas, o Evangelho do 2.º domingo do advento leva-nos a encontrar uma Voz diferente, uma voz que clama e grita no deserto! O texto introduz este fundamental personagem deste tempo litúrgico: João Baptista. Ele é o “Precursor”, ou seja, é aquele que prepara a vinda do Messias. A sua missão é aplanar e preparar o caminho do Senhor.
Podemos olhá-lo e vê-lo como o humilde “apresentador” do Messias. Ensina-nos, por meio do baptismo de penitência, que nos devemos purificar, a fim de nos convertermos, ou seja, de voltarmos, de novo, o nosso coração para Deus.
Preparar o caminho do Senhor exige de nós uma mudança interior, que nos leve a aceitar Deus como nosso Mestre, Pastor e Guia. É bem verdade que vertigem e a corrida da nossa vida diária podem afastar-nos deste desejo de mudança e de conversão.
Nesta Caminhada de Advento-Natal e neste 2.º domingo, olhamos a nossa família como suporte, apoio, porto seguro e abrigo. Também como família que somos, precisamos de fazer um esforço de purificação e de conversão, abrindo todas as portas e janelas do nosso coração ao Senhor que vem ao nosso encontro, trazendo vida, felicidade e sentido.

Senhor, exiges de nós um esforço de purificação,
de memória e de coração.
Queres que mergulhemos no íntimo do nosso “eu”,
para que nos encontremos e Te encontremos a Ti.
Estamos prontos para fazer essa viagem ao interior do nosso coração.
Prontos a abrir portas e janelas, a deixar entrar a Tua voz desafiante.
Queremos preparar a vinda do Messias, do Teu Filho Único.
Queremos que Ele venha a nós
para que nós possamos ir a Ele!
Queremos mergulhar na fonte do nosso Baptismo
e reactualizarmos, a cada dia, a nossa conversão.

2 de dezembro de 2011

Advento 2011. Queremos ser cegos?


O Senhor virá no esplendor da sua glória
visitar o seu povo e dar-lhe a paz e a vida eterna.

Reconhecer a fragilidade e a humanidade que somos é sinal de “decência mental” e de equilíbrio pessoal.
Não podemos pensar e viver como se fossemos mais do que o que somos na realidade. Isso seria viver na fantasia e na ilusão.
Os dois cegos que pedem a Jesus a cura da sua cegueira sabem bem o que são e o que precisam.
Jesus, que passa fazendo o bem, é capaz, depois do passo da fé que exige, de curar, sarar e salvar.
Hoje devemos pedir a cura das nossas tantas cegueiras, não tanto, possivelmente, de cegueiras físicas, mas de tanta cegueira “espiritual” e opcional, que nos leva a fechar os olhos, impedindo-nos de ver Deus e os irmãos.

Hoje deveríamos todos rezar:
O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei-de temer?
O Senhor é protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo?

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.

Salmo 26 (27), 1.4.13-14 (R. 1ª)

1 de dezembro de 2011

Advento 2011. Prudentes ou Insensatos?

Vós estais perto, Senhor;
a vossa palavra é caminho da verdade.
São firmes todos os vossos mandamentos.
Vós existis desde toda a eternidade.


Se a Palavra da Vida que escutamos, que é Palavra-Pessoa, Jesus Cristo, Verbo, Logos, Dabar de Deus, não se faz vida em nós, corremos sempre o risco de um dia nos dizerem “Não vos conheço”.
O critério averiguador da qualidade do nosso seguimento de Cristo é efectivamente a prática da Palavra escutada, fazendo-se vida nas nossas vidas.
Seremos prudentes ou insensatos na medida em que a Palavra de Deus se faz “luz dos nossos passos e luzeiro dos nossos caminhos”.
Estamos sempre a tempo de começar, mesmo neste começo de Dezembro.
Em Dezembro, pode cair a chuva, vir as torrentes e soprar os ventos… se a casa que somos, porque “templos do Espírito Santo”, resistir é porque estamos plena e firmemente enraizados em Cristo, e o temos como “rochedo da nossa Salvação”.
Dou graças a Deus por todos os que ouvem a Palavra e a põem em prática.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos homens.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos poderosos.

Abri-me as portas da justiça:
entrarei para dar graças ao Senhor.
Esta é a porta do Senhor:
os justos entrarão por ela.
Eu Vos dou graças porque me ouvistes
e fostes o meu salvador.

Senhor, salvai os vossos servos,
Senhor, dai-nos a vitória.
Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos bendizemos.
O Senhor é Deus
e fez brilhar sobre nós a sua luz.
Salmo 117 (118), 1.8-9.19-21.25-27a

30 de novembro de 2011

Advento 2011. Partilhamos ou guardamos?

Caminhando Jesus junto ao mar da Galileia,
viu dois irmãos, Pedro e André, e chamou-os, dizendo:
Vinde comigo; farei de vós pescadores de homens.


Não somos ilhas. Como tal a nossa vida não faz sentido vivida egoisticamente. O género humano realiza-se plenamente na comunhão, nunca na solidão.
Como cristãos, também não existimos isoladamente e a vivência nossa fé passa por um permanente “apontar” Cristo aos homens e mulheres do nosso tempo, que caminham ao nosso lado nesta “aldeia global”.
André, irmão de Simão Pedro. Hoje olhamos este Apóstolo, escolhido por Jesus. Tocado no mais profundo do seu ser, foi capaz de não querer Cristo só para si. Quis partilhar Cristo, quis levar Pedro, seu irmão, à mesma experiência do encontro.
E nós: partilhamos ou guardamos?

29 de novembro de 2011

Advento 2011. Senhor eu espero em Vós!


O Senhor virá com todos os seus Santos.
Naquele dia brilhará uma grande luz.

A esperança cristã é a virtude que nos faz crer que no fim as coisas farão sentido!
Há muitas sombras, tempestades, nuvens a obscurecer a claridade da presença de Deus em nós..
Mas, somos privilegiados, nós, cristãos, porque temos derramado em nossos corações o Espírito Santo.
É por Ele que podemos rezar.
Somos felizes, mesmo não vendo e palpando Deus, quando somos capazes de mostrar e irradiar a sua presença a todas as pessoas.
Somos felizes porque cremos que o sonho de um mundo justo e harmónico se concretiza na vinda do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso irmão e amigo.

28 de novembro de 2011

Advento: Senhor eu não sou digno!... mas confio!



"Ouvi, ó povos, a palavra do Senhor
e proclamai-a até aos confins da terra.
Não temais.
Deus vem salvar-nos".


2.ª feira da Primeira Semana do Advento

Não é fácil equilibrarmos a balança da vida da família nestes tempos em que a carga de negatividade das coisas parece, e é, tão pesada e insuportável.
Crise, cortes, aperto...
Tristeza, desespero e desesperanças...
Parece carga a mais, um jugo insuportável.

Revestir esta nossa vida e este nosso tempo de alegria, de confiança, da fé, que assenta na certeza da presença de Deus em todos os nossos momentos, é tarefa a empreendermos.
E o Advento serve plenamente para isso.
Vamos com alegria ao encontro do Senhor que já nos encontrou e nos amou em primeiro lugar. Sabemos o que somos? Senhor eu não sou digno que entres na minha morada, mas diz, porque basta a tua Palavra!
Deus, em Jesus, vem de novo e surpreende-nos mas é na surpresa do Seu Encontro que me encontro comigo mesmo.

26 de novembro de 2011

Primeiro Domingo do Advento: Vigiar!

Estai alerta; Vigiai!
Não sabeis a hora nem o momento…  

"Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.
Meu Deus, em Vós confio.
Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos.
Não serão confundidos os que esperam em Vós".

Há palavras que o tempo vai desgastando e deixando de utilizar.
Outras há que o tempo vai valorizando e trazendo à ribalta das nossas vidas!
Vigilância!
Eis a que agora se valoriza por mais um tempo de Advento que nos é dado como graça, com dom e tesouro.
Vinde Senhor Jesus!
Vinde visitar esta vinha,
Protegei a cepa que plantastes
E entendei a vossa mão misericordiosa sobre nós.
Fazei-nos viver!
Maranatha!

Para rezar:
Senhor, pedes-nos que vigiemos, que estejamos alerta e
que demos testemunho de Amor e, no entanto, quantos de
nós estamos cegos e surdos, adormecidos e quietos.
Que o Advento que agora iniciamos, nos leve a um
compromisso que seja pequeno, possível e para fazer aos poucos:
Ouvir a Tua voz! Queremos ouvir a Tua voz!
Que o nosso lar esteja rodeado de Amor para melhor
acolhermos o Salvador que nasce!

(Caminhada Advento-Natal. Diocese de Aveiro)

Advento 2011. "Caroços de azeitonas" para o caminho


Advento
Tempo de graça.
Oportunidade.
Tempo para recentrar a vida no essencial,
Tempo para voltar o coração para Deus.
Tempo de (re)começo!
Tempo para preparar...
Deus Vem! 
Ao ler "Caroço de Azeitona" percebi como Erri de Luca, um não crente, marca a sua vida pela leitura de um "punhado" de versículos bíblicos, em hebraico, ao que ele chama "um caroço de azeitona", que fica a remoer na mente durante esse dia.
Aprendi a licção.
Neste tempo de Advento que começa proponho-me fazê-lo para mim, em primeiro, e a partilhá-lo. Retomo com a frequência diária o meu blogue para aqui colocar um "punhado de ideias", a partir da Palavra, para ficar como "caroço de azeitona, a remoer quem quiser...
Faço-o com a devida ligação à Caminhada de Advento-Natal 2011-2012, proposta pela Vigararia da Educação Cristã, da Diocese de Aveiro, com o lema "Família, Esperança e Dom!


 

5 de novembro de 2011

Iluminados pela Palavra, aprendemos a prudência


1. Caminhamos, em passo acelerado, para o terminus do ano litúrgico. Ficamos, agora, com dois domingos para celebrar, sabendo que a solenidade de Cristo Rei encerra o nosso ano litúrgico, abrindo-se logo à nossa frente as portas de mais um advento, como propedêutica do Natal do Senhor. Porque vamos caminhando para esse fim do ano, a liturgia da Igreja começa desde já a preparar a nossa mente e o nosso coração para a necessidade da vigilância, tendo em conta a segunda vinda do Senhor Jesus que está no horizonte final da história humana.

2. Essa é, aliás, a mensagem essencial do Evangelho de Mateus, que ouvimos proclamar e que, ao contrário de Marcos - que apresenta os sinais que precedem a destruição do Templo de Jerusalém -, nos elucida acerca do modo como devemos esperar, em constante vigilância, e como nos devemos preparar para essa segunda vinda de Jesus Cristo.

3.O cenário proposto pelo evangelista, ao escrever a parábola de Jesus, é o de um casamento judaico tradicional, imagem tão querida em toda a Escritura, para se referir à vinda do Messias. É a partir desta sugestiva imagem do banquete (que ainda há poucos domingos a liturgia nos propunha à reflexão) que Jesus nos quer ensinar, sempre com a habitual paciência, que podemos escolher como lema da nossa vida: Sempre Alerta!

4. Para melhor entendermos esta Palavra, importa dizer que a tradição judaica do casamento impunha que, no último dia da festa, o noivo, juntamente com os seus amigos, formasse um cortejo que, depois do sol posto, e à luz de candeias, fosse a casa da noiva, que acompanhada das suas amigas, aguardava, jubilosa, a chegada desse luminoso e ruidoso cortejo. Aí chegados, a noiva abandonava a sua casa, com as suas companheiras, e todos formavam um só cortejo rumo, de novo, à casa do noivo. Fechada a porta iniciava o banquete nupcial.

5. Esta história proposta por Jesus tem uma intenção escatológica (falar das realidades últimas da história humana), alertando-nos para a necessidade de estarmos prontos e preparados para participar nesse banquete festivo, no momento em que Ele vier ao nosso encontro para fazer festa do Encontro, face-a-face, daqueles que sempre se buscaram e se amaram.

6. Reparemos que, nesta parábola, as "virgens insensatas" acabam excluídas do festim porque facilmente percebemos que elas não primaram na preparação e não vigiaram suficientemente. Reparamos até que no adormecer e no dormitar, enquanto esperam o esposo atrasado, "prudentes" e "insensatas" são semelhantes; mas, na preparação prévia para a recepção e o acolhimento do esposo, elas são bem diferentes. E aí está a questão. Não teremos parte na Festa que Deus nos prepara se não estivermos vigilantes e preparados.

7. É inultrapassável que, ao lermos este texto, a nossa mente não vá até outro episódio do Evangelho de Mateus. No capítulo 7, lê-se: “Nem todo aquele que me diz “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsamos demónios, e em teu nome que fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci". (7, 21-23). Logo a seguir a este episódio conta-se a história do homem prudente que edifica a casa sobre a rocha e do insensato que constrói em cima da areia.

8. Afinal, os prudentes são os que, iluminados pela Palavra de Deus, que é a rocha e o apoio firme, estão vigilantes, atentos e alerta, pondo em prática a Palavra; os insensatos são os que até recebem a Palavra de Deus, mas adormecem “à sombra da bananeira”, não vigiam e descuidam a necessária prática da Palavra escutada. Faz a vontade de Deus aquele que pratica a Palavra ensinada pelo Filho que é, Ele mesmo, a Palavra, o Verbo, o Logos, o Dabar divino. Estes terão lugar nesse banquete festivo que Deus põe continuamente à nossa disposição.

9. Hoje, a partir da primeira leitura, podemos e devemos pedir o dom da Sabedoria. Dá-nos, Senhor, a Tua sabedoria, para discernirmos o que é bom e agradável. Assim estaremos despertos e aprenderemos a prudência. Assim entraremos no banquete da Tua vida abundante, na festa do encontro dos que Te amam e buscam.

2 de novembro de 2011

Memória dos mortos. Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos


Ontem, na celebração da festa da comunhão dos santos, contemplámos a Jerusalém celeste, esposa do Cordeiro, bela, sem mancha nem ruga porque santificada pelo Senhor (cf. Ef 5, 27; Ap, 21, 2); hoje somos convidados pela Igreja a fazer memória dos mortos. Festa de todos os santos e memória dos mortos são uma única grande festa em que se vive o mistério da glória e o mistério da cruz, o mistério da vida eterna em Deus e o mistério da morte na fé: Cristo ressuscitado conduz os mortos para o rio da vida da comunhão dos santos.
O cristão, por vocação, morre com Cristo (cf. Rom 6, 8) e com Cristo é sepultado (cf. Rom 6, 4) na Sua morte e, quando morre, leva à plenitude a obediência de criatura e em Cristo é transfigurado e ressuscitado pelas energias de vida eterna do Espírito Santo. É nesta consciência, nesta visão que nasce da fé, que a morte acaba por ser irmã – como era definida por S. Francisco de Assis – para se transfigurar num acto em que se restitui a Deus, por amor e na liberdade, aquilo que Ele nos deu: a vida e a comunhão. Por isso, a Igreja da terra, recordando os fiéis defuntos, une-se à Igreja do céu e, numa grande intercessão, invoca a misericórdia pelos que morreram e está diante de Deus para lhe prestar contas de todas as suas obras (cf. Ap 20, 12).
O texto do Evangelho de S. João recorda-nos palavras de Jesus que ressoam como uma promessa que pode ser repetida ao nosso coração para vencer a tristeza e o temor. Jesus disse: «Quem vier a Mim, eu não o rejeitarei». O cristão é aquele que vai ao encontro de Cristo, em cada dia, mesmo se a sua vida está marcada pelo pecado e pela queda; é aquele que se afasta e regressa, que cai e se levanta, que retoma com confiança o caminho do seguimento de Cristo. E Jesus não o rejeita; pelo contrário, abraçando-o no seu amor oferece-lhe o perdão dos pecados e condu-lo definitivamente à vida eterna: Esta é a vontade de meu Pai: que quem acredita no Filho tenha a vida eterna (cf. Jo 3, 16.36). Por isso é que S. Paulo escreveu: «o dom gratuito que vem de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Rm 6, 23).
A memória dos mortos é, portanto, para os cristãos uma grande celebração da fé na ressurreição e na vida eterna: aquilo que é confessado e cantado na celebração das exéquias, é reproposto num único dia, para todos os mortos. A morte não é mais a última realidade para os homens; os que morreram, indo ao encontro de Cristo, não são por Ele rejeitados, mas ressuscitados para a vida eterna, a vida para sempre com Ele, o Ressuscitado-Vivente. A morte é verdadeiramente uma passagem, uma Páscoa, um êxodo deste mundo para o Pai: para os crentes não se trata de um enigma, mas de um mistério, porque está inscrito, de uma vez para sempre, na morte de Jesus, o Filho de Deus que soube fazer da sua morte um autêntico e total acto de entrega e oferta ao Pai. E assim também nós hoje somos chamados a interrogarmo-nos sobre a fé na nossa ressurreição, da qual Cristo é penhor e fundamento, recordando as palavras paradoxais do apóstolo Paulo: se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou (1 Cor 15, 16). Às vezes parece mais difícil acreditar na nossa ressurreição do que na ressurreição de Cristo.
Escreveu S. João na sua 1ª Carta: «Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos» (1 Jo 3, 14), palavras que constituem um comentário, fruto de grande inteligência espiritual, a uma outra afirmação de Jesus: «quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não é sujeito a julgamento, mas passou da morte para a vida» (Jo 5, 24). É exactamente assim: se os cristãos não amam os irmãos, ficam prisioneiros da morte; pelo contrário, amando mostram que estão mortos para si próprios e vivos em Cristo, vivos da vida de Deus semeada neles. Sim, quem vive cada dia neste amor, faz a experiência de ser vencedor da morte, de passar já da morte para a vida, porque o «amor é mais forte do que a morte» (Ct 8,6).

31 de outubro de 2011

No trilho da felicidade. Rumo à santidade!

Acertada contradição!

Palavra contraditória!
Quem a pode escutar, ó Cristo?
Como podes querer que Te sigamos
Se estamos tão longe da tua lógica.

Pois, é verdade, e já quase me esquecia.
A tua lógica não tem lógica.
A tua lógica supera sempre a própria lógica.

Então, são felizes os pobres em espírito
Quando meio mundo anda atrás do euromilhões
E outra metade atrás de riquezas e “jackpots”?

São felizes os mansos 
Quando na sociedade os fortes é que vingam?

São felizes os que choram, ó Cristo?
Como é possível se todos buscam o bem-estar, o riso, a comédia...
E ninguém quer ouvir falar de dor, de sofrimento e de privação?

Dizes que são felizes os que anseiam cumprir a vontade de Deus 
e o mundo toma como lei maior a não dependência de preconceitos velhos 
ou de qualquer autoridade?

Como podes apontar a felicidade dos misericordiosos 
quando já ninguém se comove com a miséria e o sofrimento dos outros? 

Ó Cristo, que palavra lancinante e aguda é esta que nos envias como espada!

Ainda dizes que são felizes os puros e os sinceros de coração 
e a sociedade e os tribunais estão entupidos de casos de corrupção, 
de mesquinhez, de mentira e de esquemas e favorecimentos.

Para ti, os que constroem a paz são felizes, 
mas o mundo está cheio de guerra, de lutas, de oposições. 
Parece que só pela força e pela violência se vence e se singra. 

E como entender que quem é perseguido pode ser feliz 
quando o mundo apregoa a liberdade total, a ausência de autoridade 
e a presença nos jogos de poder 
já que só com esses se pode subir na vida?

É mesmo uma palavra inaudível!
Não a consigo escutar sem me arrepiar!

O nosso mundo parece provar que é utópica, sem lugar concretizável.

O que me pedes e a todos é um coração pobre.
Só um coração pobre está disponível para seguir o trilho e o roteiro das bem-aventuranças.

Quero comprometer-me de novo e uma vez mais a encetá-lo 
Mesmo sabendo que vou contra-corrente.

Vou atrás daquele – Cristo – que ousou ir por outro lado, ousou ser diferente.

Vou com Ele e sou feliz
A caminho da santidade.

Pe. JAC
Todos os Santos

29 de outubro de 2011

Dizer e fazer: Eis a questão!


1. A Palavra de Deus, neste 31.º domingo comum, alerta-nos para a importância do ser, da harmonia entre o dizer e o fazer, da coerência entre o ensino e a vida. Hoje, Jesus, na continuação da luta estabelecida com as "cabeças pensantes" do seu tempo, denuncia os «mestres da suspeita», os que dizem mas não fazem. Os que se sentam na cadeira, como Mestres e Doutores, mas não gozam da autoridade como testemunhas fiáveis e credíveis. Podem ser escutados, mas não devem ser seguidos. São bons instrutores. Mas péssimos educadores. São bem-falantes, mas maus praticantes. É uma denúncia veemente, uma crítica dura que visa sobretudo a classe religiosa e sacerdotal, se quisermos, a classe dirigente, mas que nos atinge a todos. Em última instância, esta palavra leva a ver com que linhas nos cosemos.

2. Jesus fala com a habitual indignação profética. Para todos os tempos, e em especial para o que nos é dado viver. Desafio muito directo aos que, na comunidade cristã, temos a missão da animação, da educação e do ensino. Sim! Desafio, em primeiro, aos bispos, aos padres e diáconos, mas aberto a todos os crentes, em geral, desafiados à humildade e ao serviço como opção e como estilo de vida.

3. No evangelho que ouvimos proclamar, Jesus "puxa as orelhas":
a) aos que não fazem o que dizem. O nosso maior pecado é a incoerência. Não vivemos o que dizemos. A nossa conduta desacredita-nos. Às vezes, tantas se calhar, guiamo-nos pelo dito "se não os podes vencer junta-te a eles".  Os cristãos, esquecemos facilmente que o nosso exemplo de vida mais evangélico será motor de transformação do nosso mundo e do nosso tempo.
b) aos que atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos outros, mas eles nem com o dedo os querem mover. É bem certo. Com frequência, somos exigentes e severos com os outros, mas sempre muito compreensivos e indulgentes connosco. O que exigimos aos outros não o imaginamos sequer para nós...
c) aos que fazem as coisas para serem vistos pelos homens. Não podemos negar que é muito fácil viver pendentes e dependentes da nossa imagem, procurando quase sempre “ficar bem” perante os outros. Nunca como nos nossos dias se cultivou tanto a cultura da aparência. Nunca se usaram tantas máscaras. Estamos sempre mais atentos ao nosso prestígio pessoal e bem estar...
d) aos que gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas. Dá-nos vergonha confessá-lo, mas gostamos tanto destas honrarias. Procuramos ser tratados de forma especial. Queremos que nos tratem com critérios diferentes dos usados para a "plebe"...
e) aos que se  deixam tratar por ‘Mestres’… e doutores. O mandato evangélico não pode ser mais claro: renunciemos aos títulos para não fazermos sombra a Cristo; orientemos apenas e só a atenção apenas para Ele.

4. Esta palavra desafiadora de Jesus pode ligar-se perfeitamente à educação das gerações mais jovens, dos filhos, com todas as problemáticas que lhe estão inerentes, e que vamos assistindo. Mas, o que não pode sociedade nenhuma esquecer é que «a autoridade do mestre, em educação, passa mais pelo que ele vive e faz e não só pelo que diz. O testemunho da vida é a forma simples e espontânea de irradiar valores e a credencial das palavras que se comunicam» (CEP, Educação, 14).

5. Não podemos ficar com a ilusão de que darmos uma boa educação, simplesmente pelo facto de ocuparmos os filhos em muitas aprendizagens, da natação ao desporto, da catequese à informática, do balet ao que quer que seja. Não durmamos descansados, só porque entregamos os filhos a instituições de suposta ou reconhecida qualidade. Não nos tranquilizemos, simplesmente porque ainda mandamos bem e temos mão nos filhos. Tudo isso é pouco ou quase nada. Se pai e a mãe não oferecerem, como verdadeira família, um ambiente animado pelo amor e firmado pelo testemunho. Sem essa atmosfera, sem esse clima não há educação. E o trabalho do professor, do padre e do catequista, de qualquer educador, estará seriamente comprometido.

6. Este aviso, quase "puxão de orelhas, que nos brota da palavra proclamada é para ser levado a sério, por todos. Com a paciência do costume, Jesus vai-nos educando a mente e o coração, para sermos melhores discípulos. Aprendamos Dele e com Ele. A coerência, a simplicidade, a verdade, a honestidade, o testemunho, por palavras e obras, é, talvez, o maior e mais urgente desafio aos que nos dizemos e somos, afectiva e efectivamente, cristãos neste tempo.

7. Aos que nos alimentamos da Palavra e do Pão da Eucaristia não esqueçamos uma regra de ouro: “crê o que lês, ensina o que crês, vive o que ensinas». Só assim seremos discípulos verdadeiros de Jesus Cristo.


Pe. JAC

24 de outubro de 2011

Um coração que não cabe no peito!

Um coração que não cabe no peito!
30.º domingo comum. Ano A

1.Celebramos o 30.º domingo do Tempo Comum e, cumulativamente, o Dia Mundial das Missões. Na Mensagem escrita para este dia, Bento XVI diz que a missão e a evangelização são dimensões essenciais da Igreja e tarefas urgentes, num tempo e num mundo cada vez mais secularizado que faz com que muitas pessoas vivam como se Deus não existisse. «O Evangelho não é uma propriedade exclusiva de quem o recebeu, mas um dom a ser partilhado e comunicado", escreve o Papa, reiterando a ideia de que todo o baptizado é missionário no seu meio e ambiente.

2.Ao ritmo da nossa liturgia semanal, neste esforço semanal de irmos aprendendo com Jesus, a sermos missionários e os discípulos que Ele quer que sejamos, somos confrontados com uma das questões mais fundamentais e centrais para a vivência prática da nossa fé. Qual é, afinal de contas, o mandamento maior pelo qual devemos reger a nossa conduta e a nossa acção?

3. Mergulhemos neste Evangelho, onde se reflecte a continuada “perseguição” dos grupos religiosos do velho Israel a Jesus. Reparemos que, da política ao catecismo, os fariseus continuam a experimentar Jesus em todas as matérias. Eles querem mesmo “fazer-lhe a folha!”. Passamos da questão fiscal (do imposto e do tributo a César, que ouvimos na semana passada), ao problema moral (da lei que deve reger a vida do crente). Agora a dúvida é sobre os mandamentos da Lei de Deus! E é pressuposto que o “Mestre Jesus” tenha uma resposta clara.

4.«Qual é o maior mandamento da Lei de Deus»? - perguntou um doutor da lei a Jesus. Convenhamos, e até entendemos, que numa floresta quase impenetrável de obrigações e proibições da Torá (composta por 613 preceitos), a que o judeu piedoso se obrigava todos os dias, era difícil saber por que mandamento começar, qual deles tinha a primazia e precedência. A pergunta sobre o maior mandamento era no fundo a pergunta sobre «qual mandamento, que, uma vez cumprido, garantia prática de todos os outros»?!

5. Se repararmos com atenção, na resposta de Jesus, não há lá palavras novas. Jesus serve-se de dois textos já muito conhecidos dos velhos livros da Lei do Antigo Testamento. O primeiro, do livro de Deuteronómio, falava-nos do «amar a Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente» (Dt.6,4-5), pondo de parte um amor apenas sentimental ou religioso, para fazer deste amor a Deus uma entrega pessoal e total. O segundo texto, do livro do Levítico, referia-se a «amar o próximo como a si mesmo» (Lev.19,18), fazendo deste amor o critério de verdade do amor a Deus. Onde está então a novidade do ensinamento de Jesus? O que acrescentou Jesus, de novo, àquilo que já sabia o fariseus? A novidade da resposta, poderia resumir-se em dois sentidos:

6. Primeiro, Jesus tira-nos a ilusão religiosa ou sentimental de alguma vez podermos amar a Deus… não amando o próximo. «Os seus discípulos nunca poderão separar estes dois amores. Tal como, numa árvore, não se podem separar as raízes da sua copa: quanto mais amarem a Deus, mais intensificam o amor aos irmãos e às irmãs; quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, mais aprofundam o amor a Deus», nas palavras de Chiara Lubich.

7.Por vezes, enganamo-nos, imaginando que é tão grande o nosso sentimento de amor a Deus, ainda que, no fundo do coração, as nossas relações com determinada(s) pessoa(s), possam não ser tão boas e perfeitas como isso. Jesus não nos permite esta veleidade ou “esquizofrenia espiritual”: de pensarmos que podemos amar a Deus, não amando realmente o irmão. São João denunciou esta mentira «piedosa» anos mais tarde, dizendo: «como podes tu dizer que amas a Deus, que não vês, se não amas o teu irmão que vês» (I Jo.4,20)?

8.Em segundo lugar, a novidade da resposta de Jesus, faz-nos ver que, de facto, não temos, dois corações, nem dois tempos, nem dois amores, para amar, tal como pensavam os fariseus. O amor a Deus e o amor do próximo têm uma mesma e única fonte: o amor de Deus. Nós podemos amá-Lo, «porque foi Ele que nos amou primeiro» (I Jo.4,10): o amor que nos é pedido é uma resposta ao Amor, que nos é dado como prenda ou presente. É pela graça deste único amor de Deus, que amamos a Deus e ao próximo. E este amor é único e simultâneo: não há um tempo agora para amar a Deus (uma hora na missa, dez minutos de silêncio ou oração, uma leitura orante da Bíblia…) e outro para amar o próximo (visitar um doente, conversar com um amigo, dar um punhado de horas em voluntariado ou num serviço à comunidade). O amor de Deus é indiviso e simultaneamente nos coloca em relação com Ele e com os irmãos.

9. A pergunta decisiva e inultrapassável que temos a fazer é: se sinto o meu coração dividido, porque estou muito pronto e generoso para amar a Deus, e tão lento e reservado para amar determinada pessoa, o que devo fazer? Só há uma forma de curar esta doença de ilusão de óptica espiritual ou esquizofrenia: a conversão. É a conversão permanente que me leva a reconhecer nesta incapacidade de amar o outro o sintoma da minha resistência a ser amado por Deus. E chagado aí, resta-nos suplicar, de joelhos, diante de Deus: «Senhor, converte-me ao teu amor» e, depois, colocar-me de pé diante dos Homens, em posição de serviço e de atenção. É de Deus que recebemos este mandamento: «quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (I Jo.4,21).

10.Oxalá, caros irmãos, possamos ser missionários e testemunhas deste Único Amor de Deus que abraça a todos e nos impele, simplesmente, a amar.

Pe. JAC

19 de outubro de 2011

Caminho da Missão. Outubro Missionário

 

És Tu, Senhor, o clarão da tarde,
A notícia, a carícia, a Ressurreição.
Passa outra vez, Senhor, dá-nos a mão,
Levanta-nos,
Não nos deixes ociosos nas praças,
Sentados à beira dos caminhos,
Sonolentos, desavindos,
A remendar bolsas e redes.
Envia-nos, Senhor, e partiremos e pão
Juntos no caminho da missão.

D. António Couto

14 de outubro de 2011

“Caroço de Azeitona” de Erri de Luca

“Caroço de Azeitona” não parece muito o título de um livro donde brota a “fé” de um não crente, alguém que não tem a graça e o dom de acreditar. Mas é! Da autoria de Erri de Luca, escritor e poeta italiano, é um livro pequeno mas profundo, em muitas partes difícil de ler e de compreender. É composto por um certo percurso bíblico com passagens quer do Antigo quer do Novo Testamento, e donde brota, para mim, em especial, a frescura do fundo de um sepulcro, onde está Cristo vivo.
Leitor assíduo das Sagradas Escrituras, Erri de Luca procura a originalidade da Palavra na profundidade das palavras bíblicas donde, segundo ele, “descende toda a nossa civilização religiosa”. Tem contribuído para desmascarar o que considera ser, em muitos casos, “péssimas traduções da Escritura”. E este texto é bom exemplo disso mesmo.
Alguém que começa as suas manhãs a ler a Bíblia, no texto original, donde retira o que diz ser um punhado de versículos para que o seu dia tenha um fio condutor. É esse punhado, um “penhor de palavras duras, um caroço de azeitona para andar a girar na boca”. E este homem é não crente! Diz ele, pelo menos.

Pe. JAC
In Correio do Vouga

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...