28 de junho de 2012

Humilde servo

Porque me chamas a mim

Humilde servo pecador

P’ra levar-Te, meu Senhor,

Mundo fora, até ao fim?

 

 É tão grande a missão

De chegar a cada irmão

E dizer-lhe: meu amigo,

Deus está sempre contigo.

 

Quero arriscar e partir

Vou viver para servir,

Levar Deus ao meu irmão,

Entregar meu coração.

pe. JAC



21 de junho de 2012

"Meu Deus. Poesias de um seminarista" faz 6 anos!


Faz hoje 6 anos que foi apresentado o meu primeiro (e único, até ao momento!) livro de poesia intitulado "Meu Deus. Poesias de Um Seminarista". Uma edição patrocinada pela Junta de Freguesia para assinalar a data da elevação a Vila da terra que me viu nascer, S. Torcato.

Refresco a minha memória e, nela, a daqueles que me "seguem", revisitando o pequeno livro e a sessão de apresentação do mesmo. Deixo-vos, primeiro lugar, o texto que li nessa sessão, e depois partilho, dois poemas escritos no livro.


Apresentação do Livro

            Às sábias palavras “Deus quer, o homem sonha a obra nasce”, eu contraponho, em relação a este livro, “Deus quer, Deus sonha, Deus, pela obra, diz-se”. É assim que me sinto em relação a este livro. Posso dizer, com todas as letras, que o autor não sou eu mas Deus. Ele é que me inspirou tudo o que ele contém. Por isso, o livro é vontade de Deus, é o seu querer. O meu trabalho é de co-autoria. Eu passei para o papel o que Ele quis dizer. A minha reflexão é fruto da sua inspiração durante estes últimos cinco anos de formação teológica. Por isso, e porque a minha linguagem, como toda a linguagem, é limitada e imperfeita acautelo os leitores para o risco de que o que se diz sobre Deus não O dizer em totalidade.

            Quando falamos de Deus corremos esse risco, perigoso, porque falamos de uma realidade metafísica, transcendente, que não podemos açambarcar. Porque Deus é Totalmente Outro diferente de nós qualquer definição que façamos é insuficiente e imperfeita. Por isso, “Meu Deus” sem ser um compêndio de teologia é teologia na medida em que é um discurso sobre Deus. E porque a teologia se faz de joelhos, como dizia o teólogo Hans Urs von Balthasar, este livro é, para mim, um livro de oração. E porque de oração se trata permitam-me a leitura do poema “Que mistério é o Meu Deus” (o último poema a entrar nesta compilação).

            Não posso terminar estas palavras sem uma palavra aos propulsionadores deste livro. O primeiro já o referi atrás: Deus! É dele que depende o que escrevo. Além disso, merece todo o destaque a Junta de Freguesia, na pessoa do seu Presidente, o Dr. Bruno Fernandes, meu amigo em todas as horas. Ele, e com ele toda a Junta de Freguesia de S. Torcato e, por consequência, a Freguesia inteira, são os meus mecenas, os responsáveis destas páginas se tornarem um livro. Estendo o meu agradecimento ao Dr. Barroso da Fonte pela estima e amizade que mostrou na edição do livro. Por fim, mas imensamente fundamental, pelo apoio e amizade de anos, a D. Amélia que me colocou este “bichinho” que se chama poesia dentro de mim e que me impulsionou a publicar alguns escritos. Em suma, por mim só, por mérito pessoal, não teria chegado a esta publicação e, por isso, a minha atitude só pode ser uma: gratidão. E na certeza de que sozinho vos não posso recompensar rezo e peço a Deus por cada um de vós. Essa é, com toda a certeza, a melhor recompensa que vos posso ofertar.
José António Carneiro | 21 de Junho de 2006



Que mistério é o Meu Deus!
Procuro com insistência
Palavras p’ra te dizer
Mas que nada significam
No Teu mistério de ser!
As palavras em si mesmas
Não Te dizem com firmeza
Apontam algumas pistas
Que revelam Tua grandeza.
E no fim da reflexão
Que quer desvelar os véus
Eu só posso concluir:
Que mistério é o Meu Deus!

Sequela

Disponível para o reino
Aqui estou de mãos vazias
Pare Te seguir, Senhor
Nada menos me pedias.
Tudo que deixava
Nada fazia sentido
Mas nesta renúncia vi
Que nada tinha perdido.
Ao seguir-Te me realizo
Imerso na novidade
No Teu seguimento encontro
O caminho da felicidade!

Alguns dos poemas publicados no livro (que já esgotou há muito tempo!!!) estão musicados e cantados. Pode ouvi-los no meu canal do youtube aqui

16 de junho de 2012

A semente é a Palavra

 
A semente é a Palavra
que tem em si a irresistível força
de nascer, de florir e de crescer.

A semente é a Palavra
não é preciso puxar por ela
para que irrompa da terra.

A semente é a Palavra
que não precisa que o agricultor
esteja vigiando o desabrochar.

A semente é a Palavra
que aparece sempre depois
da desaparição do semeador.

A semente é a Palavra
é pequena, mas capaz
de fecundar o solo onde cai.

Só por si nasce a semente
da Palavra de Deus,
rosto vivo em Jesus.
Cresce e madura, dá fruto e dá flor
erguendo-se, bem alto, ao tamanho do amor.

A palavra de Deus
grão pequeno e vigoroso
é semente de amor.
Persiste e cresce em cada momento
mas sempre liberta nas asas do tempo.
 
Pe. JAC



 

Quem ouve… pratica!

A Palavra do Senhor,
Vivida e praticada
É a condição maior,
Para uma vida inteira dada.

Escutar com atenção
Praticar no dia-a-dia
É nossa grande missão
Para viver com alegria.

Como espada de dois gumes
Como pão que nos sustenta
Quem a ouve e a escuta
Vive dela e se alimenta.

Ser família de Jesus
É uma graça sem igual,
Tão fácil e tão especial:
É Ele que nos conduz.

Fala-nos, Senhor Jesus,
Porque és nosso bom pastor
És também a nossa Luz
Verdade, Vida e Amor.Pe. JAC

1 de junho de 2012

Concílio Vaticano II e os jovens. Novo livro em co-autoria


Acabo de receber "Vaticano II. 50 anos, 50 olhares", da Editora Paulus.

Uma edição comemorativa do Concílio Ecuménico Vaticano II, na qual também assino um pequeno texto (como os demais 49), acerca do grande acontecimento que foi o último concílio da Igreja, concretamente em relação aos jovens e à pastoral juvenil.


Confesso que ver o meu nome ao lado/junto dos restantes nomes/autores, me assusta um bom bocado... mas também não me deixa triste.


(Brevemente numa livraria perto de si... Por mim, pode/deve comprar!)

«Nasci mais de 15 anos depois do encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II. Sou, portanto, herdeiro "afastado" desta reunião conciliar convocada pelo Papa João XXIII. Aliás, sou tão herdeiro deste Concílio como de todos os outros realizados na história milenar da Igreja, salvaguardando as devidas distâncias temporais.
A minha formação teológica "bebeu" já desta nova aragem trazida pelo Vaticano II. De facto, tendo decorrido há umas boas décadas ainda se pode dizer, e hoje também, passados cinquenta anos, que se tratou e trata de uma aragem nova, de um sopro renovado do Espírito, que conduz a Igreja.»


31 de maio de 2012

Vem, Espírito Santo, Vem!

Vem, Espírito Santo Envolve-me com Teu encanto. Vem ao meu coração, Racionaliza a razão, Sensibiliza a emoção, E impele-me à gratidão.   Vem, Espírito de Vida, Graça invisível, mas sentida, Tu que és do vento a ternura E do caminho a luz segura... Empurra-me para a aventura De amar sempre com finura!   Espírito Santo, Dom de Deus Que habitas terra e céus Preenche-me por dentro, Ensina-me a ser atento, E deixa-Te ficar no centro  Nesse lugar onde me encontro. Vem, Espírito Santo, Vem!

24 de maio de 2012

Este mundo… outra cor! FÉstival 2012


Eu sonhava acordado
Que um dia ia partir
Nunca iria desistir
Sempre com Deus a meu lado.
O caminho é difícil
Mas eu tenho que tentar…
Deus faz-me acreditar
Que com Ele é mais fácil.

Eu quero seguir Jesus!
Quero falar do seu Nome
A tantos que têm fome,
A tantos que não têm luz!
Eu quero seguir Jesus!
Quero espalhar o amor.
Quero, de novo, pintar
Este mundo doutra cor.

E eu fui sem resistir
Ser discípulo de Deus,
Guiado pelos céus
Tantos povos fiz sorrir.
Ai de mim se me esquecer
Que testemunhar é viver;
Ser feliz é acreditar
Que com Deus é bom sonhar.

Vídeo

Original: Pe. JAC
Grupo DOXA
Paróquia de Nossa Senhora da Glória-Sé de Aveiro | FÉstival 2012

15 de maio de 2012

"Que vos ameis..."

"Que vos ameis..."
Mesmo quando as ideias forem diferentes
E não for possível ainda entendimento.

"Que vos ameis..."
Até quando houver acções oponentes:
Lembrai-vos do Seu único mandamento.

"Que vos ameis..."
Quando a concórdia não tiver lugar
E não fizer brotar compreensão e harmonia.

"Que vos ameis..."
Porque há sempre caminho para andar
A percorrer com coragem e alegria.

"Que vos ameis..."
Porque quem ama é de Deus
Porque Deus é Amor.

"Que vos ameis..."
Não de uma forma qualquer.

"Que vos ameis..."
Como Jesus amou,
Ele que viveu e Se entregou,
Que morreu e ressuscitou 
Que vos escolheu e destinou
A ser rosto do Amor.

"Que vos ameis..."
E isto basta!

Pe. JAC

11 de maio de 2012

Pastoral da cidade de Aveiro. “I have a dream!”

Martin Luther King tinha um sonho para a América das últimas décadas do século passado. “I have a dream” foi um grito de alerta, motor e propulsor de transformação social.

Vivemos todos de sonhos, de projectos, de ideais. Também ao nível da fé acontece o mesmo. O que é, senão ideal, o mandato de Cristo "Ide por todo o mundo".

Pedem-me a minha opinião pessoal acerca da pastoral da e na cidade de Aveiro. Também acerca disto eu tenho um sonho, que possivelmente se desdobrará em muitos sonhos a perseguir com a ousadia da fé acompanhada do discernimento dos sinais dos tempos.

Ninguém duvida que as mudanças culturais, sociológicas e demográficas que vamos assistindo trazem consigo desafios prementes e urgentes à missão da Igreja, em todos os lugares e com especial enfoque nas cidades. Não podemos entrar no rio (ou na ria!) dos queixumes pessimistas acerca da secularização e da laicização da sociedade em que vivemos. Não podemos cruzar os braços à espera que do céu venha a salvação, substituindo aquilo que temos nós de fazer. Nós não podemos continuar a fazer as mesmas coisas de sempre e esperar que os resultados sejam diferentes. Isso não é mais do que loucura.
A presença da Igreja na cidade precisa de ser reinventada, na fidelidade ao Evangelho e na ousadia de uma evangelização nova e renovada.
Daquilo que me é dado ver, uma vez que por missão tenho que exercer na cidade o meu ministério presbiteral, vou-me apercebendo de alguns obstáculos a uma acção conjunta da Igreja. E não significa isto que a culpa seja de um, mas porque não pode morrer solteira, não nos dispense de um acurado exame de consciência a todos. Sinto, muitas vezes, que os "canais" que já existem ainda não são suficientes para o "diálogo" desejado.

Não bastará, para isso, que a nossa programação pastoral seja executada em comunhão e em unidade. Mas não nos podemos dispensar a esse trabalho. Os cristãos das nossas comunidades também precisam de se abrir por dentro. Precisamos de "corações ao alto", mas também de corações abertos, capazes de ultrapassar bairrismos, tantas vezes doentios, sem anular, contudo, a especificidade e a idiossincrasia de pequenas comunidades de pertença. E esta abertura não poderá passar apenas pelo coração dos pastores... Mas também isso é absolutamente necessário.
A acção da Igreja na cidade não se pode dispensar de realizar pontos de encontro significativos e marcantes para as pessoas. A presença da Igreja na cidade pode não se maciça, como noutros tempos, mas deverá ser interpelante, como luz que brilha e faz sentido. A presença da Igreja nas cidades, e em especial na de Aveiro, pode e deve ser discreta mas sentida, activa e protagonista sem ser a única.
O diálogo com as organizações e as instituições de todos os níveis, a criação de parcerias que busquem estratégias de resposta aos reais problemas das pessoas, a conjugação de esforços e o trabalho em rede, ao nível social, tem que ser um imperativo.
Eu tenho um sonho. Sonho uma Igreja simples e bela. Sonho uma Igreja minha casa e casa dos que quiserem. Sonho até com as palavras de D. Manuel Martins:

A Igreja é a minha casa.
Esta igreja onde eu nasci e onde quero morrer.
Nela me sinto bem.
Nela gosto de estar.
Aqui, eu penso, projecto, sonho, alimento-me.
Aqui, rezo, recordo, choro, zango-me, encontro-me.
Aqui sofro, aqui canto.
A Igreja é a minha casa!
Gostaria, tantas vezes, de a ver mais acolhedora, mais aberta, com mais espaços para pessoas outras (não é ela comunhão e sacramento?), mais gratuita, mais convidativa.
A Igreja é a minha casa!
E tenho pena que feche as portas, condene sem coração, corte com quem procura...
Eu amo muito a Igreja
Porque a Igreja é a minha casa.
Com defeitos?
Com a ruga dos anos?
Às vezes azeda?
Mas é a minha casa!

Então, porque lhe quero muito, vou pintá-la de fresco, vou rasgar-lhe mais portas, vou torná- la mais simpática, mais disponível, mais atenta.
Vou fazer com que cante mais a beleza da vida, perca o medo e salte para o mundo, grite os valores das pessoas e dos povos.
A Igreja é a minha casa!
Se eu quiser,
se tu quiseres,
se nós todos quisermos,
todos virão a ela e todos nela se sentirão bem.
Porque ela é o rosto de Deus.
Porque Deus habita nela.

Há ideais que vale a pena perseguir! Jesus Cristo é o grande ideal. A Igreja em Aveiro será fiel se O souber apresentar assim.


Pe. José António Carneiro
in Igreja Aveirense

26 de abril de 2012

Quantos católicos somos?






















Está realizado o “retrato religioso” da sociedade portuguesa. A Conferência Episcopal Portuguesa encomendou um estudo à Universidade Católica e os resultados apresentados não deixam de ser inquietantes. Portugal é ainda um país de “marca católica”, mas em pouco mais de dez anos, o número de católicos passou de 86,9% para 79,5%.

Resultado vistoso: Manchetes em muitos jornais nacionais. Notícias nos mais diversificados meios de comunicação social anunciando “Número de católicos em Portugal em queda” e “Igreja Católica perde para todos”.
Das conclusões apresentadas no estudo conclui-se que o Catolicismo em Portugal tem “rosto feminino” e “pronúncia do Norte”, revelando que mais de 56% dos católicos são mulheres e que mais de 43% vivem no Norte de Portugal. Outro dado apresentado, e que de resto acompanha a tendência da sociedade portuguesa, tem a ver com a média de idade dos que se dizem católicos. Mais de 55% dos católicos têm mais de 55 anos.
Muitas coisas se podem argumentar diante destes números que, para a Igreja Católica, deverão ser um sinal dos tempos e como tal, segundo imperativo conciliar, deverão ser lidos e analisados objectivamente.
Não podemos ficar impávidos e serenos diante dos números. Não podemos sacudir a “água do capote” como se não fosse nada connosco. Os números não nos devem assustar, mas podem e devem alertar-nos a todos. Sim, a todos os que nos dizemos e procuramos ser cristãos católicos todos os dias, a toda a hora, e não apenas “das 9h às 5h da tarde”.
Preocupa-me evidentemente que os católicos sejam menos. Mas preocupa-me bem mais que não sejam aquilo que deveriam ser.
Se olharmos para os itens do inquérito mais preocupado fico quando se percebe que muitos dos que se afastam de uma prática religiosa o fazem por causa de mau exemplo de pessoas religiosas que conhecem.
De facto, o alerta que estes números causam não poderá ficar apenas para a hierarquia católica - ainda que convém que faça a sua parte (não me demito da minha!) -, mas é à Igreja Povo de Deus, Povo Sacerdotal, que estes números devem inquietar. Há, evidentemente, muitas coisas que é preciso rever continuamente, novas linguagens a assumir, testemunhos de vidas felizes a apresentar… e, acima de tudo, que a tão badalada “nova evangelização” seja aquilo que enuncia: que seja nova e renove!
Para mim é absolutamente mais urgente que os católicos sejam verdadeiramente cristãos. Ou seja, que Jesus Cristo seja o centro e o sentido, a meta e a finalidade, o horizonte e a felicidade, porque a Salvação. Isso é o mais fundamental! Acredito que se formos bons cristãos seremos bom exemplo e pelo exemplo irradiaremos a beleza de Cristo, à imagem das primeiras comunidades cristãs das quais já esquecemos o “vede como eles se amam”.
Permito-me citar uma amiga que escreveu no seu blogue, fazendo a leitura deste estudo e deixando uma inquietação a partir do relato bíblico do Jovem Rico: “Poderia sumariar a passagem assim: O projeto é "este", amigo! Vens e segues-me? Será bom, se vieres. Ficarei feliz. Construiremos juntos. Mas a liberdade de escolha é tua... e seguiu caminho com quem O quis acompanhar. Todos eram bem-vindos. E todos os dias eram novos. E havia dúvidas, mas as respostas eram intensas. E todos acreditavam, e escutavam, e convertiam-se. Celebravam. E não era rotina. Era festa!”.
(Crónica escrita para o Jornal Expresso do Ave)

18 de abril de 2012

"História" de um belo Encontro



Santo Inácio de Loyola faz-nos a contemplar um encontro entre a Mãe e o Filho Ressuscitado. O Fundador dos Jesuítas deixa claro que é de se esperar e de acreditar que a primeira aparição de Jesus após Sua ressurreição – ainda que não relatada na Escritura – tenha sido à sua Mãe. É uma ideia razoável. Não só por Jesus ter sido um bom filho e desejar terminar com a dor da Mãe, mas também pelo mérito próprio de Maria: é justo que aquela que primeiro aceitou fazer a vontade de Deus e que com o seu “Sim” mudou o rumo da história humana fosse a primeira portadora da grande novidade – a vida venceu a morte! Jesus está vivo!
Ninguém sabe como foi esse encontro. Ninguém sabe o seu conteúdo. Podemos apenas acreditar nele e vê-lo com os olhos da fé. É uma contemplação riquíssima: Mãe e Filho livres da dor e do sofrimento, perdidos no tempo a conversar sobre todos os acontecimentos, cheios de alegria e de consolação.
A certeza da ressurreição de Cristo não ficou apenas no encontro entre Mãe e Filho. Nós somos herdeiros desta boa nova. Fazer este caminho com Jesus, acompanhados pela Mãe, exige a cada um de nós viver a doação, como Cristo, uma vez que ser cristão é viver o nosso ser enraizado e enxertado em Jesus Cristo, pelo Baptismo.



(exerto do sermão do encontro que fiz este ano na celebração do Senhor dos Passos, em Aveiro)

Saudade!



...o amor que ficou por ser

7 de abril de 2012

Que a Páscoa seja libertação!

A celebração da Páscoa é fundamentalmente um acto de fé que assenta na certeza da ressurreição de Jesus Cristo. Os cristãos acreditam que, na ressurreição do Nazareno, aqueles que O vêem Filho de Deus, têm aí o penhor e a garantia da sua ressurreição pessoal.
Com a celebração pascal, os crentes afirmam a sua fé, manifestam a sua esperança, proclamam a sua alegria porque “Jesus Ressuscitou! Está Vivo!”.
 
A Páscoa permite o encontro das famílias. As férias, cá dentro ou lá fora, promovem a convivência familiar. É, por isso, tempo de alegria e de libertação. Todavia, envolvidos num cenário profundamente preocupante – e não apenas por estarmos “mergulhados até ao pescoço” numa crise económica gravíssima, mas porque a crise é muito mais do que a falta de dinheiro e de liquidez de mercados – como poderemos viver a alegria pascal?
É preciso um acto de fé grande para expressarmos a alegria da Ressurreição quando olhamos para o lado – ou olhamos para a nossa casa – e as preocupações são tantas e tamanhas… Viver a alegria quando não se tem o necessário para viver com o mínimo de dignidade, quando não há emprego, e o que há, tantas vezes, está trespassado de precariedade, exige um acto de coragem e de ousadia.
É verdade que não podemos, de uma vez, inverter os indicadores económicos, que não eliminamos a corrupção dos “senhores que mandam”, que não criaremos emprego suficiente para os mais de 600 mil desempregados… mas a Páscoa dos cristãos pode ser uma ocasião de viragem se, pelo menos os cristãos, se assumirem como portadores de uma alegria e de uma esperança que brotam de Deus e que permite enfrentar as dificuldades com coragem.
A respeito do Dia Mundial da Juventude, recentemente celebrado, o Papa Bento XVI dirigia uma mensagem aos mais novos desafiando-os a levarem a alegria, que é “elemento central da experiência cristã”, a um mundo marcado pela tristeza e inquietação.
Dizia o Papa que “o verdadeiro cristão nunca está triste ou desesperado, mesmo diante das provas mais duras, e a alegria cristã não é uma fuga da realidade, mas uma força sobrenatural para enfrentar e viver as dificuldades quotidianas”. “O mal não tem a última palavra sobre a nossa vida”, escrevia o Papa.
De facto, quem diria que de uma morte na Cruz – “escândalo” e “loucura” – e da Ressurreição de Jesus operada e cumprida pelo Pai, nasceria uma comunidade de pessoas que, seguindo um Crucificado Vivo, fosse capaz de ser fermento de transformação, não só moral e espiritual, mas também social (e até político) dos seus ambientes? Com a Páscoa e com Deus é possível!
Somos pascais. Aí nascemos como Povo de Deus. Da Páscoa partimos para a missão de transformar o nosso mundo num “pouco de céu”. Que esta Páscoa seja a viragem. Que a Páscoa seja a libertação não só do pessimismo, mas também da apatia e do comodismo. Podemos e devemos não desistir de lutar de viver! Já temos vida, Naquele que nos Deus a vida e se nos dá para podermos viver!

6 de abril de 2012

Sexta-Feira Santa: Silêncio!

Silêncio! 
Jesus morreu!
Calem-se todas as vozes,
Calem-se todos os gritos!

A Palavra das palavras, que é Jesus falou.
Diante da Palavra feita vida,
Diante da Vida feita entrega e doação 
Também eu me calo.
Apenas contemplo. 
Busco a luz de Deus, pela Escritura,
Para olhar o sucedido.

O Filho de Deus feito homem,
Pregado no madeiro,
Por amor até ao fim.

Calo-me para que fale a contemplação.
Calo-me para que fale o silêncio,
Feito oração, feito súplica. 
Calo-me porque faltam as palavras.
Calo-me olhando para a Cruz:
"Eis o homem!"
Eis o nosso Rei.

Ei-lo no algo da Cruz,
Abraçando de uma vez toda a humanidade.

A Tua imagem, Senhor Jesus, morto na Cruz
Por amor a mim
Abarca-me e abraça-me por inteiro.

Agora espero e confio!
Sei que triunfarás
Porque o amor é forte,
Mais forte que a própria morte.

"Tudo está consumado!"
A salvação está operada na Cruz.
Dela, somos todos recebedores.

No escândalo e na loucura da Cruz
Se espelha, por inteiro, a glória de Deus
Sem poder, só podendo amar.

Terminaste a obra, Jesus.
Na manhã do terceiro dia, o Pai fará o resto
E cumprirá a promessa.

Senhor Jesus, já expiraste!
Nós suspiramos pela ressurreição.

Seja como Deus quer!

5 de abril de 2012

Quinta-Feira Santa: Na tua mesa!

Convidados por Ti, Senhor,
Estamos sentados à tua mesa,
Somos teus discípulos;
Cada um na sua individualidade
Porém, todos importantes para Ti.

Tu, Jesus, conheces todos,
Sabes quem Te seguirá e quem Te renunciará e negará,
Quem Te vai vender e quem se vai esquecer depressa...

Não, não permitas, Senhor...

Não permitas que desfrutemos da tua amizade
Para, logo depois, a pormos de lado...
Não permitas que Te abandonemos,
Que Te esqueçamos ou ignoremos...

Precisamos de Ti!

A nossa vida sem Ti fica ressequida,
Insatisfeita e vazia.

E não Te afastes de nós, por amor,
fica para sempre, assim bem perto,
Sentados na mesma mesa,
Juntos, conviviais e comensais,
Fundidos num único Amor!

Adaptado de Juan Jáuregu

29 de março de 2012

Dois anos e meio passaram...

Passaram, ontem, dois anos e meio desde que cheguei à Diocese de Aveiro, vindo da minha diocese de origem, Braga.
Foi a 28 de Outubro de 2009, que cheguei, acompanhado pela Equipa Formadora do Seminário Conciliar de Braga e com o Sr. Bispo de Aveiro, D. António Francisco, às paróquias da UPA - Unidade Pastoral de Águeda.
Era ainda diácono... fomos confunidos com uma comissão de festas, à chegada... depressa, como é meu apanágio, me adaptei e me sintonizei a uma realidade pastoral nova, a lugares novos, a pessoas novas... fizemos coisas boas e bonitas e outras que se ficaram pelo desejo ou pela tentativa... não parei!
Hoje, já não estou em Águeda. A Igreja de Aveiro, pelo seu Bispo, chamou-me a trabalhar na paróquia da Sé, com a invocação de Nossa Senhora da Glória. Aqui estou... feliz e inquieto para continuar sempre tranquilo.
À chegada queria servir onde fosse preciso. Hoje continuo desse modo.
Na Ordenação Sacerdotal assumi desejar ser transparência de Deus. Continuo a desejar! Às vezes consigo, outras nem tanto... mas não desespero! Sei que sozinho conseguirei muito pouco, quase nada... mas deste nada que sou, Deus, pelo Seu amor, graça e misericórdia, pode fazer tudo! Ele continua a ser o meu TUDO!
Dois anos e meio passaram, não sei quantos mais virão... Por estes e pelos que Deus permitir e os homens deixarem... Obrigado.

22 de fevereiro de 2012

Duas prendas!

Nestes últimos tempos, um bocado arredado do meu blogue, recebi duas prendas. Dois selos.
Outra da Utília

Obrigado a ambas!

Perdoem-me que desrespeite as regras e não o ofereça a ninguém em particular mas a todos aqueles que leio e também aos que me lêem.

Santa Quaresma para todos


O Liebster Blog é um prémio dado aos blogueiros u-and-coming, com menos de 200 seguidores.
Liebster, em alemão, significa favorito, querido, amado.
Desta forma, receber este selo significa que o seu blog é muito querido pelo blogueiro que lhe presenteou.



21 de fevereiro de 2012

Sim! Esta Quaresma é tempo de graça.


Agora é tempo de graça.
A Quaresma não é só
Tempo de jejum e abstinência
De cor roxa e pensamentos de morte.

Quaresma é caminho de vida.
Recorda-nos que vimos do pó e ao pó voltaremos
E diz que Deus nos vai tirar da cinza.

Quaresma é caminho de baptismo,
Porque o nosso baptismo de criança
Deve tornar-se adulto
Já que é dia a dia que o coração de pedra
Se torna de carne
E a velha humanidade se renova.

Quaresma é caminho de luta.
Quaresma é tempo de graça
Mesmo na história desgraçada dos homens.
Porque onde abundou o pecado
Se multiplicou a graça e a misericórdia.
Porque não existe proporção
Entre a nossa culpa e o dom de Deus
Graças a Cristo.
Dele recebemos abundantemente
O dom gratuito e pleno do perdão
A plenitude da paz.

Sim! Esta Quaresma é tempo de graça.


Adaptado de Juan Jáuregui, Os domingos da Quaresma, ed. Salesianos.

21 de janeiro de 2012

A hora da Missão. Mãos à obra! Homilia III Domingo Comum



O Evangelho do III domingo do tempo comum coloca-nos mesmo no princípio do Evangelho de Marcos, omitindo toda a vida de Jesus até por volta dos 30 anos! Aqui, Jesus começa a pregar a Boa Nova de Deus na Galileia. Antes apenas a pregação de João e o Baptismo de Jesus. Mas, o Cordeiro de Deus não ficou no deserto. Agora, apresenta-se no meio da realidade humana, atravessa os trilhos e os caminhos da existência quotidiana do seu tempo, onde pessoas concretas vivem, trabalham e sofrem. Aí, e só aí, começa a proclamar a Sua mensagem: «O Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e acreditai na Boa Nova».

A primeira coisa que Jesus faz é procurar colaboradores para esta tarefa da evangelização. Ele não quer empreendê-la sozinho. Por isso mesmo, ao passar junto do lago da Galileia, repara no trabalho de alguns pescadores. Chama-os. Convida-os a seguirem-n'O e propõe-lhes que mudem de trabalho: «Farei de vos pescadores de homens». Inesperadamente eles deixam tudo (trabalho, bens, família) e seguem-n'O.

Com isto o evangelista Marcos quer mostrar-nos muito mais que um episódio bonito da vida de Jesus. Pretende, isso sim, que todos os que lêem e escutam este evangelho, se sintam interpelados a dar a resposta livre e pronta de Pedro e dos outros discípulos. O que é verdadeiramente importante é que Jesus chama! Chama porque ama. E quem é chamado e amado responde seguindo e amando. Por isso, aqueles pescadores da Galileia são modelo para todos os discípulos de Jesus. E nós não ficamos à margem deste paradigma.

Há algumas perguntas que se impõem diante deste texto. Em primeiro lugar, qual é o Evangelho, a Boa Nova que Jesus começa a proclamar?

A resposta é simples e até ligeira: Jesus está presente e vivo, no meio dos homens para cumprir todas as promessas de vida, salvação, felicidade e libertação, vindas já do Antigo Testamento! É a boa notícia de que Deus não ficou lá longe, mas está presente em Jesus vivo, pessoa, em carne e osso e no meio de nós! Deus está mesmo à nossa mão. E chama cada um de nós a dar-Lhe as nossas mãos. Chama para nos deixarmos olhar e tocar, seduzir e “apanhar” por este Jesus. Este é o primeiro e fundamental passo para convertermos e transformarmos a nossa vida.

Basta aderir, dizer sim, acolher, acreditar, abrir o coração e seguir. Jesus não dita regras nem impõe, para já, qualquer código de conduta. A sua mensagem é Ele próprio. Não nos chama para seguirmos uma ideia, um programa, uma doutrina. Chama-nos a segui-lo a Ele, como o Caminho, a Verdade e a Vida!

Evangelizar devia ser isto. Num tempo em que em Igreja vamos falando tanto de nova evangelização deveríamos ter presente que evangelizar é levar a todos a boa notícia, de que Jesus está aí, como luz que dá sentido. Está e passa por aí, discreto, por entre a vida das pessoas, por cima e por debaixo das suas telhas, pelas ruas e praças, para dar vida e salvação.

Evangelizar é dizer a todos e, em especial, aos que sofrem, que Jesus está aí! Está na sua dor, como está no amor, com que são tratados, como grita no clamor dos esquecidos e abandonados.

Evangelizar é também dizer aos que já fazem o bem, mas que até desconhecem Deus, que esse Deus desconhecido está aí, escondido mesmo por entre os dedos das suas mãos. O Evangelho de Deus, a Boa Nova é isto mesmo: Jesus está vivo e presente. Jesus é a Vida da nossa vida!

A segunda pergunta a fazer perante este Evangelho poderia ser “Como evangelizar?”
Nós somos evangelizados para nos tornarmos evangelizadores. Como a Jonas, também o Senhor nos diz “Vai à grande cidade e apregoa a mensagem”.

Há várias formas de o fazer. Sublinho apenas estratégias para ajudar:
a) Evangelizar pela proclamação ou pregação: a Palavra de Deus não deve ficar-se pela Missa, mas deve passar para o diálogo fraterno, cordial e amigo, nos nossos ambientes.
b) Evangelizar por convocação: ter a coragem de convidar outros a vir, a participar. Trabalhando em pesca à linha e não à rede…
c) Evangelizar por atracção, irradiação ou contágio: o modo como vivemos pode, e acontece mesmo, atrair outros.
d) Evangelizar por levedura ou fermentação: é a forma menos aparente, mais lenta e oculta, mais demorada e paciente. No segredo do nosso trabalho humilde, numa Escola, numa instituição, numa empresa, numa associação, podemos ir mudando mentalidades, inovando caminhos, renovando estruturas de injustiça e abrindo-as a uma conduta e ética cada vez mais evangélica.
 
Este é o nosso tempo de sermos evangelizadores. Mas, o tempo é breve e passageiro, como recorda o Apóstolo. Por isso, mãos à obra que se faz tarde!

Pe. JAC

18 de janeiro de 2012

Janeiro, mês da Paz e da Unidade - Feliz coincidência ou reforçado apelo?

  

Cada início de ano é uma oportunidade para mergulharmos na essencialidade das coisas, da vida e da fé. No mês que começa com o Dia Mundial da Paz, decore também a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Feliz coincidência ou necessário e reforçado apelo a cada um de nós?
A vivência da fé cristã impele-nos a fazer cada dia a viagem àquilo que vale, que conta, que tem valor. Logo no primeiro mês do ano civil somos desafiados a regressar à pátria da unidade e da paz, através destas duas celebrações. Na prática, trata-se de realizar, de refazer o mergulho na nossa fundação enquanto Igreja.
Não nos podemos dispensar, enquanto Igreja, sonhada por Deus, fundada por Cristo, de reconhecer que a falta de unidade entre os cristãos é um pecado grave, no meu entender, o mais grave que poderemos cometer.
Não me refiro apenas e só aos infelizes cismas, às terríveis separações que historicamente foram acontecendo com o passar dos anos por aqueles que professam a mesma fé em Jesus Cristo. Felizmente, vamos vendo e lendo sinais, réstias de luz e de esperança, de uma desejada e almejada unidade.
Refiro-me, aqui, muito expressamente à divisão que acontece todos os dias dentro da Igreja Católica Apostólica Romana, da Igreja que somos, através das nossas palavras e atitudes de exclusão, de marginalização, de indiferença, de falta de acolhimento. Não se trata de reconhecer a divisão nos e dos outros. Trata-se efetivamente de reconhecer a divisão que cada um de nós produz. Quantas vezes geramos desunião e não comunhão, rancor e não amor, antipatia e não simpatia!
A fé cristã, fundada em Cristo, que passou na terra fazendo o bem, faz-nos viver e estar neste mundo como peregrinos. Aquilo que a Carta a Diogneto tão bem expressou, nos finais do século II: Os cristãos “habitam pátrias próprias mas como peregrinos; participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira”. Como cristãos, precisamos de reassumir que a única comunidade em que podemos realizar-nos é a humanidade reunida em Cristo, que é Aquele no qual toda a Criação se reúne.
Como escreve Timothy Radcliffe: “Deus é Aquele no qual ninguém fica à margem, porque o centro de Deus está em toda a parte e a sua circunferência em parte nenhuma. É na vastidão de Deus que estaremos completamente à vontade, porque todos lá estarão. É assim que sou/estou em Igreja?”
“Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo” (Cf. 1 Cor 15, 51-58). Este é o tema proposto para a celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano, entre 18 e 25 de Janeiro.
Acreditamos como verdade fundacional da nossa fé em Cristo que Nele somos transformados. Mas, a partir de Cristo, também podemos e devemos transformar-nos diariamente, convertermo-nos gradualmente. Não nos podemos escusar de dar passos de unidade afetiva e efetiva no seio das nossas comunidades, das nossas paróquias, do nosso presbitério, da nossa diocese.
Assim sendo, ainda resulta mais premente a temática pastoral diocesana. Somos mesmo fraternidade de famílias? Somos muitos membros. Será que somos UM Corpo? Com certeza que nos vamos esforçando, mas ainda não o seremos na devida expressão. Não cruzemos, por isso, os braços, pensando que estamos bem como estamos. Ousemos a diferença! Ousemos a coragem! Ousemos ir de novo à pátria da unidade e da paz, baseada na unidade perfeita da Trindade, que não exclui a diversidade nem a alteridade. Ousemos ser um!
Outro belo sonho de Deus para nós! Ser um connosco e em nós e sermos um com todos os outros!

José António Carneiro
Padre. Vigário paroquial da Glória
Publicado no Jornal Correio do Vouga de 18/12/2012

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...