25 de agosto de 2012

Poesia que brota do Evangelho. Dois poemas sobre S. João 6, 60-69




Aonde ir?

Para onde ir, Senhor,
Se Tu és a vida e o amor?
Para onde ir, Jesus,
Se Teu caminho é todo luz?

Seguir-Te é dom de Deus
Concedido ao que abre o coração
Ao que sente a dor de cada irmão
E lhe aponta o caminho dos céus.

Seguir-Te é comungar Teu pão
Que sacia a fome de vida e verdade.
É aceitar da tua bondade
A alegria que inebria o coração.

Seguir-Te é beber da Tua fonte
Que fortalece nossa caminhada
E que faz de cada nossa jornada
Suave peregrinação ao Teu santo monte.

Para onde ir, Jesus?
Só a Ti e para Ti.
Não queremos ir embora
Só em Ti, em cada hora
E só Contigo, mundo fora.


Opção de Vida

As palavras de Jesus
São tão duras quanto doces...
Desafiam a razão,
(Des)Confortam o coração.

Ele que é o Pão dos céus,
Enviado à humanidade
Para lhe dar a eternidade...,
Ele, o caminho para Deus,
Não obriga ninguém
A segui-Lo mais além.

Não é fácil, nem instinto...
Aceitar o desconforto
De viver como discípulo,
De ser verdadeiro apóstolo...,
De estar sempre a caminhar,
E saber que nunca se vai chegar,
Ao exemplo maior:
Jesus, perfeição do Amor.

Seguir Jesus é opção.
A opção de Vida!


(Acerca do Evangelho do XXI domingo do tempo comum, ano B)

Pe. JAC

18 de agosto de 2012

Permanecer em Jesus




Quase tudo parece passar...
O tempo passa quase a voar,
E o vento não sabe parar.

O que há para ficar
Neste mundo sempre a mudar?!

Fica o que é de Deus!
Fica o exemplo de Jesus,
Que ganhou a Vida na Cruz...
Mas antes de morrer
Nos desafiou a crer
Que é preciso Nele permanecer...

Permanece quem Dele comer,
E quem Dele beber...
Quem ousar comungar
Palavra e Pão, Corpo e Sangue
E com Ele se entregar.

Somos todos convidados
Para o banquete do Senhor...
Somos todos desafiados
A permanecer no Seu Amor.

Afinal, tudo pode ficar...
Permanecer eternamente...



Pe. JAC

15 de agosto de 2012

Nossa Senhora da Assunção. Dormição de Maria




Celebramos hoje a mais antiga festa de Nossa Senhora. Desde o século V, primeiro no Oriente, depois no Ocidente, mesmo com nomes diferentes, a Igreja inteira celebra neste dia 15 de Agosto, a festa da Mãe de Deus, Maria Santíssima.

A Mãe do Céu indica-nos o caminho para Deus, mas também nos aponta o caminho da atenção e da solicitude com os irmãos.




Senhora da Visitação ou da Saudação,
que corres ligeira sobre os montes,
Senhora da Assunção ou da Dormição,
Santa Maria Rainha,
vela por nós, fica à nossa beira.
É bom ter a esperança como companheira.
(D. António Couto)


Pe. JAC

10 de agosto de 2012

Viver eternamente




Não percebiam os Judeus
Como Jesus desceu dos céus...
(Des)Conheciam a sua origem,
Sabiam só quem era o pai e a mãe.

Com calma Jesus explicou
Que foi o Deus que O criou...
E por isso Ele é o Pão
De Vida eterna, da salvação.

É preciso Acreditar,
Que a fome a saciar
Não pode ser passageira,
Nem fugaz...
Tem de ser a Vida inteira
E do Amor que Deus nos traz.

A nossa Vida é um projecto
Pensado por Deus em concreto...
Temos um caminho a seguir
Um sonho real para descobrir:
Seguir Cristo, Senhor,
Caminhar à luz do seu Amor,
Comungar o Pão de Deus,
Aceitar que somos filhos seus
E viver intensamente,
E Viver eternamente...

Pe. JAC

4 de agosto de 2012

Saciar a fome de vida






Estava Jesus retirado,
em lugar ermo e isolado,
Mas a multidão lá foi ter
esperando o que podia receber.

Jesus voltou falar...
e explicou à multidão:
Mais importante que a fome de comida
é saciar a fome de Vida,
amando cada irmão
ensinando a servir e a partilhar.

Com gestos de partilha e amor
confiando no Deus-Amor,
receberão o pão do Céu,
o próprio Jesus que de lá desceu.

Jesus, enviado de Deus,
formou os discípulos seus.
Ensinou a servir e a amar
e deu Vida para nos salvar.
Pe. JAC

1 de agosto de 2012

Das surpresas...




No segundo aniversário da celebração da Missa Nova...

Das surpresas...

Surge irrompendo a rotina
Acorda toda a lógica da calma
Inaugura um novo estado na alma
Que qualquer negrume logo de ilumina.

Atinge fortemente o coração
Que faz sentir para lá de qualquer dor
Assim grita triunfante o amor
Cantando a melodia da ilusão.

A surpresa bate sempre sem contar
E quando chega só que ser acolhida
Mesmo que quebre a barreira do sentido.

E traz o meigo desejo de amar
Na existência criada para ser vivida
Como jogo jogado, mas nunca perdido.

Foto na Capela Árvore da Vida, Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, em Braga

Pe. JAC

Dois anos de Missa Nova! Graças, Senhor

Há dois anos atrás na paróquia de S. Torcato, em Guimarães, apresentava-me aos meus conterrâneos e amigos presidindo, no belíssimo santuário, à chamada Missa Nova.

Tratou-se, basicamente, de um dia de festa popular, aberta a todos e absolutamente inclusiva (até para os que chegavam de excursão!).

Lágrimas, choro, palmas e alegria... houve de tudo. E tudo guardo no coração.

Recordo e agradeço o dia e a vida, Àquele que me chamou a ser sacerdote do Seu Filho.
Nesse dia, cantaram-se estes versos que escrevi:







Eu quero agradecer
O dom do Teu Amor
Ofertar o meu ser
Servindo o Evangelho
De Cristo meu Senhor.

Eu quero entregar
Meu sangue e meu suor
Para anunciar
O reinado de Deus
Que é o Salvador.
Quero ir pelo mundo fora
Sem nunca desistir
E quando for a hora
De regressar ao Pai
Estar pronto a partir.
Sei que me esperarás
Com amor paternal
E me libertarás
Desta vida mundana
Pra vida divinal.

Pe. JAC

28 de julho de 2012

Milagre da partilha: comprar em Deus sem dinheiro




Naquele tempo,
Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia,
ou de Tiberíades.
Seguia-O numerosa multidão,
por ver os milagres que Ele realizava nos doentes.
Jesus subiu a um monte
e sentou-Se aí com os seus discípulos.
Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
Erguendo os olhos
e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro,
Jesus disse a Filipe:
«Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?»
Dizia isto para o experimentar,
pois Ele bem sabia o que ia fazer.
Respondeu-Lhe Filipe:
«Duzentos denários de pão não chegam
para dar um bocadinho a cada um».
Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro:
«Está aqui um rapazito
que tem cinco pães de cevada e dois peixes.
Mas que é isso para tanta gente?»
Jesus respondeu: «Mandai sentar essa gente».
Havia muita erva naquele lugar
e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil.
Então, Jesus tomou os pães, deu graças
e distribuiu-os aos que estavam sentados,
fazendo o mesmo com os peixes;
E comeram quanto quiseram.
Quando ficaram saciados,
Jesus disse aos discípulos:
«Recolhei os bocados que sobraram,
para que nada se perca».
Recolheram-nos e encheram doze cestos
com os bocados dos cinco pães de cevada
que sobraram aos que tinham comido.
Quando viram o milagre que Jesus fizera,
aqueles homens começaram a dizer:
«Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo».
Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei,
retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.

Milagre da partilha

Apenas com peixe e pão,
Somado em número de perfeição...
Jesus transformou o insignificante
Em repasto saboroso e abundante.

Comprar em Deus, sem dinheiro,
Movido pela fome e necessidade
É o apelo que se ouve inteiro
De Cristo Jesus, Mestre da Bondade.

Ele sacia a multidão,
Alimentando alma e coração
Com todo o amor e caridade,
De partilha em (com)unidade.

Nada se podia perder...
Disse o Messias Senhor
Toda a migalha de amor
É para guardar e (re)colher.

O povo dependente não percebeu
Que Ele era o Salvador do mundo...
E logo Cristo partiu
Para um lugar isolado e profundo...
Ao encontro do Criador
Deus da Vida, Deus do Amor.



Pe. JAC

21 de julho de 2012

Há partir e voltar… descansar também faz parte!




Naquele tempo,
os Apóstolos voltaram para junto de Jesus
e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado.
Então Jesus disse-lhes:
«Vinde comigo para um lugar isolado
e descansai um pouco».
De facto, havia sempre tanta gente a chegar e a partir
que eles nem tinham tempo de comer.
Partiram, então, de barco
para um lugar isolado, sem mais ninguém.
Vendo-os afastar-se, muitos perceberam para onde iam;
e, de todas as cidades, acorreram a pé para aquele lugar
e chegaram lá primeiro que eles.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão
e compadeceu-Se de toda aquela gente,
que eram como ovelhas sem pastor.
E começou a ensinar-lhes muitas coisas.




Os discípulos que partiram em missão,
Livres do que limita o coração
Voltaram para contar a Jesus,
Como espalharam a Palavra que é Luz.

Jesus, ao recebe-los,
Disse aos Seus apóstolos:
Agora é preciso descansar,
Para logo recomeçar.

E de barco partiram
Para lugar quase escondido...
Mas quando chegaram
Jesus ficou compadecido
Com o imenso povo sem pastor
Sedento de um gesto de amor.

Não se pode esquecer
Que para bem evangelizar
É sempre preciso partir e voltar.
É preciso o mundo percorrer
E é preciso parar para descansar
Naquele que sempre nos sustenta...
Que é o Deus Amor que nos alimenta.


Um santo domingo para todos, os que ainda trabalham e os que já descansam... Para uns e outros que seja sempre em Cristo!


Pe. JAC

18 de julho de 2012

Dois anos de padre. Graças a Deus!

Faço dois anos de padre. Sim, é verdade! Dois anos é pouco. Sou ainda um "bebé", nestas andanças...
Mas tenho sempre bem presente para mim que as experiências significativas não valem tanto pela quantidade como valem pela qualidade! Ainda que quantitativamente dois anos sejam muitas semanas, muitos dias, muitas horas, imensos segundos... Quero dizer que qualitativamente tem sido infinitamente mais.
Nestes dois anos, muitas pessoas têm feito muito para que o ministério seja bem mais qualitativo do que quantitativo.
Quero agradecer por isso tudo, bom e menos bom, e às vezes mau...
Sei e reconheço que o ministério ordenado vale muito mais porque é Deus que age do que por aquilo que fazem os instrumentos. É assim mesmo que me sinto: instrumento, canal por onde jorra a vida e a abundância dos dons de Deus para o Povo que Ele ama como Pai e Mãe.
Dizia alguém: “o que custa são os primeiros cem”... Por isso, citando a resposta de um padre ordenado uma semana antes de mim: "venham os próximos 98!" que é como quem diz "venham os que Deus quiser dar!".
Aqui, como em tudo, nem sempre as coisas são como nós primeiramente queremos. Nem tudo corre, tantas vezes, como sonhamos. O que me faz andar é a correspondência ao chamamento de Deus. O que procuro é abrir-me cada dia à sedução de Deus. Porque Deus seduz aqueles que se deixam seduzir!


Seduziste-me Senhor
E eu me deixei seduzir.
Tu me dominaste
E venceste (Jr 20, 7-9)

A tua sedução
É toda amor
Por isso só seduzes
Quem se deixa seduzir.

Na tua sedução
Cheio de amor fiquei
E agora possa dar
O amor que encontrei.

Letra: adaptada de Joaquim Mexia Alves (Orando em Verso, pp. 22-26)
Música e Interpretação: Pe. JAC

Aqui sou feliz!

Há dois anos que fui ordenado...
Muitos dias já passaram,
Horas que nem me atrevo a contar...
Mas de uma coisa tenho a certeza
Não ganha o desalento nem a tristeza
Porque não há nada melhor que amar,
E entregar o meu coração
E ter Deus sempre a meu lado.

Ser padre é um desafio
Um dom, uma vocação...
É com Deus quebrar o vazio
Que possa haver em cada irmão.

Vivo feliz o eterno chamamento
Que preenche o meu sentimento
De entrega e de verdade,
De Amor e felicidade...
Vivo contigo, Senhor,
Em cada gesto, no meu olhar...
Inspiras-me o meu respirar
Para ser exemplo de entrega e de amor.

A Ti, Senhor,
Entrego meu coração,
A minha alma e cada oração,
Com todo o amor.

Obrigado a todos.
Pe. JAC

16 de julho de 2012

Chamados a ir...




Jesus chamou os doze
E enviou-os dois a dois
Livres de tudo o que prende.

A missão não é solitária
Ousa chegar à totalidade.
Quem parte vai em comunidade
Com o rosto e a marca da bondade.

Hoje, é Jesus que te convida
A ser discípulo consciente,
A ser verdadeiro exemplo
A testemunhar a Fé com a Vida.

Ouve o que Jesus te diz
Ousa ser feliz...
Aceita o desafio
Vai para o mundo,
E quebra o vazio.
Com sorrisos dilui a dor
E anuncia sem medo
A beleza de Deus amor.


Pe. JAC

14 de julho de 2012

Vem comigo ser maior


Com Cristo eu sou criança
Sou retrato de esperança
Levo Deus no meu olhar
Sou alegre sem cansar.

Vem comigo, anunciar
Vem comigo ser maior
Ao mundo levar o amor
A todos sem mais abraçar.

Com Cristo eu sou jovem
Sonhador irreverente
Sou rosto, sou imagem
De serviço consciente.

Com Cristo eu sou Homem
Tantas coisas pra mudar.
Vou partir, vou em viagem
Ao mundo quero chegar.

Pe. JAC

12 de julho de 2012

Embolismo. José Augusto Mourão




«Livra-nos, Senhor, da violência das palavras
Quando não vêem rostos
E semeiam lágrimas

Livra-nos da violência surda,
Do silêncio mútico, perverso,
Das tradições do corpo que inundou a erva

Livra-nos da violência das coisas
Que nos afogam, de excessivas

Livra-nos da violência harmoniosa,
DEUS que nos prometes a paz
E que esperamos na fronteira do fogo e da alegria»

Poema inédito
José Augusto Mourão, o.p.



Pe. JAC

11 de julho de 2012

Quando somos mestres!?...




As pessoas religiosas pretenderam, muitas vezes, ter todas as respostas.
Viram que a sua missão era persuadir, forçar, nivelar as diferenças e impor, talvez, a uniformidade.
Existe, de facto, algo de Grande Inquisidor na maioria das pessoas religiosas.
Mas quando a religião começa a atemorizar ou a insinuar, deixou de ser espiritual, porque o primeiro dom do Espírito, que se agita criativamente na natureza humana, é a liberdade e a franqueza; em linguagem bíblica, liberdade e verdade.
A missão cristã é sensibilizar de novo os nossos contemporâneos para a presença de um Espírito dentro de nós mesmos.
Não somos mestres no sentido de que fornecemos as respostas que já descobrimos na contracapa de um livro.
Somos verdadeiramente mestres quando, tendo encontrado o nosso espírito genuíno, conseguimos inspirar outros a aceitar a responsabilidade do seu próprio ser, a empreender o desafio do seu anelo inato pelo absoluto, a encontrar o seu próprio espírito.

John Main, in Palavra que leva a Silêncio

Pe. JAC

10 de julho de 2012

Visita surpreendente



À sinagoga de Nazaré
Vai Jesus e o Seu grupo inteiro.
Ali chega o rotulado filho de José
Também chamado filho do carpinteiro.

A terra que O viu crescer
Não O soube reconhecer...
Tornou-se casa vazia
Incapaz de amar o Filho de Maria.

É preciso fé para perceber
Que os milagres não são para entender,
E que Jesus inaugura um novo tempo
Em que o Amor é lei em todo o momento!

É preciso acreditar
Que Deus é surpreendente
E abrir-se ao seu Presente:
O Messias que vem salvar.

Jesus teve de partir,
Ser profeta noutro lugar
Para fazer outros sentir
Que a Fé e o Amor podem curar.

Nós que pensamos conhecer Jesus
Não sejamos como os de Nazaré:
Abramos o coração à Sua luz,
Peguemos, firmemente, a nossa Cruz
Porque, em Jesus, Deus nos vem visitar!

Pe. JAC

28 de junho de 2012

Humilde servo

Porque me chamas a mim

Humilde servo pecador

P’ra levar-Te, meu Senhor,

Mundo fora, até ao fim?

 

 É tão grande a missão

De chegar a cada irmão

E dizer-lhe: meu amigo,

Deus está sempre contigo.

 

Quero arriscar e partir

Vou viver para servir,

Levar Deus ao meu irmão,

Entregar meu coração.

pe. JAC



21 de junho de 2012

"Meu Deus. Poesias de um seminarista" faz 6 anos!


Faz hoje 6 anos que foi apresentado o meu primeiro (e único, até ao momento!) livro de poesia intitulado "Meu Deus. Poesias de Um Seminarista". Uma edição patrocinada pela Junta de Freguesia para assinalar a data da elevação a Vila da terra que me viu nascer, S. Torcato.

Refresco a minha memória e, nela, a daqueles que me "seguem", revisitando o pequeno livro e a sessão de apresentação do mesmo. Deixo-vos, primeiro lugar, o texto que li nessa sessão, e depois partilho, dois poemas escritos no livro.


Apresentação do Livro

            Às sábias palavras “Deus quer, o homem sonha a obra nasce”, eu contraponho, em relação a este livro, “Deus quer, Deus sonha, Deus, pela obra, diz-se”. É assim que me sinto em relação a este livro. Posso dizer, com todas as letras, que o autor não sou eu mas Deus. Ele é que me inspirou tudo o que ele contém. Por isso, o livro é vontade de Deus, é o seu querer. O meu trabalho é de co-autoria. Eu passei para o papel o que Ele quis dizer. A minha reflexão é fruto da sua inspiração durante estes últimos cinco anos de formação teológica. Por isso, e porque a minha linguagem, como toda a linguagem, é limitada e imperfeita acautelo os leitores para o risco de que o que se diz sobre Deus não O dizer em totalidade.

            Quando falamos de Deus corremos esse risco, perigoso, porque falamos de uma realidade metafísica, transcendente, que não podemos açambarcar. Porque Deus é Totalmente Outro diferente de nós qualquer definição que façamos é insuficiente e imperfeita. Por isso, “Meu Deus” sem ser um compêndio de teologia é teologia na medida em que é um discurso sobre Deus. E porque a teologia se faz de joelhos, como dizia o teólogo Hans Urs von Balthasar, este livro é, para mim, um livro de oração. E porque de oração se trata permitam-me a leitura do poema “Que mistério é o Meu Deus” (o último poema a entrar nesta compilação).

            Não posso terminar estas palavras sem uma palavra aos propulsionadores deste livro. O primeiro já o referi atrás: Deus! É dele que depende o que escrevo. Além disso, merece todo o destaque a Junta de Freguesia, na pessoa do seu Presidente, o Dr. Bruno Fernandes, meu amigo em todas as horas. Ele, e com ele toda a Junta de Freguesia de S. Torcato e, por consequência, a Freguesia inteira, são os meus mecenas, os responsáveis destas páginas se tornarem um livro. Estendo o meu agradecimento ao Dr. Barroso da Fonte pela estima e amizade que mostrou na edição do livro. Por fim, mas imensamente fundamental, pelo apoio e amizade de anos, a D. Amélia que me colocou este “bichinho” que se chama poesia dentro de mim e que me impulsionou a publicar alguns escritos. Em suma, por mim só, por mérito pessoal, não teria chegado a esta publicação e, por isso, a minha atitude só pode ser uma: gratidão. E na certeza de que sozinho vos não posso recompensar rezo e peço a Deus por cada um de vós. Essa é, com toda a certeza, a melhor recompensa que vos posso ofertar.
José António Carneiro | 21 de Junho de 2006



Que mistério é o Meu Deus!
Procuro com insistência
Palavras p’ra te dizer
Mas que nada significam
No Teu mistério de ser!
As palavras em si mesmas
Não Te dizem com firmeza
Apontam algumas pistas
Que revelam Tua grandeza.
E no fim da reflexão
Que quer desvelar os véus
Eu só posso concluir:
Que mistério é o Meu Deus!

Sequela

Disponível para o reino
Aqui estou de mãos vazias
Pare Te seguir, Senhor
Nada menos me pedias.
Tudo que deixava
Nada fazia sentido
Mas nesta renúncia vi
Que nada tinha perdido.
Ao seguir-Te me realizo
Imerso na novidade
No Teu seguimento encontro
O caminho da felicidade!

Alguns dos poemas publicados no livro (que já esgotou há muito tempo!!!) estão musicados e cantados. Pode ouvi-los no meu canal do youtube aqui

16 de junho de 2012

A semente é a Palavra

 
A semente é a Palavra
que tem em si a irresistível força
de nascer, de florir e de crescer.

A semente é a Palavra
não é preciso puxar por ela
para que irrompa da terra.

A semente é a Palavra
que não precisa que o agricultor
esteja vigiando o desabrochar.

A semente é a Palavra
que aparece sempre depois
da desaparição do semeador.

A semente é a Palavra
é pequena, mas capaz
de fecundar o solo onde cai.

Só por si nasce a semente
da Palavra de Deus,
rosto vivo em Jesus.
Cresce e madura, dá fruto e dá flor
erguendo-se, bem alto, ao tamanho do amor.

A palavra de Deus
grão pequeno e vigoroso
é semente de amor.
Persiste e cresce em cada momento
mas sempre liberta nas asas do tempo.
 
Pe. JAC



 

Quem ouve… pratica!

A Palavra do Senhor,
Vivida e praticada
É a condição maior,
Para uma vida inteira dada.

Escutar com atenção
Praticar no dia-a-dia
É nossa grande missão
Para viver com alegria.

Como espada de dois gumes
Como pão que nos sustenta
Quem a ouve e a escuta
Vive dela e se alimenta.

Ser família de Jesus
É uma graça sem igual,
Tão fácil e tão especial:
É Ele que nos conduz.

Fala-nos, Senhor Jesus,
Porque és nosso bom pastor
És também a nossa Luz
Verdade, Vida e Amor.Pe. JAC

1 de junho de 2012

Concílio Vaticano II e os jovens. Novo livro em co-autoria


Acabo de receber "Vaticano II. 50 anos, 50 olhares", da Editora Paulus.

Uma edição comemorativa do Concílio Ecuménico Vaticano II, na qual também assino um pequeno texto (como os demais 49), acerca do grande acontecimento que foi o último concílio da Igreja, concretamente em relação aos jovens e à pastoral juvenil.


Confesso que ver o meu nome ao lado/junto dos restantes nomes/autores, me assusta um bom bocado... mas também não me deixa triste.


(Brevemente numa livraria perto de si... Por mim, pode/deve comprar!)

«Nasci mais de 15 anos depois do encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II. Sou, portanto, herdeiro "afastado" desta reunião conciliar convocada pelo Papa João XXIII. Aliás, sou tão herdeiro deste Concílio como de todos os outros realizados na história milenar da Igreja, salvaguardando as devidas distâncias temporais.
A minha formação teológica "bebeu" já desta nova aragem trazida pelo Vaticano II. De facto, tendo decorrido há umas boas décadas ainda se pode dizer, e hoje também, passados cinquenta anos, que se tratou e trata de uma aragem nova, de um sopro renovado do Espírito, que conduz a Igreja.»


Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...