12 de julho de 2011

Caridade cristã, virtude fulcral em tempos de crise


Debruço-me hoje sobre uma das virtudes teologais: a caridade!
Não é novidade para ninguém que vivemos tempos críticos. Tempo de profundas crises. Vemos e ouvimos falar com a frequência de todos os noticiários televisivos e radiofónicos, em todas as estações e canais, e de todas as edições de imprensa escrita de crise e, em especial de crise económica. Parece que já não é dia se não ouvimos algo sobre a crise!
Pois bem: é verdade que a economia é um âmbito da vida das pessoas. Mas não é o único âmbito e nenhuma vida se resume à economia!
O que também é verdade é que o tão badalado termo “crise”, etimologicamente, indica um estágio de alternância, o qual, uma vez percorrido, as coisas diferenciam-se daquilo que costumavam ser. Não existe uma possibilidade de retorno aos antigos padrões. Em si mesma, portanto, crise é uma oportunidade, uma graça, para pensarmos melhor e prepararmos melhor o futuro.
Face ao cenário escuro e tenebroso de crise económica que vamos vivendo, deixai que vos diga, meus amigos, que o Evangelho, o Cristianismo, a Igreja e os Cristãos poderão e deverão ter um papel preponderante de iluminação, de indicação de novos caminhos, de afirmação da esperança, e acima de tudo de manifestação de sinais visíveis e concretos de uma caridade criativa e reinventada.
A exemplo da Rainha Santa Isabel também podemos, nos nossos dias, com mais ou menos bens, com mais ou menos dinheiro, viver a caridade, com tudo o que isso significa.
Não se trata, meus amigos, de uma “caridadezinha”, não se trata de sentirmos “pena” dos pobres e dos excluídos, não se trata de os olharmos como “coitadinhos”. Nada disso. Trata-se de vivermos o Evangelho, na sua radicalidade de boa notícia para todos os homens e mulheres, em especial para aqueles para quem a Palavra, o Verbo de Deus se fez carne. Não foi para os sãos e para os bons que Jesus veio ao mundo, foi para os pequeninos, para os doentes e para os pecadores. É para esses, que também somos nós, que tem que de dirigir a mente e o coração, as palavras e as acções, todos os cristãos, de toda a Igreja, de toda a sociedade.
O Papa Bento XVI dizia recentemente que a acção cristã caritativa “não é apenas uma acção filantrópica, ainda que útil e com mérito”, mas é uma “forma privilegiada de evangelização, à luz do ensinamento de Jesus”.
De facto, é Cristo que nos ensina a ser caridosos e solidários, em tantos ensinamentos, por palavras e por gestos. Deixai que vos diga que também a Rainha Santa Isabel, que de uma forma singular viveu a caridade, aprendeu na escola de Cristo.
A caridade cristã vai além da ajuda material, porque “torna visível a misericórdia infinita de Deus para cada ser humano”.
Esta caridade, diz Bento XVI, consiste em “harmonizar o nosso olhar com o olhar de Cristo, o nosso coração com o coração de Cristo. Desta maneira, o apoio amoroso, oferecido aos demais, traduz-se em participação e em partilha consciente das suas esperanças e dos seus sofrimentos”.
Não estaremos a ser fiéis ao Evangelho se não vivermos a caridade, tal como a Rainha Santa Isabel a viveu e exerceu. “Nós sabemos que a autenticidade da nossa fidelidade ao Evangelho verifica-se também com base na atenção e solicitude concreta que manifestamos ao próximo, especialmente os mais frágeis e marginalizados”, diz Bento XVI.
Viver a virtude da caridade é uma urgência no mundo em que estamos. Além disso, não poderemos esquecer que até a nossa devoção à Rainha Santa Isabel exige de nós o esforço, o compromisso, o empenho, por vivermos a caridade e em caridade. Os cristãos têm que ser testemunhas da esperança neste tempo de crise difundida e generalizada.
Atravessamos uma grave crise de humanidade, de valores. Creio também que a resolução das crises – da económica e de todas as outras – passa por dar atenção aos cidadãos, às pessoas, à Pessoa, na sua unicidade e dignidade sagrada e inviolável.
Por isso, meus amigos, é necessário que saibamos todos “gerir” o melhor património do país que são as pessoas, tal como escrevia recentemente D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro. “O mais importante património a ser bem gerido, são as pessoas concretas: crianças, jovens, adultos e mais idosos; saudáveis, doentes e com deficiências; da cidade, do litoral ou das aldeias do interior; empregadores, trabalhadores e desempregados; residentes, emigrados e imigrados; gente letrada ou apenas de letras gordas”.
E especificava o Prelado: Pessoas para acolher com respeito, para reconhecer as suas capacidades, para propor medidas concretas de apoio e promoção, para proporcionar igual reconhecimento de direitos e deveres. Pessoas, valor incalculável que dá sentido a tudo o que é património histórico, cultural, religioso, artístico. Nada que tenha valor, o tem à margem das pessoas”.
É fundamental que cada pessoa tenha consciência de que somos sociedade e que o caminho da construção de um mundo melhor deve assentar na ideia da solidariedade e do bem comum. Por isso mesmo, a busca do bem-estar individual e pessoal não deve e não pode sobrepor-se à busca do bem comum.
Em tempos de crise, que atinge fortemente os mais pobres, afectando os poucos recursos da sua subsistência, são cada vez mais necessárias “pessoas plasmadas pela atitude da caridade”.
“Mesmo que não sejam ricas em bens materiais, a sua atitude aberta e solidária com os mais pobres, é criadora de confiança e de esperança naqueles que sofrem e provoca neles uma reacção positiva, necessária para vencer as crises que os afectam e não desanimar por isso”. 
Em 2009, o Papa Bento XVI lançou a terceira encíclica do seu pontificado e dedicou-a às questões sociais, dando-lhe o sugestivo título “Caridade na Verdade”.
Nela, o Papa diz que o amor – caritas – é uma força extraordinária que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz.
Para Bento XVI, Jesus Cristo testemunhou com a sua vida a caridade na verdade, tornando-a a principal força propulsora para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira.
Nós sabemos que a caridade é a via mestra, trave mestra, da doutrina social da Igreja. Esta doutrina social, iniciada pelo Papa Leão XIII, mas que brota já do Evangelho, proclama a verdade do amor de Cristo.
O Santo Padre afirma que é necessário conjugar a caridade com a verdade. Trata-se da verdade na caridade e da caridade na verdade. A verdade é luz que dá brilho e valor à caridade. Sem verdade a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, sem nada. A verdade liberta a caridade.
A caridade na verdade ganha forma e acção na justiça. E chega mesmo a superar a justiça, porque amar é dar, oferecer aquilo que é “meu”; mas nunca existe sem a justiça, que leva sempre a dar ao outro o que é “dele”, o que lhe pertence.
Não posso “dar” ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça. Quem ama os outros com caridade é justo para com ele. Por isso, a justiça é inseparável da caridade.
A caridade na verdade também ganha forma e acção na busca e defesa do bem-comum. Amar alguém é querer o seu bem e trabalhar pelo bem comum, ou seja o bem daquele “nós-todos”, onde nos inserimos. Querer o bem comum e trabalhar por ele é exigência da justiça e da caridade. Ama-se tanto mais eficazmente o próximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que dê resposta também às suas necessidades reais.
O amor na verdade é um grande desafio, caros amigos. A partilha dos bens e recursos não é assegurada pelo simples progresso técnico e por meras relações de conveniência, mas pelo potencial de amor que vence o mal com o bem (Rm 12,21) e abre à reciprocidade das consciências e das liberdades.
A Igreja não tem soluções técnicas e nem cabe a ela tê-las. A Igreja também não pretende imiscuir-se na política. Mas ela tem uma missão a cumprir a favor de uma sociedade à medida do ser humano, da sua dignidade e da sua vocação. Por isso ela indica o caminho da caridade na verdade.
Minhas irmãs meus irmãos: precisamos de redescobrir a caridade como a maior virtude, tal como nos diz S. João. Acima de tudo precisamos de a ter como virtude e atitude fulcral nestes tempos difíceis de crise que vamos vivendo.
Sabemos, até pelo Evangelho, que as necessidades e a pobreza de tantos homens e mulheres do nosso tempo nos interpelam: é o próprio Cristo que, nos pobres, nos indigentes, nos marginalizados, nos pede que saibamos aplacar a sua fome, a sua sede, os visitemos nas prisões, nos hospitais.
O conhecido discurso de Mateus sobre o juízo final é sinal alerta para todos os cristãos. Nós sabemos, que no fim de contas seremos medidos com a medida que medirmos, seremos julgados – como dizia S. João da Cruz – pelo amor.
Com Bento XVI, acredito que a caridade é capaz de provocar uma autêntica revolução e uma mudança permanente na sociedade. Como Cristo, vivendo para servir – quem não vive para servir, não serve para viver – podemos dar ao mundo subjugado pela desesperança e pela derrota razões para viver.
A Rainha Santa Isabel ensina-nos a moldar o nosso coração ao jeito e ao modo do de Cristo, para vivermos a caridade e em caridade.
Do Céu, ela também nos desafia e intercede por nós para sermos fortes e valentes na vivência da caridade, num mundo tão sedento de gestos e sinais concretos e visíveis de amor, de caridade. 
Sejamos testemunhas do amor de Deus, em particular por aqueles que são os seus predilectos: os pequeninos, os simples e os pobres.
Ser cristão, ser devoto da Rainha Santa também passa pela nossa vivência da caridade. Ousemos sê-lo neste tempo.
Pe. JAC

Família, torna-te aquilo que és!

Nos dias 1, 2 e 3 de Julho estive em Coimbra, no Mosteiro de Santa Clara a Nova, a fazer as pregações da Festa da Rainha Santa Isabel.
Partilho algumas linhas das minhas pregações:

Escolhemos para este primeiro dia de pregação a temática da família. Trata-se de um “tema nunca esgotado, apesar de vivermos mesmo num mundo secularizado”, como escreveu D. António Marcelino.
Gostaria de a olhar na sua essência e natureza, mas deixando o desafio premente que João Paulo II, já deixava na Familiaris Consortio: “Família, torna-te aquilo que és”.
É comummente aceite que a família é base da sociedade é o tecido estruturante e fundante de qualquer sociedade. A família é fundamento de qualquer comunidade humana.
É bem verdade que as mudanças culturais, sociais e económicas são vertiginosas nestes tempos em que vivemos. Todavia, há coisas que não mudam, e ainda bem, tal como a família.
Disse o Bispo Emérito de Aveiro: “Há coisas que não mudam, mesmo que muitas coisas mudem ou pareçam mudar à sua volta. É o caso da família. Mudaram algumas das suas tarefas tradicionais; mudou o estilo de relação no interior do agregado familiar; surgiram novas oportunidades de intervenção de ordem social e política; alargou-se o fenómeno associativo; a opinião pública deparou-se com uma série de leis referentes à instituição familiar, enquanto tal; deu-se um decréscimo significativo do número de casamentos na Igreja, sempre que se deparou com a indissolubilidade do vínculo conjugal, numa sociedade que reage a compromissos que comportam exigências de permanência; experimentou-se o confronto com outras situações e expressões familiares; viveu-se a evolução, não paralela, de filhos que acederam a uma escolaridade alargada e de pais pouco alfabetizados…
Porém – caros amigos, devotos da Rainha Santa – apesar de todas as convulsões sociais e de leis que a pretexto de pluralismo e direitos individuais, pretendem atingir a instituição familiar, perduram e continuam na família riquezas intocáveis, que constituem o reduto da maior riqueza do país.”
Apesar de muitos reconhecerem a necessidade de se investir na família, na sua defesa, sabendo que aí passam os caminhos de solução para ultrapassar muitos problemas, tantas vezes assistimos a graves e directos ataques ao coração da instituição familiar. Perante todos os ataques à família, a Igreja, perita em solidariedade, não pode cruzar os braços e lamentar-se. Como dizia Bento XVI, na recente visita à Croácia: “Somos chamados a contrastar esta mentalidade”.
E o estado das coisas, meus amigos, é escuro:
Quando temos idosos mortos e a morrer, sozinhos e fechados nas suas habitações, durante dias, meses e muitos anos… algo não vai bem!
Quando temos e vemos uma cultura da violência em meio escolar, tão grave e horrenda, como as que vimos todos ainda há pouco tempo… algo não vai bem!
Quando tempos políticas para matar humanos e não as vemos, nem de perto nem de longe, para apoiar a natalidade… algo não vai bem!
Em 1995, o Papa João Paulo II, na encíclica “O Evangelho da Vida”, já apontava a “impressionante multiplicação e agravamento das ameaças à vida das pessoas”. “Este panorama inquietante – escrevia o Papa – longe de diminuir, tem vindo a dilatar-se”. E as coisas mantêm-se na mesma batuta!
Grave, caríssimos irmãos, no meio de tudo isto é o facto de esses atentados à vida e à dignidade das pessoas e das famílias não serem vistos e entendidos, numa larga consciência colectiva, como crimes, para assumir paradoxalmente o carácter de direitos.
Caso emblemático disto mesmo, dentro do nosso pequeno Portugal, é a despenalização do aborto que, tal como os dados que vão sendo publicados manifestam, se tratou e trata mais de uma liberalização, com poucas fronteiras e poucos limites.
Se não, como se explica que desde que entrou em vigor a nova legislação a mesma mulher possa ter feito 10 abortos? E quem financiou isto? Sabem todos a resposta!
E depois pensar e dizer que a “pretensa” despenalização do aborto, conforme a nossa legislação, é um sinal de progresso e de conquista da liberdade pessoal é assustador. Um Estado, um País, uma Nação que paga para matar humanos e que é tão “forreta” – permitam-se dizer assim – a ajudar e a subsidiar famílias que optam e querem ter filhos.
No mesmo documento, João Paulo II notava já este contra-senso: “na época em que se proclamam solenemente os direitos invioláveis da pessoa e se afirma publicamente o valor da vida humana, o próprio direito à vida é praticamente negado e espezinhado, particularmente nos momentos mais emblemáticos da existência como são o nascer e o morrer”. 
E não adiantará muito buscar fundamentações para o direito ao aborto. Alguns tentam justificar o aborto, defendendo que o fruto da concepção, pelo menos até um certo número de dias, não pode ainda ser considerado uma vida humana pessoal.
Na realidade, porém, «a partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida que não é a do pai nem a da mãe, mas sim a de um novo ser humano que se desenvolve por conta própria. Nunca mais se tornaria humana, se não o fosse já desde então. Desde a fecundação, tem início a aventura de uma vida humana, cujas grandes capacidades, já presentes cada uma delas, apenas exigem tempo para se organizar e encontrar prontas a agir”.
Meus amigos: as políticas e todas as legislações que se opõem à família, à vida, à natalidade, à defesa dos mais frágeis são atentados ao futuro social e colectivo de qualquer sociedade. E a Igreja não pode calar. Não nos podemos resignar.
Permiti-me registar, contudo, alguns sinais, no que respeita à questão da família e natalidade, que constam do agora conhecido programa do actual Governo português. A promoção de um debate nacional sobre a questão do aumento da taxa de natalidade na sociedade portuguesa e a inversão da tendência de queda dessa taxa de natalidade, por meio de apoio à família nos primeiros anos da criança, são alguns pontos que todos esperamos ver mais além do papel, ver executados naquilo que é a vida concreta e diária das famílias portuguesas.
Nós vivemos numa era de relativismo. A todos os níveis. A ética não é excepção. Alguns, não poucos, pensam que apenas este relativismo garante e consagra a tolerância, o respeito recíproco. Ao invés disso, as ditas normas morais consideradas objectivas conduzem ao autoritarismo e intolerância. Mas, em todos os tempos, a moral é farol que ilumina a vida das pessoas.
Não há muito tempo, o agora nomeado Bispo da vossa diocese de Coimbra, D. Virgílio Antunes apontava o dedo a alguns “lóbis que sob a capa da modernidade” promovem posições contrárias à família e à Igreja.
O então Reitor do Santuário de Fátima, dizia que, na sociedade actual, as famílias são alvos de ataques e “grandes campanhas”. Utilizou mesmo a figura de Herodes para caracterizar todos os que se levantam para matar a família.
Em San Marino, durante um encontro com os membros do governo local, no passado dia 19 de Junho, o Papa Bento XVI destacou a importância de reconhecer a família como principal sujeito para fazer amadurecer pessoas livres e responsáveis, no contexto actual em que esta instituição é tantas vezes colocada em xeque.
O Papa afirmava que “os que sofrem as consequências são os grupos sociais mais frágeis, especialmente as jovens gerações, mais vulneráveis e por isso mais facilmente expostas à desorientação, a situações de auto-marginalização e à escravidão das dependências”.
Neste sentido, constata-se que, “diminuindo o apoio familiar”, frequentemente os jovens se vêem diante de muitos obstáculos “para uma normal inserção no tecido social”.
Por isso, “é importante reconhecer que a família, assim como Deus a constituiu, é o principal sujeito que pode favorecer um crescimento harmonioso e fazer amadurecer pessoas livres e responsáveis, formadas em valores profundos e perenes”.
Nós precisamos hoje de fortalecer a família. Aí está o caminho para curar muitos males da sociedade. Nós não precisamos de medidas paliativas para a família. Não podemos pactuar que ela entre em lenta e profunda agonia. Precisamos de revigorá-la, anima-la e dar-lhe alento.
Tal como João Paulo II, sabemos que “a família cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho da vida, principalmente através da educação dos filhos. Pela palavra e pelo exemplo, no relacionamento mútuo e nas opções quotidianas, e mediante gestos e sinais concretos, os pais iniciam os seus filhos na liberdade autêntica, que se realiza no dom sincero de si, e cultivam neles o respeito do outro, o sentido da justiça, o acolhimento cordial, o diálogo, o serviço generoso, a solidariedade e os demais valores que ajudam a viver a existência como um dom.”
Deixo desafios alinhados por D. António Marcelino. Diz ele: “Quando penso no tipo das sessões de preparação para o casamento no templo, na celebração festiva do mesmo, nas propostas de acompanhamento dos casais novos e dos casais já menos novos que procuram realizar a sua vocação matrimonial e parental, no acolhimento devido aos casais que vivem novas formas de convivência conjugal e dos que enfrentam especiais dificuldades no seu dia-a-dia, na situação dos membros mais velhos da família, muitos deles isolados nas suas casas e pensar, também, nos idosos, eternamente silenciosos, que enchem os lares, fico a reflectir sobre caminhos novos de uma renovação pastoral que traduzam com realismo a desejada acção da Igreja em prol das famílias”.
Precisamos, enquanto Igreja, de estar atentos a esta cultura de morte que vai abafando a cultura da vida. Os cristãos têm obrigação e missão de se consciencializaram dos graves atentados que continuam a acontecer diariamente à vida humana e à família.
Nós precisamos de cristãos a tempo inteiro, assumidos, conscientes. Não precisamos de cristãos a prazo, nem “das nove até às cinco”, nem de cristãos de conveniência e cristãos de circunstância.
Precisamos de cristão íntegros, grandes, porque para sermos grandes temos que ser inteiros.
Olhai, caros amigos, que na defesa da família e na defesa da fé cristã, a Rainha Santa Isabel refulge como exemplo e modelo. Nela podemos sempre reaprender a dar à família o valor que tem por natureza e por essência.
A sua extraordinária capacidade de apaziguar ânimos e contendas dentro e fora da sua família. As suas muitas virtudes de esposa fiel, de mãe atenta, amorosa e carinhosa, de mulher solícita em todos os momentos. Só a título de exemplo, recordar a bela lição de Santa Isabel que, na lenta agonia de D. Dinis, quis, ela mesma, tratar e cuidar do seu marido…
Tantos ensinamentos urgentes para o tempo de hoje. Um tempo onde as pessoas deixaram de se comprometer com o que quer que seja, um tempo onde a palavra “fidelidade” se esvaziou de sentido e de empenho pessoal.
Um tempo em que a família vai perdendo tanto, tantas oportunidade de vitalidade, de dinamismo, de alegria, de comunhão, de partilha, de amor…
Minhas irmãs e meus irmãos: que a Rainha Santa Isabel nos ensine a valorizar a família e nos ajude a assumir os nossos compromissos em relação à defesa da vida, em todos os momentos e circunstâncias.
Do Céu Ela intercede por nós ajudando-nos a enfrentar as agruras do tempo presente e a vivê-lo com esperança de futuro, sabendo que Cristo está connosco até ao fim dos tempos.
Pe. JAC

17 de junho de 2011

Esperar


A esperança está muito mais além
Do final feliz!
Esperar não é nem pode ser pensar
Que as coisas acabam bem.
Esperar é crer que as coisas significam
E que fazem sentido
Mesmo desconhecendo o modo
Como acabam as coisas.
Ninguém sabe o valor da esperança
Tão bem como sabem as mães.
Elas só confiam
E acreditam que tudo faz sentido.
Esperar é deixar Deus meter-se no agora
Porque só agora se joga a eternidade,
Ou melhor ainda: a eternidade é hoje, é agora!

Pe. JAC
Texto escrito depois de ler a bela Introdução do livro "Ser Cristão para quê", de Timothy Radcliffe, que aconselho vivamente.

11 de junho de 2011

Espírito Santo. Pentecostes de hoje!


1. Vinde, Espírito Santo, Deus amável,
Dom inefável da SABEDORIA!
Dai-nos o gosto de saborearmos
Como sois bom e fonte de alegria.


2. Vinde, Espírito Santo, Deus glorioso,
Dom luminoso do ENTENDIMENTO!
Enchei de vida todo o Universo:
A Criação é o vosso sacramento!


3. Vinde, Espírito Santo, Deus amigo,
Divino abrigo, Dom do bom CONSELHO!
Dai-nos a graça do discernimento,
P'ra decidir à luz do Evangelho!


4. Vinde, Espírito Santo, Deus-Senhor:
dai-nos valor e Dom da FORTALEZA!
Quando tentados, a fidelidade;
Na hesitação, a graça da firmeza!


5. Vinde, Espírito Santo, Omnisciente:
A nossa mente implora o Dom da CIÊNCIA,
P'ra conhecermos e para louvarmos
Vossos sinais e a vossa providência!


6. Vinde, Espírito Santo, Deus-Ternura!
Vós sois doçura: dai-nos a PIEDADE!
Ao Pai queremos ter amor de filhos;
Com os irmãos, viver em amizade!


7. Vinde, Espírito Santo, Deus-Amor:
Dai-nos TEMOR, o Dom da admiração!
Vossa presença faça a nossa vida
Estremecer de assombro e de emoção.

1 de junho de 2011

"Esmiuçando" a Mensagem do Papa para a JMJ 2011

“Enraizados e edificados em Cristo... firmes na fé.” (cf. Cl 2, 7)

Este texto foi lido durante a iniciativa Go(o)d Night-Peregrinação Nocturna do Jovens do Arciprestado de Águeda. O intuito foi dar a conhecer a Mensagem do Papa para a JMJ 2011, de forma sentida e profunda, seguindo os seis pontos da Mensagem com recurso a alguns sinais e símbolos. Partilho com todos:




Nada teremos para dizer aos jovens de hoje se não estivermos dispostos e empenhados em caminhar com eles e não só fisicamente!

1. Busca uma vida maior

Muitos escritores, poetas e pensadores caracterizam a vida humana como uma longa viagem, com diversas passagens e diversos passos, ou como uma grande corrida, uma espécie de maratona.
Nós sabemos que a fé não é um anexo da vida. Aliás, é parte integrante da existência humana.
Todos sentimos que a vida humana é uma busca incessante, é um tender para o Infinito, é um procurar razões de viver, de ser, de esperar, de confiar e de amar.
O Papa Bento XVI afirma, na mensagem que escreveu para a Jornada Mundial da Juventude deste ano que “o ser humano está criado para aquilo que é grande, para o infinito.”
E depois concretiza que “a juventude é a idade na qual se busca uma vida maior”.
Tu, jovem que hoje peregrinas, buscas o quê? Ou quem?
Usando conhecidas palavras de Santo Agostinho que caracterizam uma espécie de insaciedade, como que uma busca da superação do desejo, o Papa reescreve: “O nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti.”
Aos jovens, Bento XVI lembra: “Vós sois o futuro da sociedade e da Igreja!” Sim, os jovens são futuro e são esperança.
E depois indica que é missão dos adultos olhar e cuidar as novas gerações: “Vós jovens tendes direito de receber (…) pontos firmes para fazer as vossas opções e construir a vossa vida, do mesmo modo como uma jovem planta precisa de um sólido apoio para que as raízes cresçam, para (…) depois dar fruto.”

2. Enraizados em Cristo somos capazes
Nascemos radicados numa cultura, num tempo, num país, numa família.
De todos rebecebemos educação. De alguns recebemos também educação religiosa.
Não podemos conceber a vida sem a devida ligação à origem, à proveniência, à família.
Na mensagem para a JMJ 2011, o Papa pergunta aos jovens: “Quais são as tuas raízes?” para logo depois explicitar que “enraizar (…) significa ter confiança em Deus.”
Pela fé manifestamos essa confiança, sabendo de antemão que “a fé cristã é relação pessoal com Jesus Cristo, em que Cristo nos revela a nossa identidade e, com amizade, a vida cresce e realiza-se em plenitude.”
Nós somos um sonho de Deus, somos queridos por Deus. Como diz o Papa: “o Senhor quer-me, por isso me dará também a força.”
A construção de uma vida com sentido, enraizada e fidelizada em Deus passa pela escuta e pela prática da Palavra de Deus. Escreve Bento XVI: “amigos, construí vossa casa sobre a rocha. Tentai acolher a cada dia a Palavra de Cristo. Escutai-O como verdadeiro Amigo. Com Ele ao vosso lado, sereis capazes.”
E ainda: “Somente a Palavra de Deus nos mostra o caminho autêntico, somente a fé que nos foi transmitida é a luz que ilumina o caminho.”
Tu, jovem que hoje peregrinas, onde tens as tuas raízes? A Palavra de Deus é luz para Ti?

3. Na cruz estamos firmes
Jesus Cristo é o Messias, isto é o Enviado, com a missão de restabelecer a comunhão dos seres humanos com Deus, libertando-os do pecado e mostrando o rosto e o coração amoroso de Deus Pai.
A missão de Cristo passa pela cruz, mas não termina lá.
Bento XVI di-lo na mensagem para a JMJ: “Jesus Cristo entregou-se na Cruz para nos oferecer o Seu amor. Deste modo, fomos libertados.”
Aquela morte na cruz, que foi e é vista por muitos como escândalo, derrota, silenciamento fez-se vitória, vida, fraternidade, liberdade e salvação.
De facto, “a cruz é a expressão máxima do amor de Cristo”, tal como aponta o Papa.
Na cruz, e na consequente ressurreição – sim, porque Deus cumpre sempre a Sua Palavra e a Sua Promessa – está a nossa vida e a nossa salvação. Defende o Papa: “Sem Cristo, morto e ressuscitado, não há salvação.”
Na cruz estamos firmes, seguros e salvos!

4. Jesus está sempre contigo – Acredita!
A vida de Jesus foi um contínuo dar. Deu vida, saúde, alegria, paz, pão, alimento, felicidade… E tudo o que deu não foi suficiente. Ele teve de dar-se a Si mesmo. E deu-se por inteiro.
Não te esqueças, amigo jovem, que nesta noite peregrinas, que para seres grande tens sempre que ser inteiro.
Ainda Jesus é dom. É dado por Deus. Dá-se em particular no sacramento augusto e maior da Eucaristia, na qual Ele mesmo quis ficar, fazendo memória d’Ele.
Por isso, o Papa desafia os jovens: “aprendei a “ver”, a “encontrar” a Jesus na Eucaristia (…) como alimento para nosso caminho; no Sacramento da Penitência, onde o Senhor manifesta Sua misericórdia oferecendo-nos sempre o Seu perdão.”
Aqui encontramos sempre o Senhor Jesus.
Mas podemos ainda encontrá-lo pela oração e pela Escritura. E aí soa de novo, o apelo de Bento XVI: “Iniciai e cultivai um diálogo pessoal com Jesus Cristo, na fé. Conhecei-O mediante a leitura dos Evangelhos e do catecismo da Igreja católica; falai com Ele na oração, confiai n’Ele. Nunca vos trairá.”

5. Somos um elo na grande cadeia dos crentes
Jesus deixou-se na Eucaristia, sinal da sua presença e memória salvadora, e pediu aos Apóstolos e à Igreja que o recordassem sempre.
Nós estamos inseridos numa história grande, que vem de longe e que trespassa séculos, culturas, países. Estamos inseridos numa história de fé e de amor e de memória, que vem já do Antigo Testamento e assume em Jesus Cristo pleno e total cumprimento. Diz o Papa: “A vitória que nasce da fé é a do amor.”
Nós somos Igreja, família de famílias. “Não somos crentes isolados (…) somos um elo na grande cadeia dos crentes”, escreve Bento XVI. E tu, jovem amigo peregrino, nesta noite, sentes-te elo desta cadeia?
Esta pertença à Igreja, explicita o Papa, impele ao testemunho e à partilha da nossa fé: “Cristo não é um bem somente para nós mesmos, mas é o bem mais precioso que temos para partilhar.”
E pede o empenho directo dos jovens na missão da evangelização da Igreja: “Também, vós, se credes, se souberdes viver e dar testemunho da vossa fé, sereis um instrumento que ajudará outros jovens a encontrar o sentido e a alegria da vida.”

6. A Igreja conta convosco
Em lado nenhum está dito que é fácil seguir Jesus. Ele mesmo alertou para as perseguições, as dificuldades, as incompreensões que sofreriam os discípulos apenas por acreditar n’Ele. Diz o Papa: “A escolha de crer em Deus e segui-Lo não é fácil.”
O que está dito também é que quem segue Jesus tem a vida eterna, tem sentido, tem horizonte e tem meta.
É esta fé, no Mestre que chama continuamente tantos e tantos a segui-lo radicalmente que sois, amigos jovens, desafiados a testemunhar.
Aceitai do desafio de Cristo: “Vem e Segue-me”.
Aceitai também o desafio do Papa: “a Igreja conta convosco. Necessita da vossa fé viva, da vossa caridade criativa e do dinamismo da vossa esperança.”
Daremos, assim, ao mundo razões da nossa fé, em Cristo, no qual estamos firmados, edificados e enraizados!

Pe. JAC. 27 de Maio de 2011.

27 de maio de 2011

Rasgar páginas de manuais desactualizados

São frequentes, em demasia até, as acusações e críticas vindas de tantos lados a uma Igreja Católica que permanece fechada, não cativante, não acolhedora, sem lugar para as pessoas, incapaz de mostrar um rosto alegra, um rosto mais de Domingo de Páscoa do que de Sexta-Feira Santa. (Ainda que ambos se precisem mutuamente).
Há lamentos – uns com sentido, outros nem tanto – muitos até de cristãos que celebram missa dominical (lamentos que dariam volumes de livros da Lamentações), queixando-se que agora os jovens não vão à Igreja, não estão dispostos a ajudar em nada. Acusam-nos de estarem inactivos, desactivados, acomodados, perdidos navegando na internet, encontrando-se e “amigando-se” nas redes sosicias, com os fones do MP3 ou MP4 metidos nos ouvidos, indiferentes ao que acontece à volta.

Eu gosto de me convencer (e estou!) de que as coisas não são tão “quadradas” quanto isso. Claro que também estou convencido de que já não estamos na Cristandade, que o Crsitianismo é Proposta, nunca imposição! Gosto desta ideia, que não é leviana nem desresponsabilizadora.

Creio, com Timothy Radcliffe, que a Igreja Católica nada terá a dizer aos jovens se não estiver empenhada e comprometida em caminhar com eles, e não só fisicamente.
Creio, claro está, que não basta esperar que eles apareçam à sacristia! Mas, creio que se aparecerem merecem ser acolhidos, bem tratados, queridos.

Creio que há um movimento de dentro para fora que precisamos todos de fazer. Em relação a toda a sociedade e especialmente em relação aos jovens.
As propostas de hoje são tentadoras.
A proposta “Jesus Cristo” também tem que ser.
É preciso rasgar horizontes e até rasgar páginas de “manuais” desactualizados.
É preciso sair e ir ao encontro!

25 de maio de 2011

O "Milagre" do Sol. Movidos de entusiasmo

Este ano, a peregrinação era para dar graças ao Senhor pela beatificação de João Paulo II, o Papa de Fátima.

Mais de 200 mil peregrinos (diz a GNR), 288 padres e 23 Bispos, para além de muitos grupos organizados, vindos de 24 países.

Presidiu o cardeal Sean O’Malley, Arcebispo de Boston (USA), franciscano capuchinho, de 66 anos.
Destaco alguns «halos» à volta da sua homilia:

No noite do dia 12:
- A mensagem de Fátima é crucial num mundo abalado pela violência, e onde a morte de Bin Laden lembra o confronto entre o ocidente cristão e os expoentes radicais do islão.
- Maria vai ajudar a fazer a ponte entre cristianismo e islão.
- O holocausto, a bomba atómica, as duas guerras mundiais, o aborto e a eutanásia legalizados, a par do nascimento do comunismo, nazismo e fascismo, fizeram do século XX o mais sangrento da história.

No dia 13:
- João Paulo II sobreviveu ao atentando de 1981, no Vaticano, para ser instrumento de Deus para derrubar a Cortina de Ferro e para que acabasse a opressão política do comunismo no mundo,

- No nosso mundo, muitas vezes a multidão afasta as pessoas de Deus,  impede-as de aproximarem. A pressão do grupo, a opinião pública, a cultura materialista da morte que nos envolvem… afastam muitas vezes as pessoas de Deus.
 - Assim como a multidão afasta as pessoas de Deus, a comunidade de fés, a família dos discípulos  aproxima as pessoas de Deus, ajudando a ultrapassar os obstáculos que se interpõem no caminho.

-  Hoje, como noutros tempos, os pais enfrentam terríveis ameaças contra os seus filhos, por parte dos que lhes querem vender droga, dos média que fazem do sexo livre algo de desejável, dos materialistas e ateus que lhes dizem que vivemos só de pão… Quantos tentam matar espiritualmente as nossas crianças!
- O cardeal referiu-se ainda aos “incontáveis deslocados, aos sem-abrigo embrulhados nos vãos das portas e dormindo sobre as grelhas do metro e aos 27 milhões de refugiados que vagueiam pela terra nos dias de hoje".

Muitas emoção, muitas palmas...
E mais algumas curiosidades para a longa lista do número 13, que circula por aí, relacionada com João Paulo II.
Neste dia 13 de Maio, 13 dias depois da beatificação de João Paulo II, o Papa de Fátima, coincidindo com a apresentação do vídeo de 13 minutos «Todo Teu, todo nosso». aconteceu o «milagre»:
à volta do Sol forma-se um anel de luz, qual arco-íris... Fenómeno natural (o YouTube está cheio de vídeos desse fenómeno). Mas... a coincidência. o entusiasmo levaram a gritar: Milagre!

Notícia desenvolvida pela TV FATIMA:
http://www.tvfatima.com/portal/index.php?id=1906

A notícia na SIC, que até se esqueceu de apresentar imagens do Sol.
http://sicnoticias.sapo.pt/vida/2011/05/13/20110513_fatima.mpg


Texto partilhado por frei Acílio Mendes

20 de maio de 2011

DAR TESTEMUNHO


         Uma vez, chegou um missionário a uma aldeia indígena. Os habitantes receberam-no com todas as atenções e dispuseram-se a escutá-lo. Disse-lhes:
         - Trago-vos uma Boa Nova, a notícia de um deus que é Pai. Ele ama muito a todos e a cada um de nós. Deseja que vivamos como autênticos irmãos, amando-nos e ajudando-nos uns aos outros.
         Todos continuavam em silêncio. O missionário continuou:
         - Esta notícia do amor de Deus foi-nos comunicada pelo seu Filho Jesus Cristo. Ele passou pelo mundo fazendo o bem, amando e dando a vida por todos nós.
         O missionário, depois de alguns momentos de silêncio, perguntou:
         - Quereis aceitar esta Notícia do amor de Deus por cada um de nós?
         Foi então que o chefe da povoação respondeu em nome de todos:
          - Fique connosco uns dias e, se viver verdadeiramente o que nos quer ensinar, então voltaremos a escutá-lo.
         O missionário entendeu a lição. Teria de entrar nas suas palhotas, vestir-se com a sua roupa, sentar-se à sua mesa, ajudá-los nas suas tarefas, curar os doentes, comer dos seus alimentos, estar com eles na alegria e na tristeza, na angústia e na esperança, ser um irmão entre irmãos. Percebeu que tinha de fazer como Jesus Cristo, incarnando no meio desse povo.
         E assim fez. Quando as pessoas o viram a amar de todo o coração e a servir com todas as forças, começaram a acreditar que Deus é Amor e a todos ama.

Autor desconhecido
imagem

18 de maio de 2011

Enquanto estamos inquietos, podemos estar tranquilos!


O Tempo Pascal, na Igreja, é uma grande e solene aclamação e uma bela profissão de fé. É por isso que ele se estende por 50 dias do ano, até à Festa do Pentecostes.
A liturgia é também pedagogia: semana após semana vai-nos educando o coração e a mente, para irmos sentindo a presença de Jesus, no seu modo diferente de estar, porque Vivo e Ressuscitado.
Ao nível da fé cristã, nós não podemos nunca ficar de consciência tranquila. Precisamos sempre de estar inquietos, porque “enquanto estanos inquietos, podemos estar tranquilos”. É como quem diz: o caminho não está terminado, “o caminho faz-se caminhando”.
A caminhar desafia-nos, exactamente, o Evangelho do III Domingo da Páscoa, do Ano A, que celebramos no passado domingo. O relato evangélico de Emaús, exclusivo de Lucas, obriga-nos a fazer aquela que pode ser considerada a mais bela viagem de doze quilómetros de toda a Escritura, entre Jerusalém e Emaús.
É fácil de ver que se trata muito mais de uma viagem intransitiva, de uma viagem interior, uma viagem no coração, uma viagem espiritual (título de um belo livro de Nicholas Sparks e Billy Mills).
Dois homens que, desiludidos, desencantados, talvez desesperados, fazem a viagem de ida, regressando às suas vidas rotineiras, depois de todos os sonhos ficarem desfeitos e mortos aos pés de uma cruz, no Monte Calvário.
O cenário começa a mudar quando chega a esta viagem um terceiro viajante. Depressa ficamos a saber que se trata de Jesus. Ele, que sempre se mete connosco, que faz caminho connosco, que se faz de convidado para o nosso caminho, mas não se faz de convidado para a nossa casa.
Com a conversa, à qual preside o terceiro viandante – conversa onde se abre o coração, onde se expressa a tristeza, onde se escuta a Palavra, desde Moisés até aos Profetas –, parece mesmo que o caminho se encurtou. E Emaús está à vista.
Jesus “finta” aqueles dois caminhantes. Faz menção de seguir, embora Ele não queira seguir. Aqui Ele tem que ser convidado a entrar. Ele provoca o convite que é uma bela oração: “Ficai connosco!”. Claro que Ele fica, entra e faz o que sempre fez: toma o pão, abençoa-o, parte-o e distribui-o. Esta é a vida de Jesus dita em gesto, dada e repartida. É assim que Ele vive. É assim que O reconhecemos. É assim que O anunciamos!
Nas paredes daquilo que se crê ser o local onde Jesus esteve com os dois discípulos de Emaús pode ler-se esta inscrição: «Todos os dias/ Te encontramos/ no caminho./ Mas muitos reconhecer-Te-ão/ apenas/ quando/ repartires connosco/ o Teu pão./ Quem sabe?/ Talvez/ no último entardecer».
Thomas S. Eliot, poeta inglês, faz esta evovação da cena: «Quem é o terceiro, que vai sempre ao teu lado? Se me ponho a contar, juntos vamos apenas eu e tu. Porém, se olho à minha frente sobre a estrada branca, vejo sempre outro que caminha ao teu lado. Quem é esse que vai sempre do outro lado?».
Ele vai sempre a nosso lado, e quer sempre entrar em nossa casa. E nós? Queremos que Ele esteja no caminho e em nós? Estamos inquietos? Ou acomodados?

Publicado no Mais Luz-Jornal da Paróquia de Águeda
com a devida vénia a D. António Couto, onde me baseio
Pe. JAC

12 de maio de 2011

Resto de Israel

Para ser o resto de Israel
é necessário descer montanhas,
segurar a manhã com a mão
e molhar o chão com o suor
do próprio corpo.

Para ser o resto de Israel
é preciso não temer,
não ter mais nada a perder,
cultivar solitário a última figueira
e dela esperar um único fruto.

Para ser o resto de Israel
é preciso e navegar nas lágrimas da última quimera desfeita,
é ter certeza que a mão que afaga jamais apedrejará.
É atender o pobre, é cuidar do ferido,
é servir a mesa do indigente, da viúva e do órfão,
e sempre que tiver feito tudo ao seu alcance,
sentir-se como um servo inútil.
(Fiz o que tinha a fazer.
Não sou o maior por causa disso.
Não me vanglorio.
Não atiro os “foguetes” e faço a festa da minha promoção!)

O resto de Israel
é como a última semente, na terra ressequida,
esperando uma gota de chuva.
É como a arca do ancião que
navegou em águas tenebrosas e
viu a criação ser quase toda
destruída e mesmo assim jamais
perder a esperança, pois ela mesma
é a esperança.

Ser o resto de Israel
é "brigar" com Deus para subir a
escada que leva ao paraíso e não
conseguindo vencer Deus, sair
ferido na coxa para sempre, e
mesmo assim não desistir.

O resto de Israel trás dentro de si a
certeza de Abraão e a liturgia de
Melquisedec.
Carrega consigo a
ternura de Maria e o medo dos
discípulos.
Tudo espera, tudo crê,
tudo conforta.
É amável, humilde e
puro. É terra e é água.
Não se assombra com dificuldades,
não teme o futuro, não se desola mais.
É a última semente da Terra.
Nela Deus vai colocar seu sopro.
Para ser o resto de Israel é preciso amar...


encontrei, li e adaptei um nadinha:
http://www.igrejanova.jor.br/Edmarabr04.pdf

7 de maio de 2011

Diante da luz me arrependo

Diante de Ti, Senhor,
Que és a luz
Coloco as minhas trevas
Para que possa iluminá-las.

Só diante de Ti que és a luz
Vejo a minha fraqueza e pequenez.

Só diante de Ti
Reconheço as minhas divisões
E as desuniões que produzo.

Mas, Tu não estás dividido!

Por isso, me arrependo
Escutando o Teu desafio.
Por isso, me abro à novidade
Do Reino que inauguras
E que és Tu mesmo,
Como Palavra doada e dada pelo Pai.

Pe. JAC

30 de abril de 2011

Às Mães: a todas sem excepção!


- às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem e riem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor; e às que choram, doridas e inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos inúmeros da sociedade violenta e desumana em que vivemos;
- às Mães ainda meninas, e às menos jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades de toda a ordem, têm a valentia de assumir uma gravidez - talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior e um Dom que não se discute e, muito menos, quando se trata de um filho seu, pequeno ser frágil e indefeso que lhe foi confiado;
- às Mães que souberam sacrificar uma talvez brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos e às que, quantas vezes precisamente por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes;
- às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, tantas vezes esquecidas de si mesmas e que hoje se sentem mais tristes e magoadas, talvez por não terem um filho que se lembre delas, de as abraçar e beijar...;
- às Mães solitárias, paradas no tempo, não visitadas, não desejadas, e hoje abandonadas num qualquer quarto, num qualquer lar, na cidade ou no campo, e que talvez não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho...;
- também às Mães que não tendo dado à luz fisicamente, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação, para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe...e finalmente, também às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam já num céu merecido e conquistado a pulso e sacrifício...
A todas as Mães, a todas sem excepção, um Abraço e um Beijo cheios de simpatia e de ternura! E Parabéns, mesmo que ninguém mais vos felicite! E Obrigado, mesmo que ninguém mais vos agradeça!

 
APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
Trav. do Possolo, 11, 3º
1350-252 Lisboa

20 de abril de 2011

Amor supremo e sublime: quarta-feira da semana santa

Sabes tudo, Senhor:
Quanto Te amo
e quanto Te traio.
Sabias desde o início, da traição de Judas
Mas nada impedes,
Deixas correr a história
Para discorrer a Palavra da Escritura
Para cumprir a vontade do Pai.

Apesar da traição, amas o traidor.

Amor supremo e sublime
sempre infinitamente mais.

Como a Judas, também a mim me amas
Mesmo conhecendo a minha fragilidade
Sempre me perdoas e esperas por mim
Sempre me escutas incondicionalmente

Como poderei agradecer
O Teu amor incondicional?

Aproveito para desejar a todos um Santo Tríduo Pascal e Santa Páscoa!

12 de abril de 2011

Ufa: ainda consegui hoje porque me "segredaram" ao ouvido!



Olá a todos os companheiros de caminhada.

Sei que as desculpas não se pedem, evitam-se!
Mas hoje sinto-me na obrigação de as pedir.

Eu sei que todos sabem da dificuldade da vida dos padres por estes dias de quaresma. E a minha não é diferente!
Entre confissões, celebrações, vista aos doentes... o tempo todo se esvai!...
Deixai que vos diga que hoje estive de manhã a confessar, a sacramentar e a celebrar Missa com doentes e idosos da Casa de Repouso, em Barrô. De tarde, estive a visitar doentes também na paróquia de Barrô. Pelas 17h, em Fermentelos a confessar dezenas de pessoas. Às 19h15, em Águeda, a presidir à Missa. Às 21h00 na igreja da Trofa a confessar durante 1h30minutos...
E só agora, (porque na Trofa alguém me segredou ao ouvido que era eu a escrever no blogue!) ao chegar a casa, para descansar de um dia muito cheio, dei conta que era mesmo o meu dia de partilhar convosco, sugerindo passos para a nossa caminhada conjunta....
Por tudo peço perdão. Sei que estive a fazer hoje e nestes dias intensos de Quaresma o que é a minha obrigação, minha missão e meu ministério! Todos compreenderão, com certeza.

Mesmo assim, não podia dormir descansado sem umas linhas de partilha para a nossa caminhada.
Volto a pedir desculpa pela minha acentuada, mas também aparente ausência. Pelo menos na minha oração não me esqueço dos meus colegas caminhantes.

E hoje partilho apenas e só mais um poema, escrito como resposta a liturgia de hoje:


Sei que és o Filho de Deus, Jesus,
E que Te fizestes homem para ensinar
Por meio da vida que levastes.
Muitos não compreenderam
Interpretaram mal
Ou não quiseram compreender
Por seres incómodo.
Hoje, quero que me faças coerente
Na vida e nas palavras.
Retira-me a hipocrisia e a falsidade
Das acções que não se coadunam com as palavras.

Quero que sejas meu ânimo
Minha bússola orientadora.

Que sejas minha força:
Tua Palavra alimento,
Tua amizade entusiasmo.
E Tu sejas sempre o meu centro.

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...