2 de dezembro de 2011

Advento 2011. Queremos ser cegos?


O Senhor virá no esplendor da sua glória
visitar o seu povo e dar-lhe a paz e a vida eterna.

Reconhecer a fragilidade e a humanidade que somos é sinal de “decência mental” e de equilíbrio pessoal.
Não podemos pensar e viver como se fossemos mais do que o que somos na realidade. Isso seria viver na fantasia e na ilusão.
Os dois cegos que pedem a Jesus a cura da sua cegueira sabem bem o que são e o que precisam.
Jesus, que passa fazendo o bem, é capaz, depois do passo da fé que exige, de curar, sarar e salvar.
Hoje devemos pedir a cura das nossas tantas cegueiras, não tanto, possivelmente, de cegueiras físicas, mas de tanta cegueira “espiritual” e opcional, que nos leva a fechar os olhos, impedindo-nos de ver Deus e os irmãos.

Hoje deveríamos todos rezar:
O Senhor é minha luz e salvação:
a quem hei-de temer?
O Senhor é protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo?

Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.

Salmo 26 (27), 1.4.13-14 (R. 1ª)

1 de dezembro de 2011

Advento 2011. Prudentes ou Insensatos?

Vós estais perto, Senhor;
a vossa palavra é caminho da verdade.
São firmes todos os vossos mandamentos.
Vós existis desde toda a eternidade.


Se a Palavra da Vida que escutamos, que é Palavra-Pessoa, Jesus Cristo, Verbo, Logos, Dabar de Deus, não se faz vida em nós, corremos sempre o risco de um dia nos dizerem “Não vos conheço”.
O critério averiguador da qualidade do nosso seguimento de Cristo é efectivamente a prática da Palavra escutada, fazendo-se vida nas nossas vidas.
Seremos prudentes ou insensatos na medida em que a Palavra de Deus se faz “luz dos nossos passos e luzeiro dos nossos caminhos”.
Estamos sempre a tempo de começar, mesmo neste começo de Dezembro.
Em Dezembro, pode cair a chuva, vir as torrentes e soprar os ventos… se a casa que somos, porque “templos do Espírito Santo”, resistir é porque estamos plena e firmemente enraizados em Cristo, e o temos como “rochedo da nossa Salvação”.
Dou graças a Deus por todos os que ouvem a Palavra e a põem em prática.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos homens.
Mais vale refugiar-se no Senhor,
do que fiar-se nos poderosos.

Abri-me as portas da justiça:
entrarei para dar graças ao Senhor.
Esta é a porta do Senhor:
os justos entrarão por ela.
Eu Vos dou graças porque me ouvistes
e fostes o meu salvador.

Senhor, salvai os vossos servos,
Senhor, dai-nos a vitória.
Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos bendizemos.
O Senhor é Deus
e fez brilhar sobre nós a sua luz.
Salmo 117 (118), 1.8-9.19-21.25-27a

30 de novembro de 2011

Advento 2011. Partilhamos ou guardamos?

Caminhando Jesus junto ao mar da Galileia,
viu dois irmãos, Pedro e André, e chamou-os, dizendo:
Vinde comigo; farei de vós pescadores de homens.


Não somos ilhas. Como tal a nossa vida não faz sentido vivida egoisticamente. O género humano realiza-se plenamente na comunhão, nunca na solidão.
Como cristãos, também não existimos isoladamente e a vivência nossa fé passa por um permanente “apontar” Cristo aos homens e mulheres do nosso tempo, que caminham ao nosso lado nesta “aldeia global”.
André, irmão de Simão Pedro. Hoje olhamos este Apóstolo, escolhido por Jesus. Tocado no mais profundo do seu ser, foi capaz de não querer Cristo só para si. Quis partilhar Cristo, quis levar Pedro, seu irmão, à mesma experiência do encontro.
E nós: partilhamos ou guardamos?

29 de novembro de 2011

Advento 2011. Senhor eu espero em Vós!


O Senhor virá com todos os seus Santos.
Naquele dia brilhará uma grande luz.

A esperança cristã é a virtude que nos faz crer que no fim as coisas farão sentido!
Há muitas sombras, tempestades, nuvens a obscurecer a claridade da presença de Deus em nós..
Mas, somos privilegiados, nós, cristãos, porque temos derramado em nossos corações o Espírito Santo.
É por Ele que podemos rezar.
Somos felizes, mesmo não vendo e palpando Deus, quando somos capazes de mostrar e irradiar a sua presença a todas as pessoas.
Somos felizes porque cremos que o sonho de um mundo justo e harmónico se concretiza na vinda do Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso irmão e amigo.

28 de novembro de 2011

Advento: Senhor eu não sou digno!... mas confio!



"Ouvi, ó povos, a palavra do Senhor
e proclamai-a até aos confins da terra.
Não temais.
Deus vem salvar-nos".


2.ª feira da Primeira Semana do Advento

Não é fácil equilibrarmos a balança da vida da família nestes tempos em que a carga de negatividade das coisas parece, e é, tão pesada e insuportável.
Crise, cortes, aperto...
Tristeza, desespero e desesperanças...
Parece carga a mais, um jugo insuportável.

Revestir esta nossa vida e este nosso tempo de alegria, de confiança, da fé, que assenta na certeza da presença de Deus em todos os nossos momentos, é tarefa a empreendermos.
E o Advento serve plenamente para isso.
Vamos com alegria ao encontro do Senhor que já nos encontrou e nos amou em primeiro lugar. Sabemos o que somos? Senhor eu não sou digno que entres na minha morada, mas diz, porque basta a tua Palavra!
Deus, em Jesus, vem de novo e surpreende-nos mas é na surpresa do Seu Encontro que me encontro comigo mesmo.

26 de novembro de 2011

Primeiro Domingo do Advento: Vigiar!

Estai alerta; Vigiai!
Não sabeis a hora nem o momento…  

"Para Vós, Senhor, elevo a minha alma.
Meu Deus, em Vós confio.
Não seja confundido nem de mim escarneçam os inimigos.
Não serão confundidos os que esperam em Vós".

Há palavras que o tempo vai desgastando e deixando de utilizar.
Outras há que o tempo vai valorizando e trazendo à ribalta das nossas vidas!
Vigilância!
Eis a que agora se valoriza por mais um tempo de Advento que nos é dado como graça, com dom e tesouro.
Vinde Senhor Jesus!
Vinde visitar esta vinha,
Protegei a cepa que plantastes
E entendei a vossa mão misericordiosa sobre nós.
Fazei-nos viver!
Maranatha!

Para rezar:
Senhor, pedes-nos que vigiemos, que estejamos alerta e
que demos testemunho de Amor e, no entanto, quantos de
nós estamos cegos e surdos, adormecidos e quietos.
Que o Advento que agora iniciamos, nos leve a um
compromisso que seja pequeno, possível e para fazer aos poucos:
Ouvir a Tua voz! Queremos ouvir a Tua voz!
Que o nosso lar esteja rodeado de Amor para melhor
acolhermos o Salvador que nasce!

(Caminhada Advento-Natal. Diocese de Aveiro)

Advento 2011. "Caroços de azeitonas" para o caminho


Advento
Tempo de graça.
Oportunidade.
Tempo para recentrar a vida no essencial,
Tempo para voltar o coração para Deus.
Tempo de (re)começo!
Tempo para preparar...
Deus Vem! 
Ao ler "Caroço de Azeitona" percebi como Erri de Luca, um não crente, marca a sua vida pela leitura de um "punhado" de versículos bíblicos, em hebraico, ao que ele chama "um caroço de azeitona", que fica a remoer na mente durante esse dia.
Aprendi a licção.
Neste tempo de Advento que começa proponho-me fazê-lo para mim, em primeiro, e a partilhá-lo. Retomo com a frequência diária o meu blogue para aqui colocar um "punhado de ideias", a partir da Palavra, para ficar como "caroço de azeitona, a remoer quem quiser...
Faço-o com a devida ligação à Caminhada de Advento-Natal 2011-2012, proposta pela Vigararia da Educação Cristã, da Diocese de Aveiro, com o lema "Família, Esperança e Dom!


 

5 de novembro de 2011

Iluminados pela Palavra, aprendemos a prudência


1. Caminhamos, em passo acelerado, para o terminus do ano litúrgico. Ficamos, agora, com dois domingos para celebrar, sabendo que a solenidade de Cristo Rei encerra o nosso ano litúrgico, abrindo-se logo à nossa frente as portas de mais um advento, como propedêutica do Natal do Senhor. Porque vamos caminhando para esse fim do ano, a liturgia da Igreja começa desde já a preparar a nossa mente e o nosso coração para a necessidade da vigilância, tendo em conta a segunda vinda do Senhor Jesus que está no horizonte final da história humana.

2. Essa é, aliás, a mensagem essencial do Evangelho de Mateus, que ouvimos proclamar e que, ao contrário de Marcos - que apresenta os sinais que precedem a destruição do Templo de Jerusalém -, nos elucida acerca do modo como devemos esperar, em constante vigilância, e como nos devemos preparar para essa segunda vinda de Jesus Cristo.

3.O cenário proposto pelo evangelista, ao escrever a parábola de Jesus, é o de um casamento judaico tradicional, imagem tão querida em toda a Escritura, para se referir à vinda do Messias. É a partir desta sugestiva imagem do banquete (que ainda há poucos domingos a liturgia nos propunha à reflexão) que Jesus nos quer ensinar, sempre com a habitual paciência, que podemos escolher como lema da nossa vida: Sempre Alerta!

4. Para melhor entendermos esta Palavra, importa dizer que a tradição judaica do casamento impunha que, no último dia da festa, o noivo, juntamente com os seus amigos, formasse um cortejo que, depois do sol posto, e à luz de candeias, fosse a casa da noiva, que acompanhada das suas amigas, aguardava, jubilosa, a chegada desse luminoso e ruidoso cortejo. Aí chegados, a noiva abandonava a sua casa, com as suas companheiras, e todos formavam um só cortejo rumo, de novo, à casa do noivo. Fechada a porta iniciava o banquete nupcial.

5. Esta história proposta por Jesus tem uma intenção escatológica (falar das realidades últimas da história humana), alertando-nos para a necessidade de estarmos prontos e preparados para participar nesse banquete festivo, no momento em que Ele vier ao nosso encontro para fazer festa do Encontro, face-a-face, daqueles que sempre se buscaram e se amaram.

6. Reparemos que, nesta parábola, as "virgens insensatas" acabam excluídas do festim porque facilmente percebemos que elas não primaram na preparação e não vigiaram suficientemente. Reparamos até que no adormecer e no dormitar, enquanto esperam o esposo atrasado, "prudentes" e "insensatas" são semelhantes; mas, na preparação prévia para a recepção e o acolhimento do esposo, elas são bem diferentes. E aí está a questão. Não teremos parte na Festa que Deus nos prepara se não estivermos vigilantes e preparados.

7. É inultrapassável que, ao lermos este texto, a nossa mente não vá até outro episódio do Evangelho de Mateus. No capítulo 7, lê-se: “Nem todo aquele que me diz “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsamos demónios, e em teu nome que fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci". (7, 21-23). Logo a seguir a este episódio conta-se a história do homem prudente que edifica a casa sobre a rocha e do insensato que constrói em cima da areia.

8. Afinal, os prudentes são os que, iluminados pela Palavra de Deus, que é a rocha e o apoio firme, estão vigilantes, atentos e alerta, pondo em prática a Palavra; os insensatos são os que até recebem a Palavra de Deus, mas adormecem “à sombra da bananeira”, não vigiam e descuidam a necessária prática da Palavra escutada. Faz a vontade de Deus aquele que pratica a Palavra ensinada pelo Filho que é, Ele mesmo, a Palavra, o Verbo, o Logos, o Dabar divino. Estes terão lugar nesse banquete festivo que Deus põe continuamente à nossa disposição.

9. Hoje, a partir da primeira leitura, podemos e devemos pedir o dom da Sabedoria. Dá-nos, Senhor, a Tua sabedoria, para discernirmos o que é bom e agradável. Assim estaremos despertos e aprenderemos a prudência. Assim entraremos no banquete da Tua vida abundante, na festa do encontro dos que Te amam e buscam.

2 de novembro de 2011

Memória dos mortos. Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos


Ontem, na celebração da festa da comunhão dos santos, contemplámos a Jerusalém celeste, esposa do Cordeiro, bela, sem mancha nem ruga porque santificada pelo Senhor (cf. Ef 5, 27; Ap, 21, 2); hoje somos convidados pela Igreja a fazer memória dos mortos. Festa de todos os santos e memória dos mortos são uma única grande festa em que se vive o mistério da glória e o mistério da cruz, o mistério da vida eterna em Deus e o mistério da morte na fé: Cristo ressuscitado conduz os mortos para o rio da vida da comunhão dos santos.
O cristão, por vocação, morre com Cristo (cf. Rom 6, 8) e com Cristo é sepultado (cf. Rom 6, 4) na Sua morte e, quando morre, leva à plenitude a obediência de criatura e em Cristo é transfigurado e ressuscitado pelas energias de vida eterna do Espírito Santo. É nesta consciência, nesta visão que nasce da fé, que a morte acaba por ser irmã – como era definida por S. Francisco de Assis – para se transfigurar num acto em que se restitui a Deus, por amor e na liberdade, aquilo que Ele nos deu: a vida e a comunhão. Por isso, a Igreja da terra, recordando os fiéis defuntos, une-se à Igreja do céu e, numa grande intercessão, invoca a misericórdia pelos que morreram e está diante de Deus para lhe prestar contas de todas as suas obras (cf. Ap 20, 12).
O texto do Evangelho de S. João recorda-nos palavras de Jesus que ressoam como uma promessa que pode ser repetida ao nosso coração para vencer a tristeza e o temor. Jesus disse: «Quem vier a Mim, eu não o rejeitarei». O cristão é aquele que vai ao encontro de Cristo, em cada dia, mesmo se a sua vida está marcada pelo pecado e pela queda; é aquele que se afasta e regressa, que cai e se levanta, que retoma com confiança o caminho do seguimento de Cristo. E Jesus não o rejeita; pelo contrário, abraçando-o no seu amor oferece-lhe o perdão dos pecados e condu-lo definitivamente à vida eterna: Esta é a vontade de meu Pai: que quem acredita no Filho tenha a vida eterna (cf. Jo 3, 16.36). Por isso é que S. Paulo escreveu: «o dom gratuito que vem de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Rm 6, 23).
A memória dos mortos é, portanto, para os cristãos uma grande celebração da fé na ressurreição e na vida eterna: aquilo que é confessado e cantado na celebração das exéquias, é reproposto num único dia, para todos os mortos. A morte não é mais a última realidade para os homens; os que morreram, indo ao encontro de Cristo, não são por Ele rejeitados, mas ressuscitados para a vida eterna, a vida para sempre com Ele, o Ressuscitado-Vivente. A morte é verdadeiramente uma passagem, uma Páscoa, um êxodo deste mundo para o Pai: para os crentes não se trata de um enigma, mas de um mistério, porque está inscrito, de uma vez para sempre, na morte de Jesus, o Filho de Deus que soube fazer da sua morte um autêntico e total acto de entrega e oferta ao Pai. E assim também nós hoje somos chamados a interrogarmo-nos sobre a fé na nossa ressurreição, da qual Cristo é penhor e fundamento, recordando as palavras paradoxais do apóstolo Paulo: se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou (1 Cor 15, 16). Às vezes parece mais difícil acreditar na nossa ressurreição do que na ressurreição de Cristo.
Escreveu S. João na sua 1ª Carta: «Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos» (1 Jo 3, 14), palavras que constituem um comentário, fruto de grande inteligência espiritual, a uma outra afirmação de Jesus: «quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não é sujeito a julgamento, mas passou da morte para a vida» (Jo 5, 24). É exactamente assim: se os cristãos não amam os irmãos, ficam prisioneiros da morte; pelo contrário, amando mostram que estão mortos para si próprios e vivos em Cristo, vivos da vida de Deus semeada neles. Sim, quem vive cada dia neste amor, faz a experiência de ser vencedor da morte, de passar já da morte para a vida, porque o «amor é mais forte do que a morte» (Ct 8,6).

31 de outubro de 2011

No trilho da felicidade. Rumo à santidade!

Acertada contradição!

Palavra contraditória!
Quem a pode escutar, ó Cristo?
Como podes querer que Te sigamos
Se estamos tão longe da tua lógica.

Pois, é verdade, e já quase me esquecia.
A tua lógica não tem lógica.
A tua lógica supera sempre a própria lógica.

Então, são felizes os pobres em espírito
Quando meio mundo anda atrás do euromilhões
E outra metade atrás de riquezas e “jackpots”?

São felizes os mansos 
Quando na sociedade os fortes é que vingam?

São felizes os que choram, ó Cristo?
Como é possível se todos buscam o bem-estar, o riso, a comédia...
E ninguém quer ouvir falar de dor, de sofrimento e de privação?

Dizes que são felizes os que anseiam cumprir a vontade de Deus 
e o mundo toma como lei maior a não dependência de preconceitos velhos 
ou de qualquer autoridade?

Como podes apontar a felicidade dos misericordiosos 
quando já ninguém se comove com a miséria e o sofrimento dos outros? 

Ó Cristo, que palavra lancinante e aguda é esta que nos envias como espada!

Ainda dizes que são felizes os puros e os sinceros de coração 
e a sociedade e os tribunais estão entupidos de casos de corrupção, 
de mesquinhez, de mentira e de esquemas e favorecimentos.

Para ti, os que constroem a paz são felizes, 
mas o mundo está cheio de guerra, de lutas, de oposições. 
Parece que só pela força e pela violência se vence e se singra. 

E como entender que quem é perseguido pode ser feliz 
quando o mundo apregoa a liberdade total, a ausência de autoridade 
e a presença nos jogos de poder 
já que só com esses se pode subir na vida?

É mesmo uma palavra inaudível!
Não a consigo escutar sem me arrepiar!

O nosso mundo parece provar que é utópica, sem lugar concretizável.

O que me pedes e a todos é um coração pobre.
Só um coração pobre está disponível para seguir o trilho e o roteiro das bem-aventuranças.

Quero comprometer-me de novo e uma vez mais a encetá-lo 
Mesmo sabendo que vou contra-corrente.

Vou atrás daquele – Cristo – que ousou ir por outro lado, ousou ser diferente.

Vou com Ele e sou feliz
A caminho da santidade.

Pe. JAC
Todos os Santos

29 de outubro de 2011

Dizer e fazer: Eis a questão!


1. A Palavra de Deus, neste 31.º domingo comum, alerta-nos para a importância do ser, da harmonia entre o dizer e o fazer, da coerência entre o ensino e a vida. Hoje, Jesus, na continuação da luta estabelecida com as "cabeças pensantes" do seu tempo, denuncia os «mestres da suspeita», os que dizem mas não fazem. Os que se sentam na cadeira, como Mestres e Doutores, mas não gozam da autoridade como testemunhas fiáveis e credíveis. Podem ser escutados, mas não devem ser seguidos. São bons instrutores. Mas péssimos educadores. São bem-falantes, mas maus praticantes. É uma denúncia veemente, uma crítica dura que visa sobretudo a classe religiosa e sacerdotal, se quisermos, a classe dirigente, mas que nos atinge a todos. Em última instância, esta palavra leva a ver com que linhas nos cosemos.

2. Jesus fala com a habitual indignação profética. Para todos os tempos, e em especial para o que nos é dado viver. Desafio muito directo aos que, na comunidade cristã, temos a missão da animação, da educação e do ensino. Sim! Desafio, em primeiro, aos bispos, aos padres e diáconos, mas aberto a todos os crentes, em geral, desafiados à humildade e ao serviço como opção e como estilo de vida.

3. No evangelho que ouvimos proclamar, Jesus "puxa as orelhas":
a) aos que não fazem o que dizem. O nosso maior pecado é a incoerência. Não vivemos o que dizemos. A nossa conduta desacredita-nos. Às vezes, tantas se calhar, guiamo-nos pelo dito "se não os podes vencer junta-te a eles".  Os cristãos, esquecemos facilmente que o nosso exemplo de vida mais evangélico será motor de transformação do nosso mundo e do nosso tempo.
b) aos que atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos outros, mas eles nem com o dedo os querem mover. É bem certo. Com frequência, somos exigentes e severos com os outros, mas sempre muito compreensivos e indulgentes connosco. O que exigimos aos outros não o imaginamos sequer para nós...
c) aos que fazem as coisas para serem vistos pelos homens. Não podemos negar que é muito fácil viver pendentes e dependentes da nossa imagem, procurando quase sempre “ficar bem” perante os outros. Nunca como nos nossos dias se cultivou tanto a cultura da aparência. Nunca se usaram tantas máscaras. Estamos sempre mais atentos ao nosso prestígio pessoal e bem estar...
d) aos que gostam do primeiro lugar nos banquetes e dos primeiros assentos nas sinagogas, das saudações nas praças públicas. Dá-nos vergonha confessá-lo, mas gostamos tanto destas honrarias. Procuramos ser tratados de forma especial. Queremos que nos tratem com critérios diferentes dos usados para a "plebe"...
e) aos que se  deixam tratar por ‘Mestres’… e doutores. O mandato evangélico não pode ser mais claro: renunciemos aos títulos para não fazermos sombra a Cristo; orientemos apenas e só a atenção apenas para Ele.

4. Esta palavra desafiadora de Jesus pode ligar-se perfeitamente à educação das gerações mais jovens, dos filhos, com todas as problemáticas que lhe estão inerentes, e que vamos assistindo. Mas, o que não pode sociedade nenhuma esquecer é que «a autoridade do mestre, em educação, passa mais pelo que ele vive e faz e não só pelo que diz. O testemunho da vida é a forma simples e espontânea de irradiar valores e a credencial das palavras que se comunicam» (CEP, Educação, 14).

5. Não podemos ficar com a ilusão de que darmos uma boa educação, simplesmente pelo facto de ocuparmos os filhos em muitas aprendizagens, da natação ao desporto, da catequese à informática, do balet ao que quer que seja. Não durmamos descansados, só porque entregamos os filhos a instituições de suposta ou reconhecida qualidade. Não nos tranquilizemos, simplesmente porque ainda mandamos bem e temos mão nos filhos. Tudo isso é pouco ou quase nada. Se pai e a mãe não oferecerem, como verdadeira família, um ambiente animado pelo amor e firmado pelo testemunho. Sem essa atmosfera, sem esse clima não há educação. E o trabalho do professor, do padre e do catequista, de qualquer educador, estará seriamente comprometido.

6. Este aviso, quase "puxão de orelhas, que nos brota da palavra proclamada é para ser levado a sério, por todos. Com a paciência do costume, Jesus vai-nos educando a mente e o coração, para sermos melhores discípulos. Aprendamos Dele e com Ele. A coerência, a simplicidade, a verdade, a honestidade, o testemunho, por palavras e obras, é, talvez, o maior e mais urgente desafio aos que nos dizemos e somos, afectiva e efectivamente, cristãos neste tempo.

7. Aos que nos alimentamos da Palavra e do Pão da Eucaristia não esqueçamos uma regra de ouro: “crê o que lês, ensina o que crês, vive o que ensinas». Só assim seremos discípulos verdadeiros de Jesus Cristo.


Pe. JAC

24 de outubro de 2011

Um coração que não cabe no peito!

Um coração que não cabe no peito!
30.º domingo comum. Ano A

1.Celebramos o 30.º domingo do Tempo Comum e, cumulativamente, o Dia Mundial das Missões. Na Mensagem escrita para este dia, Bento XVI diz que a missão e a evangelização são dimensões essenciais da Igreja e tarefas urgentes, num tempo e num mundo cada vez mais secularizado que faz com que muitas pessoas vivam como se Deus não existisse. «O Evangelho não é uma propriedade exclusiva de quem o recebeu, mas um dom a ser partilhado e comunicado", escreve o Papa, reiterando a ideia de que todo o baptizado é missionário no seu meio e ambiente.

2.Ao ritmo da nossa liturgia semanal, neste esforço semanal de irmos aprendendo com Jesus, a sermos missionários e os discípulos que Ele quer que sejamos, somos confrontados com uma das questões mais fundamentais e centrais para a vivência prática da nossa fé. Qual é, afinal de contas, o mandamento maior pelo qual devemos reger a nossa conduta e a nossa acção?

3. Mergulhemos neste Evangelho, onde se reflecte a continuada “perseguição” dos grupos religiosos do velho Israel a Jesus. Reparemos que, da política ao catecismo, os fariseus continuam a experimentar Jesus em todas as matérias. Eles querem mesmo “fazer-lhe a folha!”. Passamos da questão fiscal (do imposto e do tributo a César, que ouvimos na semana passada), ao problema moral (da lei que deve reger a vida do crente). Agora a dúvida é sobre os mandamentos da Lei de Deus! E é pressuposto que o “Mestre Jesus” tenha uma resposta clara.

4.«Qual é o maior mandamento da Lei de Deus»? - perguntou um doutor da lei a Jesus. Convenhamos, e até entendemos, que numa floresta quase impenetrável de obrigações e proibições da Torá (composta por 613 preceitos), a que o judeu piedoso se obrigava todos os dias, era difícil saber por que mandamento começar, qual deles tinha a primazia e precedência. A pergunta sobre o maior mandamento era no fundo a pergunta sobre «qual mandamento, que, uma vez cumprido, garantia prática de todos os outros»?!

5. Se repararmos com atenção, na resposta de Jesus, não há lá palavras novas. Jesus serve-se de dois textos já muito conhecidos dos velhos livros da Lei do Antigo Testamento. O primeiro, do livro de Deuteronómio, falava-nos do «amar a Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente» (Dt.6,4-5), pondo de parte um amor apenas sentimental ou religioso, para fazer deste amor a Deus uma entrega pessoal e total. O segundo texto, do livro do Levítico, referia-se a «amar o próximo como a si mesmo» (Lev.19,18), fazendo deste amor o critério de verdade do amor a Deus. Onde está então a novidade do ensinamento de Jesus? O que acrescentou Jesus, de novo, àquilo que já sabia o fariseus? A novidade da resposta, poderia resumir-se em dois sentidos:

6. Primeiro, Jesus tira-nos a ilusão religiosa ou sentimental de alguma vez podermos amar a Deus… não amando o próximo. «Os seus discípulos nunca poderão separar estes dois amores. Tal como, numa árvore, não se podem separar as raízes da sua copa: quanto mais amarem a Deus, mais intensificam o amor aos irmãos e às irmãs; quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, mais aprofundam o amor a Deus», nas palavras de Chiara Lubich.

7.Por vezes, enganamo-nos, imaginando que é tão grande o nosso sentimento de amor a Deus, ainda que, no fundo do coração, as nossas relações com determinada(s) pessoa(s), possam não ser tão boas e perfeitas como isso. Jesus não nos permite esta veleidade ou “esquizofrenia espiritual”: de pensarmos que podemos amar a Deus, não amando realmente o irmão. São João denunciou esta mentira «piedosa» anos mais tarde, dizendo: «como podes tu dizer que amas a Deus, que não vês, se não amas o teu irmão que vês» (I Jo.4,20)?

8.Em segundo lugar, a novidade da resposta de Jesus, faz-nos ver que, de facto, não temos, dois corações, nem dois tempos, nem dois amores, para amar, tal como pensavam os fariseus. O amor a Deus e o amor do próximo têm uma mesma e única fonte: o amor de Deus. Nós podemos amá-Lo, «porque foi Ele que nos amou primeiro» (I Jo.4,10): o amor que nos é pedido é uma resposta ao Amor, que nos é dado como prenda ou presente. É pela graça deste único amor de Deus, que amamos a Deus e ao próximo. E este amor é único e simultâneo: não há um tempo agora para amar a Deus (uma hora na missa, dez minutos de silêncio ou oração, uma leitura orante da Bíblia…) e outro para amar o próximo (visitar um doente, conversar com um amigo, dar um punhado de horas em voluntariado ou num serviço à comunidade). O amor de Deus é indiviso e simultaneamente nos coloca em relação com Ele e com os irmãos.

9. A pergunta decisiva e inultrapassável que temos a fazer é: se sinto o meu coração dividido, porque estou muito pronto e generoso para amar a Deus, e tão lento e reservado para amar determinada pessoa, o que devo fazer? Só há uma forma de curar esta doença de ilusão de óptica espiritual ou esquizofrenia: a conversão. É a conversão permanente que me leva a reconhecer nesta incapacidade de amar o outro o sintoma da minha resistência a ser amado por Deus. E chagado aí, resta-nos suplicar, de joelhos, diante de Deus: «Senhor, converte-me ao teu amor» e, depois, colocar-me de pé diante dos Homens, em posição de serviço e de atenção. É de Deus que recebemos este mandamento: «quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (I Jo.4,21).

10.Oxalá, caros irmãos, possamos ser missionários e testemunhas deste Único Amor de Deus que abraça a todos e nos impele, simplesmente, a amar.

Pe. JAC

19 de outubro de 2011

Caminho da Missão. Outubro Missionário

 

És Tu, Senhor, o clarão da tarde,
A notícia, a carícia, a Ressurreição.
Passa outra vez, Senhor, dá-nos a mão,
Levanta-nos,
Não nos deixes ociosos nas praças,
Sentados à beira dos caminhos,
Sonolentos, desavindos,
A remendar bolsas e redes.
Envia-nos, Senhor, e partiremos e pão
Juntos no caminho da missão.

D. António Couto

14 de outubro de 2011

“Caroço de Azeitona” de Erri de Luca

“Caroço de Azeitona” não parece muito o título de um livro donde brota a “fé” de um não crente, alguém que não tem a graça e o dom de acreditar. Mas é! Da autoria de Erri de Luca, escritor e poeta italiano, é um livro pequeno mas profundo, em muitas partes difícil de ler e de compreender. É composto por um certo percurso bíblico com passagens quer do Antigo quer do Novo Testamento, e donde brota, para mim, em especial, a frescura do fundo de um sepulcro, onde está Cristo vivo.
Leitor assíduo das Sagradas Escrituras, Erri de Luca procura a originalidade da Palavra na profundidade das palavras bíblicas donde, segundo ele, “descende toda a nossa civilização religiosa”. Tem contribuído para desmascarar o que considera ser, em muitos casos, “péssimas traduções da Escritura”. E este texto é bom exemplo disso mesmo.
Alguém que começa as suas manhãs a ler a Bíblia, no texto original, donde retira o que diz ser um punhado de versículos para que o seu dia tenha um fio condutor. É esse punhado, um “penhor de palavras duras, um caroço de azeitona para andar a girar na boca”. E este homem é não crente! Diz ele, pelo menos.

Pe. JAC
In Correio do Vouga

12 de outubro de 2011

Troquemos o instante pelo eterno!

Troquemos o instante pelo eterno
Sigamos o caminho de Jesus.
A primavera vem depois do inverno;
A alegria virá depois da Cruz!

Passa o tempo, e, com ele, as nossas vidas;
Tal como passa o bem, passa a desgraça.
Passam todas as coisas conhecidas...
Só o Nome de Deus é que não passa.

Farei da fé, vivida cada dia,
A luz interior que me conduz
À luz de Deus, da paz e da alegria,
À luz da glória, à Luz da Luz!

Hino de Hora Intermédia, da Liturgia das Horas

7 de outubro de 2011

Hoje é dia de Nossa Senhora do Rosário. Aprender na escola de Maria a ser discípulo de Jesus Cristo.
Partilho e rezo:

Sobre a morte de Maria

I

O mesmo grande Anjo que outrora
lhe trouxera a mensagem da conceção,
ali estava, aguardando a sua atenção,
e disse: o tempo do teu aparecimento é agora.
E ela perturbou-se como antes e mostrou
ser de novo a serva, assentindo profundamente.
Mas ele irradiava e, aproximando-se infinitamente,
desapareceu como que no rosto dela e mandou
aos Apóstolos que se tinham afastado
que se juntassem na casa da encosta,
a casa da Ceia derradeira. Eles vieram a passo pesado
e entraram cheios de temor: ali se encontrava posta
sobre estreito leito, aquela que tinha mergulhado
misteriosamente no declínio e na eleição,
imaculada, como criatura de indiviso coração,
escutando o coro angelical com ar maravilhado.
Então, quando os viu atrás das suas velas,
expectantes, arrancou-se ao excesso de harmonia
das vozes e ofereceu-lhes ainda as duas vestes belas,
de todo o coração, as únicas que possuía,
e ergueu a sua face para este aqui e aquele além...
(Ó fonte de inomináveis lágrimas em caudais!)

Mas ela reclinou-se nos seus requebros finais
e atraiu os céus para tão perto de Jerusalém
que a sua alma, ao escapar,
apenas teve de um pouco se elevar:
e já a levava Aquele que tudo dela sabia
para a Natureza divina a que ela pertencia.

II

Quem poderia pensar que até à sua chegada
o vasto Céu imperfeito era?
O Ressuscitado ocupara a sua morada,
porém a seu lado, havia vinte e quatro anos, estivera
um trono vazio. E todos já começavam
a habituar-se à pura ausência
que estava como que fechada, pois a ofuscavam
os raios de luz do Filho em permanência.

E assim ela também, ao entrar no Céu naquele dia,
não se dirigiu a Ele, por muito que o desejasse;
ali não havia ligar, só Ele lá se encontrava e resplandecia
numa claridade que a ela lhe doía.
Porém, como agora essa figura comovente
aos bem-aventurados se juntasse
e discretamente, luz na liz, um lugar viesse ocupar,
expandu-se então do seu ser um brilho incandescente
de tal intensidade que o Anjo que ela estava a iluminar
gritou, ofuscado: quem é esta?
Houve um silêncio de espanto. Depois todos viram em festa
Deus Pai nas alturas Nosso Senhor deter
de modo a, envolto na luz do amanhecer,
o lugar vazio, como um pouco de compunção,
se mostrar, uma réstia de solidão
como algo que ainda suportava, um nada
de tempo terreno, uma cicatriz sarada.
Olharam para ela: o seu olhar com receio aí pousou,
profundamente inclinado, como se sentisse: eu sou
a sua dor mais longa; e, de súbito, caiu para diante.
Mas os Anjos consigo a tomaram
e a apoiaram e cantaram de felicidade exultante
e a elevaram e no lugar cimeiro a colocaram.

III

Porém, diante do Apóstolo Tomé, chegado
já demasiado tarde, apareceu
o rápido Anjo, há muito para tal compenetrado,
e junto ao lugar da sepultura a ordem deu:

afasta a pedra para o lado. Queres saber
onde está aquela que comove o teu coração?
Vê: como almofada de alfazema, a jazer
se encontrou ali, em breve posição,
para que a Terra tivesse o seu odor
nas dobras, como um pano raro.
Tudo o que está morto (tu o sentes), toda a dor
Estão envoltos no seu aroma claro.

Olha para a mortalha: onde está a brancura
que a torne mais deslumbrante, sem a alterar?
A luz que emana desta morta pura
mais a iluminou do que a luz solar.

Não te admiras de quão suavemente lhe escapou?
Quase como se ela ainda aí estivesse, nada saiu do lugar.
Porém todo o Céu nas alturas se agitou:
Homem, ajoelha-te, segue-me com o olhar e começa a cantar.

Rainer Maria Rilke

3 de outubro de 2011

Bom samaritano: quem é o meu próximo?

Evangelho segundo S. Lucas 10,25-37.

Naquele tempo, levantou-se um doutor da Lei e perguntou a Jesus para O experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?»
Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?»
O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.»
Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.»
Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?»
Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando o meio morto.
Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo.
Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo:'Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.'
Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»
Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»


A parábola do bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37) leva a dois esclarecimentos importantes. Enquanto o conceito de « próximo », até então, se referia essencialmente aos concidadãos e aos estrangeiros que se tinham estabelecido na terra de Israel, ou seja, à comunidade solidária de um país e de um povo, agora este limite é abolido. Qualquer um que necessite de mim e eu possa ajudá-lo, é o meu próximo. O conceito de próximo fica universalizado, sem deixar todavia de ser concreto. Apesar da sua extensão a todos os homens, não se reduz à expressão de um amor genérico e abstracto, em si mesmo pouco comprometedor, mas requer o meu empenho prático aqui e agora. Continua a ser tarefa da Igreja interpretar sempre de novo esta ligação entre distante e próximo na vida prática dos seus membros. É preciso, enfim, recordar de modo particular a grande parábola do Juízo final (cf. Mt 25, 31-46), onde o amor se torna o critério para a decisão definitiva sobre o valor ou a inutilidade duma vida humana. Jesus identifica-Se com os necessitados: famintos, sedentos, forasteiros, nus, enfermos, encarcerados. « Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes » (Mt 25, 40). Amor a Deus e amor ao próximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o próprio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus.

Bento XVI, Deus caritas est, 

De joelhos

Relendo os textos de Rina Risitano, sobre a arte de Sieger Köder:

"De joelhos.
O choro e o pecado do mundo pesam sobre ti - sustentáculo do Universo.
A escuridão e o horror precipitam-se sobre a trave da tua Cruz - o implacável e cruel juiz, os corpos atormentados das vítimas da violência e dos vícios: o pecado do mundo.
De joelhos.
O teu corpo, ó Vivente, manchado de sangue...
O teu braço direito em tensão, firme, estendido, sólido - como baluarte.
A mão direita firmemente assente sobre a pedra dura - dando apoio, segurança...
A cabeça inclinada sobre o coração, fonte da tua força.
Determinado como estás a não perder nenhum dos teus pequeninos que te foram confiados.
Tu, a pedra angular.
Tu, o pilar do Universo.
Tu carregas-nos a todos!"

1 de outubro de 2011

Onde estão os nossos frutos?

A liturgia do XXVII domingo do tempo comum põe-nos a pensar na nossa vida, com rectidão e seriedade. Trata-se de um esforço por percebermos como é que estamos a viver...
Tratados com mil cuidados por Deus, tal com escutamos na descrição feita pelo poeta-profeta, que frutos produzimos na nossa vida? Deus não nos condena, em circunstância nenhuma, mas deseja e espera de todos frutos de paz, justiça, bondade, fidelidade, mansidão e compreensão. Que cada um meta a mão à consciencia... Há caminho à nossa frente para arrepiarmos, corajosos!

26 de setembro de 2011

É preciso mais do que palavras! (última homilia na Igreja de Águeda-UPA)



1. Irmãos e irmãs: palavra recta e directa de Jesus: “Os publicanos e as mulheres de má vida irão adiante de vós para o Reino de Deus”! Desafio para nós ouvi-la hoje. Em Jerusalém, o Mestre enfrenta a resistência organizada da classe religiosa do velho Israel. É uma espécie de raça eleita, gente fina e segura, acomodada e envelhecida nas cadeiras do poder. São os príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo, perfeitos profissionais da religião. São os que dizem e rezam «àmens», cheios de devoção. São estes que agora recusam acolher Jesus. Perseguem-nO, com medo da sua Palavra, espada afiada que os fere de morte. Seguros do seu passado, não querem mudar as regras de jogo. Tornam-se insensíveis a qualquer apelo de mudança, fechados à novidade, indispostos à conversão... O seu passado de glória vê-se agora transformado em risco de perdição.
2. Na parábola, Jesus adverte para o risco de passarmos a vida a dizer «sim, senhor», mas quando chega a hora de dar a cara e «arregaçar» as mangas, encontrarmos sempre razões para dizer «não». Os líderes religiosos do Povo de Israel, representados no segundo filho, sempre disseram «àmen» a tudo e a todos, mas recusam dar o «sim» àquele que o Pai enviou. Para estes, a palavra dada reduz-se a um discurso de circunstância, a invocar, três vezes ao dia, o santo nome de Deus em vão! Estes ficam para trás... no caminho do Reino.
3. Adiante destes, do outro lado da margem, estão os pecadores. Os desgraçados, os filhos perdidos, as vítimas do poder e do pecado de todos: entre eles, os publicanos e as mulheres de má vida. Esses tais que nem rezavam «àmens» e carregavam o peso de um passado ferido de miséria. Esses não tinham nada a perder. Acolheram o grito de mudança, proclamado por João Baptista, e entregaram-se à causa de Jesus. Arrependidos, encontram a força da sua liberdade e vão à frente… no caminho do Reino.
4. Vão adiante porque a sua miséria não é sinónimo de podridão e a sua rebeldia não se confunde com a desobediência. Vão adiante porque a sua fidelidade não se cumpre por desafecto e porque deixam para trás um passado que se abate... e não presumem garantido o seu futuro. Vão adiante porque há neles uma dignidade que se esconde por trás do pecado... enquanto noutros há o pecado que se esconde sob a capa de uma dignidade (eclesiástica, política, social...). Sim, meus amigos, “os publicanos e as mulheres de má vida irão adiante de [NÓS] para o Reino de Deus”! Jesus sabe e conhece a amargura das suas vidas, a concentração do vício alheio a minar-lhes o coração. Ele não teme nem as palavras nem os gestos de acolhimento... Vão adiante porque a sua grandeza de alma, dorida e limpa, é maior do que a pacatez de espírito daqueles praticantes profissionais da religião tradicional. Vão adiante, as mulheres de má vida, não pelo pecado cometido, mas pelo desejo de mudança. Vão adiante porque, ao apelo de conversão, acreditaram e mudaram de vida e porque arrepiaram caminho ao escutar a parábola, revendo-se no primeiro filho, acabando por assentir não à palavra dada, mas à Palavra, que é o Verbo, Jesus Cristo, recebida com alegria.
5. No fundo, esta parábola e o pensamento expresso pelo profeta da esperança, na primeira leitura, conduzem-nos à certeza de que, para Deus, não há o fatalismo do passado nem para ninguém a garantia do futuro. Para Deus, nenhum de nós é um caso perdido... há sempre uma oportunidade de salvação... E resta sempre o aviso sério de que ninguém se julgue grande e seguro... porque estamos sempre sob o risco da perdição...
6. Meus caríssimos irmãos. Depois das mãos e dos braços, para o trabalho da vinha, o Senhor pede-nos agora o abraço do coração. Pede-nos um «sim» de corpo e alma, um «sim» de alma e coração. É preciso dizer e fazer. Ou melhor ainda, fazer, sem dizer. Mais: é preciso sentir o que se diz, sentir ainda mais o que se faz. Trabalhar com a força dos braços, mas ao ritmo certo do coração manso e humilde de Cristo.
7. É urgente, veemente e permanente o apelo à conversão. É preciso vencer rivalidades, com um elevado espírito de serviço. O próprio Cristo que era de condição divina fez-se servo! É preciso sobrepor a humildade à vanglória. O próprio Cristo que era de condição divina não se valeu da sua igualdade com Deus! É preciso submeter o interesse próprio a uma fiel obediência ao bem de todos. O próprio Cristo humilhou-se ainda mais, até à morte e morte de Cruz!
8. Neste jogo arriscado da nossa vida resta-nos andar de “bola baixa”, “rasteiros”. Sem este «abaixamento», onde cada um depõe as armas do orgulho e do interesse próprio, não há condições de unidade e de paz... no seio da Igreja, na vida das nossas comunidades e no nosso mundo. Humildes no pecado, para acolher a misericórdia e encontrar a vida e humildes na virtude, para não presumir de nada e vir a sucumbir na morte... «É sempre tempo para mudar» e tudo será mais fácil se tivermos entre nós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus! Ousemos aceitar a proposta!
 Pe. JAC

17 de setembro de 2011

A mesma missão: ser transparência de Deus em terras aveirenses (Nota a respeito da nomeação para a Paróquia da Glória-Sé)













 
1.A qualidade das coisas boas da vida não pode ser medida por nenhuma quantidade. A qualidade das relações estabelecidas durante os quase dois anos passados em Águeda, mais concretamente nas nove paróquias que compõem a UPA, também não pode ser quantificada. Foram tempos – menos de dois anos é pouco, mas se somarmos os meses, os dias, as horas, os segundos já dá muito mais – ricos e belos, carregados de experiências, de partilha. Tempo de ser Igreja com os outros, nesta bela e exigente experiência de Unidade Pastoral.

2.Aqui cresci também como homem e como cristão. Aqui aprendi a ser padre ao jeito e ao modo do coração do Bom e do Belo Pastor. Aqui recebi muito mais do que o pouquinho que dei. E isto gera gratidão no meu coração. Gratidão, em primeiro, a Deus que permitiu esta passagem em terras aguedenses. Gratidão à Igreja, quer a de Braga, que possibilitou a minha vinda, quer a de Aveiro, que concretizou essa vinda. Gratidão aos padres que comigo fizeram Unidade Pastoral. O Pe. José Camões, o Pe. Jorge Fragoso, o Pe. José Carlos e o Pe. Francisco Rebelo. Com eles foi e é fácil fazer equipa. Foi belo crescer como irmãos no ministério. Gratidão ao diácono Semedo e ao diácono Afonso, eu diácono como eles quando cheguei a Águeda, porque com eles aprendi esta entrega generosa ao Evangelho e à Igreja de Cristo. Gratidão ao santo Povo de Deus que nas nove paróquias da UPA querem fazer a sua fé mais consciente e madura. De Macieira, Préstimo e Castanheira, de Barrô e Borralha, de Trofa, Lamas e Segadães e de Águeda recebi, em todos os lados, belos testemunhos e exemplos de fé e de caminhada cristã, e conscientes compromissos na vida e na missão da Igreja, que se pretende e precisa para os nossos tempos. A minha gratidão estende-se a todos os padres do Arciprestado de Águeda. Em primeiro o seu arcipreste, Pe. Júlio Grangeia e todos os outros: padres Costa Leite, Manuel Armando, Paulo Gandarinho, João Paulo, e também ao Pe. Tavares. Obrigado a todos pelo testemunho de vida sacerdotal. Nos párocos reconheço o carinho, amizade e estima recíproca de todos os cristãos que peregrinam neste Arciprestado de Águeda.

3.Vou para a cidade de Aveiro mas uma boa parte do coração já fica e já tem o selo de Águeda. Parafraseando Ana Moura num belo fado, também eu hoje digo: “até ao fim do fim, eu vou-te amar”. Porque o podeis contar da minha parte, espero de todos, daqui em diante, a mesma amizade e a mesma oração. Pede-me a Igreja de Aveiro, por intermédio do seu Pastor, D. António Francisco, que sirva na comunidade paroquial da Glória, em Aveiro. É a comunidade onde se situa a igreja-mãe da Diocese, a Sé Catedral, onde nos poderemos encontrar em variados momentos e celebrações diocesanas que lá decorrem. Como sempre, e porque foi para isso que a Igreja me ordenou, aceitei a proposta, na certeza de que levo o mesmo entusiasmo que trouxe para Águeda, a mesma alegria e a mesma energia. Como me disse, recentemente, alguém que estimo: “Somos padres ao serviço da Igreja, onde quer que seja. Sempre “nómadas”. Assim quero continuar!

4.Permiti que saúde o Nuno Queirós, um nortenho como eu, que fará o seu estágio para a ordenação diaconal e presbiteral, aqui na UPA, neste Arciprestado de Águeda. Desejo que seja feliz nestas terras e possa ajudar outros a serem felizes, falando-lhes da grande felicidade que é seguir a Cristo, Modelo e Mestre, Caminho, Verdade e Vida.
5.António Machado, o poeta sevilhano, escreveu: Caminhante, são teus rastos/ o caminho, e nada mais;/ caminhante, não há caminho,/ faz-se caminho ao andar(…). Meus amigos: o nosso andar cruzou-se. Mas os nossos trilhos não terminam. Continuamos a andar ainda que com coordenadas diferentes. Mas vamos em frente. Prosseguimos seguros na mão de Deus. Até sempre!

Pe. José António Carneiro

9 de setembro de 2011

Os padres ao serviço da Igreja e Homenagem...


Escreveu-se assim no boletim "Caminhando" da UPA, de Agosto-Setembro. Texto do Pe. José Camões
Porque somos inevitavelmente uns dos outros criamos ligação que se aprofunda na medida em que entrelaçamos as nossas vidas: os momento de alegria, convívio, diversão deixam uma marca cujo tempo facilmente apagará; outras situações em que vamos partilhando anseios, problemas, projectos… assinalam mais funda a nossa relação e interdependência; momentos como os que nos fazem mergulhar tantas vezes na dor, no sofrimento, na construção comum de algo melhor, na partilha da experiência pessoal que se traduz em busca de sentido para a vida são pedras de uma construção que se solidifica com mais facilidade…
A vida do padre enquadra-se nesta última categoria, dada a sua missão específica; logicamente que se sinta com mais profundidade a separação, a mudança.
Já é de todos conhecida a saída do Pe. Zé António da equipa da Unidade Pastoral (UPA) para outro serviço a que a Igreja o chama (ainda na nossa diocese) através da pessoa do Bisp diocesano.
Resta-nos dar graças a Deus pela sua presença entre nós ao longo destes quase
dois anos, pelos desafios que deixa na experiência da UPA e pelos dons que o
Senhor lhe concedeu para poderem render ao serviço desta Igreja que somos.
Por outro lado, dada a dimensão pastoral em que estamos envolvidos, vamos poder beneficiar e ser apoio para um jovem que se encaminha para o sacerdócio que virá integrar a nossa equipa. O Nuno Queirós terminou já o curso teológico enquanto colaborador na paróquia de Esgueira, e fará connosco uma experiência pastoral em contexto mais alargado e diversificado; um jovem, natural de Santo Tirso, que quer responder ao apelo que o Senhor da Messe lhe faz.
Vamos acolhê-lo e ajudá-lo na generosidade que o Evangelho propõe: esta será a medida para podermos ser ajudados…

(E na última página escreveu-se assim:)

HOMENAGEM AO PE. ZÉ ANTÓNIO – QUERES
PARTICIPAR?
Não deve ser apenas por “ser de bom tom”. Será muito melhor se for por atenção,
gratidão e amizade. Prestar uma homenagem, por mais simples que seja, dá ânimo
e liga-nos mais uns aos outros, prolonga o gosto de viver.
A proposta é que não deixemos que tudo se desvaneça com o tempo, que as boas
recordações não se reduzam a cinza espalhada pelo vento, que o esforço e
dedicação do tempo que o Pe. Zé António esteve connosco não desapareçam sem
deixar marca.
A melhor e maior gratidão que o Pe. Zé António agradece é ter consciência de que
o que ele ensinou e se esforçou por fazer compreender e viver seja prolongado
na vida de cada um. Essa a homenagem que ele merece.
Ele ensinou os jovens e adultos a conhecer o Evangelho e a vivê-lo; dedicou-se a
fazer compreender como se pratica a fé cristã; deu exemplo do que é ser cristão
no mundo de hoje; mostrou como a participação semanal na Eucaristia é alimento
indispensável para o testemunho da fé em Jesus Cristo; ajudou a compreender que
o perdão de Deus nos chega através do sinal da reconciliação; deixou sinal de
que a oração é apoio inseparável da vida.
Como o Pe. Zé António ficará feliz ao saber que os que ele acompanhou nestes quase
dois anos continuam a cumprir, a viver o que ele ensinou! A tristeza maior que
o irá acompanhar seria vir a saber que uns deixaram de estar na missa, outros
abandonaram a catequese, outros voltaram as costas à Igreja a que pertencemos…
Tu que conheceste e acompanhaste o Pe. Zé António ao longo destes quase dois anos,
queres associar-te a esta homenagem? Estás disposto/a a saber agradecer a Deus
o dom que nos foi dado na sua pessoa, vivendo com mais entusiasmo e empenho a
fé cristã como a Igreja nos ensina?
Não há melhor homenagem! O Pe. Zé António ficará com a alegria de não ter sido
inútil a sua dedicação e trabalho nestas terras de Águeda onde se sentiu bem
acolhido.

5 de setembro de 2011

Do inesperado das coisas!


A inquietante busca do sentido das coisas
Leva-me a sentir, tantas vezes,
Que flutuo e navego em turbilhão.

A alegria do sentir-se amado e querido
Nem sempre causa satisfação e felicidade!

E pergunto-me se falhei e onde falhei…

Mas também aprendo com outros mestres
Que me dizem
Que nas coisas das relações
Nem sempre tem que haver falha!

Acontece!
Imprevisível!
Inesperado!

Mas, não deixa de ser um alerta
A deixar-me mais desperto
E a precaver o futuro!

23 de agosto de 2011

Revendo a JMJ Madrid 2011!



Comecei a peregrinar no coração muito tempo antes de sair de Aveiro rumo a Córdoba e a Madrid com um belo grupo de 242 peregrinos.
Sei que todas as grandes viagens começam sempre por um pequeno passo.
Que grande pequeno passo dei quando aceitei aquele sussurro que chama, Daquele que ama e sempre me pede: “Segue-me”.
Fui a Córdoba e a Madrid de coração aberto. E saí muito mais cheio, mais pleno, mais Nele e mais com Ele!
Depois de Roma 2000, ainda seminarista, senti nesta experiência espiritual que é a JMJ a oportunidade de confirmar a certeza de um Deus que é Jovem, alegre e nos quer para sermos felizes e alegres, porque é Ele a nossa alegria e o nosso enlevo. Agora como jovem padre, sinto confirmada essa presença constante e discreta, silenciosa mas sempre reveladora de Deus que está comigo e connosco até ao fim dos tempos!
É tão bom ser peregrino! Caminhando, sulcando o terreno, poeirento ou lamacento. Suportando e superando quatro ventos ou mesmo quatro sóis ou quatro tempestades. Sentindo as fraquezas, as debilidades, os cansaços, as dores, o sofrimento, mas também a alegria, o entusiasmo, a esperança – aquela que não existe para que tudo corra bem no final, mas para que no final as coisas façam sentido. Isso é a esperança cristã!

Terminou, por assim dizer, a propedêutica da JMJ Madrid 2011. Agora a jornada da vida continua com a certeza de que estou mais enraizado em Cristo e mais firme na fé! E com uma outra grande certeza que completa e complementa o meu coração: nesta peregrinação da vida não estou sozinho, tenho tantos e tantos que peregrinam lado a lado comigo, com os seus ritmos e passos, com os seus tempos e os seus modos. Mas somos sempre um, Naquele que nos une.

Agora Ele conta mais connosco, para sermos mais e melhores, mais firmes e mais fortes. Podemos contagiar a tantos. Podemos ser semente lançada ao campo do mundo para fazer frutificar e florir tantos dons bons que temos no coração e pintar o mundo com as tonalidades de Deus!

 

Agora, amigos, os que estiveram comigo no autocarro Ovos Moles, todos os peregrinos de Aveiro inscritos pelo SDPJV e não só, e todos os milhares e milhares que se uniram para formar a JUVENTUDE DO PAPA, continuamos o trilho do peregrino… rumo ao Rio, que é como que diz rumo a Cristo, a fonte de água viva, Aquele caudal refrescante que dá sentido à nossa vida.

 

Obrigado a Deus e ao Seu Filho nosso Irmão, Jesus Cristo. Continua a ser a meta, o norte e o horizonte certo do meu/nosso caminho!

Pe. JAC


2 de agosto de 2011

Graças, Senhor. Primeiro aniversário da Missa Nova


Eu quero agradecer
O dom do Teu Amor
Ofertar o meu ser
Servindo o Evangelho
De Cristo meu Senhor.

Eu quero entregar
Meu sangue e meu suor
Para anunciar
O reinado de Deus
Que é o Salvador.

Quero ir pelo mundo fora
Sem nunca desistir
E quando for a hora
De regressar ao Pai
Estar pronto a partir.

Sei que me esperarás
Com amor paternal
E me libertarás
Desta vida mundana
Pra vida divinal.

Há um ano atrás cantava-se assim na minha Missa Nova. Música adaptada e letra orginal.

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...