23 de março de 2013

Caminho Pascal: poema no Domingo de Ramos






Caminhamos para a Páscoa libertadora
Entre ramos de oliveira e cantos de vitória,
Porque é Jesus a fazer por nós o caminho
A lavar miséria humana com sangue divino.

Caminhamos contemplando a paixão
E a Ele unimos nosso coração.
É Nele que depositamos a confiança
E quem Nele confia vive com esperança.

Senhor Jesus, amante da humanidade
Que caminhas e carregas, lancinante,
O peso mortal, em bruto, da minha cruz...

Graças pelo amor e pela fidelidade
Que Te leva ao Calvário, triunfante,
Donde brilha para todos vida e luz!

Pe. JAC

21 de março de 2013

Poemas de amanhecer... (No dia mundial da Poesia)




No dia mundial da poesia agradeço aos poetas que me dão poemas em cada novo amanhecer...

Despregam-se palavras
Caídas com estrondo
Como pedras nas águas...

Solta-se o sentimento,
Emoção efervescente,
Ao sabor do vento.

Saem pedaços de vida
Em cada palavra escrita...
E na que fica por escrever
Se esconde e não se deixa ver
Que por traz de uma caneta
E de um papel branco
Vive, vivo, um coração ardente
Capaz de dizer a toda a gente:
A poesia é a arte de escrever
A vida surgida em cada novo amanhecer.



Pe. JAC

16 de março de 2013

Castelos onde reina o Amor. Poema no V domingo da Quaresma




No caminho de conversão
Não há meta, nem final...
É um contínuo caminhar,
Cair e sempre levantar...
Rumo ao único ideal:
Deus do Amor e do perdão.

Todos nos parecemos com a "mulher",
Pequenos grandes pecadores...
E bem precisamos de reconhecer
Que precisamos de ser melhores...
Não maiores que os outros
Mas melhores que nós próprios...

Não queiramos pedras para atirar,
Magoar, desprezar e diminuir...
Queiramos as pedras para guardar,
E como dizia o escritor,
Para castelos construir...
Castelos onde reina o Amor.


Pe. JAC

13 de março de 2013

Papa Francisco... Para já perplexidade e oração!






Depois da alegria e da euforia e até da surpresa da escolha que nos veio de Roma, num dia frio, eis que, com os meus botões, me ponho a pensar melhor (discernir) acerca da escolha dos cardeais.
O novo Papa da Igreja é o Cardeal Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco I, que nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 17 de dezembro de 1936. Tem 76 anos.
É o primeiro Papa jesuíta. Formou-se como técnico químico, mas depois escolheu a via do sacerdócio e entrou para o seminário de Vila Devoto. Em 11 de março de 1958, passou para o noviciado da Companhia de Jesus. Completou os estudos humanistas no Chile e em 1963, de volta a Buenos Aires, formou-se em Filosofia na Faculdade de Filosofia do colégio máximo São José de São Miguel.
De 1964 a 1965, ensinou literatura e psicologia no Colégio da Imaculada de Santa Fé e, em 1966, ensinou essas mesmas matérias no Colégio do Salvador, em Buenos Aires.
De 1967 a 1970 estudou teologia na Faculdade de Teologia do Colégio São José, de São Miguel, onde se formou.
Em 13 de dezembro de 1969 foi ordenado sacerdote.
Depois de tantas considerações acerca do perfil do novo Papa, que ouvimos de todos os quadrantes, de dentro e de fora da Igreja, que deveria ser escolhido alguém com o vigor e a vitalidade que, por idade e saúde, faltou a Bento XVI para conduzir a barca de Pedro, olhar para a escolha que os cardeais fizeram de um homem com 76 anos, deixa-me, no mínimo, perplexo...
Tão perplexo quanto ao facto de ser um argentino, o primeiro Papa que vem da América do Sul e também o primeiro jesuíta.
Tão perplexo quanto a escolha do nome inédito, Francisco...
Tão perplexo quanto a afamada simplicidade e bondade que o caracterizam...
Estou perplexo até porque já ouvi que alguns anos de Bergoglio conduzirão a profundas reformas e mudanças na Igreja...
Francisco I é o meu Papa porque creio que é Deus que assim o quer. E a vontade de Deus nem sempre é evidente diante de nós. Mas, que nos quer Deus dizer por meio desta escolha e deste Papa? Continuo a discernir...
Para já rezo por ele porque sei que ele já reza por nós.

Pe. JAC

9 de março de 2013

Um coração que é nossa casa! Poema no IV domingo da Quaresma




Na lógica de Deus
Não há espaço só para a razão...
É uma lógica irracional
Que só Jesus torna especial...
É a lógica do amor e da compaixão,
Da ternura e da bondade de Deus.

Quantas vezes não somos como o filho novo?
Não quer ser mais o filho dependente
E pede a herança e mata o pai, imprudente,
Para partir em total liberdade e autonomia
À procura da sua alegria sem a encontrar.

Quantas vezes não sabemos nem cuidar
Do amor que de Deus nos é dado?

E quantas vezes somos como o filho mais velho?
Não saindo de casa e sempre cumpridor
Olha o Pai não como Pai
Mas como patrão, como dono e senhor...

E assim vemos
que tanto nos perdemos em casa
como fora dela...

A história por Jesus contada
Fique sempre no nosso coração guardada:
Depois de errar
É preciso ter coragem de voltar...
É preciso deixar o passado de lado
E no perdão e na misericórdia de Deus confiar.

Queiras tu, se necessário, a casa regressar
ou, senão saíste, queiras lá continuar...
Olha que o coração de Deus Pai
É sempre a nossa melhor casa!



Pe. JAC

2 de março de 2013

Camponês paciente. Poema no III domingo da Quaresma




Deus camponês, agricultor paciente,
hortelão da vinha e da vida cuidador
para produzirmos frutos e darmos flor
em Ti encontramos a melhor semente.

Eis o tempo de reconhecer com humildade,
de coração aberto e inteira confiança:
em nós temos o que é preciso para a mudança
assumindo em nossa vida a Tua verdade.

Somos figueira na vinha do Senhor
que paciente espera o nosso fruto
vivendo cada dia a conversão...

Em nós corra sempre a seiva do amor
para brotar, a seu tempo, flor e fruto,
quando de Deus for inteiro nosso coração.


Pe. JAC

A poesia transcende o poeta. (Palavras na apresentação do meu segundo livro de poesia)




Em abono da verdade devo confessar que nunca foi meu profundo desejo ou condição para ser feliz e me sentir realizado publicar livros... Felizmente(!) não sou escritor a viver daquilo que escreve; arriscar-me-ia a morrer à fome...
Mas, e porque a felicidade é condição necessária a um viver intensamente sentido, e porque a (in)satisfação é também condição necessária para continuar cada dia a querer ser mais e mais feliz, arrisco-me, não a morrer à fome com o que escrevo, mas a tentar, com a transcendência da poesia, saciar a fome de Palavra(s) que ajudem, nem que seja só mais um coração de um irmão, a sentir a beleza e a proximidade de Deus.
E é nesta gestão, não conflituosa, que surgem os meus dois livros, um em 2006, e este agora em vossas mãos.
São livros de poemas compendiados porque eu não me sinto capaz de escrever um livro de poesia com princípio, meio e fim...
Atrevo-me apenas e só e disponho-me a escrever poemas avulso... Isso gosto de fazer! Sinto que cada poema é, em si mesmo, uma obra completa, capaz de dizer estados de alma nas linhas e, talvez, muito mais, nas entrelinhas.
Entrelinhas que cada olhar vê diferente... e que por isso não podem e não devem ficar fechadas numa gaveta, longe de novos olhares, de outras entrelinhas e de mais entrelaçadas formas de sentir e (vi)ver Deus.
Não me considero verdadeiramente poeta... Sinto-me, quanto muito, fazedor de poemas, um contador de estados da minha alma na minha relação tensa comigo mesmo, com os outros e com Deus.
Mas revejo-me em algumas palavras poéticas e sábias e bem conhecidas e cantadas até, de Florbela Espanca, em "Ser poeta".

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)


Para mim, se ser poeta "é ser mendigo", no sentido de buscador, então sou poeta...
Se ser poeta "é ter cá dentro um astro que flameja", então sou poeta...
Se ser poeta "é ter fome, é ter sede de infinito", então sou poeta...
Tolentino de Mendonça, padre e poeta, diz que a poesia é a arte de resistir ao seu tempo. O poeta será, assim, um guerreiro e a poesia o seu castelo e a sua fortaleza. Para mim, escrever poemas é, em primeiríssimo lugar, um modo de dialogar e um modo de rezar. Rezo quando escrevo e escrevo ao rezar...

Vem de longe o gosto por escrever poemas, como vem de longe o gosto por rezar, educado que fui, desde pequeno, entre as mãos ásperas, mas sempre levantadas da minha avó.
Não me perguntem qual foi o primeiro poema que escrevi... Não faço a mínima ideia. Lembro-me, na escola primária e preparatória, de guardar religiosamente um caderno com rimas e versos de amor...
O gosto de escrever poemas (chamo tantas vezes devaneios) aguçou-se no tempo de seminário.
Mas, em mim, o gosto pela poesia nasce, também e muito, da leitura de poesia. Leio muita e variada. E com o tempo e com a leitura fui aprendendo que o poema transcende sempre aquele que o escreve e o escrito deixa de ser seu (do autor), para ser de quem o lê (leitor). Por isso, também me sinto fazedor de poemas porque tantos poetas me dão poemas para ler...
Foi assim que fui dando conta que os poemas que escrevia me fugiam da mão (sem nunca fugirem de mim) como areia fina por entre os dedos, sempre que os tirava da gaveta e os dava à mão de um amigo ou amiga... O poema exige a si mesmo que se dê a conhecer.

Em 2006, a terminar o curso de teologia, recebo o convite da junta de freguesia da minha terra Natal, S. Torcato, para publicar um livro de poemas que fosse comemorativo da elevação da "minha aldeia" a vila. Acedi, convencido que estava de que os poemas não são meus poemas, mas são poemas-para-os-outros. Assim se publicou o primeiro livro "Meus Deus. Poesias de um seminarista", escritos e maturados ao longo do curso teológico, entre 2001 e 2006.

A mesma consciência, a de que os poemas não são meus, acrescida agora da necessidade da angariação de fundos para o novo órgão de tubos da Sé, levou-me, em sintonia com o companheiro de ministério sacerdotal, a ousar publicar este segundo livro de poesia.
Trata-se de um compêndio de 30 poemas, acompanhados de um pequeno comentário que mais não é do que tentativa de o leitor poder dialogar e confrontar a sua própria vida.
Estes poemas são pedaços de oração em circunstâncias diversas da minha vida nos quase dois anos de estive a trabalhar pastoralmente nas paróquias da unidade pastoral de Águeda, entre 2009 e 2011.
Nas vossas mãos os deposito porque são vossos!

Quero agradecer, por fim, a presença de todos nesta tarde. Em especial ao sr. Bispo a presença nesta sessão mas principalmente a atenção e a bondade das palavras que prefaciam este livro. Disse-lhe e agradeci-lhe dizendo que as suas palavras qualificam o livro e respondeu-me, sabia e fraternalmente, que o conteúdo do livro é que inspira as palavras do prefácio. Fico-lhe grato, próximo e sempre ao dispor no serviço e na missão.
Agradeço ao monsenhor João Gaspar a presença e a amizade. E agradeço-lhe tanta sabedoria discorrida e partilhada nos seus muitos livros e escritos.
Quero agradecer, mesmo não nomeando e respeitando a sua vontade, a quem me fez a revisão dos textos e, na bondade e sabedoria, me deu preciosas indicações que melhoraram o produto final.
Quero agradecer à Paulus Editora, na pessoa no Irmão Darlei, a abertura a esta publicação.
Agradeço ao P. Fausto e nele a toda a paróquia de Nossa Senhora da Glória na qual me sinto bem a servir e a procurar ser transparência do rosto de Deus.
Agradeço ao P. Paulo Cruz e ao Ricardo Toste a bela sonoridade nesta tarde solarenga e a tonalidade alegre que deram a esta familiar sessão de apresentação deste livro.
Agradecer a expressiva presença dos irmãos e irmãs consagrados e consagradas da nossa Diocese. Sabei que a vossa vida, acção e missão são para mim inspiração a escrever. Obrigado a vós, neste dia da apresentação do Senhor.
Agradeço por fim aos que já leram ou vão ler o livro. E, enquanto agradeço, também peço a vossa oração junta às minhas orações feitas, tantas vezes, em papel. Creio firmemente que todas chegam ao coração do bom Deus e se convertem para todos nós em benefício e graça. Obrigado a todos.



Pe. JAC

27 de fevereiro de 2013

Rezo por ti! Obrigado, meu irmão!






Rezo por ti
Porque rezaste por nós.
Rezo por ti
Porque rezaste connosco.
Rezo por ti
Porque continuas a rezar
Connosco e por nós.
Rezo por ti,
Santidade Bento XVI,
Bispo emérito de Roma
Ou Papa emérito...
E não importa nada o nome
Quando todos somos irmãos.
Rezo por ti
Porque estiveste connosco
A dar-nos Deus,
O Senhor Jesus que tanto amas
E que não abandona ninguém.
Rezo por ti
Porque não foges da Cruz,
Não desces da Cruz
Mas, mais intimamente ligado a ela e a Ele
Estás connosco,
Naquela solidão acompanhada
E iluminada do Alto.
Rezo por ti, agradecido a ti,
Meu irmão em Cristo, Josef Ratzinger,
Por seres como eu, como nós,
Filho muito amado de Deus.

Pe. JAC

23 de fevereiro de 2013

No Tabor. Poema no segundo domingo da Quaresma







Sobem convidados pelo Mestre
Para o monte onde se vai rezar.
Eis que muda o aspecto e a veste
E não entendem o que se está a passar.

Mais convidados aparecem
Naquela experiência transcendente
Moisés e Elias também merecem
Entrar na luz forte e refulgente.

Como é bom e belo aquele momento!
O desejo é eternizar o tempo
E Pedro já não quer dali sair...

Aquele rosto de Jesus transfigurado
O Filho dilecto muito amado
Dito pela voz do céu que se faz ouvir.


Pe. JAC

20 de fevereiro de 2013

Os profetas estão em crise!?





O tempo que vivemos não se afigura fácil e luminoso. Austeridade, crise, redução, cortes, miséria, fome, dependência, exclusão, desemprego ... tudo palavras tão banais nos nossos olhos, ouvidos e lábios e que a comunicação social também faz o favor de nos lembrar a cada dia e a cada hora... E parece que tudo nos faz andar mais com o "credo" na boca. Até quando o Papa entende (com possibilidade de o fazer) não ter condições para continuar a apascentar o rebanho do Senhor com a força e a energia que necessita o Ministério de Pedro.

Profetas da desgraça ou da graça?
No meio de tanto desencanto, generalizado e globalizado, tardam profetas para este tempo. Abundam os profetas da desgraça, críticos e fazedores de opinião, mas faltam homens e mulheres, novos e velhos, que semeiem no coração dorido das gentes sementes de esperança que reconstrua a confiança e encoraje a viver o presente como princípio de um novo amanhã. Proliferam profetas da desgraça e faltam profetas da graça. É verdade que cada desgraça traz, em si mesma, uma graça. Mas nós somos sempre tão negativistas, tão fatalistas, e não aproveitamos as oportunidades que o próprio momento de crise nos concede.
Mesmo entre nós, cristãos. Mesmo em Igreja. Somos tão ágeis e tão prontos a buscar causas da crise, não só da económica e financeira, como também da "crise da Igreja". Apontamos, de pronto, o dedo aos outros, achamos que a culpa está sempre de outro lado...

Tempo oportuno
É verdade que não vivemos fora da realidade, que é preciso olhá-la e conhecê-la e denunciá-la, sempre que necessário. Mas até disso já vamos estando "fartos", com tantos analistas, especialistas, comentadores... Precisamos quem nos aqueça o coração, no meio do frio da noite que atravessamos. Sinto que, em cima de tantas crises, também os profetas estão em crise.
Mas... bela oportunidade acontece pela Quaresma que nos vem, como dom e presente, em cada ano, para sermos mais profetas da graça. Já os há, com certeza, aqueles que em cada dia são desafio à coerência, à entrega, ao serviço, ao perdão, ao diálogo, à escuta... São todos esses que aceitam fazer a diferença por amor e por aquilo (direi melhor Aquele) que acreditam. São todos os que fazem mais do que aquilo que dizem.

Jeremias e Ratzinger
De facto, não há idade mínima nem máxima para se ser profeta. Aprendamos do "novo" Jeremias, a ver o belo a despontar mesmo no meio dos escombros. Saibamos ver florir a primavera em cada inverno. Aprendamos também do "velho" Ratzinger, o ainda Papa Bento XVI, no inesperado anúncio da resignação ao Ministério Petrino. A humildade, a entrega, a coerência, a verticalidade, a espiritualidade de um homem chamado por Deus a guiar e a apascentar o rebanho do Senhor. Um profeta que se dedicará, depois, à oração, em clausura, para que haja mais profetas da graça na Igreja de Cristo.
Nesta Quaresma tu também podes ser profeta! E não precisas de fazer nada de extraordinário. Basta que faças do bem e do belo a normalidade da tua vida. E a graça acontecerá! E será novo o amanhã, vivido em cada presente e em cada hora. Vive esta hora!

José António Carneiro. Padre e vigário paroquial da Glória, in Correio do Vouga, edição de 20 de fevereiro, p. 23




Pe. JAC

16 de fevereiro de 2013

Tu renuncias? Poema no I Domingo da Quaresma





Renúncia!
Sim! Eu renuncio...
Eis o plano e a palavra da Quaresma.
Eis o caminho para a minha Quaresma.

Jesus dá o mote, desde o princípio,
No deserto, ante a tentação
Diante do tentador...
Dá-nos o exemplo
Para fazer de Deus, em todo o tempo,
A prioridade maior,
Primazia à Palavra do Senhor!

Sim! Renunciar!
O Santo Padre também dá exemplo!
E cumpre plenamente o dito anterior:
"Sou humilde servo!"
"Sou um pobre trabalhador da vinha do Senhor".

Sim! Esta Quaresma é tempo de renunciar!
Não é fugir ou evadir-se,
Escapar ou deixar...
É em tudo confiar no Deus que é Amor

Renunciar à riqueza material,
Ao poder vazio de sentido...
Renunciar ao espectacular atractivo,
À razão só racional.
Ser rico de sentimento
E à Palavra dar todo o assentimento.

Renunciar é mais que palavra de ordem,
É a inteireza da mensagem.
Arrisca renunciar
E conseguirás ao Amor chegar

E tu?
A que renuncias na tua Quaresma?

(Um "poema" sem o ser bem! Mas é o que sinto, olhando para estes acontecimentos e para este tempo quaresmal e para o evangelho deste domingo). Um abençoado domingo para todos!


Pe. JAC

12 de fevereiro de 2013

Bento XVI resigna ao Ministério Petrino e dedica-se à oração

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI





Pe. JAC

(A)Larga o teu coração ao largo. Poema no V domingo comum




Na beira do grande lago
Surge directo e incisivo,
De Jesus vem um aviso
Para se lançar ao largo.

Não temas e faz-te ao mar...
É Jesus Quem desafia.
Não importa a noite que passou,
Hoje é um novo dia...

(A)Larga o teu coração ao largo
E vais ver que aquilo que não se pescou
Vais, com amor, saber pescar...

Deixa a terra firme,
Faz que a tua Fé se afirme,
No rebentar da ondulação,
No íntimo do teu coração.

Faz-te ao largo, faz-te ao mar...
Arrisca seguir Jesus,
Sê reflexo da sua luz
Conjugando o verbo amar!


Pe. JAC

6 de fevereiro de 2013

Apresentação do Livro "(Re)Versos À Luz Do Amor Poesias de um Padre"

Foi no passado dia 2 de Fevereiro, no Centro Paroquial da Glória-Sé, que decorreu a apresentação do meu segundo livro de poesia. Partilho com todos as palavras proferidas pelo Bispo de Aveiro, D. António Francisco, que também assina o prefácio do livro. Agradeço a todos quantos possibilitaram um pedaço de tarde feliz. Publicarei depois a palavra que disse nessa tarde.




1.Começo com uma palavra de saudação dirigida a todos (e são muitos) quantos aqui se quiseram reunir nesta tarde para este momento de apresentação do Livro (Re) Versos à Luz do Amor – Poesias de um Padre.
Quero saudar todos quantos já leram este Livro e quantos aqui vieram porque o querem ler e saborear.
Um Livro quando escrito e publicado, deixa de ser propriedade de quem o escreve para ser pertença de todos os que o lêem e passa a fazer parte do património comum da cultura de uma Comunidade.
Celebramos hoje, em Igreja, e na nossa Diocese o Dia dos Consagrados. Quero deixar aqui o testemunho da minha homenagem a todos os consagrados (as) da nossa Diocese e a minha gratidão por tão numerosa presença aqui neste momento.
O testemunho da vida dada dos sacerdotes e dos consagrados é, sem dúvida alguma, bela forma de sentirmos que Deus continua a chamar e deixa-nos maior certeza para compreendermos quanto a vida e as palavras ditas em versos de hoje anunciam tempos novos para o futuro da Igreja.

2.Os poemas do livro (Re)Versos à Luz do Amor, do Padre José António Ribeiro de Lima Carneiro, estão inscritos no chão concreto onde a vida se diz e se faz, em passos dados ao longo do caminho.
Passos dados sem medo. Dados com sentido, em jeito de peregrino, de eterno caminhante e permanente caminheiro, na saboreada experiência de quem sabe que «o caminho se faz caminhando».
O autor conhece o rumo e a meta e o poeta, quando escreve, pressente o horizonte e anuncia o sentido do caminho. O autor sente a alegria de caminhar e a firmeza dos passos dados, mesmo com ventos atribulados e em horas de tempestade. Sabe-se envolvido, desde o berço, pelos afagos e desvelos de Deus: «mistério distante e próximo, silencioso e profundo, feito de ternura e de fidelidade».

3.Quero agradecer ao Padre José António este Livro. Este Livro nasce da sua vida e da sua missão na nossa e sua Diocese, a partir da primeira missão que lhe confiei, em Águeda.
Esse foi o seu primeiro chão, o seu primeiro espaço de missão. Aí encontrou pessoas e descobriu comunidades com quem foi chamado a construir o reino de Deus e a edificar a Igreja. Assim o fez com a diligência apostólica que lhe conhecemos e com o dinamismo da alegria pastoral que lhe reconhecemos.
Sem esta terra e sem estas gentes, este Livro não teria surgido. Este Livro é de Águeda e da Unidade Pastoral, que aí se desenvolve e se desdobra por nove paróquias e tantas outras comunidades humanas e cristãs. É, por isso mesmo, de Aveiro e de toda a Diocese, também, o mérito deste Livro.

4.Para o sacerdote, o oceano imenso da missão nunca é chão sereno nem mar calmo. É desafio a ver outras margens e convite ao desapego de passageiras e tranquilas seguranças.
Em Jesus, o Mestre e Senhor, o sacerdote descobre a voz igual e firme que Pedro ouviu noutros mares e sente como ele o braço seguro de Deus, feito âncora a que nesse porto de abrigo se prendeu para sempre. E é seu, também, o mesmo encanto pelo Evangelho que aí começou para Pedro, com o fascínio da missão que nunca mais perdeu. Aí, também, o sacerdote encontra o guia e o mestre, a bússola e o farol, a esperança e a alegria a dar cor e sentido a estes poemas de vida.
É no chamamento de Jesus que melhor se percebe e sente a brisa divina que envolve o mistério da vocação, que percorre o mundo, que dá beleza a cada lugar e valor a cada coisa e que sussurra de mansinho com doce ternura aos ouvidos do coração, versos de amor do nosso Deus.
Os primeiros discípulos, habituados às lides do trabalho diário em ritmos cíclicos, entre as suaves marés do lago, tiveram as naturais dificuldades ao deixarem terra e redes para sonharem sonhos de Deus e para olharem horizontes desconhecidos a que a força do Espírito os haveria de conduzir.
É assim, também, connosco os sacerdotes, a partir desse momento inicial da vocação em que cada sacerdote ousa seguir Jesus para margens novas e inesperadas da vida e da missão e levanta os olhos para «a Cruz Alta donde se desprende o segredo maior da salvação».
No Crucificado vemos impressos, em sulcos cavados no rosto inocente de Jesus, os traços sofridos da nossa humana fraqueza, com as marcas de actos não pensados. Mas dali irradia, para quem crê, a beleza do Ressuscitado que nos eleva o coração em abraço redentor e nos conduz por caminhos novos de discípulos seus.

5. De Águeda, o Padre José António veio para Aveiro, trabalhar nesta Paróquia da Glória. Foi generoso e imediato o seu sim, quando lhe confiei esta nova missão. Compreendemos, por isso, que queira oferecer a esta paróquia o dom deste livro, fazendo reverter para a vida da Comunidade que agora serve os proveitos da sua venda. Bem - haja por mais este gesto de generosidade.
Nestes versos escritos e sentidos está presente a bela linguagem da generosidade de tudo o que dá significado e encanto à missão, que ao sacerdote é pedida e confiada.
E aí nos encontramos todos, remadores e mareantes, neste oceano imenso da vida. Somos distribuidores generosos do amor divino e multiplicadores da abundância do perdão nos corações humanos magoados pela dor e feridos pelo pecado. Somos chamados a renascer diariamente pela graça do Redentor e a dar tempo e lugar à conversão pessoal e à transformação do mundo.
E a paróquia da Glória, sedeada a partir nesta Sé de Aveiro, Igreja Mãe da Diocese, é disso expressão significativa e exemplar. Que o digam as celebrações de toda a Comunidade diocesana que aqui converge em tantos momentos da nossa vida como Diocese, como aconteceu de forma tão bela e expressiva no passado dia 21 de Outubro, no início da Missão Jubilar! Que no-lo recordem todos quantos diariamente aqui acorrem em busca de paz e de perdão, encontrados na celebração do sacramento da reconciliação, aqui diariamente celebrado! Que no-lo revele a Missão Jubilar no seu tão plurifacetado dinamismo mobilizador que desde sempre encontrou no Padre José António um incansável obreiro!

6.Cada sacerdote sabe, no belo dizer destes versos, que: «Só por Cristo eu vou certo/ só com Ele ando perto/ só em Cristo estou aberto/ a ser mais e melhor e a não parar!»
Neste caminhar em busca contínua da santidade, o Padre José António sente a presença atenta e solícita, com desvelos de carinho e olhares de ternura, da Mãe de Deus e nossa Mãe que invoca, com afável devoção, como Senhora de Fátima, e Quem dá o título de Senhora do Mundo.
Não é, por isso, indiferente que por sua vontade expressa, o Padre José António tenha escolhido este dia da Apresentação do Senhor no templo para dele fazer dia da apresentação pública e oficial do seu Livro.
Ele sabe que no coração da Mãe de Deus e nossa Mãe se inspiram os melhores poemas e se decidem com firmeza os horizontes mais felizes da vida.

7. Deus deu ao Padre José António Carneiro o talento e a arte para dizer em palavra e escrever em texto aquilo que flui belo e espontâneo dos seus sentimentos e do seu pensamento.

Agradeço-lhe, em nome de todos nós, juntamente com este seu novo Livro, a disponibilidade para o exercício do ministério sacerdotal nestas Terras de Aveiro assim como a alegria da comunhão no presbitério, a paixão pela causa do Evangelho e este jeito feliz e irmão de ser e de viver entre nós.

Com esta palavra aqui dita, com renovada amizade e acrescida alegria, coloco nas vossas mãos este Livro onde se proclama a alegria da fé e se afirma a beleza do ministério dos sacerdotes em versos e (re)versos de vidas totalmente dadas a Deus para o serviço da Igreja.

Nesta palavra de parabéns ao Padre José António, quero testemunhar a minha comunhão fraterna com todos os sacerdotes que vivem e trabalham ao serviço desta Igreja de Aveiro e a minha gratidão pelo belo testemunho e dedicada generosidade que de todos recebemos.

Aveiro, 2 de Fevereiro de 2013
António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro


Pe. JAC

2 de fevereiro de 2013

Alarga o espaço do teu coração. Poema no IV domingo comum




Estava Jesus em Nazaré,
a ler o livro do profeta Isaías,
apresentando-se a todos como Messias.
Mas, na Sua terra natal,
ninguém entendeu como Ele era "especial"...
Esperavam espectáculos e milagres
Em vez da libertação dos oprimidos e dos pobres.

Para matar, expulsaram da cidade
Jesus nazareno, humano e divino;
Mas Ele seguiu o caminho da verdade
porque o Evangelho sempre segue o seu caminho.

Diante da Palavra no meio de nós,
a Boa Nova em Pessoa,
não esperes qualquer milagre extraordinário;
Alarga o espaço do teu coração,
e abre-te ao dom mais extraordinário:
A Palavra que nos vem por Jesus
não tem limites, nem fronteiras,
impele a re-inventar maneiras
de assumir e viver esta hora
como caminho que ao Céu conduz!


Pe. JAC

Eterno Hoje. Poema no III domingo comum




Na sinagoga de Nazaré
Jesus mostra-se como é:
Lê o texto do profeta Isaías
Revela-se como Messias
E em Seus conterrâneos aviva a fé.

A vetusta profecia
aplicada a Si mesmo
cumpre tudo quando foi dito,
No tempo antigo.

Em Nazaré, Jesus dá ao tempo intemporalidade...
Dota o Amor de eternidade.
Do passado faz presente,
Do Hoje, o eternamente.

Ainda Hoje, Jesus cumpre a missão:
A boa nova anunciar,
A todos servir, libertar e curar,
Dar vida e ofertar salvação.

Estejam os nossos olhos fixos em Jesus
E o coração, pelo Dele, sintonizado.


Pe. JAC

19 de janeiro de 2013

Em Caná... Poema para o II domingo comum (C)




Em Caná, a celebração de um casamento
mais do que festa de momento,
ou festa de circunstância,
é o eternizar de uma aliança
de amor e mútua confiança...
É a perfeita comunhão do ser,
a entrega total do viver...

Em Caná, a celebração das bodas
não obedece a princípios de modas...
É oportunidade por excelência
da manifestação da transcendência,
de Jesus Cristo, Messias Senhor

Em Caná, o sinal de transformar
água em vinho para nada faltar
é o sinal da alegria e do amor
manifestado pelo Senhor,
que a todos faz Acreditar.



Pe. JAC

16 de janeiro de 2013

O meu 32º. aniversário.



Ver passar a água de um rio sob uma ponte dá-me lições que não aprendi nem escola, nem no seminário, nem na faculdade...
A água segue o seu curso, movida de uma força imanente (presumo!) que a faz transpor barreiras ou barragens, diques e açudes... e a faz chegar à foz!
Mesmo que fique presa, durante algum tempo, correr livremente é condição própria de ser água.

Que tem isto a ver com fazer anos?

Assim me sinto e vejo ao longo de 32 passagens pelo meu aniversário.
Todas passagens diferentes, como tem que ser.
Se não são diferentes então hoje não completo mais um ano... Faria, quanto muito, 32 vezes o mesmo ano...
Mas tem sido diferente, ano após ano, em espiral crescente.

Não me preocupa se já corri muitos ou poucos, se foram rápidos ou nem tanto.
Preocupo-me e procuro cada dia correr até à foz.
Preocupo-me e procuro chegar à minha meta.
Essa tenho-a identificada: Jesus Cristo, meu Mestre e Senhor.

Se chegar a Ele em cada dia da minha vida, e hoje também,
então, hoje mesmo, posso morrer feliz.

Em dia de aniversário, aceito a "ordem" de Deus, no imperativo de S. Jerónimo: "Cala-te! Que o teu silêncio seja o Meu louvor".

E agradecido por tanto e a todos, então, calo-me... e ouço... e partilho um misto de emoções e sentimentos!
 

15 de janeiro de 2013

O meu segundo livro de poesia: "(Re)versos à Luz do Amor. Poesias de um padre"




"(Re)versos à Luz do Amor. Poesias de um padre" é o meu segundo livro de poemas e vai ser apresentado no dia 2 de Fevereiro, em Aveiro.
Depois de "Meu Deus. Poesias de um seminarista", lançado em 2006, este segundo livro é composto por 30 poemas acompanhados de um breve comentário que é ao mesmo tempo orientação ao leitor.
Estas poesias apresentam meditações, reflexões e orações inéditas, escritas no âmbito do trabalho pastoral que desenvolvi durante quase dois anos nas nove paróquias que compõem a Unidade Pastoral de Águeda.
A receita da venda dos livros que é editado pela Paulus reverte para a Paróquia de Nossa Senhora da Glória, em especial para as obras que tem em curso. O livro está à venda no Cartório Paroquial e custa 7,50 euros.
Para os interessados informo que o livro pode ser encomendado via email (carneirozeto@gmail.com ou secretaria@paroquiagloria.org). Estes pedidos de encomenda serão respondidos por email com o envio do NIB para o qual deverá ser feita a transferência exacta do preço do livro acrescido dos custos de envio.
No prefácio, amavelmente escrito por D. António Francisco lê-se: "Os poemas do livro (Re)versos à Luz do Amor, do padre José António Ribeiro de Lima Carneiro, estão inscritos no chão sagrado onde a vida se diz e faz, em passos dados ao longo do caminho." E mais adiante, escreve: "Nestes versos escritos e sentidos está presente a bela linguagem do amor a dar significado e encanto à Missão que ao sacerdote é pedida e confiada".



Pe. JAC

12 de janeiro de 2013

Filhos e herdeiros de pleno direito. Poema na festa do baptismo do Senhor




O povo andava inquietado
não tinha a paz no coração:
O Messias tão aguardado
seria aquele profeta João?

Mas eis que o Baptista explica
que o Messias, o Salvador,
mais que com água que purifica
baptiza no Espírito e no fogo do Amor.

No Jordão, sobre o Filho desceu,
em música divina e acorde perfeito,
a voz audível vinda do céu...

Nela somos também abarcados,
filhos e herdeiros de pleno direito
porque em Cristo fomos baptizados!


Pe. JAC

5 de janeiro de 2013

Do Oriente nos vem a Luz! Poema na Epifania.





Olhai no céu do coração
a estrela que ainda brilha:
O Menino é Salvação
do que por Ele se guia.

Não brilha em céu aberto
mas no íntimo e profundo.
Parece longe, e está tão perto
o Salvador do mundo!

Traz em suprema fragilidade,
este Menino chamado Jesus,
a inteireza da divindade.

Para apagar toda a escuridão
do Oriente nos vem vem a Luz:
para que lá orientes o teu coração.



Pe. JAC

31 de dezembro de 2012

Santa Maria Mãe de Deus, Senhora de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro!




A solenidade de Santa Maria Mãe de Deus assinala, liturgicamente, o fim da Oitava de Natal. No primeiro dia do ano civil de 2013, a Igreja inteira celebra Maria e contempla-a como Mãe de Deus e Mãe da Humanidade. Recebemos também a benção sacerdotal, contida no Livro dos Números: "O Senhor te abençoe e te guarde./ O Senhor faça brilhar sobre ti a Sua face e te seja favorável./ O Senhor dirija para ti o Seu olhar e te conceda a paz."

Também desde 1968, anexa a esta solenidade litúrgica está a celebração do Dia Mundial da Paz. Motivos mais que suficientes para a nossa oração, celebração e também para o nosso compromisso empenhado em sermos obreiros da paz. Como escreve Bento XVI na sua mensagem para este dia: "as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus".

Mas esta solenidade litúrgica de Santa Maria Mãe de Deus faz-nos direccionar, em uníssono, o olhar, o coração e a canção para a Mulher-Mãe pela qual nasce para nós o Autor da Vida, Aquele que hoje recebe o nome de Jesus, porque Deus Salva!
A ela, que nos dá o Salvador, elevamos a nossa oração, com as palavras ternas e meigas, tão divinas de tão humanas que são, de D. António Couto, e só rezamos:

Mãe de Deus,
Senhora da Alegria,
Mãe igual ao Dia,
Maria.

A primeira página do novo ano é toda tua,
Mulher do sol, das estrelas e da lua,
Rainha da Paz,
Aurora da Luz,
Estrela matutina,
Mãe de Jesus e também minha,
Senhora de Janeiro,
Do Dia Primeiro e do Ano inteiro.

Abençoa, Mãe, os nossos dias breves.
Ensina-nos a vivê-los como tu,
Sempre sob o olhar de Deus,
Sempre a olhar por Deus.
A grande verdade a tua vida,
O teu segredo de ouro.
Soubeste sempre que Deus velava por ti,
Enchendo-te de graça.
E tu soubeste sempre olhar por Deus,
Porque soubeste bem que Deus também é pequenino.
Acariciada por Deus,
Viveste acariciando Deus.

Por isso, todos de proclamaram "bem-aventurada"
E nós também de aclamamos "bem-aventurada".

Senhora e Mãe de Janeiro,
Do dia primeiro e do ano inteiro.
Acaricia-nos.
Senta-nos em casa ao redor do amor, do coração.
Somos tão modernos e tão cheios de coisas...
Tão cheios de coisas e tão vazios de nós,
De humanidade e de divindade.
Temos tantas coisas e falta-nos o essencial:
A tua simplicidade e alegria.

Faz-nos sentir, Mãe nossa,
O calor da tua mão em nossos rostos frios,
Insensíveis, enrugados,
E faz-nos correr, com alegria,
Ao encontro dos pobres e dos necessitados.

Que seja, e pode ser, porque Deus o quer e nós também podemos querer, um ano novo bom, cheio de paz, pão e amor, para todos os irmãos que Deus nos deu. Ámen.



Pe. JAC

29 de dezembro de 2012

Sagrada Família de Jesus, Maria e José





A verdadeira razão do Natal
cresceu depressa e especial.
Jesus já vai ouvindo e cumprindo
a vontade de seu Pai.

Cresce em graça e sabedoria,
cresce, como nós, mas diferente,
inteiro e irreverente, mas não rebelde...
Cresce na delicadeza do Amor
vivido dia-a-dia na Sagrada Família.

Eis que aos doze anos, em Jerusalém,
na Sua aguçada e inteligente procura,
fez da "casa" do Pai Sua casa segura
desafiando aos doutores a ciência
com a Sua tão divina sapiência.

Como filho obediente, à escuta,
com Seus pais voltou a Nazaré.
Fica já a lição para Maria
e mesmo sem compreender, guarda:
O Filho deve estar na casa do Pai
e Jesus já está nas coisas de Deus!


Pe. JAC

24 de dezembro de 2012

Feliz Natal





Se queres que seja Natal,
volta a olhar e a apreciar,
aquela pequena e brilhante luz
que rasgou a escura e fria noite,
e aqueceu de mansinho o coração humano.
Sê contador do maior milagre do Amor!
Feliz Natal!


Pe. JAC

22 de dezembro de 2012

Senhora da visitação. Poema no IV domingo do advento




Corres ligeira,
Senhora nossa,
Mãe e medianeira
E ensinas-nos a passar das palavras
À Palavra feita carne.

Corres com atenção,
Maria de Nazaré,
Senhora da visitação
E mostras em obras de amor
Aquele que já mora em Teu coração.

Corres com solicitude,
Virgem Maria,
Para nos ensinar a virtude:
A Deus é preciso assentir
E ao próximo visitar e servir.

Senhora que visitas
Pois já foste visitada,
Desde sempre preservada
És feliz e bem-aventurada:
Tu o primeiro sacrário da terra
A albergar o Deus que vem
Ajuda-nos a acolher o Teu Filho
E, por Ele, acolhe-nos também.


Pe. JAC

Dar vida ao mundo! Um poema para o IV domingo do advento




Eis que a serva do Senhor
Acolhe e reconhece o Amor
Dom para ser partilhado,
Sentido e anunciado...
Transformou a palavra em acção
E partiu com Deus no coração.

O amor sobre cada um derramado
É o sinal do Deus entranhado
Na fragilidade pronta a gerar
Na pureza digna de amar.

A alegria de dar a vida ao mundo
É o concretizar mais profundo
Do milagre do amor;
Um Deus que nasce pequeno
Humilde e frágil,
Humano e divinal:
Ele é o Natal!



Pe. JAC

19 de dezembro de 2012

O que aconteceu ao milagre do Natal?






Por mais cíclica que a História possa ser, ela deveria obedecer a uma regra de progressividade em espiral infinitamente crescente.
No que respeita ao milagre do Natal, o milagre da Encarnação do Filho de Deus, as coisas não se afiguram desse modo. Nisto do Natal, as coisas são tão rectamente progressivas que ficou muito longe, muito afastado o horizonte do princípio e da origem, a fonte e a nascente. E quando assim é, vamos sem saber como e sem saber para onde porque esquecemos o donde...
Perdemos a memória do milagre de Natal. Perdemos o encanto e a beleza e a luz e as estrelas de Belém... Perdemos os olhos brilhantes e luzidios do Menino, perdemos o calor do afago e do abraço de Maria e perdemos a firmeza e a protecção de José. Perdemos o encanto das palavras e da Palavra, do Verbo que se faz Pessoa, que se faz Presente para nós.
Deste modo, perdemos o verdadeiro Natal. E continuaremos a perdê-lo, em cada ano, em cada dia, sempre que não soubermos contar e cantar a toada daquela melodia divina que se faz ouvir daquele rincão de Belém, desde há muitos anos. Porque, como diria Ignacio Buttita: um povo torna-se pobre quando lhe roubam as canções que aprendeu dos seus pais. E em relação à música do Natal, estamos cada vez mais pobres.
Perdemos o sentido do caminho que nos faz sentir o Natal. Percorremos corredores de montras, fazemos corridas e maratonas entre lojas, calculamos preços caros o bastante e baratos o suficiente, desviamo-nos das pessoas nesta correria desenfreada de um consumismo feroz. Esvaiu-se o tempo para parar e sentir, para preparar uma casa e o coração para acolher Aquele que nasce para cada um de nós. E a crise em tempo de Natal parece que não é mais que o próprio Natal em crise!
As luzes, tantas luzes, piscam num inconstante e frágil brilhar, numa artificialidade que a natureza das estrelas desconhece. Esquece-se o Presente numa lista imensa de prendas, perde-se a partilha num egocêntrico sentir, num olhar desfocado que sorri com o rasgar eufórico de papéis de embrulho, em vez de sorrir com o surgir radiante de uma Vida... dada inteira para nós.
Contrasta o consumismo, com o que deveria ser altruísmo: um Deus Prenda e Presente para nós. Contrastam os motivos exteriores dos festejos, com a interior razão da alegria do Natal: o milagre do Dom de Deus por e para mim. Contrasta esta espécie de "Natal" de contrastes...
A essência do verdadeiro Natal jamais mudará ou passará... é como o Amor. Porque o milagre do Natal é mesmo o milagre do Amor.
~
 
Se queres que seja Natal,
volta a olhar e a apreciar,
aquela pequena e brilhante luz
que rasgou a escura e fria noite,
e aqueceu de mansinho o coração humano.
Sê contador do maior milagre do Amor!
Feliz Natal!



Texto publicado na edição de 19 de Dezembro do Correio do Vouga
Pe. JAC

16 de dezembro de 2012

Dar lugar à alegria! Poema no III domingo do advento. (Laetare)




O que devemos fazer?
Rejubile de alegria vosso coração
Porque de Deus sempre vem o perdão
Que liberta do pecado e da dor
Renovando com graça e amor.

O que devemos fazer?
Exulta e canta de alegria
Pela presença certa dia-a-dia
Do Senhor que faz maravilhas
Em todos os caídos deste mundo.

O que devemos fazer?
Seja feliz o nosso caminhar
Até no meio da lama que é preciso limpar...
E saibamos repartir e partilhar,
e a cada pessoa sempre e em tudo amar.

O que devemos fazer?
Que as dificuldades de cada dia,
Não nos tirem a alegria;
pois sabemos em quem esperamos
E confiamos que está bem perto.

O que devemos fazer?
Não nos cansemos de amar,
De dar e de anunciar
A alegria Daquele que vem!



Pe. JAC

14 de dezembro de 2012

Um poema de S. João da Cruz. Oração da alma enamorada!




Findo o dia de Santa Luzia, entrevejo desde já o de S. João da Cruz. Com ele, me deito já em oração (bem que podia ser noite escura, mas) com a alma enamorada e despido das minhas palavras.


Oração da alma enamorada

Senhor Deus, amado meu!
Se ainda Te recordas dos meus pecados,
para não fazeres o que ando pedindo,
faz neles, Deus meu, a tua vontade,
pois é o que mais quero,
e exerce neles a tua bondade e misericórdia
e serás neles conhecido.
E, se esperas por obras minhas,
para, por meio delas, me concederes o que te rogo,
dá-as Tu, e opera-as Tu por mim,
assim como as penas que quiseres aceitar
e faça-se.
Mas se pelas minhas obras não esperas,
porque esperas, clementíssimo Senhor meu?
Porque tardas?
Porque, se, enfim,
há-de ser graça e misericórdia
o que em teu Filho te peço,
toma a minha insignificância,
pois a queres,
e dá-me este bem,
pois que Tu também o queres.
Quem se poderá libertar dos modos
e termos baixos
se não o levantas Tu a Ti em pureza de amor,
Deus meu?
Como se levantará a Ti o homem
gerado e criado em baixezas,
se não o levantas Tu, Senhor,
com a mão com que o fizeste?
Não me tirarás, Deus meu,
o que uma vez me deste
em teu único Filho Jesus Cristo,
em quem me deste tudo quanto quero.
Por isso folgarei pois não tardarás,
se eu espero.
Com que dilações esperas,
pois, se desde já podes amar a Deus
em teu coração?

Meus são os céus e minha é a terra;
minhas são as gentes,
os justos são meus, e meus os pecadores;
os anjos são meus
e a Mãe de Deus
e todas as coisas são minhas;
e o mesmo Deus é meu e para mim,
porque Cristo é meu e todo para mim.
Que pedes pois e buscas, alma minha?
Tudo isto é teu e tudo para ti.
Não te rebaixes
nem repares nas migalhas
que caem da mesa de teu Pai.
Sai para fora de ti e gloria-te da tua glória,
esconde-te nela e goza,
e alcançarás as petições do teu coração.

Ditos de Luz I, 25-27
S. João da Cruz in As mais belas páginas de S. João da Cruz p. 176,177


Pe. JAC

9 de dezembro de 2012

Mudar o velho em novo! Poema no segundo domingo do advento.




João Batista tem a missão
de transformar cada coração,
torná-lo limpo e sem pecado,
belo, puro e renovado...

Como Jesus, também João
nos convida à conversão
porque é preciso ter consciência
do caminho da penitência...
Estrada de libertação,
rumo à feliz salvação.

Viver cada dia como oportunidade
de renascer para a santidade...
Viver com o coração pleno de Amor
e preparar em nós o caminho do Senhor.

João Baptista deixa claro ensino:
É preciso mudar o velho em novo,
voltar o coração para o Céu
que nos vem por um Menino,
não como os grandes que governam
mas um menino pequenino.


Pe. JAC

6 de dezembro de 2012

Um convite de blogers...




Da Utília, que escreve aqui, recebo e aceito o convite:

Estamos no Advento, e há uns anos que Jesus pela PALAVRA e pela HERANÇA que nos deixou nos convida a partilharmos algo em conjunto. Gostamos de caminhar juntos(as), somos de vários cantos de Portugal e doutros países, mas temos algo em comum: O Amor de Deus.
E neste Amor que temos às palavras da PALAVRA quero fazer um convite muito especial a todos: que, com a Diocese de Aveiro, em 11 DE DEZEMBRO 2012 cada um de vocês envie uma frase Bíblica, aquela que durante toda a vida lhe tocou mais o coração ou aquela que nesse dia lhe parecer mais adequada a um familiar, a um amigo, ou a um blog amigo, ou a um amigo no facebook. Não se esqueça de mencionar o capítulo e o versículo da Bíblia em que se encontra a citação.
E então, vamos lá? É já na próxima terça-feira...


Pe. JAC

4 de dezembro de 2012

Um dia vou falar de Ti... Hoje é o dia!





No mês em que celebramos o mistério da Palavra feita carne a proposta da Missão 11, da Missão Jubilar da diocese de Aveiro, não podia ser outra. Mostrar de forma bela e criativa pequenas mensagens/frases bíblicas.
Para já vai-se fazendo o convite através do Missão 11. Depois, oxalá que a Bíblia se possa ler, (des)continuadamente, em cada canto, rua e recanto da nossa diocese.

Desconhecer a Bíblia é desconhecer Cristo, dizia S. Jerónimo. A pergunta que deves pôr a partir daqui é: conheces verdadeiramente Cristo?

O Natal é o mistério do Deus feito Palavra. Mas só O descobrirás se o Advento, agora iniciado, for caminho ao encontro do monte do Deus de Jacob. Por isso, caminha à luz do Senhor!

1 de dezembro de 2012

Neste advento, tu podes renascer! Um poema para o primeiro domingo do Advento.




Anestesiados vamos passando
Como se tudo se resumisse a passar
E não nos colocamos, inquietos, a vigiar...
Atordoados pelo barulho voraz
E às escuras no meio de tanta luz
Não ouvimos a voz suave de Cristo Jesus.

Eis que chega, sempre novo, o advento
Como página em branco de outro tempo
Para elevar a Deus a nossa alma e oração.
Pode o mar agitar-se e a terra estremecer
Que aquilo que está para acontecer
Será a grandiosa e inaudita novidade...

Porque o que há de mais divino
No nosso tempo e no nosso mundo
"É viver cada segundo, como nunca mais!"
De rosto erguido e mãos levantadas
Elevemos a nossa voz para dizer:
Neste advento, tu também podes renascer!



Pe. JAC

Tu virás por mim, eu creio que sim

No dia do Festival Nacional Jovem da canção de mensagem que decorre em Fátima, neste primeiro domingo do Advento, ainda tive a oportunidade (e o pouco jeito) de escrever/compor uma canção...




Partilho o texto, e quando puder a versão cantada...


Sentado à beira da estrada, espero
Não me movo nem faço nada.
Perder este momento, não quero
Para que nada me distraia.
Sei que um dia, Tu virás, por mim
Não sei a hora e o momento,
Mas sei, e creio que sim
E com esse saber me contento.

(Letra inspirada em dois poemas, um de Joaquim Mexia Alves e outro de Carminda Marques)
Pe. JAC

26 de novembro de 2012

Um reino de amor! Um poema a Cristo Rei




O mundo não tem tamanho maior
do que quando visto com amor
daquele centro alto da Cruz
onde continua, vivo, Cristo Jesus.

É do alto desse trono da Cruz
que surge forte e brilhante a luz
que não ofusca e que só guia
que põe fora toda a quinquilharia
de um qualquer império militar,
e o muda, por dentro, sem combater,
em nova ordem onde reina o verbo amar.

Nesse reino de Cristo Jesus,
a única "arma" é o amor,
porque Deus reina sem poder
ou com o poder das mãos vazias,
estendidas e abertas,
como flechas que ferem, sem magoar,
e que fazem converter e mudar
o nosso coração cheio de clamor
não em casa de poder, mas só de amor!


Pe. JAC

22 de novembro de 2012

Fé e memórias do leigo que falou no Concílio





Não é descabido, nem pela riqueza de pensamento nem pelo testemunho de fé, ler e ouvir o filósofo Jean Guitton. Acresce a isto o facto de este ser, até ao momento, em toda a história da Igreja, o único leigo a quem foi dada a palavra num Concílio. Em pleno Ano da Fé, que assinala os 50 anos da abertura do Vaticano II, no qual usou da palavra, eis mais uma razão para ler. Sugiro uma entrevista concedida à jornalista italiana Francesca Pini, que dá origem ao livro com o título “No coração do infinito”.
Do alto dos seus 96, na altura em que concedeu esta entrevista (Jean Guitton faleceu em março de 1999, com 97 anos) o filósofo francês não se envergonha de falar da sua fé, e de dizer que acreditar é diferente de saber e de compreender; ao invés, acreditar é aderir na noite. Sempre procurando aproximar fé e razão, mas sem deixar de lado o seu catolicismo, chega a dizer: “O fundamento da minha vida de filósofo foi ajudar as pessoas a optarem por um Deus criador em vez do panteísmo”.
Amigo pessoal de Paulo VI, confessa, a certa altura deste livro, que depois de ter ficado viúvo, a mando de um dos confessores, foi a Roma dizer ao seu amigo: “Agora que a minha mulher morreu, gostaria de me fazer padre”. Ao pedido do amigo, Montini respondeu: “Segunda-feira diácono; terça-feira, padre; quarta-feira, bispo; quinta-feira, cardeal; sexta-feira, papa.” E, termina Guitton, comentando o momento à jornalista: “Troçou de mim”!
Com liberdade de espírito, abertura, franqueza, lucidez, sabedoria, mística e fé, eis Guitton à nossa mercê, para ser lido e apreendido, enquanto homem, filósofo, místico e, acima de tudo, cristão até ao fim!

In Correio do Vouga, 22/11/2012


Pe. JAC

Deixar Deus brilhar em cada coração. Poema no XXXIII domingo comum







Pode o sol desaparecer
e o céu escurecer...
Podem as estrelas cair,
e a lua não surgir...
Não há-de vencer a escuridão
em qualquer esperançado coração.

Da debilidade cresce a força,
do desânimo renasce esperança...
Do aparente nada a totalidade
da Fé toda a tranquilidade...
É na escuridão que brilha a Luz
trazida pelo Filho do Homem, Jesus!

É o fim do meu mundo egoísta que acontece
é o começo dos novos céus e nova terra...
É de amor e de esperança a mensagem
que nos faz entrar em devir e em viagem
para pôr fim ao negrume da escuridão
e deixar que Deus brilhe em cada coração.


Pe. JAC

14 de novembro de 2012

Um laivo de lucidez


Diz o dicionário que "lucidez" é a "qualidade do que é lúcido". Mas poderemos ficar na mesma com esta resumida e ofusca definição. Diz ainda que é a "clareza de raciocínio" e as coisas começam a compor-se nas nossas cabeças. Não quero fazer apologia da "lucidez em demasia", porque "demasiada lucidez é culpada num mundo de cegos, que com a cegueira se contemplam sem desastre de maior" (Agustina Bessa-Luís). Trato de procurar ver com clareza e realismo, com razão e com fé, com pensamento e com sentimento.
Vivemos num tempo que não escolhemos viver, é bem certo. Mas uma coisa é certa: não temos outro tempo que não este que é agora. Embora reconheça, sentida e lucidamente, que reduzir a existência ao agora é tão errado quanto querer retirar o agora do tempo que temos.
Não é de agora que o equilíbrio é virtude. Mas, dá-me tantas vezes a impressão que equilíbrio ou virtude são coisas que não nos interessam muito...
Porque temos crise e ouvimos "ah, no meu tempo é que era". Porque temos crise diz-se à boca cheia "ah, isto há de compor-se". Esquecemos facilmente que é agora que se "joga" o "jogo" da vida, é agora que temos para viver. É verdade que nós esperamos ter "amanhã" (esperança), sabemos que tivemos "ontem" (memória) mas é "hoje" (realidade) o meu tempo, é agora a minha hora. Se há alguma coisa a fazer, pois não temos outra hora que não a de agora.
É verdade que o passado é mestre e que a memória não pode ser curta. Um e outra ensinam a distinguir/discernir e a optar melhor. Mas é agora que temos que para fazer opções.
Continuar a fazer as mesmas coisas de sempre e esperar que os resultados sejam diferentes não é mais do que loucura e falta de lucidez.
Querer fazer diferente, em si mesmo, não é loucura. Pode ser aventura. Pode até bater-se com a cabeça na parede, é verdade, particularmente se nos faltar a esperança e a memória, mas se não fizermos de hoje o nosso tempo - que é esse que Deus nos dá - que ficará do nosso tempo e da nossa passagem pela terra? De que serviu o passado? Que futuro se constrói?
Eu gostava de ser mais capaz de assumir o que tenho, e de não chorar "as cebolas do Egipto" ou projectar futuros irrealistas.
Gostava de reconhecer e aceitar as oportunidades que o tempo presente proporciona, à sociedade e à Igreja.
Gostava de olhar para trás e aprender, mas de não ficar apenas atrás...
Gostava que o mundo - pelo menos onde eu estou - ficasse um pouco melhor com a minha ajuda.
Gostava de não me demitir da missão e tarefa de ser sujeito, agente e promotor da construção de um mundo melhor.
Gostava também que a Igreja de Jesus Cristo, da qual faço parte, não perdesse a memória do passado, que continuasse a fazer Memória e em memória do seu fundador, mas sabendo que o tempo para o fazer é hoje.
Gostava... Gostava que a lucidez ainda tivesse lugar hoje, ainda que fosse apenas um laivo.

Pe. JAC
Texto publicado na edição de 14 de novembro, do Jornal Correio do Vouga.

11 de novembro de 2012

Gestos de amor não têm preço! Poema no XXXII domingo comum




De que interessa o que temos
quando não damos o que somos?
A Jesus não importa o dinheiro,
apenas que se seja verdadeiro e inteiro!

Quando a riqueza da aparência
não coincide com a essência,
a riqueza material
é vazio anódino e banal...
Passa o tempo a contar
o menos que pode dar...
E só dá para se ver
quão grande é seu "poder".

Ricos para Deus são os sábios,
que não são escravos do que têm...
São os que sabem
que o caminho de santidade
se faz com a verdade
de ser o que se é
e viver alicerçado na fé.

Para Deus importante é ser,
agir de coração e crer...
que um gesto de amor
não tem preço, só tem valor.


Pe. JAC





10 de novembro de 2012

Diário da Missão Jubilar: um sinal da alegria e da esperança cristãs












A primeira Missão 11, da Missão Jubilar dos 75 anos da Restauração da Diocese de Aveiro decorre amanhã. O Dia do Anúncio convida cada pessoa a colocar na sua casa o estandarte da Missão Jubilar. Cada estandarte colocado de modo visível para o mundo, é uma manifestação de alegria de ter Cristo em casa. É uma forma diferente de abalar a indiferença - patologia disseminada pela superficialidade dos dias. Queremos com cada estandarte colocado nas nossas varandas, janelas e espaços exteriores iluminar o nosso mundo com a esperança que brota da Cruz de Cristo. 

Vive esta hora!


Pe. JAC

4 de novembro de 2012

Uma história de amor entrelaçado! Poema no XXXI domingo comum




De que vale aos homens
Passar os dias a cumprir ordens,
Se não souberem que o Amor
É o caminho proposto pelo Senhor?

De que vale uma fé
Carregada de obrigações,
Se não escutar a voz de Deus
E deixar que Ele molde os corações?

O que diz o mandamento
É convite para escutar
Porque Deus tem sempre algo novo para falar.

Todo e qualquer mandamento
Que oprime e não liberta
Não é mandado por Jesus.

O mandamento maior
É o do Amor entrelaçado
A Deus e aos irmãos.

Quando amar com o amor de Cristo
Não terei histórias de amor para contar.
Serei eu mesmo uma história de amor.


Pe. JAC

31 de outubro de 2012

Todos os Santos. A santidade é a normalidade do bem!





"A flor do mundo é a santidade. Essa forma de Deus presente em todos os tempos, em todas as latitudes, em todas as culturas. O que salva o mundo é a santidade: ela dá flexibilidade à dureza, torna uno o dividido, dá liberdade ao aprisionado, põe esperança nos corações abatidos, esconde o pão no regaço dos famintos, abraça-se à dor dos que choram e dança com outros a sua alegria. A santidade é um sulco invisível, mas torna tudo nítido em seu redor. A santidade é anónima e sem alarde. A santidade não é heróica: expressa-se no pequeno, no quotidiano, no usual. O pecado é a banalidade do mal. A santidade é a normalidade do bem. Como fica demonstrado neste poema de Maria de Lourdes Belchior:

«Hoje é dia de todos os santos: dos que têm auréola
e dos que não foram canonizados.
Dia de todos os santos: daqueles que viveram, serenos
e brandos, sem darem nas vistas e que no fim
dos tempos hão de seguir o Cordeiro.
Hoje é dia de todos os Santos: santos barbeiros e
santos cozinheiros, jogadores de football e porque
não? comerciantes, mercadores, caldeireiros e arrumadores
(porque não arrumadoras? se até
é mais frequente que sejam elas a encaminhar o espectador?)
Ao longo dos séculos, no silêncio da noite e à
claridade do dia foram tuas testemunhas; disseram sim/sim e não/não; gastaram palavras,
poucas, em rodeios, divagações. Foram teus
imitadores e na transparência dos seus gestos a
Tua imagem se divisava. Empreendedores e bravos
ou tímidos e mansos, traziam-te no coração,
Olharam o mundo com amor e os
homens como irmãos.
Do chão que pisavam
rebentava a esperança de um futuro de justiça e de salvação
e o seu presente era já quase só amor.
Cortejo inumerável de homens e mulheres que Te
seguiram e contigo conviveram, de modo admirável:
com os que tinham fome partilharam o seu pão
olharam compadecidos as dores do
mundo e sofreram perseguição por causa da Justiça
Foram limpos de coração e por isso
dos seus olhos jorrou pureza e dos seus lábios
brotaram palavras de consolação.
Amaram-Te e amaram o mundo.
Cantaram os teus louvores e a beleza da Criação.
E choraram as dores dos que desesperam.
Tiveram gestos de indignação e palavras proféticas
que rasgavam horizontes límpidos.
Estes são os que seguem o Cordeiro
porque te conheceram e reconheceram e de ti receberam
o dom de anunciar ao mundo a justiça e a salvação»."

(José Tolentino Mendonça, In Pai-nosso que estais na terra)




Pe. JAC

Diário da Missão Jubilar. Missão de toda a Diocese e para todos






O bispo de Aveiro lançou este mês a Missão Jubilar que vai decorrer até 11 de dezembro de 2013, nos 75 anos da restauração da diocese, um tempo de renovação das comunidades e de compromisso na Igreja e na sociedade. Uma ideia mobilizadora que quer chegar ao coração dos 350 mil habitantes do território diocesano.


Numa entrevista concedida à Agência Ecclesia, D. António Francisco, diz da Missão Jubilar:
"A Missão Jubilar não é apenas um conjunto de atividades, mas um espírito novo de sermos Igreja, Igreja de Jesus Cristo no séc. XXI, 50 anos depois do Concílio, no Ano da Fé e 75 anos depois de sermos diocese restaurada".


Ler na íntegra

Pe. JAC

27 de outubro de 2012

Crer mais que querer. Poema no XXX domingo do tempo comum





Na subida para Jerusalém,
Jesus continua a caminhar...
e, no caminho, há sempre mais alguém
para curar, libertar e salvar.

Estava um cego sentado
esquecido e rejeitado,
e na passagem de Jesus
pressentiu salvação e luz.

Com clamor, pediu piedade
queria descobrir a visão...,
Não só dos olhos como do coração
pois queria (vi)ver a eternidade.

Ele cria tanto mais que querer
que a sua fé o salvou...
e com amor, Jesus o curou!

Com o coração pronto a acolher
ele partiu e seguiu Jesus,
guiado pela nova luz!


Pe. JAC

26 de outubro de 2012

Um desabafo: A riqueza e beleza da missão jubilar!




Está para fazer um ano que fui convidado para integrar a comissão coordenadora da Missão Jubilar dos 75 anos da Diocese de Aveiro.
Permito-me e permitam algumas linhas, mesmo sem coordenação, acerca desta experiência que tem sido bela, rica mas, ao mesmo tempo, exigente.

Em primeiro lugar, sendo um "estrangeiro" desta diocese foi com surpresa e algum receio, reconheço, que recebi o convite... Que mais valia seria eu se nem conhecia bem as sedes dos arciprestados componentes desta diocese?... O que é certo é que, depois de rezar a decisão, lá fui, entrando no barco da Missão Jubilar.

Daí para cá, e especialmente a partir de Janeiro passado, depois de constituída a restante comissão, tem sido um corridinho, um verdadeiro corrupio... Reuniões em cima de reuniões, encontros em cima de encontros, ideias em cima de ideias... Estonteantes os périplos que já fiz pela diocese, de arciprestado em arciprestado, de paróquia em paróquia.

Com isto, fui eu que fiquei a ganhar! Conheci lugares que não conhecia. Conheci pessoas, tantas pessoas, que não conhecia. Tive oportunidade de sentir o desejo dos cristãos desta diocese em assumirem e se comprometeram mais e melhor na construção desta Igreja peregrina em Aveiro. Tive oportunidade de contactar com pessoas dispostas a ser Igreja com sentido de responsabilidade e de serviço!

Conheci pessoas fantásticas. Lembro-as e retenho algumas... Uma senhora em Vagos a chorar depois de se aperceber da missão e temer não ser capaz. E depois de uma palavra, a esperança, a confiança e o compromisso... Lembro um senhor em Ílhavo a dizer "é mesmo isto que eu precisava"... Lembro tantos e tantas, de todos os lados, a dizem "obrigado" pelo belo caminho a que se propõe esta MJ... São aos "molhos" os sinais e os indicadores das oportunidades que esta Missão Jubilar confere!

Lembro também pessoas da minha paróquia a dizerem-me já "obrigado padre, porque com esta missão já conheci pessoas que em muitos anos de vizinhança não conheci"...

Tem sido tudo cor de rosa? Nem pensar! Também há resistências. Muitas. Algumas, vindas de pessoas impensáveis. Mas também isso faz parte do caminho. E o segredo é transformar dificuldades em oportunidades!
Vai tudo correr como planeamos? Não sei, mas não tem que ser! Sei que o que se planeou não é fruto de uma "cabeça iluminada" mas súmula da reflexão alargada à diocese, serviços, paróquias, padres, religiosos, leigos, movimentos...

Sei e creio que esta hora que Deus dá a esta diocese de Aveiro não pode ser desperdiçada. De facto, há um tempo para tudo. Agora é tempo de Missão Jubilar. Vive esta hora! E viva esta hora!

Estamos em missão!


Pe. JAC

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...