30 de outubro de 2017

Todos salvos pela esperança. Santos e Fiéis Defuntos


Chorar, amargamente, quem nos morre, é um ato profundamente cristão. Só não o será o desespero completo, perante essa morte. Porque seremos salvos pela esperança. A perdição seria o desespero, simplesmente.


29 de outubro de 2017

O mesmo amor semelhante e indiviso


“Ama a Deus com todo o coração” não significa: ama só a Deus, reservando todo o coração para Ele, mas ama-o sem meias medidas. E verás que te soba coração, ou antes, que te cresce o coração, para amares o marido, a mulher, o filho, o familiar, o amigo, a ti próprio. Deus não é ciumento, não rouba o coração: multiplica-o.
“Amarás com toda a tua mente”: o amor torna-te inteligente, faz-te entender melhor, chegar mais fundo, chegar primeiro. “Amarás com todas as tuas forças”: o amor torna-te forte, capaz de enfrentar qualquer obstáculo, qualquer fadiga e dificuldade.
Jesus acrescenta: "O segundo é semelhante ao primeiro". "Amarás o homem"  é semelhante a "amarás a Deus". O próximo é semelhante a Deus. Esta é a grande novidade trazida por Jesus: o próximo tem rosto, voz e coração semelhante a Deus. 
O próximo deve ser escutado como uma palavra santa, o rosto do outro deve ser lido como um livro sagrado, e o seu grito deve ser feito teu como se fosse Palavra de Deus. 

Ermes Ronchi e Marina Marcolini, in “A Esperança que nasce da Palavra”  




«Os discípulos de Jesus nunca poderão separar estes dois amores. Tal como, numa árvore, não se podem separar as raízes da sua copa: quanto mais amarem a Deus, mais intensificam o amor aos irmãos e às irmãs; quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, mais aprofundam o amor a Deus». 
C. Lubich

27 de outubro de 2017

Halloween. Uma festa católica!?




No último dia de Outubro, um pouco por todo o mundo, festeja-se o “Halloween”, cujo nome resulta da contração de “All Hallows' Evening”, que significa literalmente “Vigília de Todos os Santos”. Esta Vigília manteve-se na tradição católica até à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. 
Trata-se de uma festa que teve início entre os católicos irlandeses que, nas vésperas da Vigília de Todos os Santos, se vestiam com símbolos pagãos para “gozarem” e ridicularizarem os antigos costumes do paganismo.

O Halloween é, pois, a cristianização de um festival pagão, de origem Celta, que se chamava “Samhain”. Portanto, o fantasiar-se de monstro ou de bruxa pode até ter começado com os pagãos, mas no “Samhain”, não no “Halloween”. Os católicos adotaram esse costume mudando a finalidade: manifestar a supremacia de Cristo sobre todas as coisas.

Pergunta essencial: será que as festas de Halloween dos nossos dias, massificadas e globalizadas pela cultura americana, muitas até realizadas nos nossos espaços pastorais, ainda mantêm esta finalidade?

25 de outubro de 2017

Paraíso: Abraço com Deus, Amor infinito

Papa Francisco, na Audiência Geral desta quarta-feira:

O paraíso é um abraço com Deus, Amor infinito, e entramos nele graça a Jesus, que morreu na cruz por nós. Onde há Jesus, há misericórdia e felicidade, sem Ele há frio e treva”.
Na hora da morte, mesmo que não haja ninguém que se recorde de nós, Jesus estará ali ao nosso lado e quer levar-nos para o lugar mais belo que existe. E à casa do Pai levará o que fizemos de bom e o que precisa ainda de redenção: as faltas, os erros de toda a nossa vida.
E esta é a meta da nossa vida: que tudo se realize, e seja transformado em amor.
Se acreditarmos nisto, a morte deixa de nos meter medo, e podemos esperar mesmo partir deste mundo de forma serena, com muita confiança. Quem conheceu Jesus, já não teme nada”.

22 de outubro de 2017

A Deus o que é de Deus!


De Deus é a terra é tudo o que ela contém, de Deus é o homem, aquele homem que é como um sopro que passa, mas que também é um pouco inferior a um deus.
A César pertencem às coisas, a Deus a pessoa, com toda a sua dignidade, grandeza, consciência e coração. Cada um de nós passa pelo mundo como uma moeda de ouro que traz em si a inscrição e a imagem divina.
Jesus diz-me a mim: não inscrevas no teu coração outras pertenças a não ser a DeusPermanece livre e rebelde frente a cada tentação de te deixares comprar ou possuir; diz repetidas vezes ao poder: eu não te pertenço. 
A cada poder humano, Jesus repete: não te apropries do homem, não ponhas as mãos sobre a sua consciência ou sobre o seu corpoO homem pertence a Deus, é coisa de Deus. O homem tem Deus no sangue. 


Ermes Ronchi e Marina Marcolini, in “A Esperança que nasce da Palavra”  

21 de outubro de 2017

Ide, sem medo (Uma canção e uma oração)



Barcas ao largo,
Corações ao alto,
Em pura sintonia com a alegria do Evangelho,
Ide!
Ide
E entrai em cada coração,
Semeai a paz,
Saboreai o pão que houver,
E que a mão de Deus vos der.
Não largueis nunca essa mão de amor.
É ela qupue vos guia
Rumo à alegria
Da messe e da missão.
Acolhe, Senhor, a minha prece
Por todos os que continuam a levar o teu amor
A toda a humanidade
E a fazer de cada coração
A casa mais bela da cidade. 

D. António Couto

19 de outubro de 2017

Alma que espera...

A esperança é sempre uma boa aposta se for esperança em Deus.
Ele é que é a fonte da esperança e Ele não desilude!




Eu confio no Senhor, 
a minha alma espera na sua palavra. 
A minha alma espera pelo Senhor 
mais do que as sentinelas pela aurora

Salmo 129(130)



17 de outubro de 2017

Fidelidade (Great Is Thy Faithfulness)







A fidelidade do Senhor permanece para sempre!

"Devemos ouvir os jovens!". Será mesmo?


XV ASSEMBLEIA ORDINÁRIA GERAL DO SÍNODO DOS BISPOS

Jovens, fé e discernimento vocacional



Com esta jornada, a Igreja quer ouvir a voz, a sensibilidade, a fé e também as dúvidas e críticas dos jovens. Devemos ouvir os jovens! (Papa Francisco, ao convocar uma reunião pré sinodal, agendada para Março de 2018)

Precisamos abordar os jovens não só para nos ajudar a entender "como" anunciar a mensagem cristã hoje, mas também para entender melhor "o que" o Senhor Jesus pede a sua Igreja hoje ", o que ele espera desse momento histórico" o que "cortar" e o que "em vez de encontrar dentro de sua missão. (Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral)

“Os jovens são importantes, têm papel decisivo no futuro e é preciso dar-lhes espaço, inseri-los e também receber os seus contributos”. (D. Joaquim Mendes)


Diante disto, estou convencido que não basta dizer e desejar que os jovens sejam ouvidos na Igreja/pela Igreja. Pergunto-me se eles querem mesmo falar à Igreja? Será que estão dispostos a isso? Ou reina entre nós a indiferença generalizada que advém da secularização?

Mais ainda: Será que nós os queremos mesmo escutar? Muitas vezes não estou certo disso...

Além disso: Será que criamos as condições/espaços/lugares para que os que querem falem e nós os escutemos?


Não conheço a totalidade das iniciativas diocesanas sobre esta matéria. Conheço algumas. Mas vou vendo o tempo a passar, as fases diocesanas a concluir-se, e vou constatando pouco entusiasmo. O que é pena! E também sinal. 



16 de outubro de 2017

Semear e despertar a esperança!




Depois de muitos dias a ver aquela senhora a fazer aquilo o homem ganhou coragem e perguntou: 
-Bom dia! Porque é que todos os dias a senhora atira sementes para a estrada? 
-Bom dia! Porque todos os dias, olho para ela e vejo-a vazia e sem vida e assim com o lançar destas sementes espero um dia que elas nasçam e encham de vida esta estrada. 
-Mas repare, ao lançar as sementes muito provavelmente o vento vai levá-las, os pássaros irão comê-las e nenhuma dará aqui fruto. 
-Pelo menos eu tento e tenho esperança, agora só me resta esperar!

(autor desconhecido)

13 de outubro de 2017

Um Deus que serve!


EVANGELHO – Mt 22,1-14. XXVIII Domingo do Tempo Comum

Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e, falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho. Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir. Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes: ‘Dizei aos convidados: Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos, tudo está pronto. Vinde às bodas’. Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal e mataram-nos. O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade. Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes’. Então os servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial. E disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’. Mas ele ficou calado. O rei disse então aos servos: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».



Esta parábola ajuda-nos a não nos enganarmos sobe Deus. Muitas vezes, pensamos Nele como um Deus que chama a servi-lo e, pelo contrário, é Ele que nos serve. Muitas vezes tememo-lo como o Deus dos sacrifícios e, no entanto, Ele é o Deus que toma a peito a nossa alegria. 
Pensamos Nele distante, marginalizado, contudo Ele está no coração da vida, dentro desta sala do mundo, como uma promessa de felicidade. E prefere a felicidade dos seus filhos à sua fidelidade. Porque a alegria é como uma escada de luz que pousa no coração e se eleva até Deus.

Ermes Ronchi e Marina Marcolini, in “A Esperança que nasce da Palavra”  

12 de outubro de 2017

Vice-versa




Quem não descobre o amor - não encontra Deus.
Quem não encontra Deus - não vê o mistério do mundo. 
Quem não vê o mistério do mundo - não vive a vida.
Quem não vive a vida - não descobre o amor.
E vice-versa:
Quem não encontra Deus - não vê o amor.
Quem não descobre o amor - não vê o mistério.
Quem não vê o mistério - não sabe viver a vida.
Quem não vive a vida - não encontra Deus.

Raimon Panikkar

10 de outubro de 2017

Misericórdia! Papa Francisco

“Os teimosos de alma, rígidos, não entendem o que é a misericórdia de Deus”, alertou o Papa Francisco na sua homilia matinal.
“Os rígidos são covardes, têm um coração fechado, apegados à justiça pura. E esquecem-se que a justiça de Deus se fez carne em seu filho; fez-se misericórdia, fez-se perdão, o coração de Deus está sempre aberto ao perdão”.

9 de outubro de 2017

Viver a Fé em Igreja Doméstica


Todos nascemos numa família e todos somos profundamente influenciados pela vivência em família. Não há famílias ideais nem um único modelo de família. Há um sem-número de situações familiares diferentes mas, olhando a espantosa diversidade existente no mundo, acreditamos que Deus ama a diferença e que todos os seres humanos têm lugar no Seu projeto criador.
Igreja é a reunião de todos aqueles que acreditam em Deus e querem viver a mensagem de Jesus. Todas as famílias podem ser Igreja Doméstica.
Gostaria de considerar como “família” também quem, embora esteja só, traz consigo muitos no coração.

Lucy Wainewright
Autora do livro “Ir à Igreja, Pertencer à Igreja, Ser Igreja”

2 de outubro de 2017

Juntos nos caminhos da missão!



Chego até vós como aquele que serve, como "bendito o que vem em nome do Senhor". Sim, é em nome do Senhor que a Igreja me confia o encargo, o múnus, o serviço da paroquialidade nesta comunidade de Santa Eulália de Fafe, solidariamente com o P. Pedro Daniel, acrescendo ainda a comunidade de Santa Comba de Fornelos. 


Sou padre desta arquidiocese de Braga desde 2010, e estive em missão na diocese de Aveiro desde 2009 até agora. A este propósito, justíssima evocação e penhorada gratidão a D. António Francisco dos Santos, que foi bispo de Aveiro entre 2006 e 2014, recentemente falecido, porque foi alguém fundamental no percurso da minha vida. Portanto, apesar da tristeza da separação, venho até vós com a alegria e o entusiasmo próprio da missão que sempre aprendi especialmente com ele. E Deus me permita, e a todos, aprender dele a bondade, a ternura, o sorriso e a doação da vida toda e até ao fim. 
Chego ao vosso meio imbuído da doçura das gentes dos ovos moles e com a bravura dos que se fazem ao mar e à ria, para dele e dela retirarem o pão para a mesa.Venho para ajudar a construir uma comunidade unida, fraterna e solidária. 

Contai comigo para despertar a esperança, num mundo onde há tantos sinais de desespero, de desesperança, de desilusão. Portanto também conto convosco. Juntos nos caminhos da missão que Deus nos confia. Aqui e agora. Com coragem, com esperança, com alegria.

(primeira mensagem no Boletim Igreja Nova, da Paróquia de Santa Eulália de Fafe.) 

14 de setembro de 2017

"Devo muito mais porque recebi muito mais..." (entrevista ao Correio do Vouga)


A paróquia de Nossa Senhora da Glória e outras pessoas que se quiseram associar despediram-se do P. José António Carneiro no sábado, dia 9 de setembro, com a celebração da Eucaristia e um convívio à volta da mesa. Antes de regressar à arquidiocese de Braga, o sacerdote natural de S. Torcato-Guimarães respondeu a três perguntas do Correio do Vouga. 

1.       Oito anos na Diocese de Aveiro. Certamente, não é ainda o momento do balanço, mas com que estado de espírito deixa a nossa diocese?

José António Carneiro - Parto da diocese de Aveiro com o coração cheio. O meu estado de espírito é, pois, de profunda gratidão e imenso encanto. Parto feliz mesmo que, humanamente já me custe a partida. Foi, absolutamente, uma bênção para mim, uma manifestação da Providência Divina esta minha estadia em Aveiro nestes quase oito anos, quase dois em Águeda e quase seis na Sé. 
Devo exprimir aqui a minha profunda e reconhecida gratidão a D. António Francisco dos Santos, mesmo esmagado pela dor da sua repentina partida, uma vez que neste percurso ele foi inteiramente providencial. Sem ele, estou certo, não teria surgido a possibilidade de vir para Aveiro. Devo isso a D. António Francisco. Parte do que sou hoje, portanto, devo-o ele. 
Portanto se a gratidão me invade nesta hora de regresso a Braga, também sinto profundamente a consternação e a tristeza pela perda daquele que foi, em Aveiro, o meu bispo, e antes e depois disso, felizmente, um grande amigo, um pai em quem sempre pude confiar. 


2.       Presumimos que aprendeu algo em Águeda e Aveiro, como sabemos, pelas diversas manifestações, que muitas aprenderam consigo – e por isso lhe agradecem. Como padre, em duas ou três frases, o que leva de Aveiro?

Levo tanto que não é nada fácil sintetizar. Garanto que, na contabilidade ente o deve e o haver, o dado e o recebido, eu devo muito mais porque recebi muito mais de todos.
Vivo a vida e tenho procurado viver o ministério sacerdotal com a consciência que sempre podemos e devemos ensinar e aprender uns com os  outros. Tento, por isso, ser mestre mas sem deixar de ser aprendiz. Levo, pois, a generosidade das pessoas, a sua bondade, a capacidade de acolher, e de sorrir, assim como a alegria e o espírito positivo frente às agruras.
Levo reforçada a vontade e a abertura para a aventura da missão, que é um estado permanente, de fazer-se ao mar ou à ria, de amarras soltas, como dizia d. António Francisco, na sua despedida de Aveiro.
Levo a experiência de ter feito parte, sobretudo pela Missão Jubilar, de uma Igreja que peregrina, que anuncia, que grita constrói a paz, que visita, que veste a camisola, que é ousada e criativa, mobilizadora, solidária, que faz festa, que conta com todos, que tem lugar para todos, que precisa de todos e que vive em estado permanente de missão. 


3.       Com que expetativas encara a nova missão em terras de Fafe?

O meu regresso à diocese de Braga faz-se não sem algum receio, mas com muita esperança, confiança e entusiasmo. Por vários motivos. 
Todo o meu ministério de padre exerceu-se em Aveiro. Ora estou certo que a adaptação pastoral a novas realidades e a novas geografias irá impõr-se porque apesar de fazermos parte da mesma Igreja de Cristo o modo como se vive pastoralmente é divergente de zona para zona.Também é relevante o facto de ser pela primeira vez na minha vida nomeado pároco in solidum. Essa responsabilidade da missão partilhada solidariamente com outro padre, é uma oportunidade e sempre um desafio para um testemunho de comunhão sacerdotal feito de palavras e sobretudo de ações. 
Ao mesmo tempo sei do dinamismo vivido na diocese de Braga e com certeza o arciprestado de Fafe onde irei trabalhar em duas paróquias não será exceção. 
Conto com a ajuda de todos e o auxílio de Deus, pelo seu Santo Espírito que nos constitui discípulos missionários. Vou para continuar a ser, como em Aveiro, transparência de Deus, rosto de misericórdia e sinal do amor de Deus por todos. Vou, agora mais ainda com a inspiração e a profunda admiração, e por que não dizê-lo até, com a intercessão, desse Bispo D. António Francisco dos Santos que tão bem soube imitar o coração do Bom Pastor, que se não deu às prestações, mas todo inteiro e até ao fim. 




outra notícia aqui

9 de setembro de 2017

Por favor! Obrigado! Desculpe! (Na hora da partida!)




Não gosto de despedidas! Vivo esta hora como hora de partida e como hora de missão! E vivo-a com confiança. Acredito na Igreja de Jesus Cristo sem fronteiras. A minha presença na diocese de Aveiro inscreveu-se nesta convicção. 
A Providência Divina tornou possível, através da solicitude pastoral dos bispos de Braga e de Aveiro, que aqui, entre vós, pudesse crescer, viver e exercer o ministério, primeiro, ainda nas terras de Águeda, como diácono, depois como presbítero, durante quase oito anos, superando até as mais positivas expectativas iniciais. 
Sei que a missão é um estado permanente, é um constante "ir", "sair", "partir", tal como nos ensina Jesus, que foi ao encontro de todos. Seria muito mais fácil navegar na "onda do sucesso" alcançado do que aventurar-se no mar desconhecido, donde, estou certo, resultará a abundância, tão só pela fidelidade obediente à voz do Senhor.
Ao olhar o tempo passado, enquanto se arrumam papéis, deixando-me conduzir pela aragem do Espírito de Deus, que faz novas todas as coisas, e pelo exemplo do Papa Francisco, brotam-me três expressões, que são três atitudes, nesta hora de partida: "por favor, obrigado, desculpe". 
Em primeiro, "desculpe": peço desculpa pelo que não fui capaz de dar e devia ter dado. Reconhecer o "in-conseguido" é passo necessário para se fazer o que a missão impele cada dia! E porque só perdemos aquilo que não damos, lamento aquilo que perdi por não o ter dado!
Em seguida, "obrigado". Agradeço hoje, como em cada noite destes muitos dias, por quanto recebi e que foi sempre muito mais do que aquilo que dei. Eu sou, estou certo, o que mais ganhou e mais lucrou. 
Por fim, "por favor". Por favor, não percam a esperança. Ou como diz, programaticamente, o Papa, na Evangelii Gaudium:"Não deixemos que nos roubem a esperança!” (nº86). Nem "a alegria da evangelização!” (nº83). Nem "o Evangelho" (nº97). Por favor, agarrem o sonho da missão com o "entusiasmo missionário” (nº80) e com "a força missionária!” (nº109). E porque o Senhor Jesus estará onde, fraternalmente, dois ou três se reúnem no Seu nome "não deixemos que nos roubem a comunidade", (nº92) e "não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno" (nº101).
Nos caminhos da missão, em diferentes geografias e na mesma Igreja, como discípulos missionários, sempre nos mova e comova o infinito amor do Senhor. 

texto para o Boletim Paroquial Diálogo.

11 de agosto de 2017

Conversão pastoral




Curiosamente (ou não), a "conversão pastoral" sugerida pelo Papa Francisco na Evangelii Gaudium surge nas palavras introdutórias das nomeações eclesiásticas assinadas pelo Arcebispo de Braga e nas nomeações 2017-2018 assinadas pelo Bispo de Aveiro, ambas para o próximo ano pastoral.  

Em todo o caso, parece-me que na necessária sequência operativa das palavras nem sempre seja esse o caminho seguido... Em ambos os casos.

Posto isto, ao acolher a nomeação de D. Jorge Ortiga para as paróquias de Fafe e Fornelos, no regresso à minha Arquidiocese de Braga, depois de quase oito anos a servir na Diocese de Aveiro (quase seis na Paróquia de Nossa Senhora da Glória-Sé, e quase dois nas nove paróquias da Unidade Pastoral de Águeda), enviado primeiro por D. António Francisco e depois por D. António Moiteiro, quero acolher também esse impulso de conversão, a fim de procurar ter sempre um coração ao jeito do Coração de Jesus, Bom Pastor, disponível e aberto a todos.

Que o Senhor me ajude!




Deus da esperança nos leve para frente


Quando a vida mostra não ser o que pensávamos
o que fazemos da nossa amargura e vergonha?
Se permitimos que o Deus da esperança nos leve para frente
nova vida pode brotar da mesma forma.

O vídeo da canção:When life turns out

9 de agosto de 2017

Caminho de Santiago de Compostela


Carimba no coração o nome do irmão!

Preguiça e comodismo. Medo e tibieza. Férias e trabalho. Indisponibilidade e até incapacidade. De tudo isto fiz desculpa durante vários anos para evitar fazer o Caminho de Santiago!

Este ano, dou graças por ter realizado esta experiência espiritual, ciente de que para cada prova há uma esperança! Agora, mais que nunca, sei que até a maior peregrinação começa com um pequeno passo! Dá-lo é imperioso!
Canta assim a fadista: "É preciso perder pra depois se ganhar e mesmo sem ver acreditar"! Aquilo que se ganha na vida e para a vida, no Caminho, depois de "cada passo que demos em frente", "caminhando sem medo de errar", é sumamente mais saboroso que tudo.
Dou graças a Deus por quanto cada passo se revestiu simultaneamente de uma majestade e de uma simplicidade, de um assombro e de uma maravilha permanente. Dou graças a Deus porque no Caminho todos somos importantes, todos somos necessários, todos somos peregrinos.
Quem faz o Caminho em grupo, além dos selos na credencial, como que carimba no coração o nome daqueles que o acompanham. Foi isto que senti em relação a cada um dos que comigo se fizeram em frente, quando celebrei a eucaristia ou a reconciliação, quando partilhei a Palavra, o silêncio e o pão, quando acompanhei no passo firme ou arrastado, quando cantei ou dancei, quando ri e até quando chorei.
Agora, continuo a pedir que Deus me conceda o dom, reforçado também no Caminho, de saber e sentir que sou chamado a ser Padre e Pastor, sem deixar de ser Discípulo! Porque nada terei a dizer aos meus irmãos se não estiver disposto a caminhar com eles, e também fisicamente. Porque quero carimbar no coração o nome de cada irmão!


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Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...