24 de janeiro de 2018

Fake news e jornalismo de paz [Mensagem do Papa Francisco]


(...) inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade em pessoa, nestes termos:

Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.

Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos 
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amen.
Toda a mensagem aqui

23 de janeiro de 2018

Jesus é Deus que passa, ama e chama. (3º domingo comum)


Jesus é Deus que desce ao nosso mundo,
Caminha pelas nossas estradas,
Percorre as nossas praias,
Visita as nossas casas,
Vem ter connosco aos nossos lugares de trabalho.

Jesus é Deus que passa, ama e chama.
Mas não nos chama a responder a um inquérito,
A preencher uma ficha,
Responder a uma entrevista,
Fazer uma inscrição,
Pagar a matrícula,
Aprender uma doutrina.

Não é como os escribas que Jesus ensina ou examina.
Nem sequer nos entrega um projeto de vida,
Uns apontamentos, um guião, caneta, tinta, mata-borrão.
Chama-nos apenas a segui-lo no caminho:
«Vinde atrás de Mim!»,
E partilha logo connosco a sua vida toda,
Como uma boda.

Não nos põe primeiro a fazer um teste,
Não nos ama nem chama à condição,
Não tem lista de espera,
Não nos põe num estágio,
Num estado,
Num estrado,
Numa estante,
Mas num caminho!

E um dia mais tarde,
Ouvi-lo-emos dizer ainda: «Ide!».
É sempre no caminho que nos deixa.
Nunca se desleixa,
Não apresenta queixa,
Não paga ao fim do mês,
Pede e dá tudo de uma vez.

Vem, Senhor Jesus!
Vem e ama!
Vem e chama por mim outra vez!

António Couto, in Mesa de Palavras

12 de janeiro de 2018

Procurar: a condição crente!



A procura da vontade de Deus necessita de mediações humanas e, sobretudo, de mediadores humanos: de mestres, isto é, pessoas capazes de fazer e ser sinal, capazes de orientar o caminho de uma pessoa; e de pais, isto é, pessoas capazes de gerar para a vida segundo o Espírito. (…)
O pai espiritual é pessoa humilde que não seduz, não atrai para si, não tem os discípulos apegados a si, mas educa-os, condu-los à adesão teologal, faz-se mestre de liberdade guiando-os para a relação pessoal e inefável com o Senhor. É o homem ciente da importância dos limites e sabe pô-los àquele que guia e respeitá-los ele próprio. Só quem vive, não para si mesmo, mas para o Senhor, poderá ajudar outros a viver para o Senhor e a libertar-se da sua própria vontade.
«O que procurais?» São estas as palavras que Jesus dirige aos dois discípulos que começaram a segui-lo. É uma pergunta importante para nós hoje. Qualidade essencial do cristão é, de facto, o buscar a Deus. O cristão não é chamado a ser um militante hiperativo, mas o que procura Deus.


Luciano Manicardi, Comentário à Liturgia Dominical e Festiva

9 de janeiro de 2018

Aos Pastores. [De um Pastor]


Diz o Papa Francisco:
«O que a um pastor dá autoridade ou desperta a autoridade que é dada pelo Pai é a proximidade; proximidade a Deus na oração – um pastor que não reza, um pastor que não procura Deus perdeu parte dela – e na proximidade às pessoas».
«O pastor desligado das pessoas não chega às pessoas com a mensagem. Proximidade, esta dupla proximidade. Esta é a unção do pastor que se comove diante do dom de Deus na oração, e pode comover-se diante dos pecados, dos problemas, das doenças das pessoas».
«Jesus é claro nisto: “faz o que dizem – dizem a verdade – mas não aquilo que fazem”. É a vida dupla. É mau ver pastores de vida dupla: é uma ferida na Igreja. Os pastores doentes, que perderam a autoridade e seguem em frente nesta dupla vida».
Em síntese: «Autoridade no falar, que vem da proximidade com Deus e com as pessoas, sempre em conjunto. Autoridade que é coerência, não dupla vida. E se um pastor perde a autoridade, pelo menos não perca a esperança», porque «há sempre tempo de se aproximar e voltar a despertar a autoridade e a profecia».

http://www.snpcultura.org/papa_critica_vida_dupla_e_pede_pastores_proximos_de_Deus_e_do_povo.html

SNPC 

5 de janeiro de 2018

Onde o Sol está as estrelas não têm luz


Reis que vêm por elas,
não busquem mais as estrelas,
porque onde o sol está
as estrelas não têm luz.

Olhando suas belas luzes,
não siga mais a sua,
porque onde o sol está
as estrelas não têm luz.

Parem aqui, porque aqui está
quem dá luz aos céus:
Deus é o porto mais certo,
e se encontraram o porto
já não busque mais estrelas.

Não busque a estrela agora:
que sua luz escureceu
este Sol recém-nascido
nesta Virgem Aurora.

Não encontrará mais luz nelas,
o Menino já os ilumina,
porque onde está o sol
as estrelas não têm luz.

Ainda pretende se eclipsar,
não repare em seu pranto,
porque nunca chove tanto
como quando o sol resplandece.

Aquelas lágrimas belas
já escurecem as estrelas,
porque onde está o sol
as estrelas não têm luz. Amém.


retirado daqui

31 de dezembro de 2017

Oração para o Ano Novo [Recomeços]



«Dá-nos Senhor, a coragem dos recomeços.
Mesmo nos dias quebrados
faz-nos descobrir limiares límpidos.
Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:
dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é.
Afasta-nos do repetido,
do juízo mecânico que banaliza a história,
pois a desventra de qualquer surpresa e esperança.
Torna-nos atónitos como os seres que florescem.
Torna-nos inacabados como quem precisa
e deseja e antecipa um amanhã.
Torna-nos confiantes
como os que se atrevem a olhar tudo,
e a si mesmos,
com o encanto e a disponibilidade
de uma primeira vez.»


José Tolentino de Mendonça

29 de dezembro de 2017

Oração da Família

Nós Vos bendizemos, Senhor,
que na vossa infinita misericórdia
quisestes que o vosso Filho, feito homem,
fizesse parte duma família humana,
crescendo no ambiente da intimidade doméstica
e conhecendo as suas preocupações e alegrias.
Humildemente Vos pedimos, Senhor:
guardai e protegei a nossa família
e as famílias de todo o mundo
para que, fortalecidas pela vossa graça,
gozem de prosperidade, vivam na concórdia
e, como Igreja doméstica,
sejam no mundo testemunha da vossa glória.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

26 de dezembro de 2017

Procura por Mim [Amor Electro]



Lembra-me
Das minhas fraquezas
E eu conto-te como as tornei
Nas minhas certezas
E quando no peito secar
O fogo que aquece o olhar
Procura por mim que eu vou no teu lugar

Eu Vou levar-te nas tuas palavras
A máquina não pára
Escolhas o caminho que escolheres
Procura por mim mesmo quando tu te perderes

O tempo turva
Tudo o que somos
Vivemos pouco o momento
Pra viver o que já fomos
E quando o que se perdeu se torna em estrelas no céu
Procura por mim e eu dou-te tudo o que é meu


Eu Vou levar-te nas tuas palavras
A máquina não pára
Escolhas o caminho que escolheres
Procura por mim mesmo quando tu te perderes

Eu Vou levar-te nas tuas palavras
A máquina não pára
Mesmo que não mudes a cor
Procura por mim que o amor sossega a dor


Amor Electro - Procura por Mim




25 de dezembro de 2017

Nasce, ó Jesus

Nasce, ó Jesus, e ensina-me a nascer:
quando as esperanças se rompem como coisas gastas
quando o dia não chegou a cumprir nem metade da sua promessa
quando me faltam as forças para o degrau seguinte e hesito
quando da sementeira julgo recolher apenas um vazio
quando o caminho parecia mais leve e simples do que depois foi.
Nasce, ó Jesus, e ensina-me a nascer:
quando não consigo fazer do amor uma escrita legível quando a instisfação corrói até o espaço da alegria quando as mãos desaprendem a transparente dança do dom quando não me sei abandonar verdadeiramente a ti!
Nasce, ó Jesus, e ensina-me a nascer:
diz ao meu coração que não é tarde, nem longe
segreda-me que não tenho de fazer coisa nenhuma
senão deixar-me amar.


Texto: José Tolentino Mendonça

Imagem: Rui Aleixo (det.)

22 de dezembro de 2017

Natal 2017: um desafio e um compromisso, um voto e um desejo


Dando resposta a um convite que muito me alegra, escrevo estas linhas da mensagem natalícia que quero fazer desafio e compromisso, voto e desejo. São quatro palavras que pretendo que sejam mais que isso e que me inspiram para escrever o que se segue, agora que as luzes exteriores e tantos sinais nos dizem que se aproxima a noite de Natal na qual se comemora o nascimento de Jesus.
Estou certo que uma das grandes mensagens que brota para todos, no Natal, é a da simplicidade. Aqui reside o desafio para todos nós. Escrevi, há poucos anos, numa cançoneta de Natal: “O Natal é simples. / O Natal não é dar. / O Natal não é um tempo / é só eternidade. / O Natal não é tristeza / nem alegria. / É só receber Deus / em cada dia”.
O Natal é simples. Tão simples! Um mistério de simplicidade. Um Menino, que traz a inteireza de Deus, nascido de Maria, sob a proteção de José, envolto em panos e recostado numa manjedoura, por não ter lugar na hospedaria. Um hino à humildade, à ternura que se vive e experimenta em ambiente familiar, que torna sempre mais quente qualquer ambiente por mais frio, fechado ou indiferente que seja.
Oxalá deste desafio resulte já num compromisso para todos. Viver e celebrar o Natal como festa da simplicidade, da humildade e da família.
Creio, tal como o bispo de Lamego, D. António Couto, que o Natal simples como é, somos nós ao contrário do que somos, nós outra vez meninos, nós sentados ao lume, nós em festa, em família, nós com Deus à nossa mesa. Na noite de Natal, noite bela, feliz e simples, uma Criança nasceu e Nela, simplesmente, Deus nasceu e mora connosco desde aí e para sempre!
Com a assertividade de sempre escreve assim poeticamente o Prelado: "É noite de Natal. Quem o não sente? / Quem o não sabe? (... ) São tantas as estrelas. / Mas onde guardar essa abundância, / para que não acabe? / Coração parece que não temos. / Bolsos, bolsos temos, mas não cabe."
Além disso, que seria do Natal e do ano novo que se vai iniciar, se não houvesse votos de boas festas e de próspero e fecundo ano novo? Enquanto apresento também os meus votos para si que lê estas palavras e para todos os seus familiares, também tenho a firme  esperança que o Natal de 2017 e o ano de 2018 não se encerre sem um desejo alargado que nos irmane e nos congregue.
A ambiência da celebração natalícia devia contrastar, para todos, com o frio que Dezembro traz e nos faz tremer e enregelar. A tremer e a corar devia também eu ficar por saber que para tantos no mundo, o ambiente para o Natal não será nem quente, nem de paz. Longe ou bem perto, há decerto, quem esteja privado, assim, de um Natal.

Não consigo mudar o mundo, não pelo menos todo de uma vez. Mas posso começar aqui e agora, aqui onde estou, aqui onde estamos. O  Natal será tanto mais feliz e verdadeiro, se ajudarmos alguém a ter um Natal mais feliz. Eis o meu desejo partilhado: torne possível ou melhor o Natal a alguém que conheça.

Um desafiante e comprometido Natal são os meus votos e desejos.

21 de dezembro de 2017

Maria, ímpar missão!



Não expliquemos. Contemplemos. “Revelação de 
um mistério envolvido em silêncio 
desde os séculos eternos”… (Rm 1,25). Não peçamos a 
Deus que ele justifique seu 
modo de agir para os nossos critérios “científicos”. 
Quanto sabemos das coisas da criação… 
e das do Criador? Admiremos o modo de Deus 
se tornar presente. E, sobretudo, 
não queiramos fazer da mãe de Jesus uma Maria 
qualquer. Será que temos medo de reconhecer 
que, em algumas pessoas, Deus faz coisas especiais? 
Estamos com ciúmes? 
Ora, não acha cada qual a sua namorada excepcional 
em comparação com as outras moças? 
Não neguemos a Deus esse prazer…
Essa admiração, porém, não é alienação. Só por ser 
verdadeiramente humano é que 
Jesus realiza entre nós uma missão verdadeiramente divina.
 Pois se fosse um anjo, nada teria 
a ver conosco. Jesus é tão humano como só Deus pode ser. 
Que ele é descendente de Davi 
significa que ele resume em si toda a história humana. 
Resume, recapitula, reescreve 
essa história. A história de Adão, a história de Davi, 
o “reinado”, da comunidade humana
 política e socialmente organizada. Será que desta vez 
vai dar certo – menos guerra, 
adultérios, idolatrias…? Da sua parte, a 
“qualidade divina” da obra está garantida. 
Deus está com ele, “Emanuel”. Mas, e da nossa parte?
Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

18 de dezembro de 2017

Refulgir a Luz. [João Baptista]


João Batista é “a voz que clama no deserto, que “aplaina o caminho do Senhor”. Ele foi enviado por Deus como precursor e como “testemunha da luz”, para despertar a fé. 
Ser testemunha da luz como João Batista é não ser auto-referencial, não centrar-se em si mesmo nem dar importância a si mesmo, nem centrar "holofotes" em si mesmo. É não ter luz própria mas refulgir uma outra luz. É viver de maneira convicta que Deus é a Luz verdadeira.
A testemunha da luz não fala muito, vive com Deus, comunica o que faz viver, transmite a Boa Nova, convida a crer, a esperar e a amar. Com a sua própria vida de testemunho atrai, desperta e contagia, pois transmite a confiança em Deus. 
Assim, a vida está cheia de pequenos testemunhos no nosso dia a dia. São pessoas cheia de de fé, humildes, pessoas boas que vivem segundo a verdade e o amor. Elas são testemunhas da luz que aplainam o caminho para Deus e são exemplos da Boa Nova para nós.

11 de dezembro de 2017

Descobrir o essencial!



Diante do Senhor que vem, reconhecemos que os nossos caminhos não são os seus (cf. Is 55, 9) e somos impelidos a converter-nos, a mudar de rota, a mudar de orientação da vida para voltar para o Senhor.
Trata-se, além disso, de descobrir o essencial. João é símbolo da essencialidade e simplificação: os textos falam da sua sobriedade de alimento e da sua pobreza no vestir. A essencialidade da sua mensagem espiritual está ligada à essencialidade do seu viver, do seu corpo, voz, espera.

Luciano Manicardi, Comentário à Liturgia Dominical e Fesiva. Ano B.

2 de dezembro de 2017

Atenção e vigilância são os nomes do Advento



A primeira atitude importante para viver bem é: acautelar-se ou prestar atenção. Atenção quer dizer tensão para, tender para, porque o segredo da nossa vida está para além de nós.
Todos sabemos o que significa uma vida distraída, fazer uma coisa pensando noutra, encontrarmo-nos com as pessoas de modo superficial, e nem sequer recordar a cor dos olhos de quem acabamos de ver ou de fixar. Por isso: prestai atenção!
A segunda atitude é: vigiai. Vigiai porque há um futuro, porque não está tudo aqui, porque tendes uma perspectiva. 
É a vigilância de quem perscruta, na noite, as primeiras luzes da aurora, a vigilância de quem presta muita atenção às pessoas. Atenção e vigilância são os nomes do Advento, e passar pelo mundo como dentro de um imenso santuário, vigiando com veneração diante de cada pessoa, diante de cada traço de Deus.

Ermes Rochi e Marina Marcolini, in A esperança que nasce da Palavra

27 de novembro de 2017

De Que(m) Estamos à Espera?


O Advento mantém-nos humildes, sabendo que somos beneficiários diretos da paciência de Deus para connosco, e que, sem qualquer tempo e esforço despendidos por nós, fomos finalmente recompensados.
Enquanto esperamos juntos na fila durante o Advento, façamo-lo com bom humor e continuemos a dizer "sim" a tudo aquilo que a salvação reserva para nós: sim ao amor pessoal de Deus, sim ao reino de justiça e paz de Jesus, sim a cada oportunidade de servir o Evangelho, e sim a saber que o nosso Deus é nosso companheiro a cada passo da nossa caminhada.
Richard Leonard, sj, De que estamos à espera?, pág, 25 


foto e mais aqui:
http://www.snpcultura.org/de_que_estamos_a_espera_procurando_sentido_advento_natal.html

23 de novembro de 2017

Cristo Rei do Amor!



Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes

a um dos meus irmãos mais pequeninos,
a Mim o fizestes.
Mt 25, 31-46




Há três coisas que me encantam neste evangelho. A primeira é que nos é apresentada aqui uma ideia verdadeiramente impressionante de Deus: Deus é Aquele que estende a mão porque tem necessidadeDevemos enamorar-nos deste Deus enamorado e necessitado como todos os enamorados (...).
A segunda coisa maravilhosa é que os arquivos de Deus não estão cheios dos nossos pecados, como se Ele os tivesse recolhido e posto de parte para os lançar contra nós no último dia. Depois de perdoados, os pecados deixam de existir, são anulados, cancelados, desaparecem. Os arquivos de Deus não estão cheios de pecados mas dos nossos gestos de bondade.
E a terceira coisa é a seguinte: o juízo de Deus está divinamente truncado, porque Ele não olhará para toda a nossa vida, mas apenas para as coisas boas da nossa vidaO tema do juízo não é o pecado, é o bem: esta é a grandeza da nossa fé, a grandeza do coração de Deus.

Ermes Ronchi e Marina Marcolini 

17 de novembro de 2017

Valoriza os teus talentos! Não os enterres, nem congeles, não guardes só para ti!



O Evangelho está cheio de uma teologia simples, a teologia da semente, do fermento, de inícios que devem florescer. Cabe-nos a nós o trabalho paciente e inteligente de quem cuida dos rebentos. (…)
A parábola dos talentos é o poema da criatividade, mas sem voos retóricos. (…) Aquilo que tu podes fazer é apenas uma gota no oceano, mas é essa gota que pode dar sentido a toda a tua vida.
A parábola dos talentos é um convite a não ter medo, porque o medo paralisa, torna-nos vencidos e estéreis. Quantas vezes temos renunciado a vencer apenas pelo medo de ficar derrotados. O Evangelho ajuda-nos de três formas: a não ter medo, a não meter medo e a libertar do medo. (…)
Não há nenhuma tirania, nenhum capitalismo da quantidade no Evangelho. Com efeito quem devolve dez talentos não é melhor do que quem entrega quatro. (…) Qualquer que seja o dom que recebeste, pequeno ou grande, o essencial é que tu o valorizes. As contas de Deus não são quantitativas, mas qualitativas.



Ermes Ronchi e Marina Marcolini, in A esperança que nasce da Palavra

16 de novembro de 2017

I DIA MUNDIAL DOS POBRES - para um novo estilo de vida!




Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca com as mãos a carne de Cristo. Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, partido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. (…)

Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma. 

EXCERTO DA MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO 
(19 DE NOVEMBRO DE 2017) | «Não amemos com palavras, mas com obras»


10 de novembro de 2017

Oração da Semana dos Seminários


Deus, nosso Pai,
que pela Vossa Palavra tudo criastes e tudo sustentais,
nós Vos damos graças
pelo dom do Vosso Filho, Jesus,
Palavra viva e reconciliadora.
N’Ele manifestais o esplendor da Vossa glória, para que, acreditando n’Ele,
vivamos segundo a Palavra que nos cria de novo.
Nós Vos bendizemos
pelo dom do ministério sacerdotal,
pelo qual associais aos primeiros discípulos,
que acreditaram em Jesus,
outros companheiros que continuam a servir à humanidade
o alimento da Palavra,
o banquete da Eucaristia
e a via da Reconciliação.
Nós Vos pedimos pelos seminaristas e seus educadores,
para que abram os corações à Palavra
e a vivam com desassombro,
dando testemunho da Vossa alegria no mundo.
Maria, mãe de Jesus e nossa mãe,
vós que conheceis as necessidades humanas
e ensinais a viver como diz o vosso Filho,
abri novos corações para a disponibilidade
de viver ao serviço da alegria.
Maria, repeti hoje aos nossos corações:
“Fazei o que Ele vos disser”.
Amen. 

Vidas acesas...



O Evangelho não condena o esquecimento de uma noite, mas uma vida inteira vazia, que não se acendeu (...). Ou damos luz e iluminamos alguém, ou não existimos. Parábola exigente e ao mesmo tempo consoladora. Mesmo que seja noite, mesmo que o azeite seja pouco, o Senhor vem. O seu atraso consome e cansa: com efeito, todas as raparigas adormecem, tanto as prudentes como as insensatas. É uma experiência que todos temos feito: temo-nos cansado, talvez algum dia tenhamos parado, e isso sucedeu até aos melhores dentre nós. 
Mas eis que, na escuridão, a meio da noite, uma voz nos despertou. Deus não é aquele que te apanha em flagrante, mas uma voz que te desperta. A minha verdadeira força não está na minha resistência ao cansaço, mas na voz de Deus, que mesmo que tarde virá, que desperta a vida do meio de todos os desconfortos, que me consola dizendo que não está cansado de mim, que desenha um mundo cheio de luzes e de encontros. 
Basta-me ter um coração que escuta, reavivá-lo como se fosse uma lâmpada e sair ao encontro de um abraço. 

Ermes Ronchi e Marina Marcolini, A esperança que nasce da Palavra

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...