19 de março de 2018

PORQUE HOJE É O DIA DO PAI

Pai
Terra lavrada com o suor da vida
Onde as videiras crescem
E dão uvas de vinho novo
Nos sonhos de um filho!

Pai
Seara de trigo amadurecida
No sol e no vento do Estio
E o trigo faz-se farinha e pão
Na mesa de um lar!

Pai
Braços que iluminam a noite
Segurando os medos infantis
De uma criança que dorme
Tranquila!

Pai
Estrela Polar de mareantes
E romeiros peregrinos à procura
De caminhos e metas
Nos sonhos de um filho!

HÁ UM REINO SEMEADO... (5º domingo)




Há um Reino semeado nos campos do mundo
um Reino que germina e cresce no silêncio e em gestos pequenos
em sorrisos e olhares de esperança
em mãos estendidas para acolher e ofertar ternura e vida
nos beijos de uma mãe agradecida
no espanto do olhar de uma criança
na enfermeira que acaricia a dor
no médico que ausculta almas e corações
no professor que reparte lições
de sabedoria e futuro...
em arquitetos e engenheiros
padres e carpinteiros
na Irmã que reza e ama
naquele que grita e clama
contra a injustiça e a guerra
naquele que semeia florestas
e pinta a natureza de amores-perfeitos e giestas...

Há um Reino semeado nos campos do mundo
em sementes de justiça e paz
de ternura e solidariedade
um Reino com metas de liberdade
em caminhos de deserto e aliança
com oásis de fé e esperança
e que já está aí, semeado nos campos do mundo!

D. Manuel dos Santos

9 de março de 2018

A LUZ (4º domingo da Quaresma)


No caminho, que vou fazendo,
A luz, às vezes falta,
Deixando-me perdido!
A angústia, então, assalta
O meu coração aflito,
O meu ser sedento
De metas de infinito!

“Senhor, onde estás?”
Clamo, numa oração confiada!
Mas não é fácil escutar,
Na noite mal iluminada,
A tua presença de paz!

Eu sei, no entanto,
Que Tu, Senhor, caminhas ao meu lado,
A tua mão enxuga o meu pranto,
Ampara o meu ser de pobre cansado,
Perdido no silêncio dos dias,
Na angústia de uma solidão
Feita companhia!

É verdade que tudo pode terminar
Num qualquer Calvário, numa cruz,
Mas há a certeza de me acompanhar,
Nos caminhos da dor, a Luz
Que vem meus medos iluminar:
Jesus!

Pode ser luz pequena, escondida,
Feita mais silêncio que palavra,
Estrela breve, na noite sumida,
Mas é luz que me escuta e afaga
Nas estradas da dor sofrida,
E num silêncio que esmaga!

D. Manuel dos Santos


O TEMPLO CONTINUA DE PÉ (3º domingo domingo da quaresma)

O Templo continua de pé
com as suas escadas e torres
os seus sinos de bronze e arcadas góticas
e não falta um velho adornando a fachada
e viúvas acendendo candeias e limpando o pó.

O Templo continua de pé
mas já não se vêem crianças a ser oferecidas
pais a agradecer a vida ao Deus da Vida!

O Templo continua de pé
com os seus bancos vazios
o incenso apagado
e umas poucas de orações clandestinas
e até os santos foram arrumados
na sacristia!

O Templo continua de pé
à espera...
Deus continua de pé
à espera

D. Manuel dos Santos

26 de fevereiro de 2018

TABOR (2º domingo da Quaresma)



Senhor dos montes altos, dos cumes que rasgam os Céus,
Senhor do Calvário, do Horeb, do Moriá e do Tabor,
Deixa-nos contemplar teu rosto, ver em ti a luz de Deus,
E escutar a tua palavra de amado e amor!

Queremos ouvir de novo, nascida em nuvem esvanecente
A voz do Pai, voz testemunhante de teu ser divino,
De Filho amado! Queremos escutar essa voz atentamente,
Palavras do Céu que nos apontam o vero caminho!

Três tendas... a tentação de ficar no monte, abismados!
Mas é preciso partir a percorrer caminhos de sonho e pó,
A levar esperança, a saciar famintos, a libertar escravos
De si, a ser fermento de vida para o triste e só!

Senhor dos montes altos, ensina-nos a subir contigo
E a maravilhar-nos com teu rosto resplandecente!
Tantas vezes nos cruzamos com o teu sorriso amigo,
Sem descobrirmos que és Tu, perdão entre a gente!

Senhor dos montes altos, ensina-nos a subir, subir...
E a baixar ao encontro dos irmãos perdidos na dor!
Animados por tua palavra de amado, iremos partir
E levar ao mundo a tua mensagem de perdão e Amor!

D. Manuel dos Santos

A revelação da Transfiguração



Qual é o Filho que o texto nos revela? Revela-nos este Filho, como acentua a voz: “Este é o Filho”, o Jesus que se encontra entre vós, que vós, que vós conheceis, tão delicado, acessível, atraente e simultaneamente tão frágil, vulnerável, humilhado. O Filho é Jesus, que falou do sofrimento e da morte, cujo rosto apavorado contemplareis em Getsémani, empalidecido pela morte sobre a cruz. Este é o meu Filho; este é o ressuscitado, o luminoso, o glorioso. É difícil unir estes dois rostos, e, todavia, este único rosto é o Filho predilecto do Pai, que se aventura até á morte e que reflecte glória até ofuscar os próprios inimigos. É um mistério que nunca conseguiremos compreender completamente, a não ser no céu, e oscilaremos sempre entre os dois conhecimentos.
O Pai é-nos revelado como Aquele que diz “Escutai-O!” e que tem a coragem de revelar-Se neste Filho aparentemente contraditório para nós, porque débil e forte, frágil e poderoso, humilhado e glorioso. “Escutai-O”, isto é, suportai o duplo rosto do Filho, não vos deixeis desviar do seu rosto triste nem iludir pelo seu rosto glorioso. Somente na contemplação dos dois rostos, que na realidade é um, vereis o mistério do Pai que se revela na justiça e na misericórdia, no poder e na condescendência. Somos assim introduzidos naquele conhecimento sublime no qual a Igreja é chamada a progredir ao longo dos milénios mas que ainda não atingiu passados os dois mil anos. Espantamo-nos ao pensar como é possível que só nos últimos decénios a Teologia esteja a aprofundar o dogma da Trindade; é conhecido na sua história descritiva, mas continua escondido este rosto misterioso do Pai, do Filho e do Espírito.
Aprofundando o entusiasmo de Pedro, sentimo-nos solicitados a estender esta expressão a toda a vida cristã: “É belo estar aqui”, é belo pertencer a Cristo. (...) Descubro aqui o vosso carisma para o terceiro milénio: proceder de modo a que os outros achem bela a vossa vida e sejam levados a desejar participar da vida das vossas comunidades.
A outra reacção, que temos, de reverência pelo divino, impele-nos a manter o olhar fixo sobre Jesus ainda quando o seu rosto se esconde, como na noite da fé, noite que, provavelmente, estamos a viver na sociedade ocidental europeia. Manter o olhar fixo sobre Jesus com reverência, ainda que a nuvem se torne obscura. Por isso, devemos aceitar o entusiasmo e o temor, o alvoroço e a reverência, (...) sabendo que continuamos a contemplar o rosto de Cristo, presente mesmo na noite e na obscuridade.

Carlo Maria Martini

17 de fevereiro de 2018

DESERTO (1º domingo da Quaresma)




DESERTO

Se me adentro nele,
a imensidade e o silêncio
me envolverão...
desaparecerão medos e barreiras
e poderei aceder e permanecer
no mais íntimo de mim
em paz.

Começarei uma nova aventura
encontrar-me-ei contigo
jejuarei
e caminharei com gozo
ainda que me perca
entre as suas monótonas dunas.

Lugar de prova e experiência,
de presença e encontro contigo:
isso é o deserto
quando os olhos se mantêm fixos
naquele que abriu caminho
e cruzou a fronteira primeiro

Florentino Ulibarri


16 de fevereiro de 2018

Conversão como o movimento do girassol!


O que entende Jesus por Reino de Deus? Deus olhou e disse “basta”; Ele vem, está aqui, luta contigo, e o coração e o mundo mudam. Deus vem e cura a vida, dá-te o seu alento, o seu sorriso, a sua vida. A todos e sem medida. E já não te deixa, se tu não o deixares.
Deus vem para que o mundo seja completamente diferente, outro mundo onde seja possível viver bem, encontrar a plenitude da vida, a felicidade.
As primeiras palavras que Jesus pronuncia também são o seu primeiro presente: vós estais imersos num mar de amor e nem sequer vos dais conta! Por isso viveis mal. E acrescenta imediatamente: convertei-vos! O que significa: mudai de olhar, virai-vos para esse mar de amor, para essa luz.
Imagino a conversão como o movimento do girassol, como esse obstinado voltar-se para o sol. Porque o rosto de Deus é luminoso, e cada homem pode ser um amigo.
Interrogo-me por vezes como é possível que pessoas que tenham tido uma educação cristã se afastem para sempre da fé. Creio que não é difícil encontrar a resposta, pelo menos em muitos casos, que é a seguinte: não conheceram a boa notícia. Conheceram as normas morais, os preceitos da Igreja, as práticas religiosas, mas não tiveram o encontro, não viveram o sol, o encontro com a beleza de Deus.
Que fé é essa sem assombro e sem amor? Então, estes não deixaram a fé, mas apenas uma casca vazia, feita de comportamentos e de práticas que já não os conseguiam motivar profundamente.

(Ermes Ronchi)

13 de fevereiro de 2018

Passos de Esperança. Libertar para Caminhar.



O que nos possibilita o Tempo da Quaresma e da Páscoa? São 96 dias para dar “Passos de Esperança”. Este tempo que é um grande caminho far-se-á passo a passo e exigirá um duplo movimento resumido em dois verbos que revelam duas atitudes: libertar para uma maior adesão a Jesus Cristo; e caminhar para prosseguir no anúncio feliz da Ressurreição. Daí que o tema desta caminhada seja “Passos de Esperança: Libertar para Caminhar”. 
Este ciclo litúrgico, na sua globalidade, permite-nos mergulhar no drama tenso e intenso do mistério central da fé cristã: a Paixão, a Morte e a Ressurreição do Senhor. Na carta encíclica “Spe salvi”, Bento XVI escrevia: “A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora «até ao fim», «até à plena consumação» (cf. Jo 13,1 e 19,30) (SS 27). Por sua vez, o Papa Francisco, na sua primeira exortação apostólica “Evangelii Gaudium”, afirmou: “A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, voltam a despontar, porque a ressurreição do Senhor já penetrou a trama oculta desta história; porque Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem desta marcha da esperança viva!” (EG 278).
Em plena sintonia com o Magistério, vivemos, como Igreja Diocesana, um plano pastoral dedicado à esperança, um triénio no qual se faz desta virtude teologal o tema e o lema central do nosso caminho. Como discípulos missionários, pela oração pessoal e comunitária, pelos sacramentos e pela caridade vivida com os irmãos, percorreremos este caminho assente no encontro com Jesus Cristo. 

A proposta que aqui se apresenta coloca cada um nessa “marcha da esperança viva” (EG 278). Essa marcha, esse caminho requer os nossos passos pequenos, mas firmes. É bem certo que ninguém demasiadamente carregado é capaz de fazer o caminho, por mais pequeno que seja. 
Nesse sentido, o tempo da Quaresma, a primeira parte da caminhada, pede-nos esse exercício de libertação dos pesos e dos pecados que dificultam (quantas vezes até impedem) o nosso caminhar! É o tempo da viagem ao interior, para pôr a “mão na consciência”, para ousar a conversão, a metanoia, para mudar e deixar moldar o coração pelo Senhor, para aderir a Ele de verdade. 
Libertos dos pesos e dos pecados, será possível fazer da Páscoa e do Tempo Pascal como que um grande “compasso”, de anúncio jubiloso e festivo da Ressurreição do Senhor que é “a razão e o motor da nossa esperança” (Tolentino Mendonça). O “calçado” apropriado para este tempo confirma o belo dizer deste padre e poeta: “os crentes (...) vivem na esperança. Habitando desse modo o tempo vivem como deslocados, em movimento, em trânsito pascal, em saída”.

http://www.diocese-braga.pt/liturgia/noticia/17369/

24 de janeiro de 2018

Fake news e jornalismo de paz [Mensagem do Papa Francisco]


(...) inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade em pessoa, nestes termos:

Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.

Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos 
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amen.
Toda a mensagem aqui

23 de janeiro de 2018

Jesus é Deus que passa, ama e chama. (3º domingo comum)


Jesus é Deus que desce ao nosso mundo,
Caminha pelas nossas estradas,
Percorre as nossas praias,
Visita as nossas casas,
Vem ter connosco aos nossos lugares de trabalho.

Jesus é Deus que passa, ama e chama.
Mas não nos chama a responder a um inquérito,
A preencher uma ficha,
Responder a uma entrevista,
Fazer uma inscrição,
Pagar a matrícula,
Aprender uma doutrina.

Não é como os escribas que Jesus ensina ou examina.
Nem sequer nos entrega um projeto de vida,
Uns apontamentos, um guião, caneta, tinta, mata-borrão.
Chama-nos apenas a segui-lo no caminho:
«Vinde atrás de Mim!»,
E partilha logo connosco a sua vida toda,
Como uma boda.

Não nos põe primeiro a fazer um teste,
Não nos ama nem chama à condição,
Não tem lista de espera,
Não nos põe num estágio,
Num estado,
Num estrado,
Numa estante,
Mas num caminho!

E um dia mais tarde,
Ouvi-lo-emos dizer ainda: «Ide!».
É sempre no caminho que nos deixa.
Nunca se desleixa,
Não apresenta queixa,
Não paga ao fim do mês,
Pede e dá tudo de uma vez.

Vem, Senhor Jesus!
Vem e ama!
Vem e chama por mim outra vez!

António Couto, in Mesa de Palavras

12 de janeiro de 2018

Procurar: a condição crente!



A procura da vontade de Deus necessita de mediações humanas e, sobretudo, de mediadores humanos: de mestres, isto é, pessoas capazes de fazer e ser sinal, capazes de orientar o caminho de uma pessoa; e de pais, isto é, pessoas capazes de gerar para a vida segundo o Espírito. (…)
O pai espiritual é pessoa humilde que não seduz, não atrai para si, não tem os discípulos apegados a si, mas educa-os, condu-los à adesão teologal, faz-se mestre de liberdade guiando-os para a relação pessoal e inefável com o Senhor. É o homem ciente da importância dos limites e sabe pô-los àquele que guia e respeitá-los ele próprio. Só quem vive, não para si mesmo, mas para o Senhor, poderá ajudar outros a viver para o Senhor e a libertar-se da sua própria vontade.
«O que procurais?» São estas as palavras que Jesus dirige aos dois discípulos que começaram a segui-lo. É uma pergunta importante para nós hoje. Qualidade essencial do cristão é, de facto, o buscar a Deus. O cristão não é chamado a ser um militante hiperativo, mas o que procura Deus.


Luciano Manicardi, Comentário à Liturgia Dominical e Festiva

9 de janeiro de 2018

Aos Pastores. [De um Pastor]


Diz o Papa Francisco:
«O que a um pastor dá autoridade ou desperta a autoridade que é dada pelo Pai é a proximidade; proximidade a Deus na oração – um pastor que não reza, um pastor que não procura Deus perdeu parte dela – e na proximidade às pessoas».
«O pastor desligado das pessoas não chega às pessoas com a mensagem. Proximidade, esta dupla proximidade. Esta é a unção do pastor que se comove diante do dom de Deus na oração, e pode comover-se diante dos pecados, dos problemas, das doenças das pessoas».
«Jesus é claro nisto: “faz o que dizem – dizem a verdade – mas não aquilo que fazem”. É a vida dupla. É mau ver pastores de vida dupla: é uma ferida na Igreja. Os pastores doentes, que perderam a autoridade e seguem em frente nesta dupla vida».
Em síntese: «Autoridade no falar, que vem da proximidade com Deus e com as pessoas, sempre em conjunto. Autoridade que é coerência, não dupla vida. E se um pastor perde a autoridade, pelo menos não perca a esperança», porque «há sempre tempo de se aproximar e voltar a despertar a autoridade e a profecia».

http://www.snpcultura.org/papa_critica_vida_dupla_e_pede_pastores_proximos_de_Deus_e_do_povo.html

SNPC 

5 de janeiro de 2018

Onde o Sol está as estrelas não têm luz


Reis que vêm por elas,
não busquem mais as estrelas,
porque onde o sol está
as estrelas não têm luz.

Olhando suas belas luzes,
não siga mais a sua,
porque onde o sol está
as estrelas não têm luz.

Parem aqui, porque aqui está
quem dá luz aos céus:
Deus é o porto mais certo,
e se encontraram o porto
já não busque mais estrelas.

Não busque a estrela agora:
que sua luz escureceu
este Sol recém-nascido
nesta Virgem Aurora.

Não encontrará mais luz nelas,
o Menino já os ilumina,
porque onde está o sol
as estrelas não têm luz.

Ainda pretende se eclipsar,
não repare em seu pranto,
porque nunca chove tanto
como quando o sol resplandece.

Aquelas lágrimas belas
já escurecem as estrelas,
porque onde está o sol
as estrelas não têm luz. Amém.


retirado daqui

31 de dezembro de 2017

Oração para o Ano Novo [Recomeços]



«Dá-nos Senhor, a coragem dos recomeços.
Mesmo nos dias quebrados
faz-nos descobrir limiares límpidos.
Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:
dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é.
Afasta-nos do repetido,
do juízo mecânico que banaliza a história,
pois a desventra de qualquer surpresa e esperança.
Torna-nos atónitos como os seres que florescem.
Torna-nos inacabados como quem precisa
e deseja e antecipa um amanhã.
Torna-nos confiantes
como os que se atrevem a olhar tudo,
e a si mesmos,
com o encanto e a disponibilidade
de uma primeira vez.»


José Tolentino de Mendonça

29 de dezembro de 2017

Oração da Família

Nós Vos bendizemos, Senhor,
que na vossa infinita misericórdia
quisestes que o vosso Filho, feito homem,
fizesse parte duma família humana,
crescendo no ambiente da intimidade doméstica
e conhecendo as suas preocupações e alegrias.
Humildemente Vos pedimos, Senhor:
guardai e protegei a nossa família
e as famílias de todo o mundo
para que, fortalecidas pela vossa graça,
gozem de prosperidade, vivam na concórdia
e, como Igreja doméstica,
sejam no mundo testemunha da vossa glória.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

26 de dezembro de 2017

Procura por Mim [Amor Electro]



Lembra-me
Das minhas fraquezas
E eu conto-te como as tornei
Nas minhas certezas
E quando no peito secar
O fogo que aquece o olhar
Procura por mim que eu vou no teu lugar

Eu Vou levar-te nas tuas palavras
A máquina não pára
Escolhas o caminho que escolheres
Procura por mim mesmo quando tu te perderes

O tempo turva
Tudo o que somos
Vivemos pouco o momento
Pra viver o que já fomos
E quando o que se perdeu se torna em estrelas no céu
Procura por mim e eu dou-te tudo o que é meu


Eu Vou levar-te nas tuas palavras
A máquina não pára
Escolhas o caminho que escolheres
Procura por mim mesmo quando tu te perderes

Eu Vou levar-te nas tuas palavras
A máquina não pára
Mesmo que não mudes a cor
Procura por mim que o amor sossega a dor


Amor Electro - Procura por Mim




25 de dezembro de 2017

Nasce, ó Jesus

Nasce, ó Jesus, e ensina-me a nascer:
quando as esperanças se rompem como coisas gastas
quando o dia não chegou a cumprir nem metade da sua promessa
quando me faltam as forças para o degrau seguinte e hesito
quando da sementeira julgo recolher apenas um vazio
quando o caminho parecia mais leve e simples do que depois foi.
Nasce, ó Jesus, e ensina-me a nascer:
quando não consigo fazer do amor uma escrita legível quando a instisfação corrói até o espaço da alegria quando as mãos desaprendem a transparente dança do dom quando não me sei abandonar verdadeiramente a ti!
Nasce, ó Jesus, e ensina-me a nascer:
diz ao meu coração que não é tarde, nem longe
segreda-me que não tenho de fazer coisa nenhuma
senão deixar-me amar.


Texto: José Tolentino Mendonça

Imagem: Rui Aleixo (det.)

Missão é partir

“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.  É parar de dar volta a...