25 de setembro de 2008

Breve análise da Carta aos Colossenses


Notas soltas introdutórias

Colossos era uma pequena cidade da Ásia Menor, entre Éfeso e Laodiceia. Ao que prece, nunca foi visitada por Paulo. Epafras foi o fundador da comunidade.

O tema central da carta é a questão dos anjos. Aqui se encontra a primeira resposta paulina sobre este tema. Paulo atribui as qualidades, poderes e funções (dadas pelo pensamento judeo-gnóstico aos anjos) ao Cristo-cósmico, que tem a primazia na criação e é Filho de Deus.

A carta foi escrita na última parte do ministério Paulino, possivelmente não pela mão do Apóstolo. É uma carta original (temas e vocabulário) dada a originalidade própria da comunidade receptora saída do paganismo.

Perante as crenças esotéricas da comunidade Paulo afirma o carácter único e universal de Cristo mediador entre Deus e os homens

Capítulo 1
Paulo, Apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, e o irmão Timóteo, aos irmãos em Cristo, santos e fiéis, que vivem em Colossos: a vós graça e a paz da parte de Deus, nosso Pai. (1, 1-2)
Constituem estes versículos (até 20) uma liturgia epistolar como é hábito nas Cartas de Paulo. A Carta começa com a indicação do remetente (Paulo, que está com Timóteo) e dos destinatários e segue com uma saudação inicial com sabor a uma bênção litúrgica

Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo que é a Igreja. Foi dela que me tornei servidor, segundo a missão que Deus me confiou para vosso benefício: levar à plena realização a Palavra de Deus.
(1, 24-25)
Paulo sofre (está preso), mas, em vez de se deixar entristecer ou abater pelos seus sofrimentos, põe a sua alegria em Cristo, que vive nele, e dedica-se totalmente à Igreja de Cristo. A união pessoal de Paulo com Cristo é personificada em cada um dos cristãos. Carne significa a totalidade do ser do Apóstolo. A missão que Deus me confiou significa literalmente “a economia de Deus”.
Paulo é Apóstolo (servidor = diakonós) para levar o Evangelho aos pagãos até aos confins do mundo e conduzir cada pessoa à perfeição diante de Deus, pela exortação e pelo ensino.

Capítulo 3
Aspirai às coisas do alto e não às da terra. Quando Cristo, a vossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele na glória.
(3, 2.4)
S. Paulo dirige-se a todos os baptizados chamando e exortando a uma vida de comunhão com Cristo Ressuscitado.
Mas agora rejeitai também vós tudo isso: ira, raiva, maldade, injúria, palavras grosseiras saídas da vossa boca. Não mintais uns aos outros, já que vos despistes do homem velho, com as suas acções.
(3, 8-9)
Paulo incita os cristãos a despojarem-se destes vícios (homem velho) e a revestirem-se das cinco virtudes enumeradas no v. 12.
Como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos, pois, de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência.
(3, 12)
São conselhos positivos deixados por Paulo, em contraste com os vícios anteriores.
E, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o laço da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados num só corpo. E sede agradecidos.
(3, 14-15)
O amor assume o topo. É a maior exigência deixada pelo Apóstolo. Exige, inclusive, a gratidão.
E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças por Ele a Deus Pai.
(3, 17)
Aqui está a concretização do modo de se ser agradecidos: “tudo… dando graças”.

Capítulo 4
Senhores, dai aos escravos o que for justo e equitativo, sabendo que também vós tendes um Senhor no céu. Perseverai na oração e mantende-vos por ela, em vigilante acção de graças. Ao mesmo tempo, orai também por nós, para que Deus abra uma porta à nossa pregação, a fim de que eu anuncie o mistério de Cristo – é por ele que estou preso – para que o dê a conhecer, falando como devo. Procedei com sabedoria para com os que estão fora, aproveitando as ocasiões. Que a vossa palavra seja sempre amável, temperada de sal, para que saibais responder a cada um como deveis. De tudo o que me diz respeito informar-vos-á Tíquico, o irmão querido, servidor fiel e meu companheiro no serviço do Senhor. Foi para isso mesmo que eu vo-lo enviei: para que saibais o que se passa connosco e consolar os vossos corações. Vai juntamente com Onésimo, o irmão fiel e querido, que é um dos vossos. Eles informar-vos-ão de tudo o que se passa aqui. Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, bem como Marcos, primo de Barnabé. Recebestes instruções a respeito dele; se for ter convosco, recebei-o bem. (4, 1-10)
Abra uma porta à pregação = ocasião propícia; alusão ao aceso à fé por parte dos pagãos; ou expressão semita que designa as oportunidades do ministério

Temperada de sal = como o sal dá sabor assim devem ser os cristãos no meio da comunidade; fidelidade à identidade de mensageiros do Evangelho;

Tíquico, Onésimo e Aristarco, Marcos e Barnabé = são acompanhantes de Paulo e seus seguidores, uns na pregação, outros nas viagens apostólicas. Alguns aparecem nomeados noutras cartas (Ef, Tm, Tt). Onésimo era escravo de Filémon do qual fugiu para se refugiar junto de Paulo. Aristarco estava preso com Paulo.

(texto apresentado aos Caminheiros do Agrupamento n.º 1 da Sé)

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