17 de fevereiro de 2018

DESERTO (1º domingo da Quaresma)




DESERTO

Se me adentro nele,
a imensidade e o silêncio
me envolverão...
desaparecerão medos e barreiras
e poderei aceder e permanecer
no mais íntimo de mim
em paz.

Começarei uma nova aventura
encontrar-me-ei contigo
jejuarei
e caminharei com gozo
ainda que me perca
entre as suas monótonas dunas.

Lugar de prova e experiência,
de presença e encontro contigo:
isso é o deserto
quando os olhos se mantêm fixos
naquele que abriu caminho
e cruzou a fronteira primeiro

Florentino Ulibarri


16 de fevereiro de 2018

Conversão como o movimento do girassol!


O que entende Jesus por Reino de Deus? Deus olhou e disse “basta”; Ele vem, está aqui, luta contigo, e o coração e o mundo mudam. Deus vem e cura a vida, dá-te o seu alento, o seu sorriso, a sua vida. A todos e sem medida. E já não te deixa, se tu não o deixares.
Deus vem para que o mundo seja completamente diferente, outro mundo onde seja possível viver bem, encontrar a plenitude da vida, a felicidade.
As primeiras palavras que Jesus pronuncia também são o seu primeiro presente: vós estais imersos num mar de amor e nem sequer vos dais conta! Por isso viveis mal. E acrescenta imediatamente: convertei-vos! O que significa: mudai de olhar, virai-vos para esse mar de amor, para essa luz.
Imagino a conversão como o movimento do girassol, como esse obstinado voltar-se para o sol. Porque o rosto de Deus é luminoso, e cada homem pode ser um amigo.
Interrogo-me por vezes como é possível que pessoas que tenham tido uma educação cristã se afastem para sempre da fé. Creio que não é difícil encontrar a resposta, pelo menos em muitos casos, que é a seguinte: não conheceram a boa notícia. Conheceram as normas morais, os preceitos da Igreja, as práticas religiosas, mas não tiveram o encontro, não viveram o sol, o encontro com a beleza de Deus.
Que fé é essa sem assombro e sem amor? Então, estes não deixaram a fé, mas apenas uma casca vazia, feita de comportamentos e de práticas que já não os conseguiam motivar profundamente.

(Ermes Ronchi)

13 de fevereiro de 2018

Passos de Esperança. Libertar para Caminhar.



O que nos possibilita o Tempo da Quaresma e da Páscoa? São 96 dias para dar “Passos de Esperança”. Este tempo que é um grande caminho far-se-á passo a passo e exigirá um duplo movimento resumido em dois verbos que revelam duas atitudes: libertar para uma maior adesão a Jesus Cristo; e caminhar para prosseguir no anúncio feliz da Ressurreição. Daí que o tema desta caminhada seja “Passos de Esperança: Libertar para Caminhar”. 
Este ciclo litúrgico, na sua globalidade, permite-nos mergulhar no drama tenso e intenso do mistério central da fé cristã: a Paixão, a Morte e a Ressurreição do Senhor. Na carta encíclica “Spe salvi”, Bento XVI escrevia: “A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora «até ao fim», «até à plena consumação» (cf. Jo 13,1 e 19,30) (SS 27). Por sua vez, o Papa Francisco, na sua primeira exortação apostólica “Evangelii Gaudium”, afirmou: “A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, voltam a despontar, porque a ressurreição do Senhor já penetrou a trama oculta desta história; porque Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem desta marcha da esperança viva!” (EG 278).
Em plena sintonia com o Magistério, vivemos, como Igreja Diocesana, um plano pastoral dedicado à esperança, um triénio no qual se faz desta virtude teologal o tema e o lema central do nosso caminho. Como discípulos missionários, pela oração pessoal e comunitária, pelos sacramentos e pela caridade vivida com os irmãos, percorreremos este caminho assente no encontro com Jesus Cristo. 

A proposta que aqui se apresenta coloca cada um nessa “marcha da esperança viva” (EG 278). Essa marcha, esse caminho requer os nossos passos pequenos, mas firmes. É bem certo que ninguém demasiadamente carregado é capaz de fazer o caminho, por mais pequeno que seja. 
Nesse sentido, o tempo da Quaresma, a primeira parte da caminhada, pede-nos esse exercício de libertação dos pesos e dos pecados que dificultam (quantas vezes até impedem) o nosso caminhar! É o tempo da viagem ao interior, para pôr a “mão na consciência”, para ousar a conversão, a metanoia, para mudar e deixar moldar o coração pelo Senhor, para aderir a Ele de verdade. 
Libertos dos pesos e dos pecados, será possível fazer da Páscoa e do Tempo Pascal como que um grande “compasso”, de anúncio jubiloso e festivo da Ressurreição do Senhor que é “a razão e o motor da nossa esperança” (Tolentino Mendonça). O “calçado” apropriado para este tempo confirma o belo dizer deste padre e poeta: “os crentes (...) vivem na esperança. Habitando desse modo o tempo vivem como deslocados, em movimento, em trânsito pascal, em saída”.

http://www.diocese-braga.pt/liturgia/noticia/17369/

24 de janeiro de 2018

Fake news e jornalismo de paz [Mensagem do Papa Francisco]


(...) inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade em pessoa, nestes termos:

Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.

Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos 
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amen.
Toda a mensagem aqui

23 de janeiro de 2018

Jesus é Deus que passa, ama e chama. (3º domingo comum)


Jesus é Deus que desce ao nosso mundo,
Caminha pelas nossas estradas,
Percorre as nossas praias,
Visita as nossas casas,
Vem ter connosco aos nossos lugares de trabalho.

Jesus é Deus que passa, ama e chama.
Mas não nos chama a responder a um inquérito,
A preencher uma ficha,
Responder a uma entrevista,
Fazer uma inscrição,
Pagar a matrícula,
Aprender uma doutrina.

Não é como os escribas que Jesus ensina ou examina.
Nem sequer nos entrega um projeto de vida,
Uns apontamentos, um guião, caneta, tinta, mata-borrão.
Chama-nos apenas a segui-lo no caminho:
«Vinde atrás de Mim!»,
E partilha logo connosco a sua vida toda,
Como uma boda.

Não nos põe primeiro a fazer um teste,
Não nos ama nem chama à condição,
Não tem lista de espera,
Não nos põe num estágio,
Num estado,
Num estrado,
Numa estante,
Mas num caminho!

E um dia mais tarde,
Ouvi-lo-emos dizer ainda: «Ide!».
É sempre no caminho que nos deixa.
Nunca se desleixa,
Não apresenta queixa,
Não paga ao fim do mês,
Pede e dá tudo de uma vez.

Vem, Senhor Jesus!
Vem e ama!
Vem e chama por mim outra vez!

António Couto, in Mesa de Palavras

12 de janeiro de 2018

Procurar: a condição crente!



A procura da vontade de Deus necessita de mediações humanas e, sobretudo, de mediadores humanos: de mestres, isto é, pessoas capazes de fazer e ser sinal, capazes de orientar o caminho de uma pessoa; e de pais, isto é, pessoas capazes de gerar para a vida segundo o Espírito. (…)
O pai espiritual é pessoa humilde que não seduz, não atrai para si, não tem os discípulos apegados a si, mas educa-os, condu-los à adesão teologal, faz-se mestre de liberdade guiando-os para a relação pessoal e inefável com o Senhor. É o homem ciente da importância dos limites e sabe pô-los àquele que guia e respeitá-los ele próprio. Só quem vive, não para si mesmo, mas para o Senhor, poderá ajudar outros a viver para o Senhor e a libertar-se da sua própria vontade.
«O que procurais?» São estas as palavras que Jesus dirige aos dois discípulos que começaram a segui-lo. É uma pergunta importante para nós hoje. Qualidade essencial do cristão é, de facto, o buscar a Deus. O cristão não é chamado a ser um militante hiperativo, mas o que procura Deus.


Luciano Manicardi, Comentário à Liturgia Dominical e Festiva

9 de janeiro de 2018

Aos Pastores. [De um Pastor]


Diz o Papa Francisco:
«O que a um pastor dá autoridade ou desperta a autoridade que é dada pelo Pai é a proximidade; proximidade a Deus na oração – um pastor que não reza, um pastor que não procura Deus perdeu parte dela – e na proximidade às pessoas».
«O pastor desligado das pessoas não chega às pessoas com a mensagem. Proximidade, esta dupla proximidade. Esta é a unção do pastor que se comove diante do dom de Deus na oração, e pode comover-se diante dos pecados, dos problemas, das doenças das pessoas».
«Jesus é claro nisto: “faz o que dizem – dizem a verdade – mas não aquilo que fazem”. É a vida dupla. É mau ver pastores de vida dupla: é uma ferida na Igreja. Os pastores doentes, que perderam a autoridade e seguem em frente nesta dupla vida».
Em síntese: «Autoridade no falar, que vem da proximidade com Deus e com as pessoas, sempre em conjunto. Autoridade que é coerência, não dupla vida. E se um pastor perde a autoridade, pelo menos não perca a esperança», porque «há sempre tempo de se aproximar e voltar a despertar a autoridade e a profecia».

http://www.snpcultura.org/papa_critica_vida_dupla_e_pede_pastores_proximos_de_Deus_e_do_povo.html

SNPC 

DESERTO (1º domingo da Quaresma)

DESERTO Se me adentro nele, a imensidade e o silêncio me envolverão... desaparecerão medos e barreiras e poderei aceder...