1 de Junho de 2012

Concílio Vaticano II e os jovens. Novo livro em co-autoria


Acabo de receber "Vaticano II. 50 anos, 50 olhares", da Editora Paulus.

Uma edição comemorativa do Concílio Ecuménico Vaticano II, na qual também assino um pequeno texto (como os demais 49), acerca do grande acontecimento que foi o último concílio da Igreja, concretamente em relação aos jovens e à pastoral juvenil.


Confesso que ver o meu nome ao lado/junto dos restantes nomes/autores, me assusta um bom bocado... mas também não me deixa triste.


(Brevemente numa livraria perto de si... Por mim, pode/deve comprar!)

«Nasci mais de 15 anos depois do encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II. Sou, portanto, herdeiro "afastado" desta reunião conciliar convocada pelo Papa João XXIII. Aliás, sou tão herdeiro deste Concílio como de todos os outros realizados na história milenar da Igreja, salvaguardando as devidas distâncias temporais.
A minha formação teológica "bebeu" já desta nova aragem trazida pelo Vaticano II. De facto, tendo decorrido há umas boas décadas ainda se pode dizer, e hoje também, passados cinquenta anos, que se tratou e trata de uma aragem nova, de um sopro renovado do Espírito, que conduz a Igreja.»


31 de Maio de 2012

Vem, Espírito Santo, Vem!

Vem, Espírito Santo Envolve-me com Teu encanto. Vem ao meu coração, Racionaliza a razão, Sensibiliza a emoção, E impele-me à gratidão.   Vem, Espírito de Vida, Graça invisível, mas sentida, Tu que és do vento a ternura E do caminho a luz segura... Empurra-me para a aventura De amar sempre com finura!   Espírito Santo, Dom de Deus Que habitas terra e céus Preenche-me por dentro, Ensina-me a ser atento, E deixa-Te ficar no centro  Nesse lugar onde me encontro. Vem, Espírito Santo, Vem!

24 de Maio de 2012

Este mundo… outra cor! FÉstival 2012


Eu sonhava acordado
Que um dia ia partir
Nunca iria desistir
Sempre com Deus a meu lado.
O caminho é difícil
Mas eu tenho que tentar…
Deus faz-me acreditar
Que com Ele é mais fácil.

Eu quero seguir Jesus!
Quero falar do seu Nome
A tantos que têm fome,
A tantos que não têm luz!
Eu quero seguir Jesus!
Quero espalhar o amor.
Quero, de novo, pintar
Este mundo doutra cor.

E eu fui sem resistir
Ser discípulo de Deus,
Guiado pelos céus
Tantos povos fiz sorrir.
Ai de mim se me esquecer
Que testemunhar é viver;
Ser feliz é acreditar
Que com Deus é bom sonhar.

Vídeo

Original: Pe. JAC
Grupo DOXA
Paróquia de Nossa Senhora da Glória-Sé de Aveiro | FÉstival 2012

15 de Maio de 2012

"Que vos ameis..."

"Que vos ameis..."
Mesmo quando as ideias forem diferentes
E não for possível ainda entendimento.

"Que vos ameis..."
Até quando houver acções oponentes:
Lembrai-vos do Seu único mandamento.

"Que vos ameis..."
Quando a concórdia não tiver lugar
E não fizer brotar compreensão e harmonia.

"Que vos ameis..."
Porque há sempre caminho para andar
A percorrer com coragem e alegria.

"Que vos ameis..."
Porque quem ama é de Deus
Porque Deus é Amor.

"Que vos ameis..."
Não de uma forma qualquer.

"Que vos ameis..."
Como Jesus amou,
Ele que viveu e Se entregou,
Que morreu e ressuscitou 
Que vos escolheu e destinou
A ser rosto do Amor.

"Que vos ameis..."
E isto basta!

Pe. JAC

11 de Maio de 2012

Pastoral da cidade de Aveiro. “I have a dream!”

Martin Luther King tinha um sonho para a América das últimas décadas do século passado. “I have a dream” foi um grito de alerta, motor e propulsor de transformação social.

Vivemos todos de sonhos, de projectos, de ideais. Também ao nível da fé acontece o mesmo. O que é, senão ideal, o mandato de Cristo "Ide por todo o mundo".

Pedem-me a minha opinião pessoal acerca da pastoral da e na cidade de Aveiro. Também acerca disto eu tenho um sonho, que possivelmente se desdobrará em muitos sonhos a perseguir com a ousadia da fé acompanhada do discernimento dos sinais dos tempos.

Ninguém duvida que as mudanças culturais, sociológicas e demográficas que vamos assistindo trazem consigo desafios prementes e urgentes à missão da Igreja, em todos os lugares e com especial enfoque nas cidades. Não podemos entrar no rio (ou na ria!) dos queixumes pessimistas acerca da secularização e da laicização da sociedade em que vivemos. Não podemos cruzar os braços à espera que do céu venha a salvação, substituindo aquilo que temos nós de fazer. Nós não podemos continuar a fazer as mesmas coisas de sempre e esperar que os resultados sejam diferentes. Isso não é mais do que loucura.
A presença da Igreja na cidade precisa de ser reinventada, na fidelidade ao Evangelho e na ousadia de uma evangelização nova e renovada.
Daquilo que me é dado ver, uma vez que por missão tenho que exercer na cidade o meu ministério presbiteral, vou-me apercebendo de alguns obstáculos a uma acção conjunta da Igreja. E não significa isto que a culpa seja de um, mas porque não pode morrer solteira, não nos dispense de um acurado exame de consciência a todos. Sinto, muitas vezes, que os "canais" que já existem ainda não são suficientes para o "diálogo" desejado.

Não bastará, para isso, que a nossa programação pastoral seja executada em comunhão e em unidade. Mas não nos podemos dispensar a esse trabalho. Os cristãos das nossas comunidades também precisam de se abrir por dentro. Precisamos de "corações ao alto", mas também de corações abertos, capazes de ultrapassar bairrismos, tantas vezes doentios, sem anular, contudo, a especificidade e a idiossincrasia de pequenas comunidades de pertença. E esta abertura não poderá passar apenas pelo coração dos pastores... Mas também isso é absolutamente necessário.
A acção da Igreja na cidade não se pode dispensar de realizar pontos de encontro significativos e marcantes para as pessoas. A presença da Igreja na cidade pode não se maciça, como noutros tempos, mas deverá ser interpelante, como luz que brilha e faz sentido. A presença da Igreja nas cidades, e em especial na de Aveiro, pode e deve ser discreta mas sentida, activa e protagonista sem ser a única.
O diálogo com as organizações e as instituições de todos os níveis, a criação de parcerias que busquem estratégias de resposta aos reais problemas das pessoas, a conjugação de esforços e o trabalho em rede, ao nível social, tem que ser um imperativo.
Eu tenho um sonho. Sonho uma Igreja simples e bela. Sonho uma Igreja minha casa e casa dos que quiserem. Sonho até com as palavras de D. Manuel Martins:

A Igreja é a minha casa.
Esta igreja onde eu nasci e onde quero morrer.
Nela me sinto bem.
Nela gosto de estar.
Aqui, eu penso, projecto, sonho, alimento-me.
Aqui, rezo, recordo, choro, zango-me, encontro-me.
Aqui sofro, aqui canto.
A Igreja é a minha casa!
Gostaria, tantas vezes, de a ver mais acolhedora, mais aberta, com mais espaços para pessoas outras (não é ela comunhão e sacramento?), mais gratuita, mais convidativa.
A Igreja é a minha casa!
E tenho pena que feche as portas, condene sem coração, corte com quem procura...
Eu amo muito a Igreja
Porque a Igreja é a minha casa.
Com defeitos?
Com a ruga dos anos?
Às vezes azeda?
Mas é a minha casa!

Então, porque lhe quero muito, vou pintá-la de fresco, vou rasgar-lhe mais portas, vou torná- la mais simpática, mais disponível, mais atenta.
Vou fazer com que cante mais a beleza da vida, perca o medo e salte para o mundo, grite os valores das pessoas e dos povos.
A Igreja é a minha casa!
Se eu quiser,
se tu quiseres,
se nós todos quisermos,
todos virão a ela e todos nela se sentirão bem.
Porque ela é o rosto de Deus.
Porque Deus habita nela.

Há ideais que vale a pena perseguir! Jesus Cristo é o grande ideal. A Igreja em Aveiro será fiel se O souber apresentar assim.


Pe. José António Carneiro
in Igreja Aveirense

26 de Abril de 2012

Quantos católicos somos?






















Está realizado o “retrato religioso” da sociedade portuguesa. A Conferência Episcopal Portuguesa encomendou um estudo à Universidade Católica e os resultados apresentados não deixam de ser inquietantes. Portugal é ainda um país de “marca católica”, mas em pouco mais de dez anos, o número de católicos passou de 86,9% para 79,5%.

Resultado vistoso: Manchetes em muitos jornais nacionais. Notícias nos mais diversificados meios de comunicação social anunciando “Número de católicos em Portugal em queda” e “Igreja Católica perde para todos”.
Das conclusões apresentadas no estudo conclui-se que o Catolicismo em Portugal tem “rosto feminino” e “pronúncia do Norte”, revelando que mais de 56% dos católicos são mulheres e que mais de 43% vivem no Norte de Portugal. Outro dado apresentado, e que de resto acompanha a tendência da sociedade portuguesa, tem a ver com a média de idade dos que se dizem católicos. Mais de 55% dos católicos têm mais de 55 anos.
Muitas coisas se podem argumentar diante destes números que, para a Igreja Católica, deverão ser um sinal dos tempos e como tal, segundo imperativo conciliar, deverão ser lidos e analisados objectivamente.
Não podemos ficar impávidos e serenos diante dos números. Não podemos sacudir a “água do capote” como se não fosse nada connosco. Os números não nos devem assustar, mas podem e devem alertar-nos a todos. Sim, a todos os que nos dizemos e procuramos ser cristãos católicos todos os dias, a toda a hora, e não apenas “das 9h às 5h da tarde”.
Preocupa-me evidentemente que os católicos sejam menos. Mas preocupa-me bem mais que não sejam aquilo que deveriam ser.
Se olharmos para os itens do inquérito mais preocupado fico quando se percebe que muitos dos que se afastam de uma prática religiosa o fazem por causa de mau exemplo de pessoas religiosas que conhecem.
De facto, o alerta que estes números causam não poderá ficar apenas para a hierarquia católica - ainda que convém que faça a sua parte (não me demito da minha!) -, mas é à Igreja Povo de Deus, Povo Sacerdotal, que estes números devem inquietar. Há, evidentemente, muitas coisas que é preciso rever continuamente, novas linguagens a assumir, testemunhos de vidas felizes a apresentar… e, acima de tudo, que a tão badalada “nova evangelização” seja aquilo que enuncia: que seja nova e renove!
Para mim é absolutamente mais urgente que os católicos sejam verdadeiramente cristãos. Ou seja, que Jesus Cristo seja o centro e o sentido, a meta e a finalidade, o horizonte e a felicidade, porque a Salvação. Isso é o mais fundamental! Acredito que se formos bons cristãos seremos bom exemplo e pelo exemplo irradiaremos a beleza de Cristo, à imagem das primeiras comunidades cristãs das quais já esquecemos o “vede como eles se amam”.
Permito-me citar uma amiga que escreveu no seu blogue, fazendo a leitura deste estudo e deixando uma inquietação a partir do relato bíblico do Jovem Rico: “Poderia sumariar a passagem assim: O projeto é "este", amigo! Vens e segues-me? Será bom, se vieres. Ficarei feliz. Construiremos juntos. Mas a liberdade de escolha é tua... e seguiu caminho com quem O quis acompanhar. Todos eram bem-vindos. E todos os dias eram novos. E havia dúvidas, mas as respostas eram intensas. E todos acreditavam, e escutavam, e convertiam-se. Celebravam. E não era rotina. Era festa!”.
(Crónica escrita para o Jornal Expresso do Ave)

18 de Abril de 2012

"História" de um belo Encontro



Santo Inácio de Loyola faz-nos a contemplar um encontro entre a Mãe e o Filho Ressuscitado. O Fundador dos Jesuítas deixa claro que é de se esperar e de acreditar que a primeira aparição de Jesus após Sua ressurreição – ainda que não relatada na Escritura – tenha sido à sua Mãe. É uma ideia razoável. Não só por Jesus ter sido um bom filho e desejar terminar com a dor da Mãe, mas também pelo mérito próprio de Maria: é justo que aquela que primeiro aceitou fazer a vontade de Deus e que com o seu “Sim” mudou o rumo da história humana fosse a primeira portadora da grande novidade – a vida venceu a morte! Jesus está vivo!
Ninguém sabe como foi esse encontro. Ninguém sabe o seu conteúdo. Podemos apenas acreditar nele e vê-lo com os olhos da fé. É uma contemplação riquíssima: Mãe e Filho livres da dor e do sofrimento, perdidos no tempo a conversar sobre todos os acontecimentos, cheios de alegria e de consolação.
A certeza da ressurreição de Cristo não ficou apenas no encontro entre Mãe e Filho. Nós somos herdeiros desta boa nova. Fazer este caminho com Jesus, acompanhados pela Mãe, exige a cada um de nós viver a doação, como Cristo, uma vez que ser cristão é viver o nosso ser enraizado e enxertado em Jesus Cristo, pelo Baptismo.



(exerto do sermão do encontro que fiz este ano na celebração do Senhor dos Passos, em Aveiro)

Saudade!



...o amor que ficou por ser