7 de abril de 2012

Que a Páscoa seja libertação!

A celebração da Páscoa é fundamentalmente um acto de fé que assenta na certeza da ressurreição de Jesus Cristo. Os cristãos acreditam que, na ressurreição do Nazareno, aqueles que O vêem Filho de Deus, têm aí o penhor e a garantia da sua ressurreição pessoal.
Com a celebração pascal, os crentes afirmam a sua fé, manifestam a sua esperança, proclamam a sua alegria porque “Jesus Ressuscitou! Está Vivo!”.
 
A Páscoa permite o encontro das famílias. As férias, cá dentro ou lá fora, promovem a convivência familiar. É, por isso, tempo de alegria e de libertação. Todavia, envolvidos num cenário profundamente preocupante – e não apenas por estarmos “mergulhados até ao pescoço” numa crise económica gravíssima, mas porque a crise é muito mais do que a falta de dinheiro e de liquidez de mercados – como poderemos viver a alegria pascal?
É preciso um acto de fé grande para expressarmos a alegria da Ressurreição quando olhamos para o lado – ou olhamos para a nossa casa – e as preocupações são tantas e tamanhas… Viver a alegria quando não se tem o necessário para viver com o mínimo de dignidade, quando não há emprego, e o que há, tantas vezes, está trespassado de precariedade, exige um acto de coragem e de ousadia.
É verdade que não podemos, de uma vez, inverter os indicadores económicos, que não eliminamos a corrupção dos “senhores que mandam”, que não criaremos emprego suficiente para os mais de 600 mil desempregados… mas a Páscoa dos cristãos pode ser uma ocasião de viragem se, pelo menos os cristãos, se assumirem como portadores de uma alegria e de uma esperança que brotam de Deus e que permite enfrentar as dificuldades com coragem.
A respeito do Dia Mundial da Juventude, recentemente celebrado, o Papa Bento XVI dirigia uma mensagem aos mais novos desafiando-os a levarem a alegria, que é “elemento central da experiência cristã”, a um mundo marcado pela tristeza e inquietação.
Dizia o Papa que “o verdadeiro cristão nunca está triste ou desesperado, mesmo diante das provas mais duras, e a alegria cristã não é uma fuga da realidade, mas uma força sobrenatural para enfrentar e viver as dificuldades quotidianas”. “O mal não tem a última palavra sobre a nossa vida”, escrevia o Papa.
De facto, quem diria que de uma morte na Cruz – “escândalo” e “loucura” – e da Ressurreição de Jesus operada e cumprida pelo Pai, nasceria uma comunidade de pessoas que, seguindo um Crucificado Vivo, fosse capaz de ser fermento de transformação, não só moral e espiritual, mas também social (e até político) dos seus ambientes? Com a Páscoa e com Deus é possível!
Somos pascais. Aí nascemos como Povo de Deus. Da Páscoa partimos para a missão de transformar o nosso mundo num “pouco de céu”. Que esta Páscoa seja a viragem. Que a Páscoa seja a libertação não só do pessimismo, mas também da apatia e do comodismo. Podemos e devemos não desistir de lutar de viver! Já temos vida, Naquele que nos Deus a vida e se nos dá para podermos viver!

1 comentário:

  1. Como sempre nunca sei o que dizer...
    Acho que tenho de tentar com mais persistência livrar-me do pessimismo.

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