29 de janeiro de 2009

Bastará o respeito mútuo?

O tema da relação entre fé e razão, entre teologia e ciência é, desde há muito tempo, um tema controverso, discutido e sempre em aberto. Ouvi, anteontem, um investigador da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Brasil) defender que, na actualidade, têm sido dados mais passos de convergência pela ciência do que pela teologia, subentendendo aí uma crítica à Igreja por dar poucos sinais de abertura em relação às descobertas científicas da actualidade.
Recorde-se o que é sabido de todos: esta questão motivou durante a história da humanidade posições fundamentalistas e mesmo ultra-fundamentalistas de parte-a-parte, levando em muitos casos a condenações, excomunhões, para não dizer violências e guerras.
Trazemos à memória aquilo que o saudoso Papa João Paulo II defendeu na sua penúltima encíclica, Fides et Ratio, uma verdadeira profecia de comunhão e aproximação entre a Teologia e a Ciência, que ainda não é objecto da devida concretização pelo menos por parte de muitos teólogos. Dizia o Papa: «a verdadeira fé não se reduz a um sentimento subjectivo, mas precisa de bases racionais e de uma certa objectividade, corroborada pelas ciências humanas».
Ora, é bem verdade que vão surgindo passos convergentes que buscam essa comunhão e nem é necessário apontá-los. Contudo, parece que nesta luta, como noutras, ninguém dá o braço a torcer. As questões ficam pela base do respeito mútuo – o que de si é importante. Mas bastará o respeito mútuo?
Esta questão aliada ao diálogo traz-me à lembrança a recente celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Esta iniciativa centenária visa que aqueles que seguem Cristo peçam e busquem, de maneira sempre mais aprofundada, o dom da unidade.
Também nestas questões de ecumenismo e, mais alargado, de diálogo inter-religioso se fala, em primeiro lugar, no respeito mútuo. Mas a minha dúvida reside no facto de saber se basta isso. Não serão precisas mudanças ao nível doutrinal, disciplinar e mesmo cultual e celebrativo?
Não duvido da radical radicalidade de Cristo e atendendo ao seu pedido («Que todos sejam um!»), questiono-me se estamos no caminho certo, se fazemos o que basta e se respeitamos fielmente o testamento deixado.

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