17 de junho de 2009

No horto com Cristo



No horto do esquecimento e da dor
Eu quero entrar conTigo.
Nele quero fazer-Te companhia
A ti que vives e sofres a solidão dos homens
Que carregas o peso da dor e do abandono.
Uns fugiram, outros dormem
Mas Tu velas por amor até ao fim.
Como faz doer a dor da solidão.
Tão profunda, tão aguda
Que as lágrimas já não são lágrimas
senão gotas de sangue
e pedaços de carne despedaçada.
Essa dor espiritual fere brutalmente
Talvez mais que o peso da cruz
Mais que os cravos na carne
Mais que o peso humano elevado no madeiro.
Tu sofres e eu quero sofrer conTigo.
Sei-me fraco, impotente
Não capaz de aliviar o sofrimento.
Mesmo assim esforço-me
Para o que puder.
Só Tu podes tudo
E livremente caminhas para a morte humana.
Mas não morres para Deus,
Para Ele ninguém morre
Muito menos o Filho amado.
E porque me sinto filho
Sei-me capaz de colaborar
Na Tua hora mais alta:
A do amor e da dor.
Faz-me firme
Mesmo na noite e na intempérie
Na tempestade e na solidão.

inédito JAC

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