11 de dezembro de 2009

Advento: 13.º dia – paciência no tempo da pressa



A nossa caminhada terrena e adventícia continua não como marcha militar, mas como singelo e lento peregrinar. Peregrinamos como quem dança. Este é o ritmo do caminho daqueles que vivem e vão rumo a Deus.

Quem quer ir ao encontro de Deus não o pode fazer depressa e a correr, mas lentamente, saboreando e sentindo cada passo, cada recta, cada curva, cada subida, cada descida, cada monte e cada vale…

Ir para Deus, ir ao encontro de Deus, é ir com paciência ou seja, ir “sofrendo” e sentindo o peregrinar, a dor dos passos – ora bem, ora mal dados – uma vezes com “via-verde”, outras por atalhos…

Ora é de paciência que falo hoje. Porque se trata de uma virtude/atitude fundamentalíssima deste tempo, desta propedêutica para o Natal.

É Tiago que nos pede: «Esperai com paciência a vinda do Senhor: vede como o agricultor espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva têmpora e a tardia. Sede pacientes e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima» (Tg 5, 7-8).

Cristo fala-nos variadíssimas vezes da paciência no seu percurso terreno. Recordemos as muitas parábolas sobre o Reino: semeador (Mt 13, 1-8), a do trigo e da cizânia (Mt 13, 24-39), semente (Mc 4, 26-29), entre outras.

Não se trata de um paciência amorfa e ineficaz. Trata-se de uma paciência, alegre e expectante, eficiente e produtiva, comprometida, corresponsável e séria, porque há algo novo – imensamente melhor – que vem já.

Claro que vivemos num tempo impaciente. Todos experimentamos isso mesmo. Nada queremos aguardar e esperar. Vivemos num tempo desesperante que pode levar ao desespero...
O nosso tempo está cinzento e é precisamente nestas horas que assume primordial importância esta virtude da paciência. Esta está agarrada, por um lado, à confiança e à esperança e, por outro, à tranquilidade, à serenidade e à paz. E Cristo é a nossa esperança, a nossa fé, a nossa paz.

Quero que este advento seja “dia dos modestos princípios” (Zc 4, 10) que é como quem diz, dia das coisas pequenas. Comprometo-me a fomentar, a potenciar, a fazer crescer, a cultivar a paciência na minha vida, nos gestos e atitudes, no contacto com as pessoas, no ministério e na acção pastoral.

Confio e espero pacientemente este Deus Menino – que quer reinar num mundo cheio de esquemas e de pressa – sem qualquer tipo de esquemas e planos.



Vinde, Senhor: a Igreja Vos espera,
Sol de justiça, eterna primavera.
Vinde, Senhor: a Terra Vos procura,
Vós sois a Luz de toda a criatura.


(Do Hino de Ofício de Leitura, II)

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Termino comprometido e mais paciente na Oração. Isto dará fruto com certeza!
Guia-me, Luz amável,
Na escuridão que me acolhe,
Guia-me Tu!
A noite está escura,
E a casa distante:
Guia-me Tu!
Guarda os meus passos!
Não te peço para ver
O horizonte longínquo:
Basta-me
Um passo de dada vez!


John Henry Newman
In As quatro noites da salvação, Bruno Forte
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amanhã reflectimos na capela

10 comentários:

  1. belíssimo texto! Palavras certeiras, na qual me comprometo a vigiar a minha ansiedade e pedir a Deus o exercício pleno da paciência.Realmente vivemos em um mundo de muitas pressas e quando vemos estamos correndo também.


    abraços fraternos,

    Gisele

    "Aquele que procura segurança no Altissimo Deus e se abriga na sombra protetora do Todo -Poderoso
    pode dizer ao Deus Eterno:
    "Tú és o meu defensor e o meu protetor.
    Tú és o meu Deus, e eu confio em ti..."

    Salmo 91 1:2

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  2. Que palavras tão certeiras, pelo menos para mim, amigo José António!

    A paciência!

    A paciência do cristão deve nascer e viver disso mesmo que dizes, da esperança, que é a certeza da promessa.

    Somos tantas vezes impacientes com a nossa Igreja, porque achamos que Ela é lenta, quando me parece que no fundo Ela é apenas paciente e espera na certeza de o Espírito Santo não lhe faltará com a resposta segura ao que procura.

    E não somos nós assim tantas vezes nas nossas orações? Pedimos e queremos receber de imediato, como se a perseverança e a paciência não fossem componentes imprescindíveis da oração.

    Obrigado portanto, por me ajudares a reflectir em algo que falta muito em mim: a paciência.

    Abraço amigo em Cristo

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  3. Sem impaciência fui passo a passo guiada por cada recta ou curva da sua belissima reflexão e quando cheguei ao fim desejei que não tivesse acabado e principiei de novo. Cada vez que a leio descubro algo de novo e já peregrinei nestas palavras umas quantas vezes antes de comentar. Cheguei à conclusão que está tudo dito, resta-me comprometer-me a ser mais paciente a cada passada do meu dia-a-dia.
    Abraço fraterno.

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  4. Parece que escreveste mesmo para mim. A Paciência é uma virtude que me anda muito arredia... que tenho que aprender a cultivar mais. Não posso esquecer estas tuas palavras.
    Obrigada.

    Bjs

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  5. Amigo JAC
    Na verdade, já é também a segunda ou terceira vez que leio o texto.
    Claro, a paciência!...Ai valha-me Deus. "Santa Paciência"... tentei todo o dia estar atenta aos testes de paciência que tive que passar e sabes que consegui ter 10/20, nada mau...
    Para a próxima faço revisão de provas só 10 ...? Por pouco estava a ver que chumbava.
    Ás vezes é assim temos bons propósitos e depois falta-nos a Paciência.
    Deus nos dê Paciencia essencialmente uns com os outros
    Abraço em Cristo

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  6. tudo que eu hoje precisava de ouvir ...
    obrigada por esta linda reflexão ...
    beijinhos zé ...

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  7. mais uma reflexão para vir ler todos os dias. Até tê-la bem dentro do coração.
    E a paciencia como todas as virtudes, só de mãos dadas com o Amor podem ir crescendo e na medida desse amor. Por isso há que voltar e reler e esperar que por fim o amor nos vença em todas as nossas pressas para que aconteça totalmente em nós.

    Um abraço amigo,
    Malu
    P.S. Gosto muito e também, da sua escrita. Que Deus o abençoe.

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  8. Muito grata por esta reflexão que bem precisava de ler agora, cuja mensagem deveria ter sempre presente no meu coração, na minha vida!
    Que Deus o abençoe e que o Espírito Santo nos ilumine a todos para irmos agindo da forma como Ele quer.
    Um abraço em Cristo

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  9. "Na escuridão que me acolhe,
    Guia-me Tu!"
    É tão fácil falar em paciência,mas há sempre um limite para tudo!
    Que esse limite nunca chegue para todos vocês....
    Abraço!

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  10. O mundo carece deste dom "paciência"
    Somos constantemente confrontados com a sua ausência.
    Pais sem paciência para os filhos, filhos sem paciência para com os pais...
    uns para com os outros, e vai-se alargando, em qualquer atendimento público, os condutores, nos transportes público...um sem fim de situações.
    Não há "paciência" para dispensar ao outro, muito menos para o ouvir, para o escutar...

    Obrigado pela reflexão em tempo de advento.

    Vou fazer deste tema a minha regra de vida.

    Bom Domingo

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