5 de novembro de 2011

Iluminados pela Palavra, aprendemos a prudência


1. Caminhamos, em passo acelerado, para o terminus do ano litúrgico. Ficamos, agora, com dois domingos para celebrar, sabendo que a solenidade de Cristo Rei encerra o nosso ano litúrgico, abrindo-se logo à nossa frente as portas de mais um advento, como propedêutica do Natal do Senhor. Porque vamos caminhando para esse fim do ano, a liturgia da Igreja começa desde já a preparar a nossa mente e o nosso coração para a necessidade da vigilância, tendo em conta a segunda vinda do Senhor Jesus que está no horizonte final da história humana.

2. Essa é, aliás, a mensagem essencial do Evangelho de Mateus, que ouvimos proclamar e que, ao contrário de Marcos - que apresenta os sinais que precedem a destruição do Templo de Jerusalém -, nos elucida acerca do modo como devemos esperar, em constante vigilância, e como nos devemos preparar para essa segunda vinda de Jesus Cristo.

3.O cenário proposto pelo evangelista, ao escrever a parábola de Jesus, é o de um casamento judaico tradicional, imagem tão querida em toda a Escritura, para se referir à vinda do Messias. É a partir desta sugestiva imagem do banquete (que ainda há poucos domingos a liturgia nos propunha à reflexão) que Jesus nos quer ensinar, sempre com a habitual paciência, que podemos escolher como lema da nossa vida: Sempre Alerta!

4. Para melhor entendermos esta Palavra, importa dizer que a tradição judaica do casamento impunha que, no último dia da festa, o noivo, juntamente com os seus amigos, formasse um cortejo que, depois do sol posto, e à luz de candeias, fosse a casa da noiva, que acompanhada das suas amigas, aguardava, jubilosa, a chegada desse luminoso e ruidoso cortejo. Aí chegados, a noiva abandonava a sua casa, com as suas companheiras, e todos formavam um só cortejo rumo, de novo, à casa do noivo. Fechada a porta iniciava o banquete nupcial.

5. Esta história proposta por Jesus tem uma intenção escatológica (falar das realidades últimas da história humana), alertando-nos para a necessidade de estarmos prontos e preparados para participar nesse banquete festivo, no momento em que Ele vier ao nosso encontro para fazer festa do Encontro, face-a-face, daqueles que sempre se buscaram e se amaram.

6. Reparemos que, nesta parábola, as "virgens insensatas" acabam excluídas do festim porque facilmente percebemos que elas não primaram na preparação e não vigiaram suficientemente. Reparamos até que no adormecer e no dormitar, enquanto esperam o esposo atrasado, "prudentes" e "insensatas" são semelhantes; mas, na preparação prévia para a recepção e o acolhimento do esposo, elas são bem diferentes. E aí está a questão. Não teremos parte na Festa que Deus nos prepara se não estivermos vigilantes e preparados.

7. É inultrapassável que, ao lermos este texto, a nossa mente não vá até outro episódio do Evangelho de Mateus. No capítulo 7, lê-se: “Nem todo aquele que me diz “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsamos demónios, e em teu nome que fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci". (7, 21-23). Logo a seguir a este episódio conta-se a história do homem prudente que edifica a casa sobre a rocha e do insensato que constrói em cima da areia.

8. Afinal, os prudentes são os que, iluminados pela Palavra de Deus, que é a rocha e o apoio firme, estão vigilantes, atentos e alerta, pondo em prática a Palavra; os insensatos são os que até recebem a Palavra de Deus, mas adormecem “à sombra da bananeira”, não vigiam e descuidam a necessária prática da Palavra escutada. Faz a vontade de Deus aquele que pratica a Palavra ensinada pelo Filho que é, Ele mesmo, a Palavra, o Verbo, o Logos, o Dabar divino. Estes terão lugar nesse banquete festivo que Deus põe continuamente à nossa disposição.

9. Hoje, a partir da primeira leitura, podemos e devemos pedir o dom da Sabedoria. Dá-nos, Senhor, a Tua sabedoria, para discernirmos o que é bom e agradável. Assim estaremos despertos e aprenderemos a prudência. Assim entraremos no banquete da Tua vida abundante, na festa do encontro dos que Te amam e buscam.

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