6 de fevereiro de 2013

Apresentação do Livro "(Re)Versos À Luz Do Amor Poesias de um Padre"

Foi no passado dia 2 de Fevereiro, no Centro Paroquial da Glória-Sé, que decorreu a apresentação do meu segundo livro de poesia. Partilho com todos as palavras proferidas pelo Bispo de Aveiro, D. António Francisco, que também assina o prefácio do livro. Agradeço a todos quantos possibilitaram um pedaço de tarde feliz. Publicarei depois a palavra que disse nessa tarde.




1.Começo com uma palavra de saudação dirigida a todos (e são muitos) quantos aqui se quiseram reunir nesta tarde para este momento de apresentação do Livro (Re) Versos à Luz do Amor – Poesias de um Padre.
Quero saudar todos quantos já leram este Livro e quantos aqui vieram porque o querem ler e saborear.
Um Livro quando escrito e publicado, deixa de ser propriedade de quem o escreve para ser pertença de todos os que o lêem e passa a fazer parte do património comum da cultura de uma Comunidade.
Celebramos hoje, em Igreja, e na nossa Diocese o Dia dos Consagrados. Quero deixar aqui o testemunho da minha homenagem a todos os consagrados (as) da nossa Diocese e a minha gratidão por tão numerosa presença aqui neste momento.
O testemunho da vida dada dos sacerdotes e dos consagrados é, sem dúvida alguma, bela forma de sentirmos que Deus continua a chamar e deixa-nos maior certeza para compreendermos quanto a vida e as palavras ditas em versos de hoje anunciam tempos novos para o futuro da Igreja.

2.Os poemas do livro (Re)Versos à Luz do Amor, do Padre José António Ribeiro de Lima Carneiro, estão inscritos no chão concreto onde a vida se diz e se faz, em passos dados ao longo do caminho.
Passos dados sem medo. Dados com sentido, em jeito de peregrino, de eterno caminhante e permanente caminheiro, na saboreada experiência de quem sabe que «o caminho se faz caminhando».
O autor conhece o rumo e a meta e o poeta, quando escreve, pressente o horizonte e anuncia o sentido do caminho. O autor sente a alegria de caminhar e a firmeza dos passos dados, mesmo com ventos atribulados e em horas de tempestade. Sabe-se envolvido, desde o berço, pelos afagos e desvelos de Deus: «mistério distante e próximo, silencioso e profundo, feito de ternura e de fidelidade».

3.Quero agradecer ao Padre José António este Livro. Este Livro nasce da sua vida e da sua missão na nossa e sua Diocese, a partir da primeira missão que lhe confiei, em Águeda.
Esse foi o seu primeiro chão, o seu primeiro espaço de missão. Aí encontrou pessoas e descobriu comunidades com quem foi chamado a construir o reino de Deus e a edificar a Igreja. Assim o fez com a diligência apostólica que lhe conhecemos e com o dinamismo da alegria pastoral que lhe reconhecemos.
Sem esta terra e sem estas gentes, este Livro não teria surgido. Este Livro é de Águeda e da Unidade Pastoral, que aí se desenvolve e se desdobra por nove paróquias e tantas outras comunidades humanas e cristãs. É, por isso mesmo, de Aveiro e de toda a Diocese, também, o mérito deste Livro.

4.Para o sacerdote, o oceano imenso da missão nunca é chão sereno nem mar calmo. É desafio a ver outras margens e convite ao desapego de passageiras e tranquilas seguranças.
Em Jesus, o Mestre e Senhor, o sacerdote descobre a voz igual e firme que Pedro ouviu noutros mares e sente como ele o braço seguro de Deus, feito âncora a que nesse porto de abrigo se prendeu para sempre. E é seu, também, o mesmo encanto pelo Evangelho que aí começou para Pedro, com o fascínio da missão que nunca mais perdeu. Aí, também, o sacerdote encontra o guia e o mestre, a bússola e o farol, a esperança e a alegria a dar cor e sentido a estes poemas de vida.
É no chamamento de Jesus que melhor se percebe e sente a brisa divina que envolve o mistério da vocação, que percorre o mundo, que dá beleza a cada lugar e valor a cada coisa e que sussurra de mansinho com doce ternura aos ouvidos do coração, versos de amor do nosso Deus.
Os primeiros discípulos, habituados às lides do trabalho diário em ritmos cíclicos, entre as suaves marés do lago, tiveram as naturais dificuldades ao deixarem terra e redes para sonharem sonhos de Deus e para olharem horizontes desconhecidos a que a força do Espírito os haveria de conduzir.
É assim, também, connosco os sacerdotes, a partir desse momento inicial da vocação em que cada sacerdote ousa seguir Jesus para margens novas e inesperadas da vida e da missão e levanta os olhos para «a Cruz Alta donde se desprende o segredo maior da salvação».
No Crucificado vemos impressos, em sulcos cavados no rosto inocente de Jesus, os traços sofridos da nossa humana fraqueza, com as marcas de actos não pensados. Mas dali irradia, para quem crê, a beleza do Ressuscitado que nos eleva o coração em abraço redentor e nos conduz por caminhos novos de discípulos seus.

5. De Águeda, o Padre José António veio para Aveiro, trabalhar nesta Paróquia da Glória. Foi generoso e imediato o seu sim, quando lhe confiei esta nova missão. Compreendemos, por isso, que queira oferecer a esta paróquia o dom deste livro, fazendo reverter para a vida da Comunidade que agora serve os proveitos da sua venda. Bem - haja por mais este gesto de generosidade.
Nestes versos escritos e sentidos está presente a bela linguagem da generosidade de tudo o que dá significado e encanto à missão, que ao sacerdote é pedida e confiada.
E aí nos encontramos todos, remadores e mareantes, neste oceano imenso da vida. Somos distribuidores generosos do amor divino e multiplicadores da abundância do perdão nos corações humanos magoados pela dor e feridos pelo pecado. Somos chamados a renascer diariamente pela graça do Redentor e a dar tempo e lugar à conversão pessoal e à transformação do mundo.
E a paróquia da Glória, sedeada a partir nesta Sé de Aveiro, Igreja Mãe da Diocese, é disso expressão significativa e exemplar. Que o digam as celebrações de toda a Comunidade diocesana que aqui converge em tantos momentos da nossa vida como Diocese, como aconteceu de forma tão bela e expressiva no passado dia 21 de Outubro, no início da Missão Jubilar! Que no-lo recordem todos quantos diariamente aqui acorrem em busca de paz e de perdão, encontrados na celebração do sacramento da reconciliação, aqui diariamente celebrado! Que no-lo revele a Missão Jubilar no seu tão plurifacetado dinamismo mobilizador que desde sempre encontrou no Padre José António um incansável obreiro!

6.Cada sacerdote sabe, no belo dizer destes versos, que: «Só por Cristo eu vou certo/ só com Ele ando perto/ só em Cristo estou aberto/ a ser mais e melhor e a não parar!»
Neste caminhar em busca contínua da santidade, o Padre José António sente a presença atenta e solícita, com desvelos de carinho e olhares de ternura, da Mãe de Deus e nossa Mãe que invoca, com afável devoção, como Senhora de Fátima, e Quem dá o título de Senhora do Mundo.
Não é, por isso, indiferente que por sua vontade expressa, o Padre José António tenha escolhido este dia da Apresentação do Senhor no templo para dele fazer dia da apresentação pública e oficial do seu Livro.
Ele sabe que no coração da Mãe de Deus e nossa Mãe se inspiram os melhores poemas e se decidem com firmeza os horizontes mais felizes da vida.

7. Deus deu ao Padre José António Carneiro o talento e a arte para dizer em palavra e escrever em texto aquilo que flui belo e espontâneo dos seus sentimentos e do seu pensamento.

Agradeço-lhe, em nome de todos nós, juntamente com este seu novo Livro, a disponibilidade para o exercício do ministério sacerdotal nestas Terras de Aveiro assim como a alegria da comunhão no presbitério, a paixão pela causa do Evangelho e este jeito feliz e irmão de ser e de viver entre nós.

Com esta palavra aqui dita, com renovada amizade e acrescida alegria, coloco nas vossas mãos este Livro onde se proclama a alegria da fé e se afirma a beleza do ministério dos sacerdotes em versos e (re)versos de vidas totalmente dadas a Deus para o serviço da Igreja.

Nesta palavra de parabéns ao Padre José António, quero testemunhar a minha comunhão fraterna com todos os sacerdotes que vivem e trabalham ao serviço desta Igreja de Aveiro e a minha gratidão pelo belo testemunho e dedicada generosidade que de todos recebemos.

Aveiro, 2 de Fevereiro de 2013
António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro


Pe. JAC

1 comentário:

  1. Há apresentações que não se esquecem e livros que marcam a nossa história. Obrigada por ambos... Obrigada!

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