17 de outubro de 2014

Santo Inácio de Antioquia





ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Aceitai benignamente, Senhor, a nossa humilde oferta, como recebestes Santo Inácio, trigo de Cristo, que, triturado pelo seu martírio, se tornou pão imaculado.



Da Carta de Santo Inácio, bispo e mártir, aos Romanos

Sou trigo de Deus e serei moído pelos dentes das feras


Escrevo a todas as Igrejas e asseguro a todas elas que estou disposto a morrer de bom grado por Deus, se vós não o impedirdes. Peço vos que não manifesteis por mim uma benevolência inoportuna. Deixai me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus. Sou trigo de Deus e devo ser moído pelos dentes das feras, para me transformar em pão limpo de Cristo. Rezai por mim a Cristo, para que, por meio desses instrumentos, eu seja sacrifício para Deus.
Para nada me serviriam os prazeres do mundo ou os reinos deste século. Prefiro morrer em Cristo Jesus a reinar sobre todos os confins da terra. Procuro Aquele que morreu por nós; quero Aquele que ressuscitou por nossa causa. Estou prestes a nascer. Tende piedade de mim, irmãos. Não me impeçais de viver, não queirais que eu morra. Não me entregueis ao mundo, a mim que desejo ser de Deus, nem penseis seduzir me com coisas terrenas. Deixai me alcançar a luz pura. Quando lá chegar serei verdadeiramente um homem. Deixai me ser imitador da paixão do meu Deus. Se alguém O possuir, compreenderá o que quero e terá compaixão de mim, por conhecer a ânsia que me atormenta.
O príncipe deste mundo quer arrebatar me e corromper a disposição da minha vontade para com Deus. Nenhum de vós o ajude; tornai vos antes partidários meus, isto é, de Deus. Não queirais ter ao mesmo tempo o nome de Jesus Cristo na boca e desejos mundanos no coração. Não me queirais mal. Mesmo que eu vo lo pedisse na vossa presença, não me devíeis acreditar. Acreditai antes nisto que vos escrevo. Estou a escrever vos enquanto ainda vivo, mas desejando morrer. O meu Amor está crucificado e não há em mim fogo que se alimente da matéria. Mas há uma água viva que murmura dentro de mim e me diz interiormente: «Vem para o Pai». Não me satisfazem os alimentos corruptíveis nem os prazeres deste mundo. Quero o pão de Deus, que é a Carne de Jesus Cristo, nascido da linhagem de David, e por bebida quero o seu Sangue que é a caridade incorruptível.
Já não quero viver mais segundo os homens; e isto acontecerá, se vós quiserdes. Peço vos que o queirais, para que também vós alcanceis benevolência. Peço vos em poucas palavras: acreditai me. Jesus Cristo vos fará compreender que digo a verdade. Ele é a boca da verdade, no qual o Pai falou verdadeiramente. Pedi por mim para que o consiga. Não vos escrevi segundo a carne, mas segundo o espírito de Deus. Se padecer o martírio, ter me eis amado; se me rejeitarem, ter me eis querido mal.

(Cap. 4, 1-2; 6, 1 – 8, 3: Funk 1, 217-223) (Sec. I)



Pe. JAC

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