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28 de agosto de 2015

Santo Agostinho: a paixão da busca!



Tarde te amei, 
beleza tão antiga e tão nova, 
tarde te amei! 
E eis que estavas dentro de mim 
e eu fora, 
e aí te procurava, 
e eu, sem beleza, 
precipitava-me nessas coisas belas 
que tu fizeste. 
Tu estavas comigo e eu não estava contigo. 
Retinham-me longe de ti 
aquelas coisas que não seriam, 
se em ti não fossem. 
Chamaste, e clamaste, e rompeste a minha surdez; 
brilhaste, cintilaste, e afastaste a minha cegueira; 
exalaste o teu perfume, 
e eu respirei e suspiro por ti; 
saboreei-te, e tenho fome e sede; 
tocaste-me, e inflamei-me no desejo da tua paz. 

(Confissões, X Livro, 38)

_________________________________________________________________________
Nada estará perdido enquanto estivermos em busca. 
(De Música 6,23)

17 de outubro de 2014

Santo Inácio de Antioquia





ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Aceitai benignamente, Senhor, a nossa humilde oferta, como recebestes Santo Inácio, trigo de Cristo, que, triturado pelo seu martírio, se tornou pão imaculado.



Da Carta de Santo Inácio, bispo e mártir, aos Romanos

Sou trigo de Deus e serei moído pelos dentes das feras


Escrevo a todas as Igrejas e asseguro a todas elas que estou disposto a morrer de bom grado por Deus, se vós não o impedirdes. Peço vos que não manifesteis por mim uma benevolência inoportuna. Deixai me ser pasto das feras, pelas quais poderei chegar à posse de Deus. Sou trigo de Deus e devo ser moído pelos dentes das feras, para me transformar em pão limpo de Cristo. Rezai por mim a Cristo, para que, por meio desses instrumentos, eu seja sacrifício para Deus.
Para nada me serviriam os prazeres do mundo ou os reinos deste século. Prefiro morrer em Cristo Jesus a reinar sobre todos os confins da terra. Procuro Aquele que morreu por nós; quero Aquele que ressuscitou por nossa causa. Estou prestes a nascer. Tende piedade de mim, irmãos. Não me impeçais de viver, não queirais que eu morra. Não me entregueis ao mundo, a mim que desejo ser de Deus, nem penseis seduzir me com coisas terrenas. Deixai me alcançar a luz pura. Quando lá chegar serei verdadeiramente um homem. Deixai me ser imitador da paixão do meu Deus. Se alguém O possuir, compreenderá o que quero e terá compaixão de mim, por conhecer a ânsia que me atormenta.
O príncipe deste mundo quer arrebatar me e corromper a disposição da minha vontade para com Deus. Nenhum de vós o ajude; tornai vos antes partidários meus, isto é, de Deus. Não queirais ter ao mesmo tempo o nome de Jesus Cristo na boca e desejos mundanos no coração. Não me queirais mal. Mesmo que eu vo lo pedisse na vossa presença, não me devíeis acreditar. Acreditai antes nisto que vos escrevo. Estou a escrever vos enquanto ainda vivo, mas desejando morrer. O meu Amor está crucificado e não há em mim fogo que se alimente da matéria. Mas há uma água viva que murmura dentro de mim e me diz interiormente: «Vem para o Pai». Não me satisfazem os alimentos corruptíveis nem os prazeres deste mundo. Quero o pão de Deus, que é a Carne de Jesus Cristo, nascido da linhagem de David, e por bebida quero o seu Sangue que é a caridade incorruptível.
Já não quero viver mais segundo os homens; e isto acontecerá, se vós quiserdes. Peço vos que o queirais, para que também vós alcanceis benevolência. Peço vos em poucas palavras: acreditai me. Jesus Cristo vos fará compreender que digo a verdade. Ele é a boca da verdade, no qual o Pai falou verdadeiramente. Pedi por mim para que o consiga. Não vos escrevi segundo a carne, mas segundo o espírito de Deus. Se padecer o martírio, ter me eis amado; se me rejeitarem, ter me eis querido mal.

(Cap. 4, 1-2; 6, 1 – 8, 3: Funk 1, 217-223) (Sec. I)



Pe. JAC

15 de outubro de 2014

Santa Margarida Maria Alacoque






Nasceu em 1647 na diocese de Autun (França). Acolhida entre as Irmãs da Visitação de Paray le Monial, progrediu de modo admirável no caminho da perfeição. Teve revelações místicas, particularmente sobre a devoção ao Coração de Jesus, e contribuiu muito para introduzir o seu culto na Igreja. Morreu a 17 de Outubro de 1690.

Das Cartas de Santa Margarida Maria Alacoque, virgem

Devemos conhecer o amor supereminente da ciência de Cristo

Parece me que a intenção de Nosso Senhor ao manifestar tão grande desejo de que o seu Sagrado Coração seja especialmente venerado, é renovar nas almas os efeitos da sua redenção. Na verdade, o Sagrado Coração é uma fonte inesgotável que não pretende senão comunicar se aos corações humildes, para que, mais livres e disponíveis, orientem a sua vida na entrega total à sua vontade.
Deste divino Coração brotam sem cessar três canais de graça. O primeiro é o da misericórdia para com os pecadores, sobre os quais infunde o espírito de contrição e de penitência. O segundo é o da caridade, para auxílio de quantos padecem tribulações e em especial dos que aspiram à perfeição, a fim de que superem todas as dificuldades. O terceiro é de amor e luz para os seus amigos perfeitos que deseja unir a Si para os tornar participantes da sua ciência e dos seus desígnios, a fim de que eles se consagrem inteiramente a promover a sua glória, cada um à sua maneira.
Este divino Coração é um abismo que encerra todos os bens e é preciso que os pobres Lhe confiem todas as suas necessidades. É abismo de alegria em que devem ficar submersas todas as nossas tristezas; é abismo de humildade contra o nosso orgulho; é abismo de misericórdia para os infelizes; é abismo de amor para saciar toda a nossa pobreza.
Uni vos intimamente, em tudo o que fizerdes, ao Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo, para fazerdes vossas as suas disposições e a sua satisfação. Por exemplo: não adiantais nada na oração? Contentai vos com oferecer a Deus as preces que o divino Salvador eleva por nós no Sacramento do altar, oferecendo o seu fervor em reparação da vossa tibieza; e dizei em cada uma das vossas acções: «Meu Deus, faço isto ou sofro aquilo em união com o Sagrado Coração de vosso Filho e segundo as suas intenções; eu Vo lo ofereço em reparação de todo o mal ou imperfeição das minhas obras». E de modo semelhante em todas as circunstâncias da vida. E sempre que vos sobrevém qualquer sofrimento, angústia ou mortificação, dizei no vosso interior: «Recebe o que o Sagrado Coração de Jesus te envia para te unir a Ele».
Acima de tudo, porém, conservai a paz de coração, que supera todos os tesouros. E o melhor meio de a conservar é renunciar à própria vontade e colocar a vontade do divino Coração em vez da nossa, para a deixar escolher por nós aquilo que mais pode contribuir para a sua glória.

(Vie et Oeuvres, 2; Paris [1915], 321.336.493.554) (Sec. XVII)


Pe. JAC

11 de dezembro de 2011

Tarde Te amei!



“Tarde Te amei,
ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei.
Tu estavas dentro de mim e eu estava fora;
e aí Te procurava, lançando-me, com brutalidade,
sobre as coisas belas feitas por Ti.
Tu chamaste-me, gritaste, venceste a minha surdez.
Tu brilhaste, refulgiste, dissipaste a minha cegueira.
Espalhaste o Teu perfume,
Eu respirei-o e agora anseio por Ti.
Provei-Te e agora anseio por Ti.
Provei-Te e agora sinto fome e sede.
Tocaste-me e ardo de desejo
pela tua paz.”
                       

Santo Agostinho, Confissões
É sempre, para mim, um consolo e um deslumbramento ler este texto que trespassa a história da minha vida/vocação

12 de julho de 2011

Rainha Santa Isabel ensina a adorar a Deus


Hoje quero centrar a atenção na Rainha Santa Isabel, especialmente em alguns aspectos da sua vida e da sua acção, mas com um objectivo bem claro e bem definido: mostrar que quando veneramos um santo ou santa, um mártir ou alguém que para nós é modelo e referência ao nível da fé, fazemo-lo por neles é Deus que resplandece, porque neles é Cristo, dado e entregue, servo de todos, que resplandece.
Isto para dizer que veneramos os santos porque nos santos vemos Deus, porque em suas vidas eles buscaram essa identificação, essa conformação e configuração cada vez maior com Deus.
E só na relação deles com Cristo, na sequela Christi, eles são colocados diante de nós como exemplos, como modelos de seguimento, como faróis que nos iluminam, como âncoras que nos fazem acreditar e ter esperança.
São santos porque, como S. Paulo, também eles consideraram tudo lixo, por amor a Cristo. Tudo prejuízo, comparando-as com o bem maior que é Cristo. Tudo renunciar para ganhar a Cristo. Por isto é que Paulo, Isabel de Portugal, e tantos e tantos, ao longo de tantos séculos, estão colocados diante de nós como paradigmas para seguirmos a Cristo, com verdade e com radicalidade.
A devoção aos santos, na Igreja Católica, inscreve-se na grande adoração que devemos a Deus Pai e que já vem dos decálogos veterotestamentários. “Escuta Israel, o Senhor nosso Deus é o único. Amarás o Senhor Teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6, 4-5).
E o nosso primeiro mandamento estabelece: “Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas”!
A adoração, segundo o CIC (2096), é o primeiro acto da virtude da religião.
Mas, é a Deus que adoramos. Deus Pai, que nos envia o Seu Filho Jesus e nos dá o Espírito Santo, a força do amor que circula entre ambos”. É à Trindade Santa que adoramos. A Ela e mais ninguém. Porque adorar Deus é reconhecê-Lo Criador, Salvador, Senhor de tudo quanto existe.
Adorar a Deus é reconhecer o nada que somos enquanto criaturas diante da grandeza do Criador. Adorar a Deus é louvá-Lo, exaltá-Lo e humilhar-se, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que o seu Nome é santo. A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar sobre si próprio, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.
Não quero com isto dizer, meus estimados irmãos, que não podemos venerar os santos, chamados amigos de Deus. Nada disso. 
Quero dizer que é de uma total incongruência dizer e viver aquilo que tantas vezes vou ouvindo, no meu ainda curto ministério sacerdotal, e até já antes disso: “Ah senhor padre, eu sou muito cristão. Não passo um ano sem ir a Fátima”. “Ah, senhor padre, tenho uma fé muito grande por este ou por aquele santo”.
E depois, se pergunto se vai à missa, se celebra os restantes sacramentos, se reza a Deus, sem ser para “pedinchar coisas” a resposta é, tantas vezes, muito mais que as desejáveis, negativa.
Sinal eloquente de que isto também não vai bem. Sinal bem claro que precisamos de recentrar e reorientar a nossa devoção aos santos.
Eu sei que possivelmente isto não se passa convosco, caros amigos. Mas também sei que a todos cabe uma missão pedagógica, de ensino da fé, de purificação e de formação de mentes e de consciências.
Volto a reforçar o que já fui dizendo: a devoção aos santos não é adoração, é apenas uma admiração. Esta devoção que podemos ter por algum santo ou santa declarados pela Igreja tem o único objectivo de nos apontar, mostrar e levar ao essencial: Jesus Cristo.
Em muitos momentos as pessoas cometem exageros, dando mais atenção aos santos do que a Jesus. Os santos são apenas exemplos de pessoas que chegaram lá, se tornaram semelhantes ao seu mestre, Jesus.
Em abono da verdade diga-se que a Igreja não quer que sejamos iguais aos santos, mas sim que sejamos semelhantes a Jesus, como eles fizeram. Se o formos, com certeza, seremos santos.
Ao conhecer a vida de um santo, como por exemplo da Rainha Santa Isabel, isso pode e deve fazer brotar em nós o desejo de seguir o caminho que ela seguiu, da virtude, de caridade, de serviço, para chegar até Jesus. Isto é a verdadeira devoção.
Recorremos à intercessão dos santos pelo facto de já serem habitantes do Céu e de estarem unidos totalmente com Jesus Cristo. Temos a certeza da sua intercessão.
Aquilo que S. Domingos dizia já perto da sua morte, ajuda a iluminar a afirmação: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. No mesmo sentido Teresinha do Menino Jesus dizia: “Passarei o meu Céu a fazer o bem na Terra”.
Nós veneramos e amamos os santos, porque eles foram servos rigorosos e incansáveis imitadores do Senhor, viveram com “os pés na terra” e com o olhar totalmente voltado para o Céu.
 S. Policarpo de Esmirna, discípulo de S. João Evangelista, dizia assim: “Nós adoramos Cristo qual Filho de Deus. Quanto aos santos, amamo-los quais discípulos e imitadores do Senhor e, o que é justo, por causa da sua incomparável devoção pelo seu Rei e Mestre. Possamos também nós ser condiscípulos seus.”
É este amor e esta devoção pela Rainha Santa Isabel que nos congrega neste belo convento onde está sepultada.
Sabemos e acreditamos que, imitando-a na virtude, nos aproximamos de Deus e conformamos o nosso coração com o coração de Cristo.
Permiti, e termino assim, sublinhar dois belos exemplos das atitudes da Rainha Santa, que podem ser importantes, para nós que vivemos neste século XXI.
Por um lado a sua extrraordinária capacidade de diplomacia. A astúcia na resolução e na superação de conflitos, até dentro da sua própria família. Isabel de Portugal foi uma mulher de paz e isso ela nos ensina.
Num mundo, num tempo, marcador por tanto individualismo, que leva a extremismos, a violências, a contendas e a guerras de interesses, a Rainha Santa Isabel eleva-se diante de nós da grandeza daquele macarismo: “bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus”.
Por outro lado a sua extremosa caridade e a sua intenssíssima vida de oração. Não me sinto, sequer na necessidade de evocar, tantos exemplos de genorosidade, de partilha, de caridade, de amor exercidos pela Rainha Santa durante toda a sua vida. Também se releva a sua profunda vida de oração, donde extraía, com certeza, seiva e vigor, para agir com tanta ousadia e humildade, e para ser, na sua situação e no seu tempo, testemunha tão credível do amor de Deus por toda a humanidade.
A Rainha Santa Isabel é uma escola de virtude e atitudes marcadamente evangélias. Essa escola de vida continua a ser para nós frequentarmos. Nesta escola que é a de Cristo, nós nunca somos mestres; somos sempre aprendizes.
Continuemos a aprender com a Rainha Santa a ser, em cada dia da nossa vida, mais santos e mais humanos.
Seguros estamos que ela intercede por nós e ouve as nossas preces e oração. Com a certeza da fé e da devoção que nos habita: Santa Isabel de Portugal. Rogai por nós!
Pe. JAC.

3 de novembro de 2009

Que eu viva por Ti


Senhor,

Levam-me a ti inteirinho,

Apropria-te de mim, passado a limpo.
Não permitas que nem mesmo

A mais insignificante fibra do meu ser
Seja por ti desconhecida.
Vive somente tu em mim

E faz

Com que eu viva somente para ti.



12 de março de 2009

Cristãos devem imitar exemplo de São João de Deus



O Arcebispo de Braga destacou ontem, em Areias de Vilar, a actualidade da mensagem do santo fundador da Ordem Hospitaleira que, no seu tempo, foi considerado louco por se esquecer de si para se dar aos outros. Para D. Jorge Ortiga, os cristãos devem imitar essa “loucura” e o exemplo de vida de São João de Deus, particularmente neste tempo santo da Quaresma.
O prelado falava ontem, na igreja paroquial de Areias de Vilar, durante a celebração eucarística da solenidade de São João de Deus que aconteceu no passado domingo e, por causa disso, teve de ser transferida.
Diante de responsáveis, técnicos, pessoal médico e auxiliar e de dezenas de utentes da Casa de Saúde de São José,
D. Jorge Ortiga apontou a actualidade da vida e da mensagem de São João de Deus. Fazendo a ligação ao tempo litúrgico da Quaresma, o prelado defendeu a necessidade de, neste tempo, os cristãos «redescobrirem aquilo que é essencial», e de buscarem isso mesmo com todas as forças.
Na homilia, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa apontou, ainda, dois caminhos nos quais os cristãos podem ir descobrindo o que realmente conta e é importante na vida. Por um lado, ao nível do sentido da vida humana, é necessá-
rio entendê-la como serviço e doação voluntária aos outros e, por outro, ao nível da renúncia material, aspecto tido em conta na espiritualidade da Quaresma.
No final da Eucaristia, rea-lizou-se uma pequena procissão com a imagem de São João de Deus que foi transportada desde a igreja paroquial até à entrada da Casa de Saúde São José. Aí chegados, D. Jorge Ortiga procedeu à bênção final.
Antes da despedida, o padre José Manuel Machado, que é o capelão e coordenador da pastoral da saúde da instituição que trabalha na área da saúde mental, agradeceu a presença do Arcebispo Primaz e de todos os que acederam ao convite para participar na celebração.
Este sacerdote da Ordem Hospitaleira de São João de Deus disse, no final da Eucaristia, que a sua missão é «zelar pela dimensão espiritual dos utentes» e, em muitos casos, «pelas famílias». Para José Manuel Machado, «em muitos casos, as famílias precisam de mais apoio espiritual que os próprios utentes».
«A minha vida é esta casa de saúde» afirmou, referindo que é superior de uma pequena comunidade da qual fazem parte dois irmãos enfermeiros da Ordem Hospitaleira.

Nova unidade
de vida apoiada
Por seu turno, o director do estabelecimento declarou ao Diário do Minho que, este ano, a Casa de Saúde de São José vai criar o segundo edifício destinado à autonomização dos utentes. Segundo Luís Daniel Fernandes, essa nova unidade de vida apoiada é um caminho intermédio para a reinserção dos utentes que estejam em condições de regressar, na medida do possível, a uma vida social plena.
A Casa de Saúde de São José tem actualmente 215 utentes distribuídos por quatro unidades: duas de doença mental, uma de deficiência mental e uma de psicogeriatria.
A cumprir o terceiro mandato como responsável pela Instituição Particular de Segurança Social (IPSS) na área da saúde (são poucas como esta existentes em Portugal), Luís Fernandes garantiu que a instituição criada há 52 anos está a progredir e a crescer gra-
dualmente. «Este é um trabalho sério e contínuo, não de ninguém em particular, mas
de uma equipa», afirmou.

9 de outubro de 2008

O caçador que se tornou presa

Para a luz do dia despertou em Tarso. O pai conferia-lhe o estatuto de “cidadão romano”. Bebeu da sabedoria de Gamaliel. Aprendeu a fabricar tendas. Religiosamente, tornou-se um judeu fervoroso. Era irrepreensível na observância da lei. Tinha um carácter decidido. Ostentava a garra de um verdadeiro líder. No horizonte desenhava-se para ele um futuro risonho.
Depressa se tornou bem conhecido, esse Saulo, empreendedor, de formação esmerada, zeloso.
Assistiu à delapidação do diácono Estêvão. E queria mais. Afinal, essa nova seita que ia proliferando, estava a desestabilizar, a provocar o judaísmo, a gerar rupturas no tecido social e religioso do povo da ancestral aliança. Imagine-se que até já existiam cristãos na cidade de Damasco, na Síria, a 200 km de distância da Palestina.
E Saulo põe-se a caminho, para obviar a tremenda calamidade.
É então que Deus o intercepta. E lhe pede que não mais O persiga.
Saulo torna-se Paulo. O atacante torna-se presa. O caçador torna-se caça (como bem sublinha Carlos Mesters, na sua obra Paulo Apóstolo). O perseguidor atravessa três dias de cegueira, para ressuscitar homem novo.
Considera então como “lixo” as honras do passado. Mais do que confiar no que faz por Deus, confia agora no que Deus faz para ele. Mais do que “justificar-se” pelas obras, mergulha agora na gratuidade do amor de Deus.
Conduzido, não pela tradição ou pela lei, mas pelo Espírito («Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»), torna-se missionário itinerante, o Evangelho a rasgar sulcos e a frutificar na Ásia Menor e na Europa, a Igreja a crescer, o coração da Igreja a dilatar-se numa universalidade que derruba barreiras entre judeus e gregos, homens e mulheres, escravos e homens livres…
E o Espírito de Deus acompanha-o nas perseguições, nas torturas, nas ameaças de morte, nas acusações, nos tribunais, nas prisões.
Para a posteridade ficaram 14 cartas, espólio precioso que o Novo Testamento conserva, tantas vezes presentes nas nossas celebrações.
Paulo foi um verdadeiro apóstolo, uma testemunha eloquente, um herói. E um mártir. Aos 62 anos de idade, abriram-se para ele as portas do céu. A espada que o dizimou eclipsou-se. Só se vê agora a coroa da glória que Deus lhe ofereceu, juntamente com a felicidade eterna.
Estando nós a viver o Ano Paulino, proclamado recentemente pelo Papa Bento XVI; sendo o lema pastoral da nossa Arquidiocese, para o presente ano, “Encontrados pela Palavra”, não será de reflectirmos sobre a vida e escritos de São Paulo?!
Votos de um bom ano pastoral para todos, sob a protecção de Maria, a Mãe de Deus e nossa Mãe, também ela encontrada pela Palavra.

(texto)Cónego José Paulo Abreu
Vigário-Geral da Arquidiocese de Braga

in DM, 09/10/08

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...