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22 de janeiro de 2015

Quando um amigo morre...

Lido mal com a morte. 
Presida eu às exéquias que presida (tantas já este ano de 2015!), procure eu ancorar a minha fé e confiança na Palavra da Vida, o que é certo é que fica sempre a dor, a saudade e quase sempre um silêncio mudo... Faltam as palavras.
Custa, custa sempre! Seja mais ou menos esperada ou pior ainda quando nos apanha friamente de surpresa. 
Morreu um amigo padre. Irmão no sacerdócio do presbitério de Braga.
Morreu aquele que foi meu director nos quase dois anos que trabalhei na Redacção do Jornal Diário do Minho, da Arquidiocese de Braga. 
Morreu muito cedo... 
Descansa agora, Zé Miguel!
Tu que te empenhaste em cumprir a Vontade de Deus que Deus cumpra agora a promessa: "Quem acredita tem a vida eterna". 
Eu creio que Deus cura e dá vida, mas mais que isso Ele salva!



Na Mão de Deus
Na mão de Deus, na sua mão direita, 
Descansou afinal meu coração. 
Do palácio encantado da Ilusão 

Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita 
A ignorância infantil, despojo vão, 
Depois do Ideal e da Paixão 
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada, 
Que a mãe leva ao colo agasalhada 
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto... 
Dorme o teu sono, coração liberto, 
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental, in "Sonetos"

Comunicado Arquidiocese de Braga:

18 de janeiro de 2012

Janeiro, mês da Paz e da Unidade - Feliz coincidência ou reforçado apelo?

  

Cada início de ano é uma oportunidade para mergulharmos na essencialidade das coisas, da vida e da fé. No mês que começa com o Dia Mundial da Paz, decore também a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Feliz coincidência ou necessário e reforçado apelo a cada um de nós?
A vivência da fé cristã impele-nos a fazer cada dia a viagem àquilo que vale, que conta, que tem valor. Logo no primeiro mês do ano civil somos desafiados a regressar à pátria da unidade e da paz, através destas duas celebrações. Na prática, trata-se de realizar, de refazer o mergulho na nossa fundação enquanto Igreja.
Não nos podemos dispensar, enquanto Igreja, sonhada por Deus, fundada por Cristo, de reconhecer que a falta de unidade entre os cristãos é um pecado grave, no meu entender, o mais grave que poderemos cometer.
Não me refiro apenas e só aos infelizes cismas, às terríveis separações que historicamente foram acontecendo com o passar dos anos por aqueles que professam a mesma fé em Jesus Cristo. Felizmente, vamos vendo e lendo sinais, réstias de luz e de esperança, de uma desejada e almejada unidade.
Refiro-me, aqui, muito expressamente à divisão que acontece todos os dias dentro da Igreja Católica Apostólica Romana, da Igreja que somos, através das nossas palavras e atitudes de exclusão, de marginalização, de indiferença, de falta de acolhimento. Não se trata de reconhecer a divisão nos e dos outros. Trata-se efetivamente de reconhecer a divisão que cada um de nós produz. Quantas vezes geramos desunião e não comunhão, rancor e não amor, antipatia e não simpatia!
A fé cristã, fundada em Cristo, que passou na terra fazendo o bem, faz-nos viver e estar neste mundo como peregrinos. Aquilo que a Carta a Diogneto tão bem expressou, nos finais do século II: Os cristãos “habitam pátrias próprias mas como peregrinos; participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira”. Como cristãos, precisamos de reassumir que a única comunidade em que podemos realizar-nos é a humanidade reunida em Cristo, que é Aquele no qual toda a Criação se reúne.
Como escreve Timothy Radcliffe: “Deus é Aquele no qual ninguém fica à margem, porque o centro de Deus está em toda a parte e a sua circunferência em parte nenhuma. É na vastidão de Deus que estaremos completamente à vontade, porque todos lá estarão. É assim que sou/estou em Igreja?”
“Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo” (Cf. 1 Cor 15, 51-58). Este é o tema proposto para a celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano, entre 18 e 25 de Janeiro.
Acreditamos como verdade fundacional da nossa fé em Cristo que Nele somos transformados. Mas, a partir de Cristo, também podemos e devemos transformar-nos diariamente, convertermo-nos gradualmente. Não nos podemos escusar de dar passos de unidade afetiva e efetiva no seio das nossas comunidades, das nossas paróquias, do nosso presbitério, da nossa diocese.
Assim sendo, ainda resulta mais premente a temática pastoral diocesana. Somos mesmo fraternidade de famílias? Somos muitos membros. Será que somos UM Corpo? Com certeza que nos vamos esforçando, mas ainda não o seremos na devida expressão. Não cruzemos, por isso, os braços, pensando que estamos bem como estamos. Ousemos a diferença! Ousemos a coragem! Ousemos ir de novo à pátria da unidade e da paz, baseada na unidade perfeita da Trindade, que não exclui a diversidade nem a alteridade. Ousemos ser um!
Outro belo sonho de Deus para nós! Ser um connosco e em nós e sermos um com todos os outros!

José António Carneiro
Padre. Vigário paroquial da Glória
Publicado no Jornal Correio do Vouga de 18/12/2012

16 de julho de 2010

Carta de um padre. (Vale a pena partilhar).

Hoje li e meditei esta carta que me chegou por email. Encheu-me de coragem e confiança, depois de ter rezado pelas vocações, numa vigília que decorreu na Igreja de Azurém, no arciprestado de Guimarães/Vizela.

"uma arvore que cai, faz mais barulho que uma floresta que cresce".

Segue carta do padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, endereçada ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa os seus sentimentos diante da onda mediática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes enquanto surpreende o desinteresse que o trabalho de milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.

Eis a carta:

6 de Abril de 2010

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes actos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a protecção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...
Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.
É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!
Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...
Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.
Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhimento, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.
Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a seropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.
Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.
Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.
Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.
Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre em sua profissão.
Em Cristo,

Pe. Martín Lasarte, SDB.

30 de setembro de 2009

Cinema para padres de Braga ainda não tem lista definida


Enzo Bianchi e Rui Alberto foram os oradores convidados para a primeira sessão


O ciclo de cinema sobre a figura do presbítero, que a Arquidiocese de Braga promove durante este Ano Sacerdotal no âmbito da formação permanente do Clero, ainda não tem uma lista de filmes definida e encerrada. A informação foi avançada ao Diário do Minho pelo padre Arlindo Cunha, sacerdote da Diocese do Porto e que coordena este projecto, a pedido da Equipa de Formação Permanente do Clero.
O responsável pela iniciativa garantiu ontem, desmentindo alguma informação veiculada na comunicação social, que a listagem de filmes «ainda não está definida». Confirmando que fez à Equipa de Formação Permanente do Clero uma sugestão de «alguns filmes», disse, contudo, que estão confirmados apenas dois, o que passou ontem e o próximo filme a projectar brevemente. «Nem sequer o terceiro filme está escolhido», atirou, desmentido que estejam escolhidos os filmes a projectar.
Arlindo Cunha explicou, antes da projecção do primeiro filme, que o objectivo passa por analisar diferentes tipos de padres que foram sendo retratados no cinema. O sacerdote que é também professor no Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo começou por elucidar os sacerdotes e seminaristas presentes em relação à evolução de pensamento da Igreja sobre a sétima arte. «Condenado inicialmente até por meio de uma encíclica, hoje o cinema é uma das maravilhas queridas de Deus», sustentou.
Por seu lado, o cónego Vítor Novais, Reitor do Seminário Conciliar de Braga e membro da Equipa responsável pela Formação Permanente do Clero, garantiu que a iniciativa terá a exibição de nove filmes, divididos em três séries. Mas, «a listagem não está definida, apenas sugerida» garantiu o capitular, destacando que se trata de uma «iniciativa de carácter formativo apenas aberta ao Clero da Arquidiocese».

Enzo Bianchi
apresentou livro
A recolecção do Clero da Arquidiocese de Braga que decorreu ontem no Auditório Vita teve direito à presença de Enzo Bianchi, ao final da manhã, para apresentar o seu mais recente livro, intitulado “Para uma ética partilhada”.
A obra do Prior da Comunidade Monástica de Bose (Itália), que está dividida em quatro capítulos mais introdução e conclusão, foi apresentada ontem em Braga, pelo próprio autor, ouvido e aplaudido por cerca de duas centenas de pessoas.
Numa comunicação em italiano, com tradução simultânea, Enzo Bianchi apresentou os principais temas que desenvolve no seu mais recente livro, onde se destacam reflexões sobre a relação entre religião e política.
Para o Prior de Bose, autor de vários livros, alguns dos quais best-sellers em Itália, «os cristãos têm um papel fundamental na política» e «na vida social» que não podem nunca descurar.
Em relação à «guerra de civilizações» e aos «choques culturais», o leigo italiano, de 66 anos, defendeu que é fundamental «a Igreja colocar-se em atitude de abertura» e de «caminho conjunto».
No livro traduzido para português e publicado pela Editora Pedra Angular, Bianchi fala de temas como a laicidade, a presença da Igreja no espaço público e globalização, entre outros, para além do tema que dá título ao livro: a ética.


Padre Rui Alberto falou sobre desafios do presbítero
«Cristo é a fisionomia do padre»


O padre Rui Alberto foi convidado para orientar a primeira intervenção da recolecção do Clero da Arquidiocese de Braga que contou com a presença de várias dezenas de sacerdotes e ainda do novo Bispo Auxiliar de Braga, D. Manuel Linda, que presidiu à oração de Laudes com a qual arrancou a jornada formativa.
O orador convidado falou sobre “Desafios e discernimento. Ser padre”, à luz da “Pastores dabo vobis”, documento de João Paulo II sobre o ministério sacerdotal.
O salesiano começou por destacar a actualidade do texto, sem deixar de apontar «algumas questões que o tempo se encarregou de tornar obsoletas».
O objectivo da recolecção, assim como o do documento de João Paulo II, é, para o padre Rui Alberto, «repensar, ler desafios e discernir o ministério sacerdotal», ainda que, esse caminho deva ser feito «sem triunfalismos de vanglória» e «sem lamúrias».
O sacerdote, ordenado há 11 anos, defendeu que «ser padre hoje é igual a sê-lo como em todos os tempos», porque o «padre deve-o ser como Jesus», sempre «respondendo aos desafios concretos de cada tempo». «Cristo é a fisionomia do padre», sublinhou, destacando que «o presbítero está em relação com Cristo, mas com os pés assentes na terra».
Depois de traçar os desafios que o tempo actual, entre a modernidade e a pós-modernidade, trazem à vivência do ministério sacerdotal, Rui Alberto frisou que o discernimento deve ser acompanhado de um «conhecimento profundo» que seja «interpretado à luz da fé», tendo em conta as «complexidades», mas também a «criatividade do Espírito que faz novas todas as coisas».
Antes de terminar e depois de realizar com os presentes um pequeno exercício, o salesiano deixou o desafio de os sacerdotes saberem dialogar com a realidade social actual, aproveitando as oportunidades e transformando o negativo em positivo.
E esquematicamente deixou a seguinte mensagem: é preciso incrementar as forças, superar as fraquezas, aproveitar as oportunidades e transformar as ameaças em oportunidades. «O Santo Cura d’Ars fez isto como ninguém. Neste Ano Sacerdotal podemos aprender isso com ele», concluiu.

13 de setembro de 2009

Arcebispo incentiva catequistas a trabalhar em unidade pastoral



Mais de 3500 pessoas no Sameiro em dia de formação e convívio




O Arcebispo de Braga incentivou mais de 3500 catequistas a trabalhar em unidade pastoral, abrangendo as paróquias vizinhas ou mesmo o arciprestado. D. Jorge Ortiga encerrou, ontem no Sameiro, o Dia Arquidiocesano do Catequista e deixou claro que a catequese é um «ministério imprescindível» para a Igreja e para o mundo porque «tem por missão dizer quem é Cristo» e ensinar às jovens gerações os valores evangélicos que continuam «actualíssimos».
No encerramento da jornada de formação e convívio, que reuniu no Sameiro perto de quatro milhares de catequistas, o responsável máximo da Arquidiocese de Braga sustentou que é necessário começar a apostar num trabalho de unidade pastoral, mesmo em âmbito de catequese, uma vez que esse vai ser o futuro da Igreja, dada a diminuição do número de sacerdotes e a necessidade de estes se juntarem em unidades pastorais.
«É uma necessidade de reorganização da própria Igreja», frisou o prelado que aproveitou a celebração da Palavra para apelar a uma certa abertura dos catequistas para esta nova forma de trabalho, que já vai conhecendo boas experiências em algumas realidades da Arquidiocese.
D. Jorge Ortiga pediu também que todas as paróquias tenham um catequista coordenador e que este tenha consigo uma equipa que o ajude a suscitar iniciativas de formação para os catequistas.
Na mesma linha, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa desafiou a que aqueles que aceitam o ministério de ser catequistas o façam com «estabilidade e permanência». E explicou: «é importante haver nas comunidades catequistas que aceitem este ministério durante dois ou três anos, mas é também fundamental que haja homens e mulheres que abraçam este serviço como uma vocação para toda a vida».
Manifestando a gratidão da Arquidiocese e de toda a Igreja aos catequistas, D. Jorge Ortiga denunciou «um certo tempo – o de campanha eleitoral – em que se ouvem muitas palavras, promessas e discursos», mas que «esquece os valores». «Hoje fala-se de crise mas a maior é a crise de valores», frisou, alentando os catequistas a que se não envergonhem de defender valores como a honestidade, a verdade, a autenticidade, a coerência, a fidelidade e a transparência.
Antes do final da celebração – animada com vários cânticos – o Arcebispo Primaz entregou os diplomas aos catequistas que este ano terminaram o seu estágio de catequese. Por sua vez, estes fizeram o compromisso com a missão.

Adesão dos catequistas
superou expectativas

O Dia Arquidiocesano do Catequista arrancou com uma conferência/formação que foi orientada por Isabel Oliveira que é a responsável pela secção da catequese na Diocese do Porto. Na cripta do Sameiro, a oradora apresentou o tema “Palavra de Deus e Eucaristia” para realçar «os ensinamentos do Concílio e do Magistério eclesial» em relação à centralidade da Eucaristia na Igreja e na própria actividade pastoral, concretamente na catequese.
«Sem Eucaristia não há catequese, nem catequistas, porque não há pessoas apaixonadas por Cristo, que vivem, celebram e transmitem a sua fé», afirmou, relevando que «o catequista é um crente, uma pessoa de fé», que tem por missão «dizer Cristo».
Para que a celebração da Eucaristia seja verdadeiramente vivida, a responsável sugeriu que se faça um prévia catequese à própria celebração que ajude a perceber a simbologia, o rito e o mistério próprio da celebração.
Salientando, depois, a necessidade de ir «beber à fonte da Eucaristia», Isabel Oliveira afirmou que «sem Eucaristia o catequista não ama e não testemunha».
À margem da conferência de abertura do dia, o padre Luís Miguel Rodrigues, manifestou a sua satisfação pela adesão massiva dos catequistas da Arquidiocese. Para o responsável do Departamento Arquidiocesano de Catequese esta adesão dos catequistas demonstra a importância desta jornada e manifesta também a necessidade que os catequistas sentem em formar-se.
Esperados cerca de 2500 catequistas o número foi bem superior, marcando presença na jornada de formação e convívio mais de 3500 catequistas provenientes de todos os arciprestados. Mesmo assim, longe de atingir e de congregar todos os catequistas: a Arquidiocese de Braga tem cerca de 8500 mil, dos quais mais de seis mil estão registados no Departamento Arquidiocesano de Catequese.

11 de setembro de 2009

Bento XVI quer visitar Fátima


Federico Lombardi admite dificuldades da Igreja na relação com imprensa
Porta-voz do Vaticano expressa
desejo do Papa visitar Fátima

O padre Federico Lombardi, director da sala de imprensa da Santa Sé, confirmou ontem que Bento XVI «deseja» visitar Fátima, mas ainda não há nenhuma data prevista para a eventual viagem. Em conferência de imprensa, antes do início das Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais, o porta-voz do Vaticano afirmou que o Papa já foi convidado e «sabe muito bem qual é a importância de Fátima para o mundo e deseja vir, mas ainda não há data marcada».
A agenda do Papa para 2010 deverá ser conhecida dentro de «pouco tempo», dado que este é um dos temas em que o mesmo está a trabalhar, estabelecendo quais serão as viagens ao estrangeiro. A informação será comunicada, em primeiro lugar, às autoridades eclesiais e civis. «Estas autoridades, quando informadas pela Secretaria de Estado do Vaticano, são as que dizem ao seu povo que o Papa visitará o país», referiu.
O padre Lombardi afirmou que Bento XVI «ama os santuários marianos», lembrando alguns dos que já visitou nas suas viagens, com passagens muito importantes por Aparecida e Lourdes.
Este responsável precisou que na sua missão não se insere «o anúncio das viagens do Papa». Em Fátima, o padre Lombardi limitou-se a assegurar que, no próximo ano, Bento XVI não irá à Alemanha nem ao Vietname.

Dificuldades
na comunicação
O porta-voz do Vaticano falou dos «meses mais agitados» na comunicação do Vaticano e do Papa, no início deste ano, em particular nas questões relacionadas com os lefebvrianos e na declaração sobre o preservativo, no voo para África, em Março.
Segundo o padre Lombardi, a situação melhorou após a viagem à Terra Santa e a publicação da “Caritas in veritate”, que gerou «um novo interesse». O clima mais positivo foi confirmado também nas audiências do mês de Julho, em especial a visita de Barack Obama, presidente dos EUA, classificada como um «momento muito positivo para as relações internacionais da Santa Sé».
Federico Lombardi lembrou a queda de Bento XVI, em Les Combes, durante as suas férias, assegurando que o problema no punho direito já foi superado, estando em fase de reabilitação. O Papa retomou o trabalho na segunda parte do livro sobre Jesus, «pelo que podemos esperar a publicação na próxima Primavera, no início do próximo ano».
Na agenda próxima está a viagem à República Checa, em finais deste mês, «viagem breve, mas importante ao centro da Europa, num país muito secularizado que celebra 20 anos da queda do regime comunista». Em Outubro, tem lugar «o acontecimento mais importante do ano, o II Sínodo para África», que contará com a presença do Arcebispo de Braga e presidente de Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga.
Lombardi destacou o encontro do Papa com os artistas do mundo, marcado para o próximo dia 21 de Novembro, na Capela Sistina. Por agendar está ainda uma desejada visita à Sinagoga de Roma.



Relação com a imprensa é difícil

Questionado sobre uma suposta «má imprensa» que acompanha Bento XVI, o director da sala de imprensa da Santa Sé convidou «a ver as coisas com uma perspectiva mais ampla». «Nos primeiros anos de João Paulo II sempre ouvi falar mal de um Papa polaco que não percebia nada do mundo ocidental. Após 20 anos, tudo mudou. Não é que ele tenha nascido com o apreço e o amor de todos, teve 26 anos e meio de pontificado, viajou por todo o mundo, sofreu um atentado, tornou-se uma grande autoridade para a humanidade do seu tempo», relatou.
Nestes anos de pontificado, o Papa teve «momentos de sucesso e de fortes discussões». Para o padre Lombardi, Bento XVI tem má imprensa, mas em 2008, nos EUA, teve uma imprensa «extraordinariamente boa», na Austrália foi «muito boa», tal como na «França laica e anticlerical».
Depois do “caso Williamson”, cuja excomunhão foi levantada com outros três bispos ordenados por Monsenhor Lefebvre, o ano que passou «foi esquecido em dois dias». «O Papa tem uma grande coragem, como demonstrou na viagem à Terra Santa ou com a publicação da sua terceira encíclica, num mundo em crise», assegurou o porta-voz.
Na comparação dos dois últimos Papas, o padre Lombardi disse que o «amor popular» está ligado à forma de apresentar-se. Bento XVI tem uma «grande capacidade de comunicação conceptual, até superior à de João Paulo II» e distingue-se também na «relação mais próxima», manifestando «gentileza e humildade», «uma pessoa que escuta verdadeiramente».
O director da sala de imprensa da Santa Sé, que é também director-geral da Rádio Vaticano e do Centro Televisivo Vaticano admite que «é difícil captar estas dimensões através de instrumentos comunicativos ou no diálogo com as massas, através de grandes gestos. Bento XVI não tem o mesmo carisma, tem outros, que também são carismas de comunicação».
No que diz respeito às instituições comunicativas da Santa Sé, neste pontificado, o padre Lombardi lembrou que o jornal “L’Osservatore Romano” mudou muitíssimo no último ano e meio, embora admita que «as grandes novidades são a mudança da realidade, dos próprios instrumentos de comunicações, com o desenvolvimento da rede, dos sites, dos blogues, e que são novos para todos».
O porta-voz do Vaticano admite a necessidade de «desenvolver uma capacidade, seja de presença, seja de resposta às perguntas que chegam», referindo, entre outras, a nova página do Vaticano no youtube.

Diário do Minho/Ecclesia/Lusa

Gabinetes de imprensa na Igreja são urgência e mais-valia


Apelos do porta-voz da Santa Sé em Fátima



O director da Sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, disse na abertura das Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais que «os media podem ser traiçoeiros: criam facilmente os seus protagonistas e depois desembaraçam-se deles em pouco tempo, ou tornam-nos prisioneiros do tipo de imagem que produziram deles».
O porta-voz do Vaticano falou sobre o lugar dos Gabinetes de imprensa nas estruturas da Igreja, a partir da sua experiência ao serviço de Bento XVI. Na sua prelecção sublinhou que «nós não somos propagandistas políticos, defensores de interesses particulares, ou simples profissionais do jornalismo. Somos, em primeiro lugar, crentes e cristãos. O que mais nos interessa é que o Evangelho de Jesus Cristo seja conhecido e compreendido através da palavra e do testemunho da Igreja. Se isso não acontece, perdemos tempo».
Federico Lombardi dividiu a sua conferência em dez proposições. Em relação ao Magistério da Igreja sobre os instrumentos de comunicação social realça que este «foi sempre positivo, desde o seu início; embora prudente e realista quanto às possíveis ambiguidades e aos riscos, encarou-os sempre como instrumentos úteis para o anúncio do Evangelho em âmbitos muito vastos, superiores àqueles que cada um de nós pode alcançar através do contacto directo com as pessoas».
Na proposição sobre as características que este serviço deve ter, o jesuíta salientou que «nunca devemos deixar de insistir no uso de uma linguagem clara, simples e compreensível, não demasiado abstracta e complicada, ou técnica». A rapidez da informação é outro alerta deixado pelo porta-voz do Vaticano: «É oportuno estar disponíveis e responder – pessoalmente ou através de uma pessoa delegada – quando nos procuram pelo telefone ou por e-mail». E completa: «Quanto mais cedo se der a resposta ou a informação correcta, melhor. Em geral, se formos capazes, é melhor sermos nós a orientar a informação, dando-a nós primeiro, do que correr atrás de uma informação incorrecta».

Ajudar
a que o Evangelho
chegue às pessoas
Promovidas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja e a decorrer no Seminário do Verbo Divino, em Fátima, estas jornadas contam com a presença de vários conferencistas para abordar a temática dos gabinetes de imprensa na igreja.
O responsável por um Gabinete de comunicações sociais é «um animador e promotor de comunicação, alguém que ajuda a estar atento e a compreender a mudança da cultura e das tecnologias de comunicação para que o Evangelho possa chegar de modo novo às pessoas do nosso tempo», frisou o porta-voz da Santa Sé. E acentua: «Devemos também aproximar a instituição, ou a pessoa, que representamos do mundo da comunicação social, ajudá-las a exprimir-se de modo adequado, a fazer passar as suas mensagens através dos instrumentos apropriados».
Perante esta realidade, o padre Federico Lombardi sublinha que o ideal é que sejamos nós a «conduzir o jogo da comunicação, criando as ocasiões propícias e lançando as mensagens que temos a peito, e não nos tornarmos nós objecto do jogo dos media».

Saber manter
a virtude da discrição
No serviço da instituição é «importante saber cultivar a virtude da discrição», para dizer as coisas quando devem ser ditas, resistindo à tentação de as antecipar. E observou: «Se houver coisas realmente confidenciais, que, por bons motivos, não devem ser postas em público, não se devem revelar, no limite, nem sequer aos amigos». No mundo actual, «a discrição não existe ou não é considerada um valor, e não nos podemos queixar se circularem notícias que fomos nós próprios a dar».
Quem trabalha num Gabinete para as comunicações sociais «não tem de imediato, e em primeiro lugar, uma tarefa de comunicação destinada a um vasto público, mas um dever de comunicação para comunicadores sociais, que, por sua vez – por etapas sucessivas – atingem o público mais vasto».
A sua vasta experiência nesta área indica que «não devemos partir do pressuposto que os jornalistas são insidiosos ou mal intencionados». «Devemos ter consciência de que há jornalistas de todas as tendências e atitudes e que temos de procurar dar a cada um uma ajuda para ele dar um passo na direcção certa: da nossa parte, pô-los em condições de poderem fazer uma boa informação, se estiverem dispostos a isso». Para que a credibilidade seja um ponto deste trabalho, o porta-voz do Vaticano deixa um alerta: «Dar a todos o mesmo texto, ao mesmo tempo, manifestando para com todos eles o mesmo respeito pelo seu trabalho».
Na última tese do seu discurso, o director da Sala de imprensa da Santa Sé realça que o tempo actual abre muitas possibilidades à comunicação eclesial. «Não devemos ter uma visão demasiado centralista da Igreja: devemos equilibrar a universalidade com a capacidade criativa local. Devemos ser capazes de encorajar as iniciativas locais, saber fazer circular as experiências positivas e partilhá-las, procurar coordenar e integrar as contribuições para a comunicação dos diferentes níveis, mas valorizando as contribuições informativas e comunicativas que a Igreja universal nos oferece».

Diário do Minho/Ecclesia/Lusa

9 de setembro de 2009

Ferreiros inaugurou renovada capela da Senhora da Misericórdia


D. António Couto presidiu celebração e elogiou novo espaço celebrativo





A paróquia de Ferreiros, do arciprestado de Braga, assistiu ontem à inauguração e bênção solene da restaurada capela de Nossa Senhora da Misericórdia, um investimento de 140 mil euros, totalmente suportado pela comunidade. A cerimónia foi presidida pelo Bispo Auxiliar de Braga D. António Couto que teceu elogios ao novo espaço celebrativo onde os crentes podem acorrer sempre para «pedir a bênção e a misericórdia de Nossa Senhora».
Na homilia da celebração, D. António Couto deixou o apelo a que todos saibam preservar o valor da memória, da história e do passado. Comentando particularmente o Evangelho – no dia em que a Igreja celebrou a festa da Natividade de Maria – o prelado, referindo-se à genealogia de Jesus, denunciou que a sociedade actual se volta mais para o futuro «relegando e esquecendo o passado e a história, que são a raiz de tudo».
Na presença dos padres Marcelino Paulo Ferreira e Miguel Paulo Simões, o Bispo que é também biblista anotou que «o povo bíblico, ao contrário de nós, é um povo com memoria», que não esquece os seus antepassados.
A genealogia de Jesus reforça que o filho de José e de Maria «não entra na história ao acaso e por acaso» e que «a Bíblia não tem memória curta, como nós, que nem sequer sabemos os nomes dos nossos bisavós ou trisavós».
Para D. António Couto é o amor permite não perder a memória nem esquecer o passado. Apontando o exemplo da religião judaica pediu estima pelo valor das gerações anteriores que são «a rede de pessoas que estão atrás de nós, porque lhe somos devedores». E defendeu: «Não devemos nunca esquecer a história para não perdermos a cadeia ou a rede de amor que nos liga».
Antes ainda de concluir a homilia, o Bispo Auxiliar disse, a respeito de Miqueias – o camponês bíblico – que há uma certa semelhança entre o século VIII antes de Cristo e o tempo actual. «Naquele tempo os reis eram ditadores e déspotas, exploravam o povo e sobrecarregavam-no de impostos». E atirou, depois, com ironia: «algo parecido com o tempo de hoje».
A cerimónia presidida por D. António Couto que decorreu na renovada capela localizada em Ferreiros começou com a bênção da cadeira presidencial, logo no início de Eucaristia. Depois, antes da Liturgia da Palavra, foi benzido o ambão, o lugar onde são feitas as leituras bíblicas e proclamado o Evangelho. Finda a oração dos fiéis, benzeu-se o altar, no momento em que se inicia a Liturgia Eucarística.



Nova igreja paroquial para breve

O padre Miguel Paulo Simões disse ao Diário do Minho que as obras do restauro interior da capela de Nossa Senhora da Misericórdia começou no passado mês de Maio e concluiu-se agora. Em relação às despesas, totalmente suportadas pelos fundos da comunidade, referiu que se tratou de um investimento na ordem dos 140 mil euros, sabendo-se que cerca de 45 mil destinaram-se ao restauro interior e o restante ao restauro exterior realizado já no ano passado.
Entretanto, o sacerdote revelou que o início da construção da nova igreja paroquial estará para breve e ocorrerá logo que se resolvam algumas questões burocráticas. O novo templo que pretende criar melhores condições para as celebrações litúrgicas da paróquia ficará situado na Rua da Gandra, em Ferreiros.
Refira-se, por fim que a festa em honra de Nossa Senhora de Misericórdia, em Ferreiros, termina este fim-de-semana. No domingo, a missa solene é às 08h00 e a procissão às 15h00. No final haverá um festival folclórico. Na sexta e sábado decorrem junto à capela actuações musicais.

14 de agosto de 2009

Jovens e a doença mental: Campo de Férias I


Campo de férias termina hoje Casa de Saúde do Bom Jesus

Jovens convivem em Braga
com a diferença da doença mental



Dez jovens, oito raparigas e dois rapazes, quiseram, na Casa de Saúde do Bom Jesus, das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus passar uma semana em contacto com a realidade da doença mental. Nesta instituição de Braga, um grupo de jovens proveniente de Maciera de Sarnes, perto de Oliveira de Azeméis, mais uma jovem de Braga e outra de Vila Verde estiveram a participar num campo de férias solidário, onde o objectivo primordial é combater os estigmas de uma sociedade não aberta à diferença da doença mental.
O grupo juntou-se para participar num campo de férias solidário, actividade bastante comum entre as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, tal como acontece com os Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus, que estabelecem em conjunto um plano de actividades a desenvolver nas suas unidades de saúde mental. Durante uma semana, para além de actividades de carácter formativo, os jovens convivem directamente com os utentes da instituição que, na unidade bracarense são cerca de 400, divididos por várias unidades.
A Irmã Fernanda Oliveira, responsável pelo grupo juntamente com a Irmã Fernanda Caetano, acompanhadas por Carla Antão e por Susana Martins, disse ao Diário do Minho que se trata de uma actividade, com «longo historial dentro da instituição e dentro da própria congregação».
Ao longo dos dias, «os jovens têm encontros de formação, na linha do auto-conhecimento e dos valores, mas também contactam, quer na teoria quer na prática, com a realidade da doença mental». Além disso, há tempo específico para o grupo, para a inter-relação e para o convívio.
Estas iniciativas estão abertas a jovens com idades comprendidas entre os 15 e os 30 anos.
Para ficarem a conhecer, na teoria, a doença mental os jovens contam com a presença de técnicos e enfermeiros da instituição que exloram diversas dimensões das patologias mentais. A vertente prática requer o contacto com os doentes, particularmente ao nível do serviço das refeições. Também os momentos de tempo livre são aproveitados para falar com os utentes e para ouvir, algumas vezes, repetidamente, as suas histórias.
Neste campo de férias solidário um dia normal contém diferentes momentos. «Há tempos de serviço aos doentes, concretamente no período das refeições ou da higiene, mas o contacto com os utentes também pode passar por uma companhia num passeio pelo jardim, ou num ateliê ocupacional», aponta a Irmã Fernanda Oliveira.
O grupo começa o dia com oração da manhã e termina com a noite e um pequeno convívio-partilha antes do descanso.
Porque o campo tem também um carácter formativo durante o dia há sempre o desenvolvimento de um ou mais temas, que vão desde a descoberta da identidade pessoal, à questão dos valores, mas também à pessoa de Cristo e à questão vocacional, sem esquecer a realidade da doença mental.

Experiência
pode ser repetida
A religiosa responsável por coordenar o campo de férias sustentou que, de uma forma geral, os jovens que fazem esta experiência acabam por mudar algo neles próprios. As suas ideias «vão variando». «Ao início é tudo muito estranho, mas à medida que vão contactando com os doentes vão estabelecendo relação afectiva. No final do campo de férias, a despedida já é difícil», refere a Irmã Fernanda Oliveira.
«Porque, por norma, esta é uma experiência marcante, os interessados podem repeti-la noutras alturas, seja em campo de férias, seja em visitas esporádicas, previamente marcadas, à instituição», sustenta a Irmã.

Campo de Férias Solidário II



Jovens dizem que preconceitos são «disparatados»
Dar férias à praia
e dar tempo a quem precisa



Segundo a Irmã Fernanda Oliveira, que acompanha os jovens ao longo do dia, «este é grupo diferente do normal», concretamente pelo facto de se conhecerem bem, uma vez que oito são da mesma paróquia». As idades variam entre os 15 e os 17.
Durante a visita do DM à Casa de Saúde do Bom Jesus, os jovens foram apresentando suas ideias em relação à participação nesta iniciativa. Destacam por um lado que se trata de uma «nova experiência» que serve particularmente para extirpar «preconceitos» quanto à doença mental.
Aceitaram, como referiram em conversa, trocar uma semana de férias na praia por uma semana de férias solidárias da Casa de Saúde do Bom Jesus. Isto porque preferem dar férias à praia ou ao campismo para dar tempo a quem precisa, como é o caso dos doentes mentais.
Octávio Pinho, um dos dois rapazes do grupo, refere que esta nova experiência «é gratificante» já que «os doentes manifestam carinho por nós». «Para nós também é importante porque percebemos que são apenas pessoas diferentes», afirma o jovem de 15 anos, de Macieira de Sarnes.
Da mesma localidade, Mónica Oliveira vai mais adiante ao acentuar que a ideia generalizada segundo a qual os doentes mentais são violentos é errada. «Connosco são muito calmos», defende, sustentando que a iniciativa «é mais importante que qualquer semana de férias na praia ou no parque de campismo».
Daniela Costa é uma jovem bracarense, de 15 anos, cuja mãe trabalha na instituição bracarense. A outra jovem que não é do grupo de Macieira de Sarnes chama-se Sofia Sousa, tem 17 anos, e é de Rio Mau (Vila Verde). Esta última fez um trabalho curricular de Área de Projecto sobre a Casa de Saúde do Bom Jesus e, depois de uma experiência com toda a turma, durante um fim-de-semana, «decidi fazer este campo de férias».
Do tempo já passado na instituição, desde a passada sexta-feira, os jovens destacam a noite de sábado, concretamente a oração. Além disso, as várias dinâmicas propostas, quer pelas duas religiosas quer pelas colaboradoras que com elas dirigem o campo de férias, tem feito furor entre os jovens. A caminhada às escuras foi uma das que mais marcou o grupo.
Vanessa Pinto, Ana Santos, Joana Almeida, André Costa, Andreia Almeida, Sara Alves e os restantes já citados consideram que os pretensos (ou reais!) preconceitos da sociedade em relação à doença mental são «disparatados». «Os doentes mentais são queridos e depois de os conhecermos já não os podemos mais excluir ou marginalizar», conclui Mónica Oliveira.

Arcebispo quer Igreja a combater males sociais



S. Bento da Porta Aberta recebe estes dias milhares de peregrinos



O Arcebispo de Braga pediu uma Igreja que seja capaz de combater com ousadia os «males da sociedade», uma vez que os cristãos, mantendo uma atitude de humildade e serviço, têm um papel determinante na transformação do mundo. Falando, ontem, em S. Bento da Porta Aberta, D. Jorge Ortiga relembrou quatro «caminhos ou aspectos da missão da Igreja» nos tempos que correm, e não esqueceu os emigrantes, em plena Semana das Migrações, e também o Ano Sacerdotal.
Na missa solene da romaria de S. Bento, o Arcebispo apontou que a missão da Igreja passa por «sair de si» e por «ir para fora» a fim de servir a sociedade. «Servir a sociedade significa que é preciso reconhecer o mal que há nela e combate-lo, mas também reconhecer as sementes de bem que existem nela, e que são fermento para a transformação do mundo», defendeu.
«A Igreja é contra o pessimismo e aberta à esperança e, por isso, não desiste da sua missão», disse, destacando que «as coisas podem ser diferentes», e que «a Igreja tem um papel importante no combate dos males sociais.
Num santuário apinhado com várias centenas de pessoas, o prelado acentuou que, em relação à missão da Igreja nos tempos actuais, sacerdotes e leigos são chamados a anunciar o Evangelho, com a consciência de que são simultaneamente destinatários e transmissores na mesma Palavra.
Depois, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), acompanhado por dois cónegos, Fernando Monteiro e José Marques, e três sacerdotes, denunciou que «o grande problema da sociedade actual é a ausência de Deus», sublinhando que «é o Homem que coloca Deus de lado». Para combater esta tendência, o Arcebispo defende que os «crentes devem fazer uma experiência pessoal com Deus», criando «verdadeira intimidade por meio da oração e dos sacramentos».
D. Jorge Ortiga, relevando a necessidade de intimidade com Deus, garantiu que «a religião não é nem pode ser uma mera tradição ou uma repetição de costumes», mas sim intimidade e comunhão, porque «até os cristãos correm o risco de falar de Deus e de viver sem Deus».
Aos peregrinos e devotos presentes, o prelado recordou ainda que outro caminho da missão da Igreja hoje é a «comunhão fraterna». A partir da etimologia de «abade» - tal como o foi S. Bento – D. Jorge Ortiga sentenciou que «é possível viver a diversidade e a diferença, com harmonia e concórdia».

Emigrantes lembrados
Logo no início da solene celebração eucarística no novo santuário de S. Bento, D. Jorge Ortiga referiu-se aos emigrantes, concretamente aos que se encontravam na assembleia litúrgica.
Depois de uma palavra de «afectuosa saudação», o presidente da CEP destacou que os santuários ou os lugares de culto são para os emigrantes como que uma «recordação» da nacionalidade, mas simultaneamente lugares onde podem escutar a voz de Deus.
D. Jorge Ortiga não esqueceu, também, o Ano Sacerdotal e à luz do exemplo de vida de S. Bento rezou para que padres e leigos se deixem apaixonar cada vez mais por Cristo e pela Palavra e edifiquem a Igreja querida por Deus.

Amortizar as dívidas
Entretanto, à margem da celebração, o cónego Fernando Monteiro, presidente da Comissão Administrativa da Confraria de S. Bento da Porta Aberta, referiu que actualmente a instituição não tem projectos estruturais em curso. «Estamos numa fase de amortização de dívidas que foram assumidas para a construção do novo santuário» disse o capitular ao Diário do Minho.

Peregrinos
nos Primeiros Socorros
Nos últimos dias, o Posto de Atendimento e Primeiros Socorros de S. Bento da Porta Aberta recebeu várias centenas de peregrinos debilitados pelo cansaço de uma longa caminhada.
Os responsáveis da Delegação da Cruz Vermelha de Rio Caldo listaram mais de 200 atendimentos só desde o dia 10, primeiro dia da romaria a S. Bento, que termina amanhã.
Segundo os socorristas, as principais maleitas são bolhas nos pés e queixas ao nível dos músculos, para além de algumas lesões nas articulações dos membros inferiores.

12 de agosto de 2009

Duas capelas vandalizadas no Bom Jesus


Confraria apostada no reforço da segurança


Duas capelas do Bom Jesus foram vandalizadas durante a madrugada de ontem. Fonte da Confraria do Bom Jesus disse ao Diário do Minho que nada foi levado embora o caso esteja entregue à GNR para investigação. O futuro próximo reserva a aposta da Confraria na questão da segurança.
Contactada fonte da Confraria do Bom Jesus, o DM soube que não se tratou de um assalto apenas porque nada foi retirado já que as caixas das esmolas não tinham dinheiro, porque é retirado diariamente. Do acto de vandalismo há a registar danos materiais nas portas e nas caixas das esmolas de duas das 19 capelas existentes no Bom Jesus.
A GNR esteve no local para tomar conta da ocorrência e o processo seguirá agora os tramites legais, disse João Varanda, da Confraria do Bom Jesus.
O responsável fez saber que no processo de requalificação do património da Confraria vai ser considerada a questão da segurança, tendo em conta o significativo número de assaltos e de actos de vandalismo registados no local. «Teremos em atenção essa questão porque, infelizmente estes actos vão-se repetindo», lamentou.
Recorde-se que o Bom Jesus registou o último assalto há menos de dois meses.
Também o Arcebispo de Braga lamentou o sucedido e asseverou que serão tomadas as devidas diligências para que possam acabar estas situações. «Já não é muito aquilo que vai caindo nas caixas das esmolas e, por isso, há que zelar pela salvaguarda quer do património quer dos bens da Igreja», sustentou D. Jorge Ortiga.
Para o prelado é preferível tirar as próprias caixas das esmolas dos locais ou então proceder-se a um reforço significativo que salvaguarde o património religioso.
Relembre-se que recentemente foi apresentado um plano de investimento de 10 milhões de euros no Bom Jesus, dos quais mais de sete milhões já se encontram realizados. De momento segue-se a recuperação do património, concretamente, as capelas, o seu recheio e os fontanários. Numa conferência de imprensa, na qual foi dado a conhecer o conjunto das intervenções o Arcebispo de Braga afirmou que «o Bom Jesus é uma causa do mundo inteiro mas, essencialmente, de Braga».

Santuário de Fátima é palco para encontro dos migrantes


Cova da Iria recebe estes dias milhares de pessoas


O Santuário de Fátima é, por estes dias, palco de encontro para centenas de milhares de migrantes. A 37.ª Semana Nacional das Migrações, uma iniciativa da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana e da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM), conta, hoje e a manhã, com a Peregrinação do Migrante e do Refugiado que é presidida pelo Bispo Auxiliar de Porto Alegre (Brasil), D. Alessandro Ruffinoni.
«Vamos dar uma atenção especial à comunidade brasileira radicada no país», disse Frei Francisco Sales, director da OCPM, acrescentando, contudo, que «os emigrantes portugueses não vão ser esquecidos porque é nesta altura que vêm a Portugal».
Francisco Sales afirmou que vão igualmente ser recordados «os emigrantes que morrem nas estradas de regresso a Portugal, particularmente em França», classificando esta situação como um drama.
«Pretende-se que seja um espaço de encontro dos migrantes com a sua fé, com Deus e com os outros e uma reflexão sobre a realidade migratória do tempo actual», adiantou o responsável.
Já o Bispo que no Brasil é responsável pela Pastoral para os Brasileiros no Exterior, vai defender que «o migrante não pode ser visto como problema nem pela Igreja nem pelo Estado».
«Os migrantes são muitas vezes ocasião de comunhão, diálogo integração», defende D. Alessandro Ruffinoni, sublinhando que eles precisam de acolhimento e trabalho, mas também transportam «riqueza de fé, de cultura e tradições» que valorizam «os povos que os acolhem».
A Peregrinação do Migrante e do Refugiado começa hoje às 18h30, na Capelinha das Aparições, com a habitual saudação aos fiéis, seguindo-se, três horas depois, a recitação do terço, a procissão de velas e a celebração da Eucaristia, presidida pelo presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana e Bispo de Beja, D. António Vitalino Dantas.
Depois de uma noite de vigília, as cerimónias são retomadas amanhã de manhã, com a recitação do terço às 09h00, na Capelinha das Aparições.
Uma hora mais tarde começa a principal celebração eucarística da peregrinação internacional, presidida por Alessandro Ruffinoni, com a oferta do trigo – uma tradição que se repete desde 1940 em todos os dias 13 de Agosto – e a bênção dos doentes.

Segurança reforçada
Um dispositivo de 200 militares da GNR vão estar em Fátima a partir de hoje até sábado para garantir a segurança dos peregrinos e para orientar o trânsito que se prevê intenso por estes dias.
Aos automobilistas que se dirijam ao maior templo mariano do país, o tenente-coronel Nuno Paulino aconselha a terem cuidado na estrada e a estarem atentos à informação que a GNR vier a disponibilizar e que pode incluir, eventualmente, percursos alternativos para chegar a Fátima.
Quanto ao dispositivo de socorro, o comandante distrital de operações, Joaquim Chambel, revelou que este vai passar pelo reforço de meios humanos e materiais dos Bombeiros Voluntários de Fátima até ao fim-de-semana.
Está igualmente assegurado o reforço de escuteiros e dos elementos dos Servitas de Nossa Senhora de Fátima, que colaboram no serviço de saúde do santuário.
Segundo o vereador com o pelouro da Protecção Civil da Câmara Municipal de Ourém, João Moura, na corporação de Fátima vão estar 70 bombeiros, apoiados por dez ambulâncias, 15 carros de fogo e duas motorizadas eléctricas.
«São duas motos, silenciosas, disponibilizadas por uma empresa de Leiria, a estrear nesta peregrinação, com dois socorristas que vão estar nas imediações do santuário», adiantou João Moura, realçando a sua importância para uma primeira abordagem aos peregrinos em caso de doença, «quando se espera que o calor vá continuar».



Instaladas unidades de informação
Santuário sem alarmismos
quanto à Gripe A

Entretanto, três unidades móveis de informação e reencaminhamento de pessoas suspeitas de estarem infectadas com gripe A (H1N1) vão ser instaladas sábado em Fátima. Fonte da delegação de saúde de Ourém, explicou que os espaços, onde vão estar enfermeiros, pretendem «divulgar informação sobre a gripe A», mas também «reencaminhar alguma situação suspeita».
Os hospitais para onde serão reencaminhados os doentes que apresentem sintomas da doença serão o Curry Cabral (para adultos) e o Dona Estefânia (crianças), em Lisboa.
A decisão de instalar os equipamentos no feriado de 15 de Agosto deve-se à possibilidade de este vir a ser o dia de maior afluxo de peregrinos a Fátima esta semana, eventualmente mais do que a Peregrinação do Migrante e do Refugiado, que decorre hoje e amanhã.
Ana Dinis realçou a importância de uma «atitude cívica» em matéria de Gripe A. «Se alguém adoecer deve ficar em casa e contactar a Linha Saúde 24», avisa, sublinhando que este é o «serviço mais organizado e mais seguro para todas as pessoas».
Por outro lado, a médica apela para que haja a preocupação de adoptar comportamentos correctos, como lavar as mãos ou manter a distância social.
Acrescentando que «os aglomerados de pessoas ao ar livre correm menos riscos do que os que estejam fechados», a responsável desaconselha aos peregrinos o uso de máscaras.
«As máscaras é para quem está doente ou tem de tratar dos doentes», salientou, sublinhando que a iniciativa de colocar as unidades móveis de divulgação não significa que haja a necessidade de entrar em pânico. «Estamos tranquilos», frisou.
O vereador da Câmara Municipal de Ourém com o pelouro da Protecção Civil adiantou que as unidades móveis vão ficar instaladas nos parques 1 e 10 do Santuário e em Aljustrel. «Não é uma situação de alarme. Estamos com os meios adequados para a situação actual», assegura.

11 de agosto de 2009

Casa de Saúde do Bom Jesus avança com Apoio Domiciliário


Enquanto espera de Roma aprovação do projecto de obras




A Casa de Saúde do Bom Jesus, em Braga, arrancou com três novos projectos que visam, por um lado, formar para a questão da doença mental, técnicos, famílias, profissionais de geriatria, cuidadores e pessoal auxiliar e, por outro, prestar cuidados no domicílio, identificando precocemente situações de descompensação e orientando as pessoas para os serviços locais de Saúde Mental. O director da instituição, Pedro Meneses, disse ao Diário do Minho que estes projectos acontecem agora, enquanto a instituição ligada às Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, aguarda a aprovação do projecto remodelação.
Segundo Pedro Meneses, em Maio, a instituição iniciou o serviço de Unidade Móvel de Apoio Domiciliário Integrado, que conta com o patrocínio do Alto Comissariado da Saúde. Com a designação “Consentido”, a nova unidade é constituída por uma equipa multidisciplinar que reúne enfermeiros, psiquiatras, assistentes sociais, e psicólogos.
Com o principal intuito de prestar assistência individualizada e especializada a pessoas com perturbação mental no domicílio, as suas acções não se cingem apenas à prestação de cuidados. Segundo Pedro Menezes, há ainda a intenção de identificar precocemente situações de descompensação, sem esquecer a luta contra o estigma, a discriminação e a exclusão social de doentes mentais.
Este novo serviço da Casa de Saúde do Bom Jesus decorre de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 18h00, e conta ainda com uma linha telefónica directa de aconselhamento e encaminhamento, nos mesmos dias, das 09h00 às 22h00. Os números são 253203000 ou 927820743.
Segundo o responsável da instituição, o serviço destina-se a pessoas com doença bipolar, depressão grave, psicose ou demência.

Formar para cuidar bem
A par deste projecto que beneficia directamente as pessoas portadoras de doença mental, a Casa de Saúde do Bom Jesus, criou também, em parceria, dois projectos na área da formação. “Projecto Aprender e Cuidar” e “Cuidar-se para cuidar” são as designações das novas iniciativas formativas, que funcionam em regime pós-laboral e são gratuitos.
O primeiro conta com o apoio da Segurança Social e do Ministério da Saúde e é organizado em parceria com a Câmara Municipal de Braga. Beatriz Miguens e Teresa Machado coordenam o projecto que arrancou em Maio com o curso “Sensibilizar para cuidar”, durante 30 horas. Nos meses de Junho e Julho decorreu, durante 40 horas, o curso “Cuidar para envelhecer de forma activa” e para os meses de Outubro e Novembro, será ministrado, em 60 horas, o curso “Intervir para prevenir”.
Destinado a cuidadores de doentes mentais, “Cuidar-se para cuidar” decorre durante 180 horas formativas. As acções designam-se “Saber cuidar”, “Qualidade no cuidar”, “A arte de cuidar”, “Cuidar-se”, “O cuidador cuida-se” e “Cuidar por amor”. Também em regime pós-laboral, esta formação é financiada pelo Alto Comissariado da Saúde.



Projecto de obras
está em Roma

Pedro Meneses revelou ainda ao DM que o Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus está a analisar, em Roma, o projecto de remodelação e de melhoramento da instituição que em Braga tem cerca de 400 utentes.
O responsável adiantou que o projecto, que já foi reestruturado, pretende, acima de tudo, proporcionar bem-estar e melhores condições aos utentes e funcionários da Casa de Saúde do Bom Jesus.
Pedro Meneses informou que o projecto aposta na criação de unidades mais pequenas que permitem uma melhor orgânica e possibilita o agrupamento de doentes mais homogéneos, para um tratamento mais especializado e personalizado.
Entretanto, a Casa de Saúde do Bom Jesus aguarda a publicação de nova legislação no que respeita à Rede de Cuidados Continuados para a Psiquiatria.

10 de agosto de 2009

Arcebispo exortou à caridade em tempo de crise económica




Morreu um peregrino a caminho do Santuário da Franqueira





O Santuário de Nossa Senhora da Franqueira, em Barcelos, recebeu, durante do dia de ontem, milhares de peregrinos e devotos de Nossa Senhora. O Arcebispo de Braga presidiu à Eucaristia, ao final da manhã, e explanando alguns ensinamentos de Bento XVI, contidos na última encíclica papal, exortou à caridade, sem esquecer o tempo de crise social e económica e o período de reflexão política que se vive em Portugal, como preparação das próximas Eleições Legislativas (27 de Setembro) e Autárquicas (11 de Outubro).
No recinto em frente ao santuário mariano, localizado na freguesia de Pereira (Barcelos), D. Jorge Ortiga pediu que os cristãos se comprometam com a justiça e com o bem comum. Concretizando, o prelado afirmou que «Portugal, um pouco como todo o mundo, está a atravessar uma crise social e económica» e que, o período de reflexão política que se vive, assim como os programas eleitorais dos partidos, devem olhar os «problemas concretos e reais das pessoas», concretamente a pobreza e a falta de emprego.
Neste sentido, acentuou o pedido para que, particularmente os cristãos, se saibam comprometer em favor da justiça. E atirou: «Não só a justiça dos tribunais que às vezes é defendida, mas outras vezes nem tanto».
Em contrapartida, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa pediu uma justiça que assuma o respeito pela dignidade de pessoas e que se traduza em igualdade de direitos e de deveres.
Noutra linha, e desenvolvendo algumas ideias de Bento XVI, expressas na “Caritas in veritate”, D. Jorge Ortiga defendeu que «a busca do bem-estar individual não de deve sobrepor à busca do bem comum». Para o Arcebispo é fundamental que cada pessoa tenha consciência de que a sociedade é formada por um «nós todos» e que o caminho da construção de um mundo melhor deve assentar na ideia da solidariedade e do bem comum.
Já a terminar a homilia, o Arcebispo Primaz, recordou aos fiéis o exemplo de Nossa Senhora, concretamente a sua «disponibilidade» e a sua «caridade interventiva», que se traduziu em serviço desinteressado aos outros. E concluiu: «caminhai na caridade, a exemplo de Cristo, que nos amou e se entregou por nós» e «que Nossa Senhora da Franqueira abençoe o vosso concelho de Barcelos e proteja todos os portugueses».
A peregrinação saiu às 08h00, da matriz de Barcelos. Pelas 11h00, chegou ao recinto do santuário. Logo que ali chegou, foram várias as centenas de pessoas que sentiram cumprida a sua devoção ou promessa e foram-se embora, fazendo o percurso descendente, igualmente a pé, enquanto o Arcebispo, acompanhado por diversos párocos, presidia à missa de encerramento.

Homem morre
de ataque cardíaco
Entretanto, a pererginação a Nossa Senhora da Franqueira ficou marcada pela morte de um homem de 67 anos de idade. Segundo informações dos Bombeiros de Barcelinhos, a vítima sofreu uma paragem cárdio-respiratória enquanto seguia em peregrinação e, apesar de ter sido imediatamente assistido, acabou por falecer ainda no local. Posteriormente, foi transportado para a morgue do Hospital de Barcelos.

8 de agosto de 2009

CABing 2009: Contra-me outra história II







CABing termina depois de 10 dias intensos
Universitários em acampamento
nas margens do Rio Homem


São 36 jovens. A maior parte universitários, mas também há pré-universitários e licenciados. Estão reunidos há alguns dias em ambiente de total desprendimento e isolamento, junto ao Rio Homem, na freguesia de Sequeiros (Amares). Trata-se de mais uma edição do CABing, acampamento para universitários levado a cabo pelo Centro Académico de Braga (CAB) e que termina esta segunda-feira, depois de dez dias intensos de animação, de convívio de auto-conhecimento e de oração, a partir da temática “Conta-me outra história”.
Este acampamento pretende propiciar aos universitários uma experiência diferente, com uma forte componente espiritual, mas também com jogos, competição, dinâmicas e entretenimentos, com o claro objectivo de “mexer por dentro” e marcar quem participa.
Rui Ferreira e António Ary assumem os papéis de director e adjunto do acampamento. Indispensável também é o capelão. O padre Luís Ferreira do Amaral assume essas funções, presidindo às orações e à Eucaristia, num espaço sobranceiro a todo o campo.
Para tratar, por um lado, das lides domésticas, mas também para desempenhar a figura maternal foi escolhida Helena Vilaça, aluna de mestrado em Química Medicinal, na Universidade do Minho.
Com este núcleo trabalha uma equipa de animação que preparou o imaginário e, de alguma forma, superintende todas as actividades.
Com a maior parte dos participantes oriundos da zona de Braga e de Guimarães, o CABing 2009 conta com a presença de representantes do Porto, Coimbra ou Lisboa. Da capital, por exemplo, vieram Matilde Santos e Leonor Beirão. A primeira é estudante do 2.º ano de Enfermagem e a segunda de Gestão, no mesmo ano. Do Porto veio o estudante de Matemática Pedro Pamplona, enquanto que da “cidade dos estudantes” veio Carolina Cabo, que estuda no 3.º ano de Medicina.
Como equipa, este quatro jovens responderam às questões colocadas de forma conjunta. Salientando o espírito de companheirismo e de entreajuda de todos os participantes concordam em colocar o CABing como uma «grande experiência de crescimento», num «meio ambiente puro», «em contacto com a natureza» e longe da «confusão das cidades».
«Neste acampamento aprendemos a ver o essencial da vida», atira Guilherme Magalhães, estudante de Medicina, juntando-se à conversa.
Aproveitando a deixa, lança-se a questão: «O que é essencial?». Neste momento, as respostas vão caindo a conta-gotas: «o alimento, a partilha com os outros, a inter-relação». Parecendo estar esquecido no rol apresentado, surge outra interrogação em jeito de provocação: «Então, e Deus não é essencial?». «Essencialíssimo» foi a resposta saída de rompante, completada logo a seguir por uma convincente: «Aqui, em tudo o que fazemos estamos com Deus, não só nos momentos de oração e na missa».
Já a terminar, referem que «o CABing é mais dar do que receber». «Vimos com a ideia de dar alguma coisa, mas, no somatório geral, acabámos sempre por receber muito mais do que aquilo que damos», referem.

CABing 2009: Contra-me outra história I


Rui Ferreira é o director de campo do acampamento
CABing pretende “chocar”
e “mexer dentro” dos participantes

Com o director do acampamento o Diário do Minho (DM) procurou perceber o desenvolvimento do CABing 2009. Rui Ferreira (RF) repondeu as questões salientando quais as dimensões desenvolvidas nos dez 10 de acampamento, o que é que propõe e oferece a iniciativa e, ainda, como decorre um dia normal ou quais os jogos e actividades realizadas durante o acampamento para universitários. O jesuíta reforçou a ideia de que esta iniciativa, inspirada nos campos de férias da Companhia de Jesus, deixou claro que em muitos momentos a vida tem acessórios e mais e que algum desprendimento só faz bem. Caminhada nocturna, dinâmicas e orações são sempre momentos fortes do acamapamneto.


M: O que é que o CABing oferece aos universitários que se inscrevem para participar?
RF: O CABing oferece, em primeiro lugar, dez dias diferentes, de animação e de convívio como proposta de mudança. A ideia é estar um período distante daquilo que normalmente preenche o nosso quotidiano. Deixar as nossas seguranças, certezas e comodismos. Certamente, neste dias, alguma coisa “mexe dentro” daqueles participam e alguns não resistem ao choque.
As propostas de actividades que a equipa de animação faz visam também “mexer por dentro”, quer ao nível da fé, da relação com os outros, do contacto com a natureza e ao nível do auto-conhecimento.
Há, por isso, quatro vectores fundamentais neste acampamento: Deus, natureza, amizade e serviço.

DM: Como se exploram essas dimensões e esses pilares do acampamento?
RF: Para explorar a dimensão espiritual, reservam-se alguns momentos, concretamente de oração. De manhã, temos o “Bom dia, Senhor” que é a oração da manhã, na qual o capelão lança alguns desafios e algumas propostas para o dia.
Todos os dias pegamos num conto mais ou menos conhecido da nossa infância (Pinóquio, Patinho Feio, Bela Adormecida, Capuchinho Vermelho) e tentamos fazer a ponte de ligação com o Evangelho. Já chegamos até à conclusão que a história do Pinóquio tem muito a ver com o Evangelho.
Além disso, temos a proposta da missa diária.
Para explorar a relação com a natureza, quase que basta o local onde nos encontramos. Depois, as actividades propostas vão na linha de manter os participantes em contacto directo com a natureza, quer nos jogos da manhã quer nos da tarde.
Para fortalecer os laços da amizade e do serviço a “roda” (local de reunião do campo) é fundamental como espaço de encontro e de conversa. Também existem outras pequenas iniciativas como o amigo secreto e o chá antes de dormir, como momentos para o convívio e o fortalecimento da relação.
Este campo funciona como um grupo só e não como cada um para si.

DM: Como é um dia normal no acampamento?
RF: A alvorada é pelas 08h30. Depois segue-se um momento de ginástica matinal: dois animadores vestem-se de forma criativa e orientam uma pequena sessão matinal de ginástica.
Depois vem o pequeno almoço e entretanto uma equipa prepara o repasto da manhã e outra lava a loiça do jantar.
Seguem-se jogos que normalmente metem água, para aproveitar a própria altura do banho.
Depois do almoço há o tempo da “sesta” que serve para descanso e para lavar roupa e louça.
À tarde faz-se outro jogo seguindo-se um tempo livre antes da missa.
À sobremesa do jantar uma equipa prepara, diariamente, um sketch, representando uma história concreta.
Costuma fazer-se, depois disso, algum jogo nocturno com mais movimento, aproveitando o escuro e as potencialidades do local. Depois disso é descanso.

DM: Quais são os momentos fortes do acampamento?
RF: No meu entender é a caminhada que se realiza sempre a meio do acampamento. Trata-se de um dia e meio de caminhada, com dormida ao relento. Costuma ser um momento fulcral do acampamento.
A sensação de ir pela noite por locais que não conhecemos com o indispensável nas mochilas, sabendo que vamos dormir ao relento cria experiências fortes nos participantes. O regresso ao campo é quase sempre um momento de festa, porque apesar de não termos o conforto das nossas casas é como que um regresso ao berço.
Este é um tempo que serve essencialmente para se conhecer melhor aquelas pessoas que ainda não tivemos oportunidade de conhecer. Depois da caminhada, normalmente o campo dá uma reviravolta e as pessoas ficam mais animadas.

DM: Que tipo de jogos costumam desenvolver?
RF: São sempre diversificados. Todos têm uma finalidade e há alguns que são sempre muito marcantes. Este ano vamos fazer o jogo dos Ricos e dos Pobres. Trata-se de um pequeno-almoço servido por escalões estabelecidos a partir do rendimento das equipas ao longo do acampamento. Uns tem direito a croissants com queijo e fiambre e outros apenas a pão e água. Costuma ser também um momento forte do acampamento, despertando ódios e amores.
Na sequência disso, realizam-se trabalhos de campo para eles ganharem dinheiro. A ideia é mostrar que na vida é preciso trabalhar para conseguirmos as coisas.
Temos também uma manhã de auto-gestão sem a equipa de animação. De manhãzinha, sem acordarmos ninguém deixamos um bilhete a dizer que fomos descansar e que eles estão conta própria. É sempre interessante ver as reacções deles, ver aqueles que de alguma forma, assumem um pouco a liderança. É um momento que aproveitamos para filmar, sem que eles saibam, é claro.

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...