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15 de outubro de 2018

Missão é partir



“Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu. 
É parar de dar volta ao redor de nós mesmos, como se fôssemos o centro do mundo e da vida. 
É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. 
Missão é sempre partir, mas não devorar quilómetros. 
É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. 
E, se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então Missão é partir até aos confins do mundo.” 

D. Hélder Câmara


24 de outubro de 2011

Um coração que não cabe no peito!

Um coração que não cabe no peito!
30.º domingo comum. Ano A

1.Celebramos o 30.º domingo do Tempo Comum e, cumulativamente, o Dia Mundial das Missões. Na Mensagem escrita para este dia, Bento XVI diz que a missão e a evangelização são dimensões essenciais da Igreja e tarefas urgentes, num tempo e num mundo cada vez mais secularizado que faz com que muitas pessoas vivam como se Deus não existisse. «O Evangelho não é uma propriedade exclusiva de quem o recebeu, mas um dom a ser partilhado e comunicado", escreve o Papa, reiterando a ideia de que todo o baptizado é missionário no seu meio e ambiente.

2.Ao ritmo da nossa liturgia semanal, neste esforço semanal de irmos aprendendo com Jesus, a sermos missionários e os discípulos que Ele quer que sejamos, somos confrontados com uma das questões mais fundamentais e centrais para a vivência prática da nossa fé. Qual é, afinal de contas, o mandamento maior pelo qual devemos reger a nossa conduta e a nossa acção?

3. Mergulhemos neste Evangelho, onde se reflecte a continuada “perseguição” dos grupos religiosos do velho Israel a Jesus. Reparemos que, da política ao catecismo, os fariseus continuam a experimentar Jesus em todas as matérias. Eles querem mesmo “fazer-lhe a folha!”. Passamos da questão fiscal (do imposto e do tributo a César, que ouvimos na semana passada), ao problema moral (da lei que deve reger a vida do crente). Agora a dúvida é sobre os mandamentos da Lei de Deus! E é pressuposto que o “Mestre Jesus” tenha uma resposta clara.

4.«Qual é o maior mandamento da Lei de Deus»? - perguntou um doutor da lei a Jesus. Convenhamos, e até entendemos, que numa floresta quase impenetrável de obrigações e proibições da Torá (composta por 613 preceitos), a que o judeu piedoso se obrigava todos os dias, era difícil saber por que mandamento começar, qual deles tinha a primazia e precedência. A pergunta sobre o maior mandamento era no fundo a pergunta sobre «qual mandamento, que, uma vez cumprido, garantia prática de todos os outros»?!

5. Se repararmos com atenção, na resposta de Jesus, não há lá palavras novas. Jesus serve-se de dois textos já muito conhecidos dos velhos livros da Lei do Antigo Testamento. O primeiro, do livro de Deuteronómio, falava-nos do «amar a Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente» (Dt.6,4-5), pondo de parte um amor apenas sentimental ou religioso, para fazer deste amor a Deus uma entrega pessoal e total. O segundo texto, do livro do Levítico, referia-se a «amar o próximo como a si mesmo» (Lev.19,18), fazendo deste amor o critério de verdade do amor a Deus. Onde está então a novidade do ensinamento de Jesus? O que acrescentou Jesus, de novo, àquilo que já sabia o fariseus? A novidade da resposta, poderia resumir-se em dois sentidos:

6. Primeiro, Jesus tira-nos a ilusão religiosa ou sentimental de alguma vez podermos amar a Deus… não amando o próximo. «Os seus discípulos nunca poderão separar estes dois amores. Tal como, numa árvore, não se podem separar as raízes da sua copa: quanto mais amarem a Deus, mais intensificam o amor aos irmãos e às irmãs; quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, mais aprofundam o amor a Deus», nas palavras de Chiara Lubich.

7.Por vezes, enganamo-nos, imaginando que é tão grande o nosso sentimento de amor a Deus, ainda que, no fundo do coração, as nossas relações com determinada(s) pessoa(s), possam não ser tão boas e perfeitas como isso. Jesus não nos permite esta veleidade ou “esquizofrenia espiritual”: de pensarmos que podemos amar a Deus, não amando realmente o irmão. São João denunciou esta mentira «piedosa» anos mais tarde, dizendo: «como podes tu dizer que amas a Deus, que não vês, se não amas o teu irmão que vês» (I Jo.4,20)?

8.Em segundo lugar, a novidade da resposta de Jesus, faz-nos ver que, de facto, não temos, dois corações, nem dois tempos, nem dois amores, para amar, tal como pensavam os fariseus. O amor a Deus e o amor do próximo têm uma mesma e única fonte: o amor de Deus. Nós podemos amá-Lo, «porque foi Ele que nos amou primeiro» (I Jo.4,10): o amor que nos é pedido é uma resposta ao Amor, que nos é dado como prenda ou presente. É pela graça deste único amor de Deus, que amamos a Deus e ao próximo. E este amor é único e simultâneo: não há um tempo agora para amar a Deus (uma hora na missa, dez minutos de silêncio ou oração, uma leitura orante da Bíblia…) e outro para amar o próximo (visitar um doente, conversar com um amigo, dar um punhado de horas em voluntariado ou num serviço à comunidade). O amor de Deus é indiviso e simultaneamente nos coloca em relação com Ele e com os irmãos.

9. A pergunta decisiva e inultrapassável que temos a fazer é: se sinto o meu coração dividido, porque estou muito pronto e generoso para amar a Deus, e tão lento e reservado para amar determinada pessoa, o que devo fazer? Só há uma forma de curar esta doença de ilusão de óptica espiritual ou esquizofrenia: a conversão. É a conversão permanente que me leva a reconhecer nesta incapacidade de amar o outro o sintoma da minha resistência a ser amado por Deus. E chagado aí, resta-nos suplicar, de joelhos, diante de Deus: «Senhor, converte-me ao teu amor» e, depois, colocar-me de pé diante dos Homens, em posição de serviço e de atenção. É de Deus que recebemos este mandamento: «quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (I Jo.4,21).

10.Oxalá, caros irmãos, possamos ser missionários e testemunhas deste Único Amor de Deus que abraça a todos e nos impele, simplesmente, a amar.

Pe. JAC

7 de junho de 2009

Portugueses desafiados a financiar projectos missionários


Fundação Evangelização e Culturas lança campanha

Mesmo em tempo de crise económica, os portugueses são desafiados a financiar alguns projectos missionários desenvolvidos pela Fundação Evangelização e Culturas (FEC) que acaba de lançar uma campanha nacional com o objectivo de angariar financiamentos para a implementação de dez projectos de cooperação a desenvolver em Angola, Moçambique, Timor-Leste e também em Portugal. Esta campanha realizada no âmbito da Plataforma de Voluntariado Missionário designa-se “Agir para desenvolver – Projectos de Esperança”.
Segundo um comunicado de imprensa da FEC os dez projectos, executados por dez organizações, pretendem ser «um contributo no combate à pobreza, através da actuação em diferentes áreas, como Educação, Economia Sustentável, Apoio Social, Animação Juvenil e Saúde».
Os projectos pretendem responder a necessidades específicas diagnosticadas pelos voluntários e missionários que diariamente estão com as populações e às quais a FEC quer responder.
Os portugueses são assim desafiados a contribuir e a financiar estes projectos que constituem uma resposta concreta aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Para contribuir e apoiar estas iniciativas os interessados podem enviar os donativos via CTT ou via internet. Mais infirmações dos projectos podem ser encontradas em www.agirparadesenvolver.org.

Projectos respondem
a necessidades
São dez projectos que se dividem entre Angola, Moçambique, Timor-Leste e Também Portugal.
“Juntos na hi funda” é um projecto da responsabilidade das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres que pretende promover o desenvolvimento educativo e formativo das crianças e jovens da vila de Manjacaze (Moçambique). A requalificação, apetrechamento e dinamização da biblioteca local custa mais de 17 mil euros.
A paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em Famões, (Angola) está com o projecto “Um Futuro para Nambuangongo”, com o objectivo de diminuir o abandono escolar e aumentar o grau de escolaridade das mulheres da aldeia. A reabilitação de um internato, a aquisição de mobiliário básico e reabilitação da casa da missão para apoio comunitário vai custar mais de 43 mil euros.
“Caminhos e Sorrisos” está a cargo do grupo “Diálogo”, dos Missionários do Verbo Divino, e pretende construir uma comunidade viva, autónoma e integrada na comunidade de Terraços da Ponte (Sacavém). Este projecto orçado em sete mil euros vai fazer a requalificação do espaço de culto, a organização da Festa da Família e a dinamização de colóquios.
“Ensino para Todos” quer aumentar a frequência escolar no Bairro Vunguine, em Boane (Moçambique) em 50 por cento. Com um orçamento de 43 mil euros, a Congregação dos Sagrados Corações vai construir e apetrechar três salas de aula, de forma a permitir às 500 crianças do bairro o acesso ao ensino básico.
Em Timor-Leste, a Juventude Hospitaleira quer combater a pobreza através do fomento de actividades económicas. “Padaria Comunitária” é o projecto destinado à comunidade de Laclubar que custa três mil euros e passa pela reconstrução do edifício da padaria e pela formação de responsáveis pela mesma, nomeadamente na área de gestão, segurança e higiene alimentar.
A Associação de Leigos Voluntários Dehonianos tem o projecto “Ensinar para Aprender em Luau” com a finalidade promover o desenvolvimento educativo em Moxico (Angola). Para a criação, informatização e apetrechamento da biblioteca central que dá apoio às 30 escolas locais e para o apetrechamento de 30 escolas com kit's didácticos são precisos mais de 31 mil euros.
“A Caminho do Futuro” vai criar uma sala de informática no Centro Social Flori, no Bairro das Mahotas, em Maputo (Moçambique). Este projecto custa mais de oito mil euros e está com as Irmãs Missionárias Dominicanas.
“Promoção pela Educação” é outros dos projectos que pretende promover o desenvolvimento integral de meninas do Centro de Acolhimento da zona de Humpata (Angola). A finalização da construção e apetrechamento deste centro com a dinamização de aulas de apoio e recuperação escolar e ainda animação de actividades lúdicas é um projecto da associação Sol Sem Fronteiras que está orçado em 50 mil euros.
“Partilhar é Amar”, da Associação Mãos Unidas Pe. Damião, quer promover o apoio social a crianças órfãs, mães solteiras, idosos e portadores de SIDA em Moçambique. Campanhas de sensibilização, realização de actividades para a promoção da mulher, de encontros mensais com as mães e de visitas domiciliárias custam, ao todo, mais de 35 mil euros.
“Grão a Grão” vai contribuir para a melhoria alimentar e aumento da qualidade de vida da comunidade do Gungo (Angola). São precisos mais de 11 mil euros para o Grupo Missionário Ondjoyetu fazer a implementação de um posto de moagem no centro da localidade e para a formação e iniciação de processos de produção de farinha.

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...