23 de janeiro de 2009

Chuva "estragou" São Vicente



Pais e avós cumpriram tradição pelas crianças

A chuva e o mau tempo que se registou durante o dia de ontem abrigou a que fossem os pais e avós, em geral, a cumprir a tradição em vez das crianças. Segundo o costume, os mais pequenos vão, no dia litúrgico de São Vicente, junto da imagem do diácono mártir, para pedir a protecção contra a doença da varíola, mas ontem, dadas as condições climatéricas, foram poucas as crianças que se fizeram ao caminho para ir à igreja paroquial de São Vicente, em Braga, a fim de cumprir a tradição.
Para que as promessas e a devoção não ficassem por cumprir e, uma vez que o clima não ajudou a que as crianças, individualmente ou com as turmas escolares, fossem à igreja foi a vez de muitos pais e avós se lançarem ao caminho e fazerem frente à invernia para, junto da imagem de São Vicente, rogarem e pedirem protecção especial contra a doença da varíola.
Ao final da tarde, contudo, com o final das aulas, viram-se algumas crianças, acompanhadas por adultos, a cumprirem o habitual gesto de depor junto à imagem a vela adquirida na entrada da igreja.
Mesmo assim, segundo os organizadores o número de pessoas que passaram em São Vicente durante o dia de ontem foi, comparativamente, muito inferior ao de anos anteriores. «A chuva terá sido a principal causa», revelou o juiz da Irmandade de São Vicente, Albino Alves, todavia, não faltou quem cumprisse a tradição e a devoção dos bracarenses ao santo mártir continua viva.

Irmandade projecta museu
e restauro da capela-mor
Para os elementos constituintes da mesa da irmandade de São Vicente, o mau tempo foi a principal causa da menor afluência de pessoas à festa.
Albino Alves, juiz da irmandade, disse ao DM que, apesar de tudo, muitos adultos, pais e avós, cumpriram a promessa e a tradição em vez dos filhos e dos netos.
Já Manuela Braga, da mesma instituição que organiza as festividades em honra do mártir, destacou a presença de muitas pessoas anteontem à noite, para a habitual “Fogueirinha de São Vicente”. «Apesar do frio e da chuva, esteve cá muita gente, porque no início não chovia. Claro que com o correr da hora, muitos fugiram depressa».
O juiz confidenciou ainda que brevemente, numa dependência da igreja, vai ser criado um museu para recolher o espólio da irmandade. Para essa criação é necessário apoio técnico que os responsáveis vão pedir brevemente às autoridades locais competentes.
A par desta obra, a mesma instituição pretende restaurar na capela-mor, o valioso património azulejar que é afectado com a trepidação provocada pelas viaturas que circulam na Rua de São Vicente, particularmente junto à igreja paroquial.
O responsável da irmandade referiu ainda que «se houvesse mais dinheiro» se pensava na remodelação do soalho da igreja. Mas, «isso fica para mais tarde», concluiu.


“Moletinhos” de São Vicente
Comércio prejudicado com invernia

Em dia litúrgico de São Vicente, o mau tempo foi também prejudicial para o negócio, principalmente para a atracção que são os tradicionais “moletinhos”. Na feira improvisada no adro da igreja, os comerciantes e vendedores passaram o dia a queixarem-se e a lamentarem-se quer da falta de dinheiro dos portugueses, em geral, quer do mau tempo que se abateu sobre Braga.
Junto à igreja paroquial de São Vicente havia um pouco de tudo. Claro que os “moletinhos” ganharam em presença e em vendas por larga maioria. Todavia, também havia doçaria variada, padaria e pastelaria, pipocas e algodão doce, farturas e, como não podia deixar de ser, muitas velas e círios para que os interessados pudessem cumprir as promessas e a tradição.
Quem passou em São Vicente ouviu bem as vendedoras a apregoarem os seus produtos, no entanto, poucos os regateavam e quase ninguém os comprava.
«Não há ninguém para comprar. Não há dinheiro e o tempo está muito mau», lamentava Anabela Carvalho e Marlene Bastos, que vendiam, tal como os outros comerciantes, os “moletinhos” a quatro euros e as velas a cinquenta cêntimos.
Silvana Viana, das Palhotas, vende em São Vicente há mais de 40 anos. «É um negócio de família», disse ao Diário do Minho. «Comecei com a minha avó a vender rebuçados, depois com a minha mãe a vender “moletinhos”. Agora vendo um pouco de tudo, para ganhar a vida honestamente», continuou.
Por seu lado, Eugénia Barbosa, numa banca onde havia doçaria variada, lançava as culpas ao clima e ao estado «ruim» da vida. «As pessoas não têm dinheiro, a vida está ruim e o tempo não ajuda», afirmou. Para a vendedora, «as pessoas estão sem dinheiro e eu vejo isso todos as semanas porque vendo no mercado».
Já ao final da tarde, Rosa Maria, de Palmeira, disse que este ano «o número de pessoas foi menor». No entanto, segundo a vendedora, as pessoas que passaram na igreja até foram comprando, principalmente os “moletinhos”.

2 comentários:

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  2. Anareis:

    em concreto de que é que precisas?

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