29 de janeiro de 2009

Paulo de Tarso, quem és tu?

Semana de Estudos Teológicos arrancou ontem
Escritos paulinos dão a conhecer
excelência e argúcia do Apóstolo

Os escritos paulinos revelam com profundidade a excelência e a argúcia do Apóstolo das Nações. Esta foi uma das conclusões do primeiro dia da XVII Semana de Estudos Teológicos que pretendem ir no encalço de São Paulo. Organizada pela Faculdade de Teologia-Braga, com a colaboração do Departamento Arquidiocesano para a Formação Permanente dos Presbíteros, da Associação de Estudantes daquela Faculdade e da revista “Cenáculo”, a edição deste ano decorre, pela primeira vez, no Auditório Vita, e procura responder à questão: “Paulo de Tarso, quem és tu? O passado e o presente do Apóstolo das Nações”.
São Paulo tem as características necessárias que fazem dele mesmo um escritor ao nível dos grandes clássicos, uma vez que, por um lado, sabe usar artifícios literários e, por outro, também se expõem no que escreve ou dita para outro escrever. Foi esta ideia que o padre Tolentino Mendonça defendeu com a conferência “A palavra como auto-retrato”.
Numa intervenção com incursões nos escritos paulinos e com recurso a alguns clássicos da literatura mundial, o sacerdote que é director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura começou por apontar três dificuldades na caracterização da figura do Apóstolo das Nações, a partir dos seus escritos.
Essa caracterização torna-se difícil porque «Paulo não escreveu, por sua própria mão, todas as cartas que estão no cânone bíblico» e ainda porque «algumas são assinados por uma equipa». Outra dificuldade apontada pelo sacerdote natural da Madeira tem a ver com as suspeitas e as desconfianças que Paulo levanta em relação à retórica.
Para traçar uma figura de Paulo a partir daquilo que vem expresso no corpus paulino, o teólogo e biblista começou por mostrar que «Paulo sabe usar as palavras e sabe argumentar». Foi, inclusivamente, mais adiante, afirmando que há «argúcia» na escrita de São Paulo.
Frisando que a palavra do sujeito revela algo e auto-revela o autor da mesma, defendeu também que São Paulo se expõe naquilo que diz ou dita e «não despeja apenas palavras, mas envolve-se».
Na intervenção, Tolentino Mendonça disse que Paulo não tem medo de colocar interrogações que, em muitos casos, assustam e abismam aqueles que ainda hoje as lêem nas suas cartas. O Apóstolo debate, argumenta, usa a dialéctica, revela gosto pelas antíteses e inclinação para as metáforas.
No entanto, lugar especial, dentro do leque de artifícios literários usados nas cartas paulinas, merece o paradoxo, particularmente aquele que se expressa no binómio força/fraqueza.
Já a terminar, o conferencista defendeu que a retórica usada por São Paulo é marcada pelo excesso, pois «não mede muito as palavras e não é muito funcional». Contudo, sobre o seu retrato, referiu que «ao contar, Paulo conta-se dando testemunho e contando a sua experiência». Daí que, concluiu, «o auto-retrato de Paulo, expresso nos seus escritos, é igualmente auto-retrato da Igreja primitiva e da Igreja de todos os tempos».

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