28 de janeiro de 2009

Simpósio sobre Religião e Ciência

Religião deve estar mais aberta
aos desenvolvimentos científicos


A religião na actualidade, apesar dos muitos limites existentes, deve mais aberta aos desenvolvimentos científicos e, com isso, colocar-se numa atitude de respeito e diálogo com os diversos campos do saber científico, concretamente com a Biologia, a Genética e as Neurociências. Foi esta a posição defendida por José Queiroz da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), no Simpósio de Filosofia da Religião e Ciências da Religião, organizado pelo Mestrado/Doutoramento em Filosofia da Religião da Faculdade de Filosofia (FacFil) da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e o Grupo Pós-Religare daquela instituição brasileira.
Numa conferência intitulada “Deus e a espiritualidade sob olhares científicos pós-modernos: limites e possibilidades da nova Biologia, da Genética e da Neurociência no campo da(s) Ciência(s) da Religião”, o docente defendeu a tese da complementaridade entre as novas descobertas científicas com as Ciências da Religião e apelou a uma conjugação de esforços.
Apresentando modelos fundamentalistas actuais (enfoque especial para Richard Dawkins, com o livro “Deus, um delírio”) salientou a necessidade de os vários campos do saber, especialmente as Neurociências e a Filosofia e a Teologia, darem as mãos.
No entanto, o docente mostrou, por meio de muitos trabalhos e estudos, que se está a registar uma certa aproximação por parte da ciência em geral à religião, lamentando que o contrário não se esteja a assistir.
Para se superar divergências e se poder experimentar uma certa complementaridade existente entre as duas áreas de saber, este especialista brasileiro asseverou que o respeito mútuo é o primeiro e insubstituível passo a dar.
Por sua vez, o director-adjunto da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) interveio com uma apresentação sobre “Experiência religiosa e metafísica: breve leitura de Jean-Luc Marion”.
João Duque, que é também docente de Mestrado/Doutoramento na FacFil, defendeu, depois de aflorar alguns pontos do filósofo e teólogo francês, que há uma certa «identidade necessária» entre a fenomenologia da doação e a metafísica.
O teólogo que é também secretário da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé e Ecumenismo concluiu com a afirmação de que «a experiência religiosa é sempre uma experiência metafísica e simultaneamente pós-metafísica».

Dois blocos de comunicações
preencheram o dia
Durante o dia de ontem, os participantes tiveram tempo para ouvir duas séries de comunicações sendo que a primeira foi subordinada ao tema “A lógica do dom” e contou com as seguintes palestras: “Reconhecimento, dom e comunicação não violenta” por Helena Catalão; “Sacrum facere: Sacrifício do dom” por Pedro Valinho e “A perspectiva da kenosis na dinâmica de instrumentalização da experiência religiosa no contemporâneo” a cargo de Adelino Oliveira.
O segundo bloco de comunicações deteve-se no tema “Pós-modernidade e privatização da fé” e contou com duas intervenções: Elias Couto referiu-se ao “Laicismo pós-moderno e privatização da fé” e Artur Galvão abordou “A privatização da religião no pensamento de Richard Rorty”.
O segundo dia do simpósio concluiu-se com uma intervenção de José Augusto Mourão sobre “O embaraço da linguagem e do testemunho”. O docente de Semiótica da Universidade Nova de Lisboa falou sobre o problema da linguagem e das palavras, concretamente daquelas que, segundo o sacerdote, «nos fazem pôr de pé», como são «Deus e Mãe».
Em declarações ao Diário do Minho, o coordenador do Mestrado/Doutoramento em Filosofia da Religião, Manuel Sumares, afirmou que o simpósio, que termina hoje, tem decorrido dentro do previsto pelos organizadores.
Salientando a boa relação existente com a PUCSP referiu que foi, precisamente, esta simbiose entre as duas instituições que levou à organização deste evento, para o qual, segundo o docente, «não é preciso graus académicos, senão o gosto pelo assunto».
No futuro, concluiu, não estão postas de lado outras possibilidades de trabalhos e organizações em parceria entre as duas instituições de ensino superior.


Apatia e amoralidade política
levam ao descrédito dos partidos

“A religião numa era pós-cristã” foi a conferência proferida por José Rui Costa Pinto e que abriu a parte da tarde do dia de ontem. O docente da Faculdade de Filosofia criticou a «apatia e a amoralidade política» que geram descrédito da classe e desencanto dos mais jovens e das instituições em geral.
Ainda sobre a questão política disse que também os partidos políticos estão descredibilizados e, como tal, exige-se uma «cidadania mais activa» como superação da política partidária.
Em relação ao lugar na religião na sociedade pós-moderna defendeu que «as religiões são componentes legítimas das sociedades e que, do ponto de vista social, apesar de não ser normativa, a religião é referencial de sentido e, do ponto de vista político, a neutralidade do Estado não significa ausência de ética e de espiritualidade».
O sacerdote jesuíta acentuou ainda o contributo do cristianismo em especial ao nível do valor da pessoa e da sua dignidade fundamental.

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