15 de janeiro de 2009

Se




SE tu podes impor a calma, quando aqueles
Que estão ao pé de ti a perdem, censurando

A tua teimosia nobre de a manter,

SE sabes aguardar sem ruga e sem cansaço,
Privar com Reis continuando simples,

E na calúnia não recorres à infâmia

Para com arma igual e em fúria responder,

- Mas não aparentar bondade em demasia
Nem presumir de sábio ou pretender

Manifestar excesso de ousadia,

-
SE o sonho não fizer de ti um escravo
E a luz do pensamento não andar

Contigo num domínio exagerado,

SE encaras o triunfo ou a derrota
Serenamente, firme, e reforçado

Na coragem que é necessário ter

Para ver a verdade atraiçoada,

Caluniada, espezinhada, e ainda

Os nossos ideais por terra,
- mas ergue-los

De novo em mais profundos alicerces

E proclamar com alma essa Verdade!


SE perdes tudo quanto amealhaste

E voltas ao princípio sem um ai,

Um lamento, uma lágrima, e sorrindo

Te debruçares sobre o coração

Unindo outras reservas à Vontade

Que quer continuar, e prosseguindo

Chegar ao infinito da razão,


SE a multidão te ouvir entusiasmada

E a virtude ficar no seu lugar,


SE amigos e inimigos não conseguem

Ofender-te, e se quantos te procuram

Para contar com o teu esforço não contarem
Uns mais do que outros, - olha-os por igual!,


SE podes preencher esse minuto

Com sessenta segundos de existência

No caminho da vida percorrido


Embora essa existência seja dura


À força das tormentas que a consomem,

Bendita a tua essência, a tua origem,


O mundo será teu,

E tu serás um Homem!



Rudyard Kipling
(versos portugueses de António Botto)

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