21 de maio de 2009

Matilde Sousa Franco revela pressões da bancada socialista


No primeiro dia das Jornadas Teológicas de Braga


A deputada da Assembleia da República Matilde Sousa Franco revelou que tem sofrido pressões da bancada socialista pela sua posição contrária à legalização do aborto e à lei do divórcio e ainda pela sua oposição aberta à forma como está a ser debatida a questão da educação sexual e da distribuição gratuita dos preservativos nas escolas. A deputada falava anteontem à noite, em Braga, na abertura das XXI Jornadas Teológicas, que analisam este ano a relação Igreja-Estado.
Na intervenção, a viúva de Sousa Franco traçou uma radiografia aberta e sem preconceitos da realidade parlamentar portuguesa e falou das lutas que tem travado no Parlamento, concretamente em relação ao voto contra as propostas de lei sobre questões fracturantes que o executivo de José Sócrates tem trazido a debate.
A deputada apresentou uma comunicação com o título “No caminho da esperança. A religião é fundamental em política”, e serviu-se do exemplo de Tony Blair, que se converteu ao catolicismo, para defender que qualquer deputado deverá assumir as suas convicções religiosas.
Sem receios, Matilde Sousa Franco afirmou que é «militante católica», «historiadora» e «política temporária». Dando conta da sua história política, revelou que não é candidata pelo PS às próximas eleições legislativas, apesar de «não estar zangada com ninguém». «Comuniquei a minha decisão por carta ao senhor primeiro-ministro, datada de 3 de Abril de 2009», afirmou.
Destacando que o Parlamento é uma «boa, mas difícil experiência», a deputada manifestou perplexidade pelo facto de em Portugal, onde há uma maioria de católicos, estes estarem tão pouco representados no Parlamento em número e em pessoas que agem como tal. E denunciou, a partir de um estudo recente de Conceição Teixeira, que os candidatos a deputados parlamentares fazem «carreirismo político» e estão apenas preocupados em «manterem-se na política a todo o custo».
Perante uma plateia constituída por alunos da Universidade Católica Portuguesa – com a presença de D. Jorge Ortiga e de D. Eurico Nogueira –, Matilde Sousa Franco não hesitou em afirmar: na Assembleia da República, «sou cristã católica, fazendo questão de manter o compromisso que assumi com Nossa Senhora, de agir de acordo com os princípios cristãos, em coerência com a minha consciência e honrando o compromisso que assumi com o PS».
Sobre a sua actividade como deputada independente pelo PS, contou que avisou José Sócrates – que a convidou pessoalmente para o cargo – que votaria contra a legalização do aborto e contra todas as questões que fossem contra a sua consciência.
Assim, além desta, Matilde Sousa Franco votou contra as propostas do PS na votação da lei do financiamento dos partidos políticos, na lei da Procriação Medicamente Assistida, na lei do divórcio e na lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social, ontem vetada pela segunda vez pelo Presidente da República (ver página 22).
A viúva de Sousa Franco vê-se no Parlamento como «uma voz solitária» que procura estabelecer «pontes com outros deputados». Convergente com Manuel Alegre do ponto de vista social, apesar do desagrado da direcção do partido, defende os princípios da Doutrina Social da Igreja, particularmente a protecção dos mais fracos, dos trabalhadores e das cooperativas.
Além do mais, contou também, «defendo os professores, protestei contra as taxas moderadoras, defendo as pequenas e médias empresas e ainda defendi a canonização de São Nuno de Santa Maria», tendo que arranjar uma «justificação laica», para as «faltas resultantes da minha ida a Roma».

Educação sexual nas escolas
Para Matilde Sousa Franco, a educação sexual nas escolas deverá existir, embora não concorde com a forma como está a ser trabalhada a questão.
No seu entender, o nome deverá ser alterado, sugerindo, deste modo, «educação para a felicidade», e englobando temas de cidadania, saúde, sexualidade, não violência e respeito pela natureza.
«Disse que votaria contra, mas acabei por não votar por causa de uma queda que dei no Parlamento pouco antes do plenário da votação em Fevereiro», confidenciou.
Matilde Sousa Franco considera errado que a proposta tenha sido «apresentada de surpresa» e «só depois tenha sido debatida publicamente na AR».
As XXI Jornadas Teológicas, organizadas pelos alunos da Faculdade de Teologia de Braga, receberam ontem à noite Luís Lobo-Fernandes e terminam hoje com uma mesa redonda sobre “Missão da Igreja na sociedade: que futuro”. Começa às 21h15, com entrada livre.

1 comentário:

  1. também concordo, com a sexualidade , mas acho que as escolas não estão preparadas, convenientemente para assumirem , esse papel .Mtos docentes, acham que deve partir dos ais, tal assunto, pois eles conhecem ente aspas, as suas crias, ao passo que o corpo docente, seja sóum suporte, mais nada.
    Quem explicou a sexualidade , ´minha filha ui eu, mas também nunca fui contra á disciplina, mas as bases vêm unicamente e exclusivamente de Casa

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