10 de junho de 2009

Portugal e Espanha juntos na promoção dos media católicos


Encontro Ibérico das Comunicações Sociais da Igreja


A Igreja de Portugal e Espanha estão juntas na promoção dos media católicos e manifestam, ao mesmo tempo, preocupação pela forma como é tratada a matéria religiosa nos media laicos. Bispos e responsáveis das Comissões Episcopais da Comunicação Social de Portugal e Espanha terminam hoje uma reunião que decorreu em Braga e que serviu para partilhar projectos e debater temas relacionados com os media e a presença da Igreja na comunicação social.
No segundo dia do encontro, responsáveis da área apresentaram dados concretos das situações vividas nos dois países, uma vez que «os problemas que a Igreja Católica enfrenta a este nível são comuns a Portugal e Espanha» segundo afirmou D. Manuel Clemente, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais. Para o também Bispo do Porto, este encontro é «proveitoso para os dois países».
Com o tema “A Comunicação Social entre a laicidade e o laicismo: possibilidades e obstáculos” pretende-se olhar os desafios que a actualidade coloca à missão da Igreja no âmbito das comunicações sociais. O prelado destacou que a laicidade é algo positivo, mas o laicismo é uma «deriva negativa» que tem a ver com «a inconveniência da expressão pública do religioso».
O encontro ibérico que apresenta hoje de manhã as suas conclusões conta com a presença de três bispos portugueses e cinco espanhóis. Dois padres, um espanhol e outro português, um cónego português e um leigo também compõem o restante painel de participantes.
No Centro Cultural e Pastoral da Arquidiocese de Braga estes responsáveis ouviram o professor de Comunicação Social, da Universidade do Minho, Manuel Pinto. Depois, D. Fernando Sebastián, Arcebispo Emérito de Pamplona e o cónego João Aguiar Campos, presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença, apresentaram as respectivas situações das Comunicações Sociais da Igreja.

Atenção à ecologia
dos media
Manuel Pinto, da UM, apresentou uma comunicação com o próprio título do encontro ibérico e começou por falar aos participantes desta reunião de trabalho de algumas tendências que se observam actualmente no panorama dos media fazendo-o a partir de «um olhar antropológico e não tanto político» de modo a sublinhar e a relevar a forma como os media estruturam o quotidiano das pessoas.
O professor de Comunicação Social garantiu que esta é «uma instância fundamental para a forma como muitas pessoas pensam problemas importantes». Depois de valorizar mais o lado antropológico dos media e não tanto o seu lado comercial chamou a atenção para a «dimensão ecológica dos meios de comunicação social» já que «a qualidade de vida simbólica tem nos média um instância fundamental».

«Laicismo é
eufemismo de ateísmo»
Por sua vez, e depois de um breve intervalo, o antigo Bispo de Pamplona destacou as dificuldades que a Igreja espanhola vai sentindo, particularmente advenientes do laicismo e das transformações rápidas que a sociedade vai realizando. Para D. Fernando Sebastián «a instabilidade da sociedade espanhola favorece a assimilação pouco crítica das inovações culturais do laicismo».
Denunciando que o «laicismo é um eufemismo de ateísmo», o responsável espanhol apontou o dedo ao que chamou «privatização do religioso» e a muitas políticas socialistas que o governo de Luis Zapatero vai implementando. E denunciou: «em Espanha, ser religioso é como ser coleccionador de selos, ou ser alguém com ‘afición’».



RR cria “Prémio Monsenhor Lopes da Cruz”
Faz falta em Portugal
um diário católico nacional

Da situação da Comunicação Social da Igreja em Portugal falou o cónego João Aguiar salientando, a partir de uma afirmação recente do Patriarca de Lisboa, que o balanço da relação entre media e Igreja é positivo embora «em algumas circunstâncias seja necessário forrarmo-nos de paciência».
Segundo presidente do Conselho de Gerência da RR a religião, para uns, está presente como um «murmúrio» e, para outros, em «excesso». Relevando que a religião é um assunto que vende, fez também um “mea culpa” em nome da Igreja pela forma como esta vai olhando a problemática da comunicação social.
Como sugestão, o antigo director do Diário do Minho manifestou a opinião de que seria importante existir em Portugal um diário católico de tiragem nacional ou então um semanário. Sobre a questão da forma como é tratado o assunto religioso nos media João Aguiar defendeu que mais importante que fazer campanha pela Igreja é fundamental saber ler cristamente os acontecimentos sociais do dia-a-dia, à luz do Evangelho.
O responsável deu ontem a conhecer que a RR vai criar o “Prémio Monsenhor Lopes da Cruz”, no valor de 50 mil euros, com o objectivo de distinguir personalidades que tenham uma intervenção cultural marcada pelos valores da verdade, da ética e do sentido do bem comum.
Recorde-se que monsenhor Lopes da Cruz fundou revistas, dedicou-se ao cinema e ajudou a lançar a RTP, embora a sua maior obra tenha sido a criação da Renascença.

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