30 de outubro de 2009

Acertada contradição





Palavra contraditória!
Quem a pode escutar, ó Cristo?
Como podes querer que te sigamos
Se estamos tão longe da tua lógica.

Pois, é verdade, e quase me esquecia.
A tua lógica não tem lógica.

Então, são felizes os pobres em espírito
Quando meio mundo anda atrás do euromilhões
E outra metade atrás de riquezas e “jackpots”?

São felizes os mansos
Quando na sociedade os fortes é que vingam?

São felizes os que choram, ó Cristo?
Como é possível se todos buscam o bem-estar, o riso, a comédia, a ironia
E ninguém quer ouvir falar de dor, de sofrimento e de privação?

Dizes que são felizes os que anseiam cumprir a vontade de Deus
e o mundo toma como lei maior a não dependência de preconceitos ultrapassados
ou de qualquer autoridade?

Como podes apontar a felicidade dos misericordiosos
quando já ninguém se comove com a miséria e o sofrimento dos outros?

Ó Cristo, que palavra lancinante é esta que nos envias como espada!

Ainda dizes que são felizes os puros e os sinceros de coração
e a sociedade e os tribunais estão entupidos de casos de corrupção,
de mesquinhez, de mentira e de esquemas e favorecimentos.

Para ti, os que constroem a paz são felizes,
mas o mundo está cheio de guerra, de lutas, de oposições.
Parece que só pela força e pela violência se vence e se singra.

E como entender que quem é perseguido pode ser feliz
quando o mundo apregoa a liberdade total, a ausência de autoridade
e a entrada nos jogos poderosos
já que só com esses se pode subir na vida?

É mesmo uma palavra inaudível!
O nosso mundo parece provar que é utópica, sem lugar concretizável.

O que me pedes e a todos é um coração pobre.
Só um coração pobre está disponível para seguir o trilho das bem-aventuranças.

Quero encetá-lo também
Mesmo sabendo que vou contra-corrente.

Vou atrás daquele – Cristo – que ousou ir por outro lado, ousou ser diferente.

Vou com Ele e sou feliz
A caminho da santidade.

JAC
30.10.09
Solenidade Todos os Santos.

Descobrir o essencial!

Diante do Senhor que vem, reconhecemos que os nossos caminhos não são os seus (cf. Is 55, 9) e somos impelidos a converter-nos, a mud...