2 de dezembro de 2009

VIDAS FELIZES


“Quando nasceste, todos estavam contentes e tu choravas.
Vive de modo que, quando morreres, todos chorem e tu sejas feliz”.
Provérbio


O mês de Novembro começa com duas destas litúrgicas – Todos os Santos e Fiéis Defuntos – que nos mergulham no sentido da vida. As perguntas são muitas e vamos procurando responder-lhes na esperança de não perdermos nem a vida, nem o sentido.
Claro que a vida é demasiado bela para a deixarmos fugir como areia entre os dedos ou para a deixarmos esfumar-se como neblina matinal que se perde com o andar das horas.
É vão acreditar no conhecido dito popular que estabelece a felicidade do homem quando se tem um filho, se planta um árvore ou se escreve um livro. Há pessoas que nada disto fizeram e foram felizes e há também os que fizeram isto e não alcançaram a felicidade. Pois, e compreende-se: há livros que têm mais palavras que ideias, há filhos que dos pais só receberam o corpo e árvores que nem sombras nos conseguem dar.
A vida não depende de número de anos que se vive. Há pessoas que viveram poucos anos e deixaram marcas indeléveis. O importante não é o quanto vivemos mas o como vivemos.
Luís Espinal, um jesuíta assassinado na Bolívia em 1980,escreveu: «Passam os anos e, ao olhar para trás, reparamos que a nossa vida foi estéril. Não a passamos fazendo o bem. Não melhoramos o mundo que nos deixaram, não vamos deixar rasto. Fomos prudentes e corajosos. Para quê, porém? O nosso único ideal não pode ser o de chagar a velhos. Estamos a poupar a vida, por egoísmo, por cobardia. Seria terrível malbaratar esse tesouro de amor que Deus nos deu».
Há quem tenha as mãos limpas mas vazias, porque nunca as usou. Morrer de mãos vazias! Não pode haver inferno pior que a esterilidade. Seja o que for a minha vida, eu terei de deixar alguma coisa ao desaparecer, ainda que seja uma simples gota de esperança ou de alegria no coração de um desconhecido.

Inspirado na Revista “além-mar”
publicado no Jornal Paroquial Mais Luz-Águeda

Descobrir o essencial!

Diante do Senhor que vem, reconhecemos que os nossos caminhos não são os seus (cf. Is 55, 9) e somos impelidos a converter-nos, a mud...