21 de janeiro de 2010

Vertigem

NOTA BENE:
Durante o Congresso Sacerdotal que participei em Braga escrevi quatro textos/poemas que partilho convosco. Estão dentro da temática partilhada em cada um dos dias dessa iniciativa. Vão por ordem.




Há palavras que falam caladas
E gestos que dizem sem falar.
Há olhos que vêm sem ver
E ouvidos que ouvem sem ouvir.


Há homens que são sem o ser
Há mundo que, tantas vezes, o não é.


Há um desalento desesperante
Capaz de levar à loucura
O mais confiante.


Porquê?
Estaremos voltados ao desespero?
Estaremos às portas do caos?


Estamos, isso sim, num tempo de vertigem,
De veloz transformação
De aparente superação do passado ido.


É o tempo da metamorfose.
Mudança.
De mudança em mudança
Parece o signo da humanidade.


Virá, com certeza, o tempo – ou sem-tempo –
Do cosmos reunido, harmónico e orientado,
mas nunca parado e estacionado.
Virá com poder da pequenez,
Da força da fragilidade,
De um Deus deixado morrer
Trucidado e moído
Na cruz dos nossos pecados
para nos pôr em movimento
rumo à libertação.


12.01.2010

5 comentários:

  1. José António,

    Estou mesmo sem saber comentar e aí valho-me do 1º verso que li : "Há palavras que falam caladas". É que às vezes é difícil descrever a beleza e a profundidade. Muito difícil e quando nos tocam tanto.
    Tão simples e tão bonitas, as que por último, nos falam de Esperança.

    Abraço,
    Malu

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  2. Caro José António

    Apenas e só: Belíssimo e profundo!

    Abraço amigo em Cristo

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  3. Caro amigo José António

    Enviei-lhe um mail que peço leia com brevidade.

    Abraço amigo em Cristo

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  4. ZÉ TÓ
    QUE POEMA LINDO. DE UMA ACTUALIDADE EXTREMA.
    mOSTRA A DOR DO MUNDO MAS TAMBÉM APONTA A ESPERANÇA
    OBRIGADA MEU AMIGO
    uTILIA

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