10 de abril de 2010

II Domingo da Páscoa: Acredito como Tomé, meu irmão gémeo!




1. O Domingo de Páscoa, pelo Evangelho de João (20,1-10), falava-nos da descoberta do túmulo aberto, mas não vazio! Túmulo aberto no qual a pedra muito grande (Marcos 16,4), símbolo do poder da morte, tinha sido retirada! Ali, o Anjo do Senhor sentou-se sobre ela (Mateus 28,2), numa impressionante imagem de soberania e vitória sobre a morte! Mas o túmulo não está vazio: está cheio de sinais, que é preciso ler com atenção: um jovem sentado à direita com uma túnica branca (no Evangelho de Marcos 16,4), dois homens com vestes fulgurantes (no Evangelho de Lucas 24,4), as faixas de linho no chão e o sudário enrolado noutro lugar (no Evangelho de João 20,6-7). É importante ler os sinais e ouvir as mensagens! Se o túmulo estivesse vazio, como vulgarmente dizemos, estávamos perante uma ausência cega e muda. Na verdade, os sinais e as mensagens do sepulcro mostram uma presença nova que somos convidados a descobrir sempre.

2. O Evangelho deste domingo II da Páscoa (João 20,19-29) aparece depois dos percursos de várias figuras bíblicas. Este é o percurso de descoberta desta nova presença de Jesus. Pensemos em Madalena que vai ao túmulo e vê a pedra removida. Pensemos em Pedro e no Outro Discípulo que correm ao túmulo e vêm todos os sinais que lá se encontram. Pensemos, de novo, em Madalena, que encontra Jesus Ressuscitado, O vê e descobre-O como o olhar da fé. “Vi o Senhor”.

3. Sai Madalena de cena e o Evangelho de hoje apresenta-nos os discípulos reunidos num lugar, com as portas fechadas, por medo dos judeus. O Ressuscitado, que nada pode reter, vem e fica no MEIO deles e saúda-os: «A paz esteja convosco!». Mostra-lhes as mãos e o lado, sinais que identificam o Ressuscitado com o crucificado, e cola-os à sua missão, ao dizer: «Como o Pai me enviou, também Eu vos envio». O presente da nossa missão aparece, portanto, colado à missão de Jesus, e não faz sentido sem ela e sem Ele. Nós implicados e embrenhados n’Ele e na missão d’Ele, sabendo nós que Ele está connosco todos os dias (cf. Mateus 28,20). É-nos dito que os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Tal como o Outro Discípulo, também eles vêm com um olhar histórico a identidade do Senhor. O sopro de Jesus sobre eles é o sopro criador, com o Espírito, para a missão. Este sopro só aparece aqui em todo o Novo Testamento!

4. O narrador informa-nos logo a seguir que, afinal, Tomé, chamado Gémeo ou Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Mas os outros dez anunciam-lhe com a mesma linguagem de Madalena, mas no plural: «Vimos o Senhor!» Portanto, também eles são testemunhas, pois viram e continuam a ver. Mas Tomé quer tudo controlado, ponto por ponto, e refere: «Se eu não vir nas suas mãos a marca dos cravos, e meter o meu dedo na marca dos cravos e meter a minha mão no seu lado, não acreditarei».
5. Oito dias depois, estavam outra vez os discípulos com as portas fechadas (mas o medo já não é mencionado), e Tomé estava com eles. Veio Jesus, ficou no MEIO, saudou-os com a paz, e dirigiu-se logo a Tomé desta maneira: «Traz o teu dedo aqui e vê as minhas mãos, e traz a tua mão e mete-a no meu lado, e não sejas incrédulo, mas crente!». Aí está Tomé adivinhado e desarmado nos seus esquemas. Também ele podia ter pensado: e como é que ele sabia que eu queria fazer aquilo? Tomé cai aqui, adivinhado e antecipado. Não quer tirar mais provas. Diz de imediato: «Meu Senhor e meu Deus!». Esta é uma das mais belas profissões de fé de toda a Escritura. E Jesus diz para ele: «Porque me viste e continuas a ver, acreditaste; felizes os que, não tendo visto na história, acreditaram!» Esta felicitação, este macarismo ou bem-aventurança, é para nós hoje, que não vimos historicamente o ressuscitado, mas acreditamos n’Ele e somos felizes por isso.

6. É notável o percurso dos Discípulos: fechados e com medo, viram Jesus entrar e ficar no MEIO deles, sem que as portas e as paredes constituíssem qualquer obstáculo. Trocaram o medo pela alegria, e também eles começaram a ver de forma continuada o Senhor e anunciá-lo. Notável e exemplar para nós, hoje e sempre, o percurso de Tomé, chamado Gémeo: não estava com a comunidade, tão-pouco aceitou o seu testemunho; queria provas sensíveis e visíveis. Mas quando veio Jesus e o adivinhou, entregou-se completamente!
7. Tomé, chamado Gémeo! Gémeo de quem, podemos perguntar? Meu e teu, assim pretende mostrar o evangelista. De vez em quando, também nós não estamos com a comunidade. Como Tomé, chamado Gémeo. Por vezes, também duvidamos e queremos provas. Como Tomé, chamado Gémeo. Salta à vista que também devemos estar com a comunidade. Como Tomé, chamado Gémeo. E professar convictamente a nossa fé no Ressuscitado que nos preside (no MEIO) e nos precede sempre. Como Tomé, chamado Gémeo.

8. E rezo:
Senhor Jesus, embora não Te vejamos
Com estes olhos de carne,
A nossa profissão de fé ardente
é hoje a do Apóstolo Tomé, chamado Gémeo;
A princípio incrédulo e depois crente exemplar:
Nós acreditamos em Ti, nosso Senhor e nosso Deus.
Andamos à procura de razões, de provas e seguranças
Para acreditar e aceitar Deus na nossa vida.
Mas tu dizes e continuas a dizer: “Felizes os que crêem sem terem visto”.
Tu és Senhor a razão da nossa fé.

Ideias que partilho com os cristãos no II domingo da Páscoa! Reflexão à luz de D. António Couto
JAC

Refulgir a Luz. [João Baptista]

João Batista é “a voz que clama no deserto, que “aplaina o caminho do Senhor”. Ele foi enviado por Deus como precursor e como “testemun...