15 de setembro de 2013

Um Deus que faz festa e que dança!





Absolutamente surpreendente este capítulo 15 do evangelho lucano que bem pode figurar entre as mais belas páginas da Literatura.
A parábola chamada do “Filho Pródigo” mostra-nos um Pai (Deus) excepcionalmente maravilhoso e bom que faz festa e que até dança (Nietzsche não O encontrou!), um filho mais novo que “mata” o pai, ao pedir-lhe a parte da herança que lhe diz respeito e que retorna a casa esfomeado e, ainda, um filho mais velho, “birrento”, igualzinho aos fariseus que, em bom rigor, não se sente filho, mas escravo, um cumpridor escrupuloso de leis e ordens.
Esta parábola de misericórdia, contada para os fariseus e escribas que, escandalizados, criticam Jesus por acolher os pecadores, entra de rompante na nossa vida e deve fazer-nos pensar… Porque é exactamente do lado dos fariseus e dos escribas, escandalizados e críticos, que nos temos de colocar a ouvir as palavras de Jesus.
Atenção redobrada, por isso, ao fecho da parábola, que termina sem nos dizer se o filho mais velho entrou ou não na “dança de roda” daquele banquete festivo. Um final estratégico, porque a história é contada para nós e é a nós que compete essa decisão!
É bem interessante, igualmente, ver como os dois filhos falam ao seu pai comum, tal como fazemos em cada Páscoa semanal. Mas em nenhum momento da história contada eles se falam um ao outro. Se calhar, tantas vezes, como nós que falamos entre raivas e insultos. E também aqui esta história põe a descoberto a nossa vida.
A parábola sugere ainda que tanto nos perdemos lá longe, no deserto, como o filho mais novo, como nos perdemos em casa, como o filho mais velho. Então, muita atenção: podemos andar perdidos e desnorteados na nossa casa árida e fria, sem o calor do afecto, sem pai e sem irmãos, sem lareira e sem mesa, sem perdão e sem alegria! Todos os cuidados, portanto!



in diálogo 1392 (Domingo XXIV do Tempo Comum – Ano C)



Pe. JAC

Descobrir o essencial!

Diante do Senhor que vem, reconhecemos que os nossos caminhos não são os seus (cf. Is 55, 9) e somos impelidos a converter-nos, a mud...