18 de dezembro de 2014

Porque complicamos? Um Simples Natal!

Fra Angelico, Adoração dos Magos (National Gallery)

Escrevi assim, porque assim acredito, para a minha cançoneta de Natal, gravada "caseiramente" e colocada no meu canal do YouTube: O Natal é simples. / O Natal não é dar. / O Natal não é um tempo / é só eternidade. / O Natal não é tristeza / nem alegria. / É só receber Deus / em cada dia. 
Com certeza, não divergiremos da comum sensação que vivemos um tempo complexo. É verdade também que cada tempo, a seu tempo, experimentou a complexidade. Todavia, parece óbvio que não gostamos de enfrentar e aceitar a simplicidade, como virtude e até como epifania de Deus. Como que aquilo que é simples fosse para menos esclarecidos, para mentes menos brilhantes. É quase princípio que quando as coisas são simples, sem serem simplistas, tratamos logo de ligar o nosso "complicómetro".
O Natal é simples. Tão simples. Um mistério de simplicidade. Um Menino envolto em panos deitado numa manjedoura. Um hino à humildade, à ternura. Um Deus que ousa sair de Si, pela dádiva do Seu Filho, só por amor, por causa da omnipotência do Seu amor, que é primeiro, que "primeirea" no dizer do Papa Francisco, um amor que toma a iniciativa de se dar. Isto é o Natal!
Então, por ser tão simples tal celebração, no nosso espírito bem ocidental, há que complicar. Há que o enfeitar com milhentas quinquilharias. Há que o enlatar com prendas e prendinhas, embrulhos e enfeites, compras e mais compras... Eis o nosso "complicómetro" ligado ao Natal simples, tão simples que nos choca.
Mas quererei eu dizer com isto que há mal em trocar prendas na noite de Natal? Não, claro que não! Fazer do Natal de Jesus, o Emanuel, Deus connosco, do simples Natal, um fugaz momento de relançamento para a nossa economia (que ainda não vive os seus melhores dias) é que é ficar aquém do que se celebra. Fazer do Natal apenas e só uma festa de encontro da família, ou um dia para vestir uma roupa nova ou um dia para degustar as especialidades gastronómicas próprias do tempo é que é ficar aquém do que se celebra. 
Creio, com D. António Couto, que o Natal simples como é, somos nós ao contrário do que somos, nós outra vez meninos, nós sentados ao lume, nós em festa, em família, nós com Deus à nossa mesa. Na noite de Natal, noite bela, feliz e simples, uma Criança nasceu e Nela, simplesmente, Deus nasceu e mora connosco desde aí! Oh ditosa Noite de Natal! Oh simples milagre de amor! Oh simples Natal do Salvador!
Tão assertivo, como sempre, escreve assim, para todos, o bispo de Lamego: "É noite de Natal. Quem o não sente? / Quem o não sabe? (... ) São tantas as estrelas. / Mas onde guardar essa abundância, / para que não acabe? / Coração parece que não temos. / Bolsos, bolsos temos, mas não cabe." 
Por isso, este ano, para todos, só desejo: Um Simples Natal!

Texto publicado no Jornal Correio do Vouga, 17 de Dezembro de 2014

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