Mostrar mensagens com a etiqueta gratidão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta gratidão. Mostrar todas as mensagens

9 de setembro de 2017

Por favor! Obrigado! Desculpe! (Na hora da partida!)




Não gosto de despedidas! Vivo esta hora como hora de partida e como hora de missão! E vivo-a com confiança. Acredito na Igreja de Jesus Cristo sem fronteiras. A minha presença na diocese de Aveiro inscreveu-se nesta convicção. 
A Providência Divina tornou possível, através da solicitude pastoral dos bispos de Braga e de Aveiro, que aqui, entre vós, pudesse crescer, viver e exercer o ministério, primeiro, ainda nas terras de Águeda, como diácono, depois como presbítero, durante quase oito anos, superando até as mais positivas expectativas iniciais. 
Sei que a missão é um estado permanente, é um constante "ir", "sair", "partir", tal como nos ensina Jesus, que foi ao encontro de todos. Seria muito mais fácil navegar na "onda do sucesso" alcançado do que aventurar-se no mar desconhecido, donde, estou certo, resultará a abundância, tão só pela fidelidade obediente à voz do Senhor.
Ao olhar o tempo passado, enquanto se arrumam papéis, deixando-me conduzir pela aragem do Espírito de Deus, que faz novas todas as coisas, e pelo exemplo do Papa Francisco, brotam-me três expressões, que são três atitudes, nesta hora de partida: "por favor, obrigado, desculpe". 
Em primeiro, "desculpe": peço desculpa pelo que não fui capaz de dar e devia ter dado. Reconhecer o "in-conseguido" é passo necessário para se fazer o que a missão impele cada dia! E porque só perdemos aquilo que não damos, lamento aquilo que perdi por não o ter dado!
Em seguida, "obrigado". Agradeço hoje, como em cada noite destes muitos dias, por quanto recebi e que foi sempre muito mais do que aquilo que dei. Eu sou, estou certo, o que mais ganhou e mais lucrou. 
Por fim, "por favor". Por favor, não percam a esperança. Ou como diz, programaticamente, o Papa, na Evangelii Gaudium:"Não deixemos que nos roubem a esperança!” (nº86). Nem "a alegria da evangelização!” (nº83). Nem "o Evangelho" (nº97). Por favor, agarrem o sonho da missão com o "entusiasmo missionário” (nº80) e com "a força missionária!” (nº109). E porque o Senhor Jesus estará onde, fraternalmente, dois ou três se reúnem no Seu nome "não deixemos que nos roubem a comunidade", (nº92) e "não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno" (nº101).
Nos caminhos da missão, em diferentes geografias e na mesma Igreja, como discípulos missionários, sempre nos mova e comova o infinito amor do Senhor. 

texto para o Boletim Paroquial Diálogo.

17 de julho de 2015

O primeiro jubileu ... de madeira! Cinco anos de padre.


Biblicamente, vem de longe a festa do jubileu (Levítico, 25). Trata-se de um verdadeiro encontrar/achar de alegria, de júbilo, vivido como tempo de graça, tempo santo, também com fortes implicações sociais (perdão das dívidas, libertação dos escravos)…

A celebração do jubileu (yovel) era anunciada com o toque festivo com o chifre do carneiro. (Tudo a ver comigo, portanto!)

Celebro hoje cinco anos da minha ordenação sacerdotal. Um jubileu de madeira, segundo vi (http://www.iprb.org.br/Lerever/bodas_jubileus.htm).
A 18 de Julho de 2010, na cripta do Sameiro, era ordenado presbítero para o serviço do povo de Deus, depois de um ano de estágio em Águeda e arredores.
Dia feliz. Melhor, o dia mais feliz! E o diz que fez e faz com que todos os meus dias sejam mais felizes. Apesar de tudo, evidentemente…

Depois de Águeda, onde estive um ano como presbítero, fui enviado (alguns dirão que “desertei”) para a paróquia de Nossa Senhora da Glória, em Aveiro, onde ainda permaneço e estarei por mais um ano…

Dou a graças a Deus pela vida e pelo caminho. Pelas vitórias e pelas derrotas, pelas conquistas e pelos fracassos… De tudo se faz a vida!
Dou graças a Deus pela família, pelos amigos e até pelos inimigos… De tudo se faz a vida!
Dou graças a Deus pelos sonhos, pela saúde e pela doença… De tudo se faz a vida!
Dou graças a Deus pelos sorrisos e pelas lágrimas, pelo entusiasmo e pelo cansaço... De tudo se faz a vida!
Dou graças por cinco anos de “luta” e de (bom) “combate” para ser transparência de Deus para todos!

São cinco anos … jubileu de madeira! 
Que o Cajado do Bom Pastor (cf. Marcos 6,8) continue a ser o meu sustento, o meu refúgio. Que o Senhor continue a sussurrar-me: “basta-te a minha graça (cf. 2Coríntios 12,9). Basta-te o meu cajado”. 
E eu continue a dizer: "Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu" (Salmo 115).




Deixo aqui a entrevista que concedi ao Correio do Vouga poucos dias antes da minha ordenação.


"Quero ser padre para Deus e para quem mais precisar"
.
José António Carneiro, 29 anos, vai ser ordenado padre no próximo domingo, na Basílica do Sameiro, em Braga, pelas 15h30. Está na Diocese de Aveiro desde Outubro de 2009 e continuará pelo menos no próximo ano pastoral. Natural de S. Torcato, Guimarães, assume-se “amante e sócio” do Vitória de Guimarães, mas afirma que há um “clube” mais importante, do qual qualquer pessoa pode fazer parte sem se “preocupar com quotas”: a Igreja de Cristo.



Entrevista realizada por correio electrónico por Jorge Pires Ferreira CORREIO DO VOUGA - O diácono José António está na Diocese de Aveiro há menos de um ano. Pode apresentar-se?
JOSÉ ANTÓNIO CARNEIRO - Chamo-me José António Ribeiro de Lima Carneiro, nasci há 29 anos, cumpridos a 16 de Janeiro. Sou natural da vila de S. Torcato, uma localidade do arciprestado de Guimarães/Vizela, da Arquidiocese de Braga. Sou o segundo de cinco irmãos, oriundo de uma família católica, empenhada em movimentos de apostolado e na vida da comunidade paroquial. Apesar disso, não há qualquer tradição de sacerdotes, religiosos ou consagrados na minha família, pelo menos que eu saiba…

Está na diocese de Aveiro desde o dia 28 de Outubro de 2009. Antes disso, que trabalhos desempenhou?
Cheguei cá como diácono, ordenado em 2006, tendo trabalhado pastoralmente em três comunidades paroquiais de Vila Nova de Famalicão e, depois disso, tendo estado dois anos como jornalista (ou a fazer de jornalista, como digo a brincar!) no jornal “Diário do Minho”, pertencente à Arquidiocese de Braga, ao mesmo tempo que colaborava numa instituição social de apoio a rapazes oriundos de famílias disfuncionais, chamada Oficina de S. José, e também em duas paróquias do arciprestado de Braga, Sé Primaz e S. João de Souto.

Como veio parar à Diocese de Aveiro?
Terminados estes dois anos, e consolidada a minha decisão de me entregar a Cristo e à Igreja como sacerdote, abriu-se a possibilidade de fazer uma experiência pastoral noutra diocese, concretamente na de Aveiro. Foram variadas as razões que levaram à minha vinda para Aveiro: a Arquidiocese de Braga, na pessoa do Arcebispo e também dos responsáveis do Seminário, viram com bons olhos a ideia; também a diocese de Aveiro, na pessoa do seu Bispo, D. António Francisco, que, como se sabe, foi bispo auxiliar de Braga - e deixou saudade - aceitou a minha vinda; e, por fim, claro está, eu mesmo quis vir. Claro que é do conhecimento geral a boa relação de permuta e partilha existente entre estas duas dioceses a este nível. Só para recordar, outras pessoas de Braga estão ou estiveram em Aveiro (actualmente o P.e Costa Leite; no passado o P.e Fonte, entre outros…).

É um minhoto aberto à beira-mar, à Bairrada, à serra?
O mais importante é que sinta que a Igreja não tem fronteiras, a nenhum nível, e também neste. Somos ordenados para Cristo, para a Igreja Universal, com expressão na Igreja Particular (diocese), claro está, mas com a abertura de coração para viver a missão onde for mais necessário. Estou incardinado na Arquidiocese de Braga, mas isso não impede, ou não pode impedir, esta abertura de coração para anunciar Cristo e o seu Evangelho onde for preciso. É com essa vontade que estou em Aveiro, mais concretamente na Unidade Pastoral Águeda, nestas nove paróquias que a compõem. Durante o próximo ano, segundo “acordo” com a Arquidiocese de Braga e a Diocese de Aveiro, e com a minha vontade, continuo por terras aveirenses. No final do ano, reunimo-nos, avaliamos, pensamos e decidimos o futuro.

Como é o seu trabalho na Unidade Pastoral de Águeda?
É um trabalho normal: celebrações da Palavra, sacramentos, catequeses, cartórios, pastoral juvenil e vocacional, um pouco de tudo neste caminhar contínuo com o Povo de Deus que nos é confiado. Trabalhar em equipa, para além de enriquecedor, é frutuoso. Dou graças por sempre ter estado em equipas sacerdotais. A minha estadia em Aveiro tem sido extremamente positiva porque me tem permitido conhecer outras formas de trabalho pastoral, outras pessoas, outras formas de ser Igreja. Daí que o balanço é, até ao momento, muito positivo, e espero que continue a ser no próximo ano.

Como foi o seu despertar para a vocação de padre?
O meu despertar vocacional aconteceu pelos 12 anos, quando me preparava para a Profissão de Fé e fui desafiado pela catequista para acolitar à missa. A partir daí o testemunho e o exemplo do meu pároco sempre me inquietou e fez-me colocar a tradicional questão do ser padre. Mas depressa passou com o tempo, para explodir, mais tarde, já com 17 anos, e com a ajuda já de outro pároco. Terminado o 9.º ano, feita a experiência de trabalho operário, entrei no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga, para o 10.º ano, e aí estive até ao 12.º. Depois do Secundário, entrei no Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, e aí fiz toda a minha formação teológica e pastoral em ordem ao sacerdócio, quer na Faculdade de Teologia quer no próprio Seminário. A família sempre me apoiou e continua. Não esqueço os sacrifícios e as dificuldades dos meus pais e irmãos ao longo destes anos.

Trabalhou no “Diário do Minho”. Isso marcou-o?
Foi uma experiência que me proporcionou um contacto mais directo com a imprensa escrita e com a comunicação social em geral, âmbito e dimensão fundamental para a vida da Igreja e para a sua missão pastoral no mundo actual, que vive em constante vertigem. Já ninguém duvida da importância dos “media”, e a Igreja não lhes pode, de forma alguma, passar ao lado. Mas também apreciei o meu trabalho na Oficina de S. José. Lá encontrei rapazes que, apesar de todo um saldo negativo ao nível dos afectos e da família, me ensinaram que a vida vale sempre a pena, que há sempre luz e esperança, horizonte e meta.

Vai ser ordenado padre num momento difícil da Igreja, não só pelos escândalos recentes, mas também pela constante mudança, pela perda de sentido de Deus na sociedade...
Reconheço o tempo difícil que a Igreja vive. Não o olho com fatalismo, mas com esperança. É o exemplo de Jeremias que consegue ver o ramo de amendoeira a florir, quando tudo à volta é lama, lodo, destruição e invernia. A crise é oportunidade para pensarmos melhor, para discernirmos os melhores caminhos. Apesar de estarmos num tempo em que muita gente coloca Deus de lado porque se sente auto-suficiente e endeusada, olho-o com optimismo e como desafio. Criticada a Igreja sempre será. É a sua sina. Porque Deus, na pessoa do Filho, foi e é criticado. Não é isso que me assusta. Se algo me assusta é o comodismo das pessoas, clérigos e leigos, particularmente. Recordo as palavras do Papa a caminho de Portugal: “Os inimigos estão no interior”. É isto que temos de pensar, é isto que temos de combater. A Igreja é sempre derrotada aos olhos do mundo. Mas Deus continua a confiar e a apostar nela. Se assim não for, não faz sentido. A Igreja, aliás, nasce da derrota, do escândalo da cruz. Aos olhos do mundo, como é que a cruz pode ser vitória? Só aos olhos de Deus e da fé, podemos olhar a cruz como sinal de salvação, porque o Crucificado é o Ressuscitado. Aí está a nossa esperança, é aí que somos (estamos) salvos.

Como vê o ministério do padre? É importante o sacerdócio ministerial?
A missão do padre passa por deixar ver em si mesmo Deus. O padre deve ser transparência de Deus. As pessoas devem ver Deus através do padre. Naquilo que ele é: pessoa, humano, imperfeito, limitado, frágil, vaso de barro, mas entregue, dado, oferecido a Deus, todo inteiro. O ministério sacerdotal não é importante em si mesmo. É-o na medida em que Deus é importante. Deus é que é importante e fundamental. Se assim não for invertemos as prioridades: e a prioridade é Cristo e o seu Evangelho, enquanto o sacerdócio (baptismal ou ministerial) é instrumento para que Deus seja e esteja no mundo, nas pessoas. Não quero ser padre “porquê”. Quero ser padre “para quê” e “para quem”. Quero ser padre, em primeiro, para Deus e, depois, para quem mais precisar.

Tem algum lema ou frase inspiradora?
Escolhi, com os colegas que serão ordenados comigo, como lema da ordenação uma frase inspirada em S. Paulo: “Tudo faço por causa do Evangelho”. Para a Missa Nova escolhi a frase dos Actos dos Apóstolos: “Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas até aos confins do mundo”.
Uma e outra têm como pano de fundo uma das minhas citações preferidas de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Queria percorrer a terra, pregar Teu nome, implantar no solo infiel a Tua cruz gloriosa, mas, ó meu Bem Amado, uma missão só não me bastaria. Quereria, ao mesmo tempo, anunciar o Evangelho nas cinco partes do mundo, e até nas ilhas mais longínquas. Quereria ser missionário, não apenas durante alguns anos, mas quereria tê-lo sido desde a Criação do mundo até à consumação dos séculos”.

Para terminar, fale-nos dos seus gostos pessoais.
São muitos os meus gostos pessoais. Gosto de ler e escrever. Leio de tudo um pouco: desde o jornal à revista, ao livro de teologia ou ao romance. Ou poesia, que é um dos meus amores. Gosto de ler simultaneamente vários livros e procuro retirar deles aroma e seiva para a minha vida. Também gosto de escrever. Poesia em particular. Procuro partilhar o que escrevo, não pela qualidade que veja nisso, mas porque o que eu acho que não tem valor nenhum pode ajudar outras pessoas, uma vez que gosto de escrever sobre as minhas situações e circunstâncias de vida e a forma como eu as encaro e procuro superar. Aproveito este meu gosto ao nível dos blogues e das redes sociais. Escrevo frequentemente no meu blogue pessoal (www.caritasdei.blogspot.com). Dos meus rabiscos poéticos, fizeram uma pequena publicação que serviu para assinalar os onze anos da elevação da minha terra natal a vila. O opúsculo chama-se “Meu Deus”. Está esgotado. Primeiro, porque se produziram poucos, segundo, porque ofereci muitos, mas, principalmente, porque não houve procura que justificasse nova edição… Também gosto de música. De ouvir, particularmente portuguesa, de todos os estilos e tempos, mas também de me aventurar, na viola ou no piano, a compor, rudimentarmente, algumas coisas. A estas chamo-lhes os meus devaneios… Gosto, por efeito (ou defeito!) de formação, de música clássica, claro está! Gosto de desporto. De todo. De ver e de jogar. Aprecio mais o desporto-rei. E porque sou natural da cidade-berço de Portugal não é preciso dizer qual é o meu clube… Amante e sócio! Mas há uma outra equipa, clube, ou associação, o que se quiser dizer, que é de quem quiser fazer parte e não se quer preocupar com quotas: a Igreja de Cristo. Nesta milito todos os dias.



Clipping da minha ordenação


16 de janeiro de 2015

Mais um ano consumado! Deo gratias!

A minha alma rejubila no Senhor 
porque me dá a graça de celebrar 34 anos!
Deus seja louvado!



Percorro na noite calada
buscando memórias vividas
encontro na história passada
páginas suadas, sentidas.

Vagueio, pensante, sozinho
oiço o silêncio a falar
qual brisa, qual burburinho,
do vento nocturno a soprar.

E eis que na hora batida
- aquela que traz novo dia - 
percorro o sonho pensado...

E olho a existência vivida
e sinto em mim a alegria
de mais um dia [ano] consumado.



Última foto dos 33!



A 1ª foto dos 34, à chegada à sacristia, para Eucaristia matinal!

16 de janeiro de 2013

O meu 32º. aniversário.



Ver passar a água de um rio sob uma ponte dá-me lições que não aprendi nem escola, nem no seminário, nem na faculdade...
A água segue o seu curso, movida de uma força imanente (presumo!) que a faz transpor barreiras ou barragens, diques e açudes... e a faz chegar à foz!
Mesmo que fique presa, durante algum tempo, correr livremente é condição própria de ser água.

Que tem isto a ver com fazer anos?

Assim me sinto e vejo ao longo de 32 passagens pelo meu aniversário.
Todas passagens diferentes, como tem que ser.
Se não são diferentes então hoje não completo mais um ano... Faria, quanto muito, 32 vezes o mesmo ano...
Mas tem sido diferente, ano após ano, em espiral crescente.

Não me preocupa se já corri muitos ou poucos, se foram rápidos ou nem tanto.
Preocupo-me e procuro cada dia correr até à foz.
Preocupo-me e procuro chegar à minha meta.
Essa tenho-a identificada: Jesus Cristo, meu Mestre e Senhor.

Se chegar a Ele em cada dia da minha vida, e hoje também,
então, hoje mesmo, posso morrer feliz.

Em dia de aniversário, aceito a "ordem" de Deus, no imperativo de S. Jerónimo: "Cala-te! Que o teu silêncio seja o Meu louvor".

E agradecido por tanto e a todos, então, calo-me... e ouço... e partilho um misto de emoções e sentimentos!
 

21 de junho de 2012

"Meu Deus. Poesias de um seminarista" faz 6 anos!


Faz hoje 6 anos que foi apresentado o meu primeiro (e único, até ao momento!) livro de poesia intitulado "Meu Deus. Poesias de Um Seminarista". Uma edição patrocinada pela Junta de Freguesia para assinalar a data da elevação a Vila da terra que me viu nascer, S. Torcato.

Refresco a minha memória e, nela, a daqueles que me "seguem", revisitando o pequeno livro e a sessão de apresentação do mesmo. Deixo-vos, primeiro lugar, o texto que li nessa sessão, e depois partilho, dois poemas escritos no livro.


Apresentação do Livro

            Às sábias palavras “Deus quer, o homem sonha a obra nasce”, eu contraponho, em relação a este livro, “Deus quer, Deus sonha, Deus, pela obra, diz-se”. É assim que me sinto em relação a este livro. Posso dizer, com todas as letras, que o autor não sou eu mas Deus. Ele é que me inspirou tudo o que ele contém. Por isso, o livro é vontade de Deus, é o seu querer. O meu trabalho é de co-autoria. Eu passei para o papel o que Ele quis dizer. A minha reflexão é fruto da sua inspiração durante estes últimos cinco anos de formação teológica. Por isso, e porque a minha linguagem, como toda a linguagem, é limitada e imperfeita acautelo os leitores para o risco de que o que se diz sobre Deus não O dizer em totalidade.

            Quando falamos de Deus corremos esse risco, perigoso, porque falamos de uma realidade metafísica, transcendente, que não podemos açambarcar. Porque Deus é Totalmente Outro diferente de nós qualquer definição que façamos é insuficiente e imperfeita. Por isso, “Meu Deus” sem ser um compêndio de teologia é teologia na medida em que é um discurso sobre Deus. E porque a teologia se faz de joelhos, como dizia o teólogo Hans Urs von Balthasar, este livro é, para mim, um livro de oração. E porque de oração se trata permitam-me a leitura do poema “Que mistério é o Meu Deus” (o último poema a entrar nesta compilação).

            Não posso terminar estas palavras sem uma palavra aos propulsionadores deste livro. O primeiro já o referi atrás: Deus! É dele que depende o que escrevo. Além disso, merece todo o destaque a Junta de Freguesia, na pessoa do seu Presidente, o Dr. Bruno Fernandes, meu amigo em todas as horas. Ele, e com ele toda a Junta de Freguesia de S. Torcato e, por consequência, a Freguesia inteira, são os meus mecenas, os responsáveis destas páginas se tornarem um livro. Estendo o meu agradecimento ao Dr. Barroso da Fonte pela estima e amizade que mostrou na edição do livro. Por fim, mas imensamente fundamental, pelo apoio e amizade de anos, a D. Amélia que me colocou este “bichinho” que se chama poesia dentro de mim e que me impulsionou a publicar alguns escritos. Em suma, por mim só, por mérito pessoal, não teria chegado a esta publicação e, por isso, a minha atitude só pode ser uma: gratidão. E na certeza de que sozinho vos não posso recompensar rezo e peço a Deus por cada um de vós. Essa é, com toda a certeza, a melhor recompensa que vos posso ofertar.
José António Carneiro | 21 de Junho de 2006



Que mistério é o Meu Deus!
Procuro com insistência
Palavras p’ra te dizer
Mas que nada significam
No Teu mistério de ser!
As palavras em si mesmas
Não Te dizem com firmeza
Apontam algumas pistas
Que revelam Tua grandeza.
E no fim da reflexão
Que quer desvelar os véus
Eu só posso concluir:
Que mistério é o Meu Deus!

Sequela

Disponível para o reino
Aqui estou de mãos vazias
Pare Te seguir, Senhor
Nada menos me pedias.
Tudo que deixava
Nada fazia sentido
Mas nesta renúncia vi
Que nada tinha perdido.
Ao seguir-Te me realizo
Imerso na novidade
No Teu seguimento encontro
O caminho da felicidade!

Alguns dos poemas publicados no livro (que já esgotou há muito tempo!!!) estão musicados e cantados. Pode ouvi-los no meu canal do youtube aqui

17 de setembro de 2011

A mesma missão: ser transparência de Deus em terras aveirenses (Nota a respeito da nomeação para a Paróquia da Glória-Sé)













 
1.A qualidade das coisas boas da vida não pode ser medida por nenhuma quantidade. A qualidade das relações estabelecidas durante os quase dois anos passados em Águeda, mais concretamente nas nove paróquias que compõem a UPA, também não pode ser quantificada. Foram tempos – menos de dois anos é pouco, mas se somarmos os meses, os dias, as horas, os segundos já dá muito mais – ricos e belos, carregados de experiências, de partilha. Tempo de ser Igreja com os outros, nesta bela e exigente experiência de Unidade Pastoral.

2.Aqui cresci também como homem e como cristão. Aqui aprendi a ser padre ao jeito e ao modo do coração do Bom e do Belo Pastor. Aqui recebi muito mais do que o pouquinho que dei. E isto gera gratidão no meu coração. Gratidão, em primeiro, a Deus que permitiu esta passagem em terras aguedenses. Gratidão à Igreja, quer a de Braga, que possibilitou a minha vinda, quer a de Aveiro, que concretizou essa vinda. Gratidão aos padres que comigo fizeram Unidade Pastoral. O Pe. José Camões, o Pe. Jorge Fragoso, o Pe. José Carlos e o Pe. Francisco Rebelo. Com eles foi e é fácil fazer equipa. Foi belo crescer como irmãos no ministério. Gratidão ao diácono Semedo e ao diácono Afonso, eu diácono como eles quando cheguei a Águeda, porque com eles aprendi esta entrega generosa ao Evangelho e à Igreja de Cristo. Gratidão ao santo Povo de Deus que nas nove paróquias da UPA querem fazer a sua fé mais consciente e madura. De Macieira, Préstimo e Castanheira, de Barrô e Borralha, de Trofa, Lamas e Segadães e de Águeda recebi, em todos os lados, belos testemunhos e exemplos de fé e de caminhada cristã, e conscientes compromissos na vida e na missão da Igreja, que se pretende e precisa para os nossos tempos. A minha gratidão estende-se a todos os padres do Arciprestado de Águeda. Em primeiro o seu arcipreste, Pe. Júlio Grangeia e todos os outros: padres Costa Leite, Manuel Armando, Paulo Gandarinho, João Paulo, e também ao Pe. Tavares. Obrigado a todos pelo testemunho de vida sacerdotal. Nos párocos reconheço o carinho, amizade e estima recíproca de todos os cristãos que peregrinam neste Arciprestado de Águeda.

3.Vou para a cidade de Aveiro mas uma boa parte do coração já fica e já tem o selo de Águeda. Parafraseando Ana Moura num belo fado, também eu hoje digo: “até ao fim do fim, eu vou-te amar”. Porque o podeis contar da minha parte, espero de todos, daqui em diante, a mesma amizade e a mesma oração. Pede-me a Igreja de Aveiro, por intermédio do seu Pastor, D. António Francisco, que sirva na comunidade paroquial da Glória, em Aveiro. É a comunidade onde se situa a igreja-mãe da Diocese, a Sé Catedral, onde nos poderemos encontrar em variados momentos e celebrações diocesanas que lá decorrem. Como sempre, e porque foi para isso que a Igreja me ordenou, aceitei a proposta, na certeza de que levo o mesmo entusiasmo que trouxe para Águeda, a mesma alegria e a mesma energia. Como me disse, recentemente, alguém que estimo: “Somos padres ao serviço da Igreja, onde quer que seja. Sempre “nómadas”. Assim quero continuar!

4.Permiti que saúde o Nuno Queirós, um nortenho como eu, que fará o seu estágio para a ordenação diaconal e presbiteral, aqui na UPA, neste Arciprestado de Águeda. Desejo que seja feliz nestas terras e possa ajudar outros a serem felizes, falando-lhes da grande felicidade que é seguir a Cristo, Modelo e Mestre, Caminho, Verdade e Vida.
5.António Machado, o poeta sevilhano, escreveu: Caminhante, são teus rastos/ o caminho, e nada mais;/ caminhante, não há caminho,/ faz-se caminho ao andar(…). Meus amigos: o nosso andar cruzou-se. Mas os nossos trilhos não terminam. Continuamos a andar ainda que com coordenadas diferentes. Mas vamos em frente. Prosseguimos seguros na mão de Deus. Até sempre!

Pe. José António Carneiro

18 de julho de 2011

Exultate! Um ano de Ordenação Sacerdotal


Hoje faço um ano de padre. No dia 18 de Julho de 2010, o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, presidiu à celebração da Ordenação Sacerdotal, na Cripta da Basílica do Sameiro, em Braga, na qual foram ordenados dois diáconos franciscanos e mais quatro padres da Arquidiocese de Braga.
Os aniversários da Ordenação Presbiteral são sempre oportunidades para fazermos exame de consciência a fim de discernirmos como está a ser a nossa resposta ao Deus que nos chama e que nos ama.
Neste primeiro aniversário, transborda o meu coração de alegria, como Maria no Magnificat, porque o Senhor Deus continua a operar maravilhas.
No que concerne à minha fidelidade ao chamamento e ao sacramento, Deus, que em conhece melhor que eu mesmo, sabe da minha entrega generosa e do meu empenho quotidiano em servir e em viver de acordo com as promessas assumidas no dia da Ordenação.
Mas se é tempo de balanço também é tempo de projecção. Para já, continuo, conforme vontade e entendimento do meu Arcebispo Primaz e do Sr.Bispo de Aveiro, D. António Francisco, a trabalhar «por mais um ano» na Diocese de Aveiro. É para mim sinal da bela e generosa partilha dos recursos humanos, sabendo que as vocações faltam em toda a parte, e que Braga não é excepção. (Ontem mesmo D. Jorge Ortiga alertava a Arquidiocese para essa questão). Mesmo assim e com esforço, é possível esta partilha entre as Igrejas Particulares (De Braga estão 35 padres a trabalhar fora da diocese, em Portugal e no estrangeiro).

Para o futuro, o mais fundamental passa por continuar a assumir aquilo que prometi no dia da Ordenação. Fidelidade, serviço, entrega são palavras que para mim continuam a nortear o meu ministério.
Fundamental no meio disto tudo é também a oração de todos. Assim como a colaboração estreita daquela bela porção do Povo de Deus que me está confiada no Arciprestado de Águeda, a quem saúdo e agradeço tantos sinais de amizade e estima.

Hoje, exulta também o meu coração pela ordenação do meu conterrâneo, padre José Miguel Fraga Cardoso, que ontem no Sameiro, foi Ordenado pelo Arcebispo Primaz juntamente com o Pedro Daniel.
Exulta o meu coração por D. Jorge ortiga, na passagem de 12 anos de serviço e de responsabilidade enquanto Arcebispo de Braga.
Exulta o meu coração na celebração das Bodas de Ouro Sacerdotais de D. Manuel Monteiro de Castro, ilustre conterrâneo vimaranense que é secretário da Congregação dos Bispos, no Vaticano.
Enfim, exulta o meu coração porque o Deus clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, continua a providenciar, com paternal bondade, o bem de todos os seus filhos, onde me incluo.

Com Karl Rahner continuo a crer e a exultar com isto: “Eles estudam e meditam sobre a ciência de Deus. Eles continuam ainda como aprendizes de Deus. E, contudo, Deus ordena-lhes que comecem a falar daquilo que eles próprios compreendem só a meias. Mas Deus está com eles. Com eles, apesar da sua pequenez e pecado. Eles não se anunciam a si mesmos, mas Jesus Cristo, anunciam o seu nome”.  

Exultate Deo! Te Deum laudamus!
Pe. JAC

30 de abril de 2011

Às Mães: a todas sem excepção!


- às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem e riem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor; e às que choram, doridas e inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos inúmeros da sociedade violenta e desumana em que vivemos;
- às Mães ainda meninas, e às menos jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades de toda a ordem, têm a valentia de assumir uma gravidez - talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior e um Dom que não se discute e, muito menos, quando se trata de um filho seu, pequeno ser frágil e indefeso que lhe foi confiado;
- às Mães que souberam sacrificar uma talvez brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos e às que, quantas vezes precisamente por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes;
- às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, tantas vezes esquecidas de si mesmas e que hoje se sentem mais tristes e magoadas, talvez por não terem um filho que se lembre delas, de as abraçar e beijar...;
- às Mães solitárias, paradas no tempo, não visitadas, não desejadas, e hoje abandonadas num qualquer quarto, num qualquer lar, na cidade ou no campo, e que talvez não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho...;
- também às Mães que não tendo dado à luz fisicamente, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação, para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe...e finalmente, também às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam já num céu merecido e conquistado a pulso e sacrifício...
A todas as Mães, a todas sem excepção, um Abraço e um Beijo cheios de simpatia e de ternura! E Parabéns, mesmo que ninguém mais vos felicite! E Obrigado, mesmo que ninguém mais vos agradeça!

 
APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
Trav. do Possolo, 11, 3º
1350-252 Lisboa

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...