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17 de julho de 2015

O primeiro jubileu ... de madeira! Cinco anos de padre.


Biblicamente, vem de longe a festa do jubileu (Levítico, 25). Trata-se de um verdadeiro encontrar/achar de alegria, de júbilo, vivido como tempo de graça, tempo santo, também com fortes implicações sociais (perdão das dívidas, libertação dos escravos)…

A celebração do jubileu (yovel) era anunciada com o toque festivo com o chifre do carneiro. (Tudo a ver comigo, portanto!)

Celebro hoje cinco anos da minha ordenação sacerdotal. Um jubileu de madeira, segundo vi (http://www.iprb.org.br/Lerever/bodas_jubileus.htm).
A 18 de Julho de 2010, na cripta do Sameiro, era ordenado presbítero para o serviço do povo de Deus, depois de um ano de estágio em Águeda e arredores.
Dia feliz. Melhor, o dia mais feliz! E o diz que fez e faz com que todos os meus dias sejam mais felizes. Apesar de tudo, evidentemente…

Depois de Águeda, onde estive um ano como presbítero, fui enviado (alguns dirão que “desertei”) para a paróquia de Nossa Senhora da Glória, em Aveiro, onde ainda permaneço e estarei por mais um ano…

Dou a graças a Deus pela vida e pelo caminho. Pelas vitórias e pelas derrotas, pelas conquistas e pelos fracassos… De tudo se faz a vida!
Dou graças a Deus pela família, pelos amigos e até pelos inimigos… De tudo se faz a vida!
Dou graças a Deus pelos sonhos, pela saúde e pela doença… De tudo se faz a vida!
Dou graças a Deus pelos sorrisos e pelas lágrimas, pelo entusiasmo e pelo cansaço... De tudo se faz a vida!
Dou graças por cinco anos de “luta” e de (bom) “combate” para ser transparência de Deus para todos!

São cinco anos … jubileu de madeira! 
Que o Cajado do Bom Pastor (cf. Marcos 6,8) continue a ser o meu sustento, o meu refúgio. Que o Senhor continue a sussurrar-me: “basta-te a minha graça (cf. 2Coríntios 12,9). Basta-te o meu cajado”. 
E eu continue a dizer: "Como agradecerei ao Senhor tudo quanto Ele me deu" (Salmo 115).




Deixo aqui a entrevista que concedi ao Correio do Vouga poucos dias antes da minha ordenação.


"Quero ser padre para Deus e para quem mais precisar"
.
José António Carneiro, 29 anos, vai ser ordenado padre no próximo domingo, na Basílica do Sameiro, em Braga, pelas 15h30. Está na Diocese de Aveiro desde Outubro de 2009 e continuará pelo menos no próximo ano pastoral. Natural de S. Torcato, Guimarães, assume-se “amante e sócio” do Vitória de Guimarães, mas afirma que há um “clube” mais importante, do qual qualquer pessoa pode fazer parte sem se “preocupar com quotas”: a Igreja de Cristo.



Entrevista realizada por correio electrónico por Jorge Pires Ferreira CORREIO DO VOUGA - O diácono José António está na Diocese de Aveiro há menos de um ano. Pode apresentar-se?
JOSÉ ANTÓNIO CARNEIRO - Chamo-me José António Ribeiro de Lima Carneiro, nasci há 29 anos, cumpridos a 16 de Janeiro. Sou natural da vila de S. Torcato, uma localidade do arciprestado de Guimarães/Vizela, da Arquidiocese de Braga. Sou o segundo de cinco irmãos, oriundo de uma família católica, empenhada em movimentos de apostolado e na vida da comunidade paroquial. Apesar disso, não há qualquer tradição de sacerdotes, religiosos ou consagrados na minha família, pelo menos que eu saiba…

Está na diocese de Aveiro desde o dia 28 de Outubro de 2009. Antes disso, que trabalhos desempenhou?
Cheguei cá como diácono, ordenado em 2006, tendo trabalhado pastoralmente em três comunidades paroquiais de Vila Nova de Famalicão e, depois disso, tendo estado dois anos como jornalista (ou a fazer de jornalista, como digo a brincar!) no jornal “Diário do Minho”, pertencente à Arquidiocese de Braga, ao mesmo tempo que colaborava numa instituição social de apoio a rapazes oriundos de famílias disfuncionais, chamada Oficina de S. José, e também em duas paróquias do arciprestado de Braga, Sé Primaz e S. João de Souto.

Como veio parar à Diocese de Aveiro?
Terminados estes dois anos, e consolidada a minha decisão de me entregar a Cristo e à Igreja como sacerdote, abriu-se a possibilidade de fazer uma experiência pastoral noutra diocese, concretamente na de Aveiro. Foram variadas as razões que levaram à minha vinda para Aveiro: a Arquidiocese de Braga, na pessoa do Arcebispo e também dos responsáveis do Seminário, viram com bons olhos a ideia; também a diocese de Aveiro, na pessoa do seu Bispo, D. António Francisco, que, como se sabe, foi bispo auxiliar de Braga - e deixou saudade - aceitou a minha vinda; e, por fim, claro está, eu mesmo quis vir. Claro que é do conhecimento geral a boa relação de permuta e partilha existente entre estas duas dioceses a este nível. Só para recordar, outras pessoas de Braga estão ou estiveram em Aveiro (actualmente o P.e Costa Leite; no passado o P.e Fonte, entre outros…).

É um minhoto aberto à beira-mar, à Bairrada, à serra?
O mais importante é que sinta que a Igreja não tem fronteiras, a nenhum nível, e também neste. Somos ordenados para Cristo, para a Igreja Universal, com expressão na Igreja Particular (diocese), claro está, mas com a abertura de coração para viver a missão onde for mais necessário. Estou incardinado na Arquidiocese de Braga, mas isso não impede, ou não pode impedir, esta abertura de coração para anunciar Cristo e o seu Evangelho onde for preciso. É com essa vontade que estou em Aveiro, mais concretamente na Unidade Pastoral Águeda, nestas nove paróquias que a compõem. Durante o próximo ano, segundo “acordo” com a Arquidiocese de Braga e a Diocese de Aveiro, e com a minha vontade, continuo por terras aveirenses. No final do ano, reunimo-nos, avaliamos, pensamos e decidimos o futuro.

Como é o seu trabalho na Unidade Pastoral de Águeda?
É um trabalho normal: celebrações da Palavra, sacramentos, catequeses, cartórios, pastoral juvenil e vocacional, um pouco de tudo neste caminhar contínuo com o Povo de Deus que nos é confiado. Trabalhar em equipa, para além de enriquecedor, é frutuoso. Dou graças por sempre ter estado em equipas sacerdotais. A minha estadia em Aveiro tem sido extremamente positiva porque me tem permitido conhecer outras formas de trabalho pastoral, outras pessoas, outras formas de ser Igreja. Daí que o balanço é, até ao momento, muito positivo, e espero que continue a ser no próximo ano.

Como foi o seu despertar para a vocação de padre?
O meu despertar vocacional aconteceu pelos 12 anos, quando me preparava para a Profissão de Fé e fui desafiado pela catequista para acolitar à missa. A partir daí o testemunho e o exemplo do meu pároco sempre me inquietou e fez-me colocar a tradicional questão do ser padre. Mas depressa passou com o tempo, para explodir, mais tarde, já com 17 anos, e com a ajuda já de outro pároco. Terminado o 9.º ano, feita a experiência de trabalho operário, entrei no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga, para o 10.º ano, e aí estive até ao 12.º. Depois do Secundário, entrei no Seminário Conciliar de S. Pedro e S. Paulo, e aí fiz toda a minha formação teológica e pastoral em ordem ao sacerdócio, quer na Faculdade de Teologia quer no próprio Seminário. A família sempre me apoiou e continua. Não esqueço os sacrifícios e as dificuldades dos meus pais e irmãos ao longo destes anos.

Trabalhou no “Diário do Minho”. Isso marcou-o?
Foi uma experiência que me proporcionou um contacto mais directo com a imprensa escrita e com a comunicação social em geral, âmbito e dimensão fundamental para a vida da Igreja e para a sua missão pastoral no mundo actual, que vive em constante vertigem. Já ninguém duvida da importância dos “media”, e a Igreja não lhes pode, de forma alguma, passar ao lado. Mas também apreciei o meu trabalho na Oficina de S. José. Lá encontrei rapazes que, apesar de todo um saldo negativo ao nível dos afectos e da família, me ensinaram que a vida vale sempre a pena, que há sempre luz e esperança, horizonte e meta.

Vai ser ordenado padre num momento difícil da Igreja, não só pelos escândalos recentes, mas também pela constante mudança, pela perda de sentido de Deus na sociedade...
Reconheço o tempo difícil que a Igreja vive. Não o olho com fatalismo, mas com esperança. É o exemplo de Jeremias que consegue ver o ramo de amendoeira a florir, quando tudo à volta é lama, lodo, destruição e invernia. A crise é oportunidade para pensarmos melhor, para discernirmos os melhores caminhos. Apesar de estarmos num tempo em que muita gente coloca Deus de lado porque se sente auto-suficiente e endeusada, olho-o com optimismo e como desafio. Criticada a Igreja sempre será. É a sua sina. Porque Deus, na pessoa do Filho, foi e é criticado. Não é isso que me assusta. Se algo me assusta é o comodismo das pessoas, clérigos e leigos, particularmente. Recordo as palavras do Papa a caminho de Portugal: “Os inimigos estão no interior”. É isto que temos de pensar, é isto que temos de combater. A Igreja é sempre derrotada aos olhos do mundo. Mas Deus continua a confiar e a apostar nela. Se assim não for, não faz sentido. A Igreja, aliás, nasce da derrota, do escândalo da cruz. Aos olhos do mundo, como é que a cruz pode ser vitória? Só aos olhos de Deus e da fé, podemos olhar a cruz como sinal de salvação, porque o Crucificado é o Ressuscitado. Aí está a nossa esperança, é aí que somos (estamos) salvos.

Como vê o ministério do padre? É importante o sacerdócio ministerial?
A missão do padre passa por deixar ver em si mesmo Deus. O padre deve ser transparência de Deus. As pessoas devem ver Deus através do padre. Naquilo que ele é: pessoa, humano, imperfeito, limitado, frágil, vaso de barro, mas entregue, dado, oferecido a Deus, todo inteiro. O ministério sacerdotal não é importante em si mesmo. É-o na medida em que Deus é importante. Deus é que é importante e fundamental. Se assim não for invertemos as prioridades: e a prioridade é Cristo e o seu Evangelho, enquanto o sacerdócio (baptismal ou ministerial) é instrumento para que Deus seja e esteja no mundo, nas pessoas. Não quero ser padre “porquê”. Quero ser padre “para quê” e “para quem”. Quero ser padre, em primeiro, para Deus e, depois, para quem mais precisar.

Tem algum lema ou frase inspiradora?
Escolhi, com os colegas que serão ordenados comigo, como lema da ordenação uma frase inspirada em S. Paulo: “Tudo faço por causa do Evangelho”. Para a Missa Nova escolhi a frase dos Actos dos Apóstolos: “Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas até aos confins do mundo”.
Uma e outra têm como pano de fundo uma das minhas citações preferidas de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Queria percorrer a terra, pregar Teu nome, implantar no solo infiel a Tua cruz gloriosa, mas, ó meu Bem Amado, uma missão só não me bastaria. Quereria, ao mesmo tempo, anunciar o Evangelho nas cinco partes do mundo, e até nas ilhas mais longínquas. Quereria ser missionário, não apenas durante alguns anos, mas quereria tê-lo sido desde a Criação do mundo até à consumação dos séculos”.

Para terminar, fale-nos dos seus gostos pessoais.
São muitos os meus gostos pessoais. Gosto de ler e escrever. Leio de tudo um pouco: desde o jornal à revista, ao livro de teologia ou ao romance. Ou poesia, que é um dos meus amores. Gosto de ler simultaneamente vários livros e procuro retirar deles aroma e seiva para a minha vida. Também gosto de escrever. Poesia em particular. Procuro partilhar o que escrevo, não pela qualidade que veja nisso, mas porque o que eu acho que não tem valor nenhum pode ajudar outras pessoas, uma vez que gosto de escrever sobre as minhas situações e circunstâncias de vida e a forma como eu as encaro e procuro superar. Aproveito este meu gosto ao nível dos blogues e das redes sociais. Escrevo frequentemente no meu blogue pessoal (www.caritasdei.blogspot.com). Dos meus rabiscos poéticos, fizeram uma pequena publicação que serviu para assinalar os onze anos da elevação da minha terra natal a vila. O opúsculo chama-se “Meu Deus”. Está esgotado. Primeiro, porque se produziram poucos, segundo, porque ofereci muitos, mas, principalmente, porque não houve procura que justificasse nova edição… Também gosto de música. De ouvir, particularmente portuguesa, de todos os estilos e tempos, mas também de me aventurar, na viola ou no piano, a compor, rudimentarmente, algumas coisas. A estas chamo-lhes os meus devaneios… Gosto, por efeito (ou defeito!) de formação, de música clássica, claro está! Gosto de desporto. De todo. De ver e de jogar. Aprecio mais o desporto-rei. E porque sou natural da cidade-berço de Portugal não é preciso dizer qual é o meu clube… Amante e sócio! Mas há uma outra equipa, clube, ou associação, o que se quiser dizer, que é de quem quiser fazer parte e não se quer preocupar com quotas: a Igreja de Cristo. Nesta milito todos os dias.



Clipping da minha ordenação


1 de agosto de 2012

Dois anos de Missa Nova! Graças, Senhor

Há dois anos atrás na paróquia de S. Torcato, em Guimarães, apresentava-me aos meus conterrâneos e amigos presidindo, no belíssimo santuário, à chamada Missa Nova.

Tratou-se, basicamente, de um dia de festa popular, aberta a todos e absolutamente inclusiva (até para os que chegavam de excursão!).

Lágrimas, choro, palmas e alegria... houve de tudo. E tudo guardo no coração.

Recordo e agradeço o dia e a vida, Àquele que me chamou a ser sacerdote do Seu Filho.
Nesse dia, cantaram-se estes versos que escrevi:







Eu quero agradecer
O dom do Teu Amor
Ofertar o meu ser
Servindo o Evangelho
De Cristo meu Senhor.

Eu quero entregar
Meu sangue e meu suor
Para anunciar
O reinado de Deus
Que é o Salvador.
Quero ir pelo mundo fora
Sem nunca desistir
E quando for a hora
De regressar ao Pai
Estar pronto a partir.
Sei que me esperarás
Com amor paternal
E me libertarás
Desta vida mundana
Pra vida divinal.

Pe. JAC

18 de julho de 2012

Dois anos de padre. Graças a Deus!

Faço dois anos de padre. Sim, é verdade! Dois anos é pouco. Sou ainda um "bebé", nestas andanças...
Mas tenho sempre bem presente para mim que as experiências significativas não valem tanto pela quantidade como valem pela qualidade! Ainda que quantitativamente dois anos sejam muitas semanas, muitos dias, muitas horas, imensos segundos... Quero dizer que qualitativamente tem sido infinitamente mais.
Nestes dois anos, muitas pessoas têm feito muito para que o ministério seja bem mais qualitativo do que quantitativo.
Quero agradecer por isso tudo, bom e menos bom, e às vezes mau...
Sei e reconheço que o ministério ordenado vale muito mais porque é Deus que age do que por aquilo que fazem os instrumentos. É assim mesmo que me sinto: instrumento, canal por onde jorra a vida e a abundância dos dons de Deus para o Povo que Ele ama como Pai e Mãe.
Dizia alguém: “o que custa são os primeiros cem”... Por isso, citando a resposta de um padre ordenado uma semana antes de mim: "venham os próximos 98!" que é como quem diz "venham os que Deus quiser dar!".
Aqui, como em tudo, nem sempre as coisas são como nós primeiramente queremos. Nem tudo corre, tantas vezes, como sonhamos. O que me faz andar é a correspondência ao chamamento de Deus. O que procuro é abrir-me cada dia à sedução de Deus. Porque Deus seduz aqueles que se deixam seduzir!


Seduziste-me Senhor
E eu me deixei seduzir.
Tu me dominaste
E venceste (Jr 20, 7-9)

A tua sedução
É toda amor
Por isso só seduzes
Quem se deixa seduzir.

Na tua sedução
Cheio de amor fiquei
E agora possa dar
O amor que encontrei.

Letra: adaptada de Joaquim Mexia Alves (Orando em Verso, pp. 22-26)
Música e Interpretação: Pe. JAC

Aqui sou feliz!

Há dois anos que fui ordenado...
Muitos dias já passaram,
Horas que nem me atrevo a contar...
Mas de uma coisa tenho a certeza
Não ganha o desalento nem a tristeza
Porque não há nada melhor que amar,
E entregar o meu coração
E ter Deus sempre a meu lado.

Ser padre é um desafio
Um dom, uma vocação...
É com Deus quebrar o vazio
Que possa haver em cada irmão.

Vivo feliz o eterno chamamento
Que preenche o meu sentimento
De entrega e de verdade,
De Amor e felicidade...
Vivo contigo, Senhor,
Em cada gesto, no meu olhar...
Inspiras-me o meu respirar
Para ser exemplo de entrega e de amor.

A Ti, Senhor,
Entrego meu coração,
A minha alma e cada oração,
Com todo o amor.

Obrigado a todos.
Pe. JAC

18 de julho de 2011

Exultate! Um ano de Ordenação Sacerdotal


Hoje faço um ano de padre. No dia 18 de Julho de 2010, o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, presidiu à celebração da Ordenação Sacerdotal, na Cripta da Basílica do Sameiro, em Braga, na qual foram ordenados dois diáconos franciscanos e mais quatro padres da Arquidiocese de Braga.
Os aniversários da Ordenação Presbiteral são sempre oportunidades para fazermos exame de consciência a fim de discernirmos como está a ser a nossa resposta ao Deus que nos chama e que nos ama.
Neste primeiro aniversário, transborda o meu coração de alegria, como Maria no Magnificat, porque o Senhor Deus continua a operar maravilhas.
No que concerne à minha fidelidade ao chamamento e ao sacramento, Deus, que em conhece melhor que eu mesmo, sabe da minha entrega generosa e do meu empenho quotidiano em servir e em viver de acordo com as promessas assumidas no dia da Ordenação.
Mas se é tempo de balanço também é tempo de projecção. Para já, continuo, conforme vontade e entendimento do meu Arcebispo Primaz e do Sr.Bispo de Aveiro, D. António Francisco, a trabalhar «por mais um ano» na Diocese de Aveiro. É para mim sinal da bela e generosa partilha dos recursos humanos, sabendo que as vocações faltam em toda a parte, e que Braga não é excepção. (Ontem mesmo D. Jorge Ortiga alertava a Arquidiocese para essa questão). Mesmo assim e com esforço, é possível esta partilha entre as Igrejas Particulares (De Braga estão 35 padres a trabalhar fora da diocese, em Portugal e no estrangeiro).

Para o futuro, o mais fundamental passa por continuar a assumir aquilo que prometi no dia da Ordenação. Fidelidade, serviço, entrega são palavras que para mim continuam a nortear o meu ministério.
Fundamental no meio disto tudo é também a oração de todos. Assim como a colaboração estreita daquela bela porção do Povo de Deus que me está confiada no Arciprestado de Águeda, a quem saúdo e agradeço tantos sinais de amizade e estima.

Hoje, exulta também o meu coração pela ordenação do meu conterrâneo, padre José Miguel Fraga Cardoso, que ontem no Sameiro, foi Ordenado pelo Arcebispo Primaz juntamente com o Pedro Daniel.
Exulta o meu coração por D. Jorge ortiga, na passagem de 12 anos de serviço e de responsabilidade enquanto Arcebispo de Braga.
Exulta o meu coração na celebração das Bodas de Ouro Sacerdotais de D. Manuel Monteiro de Castro, ilustre conterrâneo vimaranense que é secretário da Congregação dos Bispos, no Vaticano.
Enfim, exulta o meu coração porque o Deus clemente e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, continua a providenciar, com paternal bondade, o bem de todos os seus filhos, onde me incluo.

Com Karl Rahner continuo a crer e a exultar com isto: “Eles estudam e meditam sobre a ciência de Deus. Eles continuam ainda como aprendizes de Deus. E, contudo, Deus ordena-lhes que comecem a falar daquilo que eles próprios compreendem só a meias. Mas Deus está com eles. Com eles, apesar da sua pequenez e pecado. Eles não se anunciam a si mesmos, mas Jesus Cristo, anunciam o seu nome”.  

Exultate Deo! Te Deum laudamus!
Pe. JAC

28 de outubro de 2010

Um ano em Águeda e 100 dias de padre


Quis Deus, na sucessão dos dias e na evolução dos tempos, que passasse um ano da minha chegada a Águeda (28 de Outubro de 2009) precisamente no dia que completo 100 dias de sacerdote (18 de Julho de 2010).
Uns podem dizer que é obra do acaso, eu prefiro ver como sinal de Deus…
Estamos habituados a ver a avaliação dos 100 dias ou de um ano a muitos níveis. (Por exemplo, 100 dias de governação de Sócrates, ou 1 ano de Obama à frente dos destinos dos EUA).
Não quero entrar por aí. Não se trata de fazer estatísticas.
Hoje quero apenas agradecer, porque é o sentimento que em abarca.
Agradecer a Deus o dom da vida, da fé, do sacerdócio e tantos dons!
Agradecer a família, a humana, de sangue, sempre o porto seguro onde me encontro, âncora das tribulações e das dificuldades!
Agradecer a família, a espiritual, a Igreja, o espaço da comunhão, da partilha, do crescer junto, de mãos dadas, em comunidade, ou seja em comum unidade de vidas e de vontades!
Agradecer tantos amigos, perto e longe, mas com um lugar no seu coração para mim!

A Diocese de Aveiro, o Arciprestado de Águeda, as Paróquias da UPA tem sido um tempo/lugar formidável, para o meu crescimento enquanto Padre-Pastor, à imagem do Coração do Bom Pastor, o Senhor que ama e que chama…
A vida sacerdotal e serviço, entrega e doação.
Quero continuar a ser transparência de Deus, na vida concreta e diária das pessoas. Quero ser sinal que aponta e indica, pedindo sempre ao Senhor a capacidade apontar o caminho e nunca ofuscar a sua Luz.
Quero hoje, como sempre, ser mais e continuar a ser padre para Deus e para quem mais precisar.


Ser mais com Cristo

Ando em busca do sentido
Que me leve à felicidade
E quero alcançar a verdade
Que tantas vezes tenho perdido.

Ser mais à tua imagem
Ser mais como Jesus
Ser mais é uma vantagem
Carregando e levando a minha cruz.

Só por Cristo eu vou certo
Só com Ele ando perto
Só em Cristo estou aberto
A ser mais e melhor e a não parar!

Pe. JAC

24 de setembro de 2010

Turista ou peregrino?


Viver a vida como turista
É vê-la por cima, de avião - muitas vezes,
depressa, a correr,
Sem tempo para parar
Porque a todo lado se quer chegar.

Viver a vida como peregrino
É vê-la bem de perto,
Lado a lado,
Com tempo para apreciar,
contemplar,
Parando e vendo,
Sentindo os passos,
Caminhando,
Palpando o pulso,
Beijando o aroma,
Sentindo o cheiro...

Peregrino ou Turista?
Um pouco dos dois
Mas prefiro o primeiro.

Sou eterno caminhante
Ou, porque não dizê-lo,
Eterno caminheiro!

Pe. JAC
Casa de S. Paulo. Cortegaça.
Retiro para Ordenação Sacerdotal

24 de agosto de 2010

Oração Sacerdotal

Pai Santo,
revela a tua glória através de mim
e faz que eu a manifeste aos outros,
para que todos tenham vida em Ti,
a vida eterna que és Tu.


Pai,
deixa que eu realize a tua obra
que leve aos outros o teu amor,
gratuito, dado, oferecido e supremo;
Que os outros se abram ao teu amor,
que não o aprisionem, não lhe coloquem barreiras
porque o amor é tanto mais Amor
quanto mais universal.


O que tenho, ó Pai, vem-me de Ti
e como tal não é meu,
senão presente para repartir e partilhar.
Faz-me despreendido do que me deste
e a todos faça chegar a boa nova do teu amor.


Todos os tesouros vêm de Ti,
nascem das tuas fontes de vida e felicidade.
Tudo o que tenho é teu
e, por obra da tua graça e amor,
o que é teu é meu,
como herdeiro dos teus dons.
Tu és o tesouro, a pérola, a riqueza.
Eu sou o vaso, frágil e quebradiço,
onde Te guardo.
Que eu continue assim,
mas que, em momento nenhum,
quebre e perca o tesouro.


Rogo-te por todos aqueles que me dás
para servir e amar.
Servir é a forma que Tu tens de amar;
e assim quero ser.


Rogo por todos os homens e mulheres
que colocas na minha vida:
faz que os acolha como filhos teus, irmãos meus,
como oportunidade de crescermos juntos
e caminharmos para Ti.


Que não exclua,
que não separe,
que não faça mais que abençoar e abraçar;
Levar a palavra certa, no momento certo.
Que não me canse de fazer o bem
ainda que, muitas vezes, faça o mal que não quero
e deixe de fazer o bem que quero.


Rogo por todos para que sejam teus e como Tu
para que Te busquem de coração sincero.
Consagra-os e santifica-os,
permite que sejam imagem e semelhança tua
que não se cansem de correr em direcção a Ti.


Rogo pelo mundo,
para que não tenha fronteiras nem barreiras;
para que seja lugar de convivência fraterna e amiga,
para que seja irmandade, que não aniquila as diferenças
mas que cresça e caminhe de mãos dadas rumo à felicidade.


Tu és a felicidade.
Tu és a vida.
Cristo, o teu filho, o Caminho que leva a Ti.


Dá força para o percorrermos e seguirmos
com coragem e audácia
sem medos nem receios.
Assim Te alcançaremos.
Assim seremos dos teus,
dos eleitos, dos dilectos, dos filhos.


E Tu serás sempre  o Pai de Amor,
sempre pronto a abraçar, afagar e a beijar
cada um dos que criaste por amor
e que pelo mesmo amor queres salvar.


Pe. JAC

2 de agosto de 2010

Missa Nova: a minha primeira de muitas...

Olá a todos.
Escrevo, em primeiro, para pedir desculpas pela minha "aparente" ausência...
Celebrei "Missa Nova" este domingo... O trabalho foi bastante, o cansaço muito, a alegria maior ainda...
Partilho convosco dois textos e uma imagem: uma fotomontagem, a homilia, e a palavra de gratidão...
É a minha homenagem a quantos permitiram que eu seja hoje o que sou.
Obrigado a todos. 

Homilia

Celebramos o 18.º domingo do Tempo Comum. Diante de nós temos uma palavra desafiadora, que produzirá o fruto necessário se a deixarmos ecoar no nosso coração e se tivermos a coragem de a levarmos para o concreto da nossa vida.
O Evangelho de Lucas que escutamos é muito mais largo e abrangente do que à primeira vista possa parecer.
Desenganem-se aqueles que pensam, porventura, que este texto, esta parábola, é uma seta aos ricos, aos que têm muitas posses e bens, materialmente falando.
Para Jesus não está em causa as posses de cada pessoa, os seus bens, as suas riquezas. Jesus está mais preocupado com a relação que estabelecemos com elas. Daí que, na Bíblia, não se fale tanto em pobreza/riqueza material, mas mais em pobreza/riqueza espiritual ou evangélica. Ou seja: não importa se temos muito ou pouco; importa como lidamos com o que temos.
Dito isto, desenganemo-nos nós que temos poucas posses, poucos bens, uma pequena conta bancária, ou mesmo nenhuma, poucos carros e poucas casas. Este evangelho é para nós, para todos. É para os que não têm isto e para os que têm isto e muito mais.
O que Jesus quer é que a nossa riqueza maior, o nosso tesouro a nossa melhor conta bancária seja Deus.
Tornar-se rico aos olhos de Deus, acumular tesouros no céu é a lição que Jesus nos quer ensinar neste evangelho.
Jesus quer que todos nós, ricos e pobres, sejamos desprendidos, desapegados, libertos.
Para Jesus a riqueza não é má em si mesma. Ponto primeiro. Os bens materiais não são intrinsecamente maus. O uso que fazemos deles é que é mau se servem para a auto-afirmação, a auto-dependência, a avareza, a soberba, o egoísmo e o fechamento em si mesmo, olhando apenas o seu umbigo.
Jesus quer-nos de mãos abertas, de braços estendidos para Deus e para os outros. Ele quer que o Seu e nosso Pai seja o tesouro maior e que os outros sejam tratados com dignidade, justiça e equidade.
Jesus apregoa, deste modo, o poder das mãos vazias, da humildade, da simplicidade, da pequenez. Tal como Ele viveu.
Irmãs e irmãos:
Qualquer um de nós, por muitos ou poucos bens que tenhamos, pode ser o “insensato” do evangelho.
O mestre ensina que há mais alegria em dar do que em receber. Claro que este dar tem a tradução suprema do dar-se, do doar-se, do oferecer-se gratuitamente, como Jesus o fez maximamente na cruz.
Deus não fica em si. Sai e dá porque se dá, dando o Filho para nossa salvação.
O poder de Deus é a humildade, o fazer-se pequeno: encarnando, o Filho faz-se igual a nós, a fim de, pela ressurreição, nos fazer igual a Ele.
Da encarnação à cruz, o poder de Cristo é um não poder. Ele que tudo podia apenas quis poder dar-se.
Por isso, a conversão da nossa vida passa por esta atitude de doação gratuita, fazendo-nos cada dia, imagem e semelhança de Deus.

Também as leituras de Coelet e de Paulo vão neste sentido.
O sábio do AT, autor do Eclesiastes, reflecte sobre a vida, sobre o seu sentido e finalidade. Contudo, não consegue chegar à conclusão magistral que o próprio Jesus faz no Evangelho.
Para Coelet tudo é ilusão, vaidade, oco, vazio, vento, vapor, sem valor. Só Deus dá sentido, só Ele é o sentido, a orientação, a finalidade, o horizonte, a meta, a felicidade.
Paulo, na segunda leitura, é mais desafiador uma vez que nos exorta a viver sempre à luz da Páscoa. O homem cristão é homem pascal, que passa com Cristo da morte à vida.
Os imperativos tornam este texto uma exortação. Paulo pede que percorramos o caminho pascal todos os dias.
Sim! A Páscoa tem de acontecer todos os dias na nossa vida. Não é verdade que apenas o Natal deve ser todos os dias. Com mais razão, para os cristãos, todos os dias devem ser Páscoa, porque todos os dias devemos morrer para o pecado e ressuscitar para a vida de Deus; todos os dias devemos morrer para o que é terreno a fim de aspirarmos e nos afeiçoarmos às coisas do alto.
Só assim, caros irmãos, seremos homens novos, pascais, ressuscitados, à imagem de Cristo que é tudo em todos.
Só assim Deus é o nosso tesouro.
Só assim acumulamos tesouros no céu.
Só assim estamos no caminho que leva a Deus.
Ousemos corrê-lo.

 
Palavra final de gratidão

A alegria que neste momento habita e inunda o meu coração não pode ser contida por nada nem ninguém. Sinto-me feliz, hoje, neste dia em que presido à missa de apresentação à comunidade cristã que me viu nascer, crescer, fazer-me homem, cristão e sacerdote.

Para aqui chegar o caminho foi longo, não apenas recto, mas não menos belo. Foi íngreme, sinuoso e pedregoso, mas não menos saboroso. Cheio de dores e cheio de encantos, cheio de pessoas e cheio de Deus.

Neste momento da celebração, resta-me uma palavra final de gratidão, que não se resume a esta palavra no tempo, mas que se abre à totalidade da doação do meu sacerdócio, no seguimento daquela Palavra única, eterna, definitiva e de vida – Jesus Cristo – que fez e faz diferente a história humana.

Esta palavra, faço-a não porque seja parte integrante de um eventual protocolo, não porque seja bonito e simpático e fique bem, mas porque é tradução do sentimento mais profundo e maior que me abarca neste momento e me faz exteriorizar o que sinto.

1.Deus quer!
Com o poeta eu digo que Deus quer! Deus quer assim. Deus chamou-me à vida, em primeiro, a ser cristão, em segundo, a ser padre, em terceiro. Com o fado português, posso dizer: Foi Deus! A Ele devo o que sei e o que sou. A Ele também me entrego, todo inteiro, para o servir a Ele, à Igreja e à Humanidade, nos irmãos que mais precisarem.

2.O homem sonha!
Como estreitos e dilectos colaboradores de Deus, devo o que sou aos meus pais, que me quiseram, me educaram, que tudo fizeram por mim. Tantos esforços, trabalho, empenho, alegrias e tristezas. A eles devo a minha vida e, por isso, a eles entrego e ofereço a graça do meu sacerdócio ministerial.

Com os meus pais, não posso esquecer os meus quatro irmãos: o Miguel, a Carla, o Rui e o Agostinho. Eternamente grato vos fico pelo esforço suplementar, a todos os níveis, que realizastes para que fosse possível a minha caminhada para o sacerdócio. Por isso, este dia não é só meu é vosso também.

Alargo a minha gratidão à minha muita família: meus tios paternos e maternos, meus primos em todos os graus, a meus padrinhos.

Permito-me evocar aqui todos os que, ao longo deste meu percurso, foram chamados a morar com o Senhor, na Jerusalém Celeste, particularmente os meus avós paternos e maternos e, ainda, mais recentemente, os meus tios paternos Joaquim e Artur. Por eles rezo aqui e agora, na certeza da sua intercessão por todos junto de Deus.

Com o tempo o conceito de família vai-se alargando e, à página tantas, começam a ter lugar nela, outros tantos amigos.
Se aqui os quisesse elencar a todos não me bastaria uma resma de papel. Tenho a sorte de ter muitos amigos que me dão o prazer da sua amizade. Abarco-vos a todos aqui presentes e lembro os que, justificadamente, não estão cá.
Mesmo assim gostaria de elencar alguns pela relevância que têm na minha vida.
Começo por aquele que foi, é e continuará a ser um ombro amigo, uma voz sonora e canora, uma mão terna a segurar e a acompanhar. Aquele que no bom e no mau, teve a palavra certa, desafiadora, realista, querendo sempre o melhor para mim. Obrigado Padre Fernando, pela amizade, pela paciência comigo, pelo testemunho de amor e fidelidade a Cristo e à Igreja, pelo exemplo e entrega ao Evangelho onde for preciso. Grato para sempre por tudo, na certeza de que continuamos unidos, apesar da separação.

Saúdo, neste momento, os Padres da Congregação do Verbo Divino, nomeados pelo Sr. Arcebispo, para as paróquias de S. Torcato, Gominhães e Gonça. Permitam-me fazer votos de um frutuoso trabalho apostólico entre nós, nesta porção do Povo de Deus que sabe e quer peregrinar rumo a Cristo.

Estendo a minha gratidão a todos os párocos da minha vida, desde o Pe. Arieira, que está em Deus, passando a todos os que estiveram depois dele, com especial referência ao Pe. João Alberto e ao Pe. Miranda. O primeiro, que encontrei mais tarde como professor, porque me inquietou e me fez perguntar “Porque não?”. O segundo porque me introduziu no Seminário Menor e porque me acompanhou naqueles difíceis primeiros tempos. Eternamente grato lhes fico pelo vosso serviço eclesial e pela vossa amizade.

Reconheço e agradeço o trabalho de tantos padres que de uma forma ou de outra me moldaram e me marcaram.

Agradeço à Arquidiocese, na pessoa do Arcebispo e dos seus bispos auxiliares, agradeço aos Seminários de Braga, Menor e Maior, e à Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. A todos os que foram das equipas formadoras, os que são actualmente, aos reitores e directores, aos professores, aos orientadores espirituais, aos confessores. Obrigado pela paciência e pela pedagogia.

Quero lembrar aqui todos os meus colegas de curso, de percurso de formação, os do meu ano – alguns aqui presentes – e de todos os anos, os que hoje são padres e os que optaram e optam por outro caminho. Obrigado pela vossa amizade.

Mas, quero particularizar um. Um amigo mais novo, ou irmão mais novo, uma vez que me considera um irmão mais velho. Obrigado Zé Miguel, pelo dom da tua vida, a Cristo e à Igreja, já como diácono, depois como sacerdote. Obrigado pela estima que é mútua, obrigado pela presença sempre discreta e solícita. E se o meu caminho te impulsionou, de alguma forma, podes crer que, também o teu caminho impulsionou o meu, no serviço do Reino de Deus.

No meu percurso tive o prazer de contactar com muitas pessoas e muitas realidades. Não posso, por isso, deixar de evoca lugares simbólicos do meu caminho, quer durante quer depois do Seminário:
As paróquias onde durante anos a fio fiz visita pascal – Moure (Vila Verde) e Anais (Ponte de Lima) – bem como aos seus párocos, Pe. Sandro e Pe. José Oliveira;
As paróquias de Vila Nova de Famalicão onde fiz estágio pastoral – Brufe, Cavalões e Santo Adrião – e a sua equipa sacerdotal, actualmente formada pelo Pe. Paulino e Pe. Francisco, não esquecendo o Pe. Mário que vive na mesma comunidade onde o nosso diácono José Miguel fará estágio pastoral no próximo ano;
As paróquias da Sé Primaz e de S. João de Souto, onde durante dois anos, estive a trabalhar pastoralmente com o Cón. Manuel Joaquim e o Pe. Domingos Paulo;
A Oficina de S. José (Braga) onde, nos mesmos dois anos, convivi com rapazes formidáveis, marcados por histórias difíceis com um saldo afectivo negativo, mas que me ensinaram que a vida tem sempre horizonte e meta; não esqueço os alunos, os prefeitos, os directores e técnicos, os voluntários, os funcionários e hóspedes: obrigado pela amizade e pela presença;
Não esqueço, igualmente, o Jornal Diário do Minho, onde estive dois anos tentando ser jornalista, apesar de o não conseguir. Saúdo os seus responsáveis – a administração na pessoa do Cón. Fernando Monteiro, e a direcção na pessoa do director cessante, Pe. Miguel Pereira, bem como o seu novo director Prof. Doutor Silva Pereira, a quem desejo sucesso na nova tarefa. Saúdo, ainda, todos os colegas de redacção, fotocomposição, departamento comercial, gráfica e distribuição, bem como todo o pessoal de secretaria e recepção. O Evangelho é Boa Notícia de Deus e no DM tive a graça e a oportunidade de O anunciar de uma forma diferente, mas não menos bela.

Não pára por aqui o meu caminho, a minha saga, que em Outubro de 2009 me levou a outra diocese, a outro arciprestado, a outras paróquias.
Saúdo daqui a UPA – Unidade Pastoral de Águeda – as suas nove paróquias – Águeda, Barrô, Borralha, Castanheira, Macieira, Préstimo, Trofa, Lamas e Segadães. Saúdo a sua equipa sacerdotal e diaconal – os padres José Camões, Jorge Fragoso, José Carlos e Francisco Rebelo e os diáconos Augusto Semedo e Afonso Oliveira. Alargo a minha saudação ao arciprestado que tão bem me acolheu e acolhe e faço-o na pessoa do seu arcipreste, Pe. Júlio Grangeia, a todos os párocos, diáconos e a todos os cristãos que por lá peregrinam, como eu, rumo a Cristo.
Saúdo o Sr. Bispo de Aveiro, D. António Francisco, o pastor e o amigo, e nele saúdo toda a diocese que me acolheu durante este ano de estágio e que me acolherá, pelo menos, durante o próximo ano, como presbítero. Agradeço a hospitalidade, a generosidade e o sentido eclesial. Na certeza de que estamos na mesma barca, a remar na mesma ria, agradeço, por tudo.

Não nomeio aqui tantos amigos que sentidamente guardo no meu coração e que de tantas formas me ajudaram e apoiaram e são para mim exemplo e testemunho. Tende a certeza que o meu coração é muito pequeno para guardar tudo o que sinto por vós, mas é suficientemente grande para ter um lugar especial para cada um.

Não podia esquecer todos os que contribuíram para esta celebração e para este dia festivo na comunidade. A todos os movimentos da paróquia, à Irmandade de S. Torcato, na pessoa do Dr. Novais de Carvalho, à Junta de Freguesia, na pessoa do Dr. Bruno Fernandes, à Câmara Municipal de Guimarães, na pessoa do Dr. António Magalhães, a todas as instituições – Rancho Folclórico de S. Torcato, Rancho Folclórico da Corredoura, Centro Recreativo Cultural e Artístico de S. Torcato, ao Comando de Destacamento de Guimarães da Guarda Nacional Republicana, na pessoa do Capitão Amado, e ao Comando do Posto da GNR de Guimarães/S. Torcato, na pessoa do Ajudante Pires. Obrigado pela vossa presença e pelas manifestações de amizade.

Também todas as pessoas que se voluntariaram para ajudar na confecção e serviço do almoço que teremos a seguir no recinto em frente a este santuário. A todos o meu sincero obrigado.

Particularizo todos os grupos corais da paróquia que se uniram para animar esta Eucaristia e os Escuteiros que me acompanharam desde minha casa até aqui. Agradeço ao Fernando o trabalho e empenho colocado sempre, mas particularmente neste último mês. Agradeço também aos instrumentistas da Banda de Golães, ao Martinho e ao Fábio, pela preciosa colaboração.

Também aos acólitos, ao Grupo de Jovens, à Catequese. Obrigado.

3. A obra nasce!
Nunca somos obra acabada. Estamos constantemente em feitura, em realização, em devir. Com a certeza do vosso apoio e oração tenho a certeza que continuarei a nascer para Deus com cada irmão que renasce e ressuscita para Cristo. Ele é tudo em todos. É a força e o sustento. A Ele entrego meu sangue e meu suor. Nele me abandono. Nele sou e só assim serei. Obrigado a todos!

16 de julho de 2010



Ser padre é tocar no céu e não estar lá ainda. É viver a eternidade, mas ainda só com a esperança de que ela chegará (...) É amar a todos, mesmo que ninguém o ame.

Padre Anderson Marçal

12 de julho de 2010

Sacerdote

Um sacerdote deve ser simultaneamente pequeno e
grande, nobre de espírito, como de sangue real,
simples e natural, como de raiz camponesa,
um herói na conquista de si mesmo, um
homem que se bateu com Deus, uma
fonte de santificação, um pecador
a quem Deus perdoou, dos seus
desejos o soberano, um
servidor para os
tímidos e os
fracos,

que não
se baixa diante
dos poderosos
mas que

se curva
diante dos pobres,
discípulo do seu
Senhor,

chefe do
seu rebanho,
um mendigo de
mãos totalmente
abertas, um portador
de inúmeros dons, um
homem no campo de batalha,
uma mãe para confortar os doentes,
com a sabedoria da idade e a confiança
duma criança em direcção ao alto, os pés na terra,
feito para a alegria, perito no sofrimento, isento de qualquer
inveja, com perspectivas largas, que fala com franqueza, um amigo
da paz, um inimigo da inércia, fiel para sempre… Tão diferente de mim!

"Guiai-me pela mão"


Deus de infinito amor,
Vós que marcais o ritmo do tempo,
chamais as criaturas à vida e lhes dais nome,
em Vós se quebra toda a monotonia.

Nada há que não conheçais em mim:
«De manhã quando me levanto Vós lá estais,
e quando me deito Vós permaneceis comigo».

Mostrai-me a luz dos Vossos caminhos,
conduzi-me ao ritmo da Palavra,
qual perfume de alabastro,
que me enche com o odor da coragem
e da confiança.

Guiai-me pela mão,
Levai-me a ver
a aurora do novo sol,
para que seja luz da Vossa luz,
neste mundo sem rumo.

Inflamai-me com o Espírito da Verdade,
para que sem ver acredite,
confie e espere em Vós,
meu Deus, e Senhor. Ámen.

Oração da Vigília pelas Ordenações Sacerdotais da Arquidiocese de Braga e pelas Vocações

10 de julho de 2010

Vigília em Guimarães

OLá a todos





A vigília de Oração de preparação das Ordenações Sacerdotais da Arquidiocese de Braga, no Arciprestado de Guimarães/Vizela, vai ter lugar na IGREJA DE AZURÉM, dia 15 de Julho, pelas 21h30.



Vamos rezar pelas vocações. Apareçam! E passem a notícia.

2 de julho de 2010

Retiro - tempo de Graça

Olá a todos

O Retiro para a Ordenação Sacerdotal foi verdadeiramente tempo de Graça. Partilharei mais tarde alguns escritos que fiz nestes dias...
Por agora fico-me por uma das grandes conclusões que tirei:

O Sacerdócio é um dom que por muito pedido que seja, por muito rezado que seja é sempre um presente de Deus.

Partilho também a foto de família do Retiro. E apresento (da esquerda para a direita: Marc Monteiro, de Guimarães, Jorge Carneiro, de Famalicão, João Paulo, de Vila Verde, Pe. Carlos Carneiro, sj, orientador do retiro, eu e o Paulo Sá, de Esposende).

Ah, na página da diocese de Braga (http://www.diocese-braga.pt/) está informação sobre as Ordenações Diocesanas. Está também a Vigília e demais material que prepararmos e que faremos em Águeda no dia 8 de Julho, e em Braga no dia 15.

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...